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Bispo Diocesano
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"Cruz, sinal de amor"
Artigo publicado na edição de de 07 de
março de 2010 do Jornal Bom Dia
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 Retomo
a reflexão sobre a cruz, do domingo passado. A cruz
é tema recorrente na Quaresma. E na vida cotidiana
também. Ela está fincada no mundo e na história
humana. Não adianta fugir dela. Este sinal de
opróbrio se tornou, no dizer de São Paulo, “a força
e sabedoria de Deus”. (1Cor 1,23s)
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Um mundo sem sofrimento, como escreveu
Aldoux Huxley no seu “Admirável Mundo Novo”, seria
possível existir se possível fosse um mundo sem amor
verdadeiro.
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Como Deus pode tudo no amor e não pode
nada no mal, Ele não livrou Jesus da cruz. A cruz é
símbolo de que Deus se tornou um humano e sofreu
como um humano. E para os homens ela sinaliza que
eles sofrem com Deus e por isso entram na esfera do
divino.
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São Francisco é considerado o mais
perfeito imitador de Cristo, tanto que recebeu no
corpo os estigmas do Crucificado. Edith Stein, judia
que do mosteiro foi levada ao campo de concentração,
viu na cruz a paixão não só de Cristo, mas de seu
povo e da humanidade.
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Salve ó cruz, sinal do amor de Deus por
nós e do nosso amor por Ele. Amém.
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Dom Caetano Ferrari
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"40 dias em preparação para a Páscoa"
Artigo publicado na edição de de 28 de
fevereiro de 2010 do Jornal da Cidade
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O
cha mado
Tempo Pascal
é o mais importante de todo o Ano Litúrgico. Vai da
Quarta-feira de Cinzas até a Solenidade de
Pentecostes, ou seja, no presente ano de 2010,
começou no dia 17 de fevereiro e terminará no dia 23
de maio. No centro deste tempo está a Vigília
Pascal, que é o cume de todo o Ano Litúrgico, pois
ela é a celebração não só da Páscoa de Cristo,
Cabeça do corpo místico, a Igreja, como também da
Páscoa dos Cristãos, os seus Membros. A Vigília da
Páscoa se desdobra no Tríduo pascal (Quinta, Sexta e
Sábado Santo) que celebram intensamente os mistérios
da paixão e morte, sepultura e ressurreição do
Senhor. No dizer de Santo Agostinho, este é o “sacratíssimo
Tríduo do Crucificado, Sepultado e Ressuscitado”.
E, como nós todos sabemos, a Páscoa de Nosso Senhor
Jesus Cristo é o centro de todo o mistério cristão,
o fundamento de nossa fé. É bom ter presente esta
visão geral do Tempo Pascal, com os 40 dias da
Quaresma, a Semana Santa, o Tríduo e Vigília Pascal,
e os 50 dias de aleluia até a solenidade de
Pentecostes. Ajuda a gente a viver mais intensa e
integralmente os mistérios de Cristo celebrados ao
longo do Ano Litúrgico (Natal, Páscoa, Festas e
Solenidades, Nossa Senhora, os Santos, etc).
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A Quaresma é esse tempo de preparação para a Páscoa
que começa todo ano com a Quarta-feira de Cinzas. A
cinza recebida é um símbolo muito expressivo do
espírito que marca
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a Quaresma, com as suas características de
conversão, penitência, oração e caridade. E a
palavra Quaresma, cuja raiz significa 40, lembra os
40 dias durante os quais Jesus se
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preparou no deserto, com jejuns e orações, para a
missão apostólica, que estava prestes a iniciar.
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Jesus é o modelo da vida de oração, penitência e
caridade dos cristãos. Nele se inspira a Quaresma
para motivar a assumir, como exercícios quaresmais
de conversão, os três
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exercícios de culto a Deus já conhecidos no Antigo
Testamento:
a oração, o jejum, a esmola
(cf. Mt. 6,1-18).
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Preparar-se bem para a Páscoa, em outras palavras,
viver seriamente a Quaresma, ou ainda, praticar
exercícios de oração, jejum e esmola, é mais do que
uma questão de quantidade,
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de visibilidade ou publicidade. Jesus mesmo tem
criticado, como no Evangelho acima citado, quem reza
ou dá esmola ou faz jejum só para ser admirado,
incensado ou reconhecido pelos
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outros. Ele orientou bem para uma oração sem muitas
palavras, praticada no silêncio da voz e do coração,
balbuciada no suspiro do Espírito que geme e suplica
dentro do peito. Afirmou que a verdadeira penitência
agradável a Deus é um coração puro, a prática do
bem, uma vida com mais amor. Instruiu, quanto à
caridade, para que a mão direita não saiba o que a
esquerda faz,
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mas para que toda dádiva seja generosa e de mãos
cheias, recomendando uma prática de lágrimas
enxugadas, famintos saciados, feridos socorridos,
caídos erguidos, órfãos e viúvas
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amparados, pão repartido, vida doada...
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Neste ano em que a Campanha da Fraternidade
Ecumênica nos convida a refletir sobre o tema
Economia e Vida,
sob o prisma da Palavra de Deus: “Vocês
não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24),
nossa penitência quaresmal deve contar com gestos
concretos de partilha e justiça para com os pobres e
os excluídos da economia de mercado, e com ações
políticas efetivas de questionamento do sistema
econômico dominante e excludente, e de proposições
objetivas de inclusão e transformação social,
política e econômica. Que não esmoreça jamais a
esperança de que outro modelo de economia é
possível, que defenda e promova a vida, o
desenvolvimento sustentável, tanto social quanto
ecológico, construa o bem comum e proporcione o
bem-estar para o nosso povo, segundo propõe a
Campanha da Fraternidade de 2010.
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E que a preparação quaresmal seja uma oportunidade
de conversão de vida, de mais vida com Deus e os
irmãos, para que a Páscoa seja vida nova, plena e
feliz, com justiça, dignidade e esperança para
todos.
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Dom Caetano Ferrari-
Bispo Diocesano de Bauru
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"Os cristãos sem Jesus"
Artigo publicado na edição de de 28 de
fevereiro de 2010 do Jornal Bom Dia
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Como
não há Jesus sem cruz, nem cristão sem Jesus,
impossível ser cristão sem a cruz.
De fato, não é possível separar Jesus da cruz. É da
nossa fé: cremos que o Messias crucificado deu a
vida por nós, como afirma o apóstolo Paulo, por
exemplo, em Rm 5,8: "Cristo morreu por nós, pelos
nossos pecados"; ou em 1 Cor 1,23: "Anunciamos
Cristo crucificado, escândalo para os judeus e
loucura para os gentios...".
A morte de Cristo na cruz, bem como a sua
ressurreição, é acontecimento central da fé cristã.
Há, porém, pensadores modernos que rejeitam a cruz.
Nietzstche perguntava:"Como podia Deus consentir
nesta morte?".
E dizia que o cristianismo seria religião dos
resignados, que justifica o fracasso, que enfeita a
dor e adoça o sofrimento e que propõe a penitência
como moeda de troca em vista do prêmio eterno.
Nossa fé, porém, nos diz que o ideal de Jesus nunca
foi a dor ou a cruz. O amor e a obediência, isto
sim, foi tudo para Ele, para fazer sempre e em tudo
a vontade do Pai e dar sua vida por nós: "sabendo
Jesus que chegara a sua hora, tendo amado os seus,
amou-os até o fim" (Jo 13,1).
Há até mesmo cristãos que não sabem o que fazer com
a cruz, não só a própria, que a rejeitam, como a de
Cristo, sobre a qual não falam, e quando falam,
omitem ou esquecem estas palavras: "Se alguém quer
me seguir, tome sua cruz cada dia e siga-me" (Lc
9,23).
A diferença que conta nessa história da cruz de cada
dia está no amor. Quem a abraça com amor sabe que
não está só, Jesus carrega junto: "Vinde a mim que
estais cansados sob o vosso fardo... e encontrareis
descanso para vossas almas" (Mt 11,28-30).
Dom Caetano Ferrari é bispo diocesano de Bauru
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"Os Exercícios Quaresmais da Oração, Jejum e Esmola"
Artigo publicado na edição de de 21 de
fevereiro de 2010 do Jornal da Cidade

- “Boa coisa é a oração com o jejum e a esmola
com a justiça” (Tobias 12,8).
- Páscoa do Senhor – Fundamento da Fé
Cristã e Centro do Ano Litúrgico
- A Páscoa, que compreende a morte e ressurreição
de Jesus Cristo, constitui o fundamento de toda a
vida cristã, o fato mais importante da História da
Salvação. A celebração anual da Páscoa, na Liturgia,
transforma o Ciclo Pascal, que começa na
Quarta-feira de Cinzas e vai até Pentecostes, no
núcleo central do Tempo Litúrgico, em outras
palavras, no momento mais importante de toda a vida
litúrgica da Igreja. A Vigília da Páscoa como ponto
mais alto da celebração do mistério pascal – Tríduo
Pascal, Semana Santa, Quaresma, 50 dias de aleluia -
apresenta
- à humanidade o evento-mistério do “Cristo que
levantado da terra atraiu todos a si” (Jo 12, 32) e
que, por sua morte e ressurreição, realizou a obra
de nossa salvação, da restauração universal de todas
as coisas e da perfeita glorificação de Deus, numa
leitura resumida da bonita reflexão do Concílio
Vaticano II (Dei Verbum 4; Ad Gentes 5).
- Um acontecimento de extraordinária grandeza e
significado em relação à nossa fé, que deve ser
muito bem celebrado na Liturgia e muito bem
preparado na vida por uma caminhada de conversão,
tanto individual como comunitária. A Quaresma é esse
tempo de 40 dias de preparação para a grande
celebração do Tríduo Pascal, que culmina com a
Vigília Pascal e se completa no Domingo da
Ressurreição. Esse fato histórico, que se renova no
Rito Litúrgico (Sacramento), é o mistério de “Jesus
Cristo Salvador que destruiu o mal e a morte e fez
brilhar a luz e a vida
- imperecíveis”, como diz o apóstolo Paulo em 2Tm
1,10.
- Os Exercícios Quaresmais, ou de Conversão, ou de
Culto a Deus: Oração, Jejum, Esmola.
- Esses três exercícios – oração, jejum, esmola –
vêm da Bíblia. São conhecidos no Antigo Testamento,
como por exemplo, na citação acima de Tobias; também
em Isaías 58 se pode ler sobre o jejum que agrada a
Deus. No Novo Testamento, Jesus se alonga ao falar
acerca da verdadeira oração, da esmola e do jejum em
- segredo (cf. Mt 6, 1-18). Esses exercícios não
têm valor em si mesmos, mas devem sempre ser
entendidos como meios ou instrumentos bons e úteis
de conversão, de arrependimento dos pecados, como
expressões concretas de busca da vida nova em
Cristo, que o mistério pascal significa, e Jesus nos
oferece gratuitamente. Não compraremos a graça de
Deus com nossas penitências. Mas o Senhor quer
sentir os nossos sentimentos, os nossos anseios,
desejos, carências
- e intenções. Por isso essas práticas são
chamadas de verdadeiro Culto oferecido a Deus,
quando por elas a pessoa deseja ardentemente exaltar
a tríplice relação do ser humano: com Deus, pela
oração; com a natureza criada, pelo jejum; e com o
próximo, pela caridade, tomando estas palavras do
grande Papa São Leão
- Magno. Mt 6, 1-18 é o Evangelho que se lê na
Quarta-feira de Cinzas, como uma exortação de Jesus
para uma verdadeira penitência quaresmal.
- Nos dias de hoje, de exaltação da beleza do
corpo, da estética e bem-estar físico, quanta gente
se impõe incríveis sacrifícios de dietas, jejuns e
malhações? Quem se exercita na prática da penitência
quaresmal por causa de sua fé persegue bens
religiosos e espirituais, sem deixar de receber de
acréscimo os benefícios corporais. Pois que a razão
fundamental ou o motivo maior da prática dos
exercícios da oração, jejum e caridade é sempre o
amor a Deus. Deus amou tanto a humanidade que nos
enviou o seu Filho único, e Jesus demonstrou o seu
grande amor dando a vida por todos nós. Por isso, a
nossa penitência quaresmal
- só tem sentido se for também um ato de amor, uma
nossa resposta amorosa ao Pai e ao Filho no Espírito
do Santo Amor. A penitência quaresmal, praticada com
o espírito de participação nos sofrimentos de Jesus,
de oblação e oferta a Deus por
- nossos pecados e de solidariedade com os pobres
e sofredores deste mundo, e exercitada com
moderação, sob o primado da misericórdia, amor e
caridade, é meio eficaz de preparação para a
celebração da festa da Páscoa da Ressurreição. Além
de nos ajudar no crescimento espiritual de vida,
dispondo-nos interiormente
- à ação da graça de Deus, proporciona
revitalização integral de nosso ser: corpo, mente e
espírito. Eis porque o mistério pascal envolve todo
o ser do homem, tornando-o uma nova criatura. “Se
alguém está em Cristo, é nova criatura. Passaram-se
as coisas antigas; eis que se fez realidade nova”
(2Cor 5,17). Assim sendo, a Páscoa de Cristo é
também a Páscoa dos Cristãos. “Se com Jesus Cristo
morremos, com Ele viveremos. Se com Ele sofremos,
com Ele reinaremos” (2Tm 2,11). Deus seja louvado,
agora e sempre, amém!
- Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
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"Abismo de Misericórdia"
Artigo publicado na edição de de 24 de janeiro de 2010 do
Jornal Bom Dia
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Todo domingo, nós nos reunimos ao redor das
mesas da Palavra de Deus e da Eucaristia. Para
comermos do pão da Palavra e da Eucaristia,
que alimenta nossa vida cristã. Hoje, na
Missa, ouvimos Jesus anunciando na Sinagoga de
Nazaré que naquele dia se cumpria a passagem
da Escritura lida por Ele em Isaías e que diz:
“O Espírito do Senhor está sobre mim e me
ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres, a
libertação aos oprimidos e o ano da graça do
Senhor” (Lc 4,18-19).
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Começava a vida pública de Jesus.
Foram três anos de incansável atividade como,
por exemplo: perdoar pecados, curar doentes,
expulsar demônios, ressuscitar mortos,
multiplicar pães, fazer andar, ouvir e falar,
ensinar a orar, abençoar e santificar. Enfim,
o Divino Salvador, movido de compaixão, passou
entre os humanos fazendo só o bem e todo o
bem.
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Jesus, perfeito Homem, se
aproximava bondosamente dos pecadores para
perdoá-los e recebê-los, como perfeito Deus,
no seio da divina misericórdia. No perdoar os
pecados, mais do que no fazer milagres, Ele
revelava a magnitude de sua Divindade e o
abismo infinito de sua Misericórdia. Ele
perdoou grandes pecadores: Madalena, a
pecadora, a mulher adúltera; Pedro, o traidor;
a Samaritana, que teve cinco maridos; Zaqueu,
chefe dos publicanos; o bom ladrão, a quem
prometeu o céu; e a nós todos continua
perdoando com infinito amor.
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Mistério insondável e paradoxal de
Deus: “o abismo que atrai abismo” (Sl
42,8). O abismo da infinita misericórdia
divina de Jesus que atrai o abismo da grande
miséria humana em nossos pecados, não para
punir, mas salvar; não para abater, mas dar a
vida.
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Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano
de Bauru
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Orar
é como duas pessoas que se amam"
Artigo
publicado na edição de de 24 de janeiro de
2010 do Jornal da Cidade
“Sempre
e por tudo dando graças a Deus Pai, em nome de Nosso
Senhor Jesus Cristo” (Ef 5,20). “Vivei em orações e
súplicas e rezai em todo tempo no Espírito” (Ef 6,18).
Uma multidão de testemunhas nos fala, de muitos modos,
sobre o que é orar. Principalmente os místicos e
santos nos ajudam a entender o que é a oração,
revelando-nos muitos segredos de sua busca e amorosa
experiência de Deus. Quem ama deseja estar junto da
pessoa amada, com ela quer aprofundar a comunhão de
vida, pensamentos, anseios e ideais. Viver para essa
pessoa e dela viver, ser tudo nela e dela ser tudo,
enfim com ela desejar intensamente ser um só. Orar é
estar à procura de Deus, é desejar Deus, é querer
participar do mistério de Deus e entrar na perfeita
comunhão de vida com Ele.
Alguns santos se manifestaram admiravelmente sobre a
oração: “Orar é como duas pessoas se amando”, escreveu
Santa Tereza D’Ávila. Santa Teresinha dizia que para
ela “a oração é um impulso do coração, é um simples
olhar do coração lançado ao céu, um grito de
reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio
da alegria”. São de Santo Agostinho essas palavras: “a
oração é a fraqueza de Deus e a força do homem”. São
Francisco instruía seus frades, ensinando que “Orar é
possuir o Espírito do Senhor e seu santo modo de
operar”. O bem-aventurado Papa João XXIII deixou essa
mensagem: “um homem sem oração é como um jardim sem
flores”.
Em tudo Vos damos graças, ó Pai, por Jesus Cristo no
Espírito Santo. Amém! Inspirada em 1Ts 50, 18, esteja
sempre em nossos lábios essa prece de louvor e
gratidão à Santíssima Trindade. E supliquemos a Jesus
Cristo que nos ensine a orar. Ele é, por excelência, o
Mestre de nossa oração. Os apóstolos viram muitas
vezes Jesus orando. A oração do “Pai Nosso” nos foi
ensinada e dada por Jesus mesmo. Ela é sempre um
modelo de oração para todos nós, é a mais perfeita das
orações e um resumo mesmo do Evangelho.
Quem ora faz a leitura da vida, compreende o mistério
do existir, encontra a paz e a iluminação, recompõe o
seu viver, se reconhece e reconhece os outros. A
oração leva ao amor e à prática da caridade. O amor e
a caridade levam à oração. Porque Deus é amor e todo o
bem, quem d’Ele se aproxima recebe o seu Espírito e
n’Ele e por Ele opera o bem, vivendo na prática da
caridade e no espírito de oração e devoção, ao qual
todas as coisas devem se submeter, conforme nos ensina
São Francisco. Quem, pela oração e caridade possui o
Espírito Santo do Senhor e seu santo modo de operar,
torna-se capaz de, com Jesus, clamar com gemidos
inefáveis “Abba”, Pai Nosso que estais nos céus...
A oração, então, opera maravilhas e transforma-se em
terapia, salvação, vida, alegria e poder.
Em louvor de Cristo. Amém!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de
Bauru
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"Viveis
sempre alegres. Orai sem cessar 1 Ts 5,17)"
Artigo
publicado na edição de de 17de janeiro de
2010 do Jornal da Cidade
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- O
Catecismo, que aprendemos desde crianças, já nos
ensinava que a Oração é
uma necessidade vital. Mais do que um
conhecimento, essa verdade foi se transformando,
com o passar do tempo, numa experiência real de
vida. Isso não aconteceu só comigo, mas com toda
pessoa, e acontece ainda hoje na vida de toda a
gente. Foi vivendo que nós começamos a descobrir
que o sentido deste mundo está fora do mundo.
Que o coração do homem é maior do que todas as
coisas deste mundo. Que nada do aqui existente é
capaz de saciar a fome e sede do amor infinito,
de satisfazer o desejo do bom, belo, verdadeiro
e santo, de realizar os sonhos de plenitude e
sublimidade no existir. Então, aquelas verdades
que decoramos no Catecismo, na ingenuidade da
infância, foram fazendo sentido e se tornando em
ciência e sabedoria de vida, porque a realidade
do existir foi nos colocando diante dos
mistérios da própria vida, que só a fé é capaz
de explicar. Podemos afirmar que foi desta
maneira que passamos a compreender quem é Deus.
Ou melhor, que iniciamos uma caminhada pessoal
de busca de Deus, mais do que de conhecê-lo pela
razão, passamos a desejar experimentá-lo e
senti-lo com o coração, em outras palavras,
amá-lo de todo o coração, de toda a alma e de
todo o entendimento. A fé foi se tornando
adulta, deixou de ser teoria, nem Deus era mais
um objeto de estudo, mas deparamo-nos diante
d’Ele como diante de um Outro, uma Pessoa que
vem ao encontro do ser humano e o atrai a si,
não só porque o criou, mas porque o ama e o
chama a Si para uma comunhão de vida, e vida em
plenitude, já no aqui e agora deste mundo.
Somente a partir dessa experiência é que nos foi
possível responder coerentemente ao achegamento
amoroso de Deus e declarar-Lhe nosso amor e fé:
“eu creio!” ou “Meu Senhor e meu Deus!”. Como
soam maravilhosas as palavras de Santo Agostinho
com as quais expressou a emoção do seu encontro
com Deus, depois de difícil crise existencial e
longa busca intelectual: “Ó beleza sempre nova e
sempre antiga. Tarde te amei! Estavas dentro de
mim, mas eu estava fora. Estavas comigo e eu não
estava contigo. A vida do meu corpo é minha
alma, mas a vida de minha alma és Tu, Senhor.
Tarde te amei! Se o ser humano é um ser de
desejos, o desejo de possuir Deus é o que melhor
o caracteriza na sua identidade e no seu ser: um
ser para Deus. É por isso que o homem anseia
naturalmente encontrar-se com o seu Criador e
“inquieto está o seu coração enquanto não
repousar em Deus” (Santo. Agostinho). (Continua
na próxima semana)
- Dom Caetano
Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
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"Paz
e Bem"
Artigo
publicado na edição de de 10de janeiro de
2010 do Jornal Bom Dia
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- A Igreja, na Liturgia, abriu o Ano-Novo
celebrando o 1º de janeiro como Dia Mundial da Paz
e invocando a Mãe de Jesus como Rainha da Paz. Por
quê? Ora, se Jesus é a realização do sonho de paz
do povo de Israel; se assim se deve entender a
profecia maior de Isaías de que nasceu para nós um
menino cujo nome é “Príncipe da paz” (Is 9 5); se,
como afirma São Paulo, Jesus é a “nossa paz”, que
a estabeleceu definitivamente neste mundo,
reconciliando a humanidade com Deus e fazendo dos
povos uma só família de Deus pela derrubada dos
muros da discriminação entre os povos (cf Ef 2,
14-20); se este Jesus é o Príncipe da Paz, então,
Nossa Senhora, a sua Mãe Santíssima, é a Mãe da
Paz.
O Ano-Novo abriu-se com uma festa mariana, sob o
signo da mulher Maria de Nazaré, Mãe de Jesus, com
seus valores femininos de ternura, bondade, amor,
zelo, afeto, acolhimento, presença, doação e
serviço. Pois, é da primazia destes valores que
brota a paz.
A Mãe de Jesus é a flor mais bela do jardim
cósmico; a única criatura humana cheia de graça em
quem reside todo o bem; o rosto materno de Deus; a
Filha e Serva do Rei Altíssimo e Pai celeste; a
Mãe do Santíssimo Senhor Jesus Cristo; e a Esposa
do Divino Espírito Santo.
Por seu ‘sim’, Maria deu à luz o Filho de Deus que
é “o primogênito de todas as criaturas” (Cl 1,15).
Por esta sua maternidade divina ela tornou-se
também a mãe da nova família de Deus, a
humanidade, e a mãe de todo o universo, com todas
as criaturas.
Salve Rainha, protege-nos sob teu manto cor de
anil e roga a Deus por nós bênçãos e graças de
saúde e paz, agora e para sempre. Amém!
- Dom Caetano Ferrari bispo diocesano de
Bauru
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"Epifania"
Artigo
publicado na edição de de 03de janeiro
de 2010 do Jornal da Cidade
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A festa da
manifestação de Deus ao mundo
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A palavra “epifania” vem do idioma grego
“epipháneia” e significa apresentação,
manifestação, revelação. Assim sendo, entendemos
por festa da Epifania do Senhor a manifestação ou
revelação de Jesus ao mundo. Naqueles dias do seu
nascimento, Jesus foi manifestado ao mundo pagão
quando os Reis Magos, vindos do Oriente e guiados
por uma estrela, que misteriosamente aparecera no
céu, encontraram em Belém numa manjedoura o
Menino, com Maria e José. Jesus já fora revelado
aos pastores, gente do povo pobre de Belém e
região, pelos Anjos que anunciaram uma grande
alegria, o nascimento do Salvador, e cantaram em
coro “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos
homens de boa vontade” (Lc 2, 14). Ele fora também
revelado às autoridades civis e religiosas da
nação judaica (Rei Herodes, príncipes dos
sacerdotes e escribas), quando, alertados pelos
Magos do Oriente, descobriram nas Escrituras o
sentido do aparecimento daquela estrela no céu, ou
seja, a realização de uma velha profecia que dizia
“E tu, Belém, terra de Judá, de forma alguma és a
menor das cidades de Judá porque de ti sairá um
chefe que apascentará meu povo Israel” (Mt 2, 6).
A festa dos Reis Magos
A Epifania ou manifestação do Senhor ao mundo é
conhecida como a festa dos Reis Magos. Na Liturgia
deste domingo (03/01/2010) é proclamado o
Evangelho de Mateus (Mt 2, 1-12) que narra a longa
caminhada dos Reis Magos: “Onde está o Rei dos
Judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no
oriente e viemos adorá-lo”. E depois de terem
adorado o Menino voltaram para a sua terra por
outro caminho. São Paulo afirma na carta aos
Efésios (2a. leitura do dia – Ef 3,2-3.5-6) que o
mistério agora revelado em Cristo significa que
“os pagãos são admitidos à mesma herança, são
membros do corpo, são associados à mesma promessa
em Jesus Cristo”. Na escuta do profeta Isaías (1a.
leitura - Is 60,1-6) recordamos aquela sua
profecia de que sobre Jerusalém descerá a glória
do Senhor, a qual ficará toda iluminada e atrairá,
com o clarão de sua luz, os povos envolvidos nas
trevas, que se achegarão a ela, vindos de longe,
como seus filhos e suas filhas, trazendo as
riquezas de além mar, ouro e incenso, inundando a
cidade de camelos e dromedários de Madiã e Efa, e
todos proclamando a glória do Senhor. Com palavras
de comovedora alegria, Isaías relata a festa da
chegada desses povos distantes: “ao vê-los,
Jerusalém, ficarás radiante, com o coração
vibrando e batendo forte”. É o cumprimento da
promessa que alentava o povo judeu nas suas
orações, como rezamos no Salmo responsorial: “as
nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó
Senhor!” (Sl. 72/71).
No início do caminho havia uma estrela
Não é suficiente que Jesus tenha nascido, no
passado, e agora de novo, no Natal de 2009. É
necessário que Ele seja manifestado e revelado a
todo mundo crente e não crente, de todos os tempos
e lugares. Precisamos sempre de novo descobrir a
estrela que sinaliza e indica para cada um de nós,
em particular, como batizados, e para todos nós,
comunitariamente, como povo de Deus, o caminho de
Deus a seguir, sua vontade e desígnio a obedecer,
uma vocação e missão a cumprir, que em síntese
consistem em acolher Deus na vida e em manifestar
e revelar Deus ao mundo.
Ser estrela que brilha gratuitamente no céu
Não basta igualmente acolher Deus no coração, é
necessário ser uma estrela que brilha no
firmamento, generosa e gratuitamente, refletindo o
clarão que vem de Deus. Esta é a missão do cristão
batizado e da Igreja, ser luz do mundo, estrela no
firmamento, sal da terra, fermento na massa, sinal
de Deus, gesto revelador da sua bondade e
misericórdia. Ser como essa estrela de Deus é ser
missionário. A vocação cristã é, por natureza, uma
vocação missionária.
Como seria bom se toda pessoa que olhasse para a
gente, para nossas comunidades de fé, para todo
cristão descobrisse em nós essa estrela de Belém,
que manifesta Deus, revela seu rosto, sinaliza
esperança, aponta caminhos de paz e bem.
Sigamos a Estrela de Deus, que no Natal de 2009
veio para nos apontar novos caminhos. Quem
encontra Jesus Cristo não volta pela mesma
estrada. Descobre caminhos novos, a exemplo dos
Reis Magos, que voltaram para sua terra, mas por
outra estrada.
Sejamos, em 2010, luz para os outros, uma Estrela
que indica caminhos do bem, da paz, do amor;
caminhos para Deus!
Dom Caetano Ferrari Bispo
Diocesano de Bauru
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"Folia
de Reis"
Artigo
publicado na edição de de 03 de janeiro
de 2010 do Jornal Bom dia
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F
olia de Reis é
uma bonita festa em louvor a Jesus
- Guiados por uma
estrela, Reis Magos vieram adorar o Senhor.
Segundo evangelhos apócrifos, Melquior era rei da
Pérsia; Baltasar, da Índia; e Gaspar, da Arábia.
Por isso, a Epifania é também festa da unidade das
raças.
- A Folia de Reis é
uma festa popular muito bonita, colorida e sonora,
de que me lembro do tempo de menino, quando morava
na roça, no sítio Santa Maria, em Pirajuí/SP, onde
nasci. Por ocasião da festa dos Santos Reis,
vinham lá os cantadores, vestidos de reis, e a
comitiva, cantando louvores a Jesus.
- Apresentavam-se ao
anoitecer, como que seguindo a luz da estrela do
Natal, e passavam de casa em casa, saudando os
moradores com cantos e mensagens natalinas. Antes
de se retirarem, o pessoal que os recebia lhes
servia alguma coisa de beber e ofertava alguma
prenda. As prendas eram ajuntadas para serem
servidas na grande festa de encerramento, com
muita música e dança.
- A gente esperava
com ansiedade a Folia chegar. Era um espetáculo
que enchia os olhos e o coração e inundava de
fantasia a imaginação. Quem, como eu, experimentou
dessas coisas sabe que tem a alma marcada para
sempre com um fascínio único do Natal.
- Quando o
porta-bandeira erguia a Bandeira, era hora da
partida e os cantores, agradecendo, cantavam:
“minha Bandeira se despede, vai no giro de Belém.
Adeus, Senhores e Senhoras, até o ano que vem!” E
lá ia embora a Folia, seguindo a estrela! Natur
almente,
no sono daquela noite, os sonhos de qualquer
menino eram mais coloridos, cheios de luz,
estrelas e encantos, que o tempo jamais apagou.
-
Dom Frei Caetano Ferrari, ofm
- Bispo Diocesano de Bauru
-
"
Natal,
a festa das festas
Artigo
publicado na edição de de 20 de dezembro
de 2009 do Jornal da Cidade
-

A Encarnação do Verbo foi uma decisão livre
de Deus,
por puro amor. Teria se dado ainda que o ser
humano não tivesse pecado.
(Teologia franciscana)
Para falar sobre o Natal, o prezado leitor ou
leitora me permita servir-me de São Francisco, o
Santo que inventou o presépio. No Natal de 1223, em
Greccio, Itália, São Francisco desejou retratar a
cena de Belém, aproveitando uma gruta encravada na
rocha em meio às árvores de um bosque. Ele viu
naquele cenário um ótimo lugar para encenar ao vivo
o nascimento de Jesus. Com engenho artístico e fé
profunda, armou o presépio naquela gruta de Greccio,
auxiliado por pessoas do povoado, sem dar conta de
que estava inaugurando uma prática que se espalharia
pelo mundo afora e chegaria até nós, atravessando
séculos.
São Francisco reuniu todos os frades e o
povo, que portava tochas e archotes acesos, para
celebrar a noite santa do Natal. Durante a
Eucaristia ele mesmo proclamou o Evangelho de Lucas,
capítulo 2, e pregou com profunda devoção e emoção.
Seu principal biógrafo, Tomás de Celano, narra que,
ao fazer a leitura do Evangelho, São Francisco
cuidava de substituir o nome de Jesus por “Pequeno
Bebê de Belém”, e ao mesmo tempo em que pronunciava
estas palavras ele “passava a língua pelos lábios
como se estivesse saboreando a doçura do mel”.
Ele conta também que aquela celebração do Natal
seduziu o coração de todas as pessoas atraindo-as
para o “Amor que não é amado”, conforme São
Francisco costumava referir-se a Jesus. Celano ainda
escreve na mesma “Vida Primeira” do Santo que
ele tinha procedido daquele modo porque se sentira
inflamado do desejo de “lembrar o menino que
nasceu em Belém, os apertos que passou, como foi
posto num presépio, e ver com os próprios olhos como
ficou em cima da palha, entre o boi e o burro...”
(1Cel, 84). Queria ver com os olhos, que a terra
haveria de comer, a humildade e pobreza daquele que,
“sendo rico, se fez pobre a fim de nos enriquecer
com sua pobreza” (2Cor 8, 9), e da sua
bem-aventurada Mãe, para nos apontar o caminho da
vida de simplicidade e do serviço solidário aos
pobres e humilhados deste mundo, como a forma mais
perfeita de seguir a Nosso Senhor Jesus Cristo,
pobre, humilde, crucificado e ressuscitado, e de
viver o Evangelho.
Eis porque para São Francisco o Natal
era para ele a festa de todas as festas. Ainda que
ele soubesse reconhecer a primazia teológica da
Páscoa de Cristo, no entanto dizia que a redenção
realizou-se porque primeiro o Verbo de Deus se fez
carne. Sem a encarnação de Jesus não teria se dado a
redenção. Como é verdade que o Salvador nos salvou
por sua cruz e ressurreição, verdade é também que o
nascimento de Jesus é já a certeza e o gozo
antecipado da salvação. Por isso ele celebrava com
incrível alegria todo Natal. Mas o Natal de 1223, em
Greccio, foi para São Francisco o Natal mais lindo
de sua vida, a festa das festas de que nunca se
esqueceu.
Com alma de artista São Francisco
inventou o presépio para enaltecer e solenizar o que
a humanidade já reverenciava como o maior
acontecimento de toda a história humana:
“O Verbo se fez carne e habitou entre nós;
vimos a sua glória, a glória de Filho único do Pai,
cheio de graça e verdade” (Jo 1, 14).
A festa de Natal que celebra esse tão grande
acontecimento deveria, então, para São Francisco,
corresponder em solenidade e glória ao anúncio
festivo do anjo do Senhor:
“Anuncio-vos uma grande alegria, que é para
todo o povo” (Lc 2, 10).
Talvez os mestres da Escola franciscana tenham visto
nessa intuição de São Francisco o fio da meada para
desenvolver a tese de que Jesus fez-se homem não por
causa do pecado, mas por puro amor de Deus. A
primazia do amor de Deus. Por amor, Ele primeiro nos
criou e, como depois nós pecamos, então, também nos
salvou.
Ó
“Felix Culpa”
que nos deu tão grande Salvador,
proferiu Santo Agostinho. E São Francisco, por
certo, proclamava: Ó “Felix
Amor”
que nos deu tão grande Bem.
Não teria sido por essa razão que no “Cântico do
Irmão Sol”, ele cantou: “Louvado sejas, meu
Senhor, por tudo o que criaste...” Não é
igualmente certo que ele cantava, por prados e
campinas, que o
“Amor não é Amado”
e não que o “Salvador não é amado”?
Na noite santa do Natal de 1223, em
Greccio, São Francisco reclinou-se na manjedoura
vazia para apanhar em seus braços um menino, o
menino acordou de seu lindo sono, olhou para São
Francisco e lhe sorriu. E o Santo convenceu-se de
ter compreendido o Evangelho e estar no caminho
certo:
viver para amar o Amor que não é Amado, em
outras palavras, viver sob o primado do amor a Deus,
a todas as pessoas, aos pobres
e sofredores e a toda a criação.
Desejo apresentar à estimada leitora ou ao leitor e
sua família votos de um Santo Natal e um Próspero
Ano Novo, ricos do amor de Deus, com muita saúde,
paz e todo o bem.
Dom Frei Caetano Ferrari, ofm
- Bispo Diocesano de Bauru
-
- "Feliz
Natal!"Artigo
publicado na edição de de 20 de dezembro
de 2009 do Jornal Bom Dia
-

Natal é despojamento, simplicidade, humildade,
respeito.
Jesus Cristo, sendo rico, preferiu o caminho da
pobreza e da pequenez para nos ensinar a abraçar os
pobres, desvalidos e sofredores deste mundo. Seguir
seus passos significa viver assim como Ele viveu:
uma vida voltada para os outros, a comunidade,
principalmente, os pobres e excluídos.
Natal é solidariedade, esperança, paz e todo o bem.
Foi por amor que o Filho de Deus desceu até nós. Por
esta razão, o amor de Deus nos compromete com a missão
de Jesus Cristo neste mundo. Jesus nos impulsiona a
testemunhar a Grande Alegria do seu nascimento
e a proclamar a Boa Notícia do Evangelho. Ele
nos estimula também a assumir a causa dos pobres, a
postular a urgência da paz entre os povos, a promover
os direitos de toda a criação, a defender, valorizar e
fomentar as múltiplas culturas da vida. O Evangelho de
Jesus nos pede uma vida comprometida com a
Evangelização, uma presença solidária e promotora do
bem, da paz e da esperança.
Prezado leitor, armando um presépio em casa ou
simbolicamente no coração, ou contemplando o presépio
em nossas Igrejas, busquemos fazer-nos crianças
com o menino Deus. Celebremos o Natal do
Senhor, firmando os nossos passos no caminho que o
menino Jesus, desde o seu presépio, nos aponta para
trilhar no Ano Novo de 2010: uma vida voltada para
Deus e para os outros, uma vida comprometida com a
causa da Evangelização, do bem, da paz e da esperança.
Um
Feliz e Santo Natal e um Abençoado e Fecundo
2010, repletos com as bênçãos e graças do Menino
que numa noite santa de Belém nos foi dado.
Vida e Esperança, Paz e Alegria no
Natal e em todo 2010!
-
Dom Frei Caetano Ferrari, ofm
- Bispo Diocesano de Bauru
"Alegrai-vos!"Artigo
publicado na edição de de 13 de dezembro
de 2009 do Jornal Bom Dia
-
A
Antífona da entrada na Missa de hoje nos anima com
este convite: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo
eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto” (Fl 4,
4s).
- O Natal está chegando; que possamos com intenso
júbilo prepararmo-nos para celebrá-lo.
Uma preparação que seja antes de tudo religiosa e
espiritual, com oração, conversão e caridade.
- Com uma oração tão terna que se contraponha de vez
ao secularismo de um Natal profano sem Deus.
- Com uma conversão de vida tão sincera que seja
verdadeiro antídoto contra o individualismo de um
Natal egoísta sem os outros, a família e os pobres.
- Com uma caridade tão perfeita que apague para
sempre os pecados do consumismo desenfreado de um
Natal gordo sem alma.
- Que seja também um Natal do reencontro com os
outros, do perdão, da volta, do retomar da velha
amizade.
- Um Natal da confraternização familiar, da família
unida e reunida ao redor da ceia, da ceia eucarística
e da ceia natalina. Um Natal de paz aos homens e
mulheres de boa vontade, que ponha fim às guerras e
encha de bens os corações humanos, especialmente dos
pobres e excluídos. Um Natal de justiça e paz e de
vida em abundância para todos.
- No acender da terceira vela do Advento hoje,
rezemos: “Bendito sejais, Deus bondoso, pela luz de
Cristo, sol de nossa vida, a quem esperamos com toda a
ternura do coração”.
- Dom Caetano Ferrari
-
"Dom Caetano informa mudanças para 2010"
-
 -
-
-
Em reunião do Conselho de Presbíteros da Diocese
de Bauru algumas modificações administrativas e
pastorais foram definidas para 2010. Algumas já
foram confirmadas e divulgadas pelo próprio bispo,
Dom Caetano Ferrari. Confira:
-
Padre Gustavo Rubin da Mota, que era pároco da
Igreja Nossa Senhora Aparecida em Pederneiras,
volta a ser vigário paroquial da Igreja de Santa
Rita de Cássia, em Bauru, cujo pároco é o
monsenhor Almir José Cogiola;
-
Padre Maurício dos Santos Guerra, até então
vigário de Santa Rita, assumirá como pároco a
Igreja Nossa Senhora Aparecida, de Pederneiras;
-
Padre Marcos Eduardo Pavan, pároco da Catedral,
assume a Igreja Santa Teresinha do Menino Jesus
como administrador paroquial, tendo como vigários
paroquiais o padre Márcio José Cattache, que
continuará atuando como formador em Marília, e
padre Giuliano Henrique Lourenço Alamino, que
também será reitor do seminário diocesano Maria
Mãe da Igreja;
-
Padre Claudemir Moreira deixa a formação e assume
como pároco a Paróquia Imaculada Conceição;
-
Padre Romildo Alceu da Silva, até então na Igreja
Santa Teresinha, assume como pároco a Igreja São
João Batista, de Iacanga;
-
Padre André Luiz Corrêa, até então em Gália,
assume a Igreja Beato José Anchieta;
-
Padre Rodrigo Pereira Sena assume a Igreja São
José, de Gália, como pároco, e a Igreja São
Sebastião, de Avaí, como administrador paroquial;
-
Diácono Everaldo Junior Rambaldi (que será
ordenado padre no dia 20/12) assume como vigário
paroquial da Igreja de São Benedito;
-
Diácono Adinam Ronieri da Silva (que será ordenado
padre no dia 20/12) assume como vigário paroquial
da Igreja Maria de Nazaré;
-
Padre Fernandinho Henrique Lima deixa de ser
vigário na Catedral e fica com uso de ordem,
disponível para atender necessidades pastorais na
Diocese.
- Padre Roberto
Francisco Daniel deixa de ser vigário na Paróquia
Universitária do Sagrado Coração de Jesus e fica
com uso de ordem, disponível para atender pedidos
de ajuda pastoral na Diocese.
-
Informativo - Site da Diocese
-
"Assembléia
Diocesana"Artigo
publicado na edição de de 06 de dezembro
de 2009 do Jornal da Cidade
-
 -
-
No sábado e domingo passados, dias 28 e 29 de
novembro de 2009, realizou-se a Assembléia Anual da
Diocese de Bauru. Foi um grande acontecimento
eclesial, que contou com a presença dos padres e
lideranças leigas das 41 Paróquias da Diocese, pondo
em evidência a beleza e riqueza, a comunhão e
unidade de nossa Igreja, na variedade dos
ministérios, carismas e serviços, e na pluralidade
étnica, social e cultural de nosso povo católico.
Uma demonstração clara da identidade de nossa
Igreja, ali se apresentando como “um só corpo e uma
só alma”. Em clima de festa, celebração e escuta da
Palavra, foi um encontro de louvor e ação de graças
a Deus pela caminhada (história), de discernimento
quanto aos novos desafios (leitura da realidade), de
comprometimento com o presente (planejamento
pastoral), de renovação da fé, esperança e caridade
diante do futuro (horizontes, metas e objetivos).
Uma Assembléia orante, celebrativa e pastoral.
As celebrações litúrgicas, orações, estudos,
trabalhos, refeições, convivência, enfim, tudo
concorreu para nos fazer crescer em comunhão e
participação e nos ajudou a proceder à leitura da
realidade, a auscultar a voz do Espírito, a
vislumbrar novos horizontes e a tomar decisões
importantes para impulsionar a ação evangelizadora
na Diocese.
Tendo por tema: “O lugar da iniciação cristã na
pastoral urbana”, a Assembléia foi assessorada pelo
Pe. Antônio Francisco Lelo, doutor pelo Instituto
Superior de Liturgia na Faculdade de Teologia da
Catalunha (Espanha), professor, escritor,
conferencista e atuante, na periferia de São Paulo,
na área da educação da fé e do planejamento de
programas sociais. E os trabalhos, iluminados pelo
Documento de Aparecida, Diretrizes Gerais da Ação
Evangelizadora da Igreja no Brasil e Magistério da
Igreja, objetivaram responder à seguinte proposta,
que veio da Assembléia das Dioceses do Estado de São
Paulo, realizada recentemente em Itaici/SP: “Fazer
das Paróquias redes de comunidades e centros de
evangelização, onde as pessoas façam uma profunda
experiência querigmática, sendo despertadas para o
ardor missionário”.
Como resultado final da Assembléia, foram aprovadas
linhas gerais de ação que orientarão a Diocese e as
Paróquias a impulsionarem, a partir de 2010, as
ações evangelizadoras constantes do 7º Plano
Diocesano de Pastoral em vigor, em vista de um
planejamento harmônico, concentração de esforços e
eficácia missionária.
As linhas e pistas de ação:
·Promover uma Igreja mais acolhedora em todos os
níveis (pessoal, eclesial e nas pastorais). Isso
deve ocorrer através de um processo de reflexão e
conscientização desde os fiéis leigos até as
lideranças paroquiais e os padres, que leve a uma
conversão de vida, espiritual e pastoral, no âmbito
pessoal e comunitário.
·Ir ao encontro dos fiéis leigos batizados e que não
vivem a sua fé em nenhuma religião. Isso deve
ocorrer através da pastoral da visitação.
·Anunciar Jesus (querigma) a esses leigos de modo
que eles sejam evangelizados na boa notícia trazida
por Jesus. Isso deve ocorrer através de uma
catequese com (de) adultos.
·Manter esses novos fiéis na caminhada da Igreja
através da vivência da fé nas pequenas comunidades
em comunhão com a comunidade paroquial. Isso deve
ocorrer através das iniciativas das paróquias em
promover e multiplicar pequenas comunidades,
principalmente nos bairros mais afastados da
Paróquia.
O Divino Espírito Santo, que “faz novas todas as
coisas” (Ap 21,5) e é o padroeiro de nossa Diocese,
nos está chamando para um novo caminhar e exigindo
de nós, no âmbito pessoal, conversão de vida; no
comunitário, renovação da comunidade; e no social,
solidariedade com os pobres e inclusão.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Agora e
sempre, amém!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
- "Iniciação
Cristã"Artigo
publicado na edição de de 06 de dezembro
de 2009 do Jornal Bom Dia
-

- No fim da semana
passada, realizou-se a Assembléia Anual da Diocese
de Bauru, reunindo padres e lideranças leigas das
nossas 41 paróquias. O tema foi “O lugar da
iniciação cristã na pastoral urbana”. Iniciação
cristã não é catequese, mas tem a ver com ela.
Não é ensinamento de doutrina ou verdades da fé, mas
é anúncio de Jesus Cristo, um anúncio querigmático.
Querigma é uma palavra que vem do grego (kérigma) e
significa anúncio ou apresentação de Jesus Cristo.
A iniciação à vida cristã é caminho, um itinerário
que começa com o anúncio de Jesus a uma pessoa (querigma),
feito pelo padre, catequista ou agente pastoral,
possibilitando-lhe o encontro com Ele e a adesão a
Ele (conversão); leva-a ao aprofundamento da fé
(catequese) e aos sacramentos (Batismo, Crisma e
Eucaristia) e a insere na comunidade de Igreja, na
qual participará ativamente na vivência dos
sacramentos, na missão e no serviço à caridade. Pela
iniciação cristã a pessoa se torna “discípulo e
missionário” de Jesus Cristo.
Como anunciar Jesus (querigma) no meio urbano hoje?
Na Assembléia, deliberamos assumir a iniciação
cristã para evangelizar fiéis adultos
insuficientemente evangelizados, indo ao encontro
dos afastados, para o seu crescimento no
conhecimento, amor e seguimento de Cristo.
Sem deixar de valorizar a catequese com as crianças,
a ordem agora é investir na catequese com os
adultos, formando cristãos novos para um novo tempo.
Como diz o Documento de Aparecida: “isto requer
novas atitudes pastorais por parte dos bispos,
presbíteros, diáconos, pessoas consagradas e agentes
de pastoral” (DAp. 291). Mãos à obra!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
-
"Bênção
Apostólica"Artigo
publicado na edição de de 28 de novembro
de 2009 do Jornal Bom Dia
-
Acabo
de retornar de Roma, da Visita ad Limina Apostolorum.
Nós, os Bispos do Estado de São Paulo, Regional Sul 1
da CNBB, subimos à Casa do Sucessor de Pedro para
encontrar-nos com o Papa e venerar os túmulos dos
Apóstolos Pedro e Paulo. O Apóstolo Paulo fizera
questão de subir a Jerusalém para encontrar-se com
Pedro em respeito à sua autoridade e em sinal de
comunhão com a Igreja-mãe representada, como diz ele,
pelos “notáveis e colunas”, ou seja, os apóstolos,
tendo à frente Pedro (cf. Gal 2, 1-10).
- Depois, indo Pedro
para Roma, a capital do Império Romano e do mundo
civilizado, a Cidade Eterna tornou-se a sede da
cristandade e da Igreja, o lugar onde se encontra a
autoridade de Pedro. E, em consequência, subir a Roma
para ‘ver o Papa’ e venerar os túmulos de Pedro e
Paulo transformou-se em necessidade como um gesto
concreto, um sinal visível de comunhão e unidade das
Igrejas locais (Dioceses) com a Igreja-mãe, uma
prática que desde os primórdios perdura até hoje.
- Mais do que o
relatório da vida e ação evangelizadora da Diocese,
enviado no ano passado à Sé Apostólica, levei no
coração todo o povo da Diocese de Bauru. E do Santo
Padre, o Papa, recebi, na audiência pessoal, uma
particular Bênção Apostólica extensiva a todos os
sacerdotes, consagrados, seminaristas e fiéis leigos e
leigas das nossas comunidades de fé, com a sua cordial
saudação, suas orações e votos de paz, luz, conforto e
força para todos.
- Prezado leitor, com
muita alegria, faço-me portador dessa bênção especial
do Papa Bento 16 para você e sua família.
- Dom Caetano Ferrari
Bispo Diocesano de Bauru
-
"Dom
Caetano Ferrari visita Papa Bento XVI" -
A
cada
5 anos os bispos se encontram com o Santo Padre, o
sucessor de Pedro, na chamada visita "Ad Limina". Em
2009 é a vez do episcopado brasileiro, que por ser
numeroso, irá em grupos regionais da CNBB. Cerca de 50
bispos, arcebispos e um cardeal seguem para Roma neste
mês de novembro. Entre eles estará Dom Caetano Ferrari,
que sai de Bauru dia 3 e retorna ao Brasil no dia 21 de
novembro.
-
No ano passado, cada bispo enviou ao
Vaticano um relatório da vida e da missão de sua
Diocese. Esse será o ponto partida do diálogo com Bento
XVI, em audiência privada.
-
Durante a visita, os momentos mais
importantes são os das liturgias, sejam as concelebradas
com o papa, sejam aquelas celebradas nas diversas
basílicas importantes de Roma.
-
“Teremos visitas aos diversos Dicastérios,
que são como que os Ministérios do Vaticano, por
exemplo, Congregação para a Doutrina da Fé, Congregação
para o Culto Divino e a disciplina dos Sacramentos,
Congregação para o Clero, Congregação para a Vida
Religiosa, Congregação para a Educação Católica,
Congregação para os Bispos e outros órgãos e conselhos
da Cúria Romana”, contou Dom Caetano.
-
“Esta é a minha segunda visita ‘Ad Limina’.
Em 2003 me encontrei ainda com o saudoso Papa João Paulo
II. Peço orações pelo bom êxito desta visita e de lá
estarei na comunhão de orações, rezando por todos os
fiéis da Diocese, desde as Basílicas de São Pedro, São
Paulo, São João do Latrão e de Nossa Senhora”, completou
o bispo diocesano de Bauru.
|
- "Festa
de Todos os Santos e Dia de Finados"Artigo
publicado na edição de de 01 de novembro de 2009 do
Jornal da Cidade
-
“Creio na Comunhão dos Santos”
-
“Passarei
meu céu fazendo bem na terra” (Sta. Terezinha).
-
“
Só
há uma tristeza: a de não sermos santos” (Leon Bloy).
-
“É um pensamento santo e salutar rezar pelos
defuntos para que sejam perdoados de seus pecados”
(2Mc 12,46).
-
De fato, a Festa de Todos os Santos e o Dia dos
Finados devem englobar toda a Igreja, a saber: a
Triunfante (do céu), a Padecente (do Purgatório) e a
Militante (da terra). Pois que os Santos gloriosos
do Céu, os Santos padecentes em fase de
aperfeiçoamento no Purgatório e os Santos militantes
da terra a caminho da santidade, todos enfim formam
a grande assembleia dos Santos, a Igreja. Esta é a
fé que professamos no Credo: Creio na Comunhão
dos Santos.
-
Como todos os que têm fé formam um só Corpo, o Corpo
de Cristo, que é a Igreja, há uma intercomunicação
de bens, materiais e espirituais, de uns aos outros.
Essa é igualmente outra verdade de nossa fé. A
intercomunicação e comunhão compreendem aqueles dons
que são essenciais na vida cristã, segundo lemos nos
Atos dos Apóstolos: “Os discípulos eram assíduos
no ensinamento dos Apóstolos, na comunhão fraterna,
na fração do pão e nas orações” (At 2,42). Por
isso, entre os cristãos que são constituídos como
“raça escolhida, sacerdócio real, nação santa e povo
adquirido” (1P 2,9), devem operar-se, quanto à
partilha de dons, a:
-
·
comunhão na fé que revigora a unidade da Igreja e dá
credibilidade à missão;
-
·
comunhão na graça santificante proveniente da
Oração, Liturgia, Sacramentos;
-
·
comunhão dos carismas distribuídos pelo Espírito
para a edificação da comunidade;
-
·
comunhão dos bens partilhados especialmente com os
pobres;
-
·
comunhão na caridade que, irradiando-se em benefício
dos outros, vivos ou mortos, realiza a comunhão dos
santos, uma vez que “ninguém de nós vive e
ninguém morre para si mesmo” (Rm 14,7).
-
A Liturgia de Todos os Santos e de Finados
nos ajuda a celebrar os nossos entes queridos
que nos precederam na morte, com espírito de
confiança na bondade e misericórdia divina,
oferecendo a Deus preces e obras de piedade para que
Ele os tenha já em seu Reino, e de gratidão pelo dom
destas vidas ligadas às nossas em graus diversos de
afinidade e parentesco, rendendo graças a Deus, que
para nosso bem nos deu. Faz parte da nossa fé que as
orações por nós oferecidas a Deus em favor dos
irmãos que descansam na paz de Cristo podem não
somente ajudá-los, mas também tornar frutuosa a
intercessão deles por nós. É um intercâmbio de bens
espirituais entre nós e eles que fortalece os laços
de comunhão entre todos nós, os que somos filhos de
Deus e constituímos uma única família em Cristo. O
costume de venerar com grande piedade a memória dos
defuntos é antiquíssimo, vem desde os primórdios da
Igreja, e é uma prática que cultivamos com profundo
espírito religioso. É em Deus que nós podemos
encontrar os nossos falecidos e com eles nos
comunicar.
-
Os Santos que estão no Céu não deixam de
interceder a Deus por nós, que pelejamos aqui neste
chão, com orações e súplicas, e em virtude dos
méritos de Jesus Cristo a quem seguiram fielmente na
terra. Os Santos, além de intercessores em nossas
necessidades, são também mediadores de graças, que
nos ajudam a seguir seu exemplo de vida e caminho de
santificação. O seu valioso auxílio atrai a graça e
a força de Deus, que nos levantam das nossas
fraquezas.
-
Celebremos, com alegria, a festa de
Todos os Santos e, com esperança, o dia dos Finados,
pois Jesus Cristo é a Ressurreição e a Vida, e pelo
Batismo estamos unidos com Ele na vida e na morte (Jo
11, 25-26).
-
Na profissão de fé solene assim nós
rezamos: “Cremos na comunhão de todos os fiéis de
Cristo, dos que são peregrinos na terra, dos
defuntos que estão terminando a sua purificação, dos
bem-aventurados do céu, formando todos juntos uma só
Igreja, e cremos que nesta comunhão o amor
misericordioso de Deus e dos seus santos está sempre
à escuta das nossas orações”.
-
Vivos e mortos se encontram unidos na glória de
Cristo e no mistério de amor, especialmente, quando
nos reunimos para a celebração da Eucaristia, o
memorial da paixão, morte e ressurreição do Senhor.
Então, a terra se eleva ao céu e as alturas descem
às baixuras de nossas vidas. E desta mesa de
peregrinos nós participamos já aqui e agora do
banquete de Deus, celebrando a Comunhão dos Santos.
-
Em louvor de Cristo. Amém!
-
-
Dom Caetano Ferrari
- Bispo Diocesano
de Bauru
- "Ser
Santo"Artigo
publicado na edição de de 01 de novembro de 2009 do
Jornal Bom Dia
-
“
Aprendi
com a primavera a deixar-me cortar para voltar
sempre inteira”. (Cecília Meireles).
Novembro começa com a celebração de todos os Santos
e de Finados. A liturgia nos conduz a honrar os
santos dos céus, cantando as maravilhas que Deus
realizou por meio deles, enquanto viveram neste
mundo. Com as preces elevadas a Deus homenageamos
especialmente os santos de nossa devoção,
suplicando-lhes a intercessão e proteção para que
possamos ao menos chegar mais perto do grau de
santidade que alcançaram. Admirando-lhes a vida
santa, que levaram nos dias em que viveram entre
nós, aspiramos imitar-lhes o exemplo e seguir-lhes
os passos no caminho da santidade.
Os nossos mortos, nós os reverenciamos, rezando por
eles e visitando os cemitérios. Com velas acesas,
flores e orações, recordamos as pessoas queridas e
ligadas a nós, que já partiram para a casa do Pai. A
liturgia nos leva a rezar também pelos falecidos
desconhecidos, sobretudo as vítimas das guerras e
violências, da fome e do abandono, dos vícios e
pecados. Que o Senhor tenha pena de todos eles, lhes
conceda o repouso eterno e faça brilhar para eles a
sua luz. Nossa fé nos ensina que devemos rezar por
todos os mortos, mas também por todos os vivos,
santos e pecadores, bons e maus, para que o Senhor
tenha pena dos que ainda caminham na estrada da vida
e os conduza com sua mão firme na prática do bem
rumo ao céu.
Ao celebrar todos os santos e recordar nossos
mortos, somos levados a pensar em nossa vida, como
estamos vivendo, e no ideal de sermos santos, uma
vez que o sonho da santidade deve estar dentro de
nossos planos pessoais de vida.
Dom Caetano Ferrari é bispo diocesano de Bauru
- "Decreto
de Dom Caetano interdita a Igreja Santa Teresinha"Segue
abaixo o decreto de Dom Caetano Ferrari, bispo diocesano
de Bauru, para interdição da Igreja de Santa Teresinha
em Bauru.
O
Conselho de Presbíteros da Diocese de Bauru, reunido
com seu Presidente Dom Frei Caetano Ferrari, OFM,
Bispo Diocesano, ponderou e decidiu o quanto segue:
a)
a
Paróquia de Santa Terezinha do Menino Jesus, em
Bauru, tem seu templo tombado pelo Conselho de
Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru – CODEPAC,
desde 21 de outubro de 2002, pelo Decreto Nº
9304 do Dr. Nilson Costa, então Prefeito
Municipal;
b)
qualquer melhoria no prédio, para ser realizada,
necessariamente deve ter prévia e expressa
autorização do CODEPAC, órgão governamental
competente;
c)
ante o laudo pericial da lavra de M.S. TECNOLOGIA E
CONSULTORIA LTDA, datado de 07 de outubro de 2009,
devidamente assinado pelos técnicos responsáveis, srs.
Eric Édir Fabris (CREA 060 071096-8) e Gilberto Amauri
Serafim (CREA 060 142398-7), que entre outros, assim
propõe como solução:
“A solução
proposta para o reforço das fundações permanece a
mesma explicitada em nosso relatório de 2007,
inclusive em relação às prioridades de intervenção
do prédio, assim como as definições dos custos
envolvidos”.
E
conclui:
“Em vista do
exposto, ratificamos nossas recomendações constantes
do relatório anterior, de que o prédio exige
intervenção urgente para que se atinjam condições
adequadas de segurança, sendo agora, “premente”
a adoção de providências para o reforço de suas
fundações”.
Assim sendo, tendo em vista a
segurança dos fiéis, do próprio prédio e bens ali
existentes, DECRETO a INTERDIÇÃO,
temporariamente, da Igreja Matriz de Santa Terezinha,
em Bauru, para sua devida reforma estrutural.
Durante esse período, que espero que
seja breve, as cerimônias litúrgicas serão celebradas
no Salão Paroquial, sito na Praça Rodrigues de Abreu,
2-55.
Dado e passado em nossa Cúria
Diocesana de Bauru, aos 26 de outubro de 2009.
Dom Frei Caetano Ferrari, OFM
Bispo Diocesano
Presidente do Conselho Presbiteral Diocesano
Ir. Clara Maria Moreira, ASCJ
Chanceler
O
transcrevi e registrei
-
"Encerrando
outubro missionário e Santo Antônio de Santana Galvão"Artigo
publicado na edição de de 18 de outubro de
2009 do Jornal da Cidade -
Em
todas as comunidades de fé o chamado à missão ecoou,
intensamente, ao longo deste outubro, o mês missionário.
Neste espaço, a cada domingo de outubro, o discurso foi
o mesmo: a ação missionária da Igreja deve ser
permanente; é tarefa de todos os batizados; a paróquia é
o primeiro espaço da missão, mas ela deve chegar
a todas
as nações e povos; seu conteúdo é o anúncio da Palavra
de Deus, que é uma Pessoa, Jesus Cristo, homem e Deus;
para realizar essa missão, nós, os batizados, precisamos
nos converter em discípulos apaixonados e missionários
intrépidos de Jesus; e as nossas paróquias necessitam
abandonar estruturas ultrapassadas, testemunhar a
comunhão, a oração e a caridade, e sair à missão.
Todas as paróquias vêm se empenhando, vivamente, por
seus párocos, vigários, religiosas, catequistas, agentes
pastorais e líderes de comunidades, em oferecer
oportunidades aos fiéis, mediante celebrações, leitura
orante da Palavra e catequese bíblica, para
experimentarem a felicidade e o encantamento de um
encontro pessoal com Jesus Cristo. Como um exemplo de
encontro com Jesus, que transformou a vida de alguém,
basta lembrar o que sucedeu com o apóstolo Paulo: como
tudo mudou na sua vida depois do encontro com Jesus, no
caminho de Damasco (cf. At 9, 1-18), de perseguidor dos
cristãos tornou-se o maior missionário da Igreja em
todos os tempos.
Sem que deixemos esmorecer a ação missionária
permanente, encerro a reflexão que este outubro
missionário enseja, citando o Documento de Aparecida,
que nos convoca para a missão de comunicar,
“transbordando de gratidão e alegria, o dom do encontro
com Jesus Cristo. Não temos outro tesouro a não ser
este. Não temos outra felicidade nem outra prioridade
senão a de sermos instrumentos do Espírito de Deus na
Igreja, para que Jesus Cristo seja encontrado, seguido,
amado, adorado, anunciado e comunicado a todos, não
obstante todas as dificuldades e resistências. Este é o
melhor serviço – o seu serviço! – que a Igreja deve
oferecer às pessoas e nações” (DA 14).
-
SANTO ANTÔNIO DE SANTANA GALVÃO
No dia de hoje, celebra-se Santo Antônio de Santana
Galvão, o primeiro santo brasileiro nato. Ele nasceu em
Guaratinguetá-SP, no ano de 1739. Como sacerdote e
franciscano, exerceu sua atividade apostólica,
principalmente, na cidade de São Paulo, onde morreu aos
23 de dezembro de 1822. Seu corpo se encontra sepultado
no Mosteiro da Luz por ele fundado. O Santo Frei Galvão,
como é também chamado, ficou conhecido como “Homem da
Paz e da Caridade”. Exatamente assim porque essa foi a
marca característica de sua vida como Frade Franciscano
e grande devoto da Imaculada Conceição: um missionário
pacificador das tensões na vida familiar e social na
cidade de São Paulo e caridoso para com os pobres e
necessitados, que o procuravam no Convento São
Francisco, onde foi Pároco e Guardião, e depois no
Mosteiro da Luz. Eu tive a graça de participar tanto de
sua beatificação por João Paulo II, em outubro de 1998,
em Roma, como também de sua canonização por Bento XVI,
em maio de 2007, no Campo de Marte, em São Paulo, quando
da vinda do Papa ao Brasil para a abertura da V
Conferência Geral do Episcopado da América Latina e
Caribe, em Aparecida-SP.
Neste outubro missionário, em que celebramos a festa de
Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das missões,
São Francisco de Assis (dia 4), padroeiro da ecologia, e
Santo Antônio de Santana Galvão (dia 25), patrono dos
profissionais da construção civil, supliquemos ao Pai,
por intercessão de tão grandes santos, para que nos
abençoe e nos converta sempre mais em verdadeiros
discípulos e missionários de Jesus Cristo a serviço da
vida.
Dom Caetano Ferrari, Bispo
Diocesano de Bauru
"Ano Catequético nos convida a orar pelos
catequistas"Artigo
publicado na edição de de 25 de outubro de
2009 do Jornal Bom Dia
- Evangelizar e
catequizar é, em primeiro lugar e acima de tudo,
fazer-se próximo da pessoa, independentemente da sua
idade e condição social, para colocá-la em contato com
Jesus Cristo, convidando-a para segui-lo. É, em
resumo, propiciar a esse outro contatado o seu
encontro pessoal com Jesus e sua adesão livre a Ele.
Duas condições são absolutamente indispensáveis ao
evangelizador: acolher bem e comunicar-se, tendo como
guia e roteiro a Palavra de Deus. Para assim proceder,
todo evangelizador precisa, primeiro, ter ele mesmo
feito a sua experiência do encontro e adesão a Jesus e
estar inserido na comunidade eclesial, na qual vive a
comunhão, cultiva a vida espiritual na oração e
celebração litúrgica, tendo dela recebido a prévia
preparação bíblico-doutrinal e o mandato
missionário.
- Como “a evangelização
é obra do Espírito Santo” e “a fé é graça de Deus”,
evangelizar e catequizar é transmitir o “espírito e
vida” que leva ao encontro com Jesus, muito mais do
que passar conteúdos. Somente sendo, ao mesmo tempo,
discípulo apaixonado por Jesus e seu missionário
intrépido, que o evangelizador será como o Mestre dos
mestres, alguém que fala “como quem tem autoridade” (cf
Lc 4,32) e faz “arder o coração” como sentiram os
discípulos de Emaus: “Não ardia nosso coração quando
Ele falava e explicava as Escrituras” (Lc 24,32)?
- Estamos vivendo o “Ano
Catequético Nacional”, que nos convida a orar pelos
catequistas e evangelizadores de nossas paróquias.
- Além de sua oração,
apresente-se você também à sua comunidade de fé e
ofereça-se, transbordando de gratidão e alegria, para
ser evangelizador – discípulo e missionário de Jesus!
- Dom Caetano Ferrari
- Bispo Diocesano de Bauru
-
"Dia Mundial das Missões"Artigo
publicado na edição de de 18 de outubro de
2009 do Jornal da Cidade
- Sob a Ação do Espírito Santo, a V Conferência
Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe,
realizada em Aparecida, 2007, e inaugurada com a
presença do Santo Padre o Papa, Bento XVI, continua
repercutindo positivamente na vida de nossas
comunidades de fé e continuará ainda por muito tempo,
enchendo de esperanças e expectativas toda a Igreja.
- O pessoal de Igreja, que participa com assiduidade
nas Paróquias, talvez até esteja se cansando de tanto
ouvir falar de que cada batizado é “discípulo e
missionário” de Jesus e que a comunidade de fé
(Paróquia) é uma Comunidade de “discípulos e
missionários”. Que a missão da Igreja é evangelizar e
que nós, os seus fiéis, precisamos passar por um
monumental processo de conversão eclesial, pastoral,
espiritual, institucional para assumirmos a missão com
todo vigor e em todos os âmbito geográficos: a missão
na Paróquia, na Diocese, na Amazônia, no Continente e
“ad gentes”, isto e, além fronteiras
latino-americanas. E ainda que devemos ser testemunhas
e missionários: “nas grandes cidades e nos campos, nas
montanhas e florestas de nossa América Latina, em
todos os ambientes da convivência social, nos mais
diversos “areópagos” da vida pública das nações, nas
situações extremas da existência, assumindo ad gentes
nossa solicitude pela missão universal da Igreja”,
como lemos no Documento de Aparecida (DA548). E para
que essa conversão seja realmente alcançada, o
Documento assegura que a Igreja necessita passar por
uma verdadeira comoção, como que por um novo
Pentecostes de renovação pastoral e evangelizadora.
- Neste domingo, Dia Mundial das Missões, o Papa
Bento XVI nos envia uma mensagem de convocação
missionária iluminada com estas palavras bíblicas: “As
nações caminharão à sua luz” (Ap21,24).
- Lembra o Papa que a “Igreja não age para expandir
o seu poder ou afirmar o seu domínio, mas para levar a
todos Cristo, salvação do mundo”, enquanto o
compromisso de anunciar o Evangelho aos homens de
nosso tempo é, sem dúvida alguma, um serviço prestado
não somente à Comunidade cristã, mas também a toda a
humanidade”. Ele sublinha que “a missão da Igreja é
‘contagiar’ de esperança todos os povos” e “Cristo
chama, justifica, santifica e envia os seus discípulos
para anunciar o Reino de Deus, a fim de que todas as
nações se tornem Povo de Deus. É somente nessa missão
que se compreende e se confirma a verdade... A missão
universal deve se tornar uma constante fundamental na
vida da Igreja. Anunciar o Evangelho deve ser para
nós, como já dizia o apóstolo Paulo, um compromisso
impreterível e primário”. Como a missão é obra do
Espírito Santo, o Pontífice se dirige a todos nós, os
fiéis católicos, para permanecermos firmes na oração,
suplicando “ao Espírito Santo que aumente na Igreja a
paixão pela missão de proclamar o Reino de Deus e
ajudar os missionários, as missionárias e as
comunidades cristãs empenhadas nessa missão, muitas
vezes em ambientes hostis de perseguição”. Pede-nos
ainda o Papa: “Convido, ao mesmo tempo, todos a darem
um sinal crível de comunhão entre as Igrejas, com uma
ajuda econômica, especialmente neste período de crise
que a humanidade está vivendo, a fim de colocar as
jovens igrejas em condições de iluminar as pessoas com
o Evangelho da caridade”.
- Caro leitor, participe em sua comunidade de fé, na
comunhão de orações e caridade, ajudando na ação
pastoral e evangelizadora de sua Paróquia e em favor
da missão ad gentes.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
-
-
"Dia das Missões"Artigo
publicado na edição de de 18 de outubro de
2009 do Jornal Bom Dia
- Dia das Missões
- Desejo destacar a mensagem do papa Bento 16
dirigida, neste Dia Mundial das Missões, a todos nós:
“irmãos e irmãs de todo o povo de Deus”. O papa exorta
“a reavivar em si a consciência do mandato missionário
de Cristo de fazer discípulos todos os povos, seguindo
as pegadas de São Paulo, o Apóstolo dos Gentios”.
Convida a inspirar-se na firme convicção de Paulo:
“Anunciar o Evangelho deve ser para nós um compromisso
impreterível e primário”.
Alerta-nos para que não esqueçamos o compromisso com a
missão “ad gentes”, especialmente, em terras onde o
Evangelho está chegando pelo trabalho difícil, mas
intrépido dos missionários, às vezes em situações de
perseguição. Diz ele: “Toda a Igreja deve se empenhar
na missio ad gentes, até que a soberania
salvífica de Cristo não seja plenamente realizada”.
A mensagem do papa vem bem sintonizada com o espírito
da V Conferência do Episcopado Latino-Americano e
Caribenho, realizada em Aparecida, 2007, que está
impulsionando nossas comunidades de fé a buscar
conversão pastoral e renovação missionária, desde as
nossas paróquias até à missão na Amazônia, à
Continental e à ad gentes.
Concluindo, o papa reafirma que a missão é sempre obra
do Espírito Santo, o que exige de nós uma forte
comunhão de orações, suplicando bênçãos e graças para
os missionários e toda a missão. E relembra, por fim,
o dever de cada um de nós de dar também a sua ajuda
econômica em favor das missões.
Caro leitor, participe com suas orações e ajuda para
que o Espírito Santo derrame sobre nossas comunidades
e fiéis a graça de um novo Pentecostes de renovação
missionária.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
-
-
"Evangelizai toda criatura"Artigo
publicado na edição de de 11 de outubro de
2009 do Jornal da Cidade
-
A Igreja é missionária
por sua própria natureza afirma o Vaticano II (cf. Ad
Gentes, 2). E sua missão é evangelizar, ou seja, encher
a terra com o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Jesus fundou a Igreja, congregando os discípulos ao
redor da Palavra e da Eucaristia, e enviando-os à
missão: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos
envio” (Jo 20,21); “ide por todo mundo, proclamai o
Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).
Neste mês missionário de outubro, a Igreja nos propõe
quanto à missão aprofundar a conscientização, a oração e
o comprometimento com mudanças de atitudes, planejamento
e ação missionária concreta.
Uma pergunta importante: o que fazer para que a Igreja
seja mais missionária? Ou como dar um novo impulso à
evangelização, conforme a proposta do Documento de
Aparecida (DA)? O próprio DA aponta o caminho: para que
isso aconteça há necessidade de uma “conversão pessoal e
pastoral” e uma “renovação missionária de nossas
comunidades de fé” (cf. 366, 368). E arremata, afirmando
que a Igreja necessita de uma “forte comoção”, de um
verdadeiro “Pentecostes” para que se rompa com a
acomodação, o cansaço e a desilusão, e todas as nossas
comunidades se tornem missionárias (cf. DA 362).
A conversão pessoal e pastoral começa com mudanças no
âmbito individual e comunitário. Em primeiro lugar,
quanto à tomada de consciência de que ser missionário é
vocação e missão de cada batizado na Igreja. Não só dos
padres, catequistas e líderes das comunidades. Mas de
todos os cristãos e, por isso, da comunidade toda. Em
segundo lugar, quanto à clara compreensão de que a
conversão individual e comunitária só se dará “a partir
de Cristo”, ou seja, de um renovado encontro com Ele
experimentado no interior do coração e vivido no seio da
Igreja. O DA fala sobre a ventura desse encontro com
Cristo com abundantes adjetivos, como encontro decisivo,
fundante, fascinante, íntimo, fecundo, potencializador.
“A partir de Cristo” é que as coisas podem de fato mudar
na vida da pessoa e da comunidade. Pela adesão a Jesus o
discípulo faz parte, desde então, do Reino de Deus, e se
converte em participante e responsável pela proclamação
da Boa Nova de Jesus Cristo e do seu Reino. Ele se
compreende como discípulo dócil do Mestre e ao mesmo
tempo como seu missionário. E mais ainda ele se convence
de que, de fato, não pode existir cristão fora da
Igreja. Ele não poderá nunca ser “discípulo missionário”
sozinho, isolado, fora da comunidade dos discípulos e da
fé da Igreja. É a comunidade que o julgará idôneo para a
missão e é dela que ele receberá o “mandato
missionário”.
A renovação das comunidades de fé ou paróquias decorre
obviamente da conversão pessoal e comunitária de seus
fiéis, da santidade de seu povo. As paróquias serão mais
santas quanto mais santo for o seu povo. Mas elas também
são chamadas a uma renovação institucional, pastoral e
espiritual. Isso requer delas “abandonarem as estruturas
ultrapassadas que já não favorecem a transmissão da fé”
(DA 365); “serem células vivas da Igreja... casas e
escolas de comunhão” (170); “fonte dinâmica do
discipulado missionário” (172); “lugar onde os fiéis se
reúnem “para partir o pão da Palavra e da Eucaristia e
perseverar na catequese, na vida sacramental e na
prática da caridade” (175); tornarem-se “centros de
irradiação missionária” (306).
Última pergunta: de quem depende a renovação da
Paróquia? É claro, primeiramente, “dos párocos e dos
sacerdotes que estão a serviço dela”... Que o pároco
seja autêntico discípulo de Jesus Cristo e ardoroso
missionário (201). Mas “requer-se que todos os leigos se
sintam co-responsáveis na formação dos discípulos e na
missão” (202). “A evangelização do continente, dizia-nos
o papa João Paulo II, não pode realizar-se hoje sem a
colaboração dos fiéis leigos” (213).
As reformas e aprimoramentos das estruturas e organismos
da Paróquia “precisam estar animados por uma
espiritualidade de comunhão missionária” (203).
Caro leitor, com sua oração e colaboração, a sua
Paróquia há de renovar-se e de impulsionar a pastoral da
missão.
Em louvor de Cristo. Amém!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
-
"Outubro Missionário"Artigo
publicado na edição de de 11 de outubro de
2009 do Jornal Bom Dia
- Todo cristão é missionário, chamado desde o
Batismo a ser discípulo e apóstolo de Jesus Cristo. O
verdadeiro missionário é aquele discípulo dócil que se
deixa conduzir pelo Espírito Santo e plasmar-se por
Ele, interiormente, a fim de assemelhar-se cada vez
mais segundo a imagem de Cristo, e assim poder
seguir-lhe as pegadas e ser enviado à missão.
- O fiel discípulo de Jesus vive como Ele na escuta
da vontade do Pai e em espírito amoroso de oração e
devoção a Deus. Procurando ser “contemplativo na
ação”, medita a Palavra de Deus,., faz a leitura
cuidadosa dos sinais dos tempos e pratica a
solidariedade para com os irmãos e irmãs,
especialmente, os pobres e desamparados deste mundo. O
missionário será sempre uma pessoa espiritual de vida
intensa com Deus, mas igualmente inserido na história
e comprometido com a causa do Reino de Deus, que já
está presente neste mundo; será, portanto, uma pessoa
caridosa, amorosa e misericordiosa em relação a Deus,
aos outros e a toda criatura.
- O missionário ama a Igreja como ama a sua mãe e as
pessoas, assim como Jesus as amou e por elas deu a
vida. Todos missionário segue o itinerário de fé
percorrido pela Virgem Maria. Como primeira discípula
de seu Filho Jesus, ela esteve reunida com os
Apóstolos no Cenáculo, recebendo com eles os dons do
Espírito. Ela é a “Estrela da Evangelização”, a
“Missionária de Jesus”, que nos ensina e ajuda a
evangelizar, enchendo a terra com o Evangelho de seu
Filho, Jesus Cristo.
- Neste mês missionário, participe com sua oração e
colaboração nas ações pastorais e missionárias de sua
Paróquia. Em louvor de Cristo. Amém!
- Dom Caetano Ferrari – Bispo Diocesano de Bauru
-
"São Francisco de Assis"Artigo
publicado na edição de de 04 de outubro de
2009 do Jornal Bom Dia
Nossa
Senhora é a primeira discípula de Jesus. Por sua
grandeza ela está a frente de todos os humanos no
seguimento de Jesus. E logo depois vem São Francisco, o
segundo entre os humanos, mas o primeiro entre os
homens, como o mais perfeito discípulo e missionário de
Jesus. No plano da santidade, Nossa Senhora e São
Francisco seguem à frente de todos os santos. E na
vivência do amor, baixando agora à Terra, nós homens
devemos reconhecer que as mulheres são imbatíveis. Neste
aspecto, quem como a mãe de Jesus, quem como as nossas
mães?
-
Hoje é dia de São Francisco que “é, depois de Maria de
Nazaré, o mais grandioso santo do calendário cristão, e
um dos homens mais influentes da história da humanidade”
(Chersterton).
- O
Papa João Paulo II, em 1993, assim rezou: Ó São
Francisco, o mundo tem saudades de ti, como imagem de
Jesus Crucificado; ensina os homens de hoje a abrir as
portas da esperança aos crucificados pelo sofrimento,
fome e guerra, a vencer o mal do pecado, a descobrir a
alegria de perdoar e a construir a paz.
-
Chamado de “Alter Christus” (o outro Cristo) ou “o
primeiro depois do Único” e ainda de “homem feito
oração”, Francisco inspirou a “Oração pela paz”: Senhor,
fazei-me um instrumento de vossa paz” e compôs o
“Cântico das Criaturas”: “Altíssimo, Onipotente, Bom
Senhor, teus são os louvores. Louvados sejas, meu
Senhor, pelo irmão sol, a irmã lua, a irmã água, o irmão
fogo e a irmã morte do corpo da qual homem algum pode
escapar. Da morte segunda, a do pecado, livra-nos,
Senhor. Que felizes cantaremos teus louvores para
sempre. Amém!”
-
Dom Caetano Ferrari
"Dia Nacional da Bíblia"Artigo
publicado na edição de de 27 setembro de
2009 do Jornal da Cidade
Santo Padre o Papa, Bento XVI, hoje, Dia Nacional da
Bíblia, nos brinda com a publicação da “Exortação
Apostólica pós-sinodal sobre a Palavra de Deus na vida e
na missão Igreja”. Esse documento, tão logo o tenhamos em
mãos, ensejará muitas reflexões. Enquanto isso, penso que
nunca é demais recordar algum princípio básico necessário
à compreensão da Bíblia. É o que desejo fazer agora.
Quanto à leitura da Bíblia:
há
pessoas que leem a Bíblia como literatura e a consideram
inclusive uma obra fascinante como a “Ilíada” e a
“Odisséia”, de Homero, e os contos de fada ou uma
narrativa épica que mistura fatos e lendas, realidade e
mitos, seres humanos e deuses como as epopéias. Além de
seu valor cultural e de sua beleza literária, essas
narrativas são moralmente valiosas, pois transmitem
valores, e permanecem até hoje como verdadeiras obras de
arte. Para essas pessoas, a Bíblia não passaria de uma
linguagem figurativa, um conto, um romance escrito para
transmitir também valores, mas, o que seria pior,
ocultaria uma intenção de interesse humano muito forte por
trás. Qual seja, o desejo de dominação dos judeus sobre os
povos a seu redor, no Antigo Testamento, e, por suposição,
dos cristãos sobre as consciências das pessoas e as
liberdades individuais e sociais, no Novo Testamento. Por
isso, segundo elas, se valesse a pena ler a Bíblia como
uma fascinante obra-prima da literatura mundial, todavia,
se deveria fazê-lo com cuidado e espírito crítico, porque
ela ocultaria uma vontade de poder, um projeto humano,
demasiadamente humano, e não seria nunca um “Livro
Sagrado”, uma “História da Salvação” e muito menos a
“Palavra de Deus”.
O espaço não permite detalhar a questão e
inclusive obriga a resumir, sem maiores aprofundamentos,
uma resposta, aproveitando-se do ensejo para uma
proclamação da fé e das “razões da esperança” (cf. 1Pe
3,15).
·O
ponto de partida de aproximação à Bíblia para nós,
cristãos, é a fé. E, em primeiro lugar, a fé numa pessoa,
em Nosso Senhor Jesus Cristo, a Palavra viva de Deus, o
Verbo Divino feito carne, a revelação absoluta de Deus e
de seu desígnio para com a humanidade. Essa fé em Jesus
vem pelo anúncio da Palavra, a Bíblia, que funciona como o
instrumento, o caminho, a palavra escrita que testemunha e
anuncia Jesus Cristo. Ela conta como foi preparada a vinda
de Jesus (Antigo Testamento) e como aconteceu a encarnação
de Jesus, o modo como viveu, suas palavras e atos, sua
paixão, morte e ressurreição (Novo Testamento). Somente a
partir da fé em Cristo se pode ler e compreender
corretamente a Bíblia como Palavra de Deus. O cristianismo
não é, prioritariamente, doutrina, ensinamento e palavra
escrita. É uma Pessoa, o próprio Cristo, “caminho, verdade
e vida”, que leva ao Pai e nos dá o Espírito Santo. O
Documento de Aparecida fala da alegria do encontro com
Cristo: “Conhecer a Jesus é o melhor presente que
qualquer pessoa pode receber; tê-Lo encontrado foi o
melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-Lo conhecido
com nossa palavra e obras é nossa alegria” (DA 29).
·A
Bíblia é um livro diferente de todos os outros. Não se
busque nela verdades científicas, cosmológicas,
geográficas. Não é também um livro de ficção, pura
literatura e arte. Seu objetivo é religioso e sua verdade
é salvífica, cujo núcleo central é “uma proclamação
clara de que, em Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem,
morto e ressuscitado, a salvação é oferecida a todos os
seres humanos como dom da graça e da misericórdia do mesmo
Deus” (Evangelii Nuntiandi, 27, Papa Paulo VI).
·Segundo
a fé, Deus é o autor da Sagrada Escritura. Os autores
humanos a escreveram em linguagem humana, mas sob a
inspiração do Espírito Santo, ensinando todas as verdades
necessárias à nossa salvação. O Concílio Vaticano II assim
se expressa: “os livros da Escritura ensinam com
certeza, fielmente e sem erro a verdade relativa à nossa
salvação, que Deus quis que fosse consignada nas Sagradas
Escrituras“ (Dei Verbum, 11). A fé cristã,
todavia, não é “uma religião do Livro”, mas da Palavra de
Deus, que não é “uma palavra escrita e muda, mas o Verbo
encarnado e vivo” (cf. Catecismo da Igreja, 18).
De fato, para quem tem fé em Deus, a Bíblia
não tem outra intenção senão a do próprio Deus que
“amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que
todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”
(Jo 3, 16). Conhecer a Sagrada Escritura é muito
importante. Como escreveu São Jerônimo, no século V,
“ignorar a Bíblia é ignorar a Cristo”.
Dom
Caetano Ferrari
Bispo
Diocesano de Bauru
-
"O Dia da Bíblia"Artigo
publicado na edição de de 27 setembro de
2009 do jornal Bom Dia
Neste último domingo do mês a Igreja comemora o Dia
Nacional da Bíblia. E, hoje, o Santo Padre o Papa,
Bento XVI, publica a Exortação Apostólica
pós-sinodal sobre a Palavra de Deus na vida e na
missão da Igreja. Apressemos a lê-la assim que
chegar às mãos.
Orar com a Bíblia:
a
Bíblia é o melhor livro de orações porque ela é a
própria Palavra de Deus. Com ela se pode escutar o
que Deus tem a dizer e, em seguida, inspirar-se a
falar com Deus, isto é, a orar. Tanto para as
orações individuais e grupais como para as
litúrgicas e oficiais, a Bíblia é o livro de orações
mais importante dos católicos. A Leitura Orante da
Bíblia é uma maneira de orar com a Bíblia,
desenvolvida desde os primeiros cristãos, e ainda
atual. É um itinerário de oração em quatro passos ou
degraus que sugerem um subir, elevando o coração, a
alma e todo o ser até Deus a partir da Palavra:
ler, meditar, orar e contemplar.
A
oração leva a contemplar:
isto é, a sentir a alegria da presença de Deus, de
sua graça que aquece o coração, ilumina a mente,
amplia os horizontes, compromete a vida, desde aqui
e agora, com a vida das coisas, dos outros e a vida
eterna em Deus. Desse sublime encontro com Deus
desenvolve-se, lá no fundo da inteligência, uma nova
visão da vida, das coisas e de Deus mesmo; lá no
fundo do coração, um novo sentimento de compaixão
com os que sofrem e de compromisso com as causas da
justiça, da paz, da fraternidade universal; e, lá no
fundo de todo o ser, um desejo ardente de tornar-se
verdadeiramente discípulo e missionário de Jesus
Cristo.
O pão da Palavra e da Eucaristia,
especialmente partilhado na Missa, alimenta a fé e
torna a vida cristã decididamente bíblica e
eucarística.
Dom Caetano Ferrari
Bispo Diocesano de Bauru
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"Casamento
católico só é feito na Igreja"Artigo
publicado na edição de de 23 setembro de
2009 do Jornal da Cidade

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A Diocese de Bauru reitera que os padres não têm
autorização para celebrar cerimônia religiosa fora de
seus templos |
Os
noivos de Bauru e região interessados em selar a união
com a bênção de um padre católico necessariamente
realizarão a cerimônia numa igreja da Diocese. Os
religiosos não têm autorização para celebrar o
sacramento em outros locais como capelas particulares,
oratórios, salões de festa ou bufês, por exemplo. A
informação foi confirmada ontem pelo bispo dom Caetano
Ferrari, transferido para Bauru em meados de abril.
Ele tomou posse no último dia de maio.
A determinação, no entanto, antecede sua gestão. “O
matrimônio é uma celebração litúrgica. É religiosa,
não é civil. As celebrações religiosas devem ser
feitas, de forma preferencial, nos templos ou
ambientes religiosos. É um ato público, litúrgico e
oficial da igreja”, reitera o bispo. De acordo com
ele, quando era bispo em Franca recebeu pedidos para
que abrisse exceções, o que não se repetiu em Bauru,
pelo menos por enquanto.
“Têm pessoas que insistem para ter autorização e fazer
numa capela, fazenda, chácara, eventualmente num salão
de festas. Mas não é um ato social”, explica. Dom
Caetano Ferrari informa, porém, algumas possibilidades
para permitir uma cerimônia fora da igreja.
É o caso, por exemplo, de quem está internado, com
risco de morte, e quer regularizar o casamento na
Igreja Católica. Outra exceção é o casamento misto
entre um católico e um evangélico, que recusa a igreja
por conta das imagens.
“O bispo, então, pode dar autorização para que esse
casamento seja feito no salão da paróquia. Essas
situações podem existir”, acrescenta o bispo. De
acordo com ele, as justificativas devem ser estudadas.
Em Bauru, dom Caetano já foi consultado quanto à
possibilidade do padre abençoar um casamento, sendo
que uma das partes iniciaria uma segunda união. “Eles
sabem que não podem ter casamento, mas gostariam de
uma bênção. Isso a gente não pode dar porque seria uma
simulação do sacramento. Não podemos fazer uma bênção
pública. Se quiserem particular, conversem com o padre
e peçam uma particular”, finaliza. |
-
"A
leitura orante da Bíblia"Artigo
publicado na edição de de 20 setembro de
2009 do Jornal da Cidade

-
Ou, em latim, a “Lectio Divina”
mais do que um método é uma maneira simples, individual
ou grupal de se ler e meditar a Palavra Divina e de se
dispor à escuta de Deus e à acolhida de sua graça.
Somente isso. Bastando ao sujeito leitor da Bíblia a
humilde confiança e o sincero desejo de comunicar-se com
o Senhor, a Palavra Sagrada por ele lida e meditada, que
é luz e força, pode de fato iluminar os seus passos e
transformar a sua vida. Diz-se, por isso, que a “Lectio
Divina” é como um itinerário espiritual que leva a
pessoa a um venturoso encontro e diálogo com Deus por
meio de sua Palavra. Desse encontro, o leitor não sai o
mesmo, mas renovado e fortalecido na fé, esperança e
caridade.
Essa experiência peculiar de ler a Sagrada Escritura
remonta ao povo do antigo Israel que a lia para
“alimentar a fé e a fidelidade à aliança” (cf. Neemias
8, 1-12). Os cristãos, depois, não abandonaram essa
prática, mas a assumiram e a levaram adiante,
desenvolvendo-a até a fórmula clássica como a conhecemos
hoje. Naturalmente uma experiência orante da Bíblia que
teve seus momentos de altos e baixos, segundo as
vicissitudes da história.
Pois bem, a “Leitura Orante”, na sua formulação clássica
que se desenvolveu desde as primitivas práticas cristãs
de meditação bíblica e os exercícios espirituais dos
monges do deserto e que chegou até nós, vem proposta
como um itinerário em quatro passos ou uma escada de
quatro degraus, indicando um caminhar para frente e para
o alto, ou seja, para o céu e para Deus.
Os quatro passos ou degraus da “Lectio”
1º passo: LER – Deve-se sempre começar invocando
o Espírito Santo, para que ajude e ensine a rezar e a
ouvir a voz do Deus Vivo que, com sua Palavra, quer
falar. Depois, inicia-se fazendo a leitura, uma simples
leitura do texto e uma pausa para bem compreendê-lo. O
empenho por entender o que o texto em si mesmo está
dizendo supõe inclusive situá-lo no tempo, no espaço e
no seu contexto. Para isso, se for possível, será muito
útil servir-se de algum bom comentário bíblico. Prestar
atenção às palavras, às ideias, ao conteúdo, ao
sentido... E silenciar-se para ouvir o que Deus tem a
dizer.
2º passo: MEDITAR – É uma
ação a se fazer mais com o coração do que com a cabeça.
É o ruminar a Palavra depois de lida e entendida. Alguém
até já usou a comparação com o gado que, enquanto
descansa, rumina e mastiga, trazendo a relva de volta do
estômago para reprocessá-la a fim de que nenhum
nutriente se perca e tudo seja bem aproveitado. Assim
deve ser o meditar, um processo de interiorização e
interpretação da mensagem lida agora, buscando
atualizá-la no aqui e agora da caminhada e aplicá-la à
vida no concreto das vivências, sentimentos, alegrias e
tristezas. Tentar perceber o que o texto está a dizer. E
suplicar, como os santos: “fala, Senhor, que o teu servo
escuta”.
3º passo: ORAR – A leitura e a meditação levam à
oração. Como suspiro e sussurro da alma a oração é o
desejo de falar com Deus, de lhe abrir o coração, de
louvar, de agradecer, de suplicar perdão pelas traições
e bênçãos de bem para si e para os outros. O texto lido
e aplicado à vida inspira o orar e o que dizer a Deus.
Uma oração ligada à vida. É a resposta dos santos:
“escuta, Senhor, que o teu servo deseja falar”.
4º passo: CONTEMPLAR – Não é apenas vivenciar
algum êxtase místico. Embora ele possa acontecer,
consiste em desenvolver e aprimorar a capacidade de
lançar um novo olhar sobre a vida, sobre Deus e sobre os
outros. E, como conclusão da leitura orante, ser capaz
de assumir compromissos de fidelidade na fé, de
tornar-se discípulo e missionário, e de servir à vida.
Dependendo menos da vontade e esforço e mais da graça e
ação do Espírito, a “Leitura Orante” conduz ao encontro
com Deus. Empenhe-se com afinco, prezado leitor, nesse
exercício de ler, meditar, orar e contemplar a Sagrada
Escritura, confiando, contudo, que o Espírito Santo vem
ao encontro da nossa fraqueza e “intercede por nós com
gemidos inefáveis (Rm 8, 26).
-
Dom Caetano Ferrari Bispo
Diocesano de Bauru
-
"Amar
a Bíblia"Artigo
publicado na edição de de 20 setembro de
2009 do Jornal Bom Dia

- Conhecer e amar a Bíblia é dever de
todo cristão. O discípulo fiel sempre encontra tempo
para uma leitura diária da Sagrada Escritura. Lemos na
Bíblia que a Palavra de Deus “é viva, eficaz e mais
penetrante do que qualquer espada de dois gumes” (Hb
4,12).
- Que ela não sai da boca de Deus e
desce até nós em vão, conforme diz o Senhor: “Como a
chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam, sem
terem regado a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a
germinar,... tal ocorre com a palavra que sai da minha
boca: ela não volta a mim sem efeito; sem ter cumprido o
que eu quis, realizado o objetivo de sua missão”
(Is55,10-11). A Palavra de Deus leva ao encontro com
Deus e tem esse poder de transformação: repercute na
vida, convida à conversão, engaja na Comunidade e
compromete com a solidariedade.
- Conhecer a Bíblia, saber manuseá-la,
estudá-la, interpretá-la, aplicá-la à vida requer
esforço e aplicação. A Bíblia é um livro complexo.
Fazem-se necessários estudos sérios, ajuda de pessoas
preparadas e freqüência a cursos bíblicos na Comunidade.
Tudo isso é importante para serem evitadas as leituras
errôneas. É claro que o Espírito Santo inspira cada um a
bem ler a Bíblia.
- Mas Ele também concede o dom da
comunhão com a fé da Igreja. Ele sopra para onde quer,
mas não dispersa nem gera o caos e sim leva à harmonia e
à unidade da fé. E Ele assiste a Igreja para que, com
seu Magistério, garanta sempre a interpretação bíblica
verdadeira e sua aplicação correta à vida.
- Conhecer para amar, orar e
contemplar: esse é o itinerário da “Leitura Orante da
Bíblia”. Freqüente, prezado leitor, na sua Comunidade,
as equipes bíblicas de estudo e oração.
Dom Caetano Ferrari, OFM - Bispo Diocesano
-
"Exaltação
da Santa Cruz"Artigo
publicado na edição de de setembro de 2009 do Informativo
"O Peregrino"

- “Do mesmo modo como Moisés levantou
a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do
Homem seja levantado, para que todos os que Nele crerem,
tenham a vida eterna” (Jo 3,14-15)
-
- Se não houvesse a Cruz, Cristo
não seria crucificado nem teria atraído todos a si.
- A
festa da Exaltação da Santa Cruz é a festa da Exaltação do
Cristo, vencedor da morte e do pecado, por seu Corpo dado e
Sangue derramado no alto da cruz. Para o cristianismo, a
cruz é o símbolo maior de fé, com cujos traços, todos nós
nos persignamos, desde o momento do levantar até o deitar a
cada dia. Na cerimônia batismal, o primeiro sinal de
acolhida à criança recém-nascida é o sinal-da-cruz, traçado
em sua fronte pelo Padre, Pais e Padrinhos, sinalando-a para
sempre com a marca de Cristo.
-
A cruz recorda o Cristo crucificado, o sacrifício de sua
Paixão, o seu martírio que nos deu a salvação. Por isso é
que, desde tempos antiquíssimos, a Igreja passou a celebrar,
exaltar e venerar a Cruz, inclusive, como símbolo da árvore
da vida, que se contrapõe à árvore do pecado, no paraíso, e
símbolo mais perfeito da serpente de bronze que Moisés
levantou no deserto para curar os israelitas picados pelas
cobras, porque O Filho do Homem, nela levantado, cura o
homem todo e todos os homens, o corpo e a alma dos que Nele
crêem e lhes dá a vida eterna.
- A
serpente do paraíso trouxe a infelicidade a este mundo, com
o engodo da igualdade divina, com que incitou os pais da
humanidade a comerem o fruto da árvore proibida (Gn
3,17-19), e as do deserto provocaram a morte dos filhos de
Israel, que reclamavam contra Deus e contra Moisés (Nm 21,
4-6). Arrependendo-se do seu pecado, o povo pediu a Moisés
que rogasse ao Senhor para livrá-los das serpentes. O
Senhor, que é bom e misericordioso, sempre pronto a perdoar,
ordenou a Moisés que erguesse, no centro do acampamento, um
poste de madeira, com uma serpente de bronze pendurada no
alto, dizendo que todo aquele que dirigisse seu olhar para a
serpente de bronze, se curaria (Nm 21,8-9).
- Jesus
retoma esses símbolos do passado, bem conhecidos pelo povo
(serpente, árvore, pecado, morte) para dizer no Evangelho da
Liturgia da festa (Jo 3,13-17) que no lugar da serpente de
bronze pendurada no alto de um poste de madeira, Ele mesmo é
quem seria levantado no lenho da cruz. Se o pecado e a morte
advieram da insídia e veneno do demônio, nos símbolos da
árvore proibida e da serpente do paraíso e do deserto, a
bênção, a salvação e a vida eterna advêm do Cristo levantado
no alto da cruz, de onde Ele atrai a si os olhares de toda a
humanidade. Eis porque a Igreja canta na Liturgia
Eucarística da festa: “Santa Cruz adorável, de onde a
vida brotou, nós, por ti redimidos, te cantamos louvor!”
e na Liturgia das Horas: “Mais
altaneira do que os cedros, ergue-se a Cruz triunfal: não
traz um fruto de morte, traz a vida a todo mortal”.
-
“Longe de mim gloriar-me a não ser na Cruz de Nosso Senhor
Jesus Cristo” (Gl 6, 14)
- Até o
Calvário, a cruz fora tida como sinal de vergonha, maldição,
execração. Com a crucifixão de Cristo, desde então, ela se
tornou símbolo de triunfo e vitória. Se da cruz vinha a
maldição e a morte, agora, da cruz vem todo o bem e toda a
graça. O Apóstolo Paulo aprofunda o mistério, dizendo que a
cruz lembra a humilhação extrema de Jesus, que se despojou
de sua dignidade de ser igual a Deus, “fazendo-se
obediente até a morte e morte de cruz” (Fl 2,8). E ele
mesmo afirma que: “Por isso, Deus o exaltou acima de tudo
e lhe deu o nome que está acima de todo nome. Assim, ao nome
de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da
terra e toda língua proclame: Jesus Cristo é o Senhor!”
(Fl 2, 8-11). Tendo tal compreensão da Paixão de Jesus e
elaborado tal teologia a respeito do mistério da Cruz,
torna-se perfeitamente compreensível a declaração de Paulo
aos Gálatas de que para ele, sem a cruz de Cristo, não há
glória possível. Oxalá possamos nós também, proclamar e
viver sempre essa mesma fé.
- Nós
vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos,
porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo!
- A
cruz não é uma divindade, um ídolo, feito de madeira, barro,
bronze, mas ela é para nós santa e sagrada, porque dela
pendeu o Salvador do mundo. Ela é o símbolo universal do
cristão. Com orgulho e devoção, ela é a nossa marca, o sinal
de nossa identidade, vocação e missão. Traçando o sinal da
cruz, em nossa fronte, a todo o momento, nós louvamos e
bendizemos a Santíssima Trindade, Pai e Filho e Espírito
Santo, agradecendo o tão grande bem e amor que pela Cruz o
Senhor continua a derramar sobre nós.
Celebrando a festa da Exaltação da Santa Cruz,
celebramos a vitória de Cristo que nos possibilita, desde
agora, celebrar a nossa futura glória no céu. Pois, “se
morremos com Cristo, cremos também que viveremos com Ele”
(Rm 6,9).
-
- Dom
Caetano Ferrari, OFM
"Mistério
da Cruz"Artigo
publicado na edição de 13 de setembro de 2009 do Jornal Bom
Dia
- A cruz na
vida de Jesus tem unanimidade entre os cristãos de todos
os credos. Mas a cruz na vida dos cristãos não goza do
mesmo prestígio. É fé comum que a paixão de Cristo na
cruz foi sacrifício perfeito que perdoou o pecado e
reconciliou o homem com Deus (cf. Rm 3,24; 1Cor 1,18ss;
5,7; Ef5,1s; Cl1,19s). nos Evangelhos, Jesus mesmo
anunciou a sua morte na Cruz (cf. Mt20,18-19; Mc8,31; Lc
9,22). Estas e outras passagens bíblicas não deixam
dúvidas a respeito do lugar que ocupou a cruz na vida de
Jesus. E que foi por esta cruz que Jesus nos salvou e
libertou de todo pecado. A cruz de Cristo como símbolo
de seu amor por nós é fé gral.
- Mas para
não poucos crentes em Jesus a cruz na vida dos cristãos
não goza do mesmo consenso. Defendem que a cruz não faz
parte da vida dos cristãos. Interpretam que Cristo
livrou os discípulos da cruz, bastando ter fé nele. São
cristãos que não gostam nem de falar da cruz.
- A cruz,
no entanto, faz parte da vida humana e cristã como
símbolo do sofrimento humano. Para os que crêem, é
claro, a cruz assumida livremente na f[e leva
necessariamente ao “poder da ressurreição de Cristo”,
que dá vida e que faz do cristão partícipe da cruz do
Senhor e colaborador da sua obra redentora (cf. Fl3,10s;
2Cor1,5s). Não há como não compreender como claríssima,
por exemplo, esta fala de Jesus: “ Aquele que não toma
sua cruz e não me segue não é digno de mim” (Mt10,38). O
Mistério da Cruz de Cristo desvela o mistério do
sofrimento humano.
- Nesta
semana, a Igreja celebra a “Exaltação da Santa Cruz”
(dia14) e os “Estigmas de São Francisco” (dia 17). Cruz
e chagas: exaltação do amor de Deus e do amor humano.
Dom Caetano Ferrari
-
"Setembro,
mês da Bíblia"Artigo
publicado na edição de 06 de setembro de 2009 do Jornal
da Cidade
-
É claro que todo dia é dia da Bíblia; é
inclusive indispensável que a leiamos e nela meditemos
diariamente. Mas a Igreja tem o costume de valorizar o
tempo, que está ligado à nossa condição humana e com ele
ou dentro dele vivemos experiências ricas de
significado. Por exemplo, em vista da Liturgia, a
divisão do ano é feita para marcar os tempos fortes em
que se celebram os mistérios da vida de Cristo: Natal,
Quaresma, Páscoa, tempo comum, etc. Na oração pública,
particularmente nos mosteiros, o dia se divide em horas
em que se rezam as orações chamadas de Liturgia das
Horas. O Ano Litúrgico insere-se no Ano Civil
sinalizando outro calendário, o da história da salvação.
Assim como no calendário há datas fixas marcando
passagens importantes do tempo, a Igreja aproveita para
agendar temas que se apresentam vitais e urgentes num
determinado momento e contexto sócio-cultural e
eclesial: Ano Sacerdotal, Ano Catequético Nacional,
Semana Nacional da Família, Dia Nacional do Catequista
etc.
-
Peço desculpas por esta longa
introdução. Mas é exatamente sob essa perspectiva
peculiar do tempo que a Igreja, objetivando fomentar o
amor à Palavra de Deus e impulsionar a leitura orante, a
formação e a pastoral bíblica, instituiu o mês de
setembro como Mês da Bíblia. Um mês inteiro de
mobilização bíblica, de convocação geral das comunidades
e dos católicos para participarem de um verdadeiro
mutirão bíblico. A Bíblia, porém, continua importante
sempre. Como em outro exemplo, em 2008, o Santo Padre o
Papa Bento XVI convocou um Sínodo dos Bispos sobre “A
Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”. Assim o
fez exatamente para responder a uma demanda muito forte
nos dias de hoje: o anseio dos católicos por aprofundar
o conhecimento, a meditação e a vivência da Palavra de
Deus.
-
Pois bem, as orientações
vindas desse Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus e
também os apelos do “Documento de Aparecida” e das
“Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no
Brasil”, que pedem que se priorizem a formação
bíblico-doutrinal (cf. DA 226, c) e a oração com a
Bíblia (cf. DGAEB 147), estão pondo em marcha a
mobilização bíblica neste ano. Sob esse impulso, todo
esforço está sendo feito para intensificar ações e
programas, especialmente, nestes três campos:
-
1-
Conhecer e amar a Bíblia:
um empenho que começa desde a campanha
para divulgar a Bíblia e fomentar o acesso à Palavra de
Deus e vai até a ampliação da oferta de escolas e cursos
bíblicos disponíveis a um número cada vez maior de
fiéis. Para que possam bem conhecer a Bíblia, saber
manuseá-la, estudá-la, interpretá-la, aplicá-la à vida.
A Bíblia é um livro complexo que exige pessoas
especializadas que ajudem a desvendar os seus segredos e
a entender o seu verdadeiro significado e se evitem as
leituras e interpretações erradas e falsas, como por
exemplo, a leitura fundamentalista e literalista (ao pé
da letra); a leitura espiritualista e devocional
desencarnada da realidade; a leitura sem levar em conta
o contexto em que o texto bíblico foi escrito,
desprezando a ajuda das ciências humanas (História,
Geografia, Política, Sociologia, Psicologia etc.); a
interpretação subjetivista e individualista fora da fé
da Igreja e da garantia do magistério da Igreja que
recebeu do Senhor a assistência do Espírito Santo para
bem guardar as Sagradas Escrituras e bem interpretá-las,
a fim de que sejam sempre a luz e o alimento da fé do
povo de Deus, vale dizer, da Igreja caminhante e
peregrina neste mundo.
-
2-
Rezar com a Bíblia:
ou rezar a Palavra de Deus. A
Bíblia é o melhor livro de orações, pois contém a
Palavra de Deus. Quem a lê e nela medita ouve o que Deus
tem a lhe dizer. Veja o que Santo Agostinho dizia
(século V): “Quando você lê a sagrada Escritura, Deus
lhe fala. Quando você reza, você fala a Deus”. O que
Deus diz são palavras de vida, de esperança, de coragem,
de perdão, de bondade, de afeto, de ternura. São
palavras de Pai para filhos. Por isso a Bíblia é chamada
de livro da vida, pois quem com ela reza é conduzido
pela graça ao encontro e à comunhão com Deus. Desde os
primórdios a Igreja desenvolveu uma leitura especial
chamada “Leitura Orante da Bíblia”, em latim, a “Lectio
Divina”. Uma maneira de rezar com a Bíblia em quatro
degraus: ler, meditar, rezar e contemplar. Sobre esse
método falarei, em especial, no próximo domingo.
-
3-
Viver a Bíblia:
a Palavra de Deus é para ser conhecida, amada, rezada e,
por fim, vivida. É Palavra para ser ouvida e guardada no
coração, mas vivenciada no dia a dia. Como ela é Palavra
eficaz, criadora, revitalizadora da vida e
transformadora da realidade, ela renova as forças
missionárias da Igreja, faz do nosso Catolicismo um
“Catolicismo Bíblico e Evangélico” e de nós Católicos,
discípulos e missionários de Nosso Senhor Jesus Cristo.
-
Dom Caetano Ferrari
-
"Catolicismo
bíblico"Artigo
publicado na edição de 06de setembro de 2009 do Jornal
Bom Dia
- Aconteceu comigo, não faz muito
tempo, depois de uma missa dominical. Um casal de
namorados me procurou na saída da Igreja.
- Ele, um jovem evangélico, assistiu à
missa acompanhando a namorada, católica participante.
Feitas as apresentações, o rapaz então me disse, entre
surpreso e admirado: “Não sabia que na missa se lê a
Bíblia!” lembro-me que lhe respondi brincando: “Pois é,
sempre é tempo de aprender coisas novas!” E acrescentei
para sua surpresa maior: “O catolicismo é também bíblico
e evangélico!”
- O Concílio Vaticano II, no documento
que trata da Bíblia, “Dei Verbum” (Palavra de Deus),
traz esta afirmação basilar: (A Igreja) “sempre
considerou e considera as divinas Escrituras... como a
regra suprema da própria fé” (DV21). Assim sendo, vemos
a Bíblia nas mãos, mente e alma dos católicos, como
principal livro das orações litúrgicas e devocionais, da
evangelização e catequese, da vida ética e moral, na
prática do bem, da justiça e da paz.
- O presente mês de setembro é o mês da
Bíblia. A Igreja nos chama para neste mês para um
verdadeiro mutirão bíblico. Um mês inteiro de
mobilização e convocação das lideranças eclesiais:
bispo, padres, diáconos, catequistas, ministros da
Palavra, coordenadores das pastorais, comunidades e
associações para oferecerem a todos os católicos
programas e ações que impulsionem e aprofundem a leitura
orante, a formação e a pastoral bíblica.
- De fato, há uma unidade indissolúvel
entre “conhecer a Bíblia”, rezar com a Bíblia” e “viver
a Bíblia”. Participe você também, caro leitor, dessa
mobilização bíblica em sua comunidade.
- Dom Caetano Ferrari
-
"Dia do
Catequista
"Artigo
publicado na edição de 30 de agosto de 2009 do Jornal da
Cidade
Desde
o início de agosto, mês vocacional, a Igreja vem nos
convidando a rezar, refletir, celebrar e agir em favor das
vocações. Lembram-se? Comemorando a cada domingo uma
vocação em especial. No primeiro domingo, a do Padre; no
segundo, a do Pai e da família; no terceiro, a dos
Consagrados; no quarto, a dos Leigos. E neste último
domingo do mês, a do Catequista. Pois hoje, inclusive, é o
Dia Nacional do Catequista.
Estamos também, neste ano de 2009, celebrando o Ano
Catequético Nacional, que se encerrará no domingo de
Cristo Rei, dia 22 de novembro próximo. O tema é:
“Catequese, caminho para o discipulado”. O lema é
inspirado em Lc 24, 32.35: “Nosso coração arde quando Ele
fala, explica as Escrituras e parte o pão”. E tem por
objetivo geral: “Dar novo impulso à catequese como serviço
eclesial e como caminho para o discipulado”.
Desejo destacar dois dos objetivos específicos. Eu os vejo
como muito importantes. O primeiro diz respeito à
catequese com adultos. O segundo se liga ao primeiro, e
consiste em uma formação permanente que acompanhe o
cristão adulto ao longo de sua vida, num processo
sistemático, progressivo e permanente de educação da fé.
Todos nós sabemos que os católicos em geral recebem os
sacramentos chamados da iniciação cristã (Batismo, 1ª
Eucaristia e Crisma) sem serem, todavia, suficientemente
evangelizados, catequizados ou formados e educados na fé.
Está mais do que claro que essa catequese inicial tem sido
insatisfatória. Menos por despreparo dos Catequistas e
mais pelas carências pedagógicas, por exemplo, quanto ao
método, à duração, à interligação com a Liturgia e a
Bíblia, à relação vida e fé.
Em face da formação permanente, que ora se impõe,
obviamente, nossos Catequistas precisam ser mais bem
preparados. Esse é outro objetivo específico do Ano
Catequético Nacional. Nossa Diocese de Bauru está levando
a sério esse compromisso. Temos em funcionamento a Escola
de Catequese Diocesana com uma primeira turma de 130
catequistas matriculados, representantes de nossas
Paróquias. Estes catequistas, depois de completado o
curso, com duração de
dois anos em quatro módulos, deverão repassar o que nele
receberam aos demais catequistas de suas respectivas
comunidades. É pouco, se poderia dizer, mas já é um grande
passo.
Uma catequese renovada e preparada para adultos, e não só
para crianças, num processo de formação permanente e
sistemática, de fato, se faz urgente e indispensável. Os
católicos, não por culpa deles, mas nossa como seus
pastores, não recebem mais do que uma formação superficial
e deficitária quanto ao conhecimento de temas importantes
de fé, como por exemplo, a Bíblia, a Liturgia, a Teologia,
a Moral, a Igreja, o compromisso missionário e social,
etc.
Como resultados dessa deficiência duas consequências são
muito evidentes. A primeira dá-se na dimensão da comunhão
e participação eclesial, que não acontece pelo notório
desinteresse de muitos católicos, somada à frágil e
distante pertença com a comunidade. Eles pouco buscam a
Igreja, a não ser em eventuais batizados, casamentos e
missas de 7º dia, e a Igreja não vai até eles, não os
visita, como se não precisasse deles. A segunda é
verificável pelas muitas defecções da fé católica e adesão
a outras religiões. São exatamente entre essas ovelhas
afastadas ou sem pastor que muitos católicos se deixam
facilmente seduzir por propostas e convites que chegam à
sua casa por meio de mensageiros reais ou virtuais
enviados por não poucas denominações religiosas,
principalmente as novas que se multiplicam na atualidade.
Hoje, no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, acontece
uma grande celebração do Dia do Catequista, reunindo
Catequistas peregrinos de todas as Dioceses do Estado de
São Paulo. Catequistas de nossa Diocese lotaram dez ônibus
e lá estão aos pés da Mãe da Divina Graça, a Senhora
Aparecida, somando-se ao demais Catequistas, rendendo a
Deus ação de graças e suplicando-lhe bênçãos para todos os
nossos Catequistas. Também para que a Catequese leve
nossos Catequizandos à alegria do encontro pessoal com
Jesus Cristo, e se torne para todos eles caminho ao
discipulado e à missão. Em louvor de Cristo. Amém!
Dom Caetano Ferrari -
Bispo
Diocesano de Bauru
-
"Dia do
Catequista
"Artigo
publicado na edição de 30 de agosto de 2009
do Jornal Bom Dia

- Encerrando agosto, mês vocacional,
neste domingo, a Igreja comemora o Dia Nacional do
Catequista. E, neste ano de 2009, celebra-se também o
Ano Catequético Nacional. Tudo isso sinaliza em que
grua de importância a Igreja está pondo a Catequese na
Pastoral de Conjunto. Há uma constatação de base: não
basta aquela catequese com crianças e adolescentes,
voltada apenas à preparação para os Sacramentos da
Iniciação Cristã (Batismo, Eucaristia e Crisma). Mais
do que nunca se faz imprescindível a Catequese com
adultos num processo permanente, sistemático e
progressivo de educação na fé.
- Na modernidade atual as pessoas
precisam estar bem preparadas e atualizadas, não só
nos conhecimentos básicos de política, economia,
direito e cultura, mas inclusive de religião. Não é
mais possível ser católico por inércia, tradição,
família; o católico precisa estar bem assentado sobre
os fundamentos da fé para poder dar as razões de sua
esperança, como diz o Apóstolo Pedro, a quem lhas
demandar (cf 1Pd 3,15), e para firmar convicções
pessoais e coerência existencial de vida e fé.
- Investir na formação de catequistas
é prioridade em nossa Diocese. A Escola Catequética
Diocesana está oferecendo um curso de dois anos, em
quatro módulos, aberto com uma primeira turma de 130
catequistas representantes das várias Paróquias.
- Catequistas de todo o Estado de São
Paulo fazem, neste fim de semana, uma romaria à
Aparecida, celebrando aos pés de Nossa Senhora o Dia
do Catequista. Catequistas de nossa Diocese lá se
encontram, em 10 ônibus, participando do evento.
- Estejamos unidos em comunhão de
orações por nossos catequistas e catequizandos.
-
Dom Caetano
Ferrari
- Bispo
Diocesano de Bauru
-
-
"Os Cristãos
Leigos
"Artigo
publicado na edição de 23 de agosto de 2009 do Jornal da
Cidade

-
Há diversidade de vocações e ministérios
no seio da Igreja. Ao longo desse mês de agosto somos
convidados a rezar, celebrar, refletir e agir em favor
das vocações em geral. Hoje, particularmente,
comemora-se a vocação para os ministérios e serviços
leigos na comunidade.
-
Mas quem são os leigos e
leigas? Clareando-se alguns conceitos. Todos os
cristãos, a partir do batismo, são iguais em dignidade e
identidade. Inclusive têm em comum a mesma vocação à
santidade. Eles formam a família ou o povo de Deus,
congregados na comunhão da mesma fé, esperança e
caridade. É o que ensina, por exemplo, a “Lumen Gentium”
(Luz das Nações) do Concílio Vaticano II quando fala dos
batizados, membros do povo de Deus: “Comum é a dignidade
dos membros, pela regeneração em Cristo, comum a graça
dos filhos, comum a vocação à perfeição; uma só
salvação, uma só esperança e indivisa caridade” (LG 32).
No entanto, ainda que na ordem do “ser” todos os
batizados sejam iguais, contudo na ordem do “fazer” ou
“servir” há diversidade de serviços, ministérios e
carismas. Assim sendo, o povo de Deus distingue-se em
Clero, Religiosos e Leigos. Ou seja, diferenciam-se em
ministros ordenados (Clero): Bispos, Padres e Diáconos;
em Religiosos e Religiosas da Vida Consagrada masculina
e feminina; e em Fiéis leigos e leigas.
-
Respondendo agora à pergunta
– quem são os leigos? – assim explica o magistério da
Igreja: “por leigos entende-se aqui o conjunto dos
fiéis, com exceção daqueles que receberam uma ordem
sacra (Clero) ou abraçaram o estado religioso aprovado
pela Igreja (Religiosos)... realizam na Igreja e no
mundo, na parte que lhes compete, a missão de todo o
povo cristão” (LG, 31). O Documento de Aparecida (DA),
inspirando-se no Vaticano II, afirma que “os fiéis
leigos são ‘os cristãos que estão incorporados a Cristo
pelo batismo, que formam o povo de Deus e participam das
funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei. Realizam,
segundo sua condição, a missão de todo o povo cristão na
Igreja e no mundo’. São ‘homens da Igreja no coração do
mundo, e homens do mundo no coração da Igreja’” (DA
209).
-
Nas citações acima,
constata-se que a expressão “no mundo” e “do mundo”
aparece várias vezes. Como diz o Vaticano II, essa
índole secular (estar no mundo) é a ‘marca registrada’
da vocação dos leigos: “vivem no mundo, isto é, no meio
de todas e cada uma das atividades e profissões, e nas
circunstâncias ordinárias da vida familiar e social...
para a santificação do mundo, através de sua própria
função...” (LG, 31). Em virtude da índole secular
própria dos leigos, o Documento de Aparecida convida
todos os fiéis leigos e leigas a se converterem cada vez
mais em “discípulos e missionários de Jesus Cristo, Luz
do Mundo”: “sua missão própria e específica se realiza
no mundo, de tal modo que, com seu testemunho e sua
atividade, contribuam para a transformação das
realidades e para a criação de estruturas justas segundo
os critérios do Evangelho” (DA, 210).
-
O modo próprio dos leigos
participarem da missão evangelizadora da Igreja dá-se,
em primeiro lugar, pelo testemunho de fé e vida no mundo
e, em segundo lugar, pela participação ativa na Igreja,
exercendo os mais diversos serviços e ministérios, como
por exemplo, na liturgia, nas pastorais, na caridade,
nos movimentos, nas comunidades e associações leigas
(cf. DA, 211). Para a Igreja colocar-se em “estado
permanente de missão”, o Documento de Aparecida apela,
fortemente, para a colaboração dos leigos. Recorda
inclusive palavras do Papa João Paulo II: “a
evangelização do Continente, dizia-nos o papa João Paulo
II, não pode realizar-se hoje sem a colaboração dos
fiéis leigos. Hão de ser parte ativa e criativa na
elaboração e execução de projetos pastorais a favor da
comunidade. Isso exige, da parte dos pastores, maior
abertura de mentalidade para que entendam e acolham o
“ser” e o “fazer” do leigo na Igreja, que por seu
batismo e sua confirmação é discípulo e missionário de
Jesus Cristo” (DA, 213).
-
A Diocese de Bauru, graças a
Deus, conta com a comunhão e participação, a força e o
amor de um laicato generoso, apoiando o Bispo, os Padres
e os Religiosos, e atuando em todas as frentes da ação
evangelizadora da Igreja. A todos os cristãos leigos e
leigas, Deus lhes pague. E por eles, hoje, nossas
comunidades de fé oram fervorosamente!
-
Dom Caetano
Ferrari
- Bispo
Diocesano de Bauru
-
"Cristãos
Leigos
"Artigo
publicado na edição de 23 de agosto de 2009
do Jornal Bom Dia

- Na Igreja, todos os batizados são
iguais em dignidade e igualdade. E todos têm em comum a
mesma vocação à santidade. No entanto, quanto à missão,
eles se diferenciam segundo a diversidade de atividades
e ministérios existentes na Igreja. Nesse sentido, a
comunidade dos batizados distingue-se em clero,
religiosos e leigos. Ora, por exclusão, os leigos são os
que não têm Ordem Sacra (clero) nem abraçaram a vida
consagrada (religiosos).
- Mas, em essência, o que caracteriza
mesmo os leigos é viverem no mundo, inseridos nas
realidades seculares, participando e atuando no campo da
economia, política, educação, cultura, etc., exercendo
um protagonismo bem distinto e especial. Ali, em meio às
realidades temporais, eles estão não como quaisquer
sujeitos, mas como cristãos. Vale dizer, com a missão
específica de serem no seu ambiente social “luz do
mundo”, “sal da terra”, “fermento na massa”.
- No interior da vida da Igreja, os
leigos são chamados a desempenhar serviços e
ministérios, segundo os dons que o Espírito Santo
concede para o bem da comunidade e a utilidade de todos
(cf. 1Cor 12,4-11). Nós os vemos atuando nas Pastorais,
na Liturgia, na Catequese, nos Movimentos, Comunidade e
Associações, no serviço da caridade, na fé e política,
na justiça e paz, etc.
- Como ensina a Igreja, os leigos são
“homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo
no coração da Igreja”. Nossa Diocese e Paróquias não
conseguiriam cumprir bem sua missão sem a colaboração
dos fiéis leigos.
- Nossas Comunidade de fé, hoje, oram
fervorosamente pelos cristãos leigos e leigas. A todos
eles Deus lhes pague e abençoe.
- Dom
Caetano Ferrari – Bispo Diocesano de Bauru
-
"Vida
Consagrada
"Artigo
publicado na edição de 16 de agosto de 2009
do Jornal Bom Dia
-
Em
agosto, mês vocacional, sobressaem dois grandes santos.
No dia 4, o Santo Cura D’Ars, padroeiro de todos os
padres. No dia 11, Santa Clara, que é uma das santas
mais expressivas da vida consagrada, protetora dos
religiosos e religiosas da vida ativa e contemplativa.
- Lembrando Jesus que disse “não fostes
vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi” (Jo
15,16), hoje somos chamados a contemplar a vocação para
a vida consagrada, masculina e feminina. A orar por
todos os religiosos presentes em nossa Diocese. E a agir
em favor da promoção dessa forma evangélica de vida.
Embora a escolha seja de Jesus, foi Ele quem deu essa
ordem: “Rogai, pois, ao Senhor que envie operários para
a sua messe” (Lc 10,2).
- O carisma da vida consagrada é um
serviço essencial na Igreja. Ela é suscitada para o bem
do Corpo Místico de Cristo, a Igreja, como sinal,
parábola e profecia do Reino de Deus no mundo. Tendo
como essência o seguimento de Cristo, pobre, obediente e
casto, ela é pela profissão dos votos religiosos sinal
antecipatório do Reino dos Céus e dá testemunho de um
tríplice ministério.
- Pelo ministério da comunhão. Ela
oferece modos alternativos de convivência fraterna onde
tudo é posto em comum. Pelo ministério da fé, confiança
e esperança, ela vive da Providência Divina, pondo
unicamente em Deus toda segurança. Pelo ministério da
misericórdia e compaixão, ela é o rosto misericordioso
de Deus, servidora da vida junto ao povo sofrido e
dispensadora da caridade. Em suma, ela não se
caracteriza pela renúncia, mas pela opção de viver os
Conselhos Evangélicos, como caminho de realização humana
e santidade de vida.
-
- Dom Caetano Ferrari
-
Dia dos Pais "Artigo
publicado na edição de 09 de agosto de 2009 do Jornal
da Cidade
-
Neste 2º domingo de agosto, comemora-se o dia dos
pais. Ao compartilhar dessa festa com a sociedade, a
Igreja não só quer destacar seu significado quanto
aprofundar e estender sua reflexão por toda a semana.
De 9 a 15 de agosto realiza-se a “Semana Nacional da
Família”. Uma semana toda voltada ao tema da vocação
para a vida em família, com atenção especial aos pais
(pai e mãe). No entanto, quanto é necessário, hoje,
uma revisão e uma revalorização da vocação e da missão
do pai para o equilíbrio na vida familiar e a formação
dos filhos!
Na abertura da V Conferência do Episcopado da América
Latina e Caribe, em Aparecida, o Papa Bento XVI
afirmou que a família, “patrimônio da humanidade,
constitui um dos tesouros mais importantes dos povos
latino-americanos e caribenhos... A família é
insubstituível para a serenidade pessoal e para a
educação de seus filhos”. E os bispos lá reunidos,
como se pode ler no Documento de Aparecida,
incorporaram essas palavras do Papa na sua mensagem
final para proclamarem com alegria a boa nova da
família (cf. DA 114 a 119). As Diretrizes Gerais da
Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil fizeram o
mesmo (cf. DGAE 128 a 136), assumindo para valer o que
Aparecida afirma e propõe sobre a família: “Tamanha é
sua importância que deve ser considerada ‘um dos eixos
transversais de toda a ação evangelizadora’” (DGAE
128).
Significa dizer que no conjunto das pastorais da
Igreja, a pastoral familiar, além de ser uma
prioridade, precisa estar bem articulada com todas as
demais, principalmente com aquelas que estão mais
ligadas a ela, como por exemplo: pastoral da criança,
do menor, do idoso, da saúde, da promoção humana,
carcerária, vocacional, etc.
Muito se poderia falar sobre a situação da família
hoje. Mas é coisa bem sabida que a instituição
familiar passa por uma grande crise. As mudanças
sociais vêm afetando a vida como um todo, nos valores,
costumes e comportamentos, inclusive quanto aos
supremos valores éticos, morais e religiosos,
desestruturando, em particular, a família. O melhor a
fazer, porém, é a assunção de atitudes positivas. É o
que a Igreja vem fazendo. Primeiro ela insiste na
confiança e certeza de que “Deus ama nossas famílias,
apesar de tantas feridas e divisões” (DA 119). Daí a
importância da oração em família, na comunidade e em
particular, para que não falte a graça do Senhor. E
também da solidariedade dos irmãos e dos serviços
concretos da comunidade de fé promovendo a família por
meio de uma “pastoral familiar intensa e vigorosa”,
que ajude os casais a superarem as crises, como já nos
pediu o Papa Bento XVI.
Veja só como a Igreja, hoje mais do que nunca, nos
seus documentos e pronunciamentos, pensa, defende e
promove a família. A Família é “berço da vida”; é “a
primeira sociedade, anterior ao Estado, detentora de
direitos naturais e inalienáveis”; é um “bem primário
do qual depende o Estado e as Instituições”; é “a
primeira escola que educa para os valores e a
cidadania; é “o lugar onde vida privada e realidade
social se encontram, convergindo para o bem comum”; é
“a primeira e principal catequista que educa para a
fé”; é “a Igreja doméstica que ensina a conhecer e
amar a Deus”; é “berço de vocações para a vida e a
Igreja”. A Igreja propõe ações e participa da luta
para que a família seja “valorizada e protegida pelo
Estado, porque do bem dela depende ao mesmo tempo o
bem da sociedade”. O respeito pela vida humana e a
dignidade da pessoa, a convivência social e a
responsabilidade pela construção do bem comum são
virtudes que vêm do berço, nascem da experiência da
vida em família.
A Pastoral Familiar da Diocese de Bauru vem cumprindo
sua missão e prestando serviço a favor de nossas
famílias. Venha você também, estimado leitor,
enriquecer a Pastoral Familiar de sua Paróquia com sua
participação e insubstituível atuação. Acompanhe a
programação da Semana Nacional da Família. Parabéns
aos pais! Em louvor de Cristo. Amém!
Dom Caetano Ferrari Bispo Diocesano de Bauru
-
Dia do Padre "Artigo
publicado na edição de 02 de agosto de 2009 do Jornal Bom
Dia
-
Agosto,
na Igreja, é o mês vocacional. Nesta primeira semana
somos chamados a rezar, refletir e agir nas Comunidades
em prol das vocações para os ministérios ordenados:
bispos padres e diáconos. Toda autoridade na Igreja é
ministério, ou seja, serviço. Como Jesus disse, de si
mesmo, que veio para servir e não ser servido (cf. Mc
10,45). Todo sacerdote é escolhido por Deus do meio do
povo e colocado a serviço dele nas suas relações com
Deus (cf. Hb 5,1).
- Os sacerdotes ou presbíteros ou
padres são absolutamente necessários na vida da Igreja.
Não há genuína pregação da palavra de Deus nem a
presença real de Cristo entre nós pela Eucaristia sem o
padre ungido e ordenado legitimamente por meio da
sucessão apostólica. São Francisco dizia que se, no
caminho, encontrasse um anjo e um padre; primeiro
beijaria a mão do padre e depois saudaria o anjo. E
explicava: “Não quero nem saber se ele tem algum
defeito, mesmo algum pecado, porque neste mundo não
existe nenhuma outra criatura com o poder de fazer Jesus
presente realmente no meio de nós”.
- Nós bem sabemos que não há verdadeira
Igreja de Cristo sem os padres. Por isso no nosso povo
ama os padres e os tem em grande estima, vendo neles o
rosto de Cristo, o bom Pastor. O Papa Bento XVI
instituiu 2009 como o “Ano Sacerdotal”, a fim de que nos
conscientizemos sobre o valor e a importância do padre
para a Igreja e a sociedade, e oremos pela santificação
deles.
- O próximo dia 4, festa do Santo Cura
D’Ars, São João Maria Vianney, patrono e modelo dos
padres, é o dia do Padre. Demos graças a Deus por nossos
padres, oremos por eles e lhes sejamos gratos.
- Dom Caetano Ferrari – Bispo diocesano
de Bauru
-
"Comunidades de Base "Artigo
publicado na edição de 26 de julho de 2009 do Jornal Bom
Dia
- O acontecimento eclesial no Brasil mais
importante da semana foi o 12º. Intereclesial das
Comunidades Eclesiais de Base, realizado em Porto Velho,
Rondônia. Lá estiveram três mil representantes das mais de
100 mil CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) espalhadas
pelo Brasil, sem contar as centenas de pessoas
encarregadas da logística do encontro.
- As CEBs são frutos bons do impulso
renovador do Concílio Vaticano 2º, surgidas no final da
década de 60. E durante a ditadura militar cumpriram papel
importante na redemocratização do País.
- Influenciadas por essa experiência,
algumas das CEBs seguiram um caminhada de acentuado
engajamento nas lutas políticas e sociais da sociedade com
prejuízo da dimensão central do religioso e espiritual.
- Hoje, sem perder o compromisso com as
transformações sociais, fazendo a ligação da fé com a
vida, as CEBs são verdadeiros espaços de formação de
discípulos e missionários a serviço da Igreja.
- O encontro pôs em evidência a força das
CEBs como “um novo jeito de ser Igreja”. Os participantes
procuraram dar respostas ao “grito que vem da Amazônia”.
- Renovando sem compromisso missionário,
aprovaram propostas de apoio e colaboração com a Igreja da
Amazônia pela defesa da vida dos povos da floresta,
indígenas, ribeirinhos e seringueiros.
- E também e do meio ambiente, pelo
anúncio do Evangelho da vida e de Jesus Cristo, e pelo
comprometimento com a luta por melhores condições de vida
dos pobres e excluídos.
- Dom Caetano Ferrari
-
"Comunicação a Serviço da Evangelização"Artigo
publicado na edição de 19 de julho de 2009 do Jornal da Cidade
-
Comunicação a serviço da Evangelização
-
Agradeço intensamente a Direção do
Jornal da Cidade pela concessão deste espaço semanal à
comunicação da Diocese de Bauru com a
sociedade em geral e com a comunidade católica em particular. A
ampla circulação regional do JC permite à Diocese levar a sua
mensagem para além do seu limite territorial, alcançando com
sobra os 14 municípios que a compõem. Impossível não reconhecer
e destacar o sentido pastoral do espaço que o JC disponibiliza à
Diocese como um canal de comunicação posto a serviço da ação
evangelizadora da Igreja. Impossível, portanto, não agradecer.
-
A Igreja Católica, desde o século
passado, vem acentuando a importância dos meios de comunicação
social (mass media) para o serviço da Evangelização. O Papa
Paulo VI, na exortação apostólica “Evangelii Nuntiandi”, de
1975, falando sobre a Evangelização no mundo contemporâneo,
dizia que a Igreja sentir-se-ia culpável se não se servisse
destes meios poderosos de comunicação e que: “É servindo-se
deles que ela ‘proclama sobre os telhados’ (cf. Mt 10,27; Lc
12,3), a mensagem de que é depositária. Neles encontra uma
versão moderna e eficaz do púlpito. Graças a eles consegue falar
às multidões” (n. 45). Recentemente o Episcopado da América
Latina e do Caribe, reunido na V Conferência Geral, em
Aparecida, chamou a atenção para este mundo atual formatado
“como grande cultura midiática” pela revolução tecnológica e a
globalização (cf. Documento de Aparecida, 484). E como Bispos à
frente da Igreja no continente assumiram, conforme se lê no
referido DA, valorizar esta nova cultura da comunicação e
“Estar presente nos meios de comunicação de
massa: imprensa, rádio e TV, cinema digital, sites de Internet,
fóruns e tantos outros sistemas para introduzir neles o mistério
de Cristo” (n: 486, “e”).
-
Também
entre nós, como afirmam as Diretrizes Gerais da Ação
Evangelizadora da Igreja no Brasil, aprovadas pela CNBB para
vigorar de 2008 a 2010, a Igreja foi convocada a “Incentivar
e, onde já existe, animar a Pastoral da Comunicação
nos regionais, dioceses e paróquias
para que possa contribuir para a integração entre as demais
pastorais, articulando o processo de comunicação no interior
da Igreja e envolvendo os meios de comunicação no anúncio da
Palavra de Deus a todos” (n: 206, “l”).
-
A
PASCOM (Pastoral da Comunicação) Diocesana está organizada na
Diocese de Bauru e vem atuando há anos, tendo por missão, entre
outros serviços, promover a comunicação e a informação dentro e
para fora da Diocese; cooperar na educação crítica de nossas
crianças, jovens e adultos quanto ao uso dos meios de
comunicação; auxiliar na formação de comunicadores comprometidos
com os valores humanos e cristãos, e com a ética da comunicação.
-
Como a verdadeira comunicação deve
ser dialógica, conforme o ensinamento da teoria cristã da
comunicação, o presente espaço no JC será usado pela PASCOM
diocesana para um diálogo da Diocese, em três partes: 1-
Reflexão sob a responsabilidade do Bispo, que em suas ausências
terá algum substituto, como por exemplo, o Vigário Geral ou o
Coordenador Diocesano de Pastoral; 2- notícia ou informação de
interesse diocesano; 3- agenda semanal da Diocese. No final, são
oferecidos os endereços eletrônicos para contatos.
-
Estendendo o meu agradecimento
inicial a toda a família do JC, o que inclui o leitor, rogo a
Deus, para todos, bênçãos e graças de saúde e prosperidade, de
paz e bem. Em louvor de Cristo. Amém!
-
Dom Caetano Ferrari,
OFM Bispo Diocesano de Bauru
|
-
"Ano Catequético"Artigo
publicado na edição de 19 de julho de 2009 do Jornal Bom dia Bauru
No âmibto da Igreja do Brasil um Ano Catequético
Nacional está em curso. O tema é: “Catequese, caminho para o
discipulado”, e o lema, inspirado em Lucas 24,32-35, é: “Nosso
coração arde quando Ele fala, explica as Escrituras e parte o
pão”.
- Uma passagem bíblica traz o testemunho dos
discípulos de Emaús, quando o Ressuscitado caminhando com eles,
com eles, lhes deu uma verdadeira catequese explicando nas
Escrituras as passagens que se referiam a Ele, à sua Paixão e
Ressurreição. E de como os olhos se lhes abriram quando Ele
partiu o pão.
- Tendo por paradigma esta catequese de Jesus,
o Ano Catequético, querendo nos ajudar a repensá-la, tem por
objetivo geral “dar novo impulso à catequese como serviço
eclesial e caminho para o discipulado”.
- Uma catequese com novo impulso e que faça o
coração arder nos chama a uma grande revisão de todo o processo
de iniciação a fé. Como os católicos, em geral, são batizados
quando crianças e pouco evangelizados, a Igreja deseja priorizar
a catequese com adultos.
- E indica algumas pistas para essa catequese
renovada: que seja um processo permanente de educação da fé e
não apenas preparatória aos sacramentos e só para crianças; que
seja centrada na Palavra de Deus, na oração e na vivência da fé;
que seja assumida por todas as paróquias como um bonito trabalho
de Pastoral de Conjunto.
- Para que o Ano Catequético alcance seus
objetivos – adesão firme a Jesus, convicções sólidas e alegria
de ser católico – contamos com sua participação e orações.
Dom Caetano Ferrari, OFM – Bispo Diocesano de
Bauru |
-
"Caritas in Veritate"Artigo
publicado na edição de 12 de julho de 2009 do Jornal Bom dia Bauru
- Com o nome de “Caridade na Verdade”, o Santo Padre o
Papa, Bento 16, publicou no último dia 7 uma nova Encíclica, a
terceira de seu pontificado. As duas anteriores são “Deus
Caritas Est” Deus é amor), em 2006; e “Spe Salvi”
(Salvos na esperança), em 2007.
- “Caridade na Verdade” é uma encíclica
dirigida à Igreja e a todas as pessoas de boa vontade. Nela o
Papa aborda temas sociais relacionados ao desenvolvimento humano
integral que só se alcançará se regido pelos princípios éticos
normativos da caridade e da verdade.
- Por isso, é uma Encíclica de caráter
social, que se inscreve no conjunto da doutrina social da
Igreja.
- Caridade na verdade deve ser o critério para se defrontar
com as problemáticas do progresso moderno, os desequilíbrios
dramáticos na atual sociedade globalizada e a recente crise
econômico-financeira. À luz dessa diretriz evangélica, o Papa
mostra que é necessário promover um humanismo integral, que
concilie o progresso social e econômico com o respeito à pessoa;
e que se superem as profundas disparidades entre ricos e pobres
e a exclusão de pessoas e povos.
- Somente a partir de uma consciência ética alicerçada no
Evangelho será possível, diz ele, globalizar também a
solidariedade e redesenhar um novo modelo de desenvolvimento que
assegure um padrão de vida de autêntico bem-estar e de paz
estável para todos.
- Por fim, lembra Bento 16 que cabe a todas as pessoas de boa
vontade, mas de modo especial aos cristãos, construir esse
humanismo integral, assumindo este desafio como tarefa solidária
e jubilosa e como expressão de disponibilidade para Deus e para
os irmãos.
Dom Caetano Ferrari, OFM – Bispo Diocesano de
Bauru
"Chamou os que quis"Artigo
publicado na edição de 5 de julho de 2009 do Jornal Bom dia Bauru
Não há Igreja de Cristo sem a
Palavra de Deus e a Eucaristia. E não há celebração da Eucaristia e
pregação da Palavra sem o chamado e o envio dos discípulos-missionários
por Jesus Cristo. Jesus chamou os que quis para ficarem com Ele e os envia r
à missão (cf. Mc 3, 13-14). Na linha da sucessão apostólica, hoje, os
Padres, chamados também de Sacerdotes ou Presbíteros, são os
discípulos-missionários de Jesus, o Bom Pastor que devotava misericórdia
preferentemente para com os doentes, pobres e pecadores.
Igualmente os
Padres de nossa Diocese, à imagem do Bom Pastor, empenham-se para
ter esse jeito de ser de Jesus, vivendo próximos do povo e
servindo a todos com zelo pastoral, como homens de misericórdia e
compaixão. É por isso que o nosso povo tem grande estima para com
os nossos Padres. Enquanto estiveram em retiro espiritual, na
semana passada, nossas comunidades de fé os acompanharam com suas
orações. Isso explica porque o retiro foi muito proveitoso e
frutuoso.
Como os
Apóstolos foram importantes e insubstituíveis para o projeto de
Jesus, também os nossos Padres o são hoje, A vocação sacerdotal é
uma graça de Deus para quem é chamado; e o ministério sacerdotal,
um dom de Deus para a Igreja.
Durante o Ano
Sacerdotal, somos convidados a orar por mais e santas vocações, e
pela santificação dos nossos Padres. Que eles possam, com a ajuda
do Espírito Santo, deixar se configurar com o coração do Bom
Pastor, e permanecer fiéis à vocação e missão de trabalhar pelo
Reinado de Deus, em favor da vida humana, da vida em Cristo e da
vida eterna.
Dom Caetano
Ferrari, OFM
Bispo
Diocesano de Bauru
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"Buscar a santidade"
Artigo publicado na edição de 28 de junho de 2009 do Jornal Bom Dia
Bauru
-
De
acordo
com o ensinamento da Sagrada Escritura, santo é quem está em “união
com Deus” que por sua própria natureza é santo. Foi o Senhor
quem pôs este chamado no coração de todos os homens: “Sede santos
porque Eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lev 19,1). Como Deus
“deseja que todos os homens se salvem e conheçam a verdade” (1Tim
2,4), enviou “o seu Filho único para que
todo o que n’Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).
-
Eis porque a busca da
“união com Cristo” tornou-se o caminho ordinário para a santidade:
“Nele, Deus nos escolheu, antes da fundação do mundo, para sermos
santos e íntegros no amor” (Ef 1,4). E todos na Igreja são
chamados a essa vida de união com Cristo: Bispos, Padres, Diáconos,
Fiéis leigos e leigas.
-
A vocação universal à
santidade deve ser cultivada segundo os diversos gêneros de vida e
profissões. Na Igreja, todos oram pela santificação de todos. A Igreja
é, no mundo, sacramento de salvação e santificação da humanidade.
-
Durante o Ano Sacerdotal,
que ora se inicia, a Igreja estende um convite à oração a favor da
santificação de todos os sacerdotes. Na oração sacerdotal, assim rezou
Jesus ao Pai: “Santifica-os na verdade...
Como Tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E, por
eles, a mim mesmo me santifico para que sejam santificados na verdade.
Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra,
crerão em mim” (Jo 17, 17-20).
-
O Clero diocesano de Bauru
se recolherá em retiro espiritual, de 29/06 a 3/07, em Agudos,
desejando vivamente aprofundar a vida de “união com Cristo”. E conta
com suas orações.
-
Dom
Caetano Ferrari
-
Bispo diocesano de Bauru
|
-
"Dom Caetano Ferrari fala sobre o Ano
Sacerdotal"
Artigo publicado na edição de 21 de junho de 2009 do Jornal Bom Dia
Bauru
- Desde o dia 19 de
junho de 2009, a Igreja no mundo celebra um especial Ano Sacerdotal
convocado pelo Santo Padre o Papa, Bento
XVI, para se concluir na mesma data do ano de 2010, em comemoração aos
150 anos da morte do Cura D’Ars, São João Maria Vianney,
exemplo de sacerdote a serviço do Povo de Deus, agora proclamado pelo
Papa padroeiro dos sacerdotes de todo o mundo. Neste dia 19 de junho, a
Igreja comemorou também a solenidade do Sagrado Coração de Jesus e o Dia
Mun
dial
de oração pela santificação dos sacerdotes.
- Com
o tema “Fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote”, escolhido
pelo próprio Papa, o Ano Sacerdotal, diz ele, tem por finalidade
“ajudar a perceber cada vez mais a importância do papel e da missão
do sacerdote na Igreja e na sociedade contemporânea”. Convida os
cristãos a olhar para a beleza e o valor do Sacerdócio Ministerial,
instituído por Jesus Cristo “na noite em que foi traído” e
vinculado por Ele à Eucaristia, como memorial do seu amor pela
humanidade. Tomando essas palavras do Cura D’Ars: “O sacerdócio é o
amor do Coração de Jesus”, o Papa lembra “que o nome do amor, no
tempo, é fidelidade”.
- O Ano Sacerdotal
deve ser, especialmente, um ano de orações pelas vocações, mas,
sobretudo, pela perseverança e fidelidade dos sacerdotes no seu
ministério; os sacerdotes em geral e, principalmente, os de nossas
Paróquias e comunidades.
- Dom Caetano Ferrari
- Bispo Diocesano de
Bauru
|
-
"Encher a terra com o Evangelho"
Artigo publicado na edição de 14 de junho de 2009 do Jornal Bom Dia
Bauru
A
Palavra de Deus é comparada à semente lançada ao campo (Mc 4,14). Ao
discípulo missionário de Jesus Cristo compete semeá-la, não importa
aonde caia. É pelo poder de Deus que ela germina. E sempre haverá a
terra boa, que preparada pela graça e a generosidade do coração, dará
fruto, em um trinta, no outro sessenta, no outro cem.
-
Mas quem é
o discípulo missionário, como se deve entender essa expressão?
Esse binômio, que vem também expresso com a conjunção aditiva “e”, ou
seja, discípulo e missionário, aparece inúmeras vezes no
Documento de Aparecida. Tornou-se um termo referencial a partir do tema
da V Conferência do Episcopado da América Latina e Caribe:
“Discípulos e Missionários de Jesus Cristo para que nele nossos povos
tenham vida”. Com esse termo, o Documento de Aparecida reafirma, de
modo explícito e categórico, a comum identidade e dignidade de todos os
cristãos batizados: “Em virtude de seu batismo, são chamados a ser
discípulos e missionários de Jesus Cristo” (n.10). São, portanto,
discípulos missionários os bispos, padres, diáconos, religiosas,
fiéis leigos e leigas. E a Igreja, bem como a Diocese e as Paróquias,
congregam a comunidade dos discípulos missionários enviados a
semear a Palavra de Deus, a encher a terra com o Evangelho de Jesus
Cristo.
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Dom
Caetano Ferrari, OFM
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Bispo Diocesano de Bauru
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Dom Caetano visitou TV Prevê e o Jornal da Cidade
Fonte: PasCom
Bauru
- Respondendo aos convites de dois dos principais
veículos de comunicação de Bauru e região, Dom Caetano Ferrari visitou a
TV Prevê e o Jornal da Cidade no dia 10 de junho. Acompanhado da
assessoria de imprensa da Diocese de Bauru, Dom Caetano concedeu uma
entrevista ao professor Duda Trevisani no programa Enfoque Regional, que
foi ao ar no dia 11 em três edições. O bate-papo contou com muitas
recordações de infância, pois bispo e entrevistador nasceram em Pirajuí
e estudaram no mesmo colégio. Dom Caetano falou sobre o surgimento da
sua vocação, sua trajetória ministerial, as metas para o trabalho
missionário na Diocese e outros assuntos relacionados à fé católica.
- Em seguida, na companhia do padre Marcos Pavan, Dom
Caetano foi recebido no Jornal da Cidade por João Jabbour, gerente
editorial, e Gisele Hilário, editora chefe. Eles apresentaram a empresa
ao bispo, falaram sobre a atuação do jornal e o presentearam com fotos.
Dom Caetano também conversou com Renato Zaiden, diretor do JC, e Ieda
Rodrigues, repórter do caderno geral, que entrevistou o bispo e o padre
Marcos sobre a festa de Corpus Christi.
- Em ambos veículos, Dom Caetano agradeceu pela boa
relação com a Diocese, se colocou à disposição dos jornalistas e pediu
um espaço para as notícias da Igreja Católica em Bauru e região.
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Conhecer a Jesus -
Artigo publicado na edição de 7 de junho de 2009 no jornal Bom Dia Bauru.
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Prezado(a) leitor(a), tenho a grande alegria de lhe
dirigir a palavra, iniciando neste Jornal uma comunicação que, espero,
possa servir para estreitar laços de estima, de comunhão e de
colaboração entre nós, para nos ajudar a testemunhar nossa fé por
palavras e obras.
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Tendo tomado posse como o 5° Bispo Diocesano de Bauru
na celebração da solenidade de Pentecostes (domingo passado) realizada
na Sé Catedral, desejo agradecer a calorosa acolhida recebida e as
tantas manifestações de afeto e boas vindas. Por tudo isso dou graças
a Deus e, a você, o meu mais profundo ‘muito obrigado’. Suplico a Deus
para que eu possa retribuir todo esse bem recebido do melhor modo
possível, prometendo cumprir fielmente o ministério apostólico a mim
confiado, com a graça de Deus, a força do Espírito Santo e a proteção
da Imaculada Conceição de Nossa Senhora Aparecida, nossa Mãe e
Padroeira.
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Na Missa da posse, consagrei ao Divino Espírito Santo,
padroeiro da Diocese, pelas mãos de Maria Santíssima, minha vida e meu
ministério episcopal com o firme propósito de tudo fazer para que
nossa Diocese de Bauru seja, de fato, uma Igreja Missionária como nos
pede o Papa e o Documento de Aparecida, do qual estou convencido
quanto a estas palavras: “Conhecer a Jesus é
o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado
foi o melhor que aconteceu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com
nossa palavra e obras é nossa alegria”.
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É isso o que eu desejo fazer, com todo o coração, não
sozinho, mas com a Igreja toda e com a sua indispensável participação.
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Dom Caetano Ferrari, OFM
- Bispo Diocesano de
Bauru
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Dom Caetano conversa com a Revista Missões sobre
ser bispo hoje, os desafios da Diocese, a comunicação na Igreja e muito
mais
No dia 30 de maio Dom
Caetano Ferrari conversou com jornalistas na Universidade Sagrado
Coração (USC), entre eles, Cecília Soares de Paiva, da Revista Missões.
Confira abaixo a entrevista.
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Missões: O que significa ser bispo no século XXI?
Dom Caetano: Na última Assembleia Geral em Itaici, dedicamos um dia
inteiro para discutir a missão dos bispos à luz do Apóstolo Paulo
(estamos no Ano Paulino). Foram considerados vários aspectos. O grande
desafio é o de ser autoridade-serviço e não autoridade-poder. Isso
inclui ser animador na vida da Igreja, junto às lideranças. Saber usar
seus conhecimentos no sentido de impulsionar e animar as forças vivas da
diocese, em vistas da Evangelização. O forte hoje da Igreja é resgatar a
sua missionariedade. Jesus Cristo e a Missão são essenciais no trabalho
de hoje. O Concílio Vaticano II, nos apresentou a Igreja-comunhão. Agora
o enfoque é a Igreja-missionária. O eixo era: a comunhão com o povo de
Deus: a formação, a catequese e os sacramentos. Com Aparecida, o eixo
importante é a Igreja-missão, e como consequência, não é somente a
formação e a catequese, mas o anúncio, o querigma. Fazer a Igreja voltar
a ser missionária, a ser como o Apóstolo Paulo que saiu de Jerusalém e
percorreu o mundo anunciando Jesus Cristo e formando a
comunidade-Igreja.
Inclusive o lema que escolhi, para me inspirar e orientar a minha
missão, carrega o aspecto missionário que se tornou um compromisso muito
maior com o Documento de Aparecida: entrar em estado permanente de
missão. Toda a Igreja, paróquias e dioceses, devem fazer um esforço para
a renovação estrutural e a conversão pastoral. Esse pensamento é muito
franciscano porque se trata de evangelizar toda a criatura. Encher a
terra com o Evangelho, não somente os pobres, mas todos, sem exceção.
Missões: Como atuar em meio a tantas propostas religiosas?
Dom Caetano:A abertura ao diálogo é essencial na Igreja. Não se deve
convencer na marra, mas pela atração, como diz o próprio Documento de
Aparecida. É converter e reanimar os que estão afastados e já são
batizados e eventualmente apresentar Jesus Cristo a quem não o conhece.
Para isso é preciso ser atraente, saber utilizar os meios de comunicação
que podem ajudar muito se os conhecemos e os utilizamos bem.
Missões: Como é viver o carisma franciscano hoje?
Dom Caetano:O carisma franciscano é bastante atual, exatamente na
missão, por ser a primeira Ordem verdadeiramente missionária. Quando a
comunidade passou a contar com muitos irmãos, São Francisco os enviou,
dois a dois, pelas estradas para levar o Evangelho de Jesus Cristo. A
Ordem logo recebeu missões fora da Europa, mundo afora. Outra
característica da espiritualidade franciscana é a fraternidade universal
e a ecologia. São Francisco é irmão universal de toda gente, de toda a
criatura que devem viver como filhos de Deus, com cuidado para com a
natureza e a criação. E a questão ecológica é um tema muito atual e
importante. Destacaria também o tema da justiça e da paz, próprios de
São Francisco, um homem pacífico.
Missões: Qual o desafio para a Diocese de Bauru? O que está previsto
como as primeiras atividades na Diocese?
Dom Caetano: O desafio local é o mesmo desafio de toda a Igreja: entrar
no estado permanente de missão. E na prática é a consciência do que isso
exige que inclui a mudança de comportamento, coisa nada fácil. Como
primeiras atividades, estão agendados alguns encontros com lideranças e
celebrações. Existem duas prioridades: a primeira relaciona-se ao
compreender a Diocese priorizando visitas às paróquias dos 14 municípios
que a compõem. Depois saber discernir a realidade e, se preciso for,
articular os conselhos e colegiados, porque o bispo não age sozinho. A
segunda tarefa vem ao encontro de Aparecida e também inspirado no meu
lema, que é saber impulsionar, animar a conversão estrutural das nossas
paróquias e da nossa diocese. Vamos confirmar os serviços e atender as
urgências conforme a previsto no plano diocesano de pastoral.
Missões: Esse projeto contempla a Missão Continental abrindo a Igreja
local para a Missão além de suas fronteiras?
Dom Caetano: Na Missão Continental devemos entrar em comunhão com
toda a Igreja e ajudados pela CNBB que está estudando, entrarmos juntos
no processo da Missão Continental, do qual ninguém deve ficar de fora. É
um projeto que vai se clareando com a caminhada da própria Igreja.
Missões: O senhor pretende promover encontros com as comunidades,
políticos e lideranças civis?
Dom Caetano: É importante que o bispo faça visitas pastorais que não são
apenas visitas internas, mas com a sociedade, as autoridades, para se
apresentar e buscar parcerias de interesse comum, fortalecendo a relação
com as lideranças, com as forças vivas da sociedade em geral, seja
governo ou comunitário, as lideranças sociais, os empresários os
trabalhadores, mantendo com todos um diálogo. Isso inclui também a
abertura ecumênica religiosa com as demais igrejas presentes na diocese.
Missões: A 47ª Assembleia Geral da CNBB revisou as diretrizes da
Formação dos Presbíteros à luz do Documento de Aparecida. Como serão
implementadas em Bauru?
Dom Caetano: Pelo documento aprovado ficou decidido que primeiro
faremos o estudo do texto com a equipe de formadores, atualizando o
nosso projeto local de formação. São propostas muito boas, sobre
aspectos de preocupação da formação humana e acadêmica, do cuidado com a
vida comunitária e fraterna dos padres. Somos um colegiado, uma
comunidade composta pelo bispo, padres, diáconos permanentes e
precisamos caminhar entrosados, numa verdadeira fraternidade. A partir
disso fazer o trabalho pastoral. É necessário primeiramente estudá-lo
bem para dar sentido à sua aplicação.
Missões: Como o senhor avalia os serviços de comunicação na Igreja?
Dom Caetano: Ainda estamos na situação de acolher as pessoas que
frequentam a paróquia, na comunicação relacionada às pessoas que ouvem o
padre na sua homilia. Então este serviço da acolhida leva ao serviço do
envio, do ir ao encontro das pessoas. O missionário vai, mas deve pregar
em cima dos telhados, como Jesus incentivava. Para isso, deve utilizar
os meios de comunicação. Quando possível, a Igreja deve ter os seus
próprios meios, ou então, conseguir espaços porque, apesar de toda a
experiência milenar, estamos atrasados. Só que não podemos cair no
conceito de marketing, que apela para tudo. Entendemos que a comunicação
deve ser executada e impulsionada a partir da ética. Quem vai controlar
os meios: o dinheiro?A total liberdade dos meios não pode acontecer. A
mídia é importante e a tecnologia pode ser muito bem utilizada a serviço
do Evangelho. Enquanto podemos ter emissoras próprias, utilizaremos,
caso contrário, devemos buscar espaços, e se nem nelas termos espaço,
devemos ser a consciência ética e crítica. Ser Igreja também é saber
cobrar de quem está a serviço do consumismo e dos interesses econômicos.
Não podemos entrar no jogo. Como fica a nossa pregação e os valores que
carregamos? Devemos observar e fazermos avanços, assim como já temos
feito. Em Bauru, por exemplo, vejo que temos uma articulação boa, que
existem pessoas atuantes. É um serviço essencial e isso não acontece em
todos os lugares.
Missões: O senhor utiliza os microfones?
Dom Caetano: Existem coisas que eu sei fazer e faço bem, outras que
faço mais ou menos, outras que eu não sei. Já utilizei algumas vezes,
mas não é preciso saber tudo, melhor conhecer quem sabe fazer bem e
confiar a eles esses serviços.
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* Cecília Soares de Paiva é
jornalista, Relações Públicas e mestranda em Comunicação. Colaboradora
da revista Missões.
- Fonte: Revista
Missões
www.revistamissoes.org.br
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Diocese de Bauru
celebra seus 45 anos, festa do Padroeiro e a posse de Dom Frei Caetano
Ferrari, OFM
Toda a comunidade está convida para a cerimônia, que
acontece no dia 31 de maio, às 15h, na Catedral.
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A festa de
Pentecostes, que celebra o padroeiro da Diocese de Bauru, o Divino
Espírito Santo, será esse ano ainda mais especial: a data marca a
posse de Dom Caetano Ferrari, OFM, como 5º bispo diocesano. Nesse dia
também serão comemorados os 45 anos de instalação da Diocese de Bauru.
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A
cerimônia acontece no dia 31 de maio, às 15h, na Catedral do Divino
Espírito Santo. A missa deve contar com a presença de bispos da
região, sacerdotes e representantes das 41 paróquias da Diocese, além
de autoridades dos poderes públicos, lideranças diocesanas, agentes
pastorais e a comunidade em geral. Caravanas de Franca, de onde Dom
Caetano está sendo transferido, e de Pirajuí, cidade de origem do
bispo, também estão confirmadas.
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Todos
estão convidados!
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Dom Caetano conheceu o
Clero de Bauru
Dom Frei Caetano Ferrari, OFM visitou a Diocese de Bauru nos dias 14 e 15
de maio. Ele esteve no Seminário Seráfico Santo Antônio, em Agudos onde
teve seu primeiro contato com o clero local. Sua posse será no dia 31 de
maio, às 15h, na Catedral do Divino Espírito Santo. Já estão confirmadas
as presenças de 10 bispos da região.
Fonte: PasCom
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Dom Caetano deve visitar Bauru em maio
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Dom Caetano participará de uma reunião com o Clero no Seminário de
Agudos. Confira outros detalhes em uma entrevista condedida ao
programa de rádio Notícias Diocesanas.
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No próximo dia 15 de maio Dom Caetano Ferrari, OFM, irá participar de
uma reunião com o clero da Diocese no seminário seráfico Santo
Antônio, em Agudos.
- O comunicado foi
feito em entrevista para o programa de rádio Notícias Diocesanas. O
bispo nomeado para a Diocese de Bauru também falou sobre suas
expectativas e seu lema missionário.
- Confira a
entrevista concedida por Dom Caetano Ferrari, OFM, ao programa
Notícias Diocesanas, transmitido pela Rádio Veritas FM (102,7)
na edição 314, que foi ao ar no dia 18 de abril.
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- 1.
Como o senhor recebeu a notícia de sua transferência para Bauru?
Quais são as suas expectativas?
- Eu
recebi a minha transferência para Bauru como uma agradável surpresa.
Para mim há uma motivação especial, do ponto de vista particular,
pois sou filho da região, nasci e tenho parentes em Pirajuí, também
em Bauru. Aí tenho minhas raízes familiares e vocacionais. Eu entrei
no seminário Santo Antônio, em Agudos, onde comecei minha formação
franciscana. Em paróquias de Agudos e Bauru tenho laços afetivos com
meus confrades franciscanos. Além da surpresa alegre, vou com o
sentimento de servir do melhor modo possível usando a minha
experiência para atender o povo de Deus da Diocese de Bauru. Tenho
66 anos de idade, 39 anos de padre, 44 anos de vida franciscana e
apenas 7 anos de bispo, mas com uma caminha da pastoral longa.
-
- 2.
Para quando está prevista sua primeira visita a Bauru como bispo
nomeado? A data da posse já foi confirmada?
- Eu
marquei uma visita para o mês de maio para um primeiro contato com
os padres, pois antes estarei na 47ª Assembléia Geral da CNBB. Lá
terei a oportunidade de encontrar o administrador, o padre Luiz
Fontana, que está representando a Diocese de Bauru. A minha posse
está marcada para o dia 31 de maio, na Solenidade de Pentecostes, às
15h, na Catedral, porque o Divino Espírito Santo é o padroeiro da
Diocese de Bauru, sendo esse um momento muito oportuno.
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- 3. O
seu lema é “evangelizar toda criatura”. A Diocese de Bauru pode
esperar um destaque para a ação missionária?
- De fato
eu escolhi esse lema quando fui ordenado bispo em abril de 2002
porque ele é muito apropriado diante do apelo que a Igreja vem
fazendo pela evangelização. O Documento de Aparecida convoca todos
nós da América Latina e do Caribe – do Brasil, em particular – à
missão. A missionariedade é muito forte também no carisma
franciscano. A Ordem dos Frades Menores é missionária, quem sabe a
primeira com esse forte caráter. A expressão “evangelizar a toda
criatura” está ligada a São Francisco, que chamava toda a criação de
irmão e irmã, em uma fraternidade universal. Nesse espírito, devemos
evangelizar não só os povos, mas toda a criação, toda a criatura,
enchendo a terra das sementes do evangelho. O Documento de Aparecida
nos pede para evangelizar a cultura, a sociedade, todas as
pessoas... Esse lema é muito forte e inspira a trabalhar em nossas
comunidades para que sejam missionárias.
Fonte: PasCom
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Carta de
Dom Caetano
comunicando sua transferência
para a Diocese de Bauru-SP

DOM FREI CAETANO FERRARI OFM
Evangelizare Omni Creaturae
Franca, 15 de abril de
2009
Estimados Párocos,
Vigários, Diáconos,
Religiosas, Seminaristas e Fiéis leigos e leigas
“O Senhor lhes
conceda a paz!”
Cumpro o dever de
comunicar que, conforme notícia publicada no L’Osservatore Romano do dia de
hoje, o Santo Padre o Papa, Bento XVI, me nomeou Bispo da Diocese Vacante de
Bauru transferindo-me desta Diocese de Franca.
Sempre em espírito de
obediência ao Santo Padre dei o meu sim confiando na graça de Deus e na
intercessão da Imaculada Conceição para bem servir à Igreja e ao povo de
Deus da Diocese de Bauru.
Ao mesmo tempo rendo
graças a Deus pelo tempo vivido nesta Diocese de Franca e muito agradeço a
Vós, meus irmãos e irmãs, pela estima e apoio sempre devotados a mim ao
longo dos sete anos de presença entre vós.
Estou recebendo esta
transferência como um presente pessoal e uma homenagem prestada a minha
família de sangue e a de vida religiosa. Na região de Bauru estão minhas
raízes, familiares e vocacionais. Nasci em Pirajuí, 50 km de Bauru, tendo
familiares e parentes em Pirajuí e Bauru. Iniciei minha formação franciscana
entrando no Seminário Santo Antônio, em Agudos, 15 km de Bauru.
Na certeza de estarmos
sempre unidos na comunhão de orações, rogo a Deus para vós bênçãos e graças
de saúde, paz e todo o bem.
Cordialmente,
Dom Caetano Ferrari, OFM
Administrador Diocesano
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