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Bispo Diocesano
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"Dia dos
Catequistas"
Artigo publicado na edição de 28 de agosto de 2011 do
Jornal da Cidade
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O
Diretório Nacional de Catequese afirma que:
“São milhares de mulheres, homens, jovens,
anciãos e até adolescentes que descobrem, na
experiência de fé e inserção na comunidade, a
vocação de catequista” (242). Diz ainda que,
dada a importância da catequese, os
catequistas:
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“Merecem que a Igreja os ajude a ter sucesso
na tarefa que generosamente abraçaram” (idem);
e que somente a eles a Igreja confere
oficialmente o “ministério da catequese”
(245). Em suma, o documento reafirma que o
“ministério da catequese” é parte fundamental
do “ministério da Palavra”, sem o qual a
Igreja não subsistiria, cujo mandato ela
recebeu do Senhor (331).
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Pois, neste agosto vocacional, hoje, é dia do
catequista para ser celebrado na perspectiva
das vocações para os vários ministérios não
ordenados e demais serviços na Igreja a favor
do povo de Deus. É missão essencial da Igreja
evangelizar todos os povos, batizar os que
aderirem a Jesus, formá-los na fé e educá-los
para a vida cristã a ser vivida no seio da
comunidade eclesial, em vista do bem da
humanidade, rumo ao reino definitivo. A Igreja
sempre considerou a catequese como missão
essencial e ser catequista como vocação
própria que deve ser valorizada, promovida e
cuidada pela Diocese e Paróquias.
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Lembra-nos o mencionado Diretório que há
cinqüenta anos se desenvolve o movimento de
renovação catequética na Igreja do Brasil, na
esteira do Vaticano II.
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E que esse trabalho de renovação prossegue em
sintonia com os apelos do Bem-aventurado Papa
João Paulo II desde quando pediu à Igreja para
que toda a evangelização fosse “nova no ardor,
nova no método e nova na expressão” (331). E,
devemos acrescentar, que ele prossegue
impulsionado, recentemente, pelas conclusões
de Aparecida e as novas Diretrizes Gerais da
Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.
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A catequese é vital na Igreja e sem os
catequistas o Bispo e os Padres pouco ou nada
poderiam fazer. Os primeiros catequistas são
os pais que ensinam os seus filhos, desde o
berço e o colo da mãe, as primeiras orações
(Sinal da cruz, Pai nosso, Ave Maria, Anjo do
Senhor) e quem é Deus, Jesus, Espírito Santo,
Nossa Senhora, Anjos e santos. Depois deles,
os catequistas são os primeiros que
oficialmente em nome da Igreja recebem a
missão de educar as crianças, adolescentes e
jovens a aprofundar o conhecimento e a
vivência da fé cristã na família, na Igreja e
na sociedade. Despertam neles o amor a Deus e
a alegria de encontrar Jesus pelo conhecimento
da História Sagrada e dos conteúdos da fé,
pela formação moral e pela vivência da fé
mediante a inserção na comunidade, a oração
pessoal e litúrgica, e a prática da caridade.
Os três sacramentos da iniciação cristã –
Batismo, Eucaristia e Crisma – são
administrados aos jovens e adolescentes depois
de uma longa catequese, ministrada
carinhosamente pelos catequistas.
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Tradicionalmente, entre nós, catequistas são
na sua grande maioria mulheres. Você se lembra
de sua catequista?
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Eu me lembro da primeira catequista que, lá na
Escola rural na Fazenda dos Mazzaro, no Bairro
do Dourado, em Pirajuí, preparou nossa turma
para a primeira Eucaristia, lá pelos idos de
1950. Comemorando o dia do catequista ofereça
orações por todos eles, os de ontem e os de
hoje, que com paciência e carinho ministram os
mistérios de Deus e da vida e os segredos da
fé, em nossas Paróquias e Capelas, para o bem
e a felicidade de nossas crianças,
adolescentes e jovens, e também de não poucos
adultos.
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Valorize essa vocação na Igreja. Ser
catequista é também um chamado de Deus aos
fiéis em geral e a você em particular.
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Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
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"Opção radical e
entrega total"
Artigo publicado na edição de 24 de julho de 2011 do
Jornal da Cidade
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Estamos
ouvindo nestes domingos de julho a leitura da
série de parábolas mais significativas sobre o
reino dos céus narradas por São Mateus. No
domingo de hoje, ouviremos as três últimas: do
tesouro, da pérola e da rede de pesca, lidas em
Mateus 13,44-52.
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Quem descobriu um tesouro escondido num campo e
encontrou por aí uma pedra preciosa não tem
dúvida alguma senão optar decidida e
radicalmente por adquirir esse tesouro e essa
pérola, custe o que custar, e entregar-se
totalmente nessa tarefa investindo tudo o que
tem para se apossar deles, o mais rápido
possível, antes que outros o façam passando-lhe
à frente. Sabedoria e discernimento são as duas
atitudes básicas que Jesus pede a seus ouvintes.
Pois, o reino de Deus, exatamente por ser
mistério oculto, precisa da boa vontade e do
empenho para ser descoberto e recebido, à
semelhança do tesouro escondido e da pérola
rara, difíceis de serem achados.
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O tesouro e a pérola do reino não são dados
unicamente a predestinados e sortudos da vida.
São ofertados a todos. Mas o reino é graça e dom
de Deus somente acolhidos, como diz Jesus, por
quem têm ouvidos que ouvem e olhos que veem,
isto é, por quem anda pela vida faminto e
sedento da Palavra de Deus, da descoberta do
sentido da vida, da justiça e do bem.
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Supliquemos a Deus essa sabedoria e
discernimento do Espírito para andarmos sempre
atentos pelos caminhos da vida, de tal modo a
descobrirmos os tesouros e as pedras preciosas
que ela nos oferece. Igualmente, peçamos esses
dons do Espírito – opção radical e entrega total
– para ajuntarmos cada vez mais tesouros e
pérolas que valem para a eternidade. Desta forma
poderemos corresponder ao que Jesus, em outra
ocasião, recomendou a seus discípulos: “Não
ajunteis tesouros na terra, onde a traça e o
caruncho corroem e os ladrões arrombam e roubam,
mas ajuntai para vós tesouros no céu...; pois
onde está teu tesouro, ali está também teu
coração”
(Mt 6,19-20).
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Na parábola da rede de pesca, Jesus nos convida
a discernir e a escolher entre os peixes bons
(pedras preciosas) e os que não prestam (pedras
falsas), e que se encontram misturados na rede
da vida. Essa é uma orientação a ser adotada
durante nosso viver. Pois é sempre bom de vez em
quando fazermos um balanço da nossa vida,
ficando com o que é bom e jogando fora o que não
presta. Mas Jesus se refere também ao fim dos
tempos, por ocasião do juízo final, quando se
dará a separação entre o joio e o trigo, ou
seja, entre os justos e os maus, segundo a
parábola lida no domingo passado. Pois, na maior
parte das vezes devemos caminhar pela vida
levando pacientemente um fardo, que é pesado;
porque vêm misturadas com as coisas boas (trigo)
muitas coisas más (joio). E Jesus, por suas
parábolas, insiste em nos dizer que os mistérios
do reino de Deus e os seus dons só poderão ser
decifrados e adquiridos durante nossa caminhada
pela vida afora que não nos permite a
impaciência, o pessimismo e a desesperança, mas
exige de nós vivermos sob a guia e a sabedoria
que vem do Alto e no impulso do dinamismo do
Espírito, que faz novas todas as coisas.
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No final do Evangelho, Jesus perguntou aos
discípulos:
“Compreendestes tudo isso? Eles responderam:
sim”.
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Então, não há outra alternativa senão fazermos
uma opção radical pela causa do reino de Deus e
uma entrega total para adquiri-lo, desde aqui e
agora.
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Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
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"A alegria das
festas juninas"
Artigo publicado na edição de 26 de junho de 2011 do
Jornal da Cidade
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J
unho
é reconhecidamente mês da alegria e das festas.
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São festas no
céu e festas na terra. Fechando o tempo da Páscoa,
tivemos as festas da Ascensão ou subida de Jesus
ao céu e de Pentecostes. Depois, as festas da
Santíssima Trindade e de Corpus Christi. São
festas dos céus que descem para encher a terra de
alegria, convidando os humanos a transcender para
festejar no céu, na alegre contemplação dos
mistérios mais sublimes de Deus, com anjos e
santos celestiais.
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As festas da
terra que sobem aos céus, porém, são as festas dos
gloriosos santos populares: Santo Antônio, São
João e São Pedro. São festas dos arraiais cá deste
chão da terra, que convidam os seres celestiais a
descerem para festejar com os humanos as
maravilhas que a graça de Deus realizou por meio
de homens simples e rudes, mas generosos e
bondosos, como Antônio de Lisboa e Pádua, João
Batista e Simão Pedro.
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Por aquelas
festas e por estas, céu e terra se encontram
revelando os mistérios de Deus, dos homens, de
toda a criação e da vida. Elas ensinam que Deus,
num certo dia, desceu e tomou a carne humana,
fazendo-se igual aos humanos em tudo, menos no
pecado. Que Deus humanizou-se para resgatar a
beleza e santidade deste mundo maculado pelo
pecado mediante uma vida de amor, e para convidar
os humanos a divinizarem-se, isto é, a viverem
conforme a sua identidade original de filhos de
Deus, criados à sua imagem e semelhança, fazendo o
bem nesta terra, e comprometidos com as causas da
justiça, da paz e do Reino dos céus.
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Pelas festas
do céu, nos alegramos festejando Deus que se
humaniza para dar sua vida por nós e salvar o
mundo, por amor.
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Pelas festas
da terra, festejamos alegremente aqueles homens e
mulheres, como Antônio, João e Pedro, que buscaram
as coisas do céu para dar sua vida por Deus e sua
maior glória, por amor.
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No Evangelho
da Missa deste domingo, Jesus fala a respeito do
seguimento, isto é, do discipulado, e da
hospitalidade – Mateus 10,37-42. Quem, sentindo-se
chamado, deseja seguir mais de perto a Jesus, como
fizeram, por exemplo, Antônio, João e Pedro,
precisa ter consciência de que não basta meio amor
ou qualquer amor. É uma questão de tudo ou nada.
Nas palavras de Jesus: “Quem ama seu pai ou sua
mãe mais do que a mim não é digno de mim. Quem ama
seu filho ou sua filha mais do que a mim não é
digno de mim. Quem não toma a sua cruz e não me
segue não é digno de mim. Quem procura conservar a
sua vida vai perdê-la.
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E quem perde
a sua vida por causa de mim vai encontrá-la”.
Trata-se, como se vê, de uma opção radical esta de
ser discípulo de Jesus. O amor a Deus sobrepõe-se
até mesmo ao amor familiar e à própria vida. Quem
assim o fizer não perderá a vida, nem os
familiares, mas os terá sãos e salvos, diz Jesus.
Também à primazia do Reino de Deus e à sua justiça
tudo deve se submeter e então todas as coisas
necessárias para o nosso viver nos serão dadas,
disse Jesus em outro lugar.
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Praticar a
hospitalidade acolhendo o outro é também uma
exigência para todo discípulo. Antônio, João e
Pedro dão testemunho do acolher, cada um de acordo
com as circunstâncias do seu tempo e lugar.
Antônio é o Santo do pão aos pobres, João Batista
o que acolheu Jesus como o Messias e o batizou, e
Pedro, o que apascentou as ovelhas e as guardou
até o martírio. É Jesus quem diz no Evangelho de
hoje: “Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me
recebe, recebe aquele que me enviou... Quem der
ainda que seja apenas um copo de água fresca a um
desses pequeninos, por ser meu discípulo, em
verdade vos digo: não perderá a sua recompensa”.
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Fortalecidos
pelas celebrações das festas de junho, renovemos
nossos compromissos de fé, como fiéis discípulos e
missionários de Jesus Cristo, a serviço da vida.
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Dom Caetano
Ferrari -
Bispo
Diocesano de Bauru
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"Bem-aventurado
Papa João Paulo II"
Artigo publicado na edição de 01 de maio de 2011 do
Jornal da Cidade
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“Santo
Súbito” foi o clamor do povo na Praça de São
Pedro, em abril de 2005, nos funerais do
grande Papa. Unidos àquela gente, nós que
vivemos sob seu Pontificado de mais de 26
anos, ao redor do mundo, aclamávamos também
para que ele fosse declarado “Santo Já”, sem
delongas nem formalidades.
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Porque testemunhávamos como ainda o fazemos
hoje a grandeza de João Paulo II, suas
virtudes e obras notórias e exemplares
demonstradas ao longo de seus 84 anos de
vida.
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Os meios de comunicação repercutem no mundo
todo a biografia de João Paulo II, por
ocasião da celebração de sua beatificação
oficial pela Igreja, que está acontecendo
hoje, a partir das 10h, em Roma.
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Santo popular, o Papa João Paulo II é o
santo do povo, tendo vivido santamente como
o santo de Deus. O povo percebe o oculto por
trás do aparente, o povo sabe das coisas
sobrenaturais, e é por isso que se diz que a
voz do povo é a voz de Deus.
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Mal se completaram seis anos de sua morte, a
partir de hoje seu nome passa a integrar a
Ladainha de todos os Santos e nós podemos
invocá-lo: Bem-aventurado Papa João Paulo
II, rogai por nós!
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Por que ser beatificado hoje, neste 2º
domingo da Páscoa?
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Exatamente porque este é o domingo da
misericórdia divina, uma festa instituída
por João Paulo II, inspirada no Evangelho da
liturgia deste domingo: Jo 20,19-31.
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São João fala que ao anoitecer daquele
primeiro dia, estando fechadas as portas por
medo dos judeus, Jesus entrou, não se sabe
como, e apareceu no meio dos apóstolos,
saudando-os duas vezes, após mostrar-lhes as
mãos e o lado aberto, com estas palavras: “A
paz esteja convosco”.
Os discípulos não puderam conter a alegria
ao vê-lo. Tendo entregue sua vida por
misericórdia, Jesus ressuscitado, que tem
sob seu poder a vida podendo dá-la e
retomá-la quando quiser, neste exato momento
entregou aos apóstolos o poder de perdoar os
pecados com o Espírito Santo:
“Como o Pai me enviou, também eu vos envio”.
E, depois de ter dito isso, soprou sobre
eles e disse:
“Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes
os pecados, eles lhes serão perdoados; a
quem os não perdoardes, eles lhes serão
retidos”.
Essa é a missão que Jesus deixou à sua
Igreja: testemunhar a misericórdia de Deus,
perdoando os pecados, raiz de todos os males
do mundo. Assim escreveu João Paulo II em
sua Encíclica “Dives in Misericordia” (Rico
em Misericórdia), em 1980, acentuando que:
“A misericórdia é o eixo central de todo o
Evangelho” e que ela deve ser “a motivação
maior da evangelização”. Do seu lado aberto
Jesus fez jorrar a misericórdia de seu
coração, o perdão do Pai e o amor do
Espírito Santo. E deixou-nos o mandamento:
“Sede misericordiosos como vosso Pai do céu
é misericordioso” (Lc 6,36). Pelo Sacramento
da Reconciliação ou da Confissão recebido de
Jesus Cristo, a Igreja nos oferece o perdão
misericordioso de Deus e nos convida a
perdoar. Santa Faustina, compatriota do Papa
e canonizada por ele, recebeu esta revelação
saída do coração de Jesus: “Quando te
aproximas da Santa Confissão, deves saber
que sou Eu mesmo quem espera por ti no
confessionário; oculto-me apenas no
sacerdote, mas Eu mesmo atuo na alma. Aí, a
miséria da alma se encontra com o Deus da
misericórdia”. Enamorado por Jesus Cristo,
João Paulo II tornou-se propagador da
devoção à Santa Faustina, apóstola da
misericórdia divina, e aprendeu com ela a
orar: Jesus, eu confio em Vós.
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Tendo mais um intercessor junto de Deus, o
Bemaventurado Papa João Paulo II,
supliquemos a graça da Misericórdia Divina
para todos nós, especialmente neste dia do
trabalhador para todos os trabalhadores, sem
esquecer obviamente dos que precisam de
trabalho.
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Misericórdia Divina, nossa única esperança,
eu confio em Vós!
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Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
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"Cristo
ressuscitou, aleluia!"
Artigo publicado na edição de 24 de abril de 2011 do
Jornal da Cidade
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Gostei
demais destas palavras do Papa Bento XVI na
homilia do domingo de Ramos: “O termo último
da peregrinação de Jesus é a altura do
próprio Deus, até à qual Ele quer elevar o
ser humano”. Palavras que ajudaram a
iluminar a minha Semana Santa.
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O ponto final da caminhada de Jesus na terra
foi o Calvário, onde expirou, mas também a
Páscoa, quando ressuscitou.
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Este é o mistério que celebramos hoje: a
vida que brota da morte. Se o grão de trigo
lançado na terra não morrer, dele não
nascerá vida nova. Se morrer, produzirá
frutos até mil por um, conforme a parábola
de Jesus.
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O Filho de Deus, que não tem começo nem fim
por ser Deus, nasceu em carne humana no seio
da Virgem, viveu entre humanos, sendo humano
em tudo menos no pecado, morreu no corpo
físico-biológico e foi sepultado, mas ao
terceiro dia ressuscitou em seu corpo, desde
então incorruptível e glorificado.
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Jesus Cristo glorioso, morto e ressuscitado,
conforme as Escrituras, está sentado à
direita do Pai nas alturas do céu, de onde
com o Pai e no amor divino do Espírito Santo
governa o mundo pelos séculos dos séculos.
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Enquanto homem, Jesus histórico peregrinou
rumo à altura do próprio Deus, fazendo em
tudo a vontade do Pai, sendo-lhe obediente
até à morte, e, a fim de que não se perdesse
nenhum daqueles que o Pai lhe confiou,
carregou sobre seus ombros os pecados de
toda a humanidade e por todos deu a sua
vida. Por isso “Jesus Cristo é o Senhor” e
seu nome está acima de todo nome e diante
dEle todo joelho se dobre no céu e na terra.
O desejo de “ser como Deus” tem levado
muitos homens à arrogância de tudo conseguir
pelos inventos da ciência, da razão, da
força dos impérios, do poder e prestígio
pessoal e social. O Papa lembra que nenhum
homem conseguirá colocar-se à altura de Deus
por suas próprias forças, pois só Deus pode
elevá-lo; isso é antes de tudo graça e dom.
E, para cairmos na real, diz ainda que
cresce a consciência de nossos limites
humanos e das possibilidades do mal -
guerras, violências e catástrofes de todos
os tipos - que nos desafiam, cobrando
responsabilidade, mas com humildade, pois
nada podemos sem Deus.
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O termo da peregrinação de Jesus é a Páscoa
e a esta altura de glorificação
humano-divina Ele elevou o ser humano.
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Pode haver alegria maior do que esta?
“Eis a obra do Senhor: uma maravilha a
nossos olhos” (Sl 118,23).
Cristo ressuscitou!
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E nós temos com Ele a ressurreição, a vida
divina e eterna.
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Desde o batismo fomos sepultados com Cristo
na morte e com Ele renascidos para a vida
imortal. Somos uma nova criatura
“que caminha numa vida nova” (Rm 6,4).
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A Páscoa de 2011 nos convida a avançar com
Jesus pelos caminhos da defesa da vida no
planeta; caminhos esses que nos levam à
altura do Deus Vivo.
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Feliz Páscoa!
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Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
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"Semana Santa"
Artigo publicado na edição de 17 de abril de 2011 do
Jornal da Cidade
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Com
o domingo de Ramos, hoje, tem início a
Semana Santa de 2011, ponto alto do ano
litúrgico, em que a Igreja celebra os
acontecimentos centrais da fé: a paixão,
morte e ressurreição de Jesus Cristo. Ponto
mais alto da Semana Santa é o tríduo pascal
– quinta, sexta e sábado santo. E o cume ou
ápice do tríduo e de todo o ano é a Vigília
Pascal do sábado à noite que se estende ao
domingo da Páscoa, em que todos os cristãos
celebram alegremente a ressurreição do
Senhor. As alegrias da Páscoa pervadem todo
o tempo pascal até Pentecostes, mas o
mistério pascal de Cristo é celebrado
durante todo o ano, especialmente nos
domingos. Pois todo domingo é especialmente
o dia do Senhor ressuscitado, é aquele
primeiro dia da semana em que Jesus apareceu
vivo a várias pessoas. Por isso, nos
domingos os cristãos se reúnem para celebrar
a Missa, ou a Eucaristia, ou a Páscoa de
Cristo que é também a Páscoa dos cristãos.
Na bela imagem do Corpo Místico elaborada
por São Paulo, é a Páscoa da Cabeça, que é
Jesus Cristo, e de seus membros, que somos
nós.
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Hoje,
acompanhamos Jesus entrando messianicamente
em Jerusalém aclamado pelas multidões com
ramos e cantos de
“Hosana
ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome
do Senhor!”.
E
humildemente montado num jumentinho, como
anuncia antiga profecia:
“Eis
que o teu Rei vem a ti, manso e montado num
jumentinho”.
Assim
lemos no Evangelho de Mateus 21,1-11, à
entrada da Igreja. E na Missa lemos a Paixão
de Jesus segundo Mateus – Mt 27,11-54.
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Na
quinta-feira santa, à tarde, celebraremos a
Eucaristia, o Sacerdócio e o Mandamento Novo
do amor fraterno, mistérios que formam o
testamento deixado por Jesus à sua Igreja.
“Desejei ardentemente celebrar esta ceia”;
“Tomai todos e comei: isto é o meu corpo”;
“Fazei isto em memória de mim”; “Amai-vos
uns aos outros assim como eu vos tenho
amado”.
A
Eucaristia será verdadeira comunhão se
aprendermos a lição do mestre:
“Assim
como eu vos lavei os pés, fazei vós também”.
Lavar os pés, isto é, amar, perdoar, servir
e cuidar da vida no planeta são os gestos
concretos do amor a Deus e do amor aos
irmãos. Amemos a Eucaristia, o Sacerdócio e
o Amor Fraterno que são a vida da comunidade
e no planeta e a porta do céu.
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Na
sexta-feira santa, não há Missa, mas somente
a celebração, às 15h, da Paixão do Senhor.
Cristo morreu por nossos pecados, como foi
anunciado desde tempos antigos:
“Entregou sua vida à morte e carregou os
pecados de muitos” (Is 53,12). “Ó vós todos
que passais por aqui, levantai os olhos e
vede se há uma dor maior do que a minha dor”
(Lm 1,12).
No
entanto, no lenho da cruz está a semente da
ressurreição. Celebraremos a morte de Jesus,
divisando no horizonte os clarões da aurora
da Páscoa. Amemos a Jesus, com Maria sua
mãe, estando aos pés da cruz e o
acompanhando na procissão que conduz à sua
sepultura. Como nos ensina São Paulo,
lembrando a realidade do Batismo,
“se
morremos com Cristo, também viveremos com
Ele” (Rm 6,8).
Em
Cristo morto e ressuscitado está a salvação
e a redenção. Abracemos a cruz de Cristo,
com a qual nos persignamos todos os dias e a
qual trazemos conosco numa de suas mais
variadas formas e a levemos pelo mundo como
sinal do amor de Cristo por nós.
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Na
Vigília Pascal do sábado à noite, haveremos
de celebrar a Páscoa do Senhor, a
ressurreição de Jesus, festejando
alegremente “a espera com a realidade, a
esperança com a certeza”.
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Cristo
ressuscitou: é verdade sublime de nossa fé,
garantia de nossa ressurreição e vida plena
com Deus para sempre. Com o fogo novo e a
luz nova da Páscoa somos chamados a renovar
os compromissos de nossa vida cristã.
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Depois
da longa preparação quaresmal acompanhemos,
com devoção e fé, Jesus em sua trajetória
rumo à cruz e à ressurreição.
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Lembre-se dos apelos da Campanha da
Fraternidade, que vem nos alertando sobre as
questões do meio ambiente e a urgência de
cuidarmos da “Vida no Planeta”. E, no gesto
concreto a ser recolhido, hoje, contribua
generosamente com os projetos em favor da
vida e o Fundo Diocesano de Solidariedade.
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Feliz e
Santa Páscoa!
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Dom
Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
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"O Cristão, luz do
mundo com Cristo"
Artigo publicado na edição de 03 de abril de 2011 do
Jornal da Cidade
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O
Evangelho deste quarto domingo da Quaresma nos
conta o milagre proporcionado por Jesus da cura de
um homem cego de nascença, que era um mendigo
conhecido na praça - Jo 9, 1-41. O Evangelista São
João deseja ressaltar alguns pontos importantes: *
Primeiro a divindade de Jesus que é o Filho do
homem, ou seja, o Messias, o Salvador, que tem
poder de fazer milagres. Os Evangelhos contam os
muitos milagres de Jesus: curar doentes,
ressuscitar mortos, multiplicar pães, apaziguar as
forças da natureza, dar água viva que mata a sede
para sempre, etc. Se Ele é o Messias, é Ele então
quem tem o poder de perdoar os pecados e de dar a
vida divina e eterna.
-
*
Segundo para ensinar que o mendigo nascera
cego não por causa dos pecados próprios ou
dos pais, mas para que
“nele
se manifestem as obras de Deus” (v.3).
-
*
Terceiro ressaltar o antagonismo entre luz e
trevas e o triunfo da luz sobre as trevas,
ou seja, da fé sobre a incredulidade.
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*
Quarto que Cristo é pedra de tropeço, sinal
de contradição e de juízo para os que são os
piores cegos, os que dizem ver e não
enxergam:
“Eu vim
a este mundo para exercer um julgamento, a
fim de que os que não veem vejam e os que
veem se tornem cegos”
(vv.39-41).
-
*
Quinto para a auto-revelação de Jesus que
declarou:
“Eu sou
o Filho do homem” (vv.35-36),
como já
declarara:
“Eu sou
a luz do mundo” (Jo 8,12).
-
* Sexto
ressaltar a declaração de fé do ex-cego:
“Eu creio, Senhor, e prostrou-se diante de
Jesus” (v.38).
-
* Por
último a condenação que Jesus deu aos
obstinados, os fariseus:
“Se
fosseis cegos, não teríeis culpa; mas, como
dizeis ‘nós vemos’, o vosso pecado
permanece” (v.41).
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Em
todos os milagres realizados por Jesus está
presente a questão da fé, como pressuposto
ou como consequência, pois com estes sinais
Ele não desejou se apresentar como quem é
capaz de dar “pão e circo” para todos, um
salvador ao gosto dos imperadores e
poderosos do mundo. Ele realizou alguns
sinais – não curou todos os doentes nem
resolveu todos os problemas; doentes e
pobres sempre tereis em vosso meio – e o que
realizou foi para que creiais. Pois, decidir
por Jesus é muito mais do que pedir, no
varejo, uma cura particular, é conseguir, no
atacado, uma graça que permanece para
sempre, responde ao sentido do nosso
existir, traz a fé, a esperança e a
caridade.
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A
Campanha da Fraternidade propõe que cuidemos
da vida no planeta, a começar em nossas
casas, ruas, cidades, campos e florestas, em
relação à vida das coisas, das plantas, dos
animais, dos seres humanos, especialmente
das vítimas da pobreza, da violência, da
guerra e do pecado. É a partir de cada um de
nós, por meio da oração, jejum e caridade,
que as coisas podem mudar e a vida será
defendida e promovida.
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Curando
hoje o cego, como curou doentes, saciou
famintos, levantou caídos, perdoou pecados e
fez andar coxos, falar mudos, ouvir surdos e
ressuscitar mortos, Jesus passou pelo mundo
fazendo o bem e promovendo a vida sobretudo
dos pobres e necessitados.
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Em tudo
Ele priorizou a defesa da vida humana e a
salvação do homem acreditando que o homem
novo por Ele redimido, o cristão, seja a luz
do mundo, o sal da terra e o cuidador da
criação.
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Dom
Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
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"A água nossa de cada
dia"
Artigo publicado na edição de 27 de março de 2011 do
Jornal da Cidade
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A Campanha da Fraternidade de 2011
aborda a questão do meio ambiente,
convidando-nos a refletir sobre a “Vida no
Planeta”, tendo presente o contexto do
aquecimento global e das mudanças climáticas com
suas sérias repercussões sobre o hoje e o amanhã
da espécie humana e da terra. Inspira a reflexão
esta chamada do apóstolo Paulo: “A criação geme
em dores de parto” (Rm 8,22).
- Repercute ainda hoje a comemoração do “Dia
Mundial da Água”, celebrado na última
terça-feira, dia 22 de março. E neste terceiro
domingo da Quaresma, o Evangelho relata o
encontro de Jesus com uma mulher Samaritana,
no poço de Jacó, em Sicar. Motiva o encontra a
água: Jesus estava com sede e a mulher veio
buscar água para a casa. “Dá-me de beber”,
pediu Jesus, uma vez que não tinha como
tirá-la do poço, que eu te darei “água viva”.
Todos conhecemos a cena e seu desenrolar. Esta
página do Evangelho é uma das mais belas de
João (Jo 4, 5-42).
- A Igreja costuma ler esse Evangelho em
relação à água viva do Batismo que sacia a
sede para sempre e faz a pessoa viver para
Deus. Como Jesus explica à samaritana: “Se tu
conhecesses o dom de Deus..., tu mesma lhe
pedirias a Ele, e Ele te daria água viva...
Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse
nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der
se tornará nele uma fonte de água que jorra
para a vida eterna”. Ao que a mulher lhe
respondeu: “Senhor, dê-me dessa água”.
- Jesus lhe explica que não há sentido para
as diferenças e preconceitos entre judeus e
samaritanos. Chegou a hora em que os
verdadeiros adoradores do Pai não mais o
adorarão em Jerusalém ou em Garizim, mas o
adorarão em espírito e verdade e em todo
lugar. A conversa segue e Jesus lhe diz que
gostaria de conhecer o seu marido. E ela
responde que não tem marido. Jesus não
estranha a resposta, e diante da sua
sinceridade, não reluta em revelar que conhece
essa sua situação bem como sabe que ela teve,
anteriormente, cinco maridos. Admirada, a
mulher exclamou: “Vejo que o Senhor é um
profeta”. Ou “não será o Messias que vai nos
fazer conhecer todas as coisas?”. E Jesus,
então, se identificou, declarando: “Sou eu,
que estou falando contigo”. Ela voltou
correndo para a cidade e a todos que ia
encontrado, bem como a seus amigos e vizinhos,
foi falando que encontrou o Cristo Salvador.
Muitos correram para encontrar Jesus e, depois
de vê-lo e ouvi-lo, abraçaram a fé pelo
testemunho dela.
- A Campanha da Fraternidade está nos
mostrando que a vida no planeta está em perigo
e a biodiversidade ameaçada, com seus
ecossistemas, espécies e genes. Sobretudo o
equilíbrio do clima, a qualidade e quantidade
da água e a produção de alimentos têm a
biodiversidade como fundamento. No contexto de
aquecimento global e de mudanças climáticas, a
problemática da água está presente, pois é
questão primordial para toda a humanidade. A
ONU, em 28 de julho de 2010, aprovou uma
resolução instituindo como direitos humanos
essenciais a água e o saneamento básico. A
situação é crítica, segundo a Organização
Mundial da Saúde: cerca de 13% (perto de 900
milhões de pessoas) vivem sem acesso à água
potável , e 39% (2,6 bilhões de pessoas) sem
saneamento básico. Na América Latina, 85
milhões vivem sem água potável e 115 milhões
sem saneamento básico. Por causa disso, estão
morrendo de diarreia 1,5 milhões de crianças
abaixo de cinco anos.
- A água viva da fé faz o mundo viver para
Deus e a água nossa de cada dia garante a vida
no planeta. Ambas são dons de Deus: “Se
reconhecermos o dom de Deus”, Ele nunca nos
deixará faltar o pão e a água nossa de cada
dia. Sem, contudo, deixar de nos
responsabilizar pelo cuidado com a vida no
planeta naquilo que nos cabe como filhos e
filhas à sua imagem e semelhança criados, e
para sempre por Ele amados. Amém!
- Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de
Bauru
-
"Os gemidos da criação"
Artigo publicado na edição de 13 de março de 2011 do
Jornal da Cidade
-

Na
Missa da Quarta-feira de Cinzas, o profeta Joel
convidava o povo de Israel a voltar para o
Senhor, vosso Deus, com preces, jejuns e
gemidos, e a rasgar o coração e não as vestes
(cf. Joel 2,12-13).
-
Muitos fiéis acorreram às Igrejas para receber
as cinzas, alguns arrependidos dos excessos das
festas da virada do ano, das férias e do
carnaval, mas todos desejando começar bem a
Quaresma, esse tempo de conversão e renovação de
vida, e de preparação para a Páscoa.
-
Inspirando-nos no profeta Joel,
conscientizemo-nos que não bastam simplesmente
os gestos externos e rituais de rasgar roupas e
fantasias e receber cinzas; é imprescindível uma
mudança de coração, um desejo sincero de
conversão.
-
Neste primeiro domingo da Quaresma, o Evangelho
de Mateus nos relata o retiro de Jesus no
deserto, para onde Ele foi conduzido pelo
Espírito para ser tentado pelo diabo (Mt 4,
1-11). Como conta Mateus, depois de passar
quarenta dias e quarenta noites em oração e
jejum, Jesus sentiu fome. Foi nesse momento que
o diabo veio para tentá-lo. E, como sabemos, se
deu mal.
-
O diabo, embora anjo decaído, é inteligente e
sagaz, e inclusive não é ateu nem agnóstico, ele
não tem nenhuma dúvida quanto à existência de
Deus, diríamos que seu problema não é de fé, ele
também crê em Deus, só que não o ama, nele não
confia nem espera. Satanás submeteu Jesus a três
tentações cujos temas são pertinentes até hoje
para nós humanos, razão pela qual essas
tentações se tornaram paradigmáticas.
-
Porque fazem referências à satisfação de
necessidades vitais no campo do ter, do poder,
do dominar, os quais, se mal administrados se
tornam idolatrias desumanizantes, desagregadoras
da sociedade, destruidoras da vida no planeta e
inimigas da fraternidade.
-
“Se és Filho de Deus”, disse o tentador,
transforma estas pedras em pães e mata tua fome
(v.3). Jesus respondeu de pronto:
“Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas
de toda palavra que sai da boca de Deus’” (v.4).
Então o diabo levou Jesus ao pináculo do templo
em Jerusalém e lhe sugeriu para lançar-se dali
abaixo porque, “se és Filho de Deus”, está
escrito que Deus enviará anjos para proteger-te
do impacto com as pedras. Ao que Jesus
respondeu:
“Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu
Deus!’” (vv.5-7).
Novamente o diabo levou Jesus para um monte
muito alto e lhe mostrou os reinos do mundo e
sua glória, dizendo: Tudo isso eu te darei se
ajoelhares diante de mim para me adorar.
“Jesus lhe disse: Vai-te embora, satanás, porque
está escrito: ‘Adorarás ao Senhor teu Deus e
somente a Ele prestarás culto’” (vv.8-10).
O diabo o deixou e os anjos vieram e serviram a
Jesus, conclui Mateus (v.11).
-
Ter pão e alimento para comer é necessário, mas
o desejo desenfreado de ter posses leva à
cobiça, que é a mãe de todos os vícios (cf. 1Tim
6,10). Ter poder para fazer o bem é bom, mas
para encher-se de orgulho e soberba é pecado.
Dominar sobre pessoas e reinos para em tudo ser
servido e de tudo usufruir sem nada partilhar é
anticristão, pois Jesus veio para lavar-nos os
pés, para servir e amar.
-
O Evangelho das tentações de Jesus nos ajuda a
entender a preocupação da Campanha da
Fraternidade de 2011: Fraternidade e a Vida no
Planeta. As tentações do ter, do poder e do
dominar ameaçam ainda hoje a vida no planeta.
-
Pela vivência quaresmal e da Páscoa, que o
Senhor nos renove espiritualmente para, no
confronto com o demônio “homicida e mentiroso
desde o início” (Jo 8,44), vencermos as
tentações do orgulho e desobediência a Deus, do
egoísmo e cobiça, do desejo desenfreado de
possuir, poder e dominar. Livrenos também o
Senhor da tentação do descaso e descuidado com a
vida, fazendo-nos sensíveis aos gemidos da
criação e ao grito dos pobres e sofredores deste
mundo.
-
Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
-
"Fraternidade e a Vida
no Planeta"
Artigo publicado na edição de 06 de março de 2011 do
Jornal da Cidade
-
Este
é o tema da Campanha da Fraternidade, durante a
Quaresma deste ano, tendo como lema:
“A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22).
-
O tempo da Quaresma começa na quarta-feira de
cinzas e vai até a quinta-feira santa de manhã.
Na raiz da palavra “Quaresma” está o número
quarenta. A Quaresma se desenvolve em quarenta
dias que relembram os quarenta anos de travessia
do povo judeu no deserto rumo à terra prometida
e os quarenta dias e noites de retiro de oração
e jejum de Jesus no deserto, quando foi tentado
pelo demônio (Evangelho do próximo domingo, o
primeiro da Quaresma). São, portanto, quarenta
dias de preparação para a Páscoa, a celebração
do acontecimento mais importante de nossa fé,
que está no ponto mais alto do Ano Litúrgico, em
2011, no dia 24 de abril. É um tempo de
conversão de vida caracterizado por forte apelo
à vivência dos exercícios quaresmais: a oração,
o jejum e a esmola. Tudo isso para que a Páscoa
possa ser celebrada intensa e dignamente como a
Páscoa de Cristo e também a
Páscoa dos Cristãos. No mistério da vida,
paixão, morte, ressurreição e glorificação de
Jesus Cristo se desvela o mistério da vida
humana, iluminando nosso existir e caminhar
neste mundo, desde a concepção até o nosso fim
natural, na certeza da nossa ressurreição e
comunhão de vida plena e eterna com Deus.
-
A Igreja nos convida a passarmos estes quarenta
dias quaresmais com mais e melhor oração, jejum
e esmola. Isto é, por uma vida de oração humilde
e sincera que nos coloque mais intimamente em
comunhão com Deus, mediante a leitura orante da
Palavra de Deus, participação sacramental,
confissão e comunhão pascal, devoções como a
via-sacra etc. Por
-
um jejum que vá além da simples abstinência de
alimentos e excessos no beber, e se mostre por
gestos concretos de penitência em sintonia com o
Cristo sofredor. E por uma esmola que nos
empenhe, mais do que em dar algum dinheiro, em
partilhar o nosso tempo, disposição, energia e
posses em prol dos excluídos, sofredores e
desencantados com a vida.
-
A Campanha da Fraternidade de 2011 ilumina nossa
caminhada quaresmal, convidando-nos a concentrar
nossa oração, penitência e caridade para
alcançarmos o seu objetivo de “contribuir para a
conscientização das comunidades cristãs e
pessoas de boa vontade sobre a gravidade do
aquecimento global e das mudanças climáticas, e
motivá-las a participar dos debates e ações que
visam enfrentar o problema e preservar as
condições de vida no planeta”.
-
O cuidado com a vida de nosso planeta deve
começar por perto de nós, de nossas casas, ruas
e cidades. É um cuidado com a vida humana e do
planeta. Os Bispos em Aparecida disseram que a
ecologia natural e a ecologia humana e social
devem ser prioridades pastorais em nossas
Igrejas. Não percamos de vista nem “os gemidos
da terra” nem “o grito dos pobres e excluídos”.
-
Podemos começar com coisas simples, por exemplo:
substituir sacos plásticos por sacolas
ecologicamente corretas; evitar consumismo
compulsivo; preferir alimentos orgânicos; apoiar
cooperativas populares, feiras ecológicas;
reciclar lixo etc.
-
Que a Quaresma deste ano nos traga renovação de
vida e nos impulsione na construção da
fraternidade, justiça e paz, e nos cuidados com
o meio ambiente, a ecologia e a integridade da
criação.
-
Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
-
"Os pássaros dos céus e os lírios dos campos"
Artigo publicado na edição de 27 de fevereiro de 2011 do
Jornal da Cidade
- Tanto os pobres quanto os ricos têm o mesmo
valor diante de Deus e são chamados à salvação, bem
como suas vidas se revestem de sentido e dignidade
se procurarem em primeiro lugar o Reino de Deus e
sua justiça. É o que nos ensina o Evangelho de
Mateus da Missa de hoje – Mt 6, 24-34).
- O que Jesus propõe é uma revolução de conceito
que fundamenta comportamentos e mandamentos antigos,
mas difíceis de serem postos em prática.
- Jesus diz aos ricos: decidam, Deus ou as posses,
porque ninguém pode servir a dois senhores, a Deus e
ao dinheiro, ou odiará um e amará o outro, ou será
fiel a um e desprezará o outro (v. 2). O dinheiro
não é em si mesmo um mal, um ídolo, “mamon” na
terminologia semítica, como um poder pessoal que
estaria acima de Deus e de tudo o
mais na vida. Segundo São Mateus Jesus declarou
bem-aventurados “os pobres em espírito”, porque
deles é o Reino dos céus (Mt 5, 3). A pobreza
radical é exigida aos consagrados ou religiosos que,
por amor a Deus, emitem os votos de pobreza,
obediência e castidade.
- O que Jesus afirma aqui é que os ricos
necessitam prestar muita atenção e se empenhar
quanto à hierarquia dos valores do Reino e de sua
justiça. Deus é o primeiro, o absoluto e o tudo na
vida; A Ele se deve amar com todo o coração, com
toda alma e todas as forças; e, por isso, antes e
acima de todas as coisas, a primazia é buscar tudo o
que Ele deseja, ou seja, o
- Reino de Deus e sua justiça (v.33).
- Também aos pobres, Jesus exige viver na
confiança em Deus e em sua providência. E, usando
bem ao seu gosto “parábolas”, fala dos “pássaros dos
céus” (v.26) e dos “lírios dos campos” (v. 28). O
Pai do céu cuida de alimentar os pássaros, que não
semeiam, não colhem nem armazenam; e veste com rara
beleza, a fazer inveja ao rei Salomão que jamais se
vestiu assim, os lírios dos campos que não trabalham
nem tecem.
- Longe, portanto, de todos, ricos e pobres,
preocupações como estas: “O que vamos comer? O que
vamos beber? Como vamos nos vestir? (v. 31). Os
pagãos são os que têm essas preocupações, porque não
creem em Deus nem confiam na providência divina. E
Jesus arremata dizendo: “Vosso Pai, que está nos
céus, sabe que precisais de tudo isso... Portanto,
não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia
de amanhã terá suas
preocupações! Para cada dia bastam seus próprios
problemas” (v. 31-34).
- Com as parábolas dos pássaros e dos lírios,
Jesus não está fazendo apologia da desocupação ou
despreocupação, exagerando, da vagabundagem ou do
não fazer nada. E deixar tudo por conta de Deus. Ao
contrário, Ele faz uma exigência rigorosa e firme
quanto ao que cabe à nossa parte: “Buscai em
primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça”
(v.33). Para bom entendedor buscar o Reino de Deus e
sua justiça significa um árduo trabalho, uma ação
permanente, pensada, organizada e planejada
individual, comunitária e socialmente para se pôr em
prática todas as suas exigências, como os
mandamentos de Deus, as leis e os profetas e, mais
ainda, para seguir os caminhos da nova santidade de
vida que Ele veio propor em seu Evangelho, como no
Sermão da montanha e das bem-aventuranças.
- A lição do Evangelho de hoje pode resumir-se nas
palavras ditas por um conhecido santo: Confiar em
Deus como se tudo dependesse dele e trabalhar como
se tudo dependesse de nós (Sto. Inácio de Loyola).
- Cuidemos, pois, ricos ou pobres, para não
cairmos em nenhuma dessas tentações, a de adorar o
bezerro de ouro (falso deus) ou a de adorar o ouro
do bezerro (riqueza ou dinheiro). Ambos são ídolos e
“mamon iníquo”. Consideremos esta conclusão de Paulo
Apóstolo: “A raiz de todos os males é a cobiça do
dinheiro” (1Tm 6,10). Ó Senhor, livre-nos do mal.
Amém!
- Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
-
"Ser perfeito como Deus é perfeito"
Artigo publicado na edição de 20 de fevereiro de 2011 do
Jornal da Cidade
-

-
Desde
o começo do ano, nas Missas dominicais,
estamos lendo o Evangelho de Mateus. Hoje com
a leitura de Mt 5, 38-48, encerra-se a
primeira parte do Sermão da Montanha e das
bem-aventuranças.
-
O projeto
de vida para o discípulo de Jesus pode ficar
estruturado assim: - Um amor passivo, ou seja,
uma vida “pela não violência”, jamais pelo
enfrentamento ao agressor (v.39).
-
- Um amor
ativo, amando os inimigos e devolvendo-lhes
com o bem o mal que lhe desejam (v.44).
-
-
Sabedoria e santidade segundo o Espírito para
viver à maneira de Jesus, fazendo o bem,
perdoando e amando até a morte.
-
Jesus
conclui com essas palavras seu ensinamento:
“portanto, sede perfeitos como o vosso Pai
celeste é perfeito” (v. 48).
-
Na
leitura do Evangelho de hoje (Mt 5, 38-48),
Mateus narra as duas últimas “antíteses” com
as quais Jesus conclui a sua argumentação
sobre a nova lei da santidade por Ele
proposta, em face da nova justiça do Reino e
das bem-aventuranças.
-
“Ouvistes
o que foi dito: olho por olho e dente por
dente. Eu, porém, vos digo...”
Resumindo
a fala de Jesus: abaixo essa lei de Talião,
abaixo a vingança na mesma medida, a cobrança
ou o pagamento com a mesma moeda. Doravante,
se alguém lhe bater na face direita,
ofereça-lhe também a esquerda.
-
Se alguém
o forçar a andar um quilômetro, caminhe dois
com ele. Dê a quem lhe pedir e jamais vire as
costas a quem lhe pede emprestado (vv. 38-42).
-
“Ouvistes
o que foi dito: amarás o teu próximo e odiarás
o teu inimigo. Eu, porém, vos digo...”
O que
Jesus diz é: amem seus inimigos, façam-lhes o
bem e rezem pelos que os perseguem e caluniam.
-
Agindo
assim vocês se tornarão filhos de Deus, porque
Ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e
chover sobre justos e injustos.
-
A lei de
Cristo não revoga a lei de Deus, mas a leva à
perfeição, nem o Novo Testamento revoga o
Antigo, mas o leva ao seu completo
cumprimento.
-
Amar com
amor gratuito e desinteressado, e amar até
mesmo aos inimigos, sendo capaz de dar a vida
por eles, nisto consiste amar como Jesus e
como Deus mesmo. Nisto consiste ser perfeito
como Deus, ser santo como Deus.
-
No salmo
responsorial da Missa de hoje (Sl 102/103), a
Igreja nos convida a cantar os louvores de
Deus, dizendo:
“Bendize,
ó minha alma, ao Senhor, e todo o meu ser, seu
santo nome! Bendize, ó minha alma, ao Senhor,
não te esqueças nenhum de seus favores!
-
(...) O
Senhor é indulgente, é favorável, é paciente,
é bondoso e compassivo. Não nos trata como
exigem nossas faltas nem nos pune em proporção
às nossas culpas. (...) Como um pai se
compadece de seus filhos, o Senhor tem
compaixão dos que o temem”.
-
Dom
Caetano Ferrari -
Bispo
Diocesano de Bauru
-
"A Lei de Cristo e a Lei de Deus "
Artigo publicado na edição de 13 de fevereiro de 2011 do
Jornal da Cidade
-
Será
que a lei de Cristo revoga a lei de Deus? Ou, em
outras palavras, será que o Novo Testamento
contraria o Antigo Testamento?
-
É Jesus mesmo quem responde a estas questões no
Evangelho lido na Missa dominical de hoje – Mt 5,
17-37. Aliás, este trecho do Evangelho é sequência
do Sermão da Montanha e das bem-aventuranças
segundo São Mateus, lidos nos domingos anteriores.
Depois de ter anunciado a chegada do Reino dos
Céus e as bem-aventuranças, Jesus desconfiou de
ter causado muita euforia no povo. As pessoas
estariam imaginando que ele veio abolir a lei, os
profetas, os mandamentos, como que pondo abaixo o
Velho Testamento? De fato o Antigo e o Novo
Testamento não se identificam, havendo, portanto,
diferenças, mas também não se contrariam, nem este
revoga aquele, ao contrário se completam, ou
melhor, este aperfeiçoa aquele. Na leitura de hoje
Jesus explica essa questão.
-
“Não penseis que vim abolir a lei e os profetas.
Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno
cumprimento. (...) nem uma só letra ou vírgula
serão tiradas da lei sem que tudo se cumpra” (vv.
17-18).
Jesus deixa bem claro que a boa nova do Reino
instaurado por Ele e a boa nova das
bem-aventuranças anunciadas por Ele não anulam o
Antigo Testamento, ou seja, as leis, os profetas e
os mandamentos. Por isso, em nome da nova justiça
do Reino, Ele veio para exigir, em primeiro lugar,
uma fidelidade renovada e uma radicalidade nova no
cumprimento da vontade de Deus e na observância de
seus mandamentos.
-
Fidelidade e radicalidade sim, mas com uma
diferença, uma novidade, que essa fidelidade e
radicalidade sejam maiores e melhores do que a
justiça, por exemplo, dos escribas e fariseus, ou
de quem, como eles, observa a lei por puro
formalismo e legalismo.
“Porque eu vos digo: se a vossa justiça não for
maior que a justiça dos mestres da lei e dos
fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus” (v.
20).
-
Para explicar essa nova justiça, essa nova
santidade e liberdade cristãs, Jesus apresenta as
célebres “antíteses”, como se pode ver no caso do
homicídio:
“Não matarás!... Eu, porém, vos digo: todo aquele
que se encoleriza com seu irmão será réu em
juízo;... quem chamar o irmão de tolo será
condenado ao fogo do inferno”. (vv. 21-22).
E no caso do adultério:
“Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo:
todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo
de possuí-la já cometeu adultério com ela em seu
coração” (vv. 27-28).
Eis porque Jesus veio exigir, em segundo lugar,
uma nova justiça e nova santidade de vida,
inspiradas agora segundo a sabedoria e liberdade
cristãs no Espírito. Como Jesus mesmo dissera em
-
outra oportunidade, se a letra da lei a mata, é o
Espírito que a vivifica. Jesus, o novo profeta, é
aquele
“retira e propõe coisas novas e velhas” (Mt
13,52).
Segundo a “lei do espírito” da vida em Cristo,
conforme diz São Paulo (Rm 8,2), ficam abolidos o
legalismo, o formalismo, o fundamentalismo e o
ritualismo vazio.
-
A nova maneira cristã de ser, viver e conviver, o
novo comportamento cristão que Jesus veio exigir
de cada um de nós e de nossas comunidades
eclesiais nos impõe viver segundo a lei do
espírito, desejando as coisas do espírito.
-
Pois:
“Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus
são filhos de Deus” (Rm 8, 14).
-
Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
-
"As imagens dos sinais: sal, luz e lâmpada "
Artigo publicado na edição de 06 de fevereiro de 2011 do
Jornal da Cidade
-
Em
sequência às bem-aventuranças, lidas no Evangelho
de domingo passado, na liturgia dominical de hoje
Jesus prossegue declarando que os bem-aventurados
e felizes cidadãos do Reino dos Céus devem ser
seus sinais luminosos e brilhantes na terra e para
a humanidade assim como uma cidade construída no
monte, impossível de ficar escondida, ou como uma
lâmpada acesa no alto do teto que ilumina todos os
da casa. É o que lemos no Evangelho segundo São
Mateus 5, 13-16.
-
Pois essa é a vocação dos discípulos,
individualmente, e, coletivamente, de toda a
comunidade eclesial, em outras palavras, de cada
fiel, você, eu e nós todos da Igreja: ser
sal, luz e sinal.
-
É o que nos diz o Evangelho com estas parábolas e
imagens usadas por Jesus, naquele seu jeito
bonito, plástico e poético de se comunicar com o
povo:
“Vós sois o sal da terra”; “Vós sois a luz do
mundo”; (Vós sois) “como uma cidade construída
sobre o monte, impossível de ficar escondida”; (ou
como) “uma lâmpada acesa pendurada num candeeiro
para iluminar todos os que moram na casa”.
-
Por isso o sal tem que ser e estar bom para
salgar; caso contrário que seja jogado fora e
pisado pelos homens. Sal bom é o que salga, dando
gosto e sabor, e o que preserva a qualidade,
evitando que a coisa salgada se estrague e
apodreça.
-
Ser sal da terra é empenhar-se para cuidar do
planeta e seus habitantes a fim de que não percam
nunca o sabor da originalidade desde sua criação e
a qualidade da vida e de sentido para o presente e
o futuro do cosmos e da história e a fraternidade
universal.
-
Também a luz boa é a que brilha intensamente, como
a de Jesus Cristo anunciado pelos profetas e
apontado desde seu nascimento como luz que ilumina
o mundo e todas as nações. Assim igualmente brilhe
nossa luz no mundo.
-
Que nossa Igreja seja como a cidade santa de
Jerusalém edificada no alto do monte Sion, vistosa
e brilhante como um sinal visível visto por todos
para que a ela retornem os seus filhos dispersos e
a ela acorram todos os povos, de todas as raças e
culturas porque nela habita e reina o Senhor, Deus
poderoso criador da vida e Pai bondoso de todas as
misericórdias, com o seu Filho Jesus Cristo e o
Espírito Santo.
-
Que cada fiel, você e eu, sejamos como uma lâmpada
acesa num candeeiro pendurado no alto do teto de
nossas casas para iluminar todos os que convivem
conosco, os da casa de nossas famílias, da casa de
nossa sociedade, da casa de nossa Igreja e da casa
do mundo. Uma luz que reflete a luz de Deus, de
Jesus e do Espírito, e de sua Igreja para iluminar
os caminhos que nos conduzem até a pátria celeste.
-
Sendo sal, luz e sinal do Reino de Deus no mundo,
coloquemo-nos, como discípulos e como comunidade
eclesial, a serviço dos homens, fazendo o bem por
causa de Deus mesmo que é o sumo bem, mas
inclusive para que as pessoas, vendo nossas boas
obras, deem graças ao Pai que está no céu.
-
Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
-
"O mais famoso texto da literatura mundial"
Artigo publicado na edição de 30 de janeiro de 2011 do
Jornal da Cidade
-
Na
1ª leitura (Sf 2,3; 3,12-13), o profeta Sofonias
anuncia a esperança ao Resto de Israel. Mas quem é o
chamado ‘resto de Israel’? É aquele grupo de
hebreus, poucos e fracos, mas fiéis ao Senhor e
piedosos observantes da aliança. Eles podem esperar
dias melhores e escapar da catástrofe, porque Deus
ama e protege os humildes e com eles realiza grandes
coisas. Pode-se dizer que eles pertencem ao grupo
dos bem-aventurados.
- Na 2ª leitura (1Cor 1, 26-31), Paulo comenta com
os fiéis de Corinto: por acaso não há na comunidade
de vocês nem muitos sábios de sabedoria humana, nem
muitos poderosos, nem muitos da alta sociedade.
Deus, no entanto, chamou o que o mundo considera
ignorante, fraco e sem importância para confundir o
sábio, o forte e o importante. E explica: Deus
prefere o fraco ao forte para que, assim sendo,
ninguém possa gloriar-se na autosuficiência de suas
próprias forças. Mas, quem se gloria, glorie-se no
Senhor. Estes são também outros do grupo dos
bem-aventurados.
- No Evangelho das bem-aventuranças, Jesus
proclama que são felizes aqueles que, apesar das
adversidades da vida, confiam em Deus. Com Jesus, o
Reino de Deus chegou e, por isso, seus sonhos e
esperanças começam a se realizar. São felizes os que
acolhem Jesus e o Reino.
- Das nove bem-aventuranças apresentadas por
Mateus, são bem-aventurados dois gêneros de pessoas,
as vítimas deste mundo e que esperam a salvação: os
pobres, sofredores e injustiçados de qualquer
classe, raça, cor e credo; e ‘o Resto de Israel’
portador da salvação, em outras palavras, os que
fazem o bem, socorrem os necessitados e promovem a
paz, ou que por causa desta sua atuação são
caluniados e perseguidos. Conforme São Paulo,
pertencem a esse segundo grupo os poucos sábios,
poderosos e da alta sociedade de ricos que são
tementes a Deus e observantes de seus mandamentos, e
a maioria da comunidade, os pouco instruídos, pobres
e fracos, porque Deus escolheu o que é limitado,
pequeno e fraco para confundir os grandes e
poderosos.
- Jesus é a realização perfeita de todas as
bemaventuranças. Na sua vida humana ele foi tudo
isso: pobre, humilde, puro de coração, faminto e
sedento de justiça, misericordioso, perseguido,
injustiçado, torturado e crucificado. Jesus é em
pessoa a personificação das bemaventuranças. A
garantia de que as bem-aventuranças são uma Boa-Nova
de salvação e vida para todos e não uma mera utopia;
vem de Deus mesmo, nos foi dada por Jesus, na sua
vida, morte e ressurreição. Exemplo de santo que
entendeu muito bem o sentido das bem-aventuranças é
São Francisco de Assis. Jesus Cristo pobre, humilde,
crucificado e ressuscitado tornou-se para ele a
maior paixão de sua vida. A Jesus que, segundo ele
dizia, é ‘o amor que não é amado’ ele entregou a sua
vida.
- Você se reconhece nas bem-aventuranças? A que
grupo de bem-aventurados você se inclui? As
bem-aventuranças são para você um ideal de
santidade, um caminho de perfeição, um projeto de
vida cidadã e cristã? Você já se sente um
bem-aventurado, feliz e realizado na vida, tendo
tudo o que você sonhou ter?
- Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
- Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
-
"Novo ânimo apodera-se do povo... "
Artigo publicado na edição de 23 de janeiro de 2011 do
Jornal da Cidade
-
...
a partir do momento em que Jesus começa sua
atividade apostólica anunciando o Reino de Deus
com a pregação do Evangelho, com os sinais
prodigiosos de curas e milagres, e com os gestos
de amor, misericórdia e compaixão a pecadores,
pobres e excluídos.
- “convertei-vos, porque o Reino dos Céus está
próximo” é a chamada forte feita por Jesus segundo
o Evangelho da Missa dominical de hoje: Mateus
4,12-23.
- Conta Mateus que Jesus, tão logo ouviu dizer
que João Batista havia sido preso, decidiu voltar
para a Galiléia, indo morar em Cafarnaum, nos
confins de Zabulon e Neftali. Por que Jesus foi
começar ali a sua obra missionária? Como é sabido
que a intenção de Mateus, com o seu Evangelho, é
ressaltar que Jesus é o Messias anunciado pelos
profetas, ele então explica que assim se deu para
se cumprir uma profecia de Isaías, que se lê
também na 1ª leitura de hoje: Isaías 8,23-9,3.
Mateus resume no Evangelho, o núcleo central dessa
profecia de Isaías, escrevendo assim: “ Terra de
Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região
além do Jordão, Galiléia das nações! O povo que
ali jazia nas trevas viu uma grande luz; aos que
jaziam na região sombria da morte, surgiu uma
luz”. Nessas regiões além do rio Jordão
habitavam duas tribos de Israel – Zabulon e
Neftali – cujas populações, há sete séculos antes
de Cristo, foram deportadas para a Assíria, sendo
suas terras invadidas por povos pagãos. Para
reanimar sua gente que vivia na situação sombria
da escravidão, Isaías anunciava a vinda dessa
figura real e profética, o Messias, como salvador
e libertador do jugo da opressão que se abatera
sobre todos. Desse modo Isaías enchia de ânimo o
povo, fazendo crescer a alegria e esperança nos
seus corações. E é por isso que Mateus afirma no
Evangelho de hoje que foi exatamente nessa região,
a Galiléia dos pagãos, que Jesus desejou começar
sua atividade missionária, realizando plenamente o
que Isaías profetizara.
- Pois bem, começando a anunciar a Boa Nova do
Reino dos Céus exatamente ali entre aquela gente
de Zabulon e Neftali, pode-se entender
perfeitamente como Jesus incendiou o ânimo do
povo, abrindo perspectivas novas de esperança e de
tempos melhores. Porque ele foi logo demonstrando
que não só pregava como quem tem autoridade,
denunciando o mal e anunciando o bem, mas que
agia, com poder e força, e realizava obras
admiráveis de milagres e curas, perdoando os
pecados e expulsando os demônios, compadecendo-se
com os abandonados da sociedade e os sofredores de
todos os graus e níveis sociais.
- Mateus informa também no Evangelho de hoje que
Jesus foi chamando do meio do povo colaboradores
para ajudá-lo em sua missão, deixando claro que
não desejava cumpri-lo sozinho. Os primeiros a
serem escolhidos foram pescadores ali do lago da
Galiléia, convidando-os para daí em diante se
tornarem pescadores de homens. Foi assim que Ele
chamou os irmãos Pedro e André, dizendo: “Segui-me
e Eu farei de vós pescadores de homens”. E eles,
por incrível que pareça, deixaram as redes de
pesca e o seguiram. Depois Jesus chamou outros
dois irmãos, Tiago e João, pescadores como o seu
pai Zebedeu, e eles também deixaram a barca e o
pai, e o seguiram.
- A pregação de Jesus, em palavras e prodígios,
anunciando a proximidade do Reino dos Céus, além
de ter provocado verdadeira revolução social e
transformação de vida nas pessoas e comunidade,
hoje levanta para nós algumas questões, como por
exemplo:
- - Somos capazes de identificar no mundo de
hoje, em nosso país, cidades e comunidades, quais
são as áreas de Zabulon e Neftali a serem
evangelizadas pela Igreja e transformadas por sua
atuação em vista do Reino de Deus?
- - Somos capazes de colaborar com a missão da
Igreja, recebida de Jesus, mediante forte
testemunho de fé e vida, e ativa participação na
ação pastoral da nossa comunidade?
- - Nossa ação pastoral está conseguindo ser luz
e fogo que ilumina a caminhada do nosso povo e
enche de ânimo novo os corações e a vida das
pessoas?
- Dom Caetano Ferrari – Bispo Diocesano de Bauru
-
.
-
"Manso e humilde, Jesus irá à morte de cruz para nos dar a
vida "
Artigo publicado na edição de 16 de janeiro de 2011 do
Jornal da Cidade
-
 Iniciando
a vida pública com suas atividades pastorais, Jesus
assume para valer a sua vocação e missão recebidas
do Pai de bondade. Jesus, dizendo de si mesmo,
resume sua vocação e missão, com singelas palavras:
vim para fazer em tudo a vontade do Pai; não para
ser servido, mas para servir; não para julgar e
condenar, mas para perdoar os pecados, dar a vida
plena e eterna e a todos salvar.
-
Na 1ª leitura da Missa dominical de hoje (Is
49,3.5-6), Isaías fala que a vocação daquele Servo
de Javé sofredor por ele profetizado é a de ser
Servo de Deus. E, unindo vocação e missão,
acrescenta que a missão desse Servo é não só a de
restaurar Judá e Israel, mas a de ser luz para as
nações a fim de que a salvação chegue até os confins
da terra. Uma vocação especial para uma missão
universal, mas também local, uma missão geral e
ampla, mas também particular e específica.
-
Na 2ª leitura (1Cor 1,1-3), Paulo ressalta a
vocação, a dele e a dos fiéis. Diz que ele mesmo foi
chamado a ser apóstolo de Jesus por vontade de Deus.
E nessa condição está se dirigindo à comunidade
vocacionada de Corinto, que é formada por fiéis
santificados em Cristo, pelo batismo, e por isso
mesmo fiéis vocacionados a serem santos. A esses
fiéis, em primeiro lugar, saúda a todos com a graça
e a paz de Deus e do Senhor Jesus. Depois de lembrar
a comum vocação e
-
missão e de a todos saudar, ele entra nos assuntos
da carta.
-
No Evangelho de hoje, lido em João 1,29-34, ainda no
contexto do Batismo de Jesus, no Jordão, João
Batista manifesta a seus discípulos e ouvintes quem
é Jesus, qual sua vocação e missão com testemunho
pessoal e palavras cheias de doutrina. Resumindo,
diz João a respeito de Jesus, tão logo o viu se
aproximando de si: eis o Cordeiro de Deus que tira o
pecado do mundo; Ele passou à minha frente, porque
existia antes de mim; eu vi o Espírito descer, como
uma pomba, do céu e permanecer sobre Ele; também eu
não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar
com água me disse que Aquele sobre quem vires o
Espírito descer e permanecer, este é quem batiza no
Espírito Santo; por isso, eu digo que eu vi e dou
testemunho que esse é o Filho de Deus.
-
Como foi profetizado antes, e depois como Ele viveu
e morreu, nós sabemos como Jesus realizou sua
vocação e missão: como servo de Deus sofredor, que
deu a vida por nós na cruz, com o seu amor de Filho
de Deus, com a mansidão do seu coração, a ternura do
Bom Pastor, a humildade do servo que em tudo fez a
vontade do Pai e por este mundo passou fazendo o
bem.
-
A Liturgia de hoje nos provoca a considerar, como
discípulos e missionários de Jesus, a nossa vocação
e missão, a pessoal e a comunitária. Todos somos
chamados à vocação universal à santidade: sermos
santos; chamados à vocação comum: evangelizar,
mostrando aos outros quem é Jesus Cristo, com todo o
nosso ser, coração e alma, pensamentos e ações;
chamados à vocação específica e particular: realizar
o dom pessoal recebido de Deus para o bem da família
e sociedade e o ministério e serviço que lhe foram
confiados para o bem da comunidade de fé. Tudo isso
fazendo como Jesus o fez: com amor, mansidão,
ternura e humildade.
-
Como João Batista, você também consegue ver e
identificar Jesus passando por sua vida, na
comunidade e na sociedade? Consegue dar testemunho
dele, sem medo de declarar sua fé, e com coragem e
ousadia viver a fé, como filho de Deus, fazendo tudo
o que é possível para evangelizar com a Igreja na
missão de tirar o pecado do mundo, libertar os
humanos das forças do mal, levar a vida nova de
Jesus Cristo, santificar, salvar e servir toda a
gente para que todos tenham vida e vida digna, feliz
e plena, e vida eterna?
-
Tenha um bom domingo e uma boa semana com a paz e a
benção de Deus!
-
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
-
"Este é meu Filho amado"
Artigo publicado na edição de 09 de janeiro de 2011 do
Jornal da Cidade
-

- Encerra-se
hoje, com a festa do Batismo de Jesus, o Tempo
do Natal. E inicia-se na Igreja amanhã o Tempo
Comum.
- Os quatro
evangelistas narram o Batismo de Jesus, tão
importante que foi este acontecimento para os
primeiros cristãos e continua sendo atualmente
para nós. O Evangelho lido hoje é tirado de
Mateus (Mt 3,13-17) e diferencia dos outros
Sinóticos em dois aspectos: a voz que se ouve
do céu é dirigida não a Jesus, mas à multidão;
e é João Batista quem protesta dizendo que ele
é quem precisa ser batizado por Jesus e não o
contrário. Jesus, no entanto, responde a João
falando que assim deve ser feito para “se
cumprir toda a justiça” (Mt 3,15), ou seja, a
vontade de Deus que lhe pede a sua
solidariedade com os pecadores que buscam o
batismo da conversão em vista da preparação
para a chegada do Reino de Deus. Igual em tudo
aos homens, menos no pecado e sem precisar de
conversão, “Aquele que não conhecera o pecado,
Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de
que, por ele, nos tornemos justiça de Deus“
(2Cor 5, 21).
- Eis pontos
importantes do Batismo que Jesus recebeu de
João: Deus lhe enviou o Espírito; ungiu-o como
o Messias; declarou-o como o seu Filho amado.
- Ao iniciar
a sua vida pública, Jesus busca o Batismo de
João em solidariedade ao povo ao qual ele
mesmo há de anunciar e convidar: “Completou-se
o tempo, e o Reino de Deus está próximo.
Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15).
- Depois de
ser batizado por João, conta Mateus que o céu
se abriu e o Espírito de Deus como pomba (o
pássaro mensageiro) pousou sobre Jesus. Jesus
é visto, conforme o vê todo o Novo Testamento,
como a misteriosa figura do profeta-rei
apontado por Isaías na 1ª leitura (Is
42,1-4.6-7): o enviado especial da parte do
Senhor para anunciar ao povo a
misericórdia e a fidelidade de Deus. O Servo
de Javé Padecente, ‘assim fala o Senhor’, é ‘o
meu servo’, ‘o meu eleito’, em quem ‘se
compraz minha alma’ e sobre quem ‘pus meu
Espírito’. Ele ‘não quebra cana rachada’, ‘nem
apaga chama que fumega’; ‘não esmorecerá nem
se deixará abater enquanto não estabelecer a
justiça na terra’; Eu, diz o Senhor, ‘te
chamei para a justiça’, e ‘te constituí como o
centro de aliança do povo, luz das nações,
para abrires os olhos dos cegos, tirares os
cativos da prisão, livrares do cárcere os que
vivem nas trevas’.
- O Apóstolo
Pedro, conforme a 2ª leitura da Missa de hoje
(Atos 10,34-38), faz o primeiro anúncio da fé
em Jesus Cristo, no seu conteúdo essencial e
numa forma particular de pregação, que ficou
sendo conhecido como Kérygma, em grego, ou
Querígma, em português; um anúncio da salvação
operada por Jesus morto e ressuscitado que
começa a partir do batismo
- pregado por
João. Na sua catequese querigmática, Pedro
afirma que, logo depois do batismo de João,
‘Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o
Espírito Santo’. E para que? Para com poder
‘ir a toda parte, a fazer o bem e a curar a
todos os que estavam dominados pelo demônio,
porque Deus estava com Ele’.
- A este
servo sofredor, Jesus, Deus o ungiu como o
Messias, o Salvador. Eis porque o Pai revela-o
agora como Filho: “Este é o meu Filho muito
amado, no qual pus toda a minha afeição” (Mt
3,17).
- No Batismo
de Jesus por João, somos convidados a
contemplar o nosso Batismo de cristãos que
recebemos da nossa amada Igreja Católica.
- O nosso
Batismo é também rito de purificação do pecado
original e de perdão de todos os pecados, e
rito de iniciação pelo qual entramos na
comunidade cristã. Por ele temos um novo
nascimento: “vida nova” (Rm 6,4); “criatura
nova” (Gl 6,15).
- Pelo
Batismo, Deus nos incorpora a Jesus Cristo, à
sua Igreja e à sua missão, fazendo-nos seus
discípulos e missionários. E tornamo-nos
verdadeiramente filhos de Deus, participantes
da natureza divina (cf. Lumen Gentium, 40),
membros vivos da comunidade dos redimidos,
feitos santos (comunhão dos santos) e um só
corpo com Cristo (cf. 1Cor 12,27) e
comprometidos com a mesma causa e missão que
Jesus recebera do Pai: recebei o Espírito
Santo, ide pelo mundo inteiro e evangelizai
toda criatura, e aos que crerem batizai-os em
nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Amém!
- Dom Caetano
Ferrari -Bispo Diocesano de Bauru
-
"Dia Mundial da Paz e
da Fraternidade"
Artigo publicado na edição de 02 de janeiro de 2011 do
Jornal da Cidade
-
A
oitava do Natal encerrou-se com a solenidade de
Santa Maria Mãe de Deus, ontem, na festa do Ano Novo.
-
Nesse 44º Dia Mundial da Paz, o Santo Padre o
Papa, Bento XVI, enviou a todos e a cada um
votos de paz e prosperidade, com uma oportuna
reflexão sobre: “Liberdade religiosa, caminho
para a paz”.
-
Lembrou, primeiramente, as violências contra os
cristãos ocorridas em algumas regiões do mundo,
especialmente no Oriente Médio, Ásia e África.
Referindo-se em particular ao caso do Iraque no
atentado à Catedral siro-católica de Bagdad, em
31 de outubro de 2010, com o assassinato de dois
padres e mais de 50 fiéis, reafirmou a sua
solidariedade às comunidades católicas
perseguidas de lá e de outros lugares. Em
seguida, particularmente com relação ao
Ocidente,
-
fez menção às outras formas mais silenciosas e
sofisticadas de preconceito e agressão contra os
crentes e os símbolos religiosos. Tendo em vista
esta triste realidade dos nossos dias, ele é
categórico ao afirmar que: “De fato, é doloroso
constatar que, em algumas regiões do mundo, não
é possível professar e exprimir livremente a
própria religião sem pôr em risco a vida e a
liberdade pessoal... Os cristãos são,
atualmente, o grupo religioso que padece do
maior número de perseguições devido à própria
fé”.
-
Argumenta o Papa que o direito a uma vida
espiritual é tão sagrado quanto o direito à
vida. Radica na dignidade da
-
pessoa humana, criada à imagem e semelhança de
Deus (Gn 1,27), e na sua natureza transcendente.
Sem esta abertura
-
ao transcendente o ser humano não consegue
encontrar respostas adequadas para as perguntas
sobre o sentido da
-
vida, nem dotar-se de valores e princípios
éticos duradouros.
-
Nem experimentará o que é uma autêntica
liberdade e muito menos conseguirá ser
protagonista na construção de uma
-
sociedade justa, pacífica e fraterna.
-
A família, diz Bento XVI, é a primeira escola de
formação social, cultural, moral e espiritual
dos filhos, que deveriam
-
encontrar sempre no pai e na mãe as primeiras
testemunhas de uma vida orientada para a busca
da verdade e o amor de
-
Deus. Pois se a liberdade religiosa é caminho
para a paz, então, a educação religiosa é
estrada privilegiada para habilitar
-
as novas gerações a se reconhecerem como irmãos
uns dos outros e a caminhar juntos.
-
A liberdade religiosa é um bem essencial,
aprofunda o Papa, um direito com igual status do
direito à vida e à liberdade pessoal e
integrante do núcleo essencial dos direitos
universais e naturais do homem que nenhuma lei
humana jamais pode negar. Toda pessoa tem o
direito sagrado de professar uma religião e
viver sua fé, individual e comunitariamente, em
particular e em público, respeitada sempre a
ordem pública. Também deve ser reconhecida e
garantida a liberdade de opção da pessoa de
poder aderir a outra religião ou de não
professar religião alguma. O que não se permite
nunca é a imposição de uma religião à força
sobre pessoas ou povos, nem a instrumentalização
da religião para fins ideológicos de controle do
poder por grupos políticos ou econômicos, cujos
interesses contrariam o bem comum da sociedade e
a liberdade.
-
O Papa fala também das importantes contribuições
que as religiões prestam à sociedade, com suas
obras caritativas,
-
educacionais e culturais. Diz que não se pode
ignorar a contribuição ética da religião na
política e no ordenamento
-
jurídico-social. Nem a dimensão religiosa da
cultura. As religiões reforçam “a coesão social,
a integração e a solidariedade”.
-
Por fim, Bento XVI prega a liberdade religiosa
no mundo por outros motivos. Por exemplo, por
uma questão de justiça e de civilização, devendo
ser igualmente condenadas todas as formas de
fanatismo e fundamentalismo, que prejudicam a
laicidade positiva dos Estados, e também de
hostilidade contra a religião, de
discriminações, intolerâncias e violências por
causa da fé, que limitam o papel público dos
crentes na vida civil e política. Ainda por uma
questão de viver no amor e na verdade, em função
do qual as grandes religiões podem constituir um
fator importante de unidade e paz para a família
humana.
-
Solidarizando-se com as comunidades cristãs que
sofrem perseguições por causa da fé, o Papa
solicita aos discípulos de Cristo a perseverarem
firmes no testemunho da fé, animando-os com as
bem-aventuranças:
“Felizes sereis quando, por minha causa, vos
insultarem vos perseguirem e, mentindo vos
acusarem de toda a espécie de mal. Alegrai-vos e
exultai, pois é grande nos céus a vossa
recompensa” (Mt 5, 4-12).
-
O Santo Padre o Papa finaliza desejando: “Que
todos os homens e as sociedades, nos mais
diversos níveis e nas várias regiões da terra,
possam brevemente experimentar a liberdade
religiosa, caminho para a Paz!”
-
Prezado leitor, desejo a você e família um
abençoado Ano-Novo, com saúde, paz, prosperidade
e todo o bem!
-
Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
-
"Uma família para Deus viver"
Artigo publicado na edição de 26 de dezembro de 2010 do
Jornal da Cidade
-

- A beleza, a graça, o encantamento, os
sentimentos, as emoções do Natal, que desde a
Vigília invadiram nossos lares e corações,
haverão de nos acompanhar por muito tempo em
2011. Porque Jesus Cristo, que veio no passado,
entrando em nossa história e dividindo-a em
antes e depois d’Ele, e no fim dos tempos virá
com sua glória, está presente entre nós.
- Se para Jesus nascer, Deus precisou de uma
mulher, a Virgem Maria, para Ele viver como
homem entre os humanos precisou de uma casa, um
lar, uma família.
- A estrebaria foi sua maternidade e a
primeira casa; Maria, José e os pastores
formaram seu primeiro lar.
- No Evangelho de hoje, Mateus (Mt
2,13-15.19-23) conta como José foi avisado em
sonho pelo Anjo da matança das crianças
decretada por Herodes, o “Grande”, e de que
deveria tomar Maria e o Menino e fugir para o
Egito. Quando o rei morreu, avisado de novo pelo
Anjo, José pega o Menino e sua Mãe e põese de
volta para sua terra, indo fixar moradia em
Nazaré. Como afirma Mateus, sempre preocupado em
provar que as revelações sobre o Messias, se
- realizavam em Jesus, faz questão de dizer
que isso aconteceu para se cumprir as profecias:
“Ele será chamado nazareno”.
- Para Jesus crescer, viver, conviver,
trabalhar, amar, Ele teve família, ou melhor,
formou uma família, a Sagrada Família de Jesus,
Maria e José. Na Liturgia de hoje a
contemplamos, ouvindo textos bíblicos a falar
sobre pais e filhos e como precisamos nos dias
atuais ser família à imagem da Sagrada Família.
- O Eclesiástico, lido hoje na Missa, afirma
que: “Deus honra o pai nos filhos e confirma,
sobre eles, a autoridade da mãe. Quem honra o
seu pai alcança o perdão dos pecados;... terá
alegria com seus próprios filhos; e, no dia em
que orar, será atendido. Quem respeita o seu pai
terá vida longa, e quem obedece ao pai é o
consolo da sua mãe” (Eclo 3, 3-4.6-7). A
respeito da mãe diz ainda: “Quem respeita a sua
mãe é como quem ajunta tesouros” (v.5).
- E recomenda aos filhos para ampararem os
seus pais na velhice, mesmo se estiverem
perdendo a lucidez, cuidando deles sem
humilhá-los e com caridade, o que servirá para
reparar os seus próprios pecados como filhos e,
depois, como pais também. (cf vv. 14-17).
- Paulo, na leitura de Colossenses (Cl
3,12-21), ilumina o tema da família, primeiro
recomendando a todos nós, “amados por Deus e
seus santos eleitos”, a revestirmo-nos de
“sincera misericórdia, bondade, humildade,
mansidão e paciência”. Mas, acima de tudo, que
saibamos nos amar uns aos outros, pois o “amor é
o vínculo da perfeição”. Em seguida, que sejamos
agradecidos a Deus, cantando-lhe “salmos, hinos
e cânticos espirituais, em ação de graças”.
- E, por fim, ele se dirige com palavras de
especial afeto e desvelo pastoral às esposas,
aos maridos, aos pais e aos filhos. “Esposas,
sede solícitas para com vossos maridos, como
convém, no Senhor.
- Maridos, amai vossas esposas e não sejais
grosseiros com elas. Filhos, obedecei em tudo
aos vossos pais, pois isso é bom e correto no
Senhor. Pais, não intimideis os vossos filhos,
para que eles não desanimem”.
- As solenidades todas do Natal nos estão
pondo em contato vivencial com verdades
fundamentais de nossa fé: Jesus está no centro
das celebrações; Ele é a figura mais importante;
sua encarnação, o valor supremo; n’Ele vemos o
rosto humano de Deus e, ao mesmo tempo, o rosto
divino do homem; n’Ele temos o perdão dos
pecados e a vida divina e eterna, e esta vida é
a luz dos homens; por Ele reconhecemos o
Absoluto de Deus na nossa vida.
- A festa da Sagrada Família revela que Jesus,
mesmo sendo o Filho de Deus, para desenvolver-se
plenamente como humano precisou de uma casa, um
lar, uma família para bem viver e amar; e que a
Família Sagrada é o paradigma de toda família
humana.
- Salvemos a família! Jesus, Maria e José
abençoem nossas famílias.
- Dom Caetano Ferrari – Bispo Diocesano de
Bauru
-
"Preparando o Natal"
Artigo publicado na edição de 05 de dezembro de 2010 do
Jornal da Cidade
-

- Natal -
mistério
- Não se pode
nunca perder de vista que as solenidades do
Natal, que o Advento prepara, nos devem colocar
diante do mistério central da encarnação do
Filho de Deus. A festa do Natal não é uma
simples recordação do nascimento de Jesus a ser
comemorado como um aniversário comum.
- O sentido da
festa do Natal está ligado à verdade de fé sobre
a encarnação de Jesus como manifestação do amor
salvador de Deus para com a humanidade. Pois Ele
amou tanto o mundo que enviou o seu Filho, Jesus
Cristo, para que o mundo seja salvo por ele (cf.
Jo 3, 16-
- 17). E Jesus,
“tendo amado os seus que estavam no mundo,
amou-os até o fim” (Jo 13, 1). Como bem o
sabemos, até o fim significa até a morte e morte
na cruz.
- O Natal,
quando celebrado e vivido na Igreja, na família,
na sociedade, sob a perspectiva da fé, atualiza,
no aqui e agora, o mistério do nascimento de
Jesus, sublinhando a manifestação do Senhor como
salvador que nasce de novo em nós e entre nós:
no coração, no lar, na comunidade, no mundo. Por
isso a Igreja canta nesse tempo do Advento:
“Vem, Senhor Jesus!”. Vem nos visitar, abençoar,
pacificar, libertar, renovar, salvar. Vem
restaurar todas as coisas segundo o esplendor do
desígnio original da criação do mundo e renovar
nos humanos a dignidade conforme a sua dignidade
de Deus encarnado.
- Advento -
conversão
- Neste 2º
domingo do Advento, a Liturgia nos convida à
conversão de vida como exercício essencial de
preparação para o encontro com Deus. Ecoam no
Evangelho da Missa de hoje estas palavras de
João Batista, pregando no deserto da Judéia:
“Convertei-vos, porque o reino dos céus está
próximo... preparai o caminho do Senhor,
endireitai suas veredas” (Mt 3, 2-3).
- O forte
apelo de conversão de vida assumido para valer
com o comprometimento e a prática de mudanças no
pensar, agir e viver, que o Evangelho nos pede,
vai realizando o milagre de abrir nosso coração
para receber Jesus, o milagre da conversão. Essa
exigência do cristianismo – a conversão pessoal
- é o pressuposto para as mudanças para fora, no
lar, Igreja, sociedade, mundo.
- Por isso, não
há Natal verdadeiro sem esforço de conversão
interior, com oração, perdão dado e recebido,
uma boa confissão, gestos de afeto e bondade com
os outros, e de caridade com os pobres e
abandonados.
- Não há Natal
sem Deus, sem Jesus, sem conversão.
- Poderá ser
Natal social, de consumo, seja lá o que for, mas
jamais será o Natal de Nosso Senhor Jesus
Cristo, nosso Salvador, que veio, vem e virá,
conforme nossa fé.
- Uma alegre
notícia Nesta época em que, mais uma vez, a
notícia auspiciosa do Natal enche nosso coração,
chega-nos a notícia alegre, divulgada
recentemente pela imprensa, de que: A Igreja
Católica saltou do sétimo para o segundo lugar
no ranking de confiança da população nas
instituições brasileiras.
- A pesquisa
foi realizada entre o povo em geral pela
Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, da qual se
deduz que: “A Igreja Católica só perde para as
Forças Armadas e ganha de longe do governo
federal e, inclusive, das emissoras de TV, que
normalmente são instituições consideradas
confiáveis pela população”. Um dos fatores
explicativos, segundo os técnicos da Fundação,
está na postura da Igreja e no comportamento dos
católicos em relação às últimas eleições.
Alegremo-nos!
- Dom Caetano
Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
-
"Advento é: Vinde, Senhor Jesus!"
Artigo publicado na edição de 28 de novembro de 2010 do
Jornal da Cidade
Advento
significa vinda, chegada daquele que há de vir no
Natal, Jesus Cristo. É um tempo de espera e de
preparação para a grande solenidade do Natal, o
nascimento do Senhor.
-
Na Igreja, o
Ano Litúrgico de 2011 está começando hoje com o 1º
domingo do Advento. Com a solenidade de Cristo,
Rei do Universo, celebrada no domingo passado,
fechou-se o Ano Litúrgico de 2010.
-
O Advento nos
ajuda a celebrar e viver essa realidade: Cristo
veio, Cristo vem, Cristo virá. O Cristo histórico
é o mesmo Cristo atual vivido na fé e o mesmo
Cristo da glória que virá pela última vez no
fim dos tempos. Por isso o Natal celebrado e
vivido, anualmente, no mistério da Liturgia ou do
Culto, por meio das variadas expressões da
confraternização humana e pelas incontáveis
práticas da caridade e do bem se constitui
em fonte de renovação da vida cristã no presente
e, em vista do futuro, em oportunidades
reais de crescimento na santidade e de preparação,
desde o aqui e agora, para o encontro com Cristo
na glória.
-
“Vinde,
Senhor Jesus” é o refrão que cantaremos ao longo
do Advento para que o renovado encontro com Jesus
neste Natal desenvolva sempre mais em nós a
capacidade de acolhermos o Senhor, ao chegar, a
cada hora, dia e ano de nossa vida. “Eis que estou
à porta e bato, se abrires, entrarei e cearemos
juntos”, e grande será a festa (cf. Ap 3, 20).
-
Celebrar as festas na
Igreja, como o Natal, não é tão só recordar o fato
histórico passado, a modo das festas da sociedade
(aniversário de nascimento, dia da república
etc.), mas é viver no presente os mistérios de
Cristo nos ritos da Liturgia, oração e caridade.
Nós cremos que Cristo, que se revelou no passado,
continua se manifestando no presente. Quando a
Igreja celebra, liturgicamente, o evento
salvífico do nascimento do Senhor, ela nos faz
viver o mistério desse nascimento do
Filho de Deus, o que ele
significa para nós e como por ele descobrirmos
Cristo que continua se manifestando em nós e na
história hoje.
-
É Importante
neste tempo do Advento aproveitarmos todas as
oportunidades na Igreja, pela participação nas
celebrações litúrgicas, nas Missas e no Sacramento
da confissão; em casa, fazendo a novena do Natal
em família, armando o presépio, perdoando e
pedindo perdão; na vida pessoal, buscando
conversão, fazendo o bem, praticando a caridade,
confraternizando-se com toda a gente.
-
É ensinamento
da Igreja que: “O tempo do Avento possui dupla
característica: sendo um tempo de preparação para
as solenidades do Natal, em que se comemora a
primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, é
também um tempo em que, por meio desta lembrança,
voltam-se os corações para a expectativa da
segunda vinda de Cristo no fim dos tempos. Por
este duplo motivo, o tempo do Advento se apresenta
como um tempo de piedosa e alegre expectativa”.
-
Orígines,
grande teólogo dos Padres da Igreja, dizia: “Que
me adianta Cristo ter nascido em Belém, se ele não
nascer no meu coração?” Pois bem, importa
aproveitar bem o Advento, abrindo o coração para
Deus e deixando Jesus nascer em nós, sobretudo,
pela vivência da caridade, a prática do bem e o
amor fraterno e solidário com os pobres e
excluídos deste mundo.
-
Preparemo-nos
bem para o Natal de 2010, começando a arrumar a
casa interior do nosso coração e a armar dentro
dele o presépio de Jesus. Para que Jesus nos
encontre alegremente em oração e celebrando seus
louvores! Amém!
-
Dom Caetano
Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
-
"Dia Nacional do leigo e da leiga"
Artigo publicado na edição de 21 de novembro de 2010 do
Jornal da Cidade

-
O
ano litúrgico, diferentemente do ano civil,
termina hoje. Para fechar o ano com chave de
ouro, a Igreja celebra a festa de Jesus Cristo,
Rei do Universo, Senhor da Paz e da Unidade.
-
A partir do próximo domingo têm início os
domingos do “Advento” que nos preparam para o
Natal.
-
A realeza de Jesus é de origem divina, pois Ele
tem a “primazia sobre toda a criação”... “Tudo
foi criado por meio dele e para Ele”... “Ele é a
cabeça do corpo, isto é, da Igreja. Ele é o
princípio, o primogênito dentre os mortos; de
sorte que em tudo Ele tem a primazia, porque
Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude
e por Ele reconciliar consigo todos os seres, os
que estão na terra e no céu, realizando a paz
pelo sangue da sua cruz” (Cf. Cl 1, 12-20, 2ª
leitura da Missa).
-
Jesus, no entanto, não manifesta sua realeza
mediante gestos grandiosos de poder como
costumam fazer os grandes deste mundo, pela
força política, econômica, militar, nem pela
riqueza ou majestade, ciência ou sabedoria deste
mundo. Ele dizia e agia sempre assim: “Vim para
servir e não ser servido”.
-
“Se eu, sendo vosso Mestre, vos lavei os pés é
para que vós também laveis os pés uns dos
outros”. “Quem quiser ser o primeiro, torne-se o
último; ser o maior, faça-se o menor entre
todos”. Mas revela sua realiza divinal, acima de
tudo, quando perdoa os pecadores, apagando seus
pecados: “Teus pecados te são perdoados”. “Pai,
perdoa-os porque eles não sabem o que fazem”.
“Hoje mesmo estarás comigo no reino do céu”.
-
A este Cristo, que veio para servir, Rei do
perdão e da misericórdia, bom Pastor e bom
Samaritano, sejam tributados louvor, honra e
glória, agora e para sempre. Amém! Ele quer
reinar no coração do mundo e em nossos corações
oferecendo-nos o perdão, a paz e todo o bem:
“Vinde a mim vós todos que andais
sobrecarregados sob a vossa cruz, porque Eu sou
manso e humilde de coração, meu fardo é suave,
meu peso é leve, e em mim encontrareis paz e
descanso”.
-
Poderíamos dizer que não é sem razão que
exatamente na festa de Cristo Rei, a Igreja do
Brasil instituiu hoje como dia nacional do leigo
e da leiga. Como a enaltecer a realeza comum de
todos os cristãos batizados. Desde o batismo, o
Pai “nos libertou do poder das trevas e nos
recebeu no reino de seu Filho amado, por quem
temos a redenção, o perdão dos pecados” (Cl 1,
13-14). Os irmãos leigos e leigas são na Igreja,
como afirma o Concílio Vaticano II, 1962-1965, o
Povo Santo de Deus: “Os que creem em Cristo,
renascidos de uma semente não corruptível mas
incorruptível pela Palavra do Deus vivo, não da
carne, mas da água e do Espírito Santo,
constituem
‘uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação
-
santa, o povo de sua particular propriedade...
que outrora não o era, mas agora é o Povo de
Deus’ (1 Pd 2, 9-10)” (Lumen Gentium, 9).
-
Falando sobre a vocação e a missão dos leigos na
Igreja e no mundo, o Papa João Paulo II escrevia
na “Cristifideles Laici” (Os Fiéis Leigos),
1988, que os fiéis leigos não só pertencem à
Igreja como são de fato a Igreja presente no
mundo e sociedade. Segundo a índole peculiar da
sua vocação, eles têm como específico “tratar
das coisas temporais e ordená-las na perspectiva
do Reino de Deus”; e como participantes, a seu
modo, do múnus sacerdotal, profético e real de
Cristo exercem pela parte que lhes toca a missão
de todo o povo cristão” (CL, 9).
-
A V Conferência de Aparecida, 2007, conclama
todos nós, como povo de Deus (leigos,
consagrados e ordenados), à “conversão pastoral,
individual e comunitária”, para assumirmos a
vocação comum de “discípulos missionários” (DA
181) e pormos toda a Igreja “em estado
permanente de missão” (DA 551).
-
E lembra que os fiéis leigos, que são “homens da
Igreja no coração do mundo e homens do mundo no
coração da Igreja” (209), devem sentir-se
“co-responsáveis na formação dos discípulos e na
missão” (202).
-
Desejo agradecer o Conselho Diocesano de Leigos
que, por sua coordenação, articula o Laicato da
Diocese em diversas ações pastorais e serviços
da caridade, contribuindo enormemente com a
missão evangelizadora da Igreja.
-
A todos os fiéis leigos e leigas da Diocese
parabéns e gratidão, com bênçãos e graças para
si e suas famílias!
-
Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
-
"Despertar Missionário"
Artigo publicado na edição de 14 de novembro de 2010 do
Jornal da Cidade
A
V
Conferência de Aparecida, que foi aberta com a
presença do Papa Bento XVI, em 2007, convocou a
Igreja do continente latino-americano e caribenho a
um “despertar missionário”, na forma de uma Missão
Continental. Que significa isso? Parece complicado,
mas não é. Em primeiro lugar, é um despertar da
consciência missionária em cada batizado, em cada
comunidade, em cada paróquia, em cada diocese, em
cada estado, em cada país e, por isso, em todo o
nosso continente. Uma conscientização missionária
que, em segundo lugar, leva a mudanças, como pede a
V Conferência de Aparecida a começar pela “conversão
pessoal e comunitária” e pela “conversão pastoral e
institucional” para colocar toda a Igreja “em estado
permanente de missão” (cf. DAp 551). Em seguida é
que vêm propriamente os projetos pastorais e ações
missionárias. Conscientização que leva à conversão,
a projetos e ações evangelizadoras em cada paróquia
e diocese de todo o continente. Esse é o itinerário
de um processo que vai se fazendo na simultaneidade
da conscientização, conversão e ação missionária.
-
Desde a V
Conferência, a palavra chave na Igreja, em todo o
Continente, é “entrar em estado permanente de
missão”. Que deve começar aqui e agora comigo, minha
comunidade de fé e ir abarcando toda a diocese, em
parceria e comunhão intereclesial com as outras
dioceses das mais próximas às mais distantes.
-
Não acontecerá
Missão Continental se esse despertar missionário não
se fizer presente em cada um de nós, em nossas
paróquias e diocese. Se não começar no aqui e agora
do cotidiano da vida.
-
Em nosso país,
a assembleia dos Bispos da CNBB aderiu ao projeto da
Missão Continental aprovando, em 2008, o projeto
-
nacional de
evangelização chamado “O Brasil na Missão
Continental”.
-
Também em nossa
diocese está se trabalhando firmemente para esse
despertar missionário entre nós, a partir do
Documento de Aparecida, das Diretrizes Gerais da
Ação Evangelizadora do Brasil e do projeto O
Brasil na Missão Continental. A meta é clara,
queremos ser cada um de nós como batizados
“discípulos e missionários” e queremos fazer de cada
paróquia uma “comunidade missionária” para colocar
toda a diocese “em estado permanente de missão”.
-
Não podemos
esquecer os pressupostos básicos para que tudo isso
aconteça. Se os fundamentos não estiverem bem
-
postos corre-se
o risco de se fazer muitas coisas e se ficar na
superficialidade e na propaganda marqueteira.
Inclusive no eixo da oração pode-se cair em
‘devocionismos’ que tranquilizam a consciência, mas
que em pouco ou nada fecundam a missão.
-
Porque esta
obra é, acima de tudo, obra de Deus.
-
Quatro são os
pressupostos: Experiência de Deus; Centralidade de
Cristo e seu projeto do Reino; Primazia da Palavra
de
-
Deus; e a
Eucaristia, como fonte da comunhão, serviço e
missão.
-
É absolutamente
necessário o esforço para voltar nosso coração e
todo o nosso ser para Deus, o Senhor da vida cristã
e
-
da missão da
Igreja. Pelo acolhimento de Jesus Cristo, o
Missionário do Pai, com o projeto do Reino. Pela
adesão inconteste a Cristo e a escuta de sua
Palavra. E pela comunhão de vida com Deus na oração
e nos sacramentos, especialmente na Eucaristia,
fonte inesgotável da vocação cristã, do impulso
missionário e do serviço à caridade.
-
Somente a
partir de uma forte experiência de Deus, de um
encontro renovado com Jesus, no fogo abrasador do
amor do Espírito Santo, podemos enfrentar com
sucesso a conversão pessoal e
comunitária, a conversão pastoral e institucional, e
entrar em
estado permanente de missão.
-
Como aponta a V
Conferência, nossa Igreja necessita de uma forte
comoção para superar todo cansaço, acomodação e até
-
mesmo
indiferentismo face ao sofrimento de não poucos
irmãos ao nosso redor, que têm fome e sede de Deus,
de justiça, paz e bem. O que se espera de nós é que
sejamos sem cessar uma comunidade orante, esperando
um novo Pentecostes que nos livre em definitivo de
todo cansaço e desilusão, e faça de nossas paróquias
verdadeiras comunidades missionárias, sendo casa e
escola de comunhão e dando um atraente testemunho de
unidade “
para
que o mundo creia” (Jo 17,21).
-
Dom Caetano
Ferrari -
Bispo
Diocesano de Bauru
-
"Dia de Todos os Santos e Santas "
Artigo publicado na edição de 07 de novembro de 2010 do
Jornal da Cidade
H oje,
a Igreja nos convida a celebrar todos os santos,
canonizados ou não, que se alegram participando da
glória de Deus no céu.
-
Os santos são os nossos heróis, que viveram a
integridade da fé, realizaram obras de bem,
exercitaram-se na prática das virtudes e no combate
ao mal e foram fiéis no seguimento de Jesus Cristo
pobre, humilde, crucificado e ressuscitado.
-
Foram também corajosos e decididos no
acolhimento-resposta ao amor trinitário de Deus
revelado e demonstrado por Jesus, em palavras,
gestos e, especialmente, no mistério de sua Páscoa.
-
A galeria dos santos na Igreja é variada e rica de
personalidades de todas as épocas e nações, raças e
culturas, ricos e pobres, eclesiásticos e leigos.
Aos santos mais populares, cada um de nós pode
acrescentar outros nomes de sua devoção particular:
São Pedro, São Paulo, São João, São Francisco, Santo
Antônio, Santa Clara, Santa Teresinha, Santo
Agostinho, São Sebastião, São Crispim, Santa
Paulina, Santo Antônio Galvão, etc.
-
De muitos modos os santos testemunharam a sua fé.
-
Alguns pelo martírio, outros pela caridade,
apostolado, consagração religiosa... Por isso a
Igreja os classifica segundo o modelo de sua
santidade. Por exemplo, há os santos Apóstolos, como
Pedro, Paulo e Mateus, os Mártires, como Sebastião e
Maximiliano Kolbe, os Confessores da fé, como
Basílio e João Crisóstomo, os Doutores na fé, como
Tereza de Ávila e Tomás de Aquino, os Missionários e
Pregadores, como Antônio de Lisboa e Francisco
Xavier, as Religiosas e leigas, como Catarina de
Sena e Edviges. Há santos Papas e Reis, como Pio X e
Izabel de Portugal, adolescentes e jovens, como
Tarcísio, Inês e Domingos Sávio, homens casados e
mães de família, como José e Mônica, e tantos outros
eremitas, operários, professores, médicos,
militares, juristas... O povo na sua devoção simples
tem o seu jeito próprio de homenagear seus santos
prediletos, como, por exemplo, Santo Antônio, o
santo casamenteiro e achador das coisas perdidas,
Santa Rita, a santa das causas impossíveis, Santa
Edviges, a santa dos endividados, Santo Expedito, o
santo dos casos urgentes, São Frei Galvão, o santo
das pílulas.
-
Mas em primeiro lugar e acima de todos os santos e
santas está Maria Santíssima, a Mãe de Jesus, aquela
que aceitou o humanamente impossível: conceber um
filho, Jesus, o Filho de Deus, pelo poder do
Espírito Santo. A este anúncio do Anjo Gabriel ela
deu a resposta paradigmática da verdadeira serva e
filha do Senhor:
“Eis aqui a escrava do Senhor. Faça-se
-
em mim segundo Sua vontade” (Lc 1, 38).
Ela é o nosso mais perfeito modelo de fé e a nossa
mais poderosa intercessora junto de Deus. Com justa
razão o povo cunhou este slogan que expressa bem a
força medianeira de Nossa Senhora:
“Peça à mãe que o Filho atende!”.
-
A multidão daquelas pessoas falecidas que nos
precederam na Casa do Pai e são santas, reconhecidas
oficialmente ou não, constituem-se para nós exemplos
e modelos de vida a serem imitados e, também, em
nossos protetores e intercessores nas necessidades e
no auxílio para seguirmos fiéis no caminho da
vocação à santidade à qual somos chamados, como
filhos e filhas de Deus.
Sigamos o exemplo de virtude e de vida cristã dos
nossos santos e santas. Supliquemos a intercessão
deles para que possamos prosseguir firmes no caminho
da santidade, como o de Santa Teresinha do Menino
Jesus que disse, pouco antes de morrer:
“Quero passar o meu céu, fazendo o bem à terra”.
-
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
-
"Santo Antonio de Santana Galvão "
Artigo publicado na edição de 24de outubro de 2010 do
Jornal da Cidade 
-
“P
ost
partum, Virgo, inviolata permansisti. Dei Genitrix,
intercede pro nobis” = Depois do parto, ó Virgem,
permaneceste inviolada. Mãe de Deus, intercede por
nós.
-
Assim se lê a jaculatória que vem escrita nas
“Pílulas de Frei Galvão” e dirigida a Nossa
Senhora, a quem o santo recomendava as pessoas a
invocar em suas necessidades.
-
Neste mês missionário de outubro, não se poderia
deixar de lembrar da festa de amanhã, dia 25, do
primeiro santo brasileiro nato, nascido em
Guaratinguetá/SP, no ano de 1739.
-
Desejo pôr em destaque um dos aspectos da
espiritualidade e apostolado de Frei Galvão. Além
de grande Pregador e Missionário, chamado por isso
de “Apóstolo de São Paulo”, e também de insigne
Confessor e Conselheiro, como destacado
“Missionário da Paz e da Caridade”, Santo Antônio
Galvão distinguiu-se como preclaro Místico e
Contemplativo, “Homem de profunda oração e filial
devoção a Nossa Senhora”.
-
Frei Galvão notabilizou-se, primeiramente, por uma
rica “espiritualidade franciscana e mariana”. Um
verdadeiro filho de São Francisco: homem de
oração, de vida simples e penitente.
-
Um devoto apaixonado de Nossa Senhora: no dia em
que professou na Ordem, fez “juramento de defesa à
Imaculada Conceição” como era costume naquele
tempo. Os Frades eram defensores do privilégio da
Conceição Imaculada, cujo dogma só foi proclamado
em 1854. Mas, 4 anos depois da ordenação
sacerdotal, Frei Galvão aprofundou aquele
compromisso, assinando com o próprio sangue uma
“Cédula irrevogável de filial entrega a Maria
Santíssima, minha Senhora, digna Mãe e Advogada”,
pela qual se consagrava “como filho e perpétuo
escravo” da Mãe de Deus.
-
Era uma espiritualidade que nasceu e se alimentava
de uma forte experiência de Deus. E se manifestava
em convicções e atitudes muito claras e firmes:
absoluta confiança na Providência Divina e
submissão total à vontade de Deus.
-
A partir dessa base, dá para entender bastante bem
de seu comportamento e ações. Era de obediência
irrestrita.
-
Nomeações e transferências: logo as assumia e se
punha a cumprir. Decisões de autoridades a seu
respeito: obedecia sem pestanejar. Vejam-se, por
exemplo, a nomeação e transferência para o
Noviciado de Macacu/RJ, e a ordem do Governador
quanto ao fechamento do Mosteiro e quanto a sua
expulsão da cidade, etc. O que entendia ser
vontade de Deus, como as inspirações da Irmã
Helena, co-fundadora com ele do Mosteiro da Luz,
corria logo para pôr em prática. Por traz havia
sempre a serenidade de quem, acima de tudo, confia
em Deus.
-
Podem ser vistas como expressões fortes da mística
e contemplação de Frei Galvão sua luta e empenho,
por mais de 40 anos, em favor da fundação do
Recolhimento da Luz e da formação e direção
espiritual das Irmãs para a vida contemplativa, e
sua fidelidade, por 60 anos, ao juramento de
servir à causa da Conceição Imaculada e propagar
sua devoção.
-
A quem lhe pedia uma bênção ou uma graça de Deus,
Frei Galvão recomendava invocar a Imaculada Mãe de
Deus, fazendo a pessoa engolir um papelzinho com a
invocação a Maria, sempre Virgem, em sinal de
confiança nela e de proclamação da mensagem da
Conceição Imaculada, escrita no papel.
-
Como é sabido, a pílula por si mesma não tem
nenhum poder miraculoso, ela só produz efeito se
for tomada não como uma forma de magia, mas como
sinal e expressão da fé e confiança em Deus por
Maria. É assim que ainda hoje as pílulas de Frei
Galvão têm ajudado muita gente.
-
Em todos os lugares anunciava o Evangelho e a
devoção à Imaculada. Não seria exagerado dizer que
a devoção a Nossa Senhora da Imaculada Conceição
de Aparecida, a partir de seu Santuário na pequena
cidade do Vale do Paraíba e ao lado de
Guaratinguetá, cuja imagem foi achada no Rio
Paraíba, em 1773, tivesse sido alimentada pelo
trabalho de difusão desta devoção por parte de
Frei Galvão.
-
Frei Galvão foi chamado “Apóstolo de São Paulo”.
Sua pregação tocava as pessoas e era acolhida pelo
povo de todos os lugares, que para ouvi-lo se
reunia em multidão.
-
O povo considerava Frei Galvão, ainda em vida, um
santo e, sendo assim, todos o chamavam “Padre
Santo”. Fama esta que não se extinguiu depois da
morte, mas perdurou por todo o tempo e o levou
primeiramente à Beatificação no Vaticano, em 1998,
e depois à Canonização em São Paulo, no dia 11 de
maio de 2007.
-
Para a glória da Santíssima Trindade, o louvor da
Imaculada Conceição de Nossa Senhora Aparecida,
Padroeira do Brasil, festejada no dia 12 de
outubro, e a honra de Santo Antônio Galvão, a ser
celebrado amanhã, no dia 25 de outubro.
-
Que a Mãe de Deus e o primeiro santo brasileiro
intercedam por todos nós brasileiros e todo o
santo povo de Deus. Amém!
-
Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
-
"Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho "
Artigo publicado na edição de 10 de outubro de 2010 do
Jornal da Cidade

-
-
A
missão da Igreja é evangelizar. Fundada por Jesus
Cristo, a Igreja é a comunidade dos seus discípulos,
isto é daqueles que lhe foram concedidos pelo Pai (cf.Jo
6,65) e que o próprio Jesus também os enviou à
missão:
“Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo
20,21).
Desde o começo, através dos séculos e até hoje, a
Igreja é a assembléia dos fiéis congregados no amor
do Pai, do Filho e do Espírito Santo, chamados e
enviados à missão:
“Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda
criatura” (Mc.
16,15).
-
Essa comunidade formada por Jesus para ser Igreja
missionária precisa, primeiramente, ser Igreja
comunidade do povo de Deus, que de fato ofereça ao
mundo o testemunho de uma comunhão, que não é
qualquer comunhão, mas uma comunhão inspirada no
paradigma da Trindade Santa. Porque somente a partir
do testemunho da vivência da espiritualidade e do
amor trinitário, do “veja como eles se amam”, é que
toda ação evangelizadora torna-se fecunda e produz
frutos. Dizemos, então, que a origem de toda missão
encontra-se em Deus-Trindade, na vontade do Pai que
do alto enviou a este mundo o seu Filho muito amado,
no modo como o Filho desempenhou essa missão e na
força do Espírito Santo que sempre esteve com Ele.
Jesus e o Pai enviaram sobre a comunidade dos
discípulos o Espírito Santo para estar sempre com
ela, como a alma da Igreja e o Espírito que a tudo
vivifica e a todos impulsiona à missão.
-
O testemunho da comunhão, da unidade, do amor a Deus
e ao próximo é a forma primeira e indispensável de a
Igreja e cada batizado evangelizarem, sem o qual
todo anúncio explícito do Evangelho será vazio e
inócuo. Somos uma “koinonia” (do grego:
comunhão/comunidade) no Espírito Santo de Deus:
“O que vimos e ouvimos, nós também vos anunciamos, a
fim de que também vós vivais em comunhão conosco.
Ora, nossa comunhão (koinonia) é com o Pai e seu
Filho Jesus Cristo” (1Jo 1,3).
-
Na oração sacerdotal, segundo São João, Jesus
aprofunda o sentido missionário da Igreja, chamada a
viver a unidade no amor e ser sacramento de
salvação, sinal visível do Senhor na História, capaz
de realizar no aqui e agora
“a vida eterna a todos que lhe deste! Ora a vida
eterna é esta: que eles Te conheçam a Ti, o único
Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus
Cristo” (Jo 17, 2-3).
-
Toda pessoa batizada é um missionário, chamado desde
o Batismo a ser discípulo e apóstolo de Nosso Senhor
Jesus Cristo. O verdadeiro missionário deixa-se
conduzir pelo Espírito Santo e por Ele plasmar-se
interiormente para assemelhar-se cada vez mais
segundo a imagem de Cristo, e assim poder seguir-lhe
as pegadas e ser enviado à missão.
-
O fiel discípulo de Jesus vive, como Ele, na escuta
da vontade do Pai e no espírito de oração e devoção.
Procurando ser “contemplativo na ação”, medita a
Palavra de Deus, faz a leitura atenta dos sinais dos
tempos, e pratica a solidariedade com os irmãos e
irmãs, especialmente com os pobres e desamparados
deste mundo. O missionário será sempre uma pessoa
espiritual, de vida com Deus, mas igualmente
inserido na história e comprometido com a causa do
Reino, que já está presente neste mundo; será,
portanto, uma pessoa caridosa, amorosa e
misericordiosa.
-
O missionário ama a Igreja como a sua mãe e as
pessoas como Jesus as amou e por elas deu a vida.
Todo missionário segue o itinerário de fé percorrido
pela Virgem Maria. Como primeira discípula de seu
Filho Jesus, ela esteve reunida com os Apóstolos, no
Cenáculo, recebendo com eles os dons do Espírito, e
é a Estrela da Evangelização, a missionária de
Jesus, que nos ensina e nos ajuda a evangelizar e a
encher a terra com o Evangelho de seu Filho, Jesus
Cristo. Amém!
-
Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
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"Missão na Cidade ou Pastoral Urbana"
Artigo publicado na edição de 10 de outubro de 2010 do
Jornal
Bom Dia
-

-
A “Missão na cidade” ou “Pastoral Urbana” é, hoje,
uma prioridade na Igreja, que deve ser assumida
corajosamente por parte dos ordenados quanto dos
leigos.
-
A cidade, hoje, se apresenta como um novo espaço
social que desafia a Igreja e questiona os nossos
métodos de evangelizar e fazer pastoral. Uma
realidade urbana de profundas mudanças sociais pôs
em reviravolta a vida das pessoas, principalmente,
no âmbito dos valores tradicionais referentes não só
à religião, mas também à família, ao mundo do
trabalho, às relações sociais, etc. O saudoso
teólogo Pe. Alberto Antoniazzi falava que a antiga
religião da “salvação” se transformou em religião da
busca pela “saúde”, das curas, consolos e
compensações utilitaristas. E o teólogo Pe. Comblin
afirma que apesar de o modo urbano ser marcadamente
individualistas e anti-solidário, estimulando
práticas religiosas individuais e intimistas, as
religiões necessitam promover a vida comunitária,
pois, sem o apoio do grupo é impossível garantir-se
a fidelidade a um compromisso.
-
Outubro, mês missionário, nos motiva a refletir
sobre o assunto, pois a missão de evangelizar é de
toda a Igreja, enquanto povo de Deus e enquanto cada
um de nós, individualmente. Duas metas direcionam
nossa missão na cidade: - valorizar a pessoa através
do Ministério da Acolhida, oferecendo atendimento
personalizado e fraterno, e também do Ministério da
Visitação, organizando visitas missionárias às
famílias, principalmente às batizadas, mas afastadas
da comunidade; e fortalecer em nossas comunidades
paroquiais e capelas a convivência fraterna, a vida
de oração pela Liturgia e Leitura Orante da Palavra,
e a promoção humana.
-
A Padroeira do Brasil e de todos os brasileiros,
Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a Missionária
do Pai, acompanhe com suas preces e bênçãos a nossa
Missão na cidade.
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Dom Caetano Ferrari – Bispo Diocesano de Bauru
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"Semana da Vida e Dia do Nasciturno "
Artigo publicado na edição de 03 de outubro de 2010 do
Jornal da Cidade
-

-
De
1 a 7 de outubro
está em curso a
Semana
Nacional da Vida,
tendo como
tema:
“Vida, Ecologia e Meio ambiente”.
E 8 de
outubro
fechará essa semana com o
Dia do
Nascituro.
-
A Semana
Nacional da Vida com o dia do nascituro tem por
objetivo pôr em evidência o valor e a importância da
vida, acima de tudo, o supremo e sagrado valor da
vida humana, dom de Deus.
-
Nestes tempos
em que a vida vem sofrendo enorme ameaça pelas
forças do mal (cf. Ap 12,4), dizia o saudoso Papa
João Paulo II, na sua “Carta
às Famílias”,
que nossa civilização se tornara, sob
-
alguns
aspectos, “civilização da morte”, contra a qual nós
cristãos deveríamos contrapor a “civilização do
amor” pelo anúncio de Nosso Senhor Jesus Cristo e de
seu Evangelho da Vida. E na
“Centesimus
Annus”,
o mesmo Papa chamava a atenção para o fato de que
“empenhamo-nos demasiado pouco em salvaguardar as
condições morais para uma autêntica ‘ecologia
humana’ que se
preocupe em primeiro lugar com a vida das pessoas
(n. 38). Para o enfrentamento contra essa tendência,
dizia ele, urge rever nossas relações com a criação,
com os outros, nossos irmãos habitantes do mesmo
planeta, e com o Criador.
-
Bento XVI, na
Mensagem para o dia mundial da paz de 2007, também
nos advertia quanto à ‘destruição do meio ambiente e
o uso egoísta e violento dos recursos da terra’ em
nome de um ‘desenvolvimento técnico-econômico’, por
isto mesmo um ‘desenvolvimento deficitário, não
integral e incentivador das capacidades destruidoras
do homem’ (n. 9). Nossa proposta, declarava ele, é
por um ‘desenvolvimento humano’ que integra a
dimensão ‘moralreligiosa’ como fundamental.
Preservar o humano no homem é absolutamente
necessário para que o homem não vire um animal, que
se devora um ao outro.
-
A “Centesimus
Annus” diz ainda: “A primeira e fundamental
estrutura a favor da ‘ecologia humana’ é a
família”... “como o ‘santuário da vida’ (que deve
ser protegida e promovida) porque “contra a
denominada cultura da morte, a família constitui a
sede da cultura da vida” (n. 39).
-
A vida humana é
sagrada e um bem supremo, “ela é, no mundo,
manifestação de Deus, sinal da sua presença,
vestígio da sua glória” (cf. Evangelium Vitae, 34;
Dignitas Personae, 8).
-
Quem é o
nascituro? Pois é aquele ser humano que está no seio
da mãe antes que ela lhe dê a luz. Esta vida humana
no ventre da mãe tem status ontológico e dignidade
como qualquer pessoa já nascida, e como tal deve ser
protegida e promovida desde a sua concepção até o
seu declínio natural.
-
Acontece,
porém, que a pressão procedente agora de autoridades
públicas e de centros de pesquisa, fazendo a
apologia do aborto e dos métodos de controle da
natalidade e das experiências com células
embrionárias, condenados e inaceitáveis, vem tomando
conta dos meios de comunicação social que na sua
maioria os aprovam e apóiam. E essa pressão é tanta,
tão veemente
e tão bem entabulada que vai fazendo a cabeça das
pessoas e criando um clima geral de evidência e
concordância. Todos nós assistimos estarrecidos,
principalmente via televisão, pessoas importantes,
jornalistas, artistas, médicos, professores,
políticos defenderem essas práticas como sinal de
progresso, de modernidade, de liberdade de pesquisa,
de laicidade do Estado, e como questão de saúde
pública e de autonomia e avanço da ciência. Os que
se opõem a elas, como a Igreja Católica, são
chamados de conservadores, atrasados, reacionários,
moralistas, bloqueadores do progresso científico.
-
Que nossa
sociedade é pluralista, secularizada e
dessacralizada nós sabemos; é inclusive nesta
sociedade, e não em outra, em que vivemos. Mas nós,
como pessoas de fé, não podemos concordar com essa
situação trágica demais e somos chamados a confessar
a nossa fé,
“estando sempre
prontos a dar razão da nossa esperança” (1Pe 3,15).
“Não podemos nunca nos conformar com a mentalidade
deste mundo” (Rm 12,2),
com uma
sociedade sem referências morais, com um humanismo
ateu, com um cientificismo erigido em nova religião,
com os direitos do homem instituídos em fundamento
das normas morais, aceitas e válidas enquanto
concordarem com a vontade democrática das pessoas,
sua visão de mundo, seus interesses. Segundo essa
corrente de pensamento, caberia, a comitês ou
tribunais de ética definirem as normas morais a
serem observadas pela sociedade, sem nenhuma
referência a Deus muito menos à moral cristã. À luz
da Palavra de Deus e da tradição viva da Igreja
semelhante ideia ou proposição nunca poderá ser
aceita. Tomando ainda o Papa João Paulo II, em sua
Carta Encíclica “O Esplendor da Verdade”, de 1993,
ele lembrava que a liberdade sempre depende da
verdade, aduzindo para embasar tal afirmação estas
palavras de Cristo:
“Conhecereis a
verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,32)(Cf nº
34). E
afirmava categoricamente que:
“A lei moral
provém de Deus e nele encontra sempre a sua fonte”
(nº 40),
concluindo que:
“A
verdadeira autonomia moral do homem de modo algum
significa a recusa, mas sim o acolhimento da lei
moral, do mandamento de Deus: “O Senhor deu esta
ordem ao homem...” (Gn 2,16)” (nº 41).
Daí que,
seguindo sua reflexão, a felicidade do ser humano
está em conformar a sua vida com a lei de Deus, e
inclusive ele nos convidava a rezar com o salmista:
“Feliz o
homem que põe seu prazer na lei de Deus, e nela
medita dia e noite. Ele é como árvore plantada junto
a riachos: dá seu fruto no tempo devido e suas
folhas nunca murcham; tudo o que ele faz é
bem-sucedido” (Sl 1,1-2).
-
Durante essa
Semana da Vida desenvolvem-se em nossas comunidades
várias atividades em favor da vida. Participe!
-
Dom Caetano
Ferrari -
Bispo Diocesano
de Bauru
-
"De olho nas eleições "
Artigo publicado na edição de 26 de setembro de 2010 do
Jornal da Cidade
-

-
As
eleições de outubro estão chegando e o voto tem
consequências. Votar bem é preciso, um voto
consciente na pessoa certa do partido certo, que
seja ético e esteja apresentando propostas certas
para o bem do povo. Bem se vê que não é fácil
fazer essa escolha. Esteja de olho atento, caro
leitor e eleitor, na propaganda eleitoral
habilmente chamativa e montada por marqueteiros
acostumados a maquiar pessoas e produtos, nas
promessas que até os santos desconfiam, nos
discursos empolados, cheios de empáfia e
presunção. Não se deixe levar pelas aparências,
pois, hoje, corremos o risco, tanto você quanto
eu, de votar no simulacro e não na pessoa real do
candidato. A
-
tecnologia do
marketing moderno nos vende o virtual, não o real;
a imagem, não a pessoa; o aparente, não o
legítimo; muitas vezes o falso, não o verdadeiro.
A coisa é tão bem feita que a gente acaba nem se
dando conta de estar sendo enganado.
-
Então para se
prevenir é bom prestar atenção e ficar de olho na
campanha eleitoral e nos candidatos. Nem pense em
não votar ou votar nulo, como sinal de protesto
pelo desencanto diante da crise de moral que
assola a política. A omissão é a pior forma de
fazer política, pois é permitir que as coisas
permaneçam como estão. Ao contrário, dê o seu voto
bem direcionado a favor da cidadania, do bem
comum, do Estado justo e solidário, da verdadeira
política, votando em candidatos éticos, honestos e
competentes, pertencentes a partidos sérios com
programas pautados
“na promoção
integral da pessoa e do bem comum” (nº 571,
Compêndio da Doutrina Social da Igreja)
e com coragem
de negar filiação a pessoas suspeitas e de cortar
na própria carne para expulsar de seus quadros
candidatos envolvidos em corrupção.
-
É claro que
há gente boa, honesta e competente, nem todos os
políticos são corruptos, mensaleiros, sanguessugas
ou “caixa dois”. Então saiba descobri-los e vote
neles, acreditando que é possível mudar a política
e mudar o Brasil.
-
Como bom
cristão e católico, você precisa também escolher o
candidato que defende a dignidade da pessoa e o
direito de todos à vida desde a concepção até a
morte, que tem uma história pessoal de
comprometimento com a luta pela justiça social, o
trabalho para todos, a justa distribuição de
renda, e o espírito público de bem servir ao povo
sem que o acompanhe a fama de orientar a vida pelo
levar vantagem em tudo e pelo defender interesses
particulares ou de grupos. No marco de nossa fé, o
candidato que a gente escolher deve
necessariamente defender e promover os valores e
convicções que compartilhamos.
-
O Papa Bento
XVI, na Encíclica
“Deus caritas
est”,
recorda que é dever da Igreja e de cada batizado
dar testemunho do amor de Deus no mundo,
construindo a comunhão, participando na luta pela
justiça e o direito e a promoção do bem comum. A
Igreja, diz ele, não busca o poder sobre o Estado,
mas à luz da fé forma a consciência para o
verdadeiro sentido da justiça, da política, dos
direitos fundamentais da pessoa humana e do
progresso que significa o desenvolvimento integral
do homem todo e de todos os homens. A fé, sendo
purificadora da razão, é que pode auxiliar a se
encontrar um melhor entendimento entre religião e
política, e orientar a participação dos cristãos
na política. A doutrina social da Igreja pede aos
cristãos que não fiquem à margem dessa luta,
lembra o Papa.
-
É claro que,
em relação à escolha dos Deputados Estaduais e
Federais, precisamos priorizar o voto útil em
favor dos candidatos que representam a nossa
região. E desde que passem, primeiramente, pelo
crivo daqueles critérios já mencionados: biografia
de vida, honestidade, ética, convicções pessoais,
compromisso social e com a reforma política etc.
Votar em candidatos locais para a Assembleia
Estadual e a Câmara Federal é seguir um princípio
correto e justo. Basta pensar que eles são
mais conhecidos entre nós, o que facilita a nossa
escolha, e se eleitos, serão nossos porta-vozes
mais qualificados porque conhecem melhor nossos
problemas e, inclusive, poderão ser cobrados,
acompanhados e avaliados mais de perto por nós na
sua atuação.
-
Lembrando as
palavras do saudoso Papa Paulo VI sobre a
política, dizendo ser ela uma das mais altas
expressões da caridade cristã, faço votos para que
você, prezado eleitor, exerça sua cidadania, com
responsabilidade cristã, comparecendo às urnas
para dar o seu voto consciente, como um gesto
concreto, do amor de Deus que está em seu coração,
única força capaz de construir a comunhão do povo
brasileiro e da Nação que desejamos.
-
Dom Caetano
Ferrari -
Bispo
Diocesano de Bauru
-
"Leitura Orante da Bíblia "
Artigo publicado na edição de 19 de setembro de 2010 do
Jornal da Cidade
-
O
método da “Leitura Orante da Bíblia” é antiquíssimo,
uma tradição da Igreja que atravessa séculos.
-
Vem de gerações
de judeus e cristãos que liam as Sagradas Escrituras
procurando nelas a Palavra de Deus para suas vidas,
no concreto da sua história pessoal e social. Uma
leitura feita em clima de diálogo e espírito de
oração, com os olhos voltados ao texto do Livro e
contexto da vida, o coração e a mente atentos à voz
do Senhor, mas deixados às manifestações de afeto e
gratidão, advindas do fundo da alma, com os desejos
de subir à contemplação e ao mesmo tempo descer às
ações do comprometimento ético e sóciotransformador.
A Igreja está hoje redescobrindo o valor e a
importância do método da “Leitura Orante”, inclusive
para avivar a leitura popular da Bíblia e fazer
crescer a vida de fé em nossas comunidades.
-
A Leitura
Orante, que se pode fazer individualmente ou em
grupo, realiza-se em quatro passos, resumidamente, a
saber:
-
1º passo –
Leitura: Ler pausadamente o texto bíblico,
procurando descobrir o que ele diz em si mesmo.
-
Situá-lo no
tempo e no espaço. Se possível, pode-se apoiar com a
leitura de algum bom comentário bíblico. É o momento
da escuta do texto.
-
2º passo –
Meditação: É “mastigar” o texto e sua mensagem, ou,
na imagem das vacas que depois de pastar devem
ruminar, é “ruminar” penetrando dentro do sentido do
texto, interpretando-o, assimilando-o,
identificando-se com ele. É responder à pergunta: o
que o texto diz no aqui e agora de nossa vida?
-
3º passo –
Oração: É o momento de responder ao Senhor. O texto
lido e meditado deve nos levar a dizer a nossa
palavra a Deus, a fazer a nossa oração. Seja uma
oração de louvor, gratidão ou súplica.
-
4º passo –
Contemplação: É adquirir um novo olhar sobre a vida,
Deus e os outros. É, por isso, um mergulho no
mistério de Deus, uma contemplação face a face de
Deus, que é satisfação e gozo espiritual, mas que
leva também às ações concretas de prática da
caridade e vivência do bem.
-
A “Leitura
Orante da Bíblia”, mais do que um método para se
entender bem o texto bíblico, é um meio, um guia, um
caminho para bem se compreender a vida.
-
Por meio dela,
o Livro da Bíblia ajuda-nos a ler o Livro da vida
com os olhos de Deus, move-nos à conversão, tira-nos
da cegueira e mostra-nos que Deus vive entre nós.
-
Não se começa
um exercício de “Leitura Orante” sem antes se
invocar o Espírito Santo, e só se termina louvando a
Trindade Santa, pois seu proveito depende mais da
graça de Deus do que do esforço humano.
-
Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
-
"Exaltação da Santa Cruz "
Artigo publicado na edição de 12 de setembro de 2010 do
Jornal da Cidade
-
“Do
mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto,
assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado,
para que todos os que nEle crerem tenham a vida eterna” (Jo
3,14-15).
Se não houvesse a cruz, Cristo não teria sido
crucificado nem atraído todos a si.
-
A
festa da Exaltação da Santa Cruz, no próximo dia 14,
é a festa da Exaltação do Cristo vencedor da morte e
do pecado por seu corpo dado e sangue derramado no
alto da cruz. Para o cristianismo a cruz é o símbolo
maior de fé, o símbolo de nossa identidade cristã.
Com os traços da cruz, todos nós nos persignamos
desde o momento do levantar até o deitar a cada dia.
Na cerimônia batismal o primeiro sinal de acolhida à
criança recémnascida é o sinal-da-cruz traçado em
sua fronte pelo Padre, Pais e Padrinhos, sinalando-a
para sempre com a marca de Cristo.
-
A cruz recorda o Cristo crucificado, o sacrifício de
sua Paixão, o seu martírio que nos deu a salvação.
Por isso é que, desde tempos antiquíssimos, a Igreja
passou a celebrar, exaltar
-
e venerar a Cruz. A Cruz de Cristo evoca, ainda, a
árvore da vida que se contrapõe à árvore do pecado
no paraíso, e se apresenta como signo mais perfeito
da serpente de bronze que Moisés levantou no deserto
para curar os israelitas picados pelas cobras,
porque O Filho do Homem nela levantado cura o homem
todo e todos os homens, o corpo e a alma dos que
nEle creem, e lhes concede a vida eterna.
-
A serpente do paraíso trouxe a infelicidade a este
mundo com o engodo da igualdade divina com que
incitou os pais da humanidade a comerem o fruto da
árvore proibida (Gn 3,17-19), e as serpentes do
deserto provocaram a morte dos filhos de Israel que
reclamavam contra Deus e contra Moisés (Nm 21, 4-6).
Arrependendo-se do seu pecado, o povo pediu a Moisés
que rogasse ao Senhor para livrá-los das serpentes.
O Senhor, que é bom e misericordioso, sempre pronto
a perdoar, ordenou a Moisés que erguesse no centro
do acampamento um poste de madeira com uma serpente
de bronze pendurada no alto, instruindo que todo
aquele que dirigisse seu olhar para a serpente de
bronze se curaria (Nm 21,8-9).
Jesus retoma esses símbolos do passado bem
conhecidos pelo povo (serpente, árvore, pecado,
morte) para dizer no
Evangelho da Liturgia da festa de hoje (Jo 3,13-17)
que no lugar da serpente de bronze pendurada no alto
de um poste de madeira Ele mesmo é quem seria
levantado no lenho da cruz. Se o pecado e a morte
advieram da insídia e veneno do demônio mediante os
símbolos da árvore proibida e da serpente do paraíso
e do deserto, ao contrário,
-
a bênção, a salvação e a vida eterna advêm do Cristo
levantado no alto da cruz de onde Ele atrai a si os
olhares de toda a humanidade.
-
Eis porque a Igreja canta nessa data:
“Santa Cruz adorável, de onde a vida brotou, nós,
por ti redimidos, te cantamos louvor!”
e na Liturgia das Horas:
“Mais altaneira do que os cedros, ergue-se a Cruz
triunfal: não traz um fruto de morte, traz a vida a
todo mortal”.
-
“Longe de mim gloriar-me a não ser na Cruz de Nosso
Senhor Jesus Cristo (Gl 6, 14)“.
-
Até o Calvário, a cruz fora tida como sinal de
vergonha, maldição, execração. Com a crucifixão de
Cristo, desde então, ela se tornou signo de triunfo
e vitória. Se da cruz vinha a maldição e a morte,
agora, da cruz vem todo o bem e toda a graça. O
Apóstolo Paulo aprofunda o mistério dizendo que a
cruz lembra a humilhação extrema de Jesus que se
despojou de sua
-
dignidade de ser igual a Deus,
“fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz”
(Fl 2,8).
E ele mesmo afirma que
“por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o
nome que está acima de todo nome. Assim, ao nome de
Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e
abaixo da terra, e toda língua proclame: Jesus
Cristo é o Senhor!” (Fl 2, 8-11).
Tendo tal compreensão da Paixão de Jesus e elaborado
tal teologia a respeito do mistério da Cruz,
torna-se perfeitamente compreensível a declaração de
Paulo aos Gálatas de que para ele sem a cruz de
Cristo não há glória possível. Oxalá nós, igualmente
com Paulo, possamos proclamar essa mesma fé e dela
viver para sempre. Pelo sinal da Santa Cruz, Pai e
Filho e Espírito Santo. Amém!
-
Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
-
"Mês da Bíblia"
Artigo publicado na edição de 05 de setembro de 2010 do
Jornal da Cidade

-
O
tema da Palavra de Deus perpassa setembro, o mês da
Bíblia. Se anualmente em setembro a Igreja põe a Bíblia
em destaque, é exatamente para conscientizar-nos de que
a Palavra de Deus deve ser importante sempre, pois ela é
ao mesmo tempo fonte de inspiração para a vivência
cotidiana da fé como também seu fundamento para toda a
vida.
-
A Bíblia, do grego “tá biblía” (os livros), é o livro
mais traduzido nas diferentes línguas, o mais
-
lido e popular do mundo, e talvez o mais estudado tanto
pelos crentes como texto sagrado da fé judaicocristã,
quanto pelos não crentes por sua ‘enorme influência na
cultura ocidental, no seu pensamento e no imaginário
artístico’. Há poucos dias, na tragédia dos mineiros do
Chile, Bíblias em miniatura (8cm de largura) foram
enviadas com outros sinais religiosos (orações, imagens,
terços) por meio de sonda para os 33 homens soterrados a
700m de profundidade na mina San José. Palavras Sagradas
para inspirar nas orações e fortalecê-los, no coração e
mente, enquanto, confiantes, aguardarão por quatro meses
o resgate.
-
A Bíblia é uma demonstração de que a Palavra de Deus é
eficaz: não só realiza o que diz, mas acima de tudo
executa a vontade de seu Autor e cumpre a missão que
dEle recebeu. Assim lemos em Isaías:
“...o
mesmo sucede à palavra que sai da minha boca: não
voltará para mim vazia, sem ter realizado a minha
vontade e sem cumprir a sua missão” (Is 55, 11). A
Bíblia revela em abundância que, em Deus, palavra e ação
estão sempre interligadas. O Gênesis é exemplo clássico:
Deus disse, façam-se a terra e o céu, a água e o ar, os
animais e o homem... e por sua palavra tudo se fez (cf.
Gn 1).
-
Deus, que se revelou por palavras e gestos, mostrou-se
mais extraordinariamente por meio do Filho, fato
ressaltado como se lê no prólogo da Carta aos Hebreus:
“Muitas
vezes e de modos diversos falou Deus, outrora, aos Pais
pelos profetas; agora, nestes dias que são os últimos,
falou-nos por meio do Filho... (Ele) sustenta o universo
com o poder de suas palavras” (Hb 1, 1-3). Que Jesus
Cristo é a Palavra de Deus também o diz claramente João
no prólogo do seu Evangelho:
“O
Verbo (isto é, a Palavra) se fez carne, e habitou entre
nós... Porque a Lei foi dada por meio de Moisés; a graça
e a verdade vieram por Jesus Cristo. Ninguém jamais viu
a Deus: o Filho unigênito, que está no seio do Pai, este
o deu a conhecer” (Jo 1,14;17-18).
-
Por isso, o nosso Catecismo afirma que em Jesus Cristo,
o Verbo Encarnado, isto é, Deus feito Homem, a revelação
de Deus está agora plenamente realizada, com toda a
verdade que é necessária para a nossa felicidade e
salvação devidamente completada. Deus, no entanto,
continua a nos falar pelo livro da vida que, iluminado
pelo livro da Bíblia, ajuda-nos a captar gradualmente
todo o alcance da nossa fé ao longo dos séculos (n. 9).
-
São Jerônimo (falecido no ano 420), o melhor escritor
dos Padres latinos, e que fez a primeira tradução da
Bíblia para o latim, já dizia que “Ignorar as Escrituras
é ignorar a Cristo”. Santo Agostinho (falecido em 430),
o maior dos Padres e o primeiro dos quatro grandes
doutores do Ocidente, disse também: “Se você quer ouvir
Deus, leia as Escrituras, se você quer falar com Ele,
então, reze”.
-
Dom Caetano Ferrari – Bispo Diocesano de Bauru
-
"Dia do Catequista"
Artigo publicado na edição de 29 de agosto de 2010 do
Jornal da Cidade

-
A
gosto,
que está chegando ao fim, é todo ele um mês
vocacional. A cada domingo refletimos sobre este
tema pondo em destaque algumas das mais importantes
vocações da vida. E fomos especialmente convidados a
reconhecer a nossa vocação, qualquer que seja ela, e
a agradecer a Deus por ela a começar pela vocação
comum, que recebemos desde o Batismo, o chamado à
santidade e ao apostolado. Vimos que, a partir desta
vocação comum, Deus nos chamou e chama a abraçar e
cumprir na vida, umas das muitas vocações
existenciais fundamentais para aprofundarmos a graça
batismal em cada um de nós e nos
-
realizarmos como pessoas. No fundo, as muitas
vocações
têm sua origem na Trindade Santa. É o Pai quem
atrai, o
-
Filho quem envia e o Espírito quem acompanha com sua
graça. E todas as vocações são caminhos de santidade
-
pessoal; elas nos são dadas para a plena realização
pessoal, a vivência ética e moral, o enriquecimento
e construção da
-
comunidade. Para realizarmos a graça batismal, Deus
chama cada um de nós a uma vocação especial, a um
convite
-
particular para participar de sua vida e de seu
Reino. Descobrindo essa vocação e realizando-a
estaremos servindo à
-
causa do Reino de Deus e edificando o Corpo místico
de Cristo; seremos o que Deus quer de nós e nos
tornaremos
-
felizes. A vocação mais comum é para a vida
matrimonial. A família é fonte de vida e berço de
todas as vocações. É
-
mediante a família, rica de afeto e amor, que
aprendemos a amar. E a partir da qual Deus suscita
para cada um de nós,
-
uma das várias vocações que nos leva, desculpe pela
insistência, à plena realização e felicidade na
vida.
-
Refletimos inclusive que a Igreja é uma Assembleia
de vocacionados, nela existindo chamados especiais,
muitos
-
ministérios e serviços, para o atendimento dos quais
o Espírito suscita entre os fiéis leigos não poucas
vocações,
-
capacitando-os com dons e carismas para bem servir a
Deus e seu santo povo. Por exemplo, os ministérios
ordenados do
-
bispo, padre e diácono, constituídos para o serviço
sagrado na Igreja, e os ministérios não ordenados
dos leigos e leigas
-
para atender à outra diversidade de necessidades
eclesiais, principalmente, na Liturgia, na
Evangelização e na Caridade.
-
Falamos também do chamado à Vida Religiosa
Consagrada
-
feminina e masculina, como dom especial dado por
Deus à Igreja. A Vida Consagrada que é carismática e
profética
-
enquanto é indicadora de caminhos e formas de
santidade e comunhão, e enquanto está na vanguarda
das ações humanizadoras e missionárias junto aos
pobres da sociedade e aos afastados da Igreja.
-
Fechando o mês das vocações, hoje, na Igreja se
celebra o Dia do Catequista. Uma vocação muito
especial,
-
que faz a gente lembrar-se do catequista ou da
catequista que nos educou na fé, preparando-nos à
recepção dos sacramentos da iniciação cristã
(Batismo, Eucaristia e Crisma). Queremos agradecer a
Deus por estes nossos catequistas e a multidão
deles, homens e mulheres, adultos e jovens, que
generosamente prestam esse serviço na Igreja,
catequizando
-
especialmente as crianças de nossas diversas
paróquias e comunidades.
-
A Igreja nos chama a valorizar a vocação e missão do
catequista, rezando por eles e suplicando a Deus que
não deixe faltar em sua Igreja catequistas, cheios
da graça e do Espírito Santo que possam levar nossas
crianças a conhecer, amar e servir a Deus na Igreja
e na sociedade.
-
Maria, humilde serva do Altíssimo e mãe de todos os
vocacionados, interceda por nós e faça desabrochar
sempre mais vocações para nossa Igreja. Amém!
-
Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
-
"Dia do Catequista"
Artigo publicado na edição de 29 de agosto de 2010 do
Jornal Bom Dia
-
Chegando
ao fim de agosto, mês vocacional, neste domingo, a Igreja
celebra o Dia do Catequista e reza pelos catequistas de
nossas comunidades, lembrando aqueles que nos catequizaram
na infância, particularmente, os que trazemos na lembrança
e saudade do coração. Quem não se lembra dos primeiros
professores que nos alfabetizaram e catequistas que nos
catequizaram?
Foram eles com os pais que plantaram em cada um de
nós os ensinamentos que estão na base da nossa vida e do
que hoje nós somos como pessoas, cidadãos e cristãos.
- Convidando-nos a
agradecer pelos catequistas, a Igreja nos convida a
rezar pedindo mais vocações para os ministérios
leigos, em particular do catequista, tão importante
na Igreja. Pois são os catequistas, homens e
mulheres, jovens e adultos, os que educam na fé e
preparam nossas crianças e jovens para a recepção
dos sacramentos da iniciação cristã (Batismo,
Eucaristia e Crisma).
- Que o Senhor, pela
Imaculada Conceição, nos conceda a graça de
colaborarmos com a missão catequética e
evangelizadora da Igreja.
- Dom Caetano Ferrari
- Bispo Diocesano de Bauru
-
"Dia dos Leigos"
Artigo publicado na edição de 22 de agosto de 2010 do
Jornal da Cidade

-
O
dicionário diz que leigo é aquela pessoa que, sobre
determinado assunto, desconhece ou conhece muito
pouco.
-
No meu caso, eu sou leigo em muitos assuntos, por
exemplo, em física quântica, no conhecimento da qual
sou zero à esquerda. Na Igreja, porém, leigo é
aquele que não é clérigo, não tem ordens sacras.
Retomando meu caso, eu, que sou leigo em física
quântica, não sou leigo na Igreja, porque sou
clérigo, isto é, tenho ordens sacras como padre e
bispo, além de pertencer ao estado religioso como
franciscano que sou.
-
Assim sendo, compreendemos o Concílio Vaticano II
quando afirma que “por leigos entendem-se aqui todos
os cristãos
-
que não são membros da Sagrada Ordem ou do estado
religioso reconhecido pela Igreja, isto é, (são
todos) os fiéis que,
-
incorporados em Cristo pelo Batismo, constituídos em
povo de Deus e tornados participantes, a seu modo,
do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo,
exercem pela parte que lhes toca, na Igreja e no
mundo, a missão de todo o povo cristão” (Lumen
Gentium, 31).
-
Perceba que os fiéis leigos e leigas na Igreja têm
uma particular e especial dignidade: revestidos do
múnus sacerdotal,
-
profético e real de Cristo, tendo na Igreja e no
mundo uma missão igualmente especial como povo de
Deus. E que o que
-
os distingue do Clero e dos Religiosos é a sua
‘índole secular’ de viverem no meio do mundo a vida
normal como “O próprio
-
Verbo encarnado quis participar da vida social dos
homens...
-
Santificou os laços sociais e, antes de mais nada,
os familiares, fonte da vida social, e submeteu-se
livremente às leis do seu país. Quis levar a vida
própria dos operários do seu tempo e da sua terra” (Gaudium
et Spes, 32). Jesus Cristo, embora sendo,
teologicamente, Deus, o Sumo e Eterno Sacerdote, Rei
do universo e Salvador da humanidade, foi,
sociológica e eclesiasticamente, um leigo. Não
pertenceu aos quadros sacerdotais do templo, nem aos
funcionais do governo de seu país.
-
Recentemente, o Documento de Aparecida, recordando
ensinamento de Puebla, México, que dizia que os
fiéis leigos
-
são “homens da Igreja no coração do mundo, e homens
do mundo no coração da Igreja” (DA 209), advertiu a
Igreja para
-
chamar os leigos “a participar da ação pastoral da
Igreja” (211), para isso oferecendo-lhes ‘sólida
formação doutrinal, pastoral e espiritual’ (212),
confiando com a sua ‘participação ativa e criativa
na elaboração e execução de projetos pastorais’, e,
portanto, ‘levando-os em consideração com espírito
de comunhão e participação’ (213). O Documento cita
aquelas palavras do Papa João Paulo II que dissera
que “A evangelização do Continente não pode
realizar-se hoje sem a colaboração dos fiéis leigos”
(213). E afirma que, para uma profícua atuação no
campo ‘do diálogo e das transformações sociais’, “É
urgente uma formação específica para que (os fiéis)
possam ter incidência significativa nos diferentes
campos, sobretudo ‘no vasto mundo da política, da
realidade social e da economia, como também da
cultura, das ciências e das artes, da vida
internacional, dos meios de comunicação e de outras
realidades abertas à evangelização’” (283).
-
Na oportunidade do Dia dos Leigos, desejo
cumprimentar e agradecer a todos eles e elas pela
atuação nas diversas frentes
-
de trabalho, serviços e pastorais sem os quais
nossas comunidades não funcionariam, porque, na vida
e missão da Igreja,
-
eles são absolutamente essenciais e importantes,
como sujeitos ativos da evangelização.
-
Nesta quarta semana de agosto, dedicada à vocação
para os ministérios e serviços leigos na comunidade,
queremos
-
rezar por todos os fiéis leigos e leigas e suas
famílias.
-
Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
-
"Dia dos Leigos"
Artigo publicado na edição de 22 de agosto de 2010 do
Jornal Bom Dia
 -
-
Etimologicamente, leigo vem do grego ‘laikos’,
significando ‘do povo’, ou melhor, ‘pessoa simples do
povo’. Daí que na Igreja leigos são todos os que não
receberam Ordens Sacras (padres, bispos e diáconos),
nem fazem parte do estado religioso reconhecido pela
Igreja (Religiosos), mas são simplesmente os fiéis
que, incorporados pelo Batismo a Cristo, constituem o
povo de Deus. A dignidade de todo fiel leigo vem do
Batismo, pelo fato de ser incorporado a Cristo e
partícipe, a seu modo, do múnus sacerdotal, profético
e real de Cristo, e por esta razão vocacionado a ser
no mundo ‘sal da terra’, ‘luz do mundo’ e ‘fermento na
massa’, e a exercer a missão de todo o povo cristão.
Sob o ponto de vista eclesiástico e sociológico Jesus
foi simplesmente um leigo, isto é, não pertenceu nem
aos quadros sacerdotais do templo nem aos funcionais
do governo de seu país. Nem por isso deixou de ser o
maior, o mais santo e o mais digno dentre todos os
homens. Teologicamente, pela fé, Ele é Deus e Homem. É
da identidade da vocação dos leigos a ‘índole
secular’: que eles “vivem no século, isto é,
empenhados em toda e qualquer ocupação e atividade
terrena e nas condições ordinárias da vida familiar e
social, com as quais é como que tecida a sua
existência” (Lumen Gentium, 31). O saudoso Papa João
Paulo II disse que a “Evangelização do Continente não
pode hoje ser feita sem a participação dos leigos”. O
Documento de Aparecida, então, convidando toda a
Igreja à conversão pastoral, apela aos leigos “a
participar da ação pastoral da Igreja” (DA
211). Cumprimentando e agradecendo os leigos de
nossas comunidades, queremos rezar por todos eles.
-
-
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
-
"Vida Consagrada Masculina e Feminina"
Artigo publicado na edição de 15 de agosto de 2010 do
Jornal da Cidade

-
O
tema das vocações perpassa todo o mês de agosto.
-
Hoje, solenidade da Assunção de Nossa Senhora, é o
dia do Religioso e Religiosa, e esta terceira
semana do mês é dedicada à oração, reflexão e ação
nas comunidades sobre as vocações à Vida
Religiosa, chamada também Vida Consagrada.
-
Os consagrados e consagradas são em geral os freis
e freiras, os irmãos e irmãs das diversas Ordens e
Congregações Religiosas da vida contemplativa e
enclausurada como os monges (beneditinos,
cistercienses, trapistas, etc.), ou as monjas e
irmãs (carmelitas, clarissas, concepcionistas,
etc.) e também da vida ativa, que articulam
‘oração e ação’, como os irmãos ou irmãs que atuam
em obras sociais (hospitais, asilos, creches,
etc.), na educação, cultura e comunicação social
(Escolas, Universidades, Meios de comunicação
social, etc.), nas pastorais (Paróquias,
Comunidades, etc.), na evangelização (Catequese,
Missão, etc.), na linha de frente (aonde ninguém
quer ir) e de fronteira (entre a vida e a morte)
cuidando dos pobres, desamparados e excluídos.
-
Caracterizam a Vida Consagrada: 1º) o carisma e
espiritualidade; 2º) a vida comunitária; e 3º) a
missão. Tomemos por exemplo o franciscanismo ou o
ideal franciscano (desculpe-me, é que sou
franciscano e faz parte do meu cotidiano).
Resumidamente, o franciscanismo consiste em viver
o santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo e
seguir os passos e a doutrina de Nosso Senhor
Jesus Cristo, como o fez São Francisco de Assis
(carisma). Seguir Jesus Cristo na oração e vida
com Deus (espiritualidade), na comunhão fraterna
(como fraternidade) e na missão (presença entre os
menores do mundo e apostolado missionário). Santa
Clara de Assis, que se considerava como uma
‘plantinha’ de Francisco, assumiu esse ideal do
santo, vivendo, como era próprio da época (Idade
Média), na clausura.
-
A Igreja aprovou esse ideal de vida de São
Francisco como um caminho de vida cristã e de
santidade para homens (Ordem dos Frades Menores –
OFM), para mulheres (Franciscanas, Clarissas e
Concepcionistas) e para leigos casados ou
solteiros (Ordem Franciscana Secular – OFS). Mas
há na Igreja outros caminhos, até mesmo uma
variedade enorme de carismas e
-
espiritualidades, como o dos Salesianos/as (São
João Bosco), Beneditinos/as (São Bento), Jesuítas
(Santo Inácio de Loyola), Missionários do Sagrado
Coração (Pe. Jules Chevalier), Apóstolas do
Sagrado Coração (Madre Clélia Merloni),
Rogacionistas, Marianistas, etc. Há também na
Igreja o surgimento de novos institutos religiosos
e novas comunidades de vida (Irmãs de Tereza de
Calcutá, Canção Nova, Comunidade Alfa e Ômega,
Toca de Assis, Missionários Inacianos de Santo
Inácio de Antioquia, Irmãos do Sagrado Coração de
Jesus, etc.). Como pedia o saudoso Papa João Paulo
II, devemos dar graças a Deus pela existência
entre nós da Vida Religiosa tradicional e pelo
florescimento de comunidades novas suscitadas pelo
mesmo Espírito Santo tanto no passado como nos
dias atuais. Tudo é manifestação do amor e bondade
de Deus que responde às necessidades de cada
momento fazendo surgir santos e santas que abrem
caminhos sempre novos de renovação da vida cristã
e para o bem do Corpo Místico de Cristo, a Igreja.
-
Deus é sempre a força impulsionadora desses santos
e desses carismas que nascem e subsistem na Igreja
para serem ‘sinal’, ‘parábola’ e ‘profecia’ do
Reino de Deus, com visibilidade exterior sempre
cambiável segundo o tempo e lugar, e na
diversidade de formas de vida comunitária,
apostolado e serviço que mais bem respondam às
necessidades e urgências da história, e às
esperanças da família humana.
-
Rezemos por todos os religiosos e religiosas para
que sejam testemunhas proféticas da presença de
Deus no mundo de hoje.
-
Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
-
-
"Dia do Religioso"
Artigo publicado na edição de 15de agosto de 2010 do
Jornal Bom Dia

-
-
Neste dia do Religioso e em toda a semana, a Igreja
nos convida à oração e reflexão nas comunidades em
favor das vocações para a vida religiosa ou
consagrada. Religiosos ou consagrados são os freis e
freiras, os irmãos e irmãs das diversas Ordens e
Congregações Religiosas que vivem em clausura
(Carmelitas, Concepcionistas, Beneditinos,
Cistercienses...) ou na vida ativa (Franciscanos,
Salesianos, Apóstolas do Sagrado Coração,
Rogacionistas...).
Os enclausurados priorizam a vida de oração e
penitência dentro dos mosteiros; os da vida ativa
articulam ‘oração e ação’, atuando na promoção humana
(hospitais, asilos, etc.), na educação, cultura e
comunicação social (colégios, universidades, meios de
comunicação social, etc.), nas pastorais (catequese,
liturgia, etc.), na evangelização e serviço aos
pobres, excluídos e abandonados (obras sociais, missão
ad gentes...). Mas todos são consagrados ao serviço de
Deus e do homem. As diversas configurações de vida
consagrada, as tradicionais surgidas no passado
(Franciscanos, Beneditinos, Missionários do Sagrado
Coração e Marianistas), ou as novas suscitadas nos
dias atuais (Irmãs de Madre Tereza de Calcutá,
Missionários de Santo Inácio de Antioquia, Toca de
Assis, Alfa e Ômega e Irmãos do Sagrado Coração de
Jesus) constituem a riqueza de dons, de mística e
espiritualidade, de formas de vida e comunhão
fraterna, de apostolado missionário e serviços
eclesiais para a maior glória de Deus e o bem de toda
a humanidade, com os quais o Espírito Santo do Senhor
enriqueceu e enriquece a sua santa Igreja. Rezemos
pelos religiosos para que eles sejam presenças
proféticas de Deus no mundo.
-
-
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
-
"Dia dos Pais"
Artigo publicado na edição de 08 de agosto de 2010 do
Jornal Bom Dia

- O Dia dos Pais nos
chama a contemplar as vocações para a vida em
família visíveis na tessitura concreta dos
relacionamentos entre seus membros: pai, mãe,
filhos, irmãos, avós, netos...
Como no Dia das Mães, o dos pais é também festa do
consumo, por imposição do fator econômico que
comanda tudo na sociedade secularizada. Na Igreja,
porém, neste domingo tem início a Semana Nacional da
Família.
- À luz da fé, se o
homem e a mulher vêm do Criador e para Ele são
orientados, Eva é posta ao lado de Adão e Adão de
Eva para um ao outro sinalizar o Outro, isto é, Deus
mesmo, Pai e Mãe de todos os humanos. Homem e
mulher, pelo matrimônio, são como que ‘sacramentos’
do encontro com Deus e do encontro de gerações, com
a dos filhos e a dos avós.
- Está aí implantado
no mais íntimo do coração humano o dinamismo do
amor, igual ao amor de Deus, que faz da pessoa um
ser de comunhão, ‘recebido de’ outro e ‘orientado’
para o outro. Um ser recebido dos pais e orientado
para o cônjuge e a família.
- Tão grande mistério
só poderia mesmo se realizar na diferença dos sexos
(homem-mulher), destinado à procriação (amor gera
amor) na fecundidade do amor como dom de um ao outro
(eu te amo), indissolúvel (matrimônio-família) e por
toda a vida (“não separe o homem o que Deus uniu”).
Sem a qual (família) desequilibra-se a pessoa e
crescerão homem e mulher sem alma e sem amor.
- “O futuro da
humanidade passa pela família”, disse-nos o Papa
João Paulo II. Salvemos a família. Apóie e participe
da Pastoral Familiar.
- Dom Caetano Ferrari
- Bispo Diocesano de Bauru
-
"Dia do Padre"
Artigo publicado na edição de 01 de agosto de 2010 do
Jornal Bom Dia

-
Na Igreja, agosto é todo ele um mês vocacional e
cada domingo é dedicado a uma das vocações
essenciais à vida cristã. Hoje é dia do Padre; no
dia 8, dias dos Pais e da vocação para a vida em
família; no dia 15, da vocação para a vida
consagrada masculina e feminina; no dia 22, da
vocação para os ministérios dos fiéis leigos; no
dia 29, da vocação para os catequistas.
-
A Bíblia é uma enciclopédia de vocações: profetas,
patriarcas, homens e mulheres como no Antigo
Testamento: Abraão, Moisés, Isaías, Jeremias,
Rute, Ester, Ana, e no Novo Testamento: Maria de
Nazaré, Isabel, João Batista, Pedro, Paulo. Também
o Israel antigo, enquanto povo de Deus, foi
vocacionado para a comunhão de vida com o Senhor.
E o novo Israel, povo reunido por Jesus Cristo,
nEle formamos a comunidade dos vocacionados
chamados à santidade e à vida divina e eterna. É a
vocação comum e universal à santidade que alcança
todo o que é batizado, a qual são também chamados
aqueles que deverão ser evangelizados pelos
missionários de hoje, principalmente os ministros
ordenados, os bispos, padres e diáconos,
auxiliados por uma multidão de agentes de
pastoral.
-
Hoje é o dia do Padre, particularmente do padre de
sua comunidade de fé, paróquia, cidade e diocese.
Ele precisa do seu reconhecimento e conta com o
seu apoio e colaboração. Ele renunciou a ter uma
família de sangue para servir, com tempo integral
e dedicação exclusiva, a Deus e seu santo povo, do
qual você e sua família fazem parte. Jesus teve
compaixão da multidão que era como ovelhas sem
pastor e disse: “Rezai ao Senhor da messe para que
envie operários, porque a messe é grande e poucos
os operários”.
-
Dom Caetano Ferrari – Bispo Diocesano de Bauru
-
"A Oração do Pai Nosso"
Artigo publicado na edição de de 24 de julho de 2010 do
Jornal da Cidade

-
O
s
discípulos pediram a Jesus que lhes ensinasse a
rezar. E Ele respondeu:
“Quando rezardes, dizei: Pai nosso que estais no
céu...”
É o que meditamos no Evangelho de hoje,
-
Lucas 11,1-13, em nossas comunidades de fé.
O Cardeal Ratzinger, antes de ser eleito Papa, fez
várias preleções sobre a Igreja em vários
lugares, inclusive no Rio de Janeiro, em 1990, que a
Editora Vozes de Petrópolis/RJ reuniu
-
num livro e o publicou com o nome de
“Compreender a Igreja hoje – Vocação para a
comunhão”.
-
Numa de suas falas, no Rio, comentando este pedido
que os discípulos fizeram a Jesus, o Cardeal
Ratzinger afirma claramente que, com este pedido,
eles têm consciência de já formar uma comunidade.
Este é o aspecto importante que o Cardeal quis
ressaltar que “toda comunidade tem uma oração
comum”, e lembrou que no Evangelho está dito:
“como também João Batista ensinou os seus
discípulos”.
Assim frisou Dom Ratzinger: “Eles (os discípulos)
ali estão como a célula inicial da Igreja, e nos
mostram, ao mesmo tempo, que a Igreja é uma
comunidade unida essencialmente pela oração – a
oração com Jesus, a qual nos proporciona a abertura
comum para Deus” (pg. 14). E continua explicando que
inicialmente
“Jesus constituiu Doze” (Mc 3,14),
que depois da ressurreição passaram a ser chamados
de “apóstolos”, e aos quais, segundo Lucas, se
acrescentaram os outros setenta e dois discípulos.
Que significam esses números? Responde o Cardeal
dizendo que o simbolismo é de “importância capital”:
Doze “é o número dos dozes filhos de Jacó, o número
das tribos
-
de Israel”. Jesus se apresenta como “o patriarca de
um novo Israel, cuja origem e fundamento os Doze
devem ser”. E lembra que a missão dada por Jesus a
estes doze é
“para estarem com Ele e para enviá-los” (Mc 3,14).
E por que setenta e dois? Ele explica que, segundo a
tradição judaica (Gn 10; Ex 1,5; Dt 32,8), setenta e
dois era o número das nações não judias do mundo.
Setenta e dois foram também os tradutores da versão
grega do Antigo Testamento, surgida em Alexandria,
que tornou “o livro sagrado de Israel na Bíblia de
todas as nações”.
Imagem simbólica também de que o novo Israel abrange
todos os povos. Se o Pai Nosso foi o ponto de
partida da oração da
nova comunidade reunida em Cristo, ressalta o
Cardeal, Jesus
deu um passo adiante, quando na véspera de sua
paixão, transformou “a páscoa de Israel em um culto
totalmente novo, o qual logicamente os separará da
comunidade do templo e
-
fundará definitivamente um povo da ‘Nova Aliança’”.
A Eucaristia é a celebração cultual da nova aliança
realizada no corpo e no sangue de Cristo. Como forma
cultual e sacramental de presença do único e mesmo
mistério pascal, está na origem e é o centro
permanente da Igreja que “une ‘os muitos’ que agora
se tornam povo em união com o único Senhor e seu
corpo
-
uno e único, de onde, consequentemente, resultam a
unicidade da Igreja e sua unidade” (pg. 15 a 17).
Com estas palavras, o Cardeal Ratzinger nos ajuda a
aprofundar o conhecimento do que Jesus fez para
fundar a sua Igreja.
-
E, ainda, para entendermos que a característica
essencial da Igreja é, em primeiro lugar, ser uma
comunidade unida pela oração criada e proposta por
Jesus Cristo, tendo o “Pai Nosso” como paradigma e a
“Eucaristia” “como fonte e centro de toda a vida
cristã”. No “Pai Nosso” aparece toda a beleza e
genialidade da nova maneira de rezar dos discípulos
de Jesus.
-
E “na santíssima Eucaristia está contido todo o
tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio
Cristo, a nossa Páscoa e o pão vivo que dá aos
homens a vida mediante a sua carne vivificada e
vivificadora pelo Espírito Santo” (Lumen Gentium,
11).
-
Sob a perspectiva oracional a Igreja vive do Pai
Nosso e da Eucaristia que alimentam a vida e a
missão dos discípulos e missionários e de nossas
comunidades paroquiais.
-
Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
-
"Marta e Maria"
Artigo publicado na edição de de 18 de julho de 2010 do
Jornal da Cidade

-
O
Evangelho da Liturgia de hoje (Lc 10,38-42) traz a
cena de Maria sentada aos pés de Jesus, como
discípula atenta na escuta do Mestre. Enquanto Marta
se agita preocupada
-
com os afazeres da casa, certamente preparando uma
boa refeição para Jesus e os doze que da Galiléia
subiam a Jerusalém, parando de passagem por Betânia,
a uns 15km da cidade santa. O visitante era ilustre,
aquele que ressuscitara Lázaro (Jo 11), o irmão
delas. Jesus era amigo pessoal dos três (Jo 11,5) e
na casa deles tinha prazer de se hospedar toda vez
que ia a Jerusalém.
-
Marta queixou-se com Jesus:
“Senhor, não te importas que minha irmã me deixe
sozinha com todo o serviço? Manda que ela venha me
ajudar” (v. 40).
-
E Jesus, no entanto, lhe respondeu:
“Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por
muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária.
Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será
tirada” (vv. 41-42).
-
Muita tinta já foi gasta por exegetas e místicos
para explicar o sentido das palavras de Jesus e sua
verdadeira intenção. Por muito tempo a interpretação
ficou por conta da diferença entre a vida ativa e a
vida contemplativa, como por exemplo dos consagrados
e consagradas, para sublinhar a superioridade da
vida contemplativa sobre a ativa e se exaltarem a
contemplação e a oração como mais dignas do que o
trabalho e as atividades pastorais. Mas o fato é que
nem
Maria iria entrar para a vida enclausurada
contemplativa, nem Marta se tornaria uma ferrenha
militante de alguma pastoral
social. Bem melhor aplica quem diz que a lição de
Jesus vale para todos, religiosos ou leigos, padres
ou fiéis, adultos ou jovens, homens ou mulheres,
você, caro leitor, ou eu. Não seria, portanto, uma
vocação especial, privilégio para alguns.
-
Compreende melhor a intenção de Jesus quem o
compreende chamando para uma vocação comum, válida
para todos os cristãos, naturalmente todos os que
desejam ser e viver como discípulos seus, qualquer
que for seu estado de vida e profissão.
-
Todo bom discípulo tem os ouvidos atentos à voz do
mestre, como na imagem das ovelhas e do Bom Pastor (Jo
10). Os discípulos conhecem a sua voz, distinguem-na
pelo timbre, sentem seu cheiro, seguem-no por onde
for, comem na sua mão, descansam aos seus pés,
sentem-se seguros junto a ele. E ele conhece cada um
dos seus como o Bom Pastor conhece suas ovelhas:
conhece cada um dos discípulos por seu nome, leva-os
a prados verdejantes e águas
-
cristalinas, cuida dos enfermos, defende-os contra
os inimigos, busca os extraviados e dá a vida por
eles.
-
Por isso, Maria não perdeu a oportunidade de ouvir
mais uma vez o Mestre. Sabe lá quantas vezes ainda
seria possível hospedar Jesus? Por isso, ela
escolheu a melhor parte, que é ouvir Jesus e acolher
a Palavra de Deus. Isso nos faz lembrar aquelas
outras palavras de Jesus: Não
só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai
da boca de Deus” (Mt 4,4).
-
No entanto, a bem da verdade, oração e ação são duas
atitudes complementares. A oração verdadeira leva à
ação e a ação eficaz necessita ser rezada, preparada
e avaliada junto de Deus. Alguém já disse: “Um
cristão que não reza, não é cristão; mas um cristão
que só reza, não reza”.
-
Marta e Maria encarnam duas atitudes complementares
e essenciais à vida cristã, que consiste em
equilibrar oração e ação. Poder-se-ia dizer como
Santa Teresa d’Ávila: “Se o amante em toda parte
ama”, o orante reza em todo lugar e a qualquer hora.
Também já se disse que há dois modos de rezar: com
os olhos fechados e as mãos postas, um; e com os
olhos abertos e as mãos ocupadas, outro.
-
Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
-
"Ecologia e Justiça"
Artigo publicado na edição de de 18 de julho de 2010 do
Jornal Bom Dia

- A ecologia social
trata das relações recíprocas entre o homem e o
seu meio social. Parte da seguinte constatação: os
desequilíbrios sociais afetam o equilíbrio
ambiental e ameaçam a vida na terra. E a
degradação da natureza, por sua vez, produz
desequilíbrios sociais. Óbvio, não?
- Ações individuais
são importantes, mas não bastam para resolver as
questões ambientais como poluição, destruição de
florestas e ameaça à vida e dignidade da pessoa.
Medidas sociais, políticas, econômicas e
científicas se fazem necessárias diante da
magnitude do problema ambiental.
- O primeiro passo é
o da conscientização. O mal abarca a todos, pobres
e ricos. Os mais ricos são responsáveis pela
degradação ambiental por seu consumismo delirante,
exagerado e injusto, que não só desperdiça e polui
como exaure a terra de seus bens, desertifica,
ameaça o equilíbrio do ecossistema e a vida.
Os mais pobres, pela carência e falta das
condições dignas de vida, de saneamento básico,
higiene e assistência à saúde, que geram miséria e
doenças.
- O Documento de
Aparecida conclama todos os povos, autoridades e
forças vivas da sociedade a resgatarem justiça e
ecologia como caminho de salvação da vida. A
melhor forma de equilibrar ecologia e justiça é
“promover uma ecologia humana aberta à
transcendência”, que respeite a vontade de Deus
que criou o mundo para todos e deu “destino
universal aos bens” (cf. DA 125-126).
- É buscar um
“desenvolvimento integral e solidário”, fundado
numa “autêntica ecologia natural” e no “evangelho
da justiça”; e lutar por “políticas públicas e
participações cidadãs que garantam a proteção,
conservação e restauração da natureza” ( cf. DA
474).
- Dom Caetano
Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
-
"Votar bem"
Artigo publicado na edição de de 11 de julho de 2010 do
Jornal da Cidade

-
T
erminada
a Copa do Mundo, e sem nenhum desprezo ao futebol,
vemos tomarem conta da mídia e das nossas ocupações
cotidianas as eleições do presente ano. O que é até
bom para esquecermos o mais rápido possível a
frustração pelo fiasco de nossa Seleção Canarinho na
África do Sul. Agora só resta esperar e se preparar
para a Copa de 2014, no Brasil, quando então
sonhamos levantar a taça de campeão, em desforra
pela perda da copa de 1950 para o Uruguai, em pleno
Maracanã. Nem pensar em não sermos campeões em 2014,
depois de 64 anos de espera para lavar nossa alma do
vexame de 50.
-
Quando o assunto são as eleições, votar bem vem à
tona, tanto como imperativo ético-moral de
cidadania, quanto como direito-dever comezinho de
responsabilidade mínima pelo bem da sociedade. Mas
votar bem não é tão solene nem tão simples assim.
-
Pois há muitos tipos de voto: comprado, trocado,
cabresteado, por amizade, ignorância,
desinteresse...
-
Há também o voto consciente e bem escolhido, que
prioriza a ficha limpa do candidato, suas ideias,
crenças e valores, o programa do partido, etc.
-
Os Bispos do Estado de São Paulo, regional sul 1 da
CNBB, emitiram orientações aos fiéis católicos para
uma participação consciente e responsável no
processo político-eleitoral deste ano. Uma lista com
dez pontos, como que os dez mandamentos para bem
votar. A Pastoral Diocesana Fé e Política está não
só fazendo a divulgação das orientações como também
ministrando encontros de conscientização sobre as
eleições. Se você tiver interesse, informe-se na
secretaria de sua
Paróquia.
-
Como um aperitivo, seguem aqui, sem comentários, os
dez mandamentos para bem votar:
-
1- O poder político emana do povo.
-
2- O exercício do poder é um serviço ao povo.
-
3- Governar é promover o bem comum.
-
4- O bom governante governa para todos.
-
5- O homem público deve ter idoneidade moral.
-
6-Voto não é mercadoria.
-
7-Voto consciente não é troca de favores.
-
8- A religião pertence à identidade de um povo.
-
9- A família é um patrimônio da humanidade e um bem
insubstituível para a pessoa.
-
10- Votar é importante, mas ainda não é tudo.
-
Naturalmente para bem se entender o conteúdo e
alcance de cada item, um aprofundamento de toda a
lista se faz necessário. Repito, a Pastoral Fé e
Política está à disposição para ajudar nessa
reflexão.
-
Poder-se-ia acrescentar mais um ponto: Na escolha de
Deputados, priorize os candidatos da nossa região,
de quem será mais fácil inclusive cobrar resultados,
se eleitos.
-
"Dia de São Pedro e do Papa"
Artigo publicado na edição de de 04 de julho de 2010 do
Jornal da Cidade

-
Liturgicamente a festa São Pedro e São Paulo, do
dia 29 de junho, é celebrada hoje. A festa de
hoje é mais de São Pedro, e a São Paulo fica
mais para o dia 25 de janeiro. São Pedro foi
escolhido por Jesus como o fundamento, a pedra
ou a rocha sobre a qual fundaria a sua Igreja:
“Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra
construirei a minha Igreja”
(Mt 16, 18). Eis porque hoje é o Dia do Papa,
festa
do primeiro e do atual Papa, Bento XVI.
-
Tu és
Pedro, a rocha da Igreja
O nome do Apóstolo era Simão, filho de Jonas,
casado, morador em Cafarnaum e pescador
profissional, no Mar da Galiléia ou Lago de
Tiberíades, como o seu irmão André. Foi Jesus
quem lhe mudou o nome de Simão para Pedro. Não
foi uma mera troca de um nome certo por um
apelido qualquer, como comumente ocorre em
ambiente familiar ou entre amigos. A mudança foi
para acrescentar-lhe uma outra identidade e
atribuir-lhe uma missão especial e bem
caracterizada.
Isso tudo nós sabemos ouvindo atentamente o
Evangelho da Missa de hoje, Mateus 16, 13-19.
Primeiramente, Simão confessou sua fé,
respondendo assim a Jesus:
“Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (v.16).
Somente para a gente
-
relembrar as circunstâncias, o fato ocorreu na
região de Cesaréia de Filipe, onde Jesus fizera
duas perguntas aos
-
discípulos, uma consultando a opinião das
pessoas a seu respeito, e a outra, a posição
deles mesmos:
“E vós, quem
-
dizeis que Eu sou?” (v.15).
Seguiu-se então aquela declaração firme de
Simão, antecipando-se aos demais discípulos.
-
Depois, em resposta, Jesus também fez uma
importante declaração, dizendo a Simão:
“Feliz és tu Simão, filho de
-
Jonas... Por isso Eu te digo que tu és Pedro, e
sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o
poder do inferno nunca
-
poderá vence-la” (vv. 17-18).
Simão, o galileu pescador, agora foi chamado por
Jesus de Pedro, isto é, pedra, sendo
-
constituído rocha ou fundamento da Igreja. Um
novo nome lhe foi conferido, significando a
missão especial e específica que
-
o Senhor queria atribuir a ele, um homem de
temperamento forte e com grandes qualidades de
liderança, mas ao mesmo
-
tempo humano, frágil e pecador.
-
Eu te darei
o poder das chaves, para abrir e para fechar
O nome novo, Pedro, que Jesus deu a Simão, foi
como que um rito, uma celebração de escolha e
consagração de Simão Pedro para a missão e o
serviço de apascentar o seu rebanho, de
administrar a comunidade dos fiéis, de presidir
e governar a Igreja. Pois, Jesus conclui o rito
da troca de nome, conferindo a Pedro, fundamento
da Igreja, o poder das chaves, isto é, o poder
de ligar e desligar, de abrir e fechar.
Continuando a sua fala, Jesus declara ainda a
Pedro:
“Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o
que tu ligares na terra será ligado nos céus;
tudo o que tu desligares na terra será desligado
nos céus” (v.19).
Na cultura e mentalidade dos povos nos tempos da
Bíblia, a figura das chaves simbolizava a
autoridade de quem é responsável pela guarda e
governo da casa, da cidade, da nação.
Sobretudo as cidades eram cercadas por muralhas
com grandes portais de entrada. Ter as chaves
significava ter o poder de decidir quem pode
entrar ou sair. As chaves para abrir e fechar,
para ligar e desligar, simbolizaram o poder e a
autoridade que Jesus conferiu a Pedro de
permitir ou impedir a alguém a entrada na
comunidade cristã, inclusive no Reino dos céus.
Um poder para ser exercido não isoladamente, mas
em colegialidade com os outros Apóstolos (Mt
18.18), sendo ele, contudo, a cabeça do Colégio
Apostólico.
-
Na festa de
São Pedro, a festa do Santo Padre o Papa
Numa sequência ininterrupta de Pedro a Bento XVI
são
-
267 os Papas da Igreja. Depois de Pentecostes,
Pedro assumiu de fato a direção dos Apóstolos e
da Comunidade dos fiéis, presidindo a Igreja,
como nos contam os Livros do Novo Testamento. O
ministério de Pedro é hoje exercido na
-
Igreja pelo atual Papa, Bento XVI. Ele vem
realizando esta importante tarefa de guiar,
proteger e congregar a comunidade
-
cristã católica no mundo inteiro. Sendo como
Pedro o “Vigário” de Cristo na terra, Bento XVI
desempenha um serviço legítimo e necessário em
prol da estabilidade, comunhão e unidade da
Igreja.
-
Por isso, caro leitor ou leitora, nesta festa de
São Pedro e do Papa, elevemos orações especiais
a Deus nas intenções
-
do nosso Papa, Bento XVI.
-
Sem esquecer o companheiro de festa, o Apóstolo
Paulo, tenhamos presente que Pedro e Paulo
representam duas
-
dimensões essenciais e complementares na Igreja:
a Instituição e o Carisma. Pedro é o rochedo, o
fundamento institucional
-
da Igreja, e Paulo é o missionário carismático
que leva o Evangelho aos gentios e incultura o
Evangelho.
-
Que os Santos Apóstolos Pedro e Paulo, que são
como que duas pilastras da Igreja, nos ajudem a
seguir Jesus Cristo
-
em comunhão com o sucessor de Pedro, o Santo
Padre o Papa, Bento XVI.
-
Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
-
"Ternura de Jesus"
Artigo publicado na edição de de 04 de julho de 2010 do
Jornal Bom Dia

-
- No Evangelho de
Marcos 6,7-13, assistimos a Jesus enviando os
doze Apóstolos à missão, dois a dois, para
anunciarem a Boa Nova da chegada do Reino de
Deus.
Na volta da missão, Jesus faz a revisão conjunta
com eles, depois de ouvi-los contar as proezas
dessa sua primeira experiência missionária:
“contaram tudo o que haviam feito e ensinado”.
Parece que estavam entusiasmados com o resultado
da missão. O Evangelho, que nos conta tudo isso,
é a continuação do capítulo sexto de Marcos,
vv.30-34.
- Havendo no lugar
muita gente, entrando e saindo, inclusive não
dando tempo nem para comer, conforme vai
narrando Marcos, Jesus convida os Apóstolos para
juntos se retirarem a um lugar deserto, a fim de
poderem descansar um pouco.
- Tomaram um barco
e, deixando para traz o povo, dirigiram-se para
o outro lado do mar da Galiléia na busca do tal
lugar deserto. No entanto, para surpresa geral,
lá estava à espera deles uma numerosa multidão.
Eram muitas pessoas que correram a pé e muita
gente que foi se juntando pelo caminho, e
chegaram antes.
- Mas a surpresa
não foi de desapontamento, como poderia parecer
à primeira vista, porque o passeio estava
comprometido. Talvez alguma coisa desse
sentimento passasse na cabeça de um e outro dos
Apóstolos. Mas não o sabemos.
- A surpresa
maior, no entanto, fica por conta da atitude de
Jesus, pois Ele encheu-se de compaixão por toda
aquela gente, porque eram como ovelhas sem
pastor. E esquecendo-se de tudo o mais, Jesus
“começou a ensinar-lhes muitas coisas” (v.34).
E logo depois fez a primeira multiplicação dos
pães para dar de comer a toda aquela gente
(vv.35-44).
Todo cristão é chamado a ser ternura de Deus em
meio ao mundo dos sem pão e sem pastor.
- Dom Caetano
Ferrari -Bispo Diocesano de Bauru
-
"Festas Juninas"
Artigo publicado na edição de de 27 de junho de 2010 do
Jornal da Cidade
-

-
No
mês das festas juninas, a Igreja festeja, desde
quando o Brasil era uma Colônia de Portugal,
três grandes Santos, muito queridos do povo
brasileiro: Santo Antônio (dia 13), São
-
João Batista (dia 24) e São Pedro (dia 29). A
festa litúrgica de São Pedro, porém, no atual
calendário, ela passa para o domingo que segue o
dia 29, ou seja, nesse ano ela será celebrada no
próximo dia 4 de julho, e juntamente com São
Paulo. A tradição da festa de Pedro e Paulo é
antiquíssima, vem da época das Catacumbas
romanas, quando os mártires cristãos eram
enterrados em cemitérios subterrâneos, fora da
cidade e em lugares escondidos. Pois, como
sabemos, ambos foram martirizados por causa da
fé, ao tempo do Imperador Nero. Pedro foi
crucificado de cabeça para baixo, a seu pedido,
porque desejava respeitar o divino Mestre. E
Paulo, por ser cidadão romano, optou pelo
privilégio de morrer decapitado. São Paulo é
também celebrado no dia 25 de janeiro. Talvez
por isso, na consciência do povo, o dia 29 de
junho é tido simplesmente como festa de São
Pedro. A Liturgia também favorece São Pedro,
pois os textos litúrgicos falam mais dele,
acentuando que ele foi escolhido por Jesus como
o fundamento, a pedra ou a rocha sobre a qual
Ele fundaria a sua Igreja (Mt 16, 18). Eis
porque esse dia é o Dia do Papa, festa do
primeiro e do atual Papa, Bento XVI. Sobre São
Pedro e o Santo Padre o Papa falaremos no
próximo domingo, dia 4.
-
P
eço
sua licença para voltar ao passado e recordar
meus tempos de menino vividos lá no sítio Santa
Maria, bairro do Dourado, na minha querida
Pirajuí, há mais ou menos uns 60 anos. Pois
nasci na roça e nela vivi meus dez primeiros
anos de idade. Tinha lá festa com fogueira,
rojões, bandeirinhas, quadrilhas e cantos
populares enaltecendo os santos ‘juninos’.
-
Também batata doce, amendoim, pipoca e quentão.
E havia os que passavam a pé, descalços e sem se
queimar, por sobre o braseiro quando a lenha já
se tinha queimado. E os adultos nos diziam e nós
acreditávamos que era milagre do santo.
-
Lembro-me que a grandeza da festa vinha de seu
caráter religioso; sua beleza, da criatividade
popular; seu encanto, da contemplação do céu
estrelado, do cheiro da natureza e da sensação
térmica advinda do contraste do fogo com a noite
friorenta; seu sentido, da reunião com os
vizinhos ao redor da fogueira, a
confraternização, a alegria e o encontro humano
que passava pelo encontro com a criação e levava
ao encontro com Deus. Todas estas experiências
enchiam nossos olhos de crianças com beleza e
poesia, nossos estômagos com gulodices, nossos
corações com emoções, nossos sonhos com
esperança. Impossível esquecer.
-
Nossas Paróquias Antonianas, Joaninas e Petrinas
mantêm vivas estas festas em nossos dias,
conservando-as vivas como cultura popular e,
principalmente, como expressões de fé e
religiosidade popular. Elas são celebradas
solenemente como festas religiosas e litúrgicas
por meio de novenas, tríduos, procissões e
missas; e como expressões da fé popular e
devocional, por meio de quermesses, quadrilhas,
danças e cantos chamados caipiras, não
pejorativamente mas como genuína cultura e
religiosidade popular.
-
Que Santo Antônio, São João e São Pedro
intercedam por nós vindo em socorro de nossas
necessidades e ensinando-nos a ser
verdadeiramente pessoas apaixonadas por Nosso
Senhor Jesus Cristo assim como eles o foram
enquanto viveram entre nós. Amém!
-
Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
-
"Santo Antonio, o Santo do mundo inteiro"
Artigo publicado na edição de de 13 de junho de 2010 do
Jornal da Cidade
-
N este
tempo das festas juninas, hoje, celebramos o
glorioso Santo Antônio, o Santo do mundo inteiro e
o mais popular no coração do povo brasileiro.
Santo Antônio foi famoso missionário no tempo de
São Francisco, grande orador sacro e insigne
mestre de Teologia. A pregação da alavra de Deus
acompanhada com obras de caridade marcou a vida
missionária desse Santo milagroso, tendo sido,
mesmo em vida, um grande taumaturgo (pessoa que
faz milagres). Sua pregação era arrebatadora, rica
de citações da Bíblia, que ele conhecia toda de
cor, e transmitida com a eloquência natural de
quem, um dia e por acaso, revelou possuir o dom da
oratória em grau elevado. Por onde ele passava,
como missionário itinerante, reunia multidões ao
ar livre, pois não havia Igrejas que comportassem
tanta gente, para falar sobre o amor de Deus, como
centro da vida de fé e origem do verdadeiro ser de
todo cristão: somos filhos de Deus e irmãos uns
dos outros. Convidava os infiéis à conversão,
corrigia os vícios, combatia os erros e defendia
com vigor a fé contra as heresias que grassavam na
época. Por seu grande amor a Jesus Cristo e à
Igreja conclamava todas as pessoas à unidade e
comunhão na verdadeira fé. Por trás de todo esse
seu ser e agir subsistia uma vida de intensa
oração e penitência com frequentes jejuns a base
de pão e água. Seu intenso apostolado não era
vazio, mas provinha de sólida vida de santidade,
comunhão perfeita com os ideais de São Francisco e
fidelidade absoluta à Igreja. Eis porque sua
pregação fora acompanhada de carismas e milagres
extraordinários que rapidamente corriam de boca a
boca entre o povo. Somente para recordar,
lembremos a pregação aos peixes que se reuniram na
beira da praia para escutá-lo, a prova da mula que
se ajoelhou diante da Eucaristia, o silêncio
imposto às rãs do charco que atrapalhavam as
orações dos Frades e o milagre dos pães que nunca
faltavam na mesa dos Frades apesar de sempre
distribuí-los aos pobres que batiam à porta do
Convento.
-
Tendo vivido intensamente, Santo Antônio não viveu
muito, morreu com 36 anos, no dia 13 de junho de
1231, na cidade de Pádua, Itália, onde se encontra
sepultado até nossos dias. A fama de santidade era
tão grande que em menos de um ano de seu
falecimento foi canonizado pelo Papa Gregório IX
na festa de Pentecostes, a 30 de maio de 1232.
Desde então, contam-se aos milhares os milagres e
as graças alcançadas por sua intercessão. Santo
Antônio, na ladainha em sua honra, é invocado com
títulos que recebera ainda durante a vida e que
retratam bem os fortes traços de sua
personalidade, santidade e genialidade, tais como:
Propugnador da fé, Arca do Testamento, Trombeta do
Evangelho, Doutor Evangélico, Mártir pelo desejo,
Restaurador da Paz, Martelo dos Hereges, Santo
Milagroso, Glorioso Taumaturgo...
-
Nos Sermões de Santo Antônio, que se encontram
publicados e disponíveis até hoje, podemos
conhecer muito de seus ensinamentos e
admoestações. Direciona nossa fé e oração para o
mistério da Santíssima Trindade: “Louvor ao Pai
invisível! Louvor ao Espírito Santo! Louvor ao
Filho Jesus Cristo, Senhor do céu e da terra, Alfa
e Ômega. A Eles glória, honra e reverência. Louvor
e bênção ao princípio sem fim. Amém!”. Mas diz que
a fé sem obras é morta: “A caridade é a alma da
fé. Se perdida, a fé morre”. Aconselha as pessoas
a não desanimarem nas provações: “A paciência é a
melhor maneira de vencer as dificuldades da vida”.
Indica o caminho para quem deseja chegar à
contemplação de Deus: “Há uma escada que leva ao
monte Tabor; ela tem seis degraus: humildade e
pobreza, sabedoria e misericórdia, paciência e
obediência”. Uma seleção desses ensinamentos de
Santo Antônio foi feita por Frei Clarêncio Neotti,
OFM, e publicada pela Editora Vozes, com o título
de “Ensinamentos e Admoestações – Santo Antônio de
Pádua”.
-
Como bom filho de São Francisco, Santo Antônio é
devoto de Nossa Senhora e nos ensina a invocá-la:
“Maria é nome amável aos anjos, terrível aos
demônios, salutar aos pecadores, suave aos
justos”. “O nome de Maria é júbilo no coração, mel
na boca, melodia no ouvido”. “Maria não afugenta
nenhum pecador, antes, recebe a todos os que se
refugiam nela e, por isso, é chamada Mãe de
Misericórdia: é misericordiosa para com os
miseráveis, é esperança para os desesperados”.
-
Santo Antônio de Lisboa e de Pádua, rogai por nós.
Amém!
-
Dom Caetano Ferrari – Bispo Diocesano de Bauru
-
"Santo Antonio"
Artigo publicado na edição de de 13 de junho de 2010 do
Jornal Bom Dia
-
De
Lisboa, onde nasceu e cresceu, ou de Pádua, onde
morreu e está sepultado, Santo Antônio, celebrado
dia 13 de junho, é o santo mais popular do Brasil,
o casamenteiro, achador das coisas perdidas e
grande taumaturgo. “Se milagres tu procuras,
pede-os logo a Santo Antônio. Fogem dele as
desventuras, o erro, os males e o demônio”.
- Morreu aos 36
anos, em 1231, sendo canonizado “Santo” um ano
depois. Em vida realizou proezas, que corriam de
boca a boca entre o povo. Por sua pregação
inflamada fora chamado Trombeta do Evangelho,
Martelo dos Hereges e Arca do Testamento; pelos
milagres extraordinários, Santo Milagroso,
Restaurador da Paz e Convertedor de Pecadores.
- Pregou aos peixes;
pôs uma mula de joelhos diante da Eucaristia; fez
calar as rãs que atrapalhavam a oração no
convento; multiplicou pães para dar aos pobres sem
que faltasse na mesa dos frades.
- No culto aos
santos há três aspectos: o de ação de graças a
Deus, admirável nos seus santos; o de imitação
como exemplo de vida a serem seguidos e o de
intercessão junto a Deus, aos quais o povo sofrido
busca ajuda nas suas necessidades.
- Na vida dos santos
a Igreja celebra o mistério de Cristo, pois,
neles, realizou-se a Páscoa. E ela rende louvores
a Deus pelas maravilhas que a graça operou em seus
santos, que lá no céu intercedem por nós.
- Na sua imagem, nas
Igrejas, os lírios simbolizam a divindade do
Menino Jesus que Santo Antônio traz no colo e a
quem neste mundo muito amou.
- Glorioso Santo
Antônio, insigne pregador e intercessor, rogai por
nós, para que sejamos dignos das promessas de
Cristo. Amém!
- Dom Caetano
Ferrari é bispo diocesano de Bauru
-
"O Amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo
Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5,5)"
Artigo publicado na edição de de 06 de junho de 2010 do
Jornal da Cidade
-
D
esejo
falar deste amor de Deus que é dom do Espírito
Santo, que dá liga de longa duração a todas as
coisas, aproxima o que é diferente, realiza a
união da diversidade, dá ordem ao caos,
-
fomenta a paz, opera o bem, constrói a
fraternidade, gera e promove a vida. E não daquele
que leva o nome de amor romântic
o,
que é uma doença fatal, nem é amor, mas paixão.
-
Deste, Deus nos livre. É o que li inclusive na
Folha de São Paulo, de 31 de maio de 2010, em Luiz
Felipe Pondé:
“O amor no sentido de ‘liga’ é cristão: doação,
esforço cotidiano, construção de vínculos. O amor
romântico é da ordem da tragédia (pathos)”
(Ilustrada, pg E8).
-
Para dizer o mais e o melhor do amor verdadeiro é
que dizemos: o amor vem de Deus, ou o amor é Deus,
ou Deus é amor. Dessa reflexão tirada da Bíblia, a
Teologia elaborou um ensinamento que ajuda a
compreender o mistério de Deus Trindade, Uno e
Trino ao mesmo
tempo: O Pai é quem ama, o Filho é aquele que é
amado, e o Espírito Santo é o amor com que se
amam.
-
Amor é, pois, o ser de Deus; Ele é amor em si e
para fora de si. Por amor Deus criou todas as
coisas, estabeleceu a harmonia cósmica, fez o
homem à sua imagem e semelhança, ordenou a
humanidade a ser um só povo, o seu povo, o povo de
Deus.
-
Depois, chegada a plenitude do tempo, foi por amor
que o Pai nos enviou o seu próprio Filho. O Filho,
quando nada mais restava a ser feito, por amor deu
a vida por nós e, constituído Senhor do Céu e da
Terra, derramou o Espírito Consolador a fim de
renovar a face da terra. E o Espírito Santo, que é
Deus Amor, derramou o amor de Deus em nossos
corações, e congregou a Igreja em comunidade de
amor, “Sacramento da comunhão da Santíssima
Trindade e dos homens”.
-
Não há, pois, amor maior do que este amor de Deus.
E o Espírito Santo que é amor na Trindade é também
amor no mundo, na Igreja, em cada um de nós.
-
Assim sendo, o Espírito Santo, que põe fogo nos
corações e torna-os sedentos, faz com que os seres
humanos procurem-se
uns pelos outros e todos por Deus. É força que
atrai as pessoas
à comunhão entre si; é força que as faz subir à
comunhão em Deus.
-
Mas o Espírito Santo é também o fogo de Deus que
queima na Trindade e une entre si o Pai e o Filho,
o qual Cristo trouxe à Terra e desceu em forma de
línguas sobre os Apóstolos. Esse mesmo Espírito
faz com que Deus saia para fora de si em busca da
criatura. Ele é, portanto, força de comunhão das
Três Pessoas Divinas em um só Deus; é força que
faz Deus descer à procura de comunhão de vida com
os humanos.
-
Li em “Grande Sinal”, nº de Maio-Junho/98, texto
do Pe. Nicola Masi, SJ:
“A sede do homem é subir, a sede de Deus é descer.
-
O homem precisa de Deus, mas Deus também precisa
dos homens (Bernanos)” (pg. 261).
-
Vem-me à lembrança o grito de nosso Pai São
Francisco – O amor não é amado!- para suplicar a
Deus, primeiro, para mim e, depois, para você,
caro leitor e leitora: Vinde Espírito Santo,
enchei os corações de vossos fiéis e acendei neles
o fogo de vosso amor!
-
Que o Espírito Santo, princípio motor e inspirador
de tudo, nos faça assumir, com generosidade e na
força de seu amor, todas as atividades, programas
e projetos que compõem o plano de vida e missão de
nossa Paróquia e da Diocese de Bauru, que tem como
padroeiro o Divino Espírito Santo. Amém!
-
Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
-
-
"Fica conosco, Senhor!"
Artigo publicado na edição de de 06 de junho de 2010 do
Jornal Bom Dia
-

-
Disseram os
discípulos de Emaús ao desconhecido que se pôs no
caminho com eles e que, enquanto lhes explicava as
Escrituras, deixava-lhes o coração arder: “Fica
conosco, pois cai a tarde e o dia já declina” (Lc
24,29). E Ele ficou, sentou-se à mesa com eles, e
partiu o pão. Então, os olhos se abriram e
descobriram que era o Senhor ressuscitado.
-
O papa Bento 16, em
Aparecida, fez sua esta súplica pelos bons frutos
da V Conferência: “Ficai conosco, Senhor,...
Estamos cansados do caminho, mas vós nos
confortais na fração do pão... Ficai em nossas
famílias..., quando ao redor delas se acumulam
sombras que ameaçam sua unidade e sua natureza...
Ficai com os pobres..., com nossas crianças e com
nossos jovens..., com nossos anciãos e com nossos
doentes. Fortalecei todos em sua fé, para que
sejam vossos discípulos e missionários!”
-
Recentemente, em
Brasília, o 16º Congresso Eucarístico Nacional nos
fez rezar assim: “Fica conosco, Senhor... Abre
nossos olhos para te reconhecermos no ‘partir o
pão’, sublime Sacramento da Eucaristia!
-
Alimenta-nos com o
pão da unidade. Sustenta-nos em nossa fragilidade.
Consola-nos em nossos sofrimentos, faze-nos
solidários com os pobres, os oprimidos e
excluídos... Com a humilde serva do Senhor, nossa
Senhora Aparecida, queremos ser promotores da vida
em plenitude!”
-
“Fica conosco” é a
oração que acompanhou nossos passos de fé cristã
até agora em 2010: Páscoa, Pentecostes, Congresso
Eucarístico Nacional e Corpus Christi.
Permaneçamos fiéis nesta mesma prece até o final
do ano, suplicando devotamente: “Fica conosco,
Senhor!”
-
Dom Caetano Ferrari
- Bispo Diocesano de Bauru
-
-
"Pentecostes"
Artigo publicado na edição de de 23 de maio de 2010 do
Jornal Bom Dia
-

- Depois da Ascensão,
Jesus continua presente entre nós. A exaltação de
Jesus, elevado ao céu, não significa que Ele se
ausentou de nós. São Mateus termina seu Evangelho
com as seguintes palavras de Jesus: “Eis que estou
convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt
28,20). Ora, isso significa que Ele continua
presente entre nós.
- A Ascensão deve ser
entendida não como uma despedida, mas como um jeito
de Jesus ir e, ao mesmo tempo, permanecer. Pois
Jesus não chegou ao fim da história, nem pode
chegar. O que se encerrou, sim, foi sua presença
visível neste mundo. Mas o Jesus Ressuscitado, o
Jesus da fé, continua sempre vivo e atuante na
Igreja e nas comunidades de fé.
- A partir da
Ascensão, a presença de Jesus se dá através da ação
das comunidades que creem nele, da obra
evangelizadora da Igreja, dos gestos e atitudes dos
Apóstolos e discípulos de hoje.
- Nascida do lado
aberto do Cristo na Cruz, a Igreja foi instituída e
manifestada à multidão no dia de Pentecostes, nos
diz o Concílio Vaticano II. “O Espírito Santo é a
alma vivificante da Igreja” (Ad Gentes, 4); a
enriquece com seus dons, a renova e santifica,
sustenta-a na fé e a impele à missão, reúne os fiéis
sob sua sombra e neles desperta a responsabilidade
pela construção da paz e do bem para todos.
- A Diocese de Bauru
tem como padroeiro o Divino Espírito Santo.
Celebrando neste domingo esta festa,
suplicamos seus dons. Sendo Pater Pauperum (Pai dos
pobres), sare-nos os corações e, Consolator Optime
(extraordinariamente Consolador), seja-nos “hóspede
da alma, doce alívio nos sofrimentos, no labor
descanso, na aflição remanso, no calor aragem”.
- Dom Caetano Ferrari
é bispo diocesano de Bauru
-
"Congresso Eucarístico Nacional"
Artigo publicado na edição de de 02 de maio de 2010 do
Jornal da Cidade
-

-
O
XVI Congresso Eucarístico Nacional - CEN, que
realizarse- á entre os dias 13 a 16 de maio de
2010, em Brasília, será o ponto alto da celebração
de ação de graças dos jubileus de ouro tanto da
cidade quanto da Arquidiocese de Brasília, ambas
nascidas no dia 21 de abril de 1960.
-
Inspirado na Palavra de Deus e nos ensinamentos da
Igreja, o Congresso tem por tema: Eucaristia, Pão
da Unidade dos Discípulos Missionários, e por
lema: “Fica conosco, Senhor!” (Lc 24,29). Os
discípulos de Emaús, depois da paixão de Jesus,
voltavam de Jerusalém para Emaús desanimados,
segundo se depreende das palavras com as quais
Cléofas, um deles, dirigiu ao estranho que se
aproximou enquanto caminhavam: “Tu és o único
forasteiro em Jerusalém que ignora os fatos que
aconteceram nestes dias em Jerusalém?... O que
aconteceu a Jesus, o Nazareno, que foi profeta
poderoso em obras e palavras... e como foi
condenado à morte e o crucificaram... Ele, então,
lhes disse: ‘Insensatos e lentos de coração para
crer tudo o que os profetas anunciaram! Não era
preciso que o Cristo sofresse tudo isso e entrasse
em sua glória?’... Aproximando-se do povoado já
tarde do dia, eles insistiram com o desconhecido,
dizendo: ‘Permaneça conosco, pois o dia já
declina!’... E, uma vez à mesa com eles, tomou o
pão, abençoou-o, depois partiu-o e deu-o a eles.
Então seus olhos se abriram e o reconheceram... E
disseram um ao outro: ‘Não ardia o nosso coração
quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava
as Escrituras?’” (Lc 24, 13-32).
-
Pois bem, o Congresso Eucarístico Nacional quer
ser momento privilegiado de encontro com Jesus que
se apresenta incógnito sob as aparências do pão e
do vinho não só aos brasilienses, mas a todos os
brasileiros. Lá na Capital Federal do Brasil,
Jesus Eucarístico levantado no alto da Cruz
transformada em Ostensório nos convida: “Vinde a
mim todos os que estais cansados sob o peso do
vosso fardo e vos darei descanso. Tomai sobre vós
o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e
humilde de coração, e encontrareis descanso para
vossas almas, pois meu jugo é suave e meu fardo é
leve” (Mt 11, 28-30). Os encontros importantes na
vida, individuais ou familiares ou sociais, devem
ser bem preparados e com a devida antecedência.
-
Desde crianças aprendemos na escola com a leitura
do “Pequeno Príncipe” sobre o encontro entre
amigos: se você prometeu vir amanhã, desde hoje
estou à sua espera; se você vai chegar às 4 horas,
desde cedo anseio por sua chegada. Pois, tão bom
quanto o momento do encontro, uma celebração
festiva da presença, é o tempo da espera, pleno de
sonhos, anseios e desejos.
-
Para você se preparar bem para o XVI Congresso
Eucarístico Nacional, participando de perto ou de
longe e ansiando por encontrar-se com Jesus
Eucarístico, entre na comunhão de orações, fazendo
sua essa oração recolhida da do Papa Bento XVI,
que a fez na inauguração da V Conferência Geral do
Episcopado da América Latina, em Aparecida, no ano
de 2007:
-
“Fica conosco, Senhor!
-
Porque nem sempre sabemos reconhecê-lo; porque as
sombras se tornam densas e a desesperança se
insinua nos corações; e muitos discípulos estão
cansados: Fica conosco, Senhor!
-
Quando a nossa fé católica se abala e nos
afastamos da verdade; quando nossas famílias são
assaltadas pela divisão, o sofrimento e a morte; e
a vida humana é ameaçada em seus momentos mais
delicados: Fica conosco, Senhor!
-
Fica, Senhor, com os irmãos e irmãs brasileiros
mais vulneráveis; os pobres, os indígenas, os
afro-descendentes; fica conosco, Senhor, com
nossas crianças e jovens, anciãos e doentes!
Queremos permanecer contigo, como teus discípulos
missionários”
-
Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
-
"Sementes de Esperança"
Artigo publicado na edição de de 25 de abril de 2010 do
Jornal da Cidade
-
No
último dia 20, a irmã morte, como a chamava São
Francisco de Assis, nos levou nosso querido Padre
Carlos Antônio Pessoa. Foi surpresa, sem que
esperássemos, e é uma grande perda para nós. A
Diocese de Bauru perdeu um de seus melhores padres,
e exatamente quando ele ainda se encontrava na etapa
da vida mais produtiva, aos 46 anos de idade e 20 de
Padre, em que mais conta, especialmente para os
padres, a maturidade
-
humana,
espiritual e pastoral. Pe. Carlos encontrava-se, de
fato, neste ponto alto da sua vida sacerdotal. A
morte, porém, foi a vontade de Deus.
-
Entre as tantas
coisas boas que Pe. Carlos fez e deixou para nós
estão alguns livros de espiritualidade: Chamas de
Oração, Tempo de Rezar, O Dom da Amizade, Quando o
Coração fala... Não que ele escrevesse primeiro para
publicar, ao contrário, primeiro suas mensagens eram
proferidas nas homilias e meditações com as quais
animava e inspirava as celebrações litúrgicas.
-
Por exemplo,
Sementes de Esperança, outro de seus livros que
agora tenho em mãos, é uma coletânea de reflexões
proferidas por ele nas Horas Santas e Missas
celebradas no tempo em que esteve na Paróquia São
Benedito. Publicou-as, diz ele na introdução, para
atender aos pedidos das pessoas que gostavam de suas
prédicas cheias de sabedoria e piedade e vinham
pedir os textos por escrito.
-
Pois bem, nas
“Sementes de Esperança” encontrei esse seu
pensamento a respeito da oração, necessária também
para bem se poder cumprir a vontade de Deus: “É
preciso estar sempre em oração, para que nos
momentos difíceis você possa dizer: ‘Senhor, eu não
te entendo, mas eu confio em ti’. E esse confiar em
Deus não pode ser apenas palavras, mas muito mais
uma tomada de consciência, atitude e coragem. E como
Jó,
-
poder
pronunciar: ‘O Senhor deu, o Senhor tirou. Bendito
seja o nome do Senhor’ (Jó, 1,21b)”. Ainda que para
nós seja difícil entender a morte precoce de Pe.
Carlos, está ele nos dizendo, como sempre
aconselhou, para confiarmos em Deus e em tudo
bendizermos o seu santo nome, mesmo quando é difícil
entender.
-
Pe. Carlos
nasceu no interior do Rio Grande do Nortee
ordenou-se na Itália, assumindo como lema de ideal
sacerdotal “Amar e Servir”. Voltando ao Brasil, ele
optou livremente por ser missionário na Diocese de
Bauru para aqui entre nós “amar e servir” a Deus e a
seu santo povo.
-
Foi por 10 anos
Pároco da São Benedito, em Bauru, e há 6 anos estava
à frente da Paróquia Santa Luzia, em Duartina, e da
Paróquia São Pedro Apóstolo, em Lucianópolis.
-
Como
“ninguém vive
nem morre para si, mas para o Senhor; quer vivamos
quer morramos, pertencemos ao Senhor” (Rm 14,7-8),
Pe.
Carlos morreu como o justo que viveu da fé, fazendo
o bem, a todos servindo como irmãos e enchendo a
terra com sementes de esperança e amor, para ao fim
entregar-se ao Senhor na morte tanto quanto a Ele se
entregou na vida. E como é morrendo que se vive para
a vida eterna, que o Senhor o tenha na sua glória
eterna e que ele, de lá, interceda sempre por nós.
Amém!
-
Dom Caetano
Ferrari -
Bispo Diocesano
de Bauru
-
"Amar e Servir"
Artigo publicado na edição de de 25 de abril de 2010 do
Jornal Bom Dia
-
A
irmã morte corporal, como nos ensinou a chamá-la São
Francisco, nos levou, no último dia 20, o estimado
padre Carlos Antônio Pessôa, ainda em plena idade
produtiva, antes de completar 47 anos de vida, 20 de
sacerdócio e 17 de pertença à Diocese de Bauru e de
ministério exercido nas Paróquias São Benedito de
Bauru, Santa Luzia, de Duartina, e São Pedro, de
Lucianópolis.
- Jesus, que dera a
Marta e Maria as razões de fé e, portanto, de
consolo (Eu sou a ressurreição e a vida), no
entanto, Ele próprio chorou a morte do amigo Lázaro
(cf Jo 11, 1-44).
Mesmo crendo que o padre Carlos agora participa da
Páscoa definitiva com Cristo na casa do Pai,
choramos e vimos o povo chorar também a sua partida.
Perdemos um grande padre, um amigo sincero, um homem
de oração, um diretor espiritual de almas e um
zeloso pastor.
- Como o nascimento, a
morte faz parte da vida; se a morte explica como foi
a vida, é a vida, porém, que dá sentido à morte. A
morte do padre Carlos deu-se como a do justo, que
viveu da fé e passou por esse mundo fazendo o bem.
Como sacerdote seu lema foi “amar e servir”. Foi o
que fez enquanto viveu. Por isso, sua vida não foi
em vão, nem sua morte é um morrer sem sentido.
- Com o coração
apertado, mas agradecido, queremos, mais uma vez,
render graças a Deus pela vida, vocação e missão do
padre Carlos entre nós.
Um nordestino do Rio Grande do Norte que, deixando
pais e irmãos, abraçou como verdadeiro missionário a
Diocese de Bauru, para nela viver, amar e servir a
Deus e ao seu povo.
- Que o Senhor o tenha
em sua glória e de lá interceda sempre por nós.
Amém!
- Dom Caetano Ferrari
é Bispo Diocesano de Bauru
-
"Fé e coerência de vida"
Artigo publicado na edição de de 18 de abril de 2010 do
Jornal da Cidade
-
Apóstolo Tiago assim pergunta:
“De que aproveitará, meus irmãos, a alguém dizer
que tem fé, se não tiver obras?
-
Poderá a fé salva-lo?... Mas alguém dirá: Tu tens
fé e eu tenho obras. Mostra-me tua fé sem as obras
que eu por minhas obras te mostrarei a fé... Pois
assim como o corpo, sem o espírito, está morto,
assim também a fé, sem as obras” (Tiago, 2, 14-26)
.
-
A fé é uma virtude, e viver de acordo com esta fé
é ser virtuoso. Mas a relação entre fé e vida não
é tão simples assim. O que é ser virtuoso? O que é
virtude? Parece que as virtudes estão em baixa,
mas desde bastante tempo. Max Scheler, sociólogo
que escreveu, lá no princípio do século XX, a
“Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”,
disse que as virtudes seriam como
“velhas solteironas, rabugentas e desdentadas”.
No entanto, as virtudes têm a ver com a vida
cristã, com a saúde da vida moral, com o vigor de
uma vida em comunhão com Deus e com os irmãos,
enfim, com a plena realização do ser humano.
-
A fé, a esperança e a caridade, que são chamadas
virtudes teologais, perpassam por todas as demais
virtudes e estão na base do ser virtuoso e
constituem-se na força ou no vigor (virtus) para a
pessoa buscar a Deus, servir os irmãos e dar
sentido à sua própria vida.
-
O teólogo franciscano, Frei Antônio Moser, OFM,
escreve que o
“ser humano não se reveste de uma virtude, como de
um enfeite que se põe e tira. Somos ou não somos
virtuosos. É uma questão de ser, ou seja, é da
essência da pessoa. Fulano é honesto ou não é, é
confiável ou não é, é sábio ou não é...”.
-
Somente uma vida empenhada em fazer o bem é que
vale a pena de ser vivida. Fazer o bem é
esforçar-se para pôr em prática, além das virtudes
teologais, aquela rede de virtudes humanas a serem
aprimoradas ou adquiridas pelo empenho pessoal que
nos induzem a levar uma vida moral de retidão,
segundo a razão e a fé, em relação às pessoas e a
todas as coisas.
-
Nós dizemos que a virtude é, em suma, a força de
Deus atuando na história. Tudo na Sagrada
Escritura é uma fluente demonstração da força de
Deus agindo na fraqueza humana.
-
Jesus é a plena comunicação da força de Deus, pois
nEle se concentra toda a virtude do Pai. Eis
porque somente aqueles que aceitam Jesus, nele
crêem, confiam e tocam participam dessa força:
“Dele saía uma força que a todos curava” (Lc 6,
19).
-
Então, como ser, hoje, uma pessoa virtuosa que
vive da fé, na esperança e pela prática da
caridade? Como testemunhar coerência,
transparência e autenticidade de vida cristã?
-
Esta é uma questão séria, um grande desafio. Não é
fácil dizer, muito menos viver. Precisamos nos
perguntar se possuímos virtude, como um enfeite,
ou se é a virtude que nos possui e, então, não
temos uma, duas ou mais virtudes, mas tão somente
somos virtuosos. O melhor é examinarmos como é que
estamos vivendo, em que situação nos encontramos
em relação a alguns pontos de referência, que são
essências:
-
· Fé e vida são inseparáveis. Não se pode crer de
um jeito e viver de outro.
-
· A fé repercute em toda a vida e ilumina gestos,
palavras e ações, a vida pessoal, profissional,
familiar, o mundo da ciência, política, economia,
enfim, tudo, vida e morte.
-
· A fé é adesão pessoal e comunitária, ou seja,
acontece no seio de uma comunidade.
-
· A fé leva a assumir compromissos com a
transformação das estruturas iníquas e injustas da
realidade social, e com a construção do Reino de
Deus, uma sociedade fundada nos valores do
Evangelho.
-
· A fé, como todas as virtudes, cresce e se
desenvolve na pessoa pela oração constante, pela
participação nos Sacramentos e celebrações da
comunidade, pelo comprometimento solidário com os
pobres e excluídos.
-
· A fé é um dom e uma busca. Inscreve-se num
processo de conversão de vida, como uma caminhada
que compreende uma vida toda.
-
·
“A fé sem obras é morta”(Tg 2, 17).
-
Dom Caetano Ferrari
Bispo
Diocesano de Bauru
-
"Nossa casa: De nossa querida Igreja, não se pode falar
mal"
Artigo publicado na edição de de 18 de abril de 2010 do
Jornal Bom Dia
- Jesus, que passa e
chama, aos que o seguem, Ele não os deixa só, mas
os integra na comunidade dos seus discípulos, a
Igreja. O Papa Bento XVI disse em Aparecida
(2007): “A Igreja é nossa casa! Esta é nossa casa!
Na Igreja Católica temos tudo o que é bom, tudo o
que é motivo de segurança e consolo! Quem aceita a
Cristo: Caminho, Verdade e Vida, em sua
totalidade, tem garantida a paz e a felicidade,
nesta e na outra vida!”.
- Na Igreja vivemos
unidos a Cristo, porque ela é a fiel depositária
da Palavra de Deus, encarregada de levá-la até os
confins do mundo e por ela educar seus filhos na
fé; porque ela ministra os sacramentos que nos
salvam, especialmente, louva ao Pai, pelo Filho e
no Espírito Santo, quando reúne o seu povo na
oração e na Eucaristia; porque ela cuida de seus
fiéis congregados em comunidades de fé,
despertando em todos os irmãos e irmãs o espírito
de caridade fraterna e solidariedade com os pobres
e excluídos.
- Tantos são os
títulos que a teologia e a fé dão à nossa querida
Igreja: Sacramento de Salvação, Povo de Deus,
Corpo de Cristo, Templo do Espírito Santo,
Comunhão dos Santos, Casa do Pai, Nossa Casa,
Nossa Mãe, Santa e pecadora...
- Um dia, Dom Paulo
Evaristo Arns disse: “de nossa querida Igreja,
nossa mãe, não se pode falar mal”. E o Papa Paulo
VI assegurou: “Não se ama a Cristo se não se ama a
Igreja; e não se ama a Igreja se não a amamos como
Cristo a amou”.
- Desculpe
perguntar, mas são coisas que o tempo pascal
permite: como você se posiciona em relação à sua
Igreja?
- Dom Caetano
Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
-
"A Páscoa é fonte de profunda alegria"
Artigo publicado na edição de de 11 de abril de 2010 do
Jornal da Cidade
-
A
mensagem
da Páscoa é uma mensagem de grande alegria. Se o
anúncio do nascimento de Jesus foi uma alegria
para todo o mundo, mais ainda o é a mensagem da
ressurreição de Cristo. Lemos no Evangelho que as
mulheres ao verem o t
úmulo
vazio afastaram-se cheias de alegria. O Cristo
Ressuscitado é, de fato, o fundamento da
verdadeira alegria, que afasta toda tristeza,
medos e temores:
“O anjo,
dirigindo-se às mulheres, disse-lhes: Não tenhais
medo. Sei que procurais Jesus, o crucificado. Não
está aqui, ressuscitou como tinha dito...” (Mt 28,
5-6).
-
E no Evangelho
de Lucas:
“Por que
estais procurando entre os mortos aquele que está
vivo? Ele
não está
aqui. Ressuscitou!” (Lc 24,5-6).
Em
Pentecostes, Pedro discursou ao povo, dizendo que
Jesus de Nazaré, que todos viram e conheceram, que
foi aprovado por todos com prodígios e milagres,
que foi entregue, condenado e crucificado por mãos
dos ímpios, Deus o ressuscitou, e, desta verdade
ele e os Apóstolos são testemunhas (cf. At 2,
22-32).
-
Demonstrar
alegria, viver sempre alegremente, é revelar a
qualidade da vida cristã, da fé e esperança que
nos anima e sustenta.
-
1. A alegria
mede a qualidade da vida cristã
Assim como a
dor é um sinal sensível de alguma coisa errada com
a gente, a alegria é um sinal exterior de que tudo
está bem. E tudo estará melhor, se essa alegria
vier lá do fundo da alma, do íntimo de nosso ser,
cuja fonte é Deus. Alguém disse que a alegria é o
termômetro de nossa personalidade e saúde geral. A
alegria cristã é, então, esse termômetro de nossa
saúde espiritual e personalidade religiosa. A
alegria ajuda o viver bem, e o viver retamente
reforça a alegria, faz a vida mais alegre ainda.
Então, a gente pode entender aquele ditado popular
que diz:
“Um santo
triste é um triste santo”.
São
Francisco, que viveu em extrema pobreza e
penitência para mais bem se assemelhar a Jesus, é
conhecido como o Santo da perfeita alegria. Ele
ensinava aos Frades:
“Guardem-se
os irmãos de se mostrarem em seu exterior como
tristes e sombrios hipócritas. Antes, comportem-se
como gente que se alegra no Senhor, satisfeitos e
amáveis como convém a redimidos”.
-
2. Deus é a
fonte da alegria
Deus é a
fonte de alegria, porque Deus é nosso Pai, dizendo
de outro modo, porque nós somos filhos de Deus.
Deus nos criou por amor e para amar. A alegria é
fruto saboroso e bom de uma vida de amor. Eis o
esquema: mais amor, mais vida com Deus, mais vida
alegre e feliz. É por isso que Santo Agostinho
afirmou que os santos são felizes, porque
“trazem Deus
em si; as suas almas são um céu de alegria porque
Deus habita nelas”.
E o poeta
escreveu assim:
“Só há uma
tristeza: a de não sermos santos” (Leon Bloy).
Deus é
Pai, Deus é amor, Jesus tanto nos amou que deu sua
vida por nós, morreu, mas ressuscitou. E o
Espírito Santo derramou o amor de Deus em nossos
corações e habita dentro de nós como o Amor do Pai
e do Filho.
-
3. Ser
alegre, saber sorrir, fazer outros alegres e
felizes
Esta deve ser
a missão do cristão. Pois, o espírito pascal é
absolutamente incompatível com um rosto triste,
uma cara amarrada, uma cabeça inclinada, um
espírito deprimido. A Páscoa impulsiona-nos a
cantar cantos mais alegres, dançar danças mais
faceiras, viver com mais alegria, sabor e cor. Um
viver assim é irradiante, estimulador e gerador de
alegria. Como é bom conviver como uma pessoa
sempre alegre, contente, serena! Como é triste uma
pessoa triste! Como é decepcionante um bobo
alegre, uma pessoa que não distingue alegria
serena de gargalhada artificial. O Apóstolo Tiago
diz:
“Alguém entre vós está triste? Então reze! Está
alegre? Então cante!”.
Não há melhor
conselho do que este: cantar para aumentar a
alegria e rezar para afugentar a tristeza e
reencontrar a alegria perdida. É a melhor maneira
de responder à crítica irônica de Nietzsche aos
cristãos, que, como redimidos, dizia ele,
precisariam cantar cantos mais alegres, se
quisessem convencer e não passar por hipócritas.
-
Viver a
Páscoa, testemunhar a ressurreição de Jesus, dar
ao mundo as razões de nossa fé e esperança é
empenhar-nos a sempre ser alegre, saber sorrir,
fazer outros alegres e felizes também.
Alegremo-nos,
pois Cristo, nossa Páscoa, ressuscitou
verdadeiramente, aleluia!
-
Dom Caetano
Ferrari -
Bispo
diocesano de Bauru
-
"Cristo ressuscitou"
Artigo publicado na edição de de 11 de abril de 2010 do
Jornal Bom Dia
-
Essa
é a fé que foi vivamente proclamada por Pedro e os
Apóstolos: “O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus...
Disso somos testemunhas” (At, 5, 30 e 32).
-
A fé na ressurreição de Jesus
fundamentou, desde o início, a comunidade cristã de
Jerusalém, uma comunidade caracterizada pela unidade
e comunhão, onde os bens eram postos em comum, de
modo a não existirem indigentes entre eles: “A
multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma”.
-
A comunidade primitiva de
Igreja continua sendo o ideal de comunidade sempre
sonhada e buscada, o paradigma utópico de Igreja e
de comunidade humana.
-
A espiritualidade que nasce
dessa fé no Ressuscitado nos leva a uma intimidade
profunda e comunial com Deus Trindade. Pois é Jesus
quem nos leva ao Pai por meio do Espírito Santo.
Santo Irineu ensinava que o Filho e o Espírito são
as “mãos” do Pai, os mediadores únicos e necessários
a nos levar ao Pai.
-
Ora, a espiritualidade pascal
significa entrar na participação, num enraizamento
de vida com a vida do próprio Cristo. Esse viver em
Cristo ressuscitado é um dom do Espírito Santo.
Participar da vida do Cristo ressuscitado é, pois,
um viver em Cristo: “Já não sou eu que vivo, é
Cristo que vive em mim”, e um agir e operar segundo
o Espírito de Cristo.
-
Por conseguinte, é sempre
operar o bem, agir em favor da vida, evangelizar os
pobres, proclamar a libertação, anunciar a graça e a
salvação da parte do Senhor.
-
Dessa espiritualidade,
podemos, então, destacar três aspectos: comunhão,
testemunho e serviço. Busquemos sempre mais comunhão
de vida com Deus e os outros; sejamos testemunhas de
fé, esperança e amor; vivamos para servir e fazer o
bem.
-
Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
-
"Da Páscoa até Pentecostes: 50 dias de Aleluia"
Artigo publicado na edição de de 04 de abril de 2010 do
Jornal da Cidade
-
A
Páscoa é a festa da vida nova em Cristo
ressuscitado. Por sua paixão, morte e ressurreição,
-
Cristo venceu o pecado e a morte, abrindo os
estreitos horizontes da vida humana para a
-
eternidade e a plenitude de vida com Deus.
-
Participando do mistério de sua Páscoa, os cristãos
já receberam a remissão dos pecados e pelo Batismo
vivem uma vida nova em Deus. O Apóstolo Paulo
esclarece bem essa doutrina:
“Portanto pelo Batismo nós fomos sepultados com Ele
na morte para que, como Cristo foi ressuscitado
dentre os mortos pela glória do Pai, assim também
nós vivamos vida nova” (Rm 6,4).
-
Participar na morte e ressurreição de Cristo é
entrar na realidade desse mistério pascal, é viver
na dinâmica de uma graça poderosa, dom gratuito de
Deus dado a nós por seu Filho, Jesus Cristo, a graça
de morte para o pecado e, portanto, de vida e
liberdade espirituais, que nos conduz à vida eterna.
-
A Páscoa de Cristo, que é também a Páscoa dos
cristãos, é essa festa cristã celebrada durante 50
dias. Esses 50 dias, que formam o Tempo Pascal no
Ano Litúrgico da Igreja, são de pura festa pascal e
de ação de graças. São 50 dias de Aleluia.
-
Mas Deus, rico em misericórdia, que com Ele nos
ressuscitou, nos fez assentar nos céus, em Cristo
Jesus, nos ensina São Paulo (cf. Ef 2, 4-6). Vale
dizer que Jesus Cristo depois de nos ter associado à
sua ressurreição, desde já nos faz participar do
mistério de sua Ascensão. O Redentor, que em seu
corpo ascendeu aos céus, nos garante sentar com Ele
no reino dos
-
céus. Ao partir de volta para o Pai, Jesus prometeu
o Espírito, porque não quis deixar-nos órfãos, e lá
foi preparar-nos um lugar na casa do Pai. Contudo,
para termos assento com Ele no reino dos céus é
essencial crermos que Ele é a verdade, o caminho e a
vida, permanecermos unidos com Ele e tomarmos parte
nos seus mistérios no aqui e agora desse mundo.
-
A Ascensão do Senhor ao céu é celebrada no
quadragésimo dia depois da ressurreição. No entanto,
como no Brasil esse dia não é feriado, a solenidade
passa para o sétimo domingo da Páscoa, que neste ano
cai no dia 16 de maio. A Ascensão põe em evidência o
triunfo e vitória de Cristo. Jesus que é glorificado
desde a sua morte volta para junto do Pai. Por sua
vez, a humanidade,representada por sua Cabeça, já se
encontra assentada ao lado do Pai, participando da
glória que o Pai concedeu a Jesus Cristo.
-
Aos 50 dias da Páscoa, a Igreja celebra a solenidade
de Pentecostes. Tendo subido ao céu, Jesus envia
seus dons, conforme prometera:
“Descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará a
força e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em
toda a Judéia e Samaria, até os confins da terra” (At
1,8).
-
Convém sempre lembrar que Jesus Cristo elevado aos
céus encontra-se presente entre nós, especialmente
na Igreja, em seus Sacramentos, na Palavra de Deus,
na caridade e amor fraterno e solidário, e Ele mesmo
nos acompanha nessa nossa vida, na força do seu
Espírito, sustentando-nos na missão e concedendo-nos
a graça de já viver alegres pela esperança na
participação da sua glória para sempre.
-
Em louvor de Cristo Ressuscitado. Amém!
-
Feliz e abençoada Páscoa a todos!
-
Dom Caetano Ferrari -
Bispo Diocesano de Bauru
-
"Lava-pés, símbolo do Mandamento Novo"
Artigo publicado na edição de de 28 de março de 2010 do
Jornal da Cidade
-
“Se
eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós
deveis lavar os pés uns dos outros”. (Jo 13,13)
-
C
om
a Missa vespertina da Quinta-feira Santa tem início
a celebração do Tríduo Pascal, o ponto alto do Ano
Litúrgico, cujo topo é a Vigília Pascal, na qual
resplandece, iluminando toda a vida cristã, a
Ressurreição do Senhor.
-
Essa Missa
vespertina é a Missa da Ceia do Senhor,
que recorda aquela quinta-feira, à tardezinha,
em que Jesus reuniu os Apóstolos para com eles comer
a Ceia Pascal, como faziam as famílias hebréias, em
memória da libertação da escravidão do Egito.
-
Foi durante essa
Ceia Pascal que aconteceram coisas muito importantes
para a nossa fé. Jesus deu a conhecer todo o
mistério do seu amor, extravasando os seus mais
profundos sentimentos de bondade e dom de si a todos
nós.
-
Desse modo o
Apóstolo João começa narrando aqueles momentos da
Ceia Pascal:
“Jesus sabia que
tinha chegado a sua
hora de passar
deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que
estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1).
Que
significa amar até o fim? Certamente até à morte na
cruz, mas o fim de sua vida não foi a morte, porque
Ele não
-
permaneceu por muito
tempo na sepultura. A morte e ressurreição de Jesus
são, de fato, dois momentos distintos, mas
compreendem um só e mesmo mistério. Toda vez que
Jesus falou aos discípulos a respeito de sua morte
sempre completou dizendo: “depois de três dias,
ressurgirei dosmortos” Lc 18, 33). Até o fim
significa, então, até o mais profundo e o mais
elevado de sua Pessoa Divina, que transcende o
tempo, invade a eternidade e se perde no grande
mistério de Deus, Trindade Santa, Deus Trino e Uno,
Mistério de Amor. Até o fim quer dizer até o amor
sem fim de Deus. O Pai tanto nos amou que nos enviou
seu próprio Filho, a quem não poupou. O Filho
livremente se entregou por nós, corpo dado e sangue
derramado, para a nossa salvação. O Espírito Santo,
que procede do Pai e do Filho, é o amor feito
Pessoa, o Paráclito que o “Pai enviará em meu
nome, Ele vos ensinará tudo e vos trará à memória
quanto vos disse” (Jo 14,26). Tudo o que
aconteceu naquela quinta-feira santa, à tardezinha,
foi já a celebração antecipada (realizada em
Sacramento) da Páscoa do Senhor, sua morte e
ressurreição.
-
Pois, foi naquele
momento que o Senhor nos deu os dons mais preciosos
do céu e da terra, um sublime mistério divino
entregue a mãos humanas, a saber: a Eucaristia, o
Sacerdócio,
o Mandamento Novo e
o Lava-pés.
Dons dados para a
edificação da sua Igreja, a Comunidade de amor, a
ser alimentada pela Eucaristia e demais Sacramentos,
animada e
-
servida pelos
diversos ministérios, especialmente os ordenados, e
chamada a viver na caridade, na prática do
Mandamento Novo, no mesmo amor com que Ele nos amou,
lavando os pés uns dos outros como Ele mesmo nos deu
o exemplo: “Dei-vos o exemplo, para que façais a
mesma coisa que eu fiz” (Jo 13,15).
-
Jesus pôs água na
bacia, tirou o manto e cingiu-se com uma toalha e
lavou os pés dos discípulos, inclusive de Judas, o
traidor, que, logo depois, deixaria a sala. Não foi
pequena a surpresa dos Apóstolos em face ao gesto de
Jesus, tanto que São Pedro não queria permitir-lhe
que lavasse os seus pés.
-
Encerrada a
cerimônia, Jesus mesmo levantou a pergunta:
“Compreendeis o que acabo de fazer?” Dando a
explicação, Ele deixou claro que devem reinar em sua
Igreja a humildade e o serviço. E anunciou um novo
mandamento: “Um novo preceito eu Vos dou: que vos
ameis uns aos outros. Assim como Eu vos amei,
amai-vos também uns aos outros. Todos hão de
conhecer que sois meus discípulos, se vos amardes
uns aos outros” (Jo 13, 34-35). O “Lava-pés” é
um gesto de amor de Jesus, o símbolo do Novo
Mandamento deixado por Ele. Jesus, ao lavar os pés
dos Apóstolos naquela Ceia Pascal, quis unir a
Eucaristia ao serviço dos Irmãos, pois a Eucaristia
é a memória da vida de Jesus que se fez servidor.
-
Não é assim que
devemos compreender estas outras palavras de Jesus:
“O Filho do Homem não veio para ser servido, mas
para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”
(Mt 20, 28)?
-
Toda a vida de Jesus
foi um descer e abaixar-se até os pés da humanidade
para nos fazer subir e nos elevar até o Pai.
-
Bendito seja o
Cristo Jesus que nos deu a Eucaristia, o Sacerdócio
e o Mandamento Novo, com o lava-pés, para a
edificação de sua santa Igreja. Amém!
-
Dom Caetano Ferrari - Bispo da Diocese de Bauru
-
"Plano Nacional de Direitos Humanos - PNDH3"
Artigo publicado na edição de de 21 de março de 2010 do
Jornal da Cidade
-
 Para
quem não se lembra, este PNDH 3 (terceira edição) é aquele
Programa que o nosso caríssimo Presidente Lula, pouco
antes do Natal, decretou assinando o documento sem ler
-
e, assim, sem
ler o encaminhou ao Congresso Nacional.
-
Justificou-se
dizendo que deixara à Ministra Dilma Rousseff a
tarefa do discernimento quanto ao seu conteúdo e
mérito. As reações contrárias (lembra-se?)
vieram rápidas, algumas duras,
-
mas bem
embasadas, e da parte de diversos setores; e
continuam a acontecer até hoje.
-
O governo logo
teve de recuar para atender às reclamações das
Forças Armadas. Tratava-se da criação daquela
Comissão da Verdade para apurar as possíveis
violações dos direitos humanos durante o regime
militar. O Ministro ameaçou renunciar, e o
governo voltou atrás. Mas é incrível como o
governo resiste em rever absurdos quanto a
outros pontos. Cito aqui algumas das graves
ofensas aos verdadeiros direitos humanos que o
referido Plano propõe:
-
·Censura à
mídia, à imprensa, que passam a ser controladas
ideologicamente segundo o interesse do governo
de plantão.
-
·Atentado contra
o direito constitucional à propriedade,
justificando invasões em terras produtivas,
causando baderna e insegurança no campo.
-
·Descriminalização do aborto.
-
·Legalização da
união entre pessoas do mesmo sexo,
reconhecendo-lhe status jurídico equivalente ao
casamento, com
direito à adoção de crianças.
-
·
Profisssionalização
da prostituição.
-
·Proibição de
símbolos religiosos em lugares públicos, como os
crucifixos em repartições públicas.
-
Bastam estes
pontos para o objetivo desta reflexão, que é de
chamar a atenção para a gravidade do Documento
ao menos sob o ponto de vista dos valores
cristãos e éticos. A CNBB, sob essa ótica, já se
pronunciou firmemente contra o Documento.
-
Desejo
repercutir aqui a posição da Igreja, manifestada
pela Presidência da CNBB com a Declaração sobre
o PNDH 3 por ela assinada aos 15 de janeiro de
2010. “A CNBB reafirma sua posição, muitas vezes
manifestada, em defesa da vida e da família, e
contrária à discriminação do aborto, ao
casamento entre pessoas do mesmo sexo e o
direito de adoção de crianças por casais
homoafetivos. Rejeita, também, a criação de
‘mecanismos para impedir a ostentação de
símbolos religiosos em estabelecimentos públicos
da União’, pois considera que tal medida
intolerante pretende ignorar nossas raízes
históricas”.
-
Segundo a
doutrina cristã e católica, a pessoa humana é
sagrada, desde o momento de sua concepção até o
seu fim natural, porque criada à imagem e
semelhança de Deus, redimida por Cristo e
vocacionada à comunhão de vida plena e eterna
com o seu Criador. Por isso, declara a Doutrina
Social da Igreja: “A fonte última dos direitos
humanos não se situa na mera vontade dos seres
humanos, na realidade do Estado, nos poderes
públicos, mas no próprio ser humano e em Deus
seu Criador” (CDSI n.153).
-
O PNDH 3 deve
sim ser rejeitado exatamente nos pontos em que
ele, sob o pretexto de respeitar pseudo-direitos
humanos, fere gravemente a democracia e a ética,
e pretende impor no Brasil a ditadura de
ideologias preconceituosas e ateias que destroem
a família e o matrimônio, e atentam contra o
direito à vida e à liberdade religiosa.
-
Roguemos ao bom
Deus para que nos livre de todos estes males que
o tal PNDH 3 nos ameaça.
-
Dom Caetano
Ferrari -
Bispo Diocesano
de Bauru
-
"Como está sua oração?"
Artigo publicado na edição de de 14 de março de 2010 do
Jornal da Cidade
-
Se
você quer falar com Deus, ore.
- Se você quer ouvir a Deus, Ele fala nos livros
da Bíblia e da Vida. Leia-os!
- “S
enhor,
ensine-nos a rezar”, já pediram os apóstolos a
Jesus. Essa deve ser também a nossa atitude, hoje
e sempre. E que essa seja a nossa primeira oração,
a súplica para que o Senhor nos faça crescer na
vida de oração, uma oração que possa ir além do
balbuciar palavras e que seja, de fato, o motor da
vida. Principalmente neste tempo quaresmal de
preparação para a Páscoa, cujos exercícios
penitenciais nos pedem conversão de vida com mais
oração, jejum e esmola.
- São Francisco
de Assis, chamado como “homem todo feito oração”,
deixou-nos como meta da vida cristã: “buscar o
Espírito do Senhor e seu santo modo de operar”.
Orar no Espírito para viver todo o dia no
Espírito, buscando em tudo o Espírito e a sua
maneira de operar o bem, de agir como Deus age,
fazendo em tudo o bem.
- Quem está
possuído pelo Espírito de Deus nunca pratica o
mal, ao contrário, só pode operar como Deus mesmo,
isto é, na bondade, no amor, na misericórdia, no
bem e sumo bem. Por isso, o Poverelo de Assis
dizia para “não se extinguir o espírito de oração
e devoção, ao qual todas as coisas devem se
submeter”, inclusive o trabalhar, o comer, o
dormir, o evangelizar, o servir. “Orai sem
cessar”, diz também o Apóstolo Paulo. E o Profeta
Isaias recomenda: “Buscai o Senhor, enquanto se
deixa encontrar, invocai-O quando está bem perto”.
Deus sempre se deixa encontrar e está mais perto
de nós do que podemos imaginar, afirmam os
místicos. Santo Agostinho escreveu: “Longe Te
procurei, ó beleza sempre nova e sempre antiga, e,
no entanto, estavas dentro de mim; por isso, tarde
de amei! E Santa Teresa D’Ávila dizia que: “Deus
vive na pessoa e está junto dela, por isso, orar é
o mesmo que duas pessoas enamoradas se amando”.
- Como está a
sua vida de oração? Quanto tempo você dá, por dia,
para a oração individual? E a sua oração com a
comunidade, a oração litúrgica ao menos nos
domingo e dias santos, e ainda a sua oração
pública mesmo fora da Igreja? Nunca é demais
recordar o sentido da oração na vida. O Profeta
Isaías lamentou: “Deixei de comer pão (isto é, de
rezar) e meu coração secou”. A nossa felicidade
depende também da qualidade de nossa oração.
- Uma oração de
qualidade deve ser frequente e demorada, sincera e
transparente, humilde e amorosa, grata e
suplicante, mesmo que não saibamos rezar, que
sejam de poucas palavras ou nenhuma, ainda que
tenhamos muitos defeitos e nos sintamos pecadores.
- Na visão
bíblica ter coração puro não significa não ter
pecados, mas sim, ser sincero, sem dissimulação,
sem hipocrisia. Lembremo-nos do Evangelho, quando
Jesus fala do publicano e do pecador que subiram
ao templo para rezar. Como aquele se orgulhava de
ser cumpridor de suas obrigações religiosas e
morais, e este batia no peito suplicando: “Senhor
tenha pena de mim que sou um pobre pecador”; e
Jesus falou que este é que saiu do templo
justificado. Assim se pode dizer que aquele que
reza de coração puro e sincero é bem-aventurado,
porque os puros de coração verão a Deus, como
lemos nas Bem-aventuranças.
- Um grande
teólogo, Karl Rahner, deixou-nos esta máxima,
muitas vezes citada na virada do milênio: “O
cristão do futuro será místico ou não será nada”.
- A mística tem
a ver com a espiritualidade e a oração. O místico
cristão é aquele que teve na vida uma forte
experiência de Deus, um encontro impactante com
Jesus Cristo, um contacto comovente com a
gratuidade da graça do Espírito Santo. Desse
encontro a pessoa não sai a mesma, saboreando o
gozo do divino, torna-se então um apaixonado por
Jesus Cristo e a sua vida ganha um novo e
significativo sentido. Exemplo clássico é o de São
Paulo Apóstolo. Assim aconteceu igualmente
com Santo Agostinho, São Francisco, Santa Teresa e
outros santos. A mística faz parte da vida. Também
no futebol se fala da mística, por exemplo, da
camisa canarinho do Brasil, que encherá de brios o
peito dos nossos craques da bola na Copa do Mundo
neste ano. Como os cientistas do mundo, Albert
Einstein assim falou sobre a mística: “A emoção
mais bonita pela qual podemos passar é a mística.
Ela é a propagadora de toda arte e ciência
verdadeiras. Aquele, para quem esta emoção é uma
desconhecida, está praticamente morto”. E ainda:
“Sustento que o sentimento religioso cósmico é a
motivação mais forte e mais nobre da pesquisa
científica”.
- Mística,
espiritualidade e oração têm significados
semelhantes, mas não idênticos. Estão imbricados
um no outro, são essenciais à vida cristã, compõem
o viver no Espírito do Senhor e no seu santo modo
de operar. Na vida espiritual todos somos mestres
e aprendizes. O estado místico cristão é esse
viver habitual na presença de Deus, por Jesus
Cristo e no Espírito Santo, em todos os instantes
da vida, quaisquer que sejam as ocupações e
preocupações, o qual faz a pessoa viver por
inteiro, sem se afastar deste mundo e por ele se
preocupar e nele trabalhar pela justiça, paz e
progresso, na solidariedade com os pobres e
excluídos, sabendo-se, no entanto não ser deste
mundo, mas vocacionado à comunhão plena com Deus.
Pode-se dizer que isto é viver buscando o Senhor e
seu santo modo de operar. Que isto é viver no
Espírito. Que isto é ser uma pessoa orante, todo
feito oração.
- Em louvor de
Cristo. Amém!
- Dom Caetano
Ferrari - Bispo diocesano de Bauru
-
-
-
"Cruz, sinal de amor"
Artigo publicado na edição de de 07 de março de 2010 do
Jornal Bom Dia
-
 Retomo
a reflexão sobre a cruz, do domingo passado. A cruz é tema
recorrente na Quaresma. E na vida cotidiana também. Ela
está fincada no mundo e na história humana. Não adianta
fugir dela. Este sinal de opróbrio se tornou, no dizer de
São Paulo, “a força e sabedoria de Deus”. (1Cor 1,23s)
-
Um mundo sem sofrimento, como escreveu Aldoux Huxley
no seu “Admirável Mundo Novo”, seria possível
existir se possível fosse um mundo sem amor
verdadeiro.
-
Como Deus pode tudo no amor e não pode nada no mal,
Ele não livrou Jesus da cruz. A cruz é símbolo de
que Deus se tornou um humano e sofreu como um
humano. E para os homens ela sinaliza que eles
sofrem com Deus e por isso entram na esfera do
divino.
-
São Francisco é considerado o mais perfeito imitador
de Cristo, tanto que recebeu no corpo os estigmas do
Crucificado. Edith Stein, judia que do mosteiro foi
levada ao campo de concentração, viu na cruz a
paixão não só de Cristo, mas de seu povo e da
humanidade.
-
Salve ó cruz, sinal do amor de Deus por nós e do
nosso amor por Ele. Amém.
-
Dom Caetano Ferrari
-
"40 dias em preparação para a Páscoa"
Artigo publicado na edição de de 28 de fevereiro de 2010
do Jornal da Cidade
-
O
cha mado
Tempo Pascal
é o mais importante de todo o Ano Litúrgico. Vai da
Quarta-feira de Cinzas até a Solenidade de
Pentecostes, ou seja, no presente ano de 2010,
começou no dia 17 de fevereiro e terminará no dia 23
de maio. No centro deste tempo está a Vigília
Pascal, que é o cume de todo o Ano Litúrgico, pois
ela é a celebração não só da Páscoa de Cristo,
Cabeça do corpo místico, a Igreja, como também da
Páscoa dos Cristãos, os seus Membros. A Vigília da
Páscoa se desdobra no Tríduo pascal (Quinta, Sexta e
Sábado Santo) que celebram intensamente os mistérios
da paixão e morte, sepultura e ressurreição do
Senhor. No dizer de Santo Agostinho, este é o “sacratíssimo
Tríduo do Crucificado, Sepultado e Ressuscitado”.
E, como nós todos sabemos, a Páscoa de Nosso Senhor
Jesus Cristo é o centro de todo o mistério
cristão, o fundamento de nossa fé. É bom ter
presente esta visão geral do Tempo Pascal, com os 40
dias da Quaresma, a Semana Santa, o Tríduo e Vigília
Pascal, e os 50 dias de aleluia até a solenidade de
Pentecostes. Ajuda a gente a viver mais intensa e
integralmente os mistérios de Cristo celebrados ao
longo do Ano Litúrgico (Natal, Páscoa, Festas e
Solenidades, Nossa Senhora, os Santos, etc).
-
A Quaresma é esse tempo de preparação para a Páscoa
que começa todo ano com a Quarta-feira de Cinzas. A
cinza recebida é um símbolo muito expressivo do
espírito que marca
-
a Quaresma, com as suas características de
conversão, penitência, oração e caridade. E a
palavra Quaresma, cuja raiz significa 40, lembra os
40 dias durante os quais Jesus se
-
preparou no deserto, com jejuns e orações, para a
missão apostólica, que estava prestes a iniciar.
-
Jesus é o modelo da vida de oração, penitência e
caridade dos cristãos. Nele se inspira a Quaresma
para motivar a assumir, como exercícios quaresmais
de conversão, os três
-
exercícios de culto a Deus já conhecidos no Antigo
Testamento:
a oração, o jejum, a esmola
(cf. Mt. 6,1-18).
-
Preparar-se bem para a Páscoa, em outras palavras,
viver seriamente a Quaresma, ou ainda, praticar
exercícios de oração, jejum e esmola, é mais do que
uma questão de quantidade,
-
de visibilidade ou publicidade. Jesus mesmo tem
criticado, como no Evangelho acima citado, quem reza
ou dá esmola ou faz jejum só para ser admirado,
incensado ou reconhecido pelos
-
outros. Ele orientou bem para uma oração sem muitas
palavras, praticada no silêncio da voz e do coração,
balbuciada no suspiro do Espírito que geme e suplica
dentro do peito. Afirmou que a verdadeira penitência
agradável a Deus é um coração puro, a prática do
bem, uma vida com mais amor. Instruiu, quanto à
caridade, para que a mão direita não saiba o que a
esquerda faz,
-
mas para que toda dádiva seja generosa e de mãos
cheias, recomendando uma prática de lágrimas
enxugadas, famintos saciados, feridos socorridos,
caídos erguidos, órfãos e viúvas
-
amparados, pão repartido, vida doada...
-
Neste ano em que a Campanha da Fraternidade
Ecumênica nos convida a refletir sobre o tema
Economia e Vida,
sob o prisma da Palavra de Deus: “Vocês
não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24),
nossa penitência quaresmal deve contar com gestos
concretos de partilha e justiça para com os pobres e
os excluídos da economia de mercado, e com ações
políticas efetivas de questionamento do sistema
econômico dominante e excludente, e de proposições
objetivas de inclusão e transformação social,
política e econômica. Que não esmoreça jamais a
esperança de que outro modelo de economia é
possível, que defenda e promova a vida, o
desenvolvimento sustentável, tanto social quanto
ecológico, construa o bem comum e proporcione o
bem-estar para o nosso povo, segundo propõe a
Campanha da Fraternidade de 2010.
-
E que a preparação quaresmal seja uma oportunidade
de conversão de vida, de mais vida com Deus e os
irmãos, para que a Páscoa seja vida nova, plena e
feliz, com justiça, dignidade e esperança para
todos.
-
Dom Caetano Ferrari-
Bispo Diocesano de Bauru
-
-
"Os cristãos sem Jesus"
Artigo publicado na edição de de 28 de fevereiro de 2010
do Jornal Bom Dia
-
Como
não há Jesus sem cruz, nem cristão sem Jesus, impossível
ser cristão sem a cruz.
De fato, não é possível separar Jesus da cruz. É da
nossa fé: cremos que o Messias crucificado deu a vida por
nós, como afirma o apóstolo Paulo, por exemplo, em Rm 5,8:
"Cristo morreu por nós, pelos nossos pecados"; ou em 1 Cor
1,23: "Anunciamos Cristo crucificado, escândalo para os
judeus e loucura para os gentios...".
A morte de Cristo na cruz, bem como a sua
ressurreição, é acontecimento central da fé cristã. Há,
porém, pensadores modernos que rejeitam a cruz. Nietzstche
perguntava:"Como podia Deus consentir nesta morte?".
E dizia que o cristianismo seria religião dos
resignados, que justifica o fracasso, que enfeita a dor e
adoça o sofrimento e que propõe a penitência como moeda de
troca em vista do prêmio eterno.
Nossa fé, porém, nos diz que o ideal de Jesus nunca
foi a dor ou a cruz. O amor e a obediência, isto sim, foi
tudo para Ele, para fazer sempre e em tudo a vontade do
Pai e dar sua vida por nós: "sabendo Jesus que chegara a
sua hora, tendo amado os seus, amou-os até o fim" (Jo
13,1).
Há até mesmo cristãos que não sabem o que fazer com
a cruz, não só a própria, que a rejeitam, como a de
Cristo, sobre a qual não falam, e quando falam, omitem ou
esquecem estas palavras: "Se alguém quer me seguir, tome
sua cruz cada dia e siga-me" (Lc 9,23).
A diferença que conta nessa história da cruz de cada
dia está no amor. Quem a abraça com amor sabe que não está
só, Jesus carrega junto: "Vinde a mim que estais cansados
sob o vosso fardo... e encontrareis descanso para vossas
almas" (Mt 11,28-30).
Dom Caetano Ferrari é bispo diocesano de Bauru
-
"Os Exercícios Quaresmais da Oração, Jejum e Esmola"
Artigo publicado na edição de de 21 de fevereiro de 2010
do Jornal da Cidade

- “Boa coisa é a oração com o jejum e a esmola
com a justiça” (Tobias 12,8).
- Páscoa do Senhor – Fundamento da Fé
Cristã e Centro do Ano Litúrgico
- A Páscoa, que compreende a morte e ressurreição
de Jesus Cristo, constitui o fundamento de toda a
vida cristã, o fato mais importante da História da
Salvação. A celebração anual da Páscoa, na Liturgia,
transforma o Ciclo Pascal, que começa na
Quarta-feira de Cinzas e vai até Pentecostes, no
núcleo central do Tempo Litúrgico, em outras
palavras, no momento mais importante de toda a vida
litúrgica da Igreja. A Vigília da Páscoa como ponto
mais alto da celebração do mistério pascal – Tríduo
Pascal, Semana Santa, Quaresma, 50 dias de aleluia -
apresenta
- à humanidade o evento-mistério do “Cristo que
levantado da terra atraiu todos a si” (Jo 12, 32) e
que, por sua morte e ressurreição, realizou a obra
de nossa salvação, da restauração universal de todas
as coisas e da perfeita glorificação de Deus, numa
leitura resumida da bonita reflexão do Concílio
Vaticano II (Dei Verbum 4; Ad Gentes 5).
- Um acontecimento de extraordinária grandeza e
significado em relação à nossa fé, que deve ser
muito bem celebrado na Liturgia e muito bem
preparado na vida por uma caminhada de conversão,
tanto individual como comunitária. A Quaresma é esse
tempo de 40 dias de preparação para a grande
celebração do Tríduo Pascal, que culmina com a
Vigília Pascal e se completa no Domingo da
Ressurreição. Esse fato histórico, que se renova no
Rito Litúrgico (Sacramento), é o mistério de “Jesus
Cristo Salvador que destruiu o mal e a morte e fez
brilhar a luz e a vida
- imperecíveis”, como diz o apóstolo Paulo em 2Tm
1,10.
- Os Exercícios Quaresmais, ou de Conversão, ou de
Culto a Deus: Oração, Jejum, Esmola.
- Esses três exercícios – oração, jejum, esmola –
vêm da Bíblia. São conhecidos no Antigo Testamento,
como por exemplo, na citação acima de Tobias; também
em Isaías 58 se pode ler sobre o jejum que agrada a
Deus. No Novo Testamento, Jesus se alonga ao falar
acerca da verdadeira oração, da esmola e do jejum em
- segredo (cf. Mt 6, 1-18). Esses exercícios não
têm valor em si mesmos, mas devem sempre ser
entendidos como meios ou instrumentos bons e úteis
de conversão, de arrependimento dos pecados, como
expressões concretas de busca da vida nova em
Cristo, que o mistério pascal significa, e Jesus nos
oferece gratuitamente. Não compraremos a graça de
Deus com nossas penitências. Mas o Senhor quer
sentir os nossos sentimentos, os nossos anseios,
desejos, carências
- e intenções. Por isso essas práticas são
chamadas de verdadeiro Culto oferecido a Deus,
quando por elas a pessoa deseja ardentemente exaltar
a tríplice relação do ser humano: com Deus, pela
oração; com a natureza criada, pelo jejum; e com o
próximo, pela caridade, tomando estas palavras do
grande Papa São Leão
- Magno. Mt 6, 1-18 é o Evangelho que se lê na
Quarta-feira de Cinzas, como uma exortação de Jesus
para uma verdadeira penitência quaresmal.
- Nos dias de hoje, de exaltação da beleza do
corpo, da estética e bem-estar físico, quanta gente
se impõe incríveis sacrifícios de dietas, jejuns e
malhações? Quem se exercita na prática da penitência
quaresmal por causa de sua fé persegue bens
religiosos e espirituais, sem deixar de receber de
acréscimo os benefícios corporais. Pois que a razão
fundamental ou o motivo maior da prática dos
exercícios da oração, jejum e caridade é sempre o
amor a Deus. Deus amou tanto a humanidade que nos
enviou o seu Filho único, e Jesus demonstrou o seu
grande amor dando a vida por todos nós. Por isso, a
nossa penitência quaresmal
- só tem sentido se for também um ato de amor, uma
nossa resposta amorosa ao Pai e ao Filho no Espírito
do Santo Amor. A penitência quaresmal, praticada com
o espírito de participação nos sofrimentos de Jesus,
de oblação e oferta a Deus por
- nossos pecados e de solidariedade com os pobres
e sofredores deste mundo, e exercitada com
moderação, sob o primado da misericórdia, amor e
caridade, é meio eficaz de preparação para a
celebração da festa da Páscoa da Ressurreição. Além
de nos ajudar no crescimento espiritual de vida,
dispondo-nos interiormente
- à ação da graça de Deus, proporciona
revitalização integral de nosso ser: corpo, mente e
espírito. Eis porque o mistério pascal envolve todo
o ser do homem, tornando-o uma nova criatura. “Se
alguém está em Cristo, é nova criatura. Passaram-se
as coisas antigas; eis que se fez realidade nova”
(2Cor 5,17). Assim sendo, a Páscoa de Cristo é
também a Páscoa dos Cristãos. “Se com Jesus Cristo
morremos, com Ele viveremos. Se com Ele sofremos,
com Ele reinaremos” (2Tm 2,11). Deus seja louvado,
agora e sempre, amém!
- Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
-
"Abismo de Misericórdia"
Artigo publicado na edição de de 24 de janeiro de 2010 do
Jornal Bom Dia
-
Todo domingo, nós nos reunimos ao redor das
mesas da Palavra de Deus e da Eucaristia. Para
comermos do pão da Palavra e da Eucaristia,
que alimenta nossa vida cristã. Hoje, na
Missa, ouvimos Jesus anunciando na Sinagoga de
Nazaré que naquele dia se cumpria a passagem
da Escritura lida por Ele em Isaías e que diz:
“O Espírito do Senhor está sobre mim e me
ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres, a
libertação aos oprimidos e o ano da graça do
Senhor” (Lc 4,18-19).
-
Começava a vida pública de Jesus. Foram três
anos de incansável atividade como, por
exemplo: perdoar pecados, curar doentes,
expulsar demônios, ressuscitar mortos,
multiplicar pães, fazer andar, ouvir e falar,
ensinar a orar, abençoar e santificar. Enfim,
o Divino Salvador, movido de compaixão, passou
entre os humanos fazendo só o bem e todo o
bem.
-
Jesus, perfeito Homem, se aproximava
bondosamente dos pecadores para perdoá-los e
recebê-los, como perfeito Deus, no seio da
divina misericórdia. No perdoar os pecados,
mais do que no fazer milagres, Ele revelava a
magnitude de sua Divindade e o abismo infinito
de sua Misericórdia. Ele perdoou grandes
pecadores: Madalena, a pecadora, a mulher
adúltera; Pedro, o traidor; a Samaritana, que
teve cinco maridos; Zaqueu, chefe dos
publicanos; o bom ladrão, a quem prometeu o
céu; e a nós todos continua perdoando com
infinito amor.
-
Mistério insondável e paradoxal de Deus: “o
abismo que atrai abismo” (Sl 42,8). O
abismo da infinita misericórdia divina de
Jesus que atrai o abismo da grande miséria
humana em nossos pecados, não para punir, mas
salvar; não para abater, mas dar a vida.
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Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano
de Bauru
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Orar é como duas pessoas que se amam"
Artigo publicado na edição de de 24 de janeiro de 2010 do
Jornal da Cidade
“Sempre
e por tudo dando graças a Deus Pai, em nome de Nosso
Senhor Jesus Cristo” (Ef 5,20). “Vivei em orações e
súplicas e rezai em todo tempo no Espírito” (Ef 6,18).
Uma multidão de testemunhas nos fala, de muitos modos,
sobre o que é orar. Principalmente os místicos e santos
nos ajudam a entender o que é a oração, revelando-nos
muitos segredos de sua busca e amorosa experiência de
Deus. Quem ama deseja estar junto da pessoa amada, com ela
quer aprofundar a comunhão de vida, pensamentos, anseios e
ideais. Viver para essa pessoa e dela viver, ser tudo nela
e dela ser tudo, enfim com ela desejar intensamente ser um
só. Orar é estar à procura de Deus, é desejar Deus, é
querer participar do mistério de Deus e entrar na perfeita
comunhão de vida com Ele.
Alguns santos se manifestaram admiravelmente sobre a
oração: “Orar é como duas pessoas se amando”, escreveu
Santa Tereza D’Ávila. Santa Teresinha dizia que para ela
“a oração é um impulso do coração, é um simples olhar do
coração lançado ao céu, um grito de reconhecimento e amor
no meio da provação ou no meio da alegria”. São de Santo
Agostinho essas palavras: “a oração é a fraqueza de Deus e
a força do homem”. São Francisco instruía seus frades,
ensinando que “Orar é possuir o Espírito do Senhor e seu
santo modo de operar”. O bem-aventurado Papa João XXIII
deixou essa mensagem: “um homem sem oração é como um
jardim sem flores”.
Em tudo Vos damos graças, ó Pai, por Jesus Cristo no
Espírito Santo. Amém! Inspirada em 1Ts 50, 18, esteja
sempre em nossos lábios essa prece de louvor e gratidão à
Santíssima Trindade. E supliquemos a Jesus Cristo que nos
ensine a orar. Ele é, por excelência, o Mestre de nossa
oração. Os apóstolos viram muitas vezes Jesus orando. A
oração do “Pai Nosso” nos foi ensinada e dada por Jesus
mesmo. Ela é sempre um modelo de oração para todos nós, é
a mais perfeita das orações e um resumo mesmo do
Evangelho.
Quem ora faz a leitura da vida, compreende o mistério
do existir, encontra a paz e a iluminação, recompõe o seu
viver, se reconhece e reconhece os outros. A oração leva
ao amor e à prática da caridade. O amor e a caridade levam
à oração. Porque Deus é amor e todo o bem, quem d’Ele se
aproxima recebe o seu Espírito e n’Ele e por Ele opera o
bem, vivendo na prática da caridade e no espírito de
oração e devoção, ao qual todas as coisas devem se
submeter, conforme nos ensina São Francisco. Quem, pela
oração e caridade possui o Espírito Santo do Senhor e seu
santo modo de operar, torna-se capaz de, com Jesus, clamar
com gemidos inefáveis “Abba”, Pai Nosso que estais nos
céus...
A oração, então, opera maravilhas e transforma-se em
terapia, salvação, vida, alegria e poder.
Em louvor de Cristo. Amém!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de
Bauru
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"Viveis
sempre alegres. Orai sem cessar 1 Ts 5,17)"
Artigo publicado na edição de de 17de janeiro de 2010 do
Jornal da Cidade
-

- O
Catecismo, que aprendemos desde crianças, já nos
ensinava que a Oração é
uma necessidade vital. Mais do que um
conhecimento, essa verdade foi se transformando,
com o passar do tempo, numa experiência real de
vida. Isso não aconteceu só comigo, mas com toda
pessoa, e acontece ainda hoje na vida de toda a
gente. Foi vivendo que nós começamos a descobrir
que o sentido deste mundo está fora do mundo.
Que o coração do homem é maior do que todas as
coisas deste mundo. Que nada do aqui existente é
capaz de saciar a fome e sede do amor infinito,
de satisfazer o desejo do bom, belo, verdadeiro
e santo, de realizar os sonhos de plenitude e
sublimidade no existir. Então, aquelas verdades
que decoramos no Catecismo, na ingenuidade da
infância, foram fazendo sentido e se tornando em
ciência e sabedoria de vida, porque a realidade
do existir foi nos colocando diante dos
mistérios da própria vida, que só a fé é capaz
de explicar. Podemos afirmar que foi desta
maneira que passamos a compreender quem é Deus.
Ou melhor, que iniciamos uma caminhada pessoal
de busca de Deus, mais do que de conhecê-lo pela
razão, passamos a desejar experimentá-lo e
senti-lo com o coração, em outras palavras,
amá-lo de todo o coração, de toda a alma e de
todo o entendimento. A fé foi se tornando
adulta, deixou de ser teoria, nem Deus era mais
um objeto de estudo, mas deparamo-nos diante
d’Ele como diante de um Outro, uma Pessoa que
vem ao encontro do ser humano e o atrai a si,
não só porque o criou, mas porque o ama e o
chama a Si para uma comunhão de vida, e vida em
plenitude, já no aqui e agora deste mundo.
Somente a partir dessa experiência é que nos foi
possível responder coerentemente ao achegamento
amoroso de Deus e declarar-Lhe nosso amor e fé:
“eu creio!” ou “Meu Senhor e meu Deus!”. Como
soam maravilhosas as palavras de Santo Agostinho
com as quais expressou a emoção do seu encontro
com Deus, depois de difícil crise existencial e
longa busca intelectual: “Ó beleza sempre nova e
sempre antiga. Tarde te amei! Estavas dentro de
mim, mas eu estava fora. Estavas comigo e eu não
estava contigo. A vida do meu corpo é minha
alma, mas a vida de minha alma és Tu, Senhor.
Tarde te amei! Se o ser humano é um ser de
desejos, o desejo de possuir Deus é o que melhor
o caracteriza na sua identidade e no seu ser: um
ser para Deus. É por isso que o homem anseia
naturalmente encontrar-se com o seu Criador e
“inquieto está o seu coração enquanto não
repousar em Deus” (Santo. Agostinho). (Continua
na próxima semana)
- Dom Caetano
Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
-
"Paz
e Bem"
Artigo publicado na edição de de 10de janeiro de 2010 do
Jornal Bom Dia
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- A Igreja, na Liturgia, abriu o Ano-Novo
celebrando o 1º de janeiro como Dia Mundial da Paz
e invocando a Mãe de Jesus como Rainha da Paz. Por
quê? Ora, se Jesus é a realização do sonho de paz
do povo de Israel; se assim se deve entender a
profecia maior de Isaías de que nasceu para nós um
menino cujo nome é “Príncipe da paz” (Is 9 5); se,
como afirma São Paulo, Jesus é a “nossa paz”, que
a estabeleceu definitivamente neste mundo,
reconciliando a humanidade com Deus e fazendo dos
povos uma só família de Deus pela derrubada dos
muros da discriminação entre os povos (cf Ef
2, 14-20); se este Jesus é o Príncipe da Paz,
então, Nossa Senhora, a sua Mãe Santíssima, é a
Mãe da Paz.
O Ano-Novo abriu-se com uma festa mariana, sob o
signo da mulher Maria de Nazaré, Mãe de Jesus, com
seus valores femininos de ternura, bondade, amor,
zelo, afeto, acolhimento, presença, doação e
serviço. Pois, é da primazia destes valores que
brota a paz.
A Mãe de Jesus é a flor mais bela do jardim
cósmico; a única criatura humana cheia de graça em
quem reside todo o bem; o rosto materno de Deus; a
Filha e Serva do Rei Altíssimo e Pai celeste; a
Mãe do Santíssimo Senhor Jesus Cristo; e a Esposa
do Divino Espírito Santo.
Por seu ‘sim’, Maria deu à luz o Filho de Deus que
é “o primogênito de todas as criaturas” (Cl 1,15).
Por esta sua maternidade divina ela tornou-se
também a mãe da nova família de Deus, a
humanidade, e a mãe de todo o universo, com todas
as criaturas.
Salve Rainha, protege-nos sob teu manto cor de
anil e roga a Deus por nós bênçãos e graças de
saúde e paz, agora e para sempre. Amém!
- Dom Caetano Ferrari bispo diocesano de
Bauru
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"Epifania"
Artigo publicado na edição de de 03de janeiro de 2010 do
Jornal da Cidade
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A festa da
manifestação de Deus ao mundo
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A palavra “epifania” vem do idioma grego
“epipháneia” e significa apresentação,
manifestação, revelação. Assim sendo, entendemos
por festa da Epifania do Senhor a manifestação ou
revelação de Jesus ao mundo. Naqueles dias do seu
nascimento, Jesus foi manifestado ao mundo pagão
quando os Reis Magos, vindos do Oriente e guiados
por uma estrela, que misteriosamente aparecera no
céu, encontraram em Belém numa manjedoura o
Menino, com Maria e José. Jesus já fora revelado
aos pastores, gente do povo pobre de Belém e
região, pelos Anjos que anunciaram uma grande
alegria, o nascimento do Salvador, e cantaram em
coro “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos
homens de boa vontade” (Lc 2, 14). Ele fora também
revelado às autoridades civis e religiosas da
nação judaica (Rei Herodes, príncipes dos
sacerdotes e escribas), quando, alertados pelos
Magos do Oriente, descobriram nas Escrituras o
sentido do aparecimento daquela estrela no céu, ou
seja, a realização de uma velha profecia que dizia
“E tu, Belém, terra de Judá, de forma alguma és a
menor das cidades de Judá porque de ti sairá um
chefe que apascentará meu povo Israel” (Mt 2, 6).
A festa dos Reis Magos
A Epifania ou manifestação do Senhor ao mundo é
conhecida como a festa dos Reis Magos. Na Liturgia
deste domingo (03/01/2010) é proclamado o
Evangelho de Mateus (Mt 2, 1-12) que narra a longa
caminhada dos Reis Magos: “Onde está o Rei dos
Judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no
oriente e viemos adorá-lo”. E depois de terem
adorado o Menino voltaram para a sua terra por
outro caminho. São Paulo afirma na carta aos
Efésios (2a. leitura do dia – Ef 3,2-3.5-6) que o
mistério agora revelado em Cristo significa que
“os pagãos são admitidos à mesma herança, são
membros do corpo, são associados à mesma promessa
em Jesus Cristo”. Na escuta do profeta Isaías (1a.
leitura - Is 60,1-6) recordamos aquela sua
profecia de que sobre Jerusalém descerá a glória
do Senhor, a qual ficará toda iluminada e atrairá,
com o clarão de sua luz, os povos envolvidos nas
trevas, que se achegarão a ela, vindos de longe,
como seus filhos e suas filhas, trazendo as
riquezas de além mar, ouro e incenso, inundando a
cidade de camelos e dromedários de Madiã e Efa, e
todos proclamando a glória do Senhor. Com palavras
de comovedora alegria, Isaías relata a festa da
chegada desses povos distantes: “ao vê-los,
Jerusalém, ficarás radiante, com o coração
vibrando e batendo forte”. É o cumprimento da
promessa que alentava o povo judeu nas suas
orações, como rezamos no Salmo responsorial: “as
nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó
Senhor!” (Sl. 72/71).
No início do caminho havia uma estrela
Não é suficiente que Jesus tenha nascido, no
passado, e agora de novo, no Natal de 2009. É
necessário que Ele seja manifestado e revelado a
todo mundo crente e não crente, de todos os tempos
e lugares. Precisamos sempre de novo descobrir a
estrela que sinaliza e indica para cada um de nós,
em particular, como batizados, e para todos nós,
comunitariamente, como povo de Deus, o caminho de
Deus a seguir, sua vontade e desígnio a obedecer,
uma vocação e missão a cumprir, que em síntese
consistem em acolher Deus na vida e em manifestar
e revelar Deus ao mundo.
Ser estrela que brilha gratuitamente no céu
Não basta igualmente acolher Deus no coração, é
necessário ser uma estrela que brilha no
firmamento, generosa e gratuitamente, refletindo o
clarão que vem de Deus. Esta é a missão do cristão
batizado e da Igreja, ser luz do mundo, estrela no
firmamento, sal da terra, fermento na massa, sinal
de Deus, gesto revelador da sua bondade e
misericórdia. Ser como essa estrela de Deus é ser
missionário. A vocação cristã é, por natureza, uma
vocação missionária.
Como seria bom se toda pessoa que olhasse para a
gente, para nossas comunidades de fé, para todo
cristão descobrisse em nós essa estrela de Belém,
que manifesta Deus, revela seu rosto, sinaliza
esperança, aponta caminhos de paz e bem.
Sigamos a Estrela de Deus, que no Natal de 2009
veio para nos apontar novos caminhos. Quem
encontra Jesus Cristo não volta pela mesma
estrada. Descobre caminhos novos, a exemplo dos
Reis Magos, que voltaram para sua terra, mas por
outra estrada.
Sejamos, em 2010, luz para os outros, uma Estrela
que indica caminhos do bem, da paz, do amor;
caminhos para Deus!
Dom Caetano Ferrari Bispo Diocesano de
Bauru
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"Folia
de Reis"
Artigo publicado na edição de de 03 de janeiro de 2010
do Jornal Bom dia
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F
olia de Reis é
uma bonita festa em louvor a Jesus
- Guiados por uma
estrela, Reis Magos vieram adorar o Senhor.
Segundo evangelhos apócrifos, Melquior era rei da
Pérsia; Baltasar, da Índia; e Gaspar, da Arábia.
Por isso, a Epifania é também festa da unidade das
raças.
- A Folia de Reis é
uma festa popular muito bonita, colorida e sonora,
de que me lembro do tempo de menino, quando morava
na roça, no sítio Santa Maria, em Pirajuí/SP, onde
nasci. Por ocasião da festa dos Santos Reis,
vinham lá os cantadores, vestidos de reis, e a
comitiva, cantando louvores a Jesus.
- Apresentavam-se ao
anoitecer, como que seguindo a luz da estrela do
Natal, e passavam de casa em casa, saudando os
moradores com cantos e mensagens natalinas. Antes
de se retirarem, o pessoal que os recebia lhes
servia alguma coisa de beber e ofertava alguma
prenda. As prendas eram ajuntadas para serem
servidas na grande festa de encerramento, com
muita música e dança.
- A gente esperava
com ansiedade a Folia chegar. Era um espetáculo
que enchia os olhos e o coração e inundava de
fantasia a imaginação. Quem, como eu, experimentou
dessas coisas sabe que tem a alma marcada para
sempre com um fascínio único do Natal.
- Quando o
porta-bandeira erguia a Bandeira, era hora da
partida e os cantores, agradecendo, cantavam:
“minha Bandeira se despede, vai no giro de Belém.
Adeus, Senhores e Senhoras, até o ano que vem!” E
lá ia embora a Folia, seguindo a estrela! Natur
almente,
no sono daquela noite, os sonhos de qualquer
menino eram mais coloridos, cheios de luz,
estrelas e encantos, que o tempo jamais apagou.
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Dom Frei Caetano Ferrari, ofm
- Bispo Diocesano de Bauru
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"
Natal,
a festa das festas
Artigo publicado na edição de de 20 de dezembro de 2009
do Jornal da Cidade
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A Encarnação do Verbo foi uma decisão livre
de Deus,
por puro amor. Teria se dado ainda que o ser
humano não tivesse pecado.
(Teologia franciscana)
Para falar sobre o Natal, o prezado leitor ou
leitora me permita servir-me de São Francisco, o
Santo que inventou o presépio. No Natal de 1223, em
Greccio, Itália, São Francisco desejou retratar a
cena de Belém, aproveitando uma gruta encravada na
rocha em meio às árvores de um bosque. Ele viu
naquele cenário um ótimo lugar para encenar ao vivo
o nascimento de Jesus. Com engenho artístico e fé
profunda, armou o presépio naquela gruta de Greccio,
auxiliado por pessoas do povoado, sem dar conta de
que estava inaugurando uma prática que se espalharia
pelo mundo afora e chegaria até nós, atravessando
séculos.
São Francisco reuniu todos os frades e o povo, que
portava tochas e archotes acesos, para celebrar a
noite santa do Natal. Durante a Eucaristia ele mesmo
proclamou o Evangelho de Lucas, capítulo 2, e pregou
com profunda devoção e emoção. Seu principal
biógrafo, Tomás de Celano, narra que, ao fazer a
leitura do Evangelho, São Francisco cuidava de
substituir o nome de Jesus por “Pequeno Bebê de
Belém”, e ao mesmo tempo em que pronunciava estas
palavras ele “passava a língua pelos lábios como
se estivesse saboreando a doçura do mel”. Ele
conta também que aquela celebração do Natal seduziu
o coração de todas as pessoas atraindo-as para o
“Amor que não é amado”, conforme São Francisco
costumava referir-se a Jesus. Celano ainda
escreve na mesma “Vida Primeira” do Santo que
ele tinha procedido daquele modo porque se sentira
inflamado do desejo de “lembrar o menino que
nasceu em Belém, os apertos que passou, como foi
posto num presépio, e ver com os próprios olhos como
ficou em cima da palha, entre o boi e o burro...”
(1Cel, 84). Queria ver com os olhos, que a terra
haveria de comer, a humildade e pobreza daquele que,
“sendo rico, se fez pobre a fim de nos enriquecer
com sua pobreza” (2Cor 8, 9), e da sua
bem-aventurada Mãe, para nos apontar o caminho da
vida de simplicidade e do serviço solidário aos
pobres e humilhados deste mundo, como a forma mais
perfeita de seguir a Nosso Senhor Jesus Cristo,
pobre, humilde, crucificado e ressuscitado, e de
viver o Evangelho.
Eis porque para São Francisco o Natal era para ele a
festa de todas as festas. Ainda que ele soubesse
reconhecer a primazia teológica da Páscoa de Cristo,
no entanto dizia que a redenção realizou-se porque
primeiro o Verbo de Deus se fez carne. Sem a
encarnação de Jesus não teria se dado a redenção.
Como é verdade que o Salvador nos salvou por sua
cruz e ressurreição, verdade é também que o
nascimento de Jesus é já a certeza e o gozo
antecipado da salvação. Por isso ele celebrava com
incrível alegria todo Natal. Mas o Natal de 1223, em
Greccio, foi para São Francisco o Natal mais lindo
de sua vida, a festa das festas de que nunca se
esqueceu.
Com alma de artista São Francisco inventou o
presépio para enaltecer e solenizar o que a
humanidade já reverenciava como o maior
acontecimento de toda a história humana:
“O Verbo se fez carne e habitou entre nós;
vimos a sua glória, a glória de Filho único do Pai,
cheio de graça e verdade” (Jo 1, 14).
A festa de Natal que celebra esse tão grande
acontecimento deveria, então, para São Francisco,
corresponder em solenidade e glória ao anúncio
festivo do anjo do Senhor:
“Anuncio-vos uma grande alegria, que é para
todo o povo” (Lc 2, 10).
Talvez os mestres da Escola franciscana tenham visto
nessa intuição de São Francisco o fio da meada para
desenvolver a tese de que Jesus fez-se homem não por
causa do pecado, mas por puro amor de Deus. A
primazia do amor de Deus. Por amor, Ele primeiro nos
criou e, como depois nós pecamos, então, também nos
salvou.
Ó
“Felix Culpa”
que nos deu tão grande Salvador,
proferiu Santo Agostinho. E São Francisco, por
certo, proclamava: Ó “Felix
Amor”
que nos deu tão grande Bem.
Não teria sido por essa razão que no “Cântico do
Irmão Sol”, ele cantou: “Louvado sejas, meu
Senhor, por tudo o que criaste...” Não é
igualmente certo que ele cantava, por prados e
campinas, que o
“Amor não é Amado”
e não que o “Salvador não é amado”?
Na noite santa do Natal de 1223, em Greccio, São
Francisco reclinou-se na manjedoura vazia para
apanhar em seus braços um menino, o menino acordou
de seu lindo sono, olhou para São Francisco e lhe
sorriu. E o Santo convenceu-se de ter compreendido o
Evangelho e estar no caminho certo:
viver para amar o Amor que não é Amado, em
outras palavras, viver sob o primado do amor a Deus,
a todas as pessoas, aos pobres
e sofredores e a toda a criação.
Desejo apresentar à estimada leitora ou ao leitor e
sua família votos de um Santo Natal e um Próspero
Ano Novo, ricos do amor de Deus, com muita saúde,
paz e todo o bem.
Dom Frei Caetano Ferrari, ofm
- Bispo Diocesano de Bauru
-
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"Feliz Natal!"Artigo
publicado na edição de de 20 de dezembro de 2009 do
Jornal Bom Dia
-

Natal é despojamento, simplicidade, humildade,
respeito.
Jesus Cristo, sendo rico, preferiu o caminho da
pobreza e da pequenez para nos ensinar a abraçar os
pobres, desvalidos e sofredores deste mundo. Seguir
seus passos significa viver assim como Ele viveu:
uma vida voltada para os outros, a comunidade,
principalmente, os pobres e excluídos.
Natal é solidariedade, esperança, paz e todo o bem.
Foi por amor que o Filho de Deus desceu até nós. Por
esta razão, o amor de Deus nos compromete com a missão
de Jesus Cristo neste mundo. Jesus nos impulsiona a
testemunhar a Grande Alegria do seu nascimento
e a proclamar a Boa Notícia do Evangelho. Ele
nos estimula também a assumir a causa dos pobres, a
postular a urgência da paz entre os povos, a promover
os direitos de toda a criação, a defender, valorizar e
fomentar as múltiplas culturas da vida. O Evangelho de
Jesus nos pede uma vida comprometida com a
Evangelização, uma presença solidária e promotora do
bem, da paz e da esperança.
Prezado leitor, armando um presépio em casa ou
simbolicamente no coração, ou contemplando o presépio
em nossas Igrejas, busquemos fazer-nos crianças
com o menino Deus. Celebremos o Natal do
Senhor, firmando os nossos passos no caminho que o
menino Jesus, desde o seu presépio, nos aponta para
trilhar no Ano Novo de 2010: uma vida voltada para
Deus e para os outros, uma vida comprometida com a
causa da Evangelização, do bem, da paz e da esperança.
Um
Feliz e Santo Natal e um Abençoado e Fecundo
2010, repletos com as bênçãos e graças do Menino
que numa noite santa de Belém nos foi dado.
Vida e Esperança, Paz e Alegria no Natal e em todo
2010!
-
Dom Frei Caetano Ferrari, ofm
- Bispo Diocesano de Bauru
"Alegrai-vos!"Artigo
publicado na edição de de 13 de dezembro de 2009 do
Jornal Bom Dia
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A
Antífona da entrada na Missa de hoje nos anima com
este convite: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo
eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto” (Fl 4,
4s).
- O Natal está chegando; que possamos com intenso
júbilo prepararmo-nos para celebrá-lo.
Uma preparação que seja antes de tudo religiosa e
espiritual, com oração, conversão e caridade.
- Com uma oração tão terna que se contraponha de vez
ao secularismo de um Natal profano sem Deus.
- Com uma conversão de vida tão sincera que seja
verdadeiro antídoto contra o individualismo de um
Natal egoísta sem os outros, a família e os pobres.
- Com uma caridade tão perfeita que apague para
sempre os pecados do consumismo desenfreado de um
Natal gordo sem alma.
- Que seja também um Natal do reencontro com os
outros, do perdão, da volta, do retomar da velha
amizade.
- Um Natal da confraternização familiar, da família
unida e reunida ao redor da ceia, da ceia eucarística
e da ceia natalina. Um Natal de paz aos homens e
mulheres de boa vontade, que ponha fim às guerras e
encha de bens os corações humanos, especialmente dos
pobres e excluídos. Um Natal de justiça e paz e de
vida em abundância para todos.
- No acender da terceira vela do Advento hoje,
rezemos: “Bendito sejais, Deus bondoso, pela luz de
Cristo, sol de nossa vida, a quem esperamos com toda a
ternura do coração”.
- Dom Caetano Ferrari
-
"Dom Caetano informa mudanças para 2010"
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Em reunião do Conselho de Presbíteros da Diocese
de Bauru algumas modificações administrativas e
pastorais foram definidas para 2010. Algumas já
foram confirmadas e divulgadas pelo próprio bispo,
Dom Caetano Ferrari. Confira:
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Padre Gustavo Rubin da Mota, que era pároco da
Igreja Nossa Senhora Aparecida em Pederneiras,
volta a ser vigário paroquial da Igreja de Santa
Rita de Cássia, em Bauru, cujo pároco é o
monsenhor Almir José Cogiola;
-
Padre Maurício dos Santos Guerra, até então
vigário de Santa Rita, assumirá como pároco a
Igreja Nossa Senhora Aparecida, de Pederneiras;
-
Padre Marcos Eduardo Pavan, pároco da Catedral,
assume a Igreja Santa Teresinha do Menino Jesus
como administrador paroquial, tendo como vigários
paroquiais o padre Márcio José Cattache, que
continuará atuando como formador em Marília, e
padre Giuliano Henrique Lourenço Alamino, que
também será reitor do seminário diocesano Maria
Mãe da Igreja;
-
Padre Claudemir Moreira deixa a formação e assume
como pároco a Paróquia Imaculada Conceição;
-
Padre Romildo Alceu da Silva, até então na Igreja
Santa Teresinha, assume como pároco a Igreja São
João Batista, de Iacanga;
-
Padre André Luiz Corrêa, até então em Gália,
assume a Igreja Beato José Anchieta;
-
Padre Rodrigo Pereira Sena assume a Igreja São
José, de Gália, como pároco, e a Igreja São
Sebastião, de Avaí, como administrador paroquial;
-
Diácono Everaldo Junior Rambaldi (que será
ordenado padre no dia 20/12) assume como vigário
paroquial da Igreja de São Benedito;
-
Diácono Adinam Ronieri da Silva (que será ordenado
padre no dia 20/12) assume como vigário paroquial
da Igreja Maria de Nazaré;
-
Padre Fernandinho Henrique Lima deixa de ser
vigário na Catedral e fica com uso de ordem,
disponível para atender necessidades pastorais na
Diocese.
- Padre Roberto
Francisco Daniel deixa de ser vigário na Paróquia
Universitária do Sagrado Coração de Jesus e fica
com uso de ordem, disponível para atender pedidos
de ajuda pastoral na Diocese.
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Informativo - Site da Diocese
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"Assembléia Diocesana"Artigo
publicado na edição de de 06 de dezembro de 2009 do
Jornal da Cidade
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No sábado e domingo passados, dias 28 e 29 de
novembro de 2009, realizou-se a Assembléia Anual da
Diocese de Bauru. Foi um grande acontecimento
eclesial, que contou com a presença dos padres e
lideranças leigas das 41 Paróquias da Diocese, pondo
em evidência a beleza e riqueza, a comunhão e
unidade de nossa Igreja, na variedade dos
ministérios, carismas e serviços, e na pluralidade
étnica, social e cultural de nosso povo católico.
Uma demonstração clara da identidade de nossa
Igreja, ali se apresentando como “um só corpo e uma
só alma”. Em clima de festa, celebração e escuta da
Palavra, foi um encontro de louvor e ação de graças
a Deus pela caminhada (história), de discernimento
quanto aos novos desafios (leitura da realidade), de
comprometimento com o presente (planejamento
pastoral), de renovação da fé, esperança e caridade
diante do futuro (horizontes, metas e objetivos).
Uma Assembléia orante, celebrativa e pastoral.
As celebrações litúrgicas, orações, estudos,
trabalhos, refeições, convivência, enfim, tudo
concorreu para nos fazer crescer em comunhão e
participação e nos ajudou a proceder à leitura da
realidade, a auscultar a voz do Espírito, a
vislumbrar novos horizontes e a tomar decisões
importantes para impulsionar a ação evangelizadora
na Diocese.
Tendo por tema: “O lugar da iniciação cristã na
pastoral urbana”, a Assembléia foi assessorada pelo
Pe. Antônio Francisco Lelo, doutor pelo Instituto
Superior de Liturgia na Faculdade de Teologia da
Catalunha (Espanha), professor, escritor,
conferencista e atuante, na periferia de São Paulo,
na área da educação da fé e do planejamento de
programas sociais. E os trabalhos, iluminados pelo
Documento de Aparecida, Diretrizes Gerais da Ação
Evangelizadora da Igreja no Brasil e Magistério da
Igreja, objetivaram responder à seguinte proposta,
que veio da Assembléia das Dioceses do Estado de São
Paulo, realizada recentemente em Itaici/SP: “Fazer
das Paróquias redes de comunidades e centros de
evangelização, onde as pessoas façam uma profunda
experiência querigmática, sendo despertadas para o
ardor missionário”.
Como resultado final da Assembléia, foram aprovadas
linhas gerais de ação que orientarão a Diocese e as
Paróquias a impulsionarem, a partir de 2010, as
ações evangelizadoras constantes do 7º Plano
Diocesano de Pastoral em vigor, em vista de um
planejamento harmônico, concentração de esforços e
eficácia missionária.
As linhas e pistas de ação:
·Promover uma Igreja mais acolhedora em todos os
níveis (pessoal, eclesial e nas pastorais). Isso
deve ocorrer através de um processo de reflexão e
conscientização desde os fiéis leigos até as
lideranças paroquiais e os padres, que leve a uma
conversão de vida, espiritual e pastoral, no âmbito
pessoal e comunitário.
·Ir ao encontro dos fiéis leigos batizados e que não
vivem a sua fé em nenhuma religião. Isso deve
ocorrer através da pastoral da visitação.
·Anunciar Jesus (querigma) a esses leigos de modo
que eles sejam evangelizados na boa notícia trazida
por Jesus. Isso deve ocorrer através de uma
catequese com (de) adultos.
·Manter esses novos fiéis na caminhada da Igreja
através da vivência da fé nas pequenas comunidades
em comunhão com a comunidade paroquial. Isso deve
ocorrer através das iniciativas das paróquias em
promover e multiplicar pequenas comunidades,
principalmente nos bairros mais afastados da
Paróquia.
O Divino Espírito Santo, que “faz novas todas as
coisas” (Ap 21,5) e é o padroeiro de nossa Diocese,
nos está chamando para um novo caminhar e exigindo
de nós, no âmbito pessoal, conversão de vida; no
comunitário, renovação da comunidade; e no social,
solidariedade com os pobres e inclusão.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Agora e
sempre, amém!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
-
"Iniciação Cristã"Artigo
publicado na edição de de 06 de dezembro de 2009 do
Jornal Bom Dia
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- No fim da semana
passada, realizou-se a Assembléia Anual da Diocese
de Bauru, reunindo padres e lideranças leigas das
nossas 41 paróquias. O tema foi “O lugar da
iniciação cristã na pastoral urbana”. Iniciação
cristã não é catequese, mas tem a ver com ela.
Não é ensinamento de doutrina ou verdades da fé, mas
é anúncio de Jesus Cristo, um anúncio querigmático.
Querigma é uma palavra que vem do grego (kérigma) e
significa anúncio ou apresentação de Jesus Cristo.
A iniciação à vida cristã é caminho, um
itinerário que começa com o anúncio de Jesus a uma
pessoa (querigma), feito pelo padre, catequista ou
agente pastoral, possibilitando-lhe o encontro com
Ele e a adesão a Ele (conversão); leva-a ao
aprofundamento da fé (catequese) e aos sacramentos
(Batismo, Crisma e Eucaristia) e a insere na
comunidade de Igreja, na qual participará ativamente
na vivência dos sacramentos, na missão e no serviço
à caridade. Pela iniciação cristã a pessoa se torna
“discípulo e missionário” de Jesus Cristo.
Como anunciar Jesus (querigma) no meio urbano hoje?
Na Assembléia, deliberamos assumir a iniciação
cristã para evangelizar fiéis adultos
insuficientemente evangelizados, indo ao encontro
dos afastados, para o seu crescimento no
conhecimento, amor e seguimento de Cristo.
Sem deixar de valorizar a catequese com as crianças,
a ordem agora é investir na catequese com os
adultos, formando cristãos novos para um novo tempo.
Como diz o Documento de Aparecida: “isto requer
novas atitudes pastorais por parte dos bispos,
presbíteros, diáconos, pessoas consagradas e agentes
de pastoral” (DAp. 291). Mãos à obra!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
-
"Bênção Apostólica"Artigo
publicado na edição de de 28 de novembro de 2009 do
Jornal Bom Dia
-
Acabo
de retornar de Roma, da Visita ad Limina Apostolorum.
Nós, os Bispos do Estado de São Paulo, Regional Sul 1
da CNBB, subimos à Casa do Sucessor de Pedro para
encontrar-nos com o Papa e venerar os túmulos dos
Apóstolos Pedro e Paulo. O Apóstolo Paulo fizera
questão de subir a Jerusalém para encontrar-se com
Pedro em respeito à sua autoridade e em sinal de
comunhão com a Igreja-mãe representada, como diz ele,
pelos “notáveis e colunas”, ou seja, os apóstolos,
tendo à frente Pedro (cf. Gal 2, 1-10).
- Depois, indo Pedro
para Roma, a capital do Império Romano e do mundo
civilizado, a Cidade Eterna tornou-se a sede da
cristandade e da Igreja, o lugar onde se encontra a
autoridade de Pedro. E, em consequência, subir a Roma
para ‘ver o Papa’ e venerar os túmulos de Pedro e
Paulo transformou-se em necessidade como um gesto
concreto, um sinal visível de comunhão e unidade das
Igrejas locais (Dioceses) com a Igreja-mãe, uma
prática que desde os primórdios perdura até hoje.
- Mais do que o
relatório da vida e ação evangelizadora da Diocese,
enviado no ano passado à Sé Apostólica, levei no
coração todo o povo da Diocese de Bauru. E do Santo
Padre, o Papa, recebi, na audiência pessoal, uma
particular Bênção Apostólica extensiva a todos os
sacerdotes, consagrados, seminaristas e fiéis leigos e
leigas das nossas comunidades de fé, com a sua cordial
saudação, suas orações e votos de paz, luz, conforto e
força para todos.
- Prezado leitor, com
muita alegria, faço-me portador dessa bênção especial
do Papa Bento 16 para você e sua família.
- Dom Caetano Ferrari
Bispo Diocesano de Bauru
-
"Dom Caetano Ferrari visita Papa Bento XVI" -
A
cada
5 anos os bispos se encontram com o Santo Padre, o
sucessor de Pedro, na chamada visita "Ad Limina". Em
2009 é a vez do episcopado brasileiro, que por ser
numeroso, irá em grupos regionais da CNBB. Cerca de 50
bispos, arcebispos e um cardeal seguem para Roma neste
mês de novembro. Entre eles estará Dom Caetano Ferrari,
que sai de Bauru dia 3 e retorna ao Brasil no dia 21 de
novembro.
-
No ano passado, cada bispo enviou ao
Vaticano um relatório da vida e da missão de sua
Diocese. Esse será o ponto partida do diálogo com Bento
XVI, em audiência privada.
-
Durante a visita, os momentos mais
importantes são os das liturgias, sejam as concelebradas
com o papa, sejam aquelas celebradas nas diversas
basílicas importantes de Roma.
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“Teremos visitas aos diversos Dicastérios,
que são como que os Ministérios do Vaticano, por
exemplo, Congregação para a Doutrina da Fé, Congregação
para o Culto Divino e a disciplina dos Sacramentos,
Congregação para o Clero, Congregação para a Vida
Religiosa, Congregação para a Educação Católica,
Congregação para os Bispos e outros órgãos e conselhos
da Cúria Romana”, contou Dom Caetano.
-
“Esta é a minha segunda visita ‘Ad Limina’.
Em 2003 me encontrei ainda com o saudoso Papa João Paulo
II. Peço orações pelo bom êxito desta visita e de lá
estarei na comunhão de orações, rezando por todos os
fiéis da Diocese, desde as Basílicas de São Pedro, São
Paulo, São João do Latrão e de Nossa Senhora”, completou
o bispo diocesano de Bauru.
|
- "Festa
de Todos os Santos e Dia de Finados"Artigo
publicado na edição de de 01 de novembro de 2009 do
Jornal da Cidade
-
“Creio na Comunhão dos Santos”
-
“Passarei
meu céu fazendo bem na terra” (Sta. Terezinha).
-
“
Só
há uma tristeza: a de não sermos santos” (Leon Bloy).
-
“É um pensamento santo e salutar rezar pelos
defuntos para que sejam perdoados de seus pecados”
(2Mc 12,46).
-
De fato, a Festa de Todos os Santos e o Dia dos
Finados devem englobar toda a Igreja, a saber: a
Triunfante (do céu), a Padecente (do Purgatório) e a
Militante (da terra). Pois que os Santos gloriosos
do Céu, os Santos padecentes em fase de
aperfeiçoamento no Purgatório e os Santos militantes
da terra a caminho da santidade, todos enfim formam
a grande assembleia dos Santos, a Igreja. Esta é a
fé que professamos no Credo: Creio na Comunhão
dos Santos.
-
Como todos os que têm fé formam um só Corpo, o Corpo
de Cristo, que é a Igreja, há uma intercomunicação
de bens, materiais e espirituais, de uns aos outros.
Essa é igualmente outra verdade de nossa fé. A
intercomunicação e comunhão compreendem aqueles dons
que são essenciais na vida cristã, segundo lemos nos
Atos dos Apóstolos: “Os discípulos eram assíduos
no ensinamento dos Apóstolos, na comunhão fraterna,
na fração do pão e nas orações” (At 2,42). Por
isso, entre os cristãos que são constituídos como
“raça escolhida, sacerdócio real, nação santa e povo
adquirido” (1P 2,9), devem operar-se, quanto à
partilha de dons, a:
-
·
comunhão na fé que revigora a unidade da Igreja e dá
credibilidade à missão;
-
·
comunhão na graça santificante proveniente da
Oração, Liturgia, Sacramentos;
-
·
comunhão dos carismas distribuídos pelo Espírito
para a edificação da comunidade;
-
·
comunhão dos bens partilhados especialmente com os
pobres;
-
·
comunhão na caridade que, irradiando-se em benefício
dos outros, vivos ou mortos, realiza a comunhão dos
santos, uma vez que “ninguém de nós vive e
ninguém morre para si mesmo” (Rm 14,7).
-
A Liturgia de Todos os Santos e de Finados
nos ajuda a celebrar os nossos entes queridos
que nos precederam na morte, com espírito de
confiança na bondade e misericórdia divina,
oferecendo a Deus preces e obras de piedade para que
Ele os tenha já em seu Reino, e de gratidão pelo dom
destas vidas ligadas às nossas em graus diversos de
afinidade e parentesco, rendendo graças a Deus, que
para nosso bem nos deu. Faz parte da nossa fé que as
orações por nós oferecidas a Deus em favor dos
irmãos que descansam na paz de Cristo podem não
somente ajudá-los, mas também tornar frutuosa a
intercessão deles por nós. É um intercâmbio de bens
espirituais entre nós e eles que fortalece os laços
de comunhão entre todos nós, os que somos filhos de
Deus e constituímos uma única família em Cristo. O
costume de venerar com grande piedade a memória dos
defuntos é antiquíssimo, vem desde os primórdios da
Igreja, e é uma prática que cultivamos com profundo
espírito religioso. É em Deus que nós podemos
encontrar os nossos falecidos e com eles nos
comunicar.
-
Os Santos que estão no Céu não deixam de
interceder a Deus por nós, que pelejamos aqui neste
chão, com orações e súplicas, e em virtude dos
méritos de Jesus Cristo a quem seguiram fielmente na
terra. Os Santos, além de intercessores em nossas
necessidades, são também mediadores de graças, que
nos ajudam a seguir seu exemplo de vida e caminho de
santificação. O seu valioso auxílio atrai a graça e
a força de Deus, que nos levantam das nossas
fraquezas.
-
Celebremos, com alegria, a festa de
Todos os Santos e, com esperança, o dia dos Finados,
pois Jesus Cristo é a Ressurreição e a Vida, e pelo
Batismo estamos unidos com Ele na vida e na morte (Jo
11, 25-26).
-
Na profissão de fé solene assim nós
rezamos: “Cremos na comunhão de todos os fiéis de
Cristo, dos que são peregrinos na terra, dos
defuntos que estão terminando a sua purificação, dos
bem-aventurados do céu, formando todos juntos uma só
Igreja, e cremos que nesta comunhão o amor
misericordioso de Deus e dos seus santos está sempre
à escuta das nossas orações”.
-
Vivos e mortos se encontram unidos na glória de
Cristo e no mistério de amor, especialmente, quando
nos reunimos para a celebração da Eucaristia, o
memorial da paixão, morte e ressurreição do Senhor.
Então, a terra se eleva ao céu e as alturas descem
às baixuras de nossas vidas. E desta mesa de
peregrinos nós participamos já aqui e agora do
banquete de Deus, celebrando a Comunhão dos Santos.
-
Em louvor de Cristo. Amém!
-
-
Dom Caetano Ferrari
- Bispo Diocesano
de Bauru
- "Ser
Santo"Artigo
publicado na edição de de 01 de novembro de 2009 do
Jornal Bom Dia
-
“
Aprendi
com a primavera a deixar-me cortar para voltar
sempre inteira”. (Cecília Meireles).
Novembro começa com a celebração de todos os Santos
e de Finados. A liturgia nos conduz a honrar os
santos dos céus, cantando as maravilhas que Deus
realizou por meio deles, enquanto viveram neste
mundo. Com as preces elevadas a Deus homenageamos
especialmente os santos de nossa devoção,
suplicando-lhes a intercessão e proteção para que
possamos ao menos chegar mais perto do grau de
santidade que alcançaram. Admirando-lhes a vida
santa, que levaram nos dias em que viveram entre
nós, aspiramos imitar-lhes o exemplo e seguir-lhes
os passos no caminho da santidade.
Os nossos mortos, nós os reverenciamos, rezando por
eles e visitando os cemitérios. Com velas acesas,
flores e orações, recordamos as pessoas queridas e
ligadas a nós, que já partiram para a casa do Pai. A
liturgia nos leva a rezar também pelos falecidos
desconhecidos, sobretudo as vítimas das guerras e
violências, da fome e do abandono, dos vícios e
pecados. Que o Senhor tenha pena de todos eles, lhes
conceda o repouso eterno e faça brilhar para eles a
sua luz. Nossa fé nos ensina que devemos rezar por
todos os mortos, mas também por todos os vivos,
santos e pecadores, bons e maus, para que o Senhor
tenha pena dos que ainda caminham na estrada da vida
e os conduza com sua mão firme na prática do bem
rumo ao céu.
Ao celebrar todos os santos e recordar nossos
mortos, somos levados a pensar em nossa vida, como
estamos vivendo, e no ideal de sermos santos, uma
vez que o sonho da santidade deve estar dentro de
nossos planos pessoais de vida.
Dom Caetano Ferrari é bispo diocesano de Bauru
- "Decreto
de Dom Caetano interdita a Igreja Santa Teresinha"Segue
abaixo o decreto de Dom Caetano Ferrari, bispo diocesano
de Bauru, para interdição da Igreja de Santa Teresinha
em Bauru.
O
Conselho de Presbíteros da Diocese de Bauru, reunido
com seu Presidente Dom Frei Caetano Ferrari, OFM,
Bispo Diocesano, ponderou e decidiu o quanto segue:
a)
a
Paróquia de Santa Terezinha do Menino Jesus, em
Bauru, tem seu templo tombado pelo Conselho de
Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru – CODEPAC,
desde 21 de outubro de 2002, pelo Decreto Nº
9304 do Dr. Nilson Costa, então Prefeito
Municipal;
b)
qualquer melhoria no prédio, para ser realizada,
necessariamente deve ter prévia e expressa
autorização do CODEPAC, órgão governamental
competente;
c)
ante o laudo pericial da lavra de M.S. TECNOLOGIA E
CONSULTORIA LTDA, datado de 07 de outubro de 2009,
devidamente assinado pelos técnicos responsáveis, srs.
Eric Édir Fabris (CREA 060 071096-8) e Gilberto Amauri
Serafim (CREA 060 142398-7), que entre outros, assim
propõe como solução:
“A solução
proposta para o reforço das fundações permanece a
mesma explicitada em nosso relatório de 2007,
inclusive em relação às prioridades de intervenção
do prédio, assim como as definições dos custos
envolvidos”.
E
conclui:
“Em vista do
exposto, ratificamos nossas recomendações constantes
do relatório anterior, de que o prédio exige
intervenção urgente para que se atinjam condições
adequadas de segurança, sendo agora, “premente”
a adoção de providências para o reforço de suas
fundações”.
Assim sendo, tendo em vista a
segurança dos fiéis, do próprio prédio e bens ali
existentes, DECRETO a INTERDIÇÃO,
temporariamente, da Igreja Matriz de Santa Terezinha,
em Bauru, para sua devida reforma estrutural.
Durante esse período, que espero que
seja breve, as cerimônias litúrgicas serão celebradas
no Salão Paroquial, sito na Praça Rodrigues de Abreu,
2-55.
Dado e passado em nossa Cúria
Diocesana de Bauru, aos 26 de outubro de 2009.
Dom Frei Caetano Ferrari, OFM
Bispo Diocesano
Presidente do Conselho Presbiteral Diocesano
Ir. Clara Maria Moreira, ASCJ
Chanceler
O
transcrevi e registrei
-
"Encerrando
outubro missionário e Santo Antônio de Santana Galvão"Artigo
publicado na edição de de 18 de outubro de
2009 do Jornal da Cidade -
Em
todas as comunidades de fé o chamado à missão ecoou,
intensamente, ao longo deste outubro, o mês missionário.
Neste espaço, a cada domingo de outubro, o discurso foi
o mesmo: a ação missionária da Igreja deve ser
permanente; é tarefa de todos os batizados; a paróquia é
o primeiro espaço da missão, mas ela deve chegar
a todas
as nações e povos; seu conteúdo é o anúncio da Palavra
de Deus, que é uma Pessoa, Jesus Cristo, homem e Deus;
para realizar essa missão, nós, os batizados, precisamos
nos converter em discípulos apaixonados e missionários
intrépidos de Jesus; e as nossas paróquias necessitam
abandonar estruturas ultrapassadas, testemunhar a
comunhão, a oração e a caridade, e sair à missão.
Todas as paróquias vêm se empenhando, vivamente, por
seus párocos, vigários, religiosas, catequistas, agentes
pastorais e líderes de comunidades, em oferecer
oportunidades aos fiéis, mediante celebrações, leitura
orante da Palavra e catequese bíblica, para
experimentarem a felicidade e o encantamento de um
encontro pessoal com Jesus Cristo. Como um exemplo de
encontro com Jesus, que transformou a vida de alguém,
basta lembrar o que sucedeu com o apóstolo Paulo: como
tudo mudou na sua vida depois do encontro com Jesus, no
caminho de Damasco (cf. At 9, 1-18), de perseguidor dos
cristãos tornou-se o maior missionário da Igreja em
todos os tempos.
Sem que deixemos esmorecer a ação missionária
permanente, encerro a reflexão que este outubro
missionário enseja, citando o Documento de Aparecida,
que nos convoca para a missão de comunicar,
“transbordando de gratidão e alegria, o dom do encontro
com Jesus Cristo. Não temos outro tesouro a não ser
este. Não temos outra felicidade nem outra prioridade
senão a de sermos instrumentos do Espírito de Deus na
Igreja, para que Jesus Cristo seja encontrado, seguido,
amado, adorado, anunciado e comunicado a todos, não
obstante todas as dificuldades e resistências. Este é o
melhor serviço – o seu serviço! – que a Igreja deve
oferecer às pessoas e nações” (DA 14).
-
SANTO ANTÔNIO DE SANTANA GALVÃO
No dia de hoje, celebra-se Santo Antônio de Santana
Galvão, o primeiro santo brasileiro nato. Ele nasceu em
Guaratinguetá-SP, no ano de 1739. Como sacerdote e
franciscano, exerceu sua atividade apostólica,
principalmente, na cidade de São Paulo, onde morreu aos
23 de dezembro de 1822. Seu corpo se encontra sepultado
no Mosteiro da Luz por ele fundado. O Santo Frei Galvão,
como é também chamado, ficou conhecido como “Homem da
Paz e da Caridade”. Exatamente assim porque essa foi a
marca característica de sua vida como Frade Franciscano
e grande devoto da Imaculada Conceição: um missionário
pacificador das tensões na vida familiar e social na
cidade de São Paulo e caridoso para com os pobres e
necessitados, que o procuravam no Convento São
Francisco, onde foi Pároco e Guardião, e depois no
Mosteiro da Luz. Eu tive a graça de participar tanto de
sua beatificação por João Paulo II, em outubro de 1998,
em Roma, como também de sua canonização por Bento XVI,
em maio de 2007, no Campo de Marte, em São Paulo, quando
da vinda do Papa ao Brasil para a abertura da V
Conferência Geral do Episcopado da América Latina e
Caribe, em Aparecida-SP.
Neste outubro missionário, em que celebramos a festa de
Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das missões,
São Francisco de Assis (dia 4), padroeiro da ecologia, e
Santo Antônio de Santana Galvão (dia 25), patrono dos
profissionais da construção civil, supliquemos ao Pai,
por intercessão de tão grandes santos, para que nos
abençoe e nos converta sempre mais em verdadeiros
discípulos e missionários de Jesus Cristo a serviço da
vida.
Dom Caetano Ferrari, Bispo
Diocesano de Bauru
"Ano Catequético nos convida a orar pelos
catequistas"Artigo
publicado na edição de de 25 de outubro de
2009 do Jornal Bom Dia
- Evangelizar e
catequizar é, em primeiro lugar e acima de tudo,
fazer-se próximo da pessoa, independentemente da sua
idade e condição social, para colocá-la em contato com
Jesus Cristo, convidando-a para segui-lo. É, em
resumo, propiciar a esse outro contatado o seu
encontro pessoal com Jesus e sua adesão livre a Ele.
Duas condições são absolutamente indispensáveis ao
evangelizador: acolher bem e comunicar-se, tendo como
guia e roteiro a Palavra de Deus. Para assim proceder,
todo evangelizador precisa, primeiro, ter ele mesmo
feito a sua experiência do encontro e adesão a Jesus e
estar inserido na comunidade eclesial, na qual vive a
comunhão, cultiva a vida espiritual na oração e
celebração litúrgica, tendo dela recebido a prévia
preparação bíblico-doutrinal e o mandato
missionário.
- Como “a evangelização
é obra do Espírito Santo” e “a fé é graça de Deus”,
evangelizar e catequizar é transmitir o “espírito e
vida” que leva ao encontro com Jesus, muito mais do
que passar conteúdos. Somente sendo, ao mesmo tempo,
discípulo apaixonado por Jesus e seu missionário
intrépido, que o evangelizador será como o Mestre dos
mestres, alguém que fala “como quem tem autoridade” (cf
Lc 4,32) e faz “arder o coração” como sentiram os
discípulos de Emaus: “Não ardia nosso coração quando
Ele falava e explicava as Escrituras” (Lc 24,32)?
- Estamos vivendo o “Ano
Catequético Nacional”, que nos convida a orar pelos
catequistas e evangelizadores de nossas paróquias.
- Além de sua oração,
apresente-se você também à sua comunidade de fé e
ofereça-se, transbordando de gratidão e alegria, para
ser evangelizador – discípulo e missionário de Jesus!
- Dom Caetano Ferrari
- Bispo Diocesano de Bauru
-
"Dia Mundial das Missões"Artigo
publicado na edição de de 18 de outubro de
2009 do Jornal da Cidade
- Sob a Ação do Espírito Santo, a V Conferência
Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe,
realizada em Aparecida, 2007, e inaugurada com a
presença do Santo Padre o Papa, Bento XVI, continua
repercutindo positivamente na vida de nossas
comunidades de fé e continuará ainda por muito tempo,
enchendo de esperanças e expectativas toda a Igreja.
- O pessoal de Igreja, que participa com assiduidade
nas Paróquias, talvez até esteja se cansando de tanto
ouvir falar de que cada batizado é “discípulo e
missionário” de Jesus e que a comunidade de fé
(Paróquia) é uma Comunidade de “discípulos e
missionários”. Que a missão da Igreja é evangelizar e
que nós, os seus fiéis, precisamos passar por um
monumental processo de conversão eclesial, pastoral,
espiritual, institucional para assumirmos a missão com
todo vigor e em todos os âmbito geográficos: a missão
na Paróquia, na Diocese, na Amazônia, no Continente e
“ad gentes”, isto e, além fronteiras
latino-americanas. E ainda que devemos ser testemunhas
e missionários: “nas grandes cidades e nos campos, nas
montanhas e florestas de nossa América Latina, em
todos os ambientes da convivência social, nos mais
diversos “areópagos” da vida pública das nações, nas
situações extremas da existência, assumindo ad gentes
nossa solicitude pela missão universal da Igreja”,
como lemos no Documento de Aparecida (DA548). E para
que essa conversão seja realmente alcançada, o
Documento assegura que a Igreja necessita passar por
uma verdadeira comoção, como que por um novo
Pentecostes de renovação pastoral e evangelizadora.
- Neste domingo, Dia Mundial das Missões, o Papa
Bento XVI nos envia uma mensagem de convocação
missionária iluminada com estas palavras bíblicas: “As
nações caminharão à sua luz” (Ap21,24).
- Lembra o Papa que a “Igreja não age para expandir
o seu poder ou afirmar o seu domínio, mas para levar a
todos Cristo, salvação do mundo”, enquanto o
compromisso de anunciar o Evangelho aos homens de
nosso tempo é, sem dúvida alguma, um serviço prestado
não somente à Comunidade cristã, mas também a toda a
humanidade”. Ele sublinha que “a missão da Igreja é
‘contagiar’ de esperança todos os povos” e “Cristo
chama, justifica, santifica e envia os seus discípulos
para anunciar o Reino de Deus, a fim de que todas as
nações se tornem Povo de Deus. É somente nessa missão
que se compreende e se confirma a verdade... A missão
universal deve se tornar uma constante fundamental na
vida da Igreja. Anunciar o Evangelho deve ser para
nós, como já dizia o apóstolo Paulo, um compromisso
impreterível e primário”. Como a missão é obra do
Espírito Santo, o Pontífice se dirige a todos nós, os
fiéis católicos, para permanecermos firmes na oração,
suplicando “ao Espírito Santo que aumente na Igreja a
paixão pela missão de proclamar o Reino de Deus e
ajudar os missionários, as missionárias e as
comunidades cristãs empenhadas nessa missão, muitas
vezes em ambientes hostis de perseguição”. Pede-nos
ainda o Papa: “Convido, ao mesmo tempo, todos a darem
um sinal crível de comunhão entre as Igrejas, com uma
ajuda econômica, especialmente neste período de crise
que a humanidade está vivendo, a fim de colocar as
jovens igrejas em condições de iluminar as pessoas com
o Evangelho da caridade”.
- Caro leitor, participe em sua comunidade de fé, na
comunhão de orações e caridade, ajudando na ação
pastoral e evangelizadora de sua Paróquia e em favor
da missão ad gentes.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
-
-
"Dia das Missões"Artigo
publicado na edição de de 18 de outubro de
2009 do Jornal Bom Dia
- Dia das Missões
- Desejo destacar a mensagem do papa Bento 16
dirigida, neste Dia Mundial das Missões, a todos nós:
“irmãos e irmãs de todo o povo de Deus”. O papa exorta
“a reavivar em si a consciência do mandato missionário
de Cristo de fazer discípulos todos os povos, seguindo
as pegadas de São Paulo, o Apóstolo dos Gentios”.
Convida a inspirar-se na firme convicção de Paulo:
“Anunciar o Evangelho deve ser para nós um compromisso
impreterível e primário”.
Alerta-nos para que não esqueçamos o compromisso com a
missão “ad gentes”, especialmente, em terras onde o
Evangelho está chegando pelo trabalho difícil, mas
intrépido dos missionários, às vezes em situações de
perseguição. Diz ele: “Toda a Igreja deve se empenhar
na missio ad gentes, até que a soberania
salvífica de Cristo não seja plenamente realizada”.
A mensagem do papa vem bem sintonizada com o espírito
da V Conferência do Episcopado Latino-Americano e
Caribenho, realizada em Aparecida, 2007, que está
impulsionando nossas comunidades de fé a buscar
conversão pastoral e renovação missionária, desde as
nossas paróquias até à missão na Amazônia, à
Continental e à ad gentes.
Concluindo, o papa reafirma que a missão é sempre obra
do Espírito Santo, o que exige de nós uma forte
comunhão de orações, suplicando bênçãos e graças para
os missionários e toda a missão. E relembra, por fim,
o dever de cada um de nós de dar também a sua ajuda
econômica em favor das missões.
Caro leitor, participe com suas orações e ajuda para
que o Espírito Santo derrame sobre nossas comunidades
e fiéis a graça de um novo Pentecostes de renovação
missionária.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
-
-
"Evangelizai toda criatura"Artigo
publicado na edição de de 11 de outubro de
2009 do Jornal da Cidade
-
A Igreja é missionária
por sua própria natureza afirma o Vaticano II (cf. Ad
Gentes, 2). E sua missão é evangelizar, ou seja, encher
a terra com o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Jesus fundou a Igreja, congregando os discípulos ao
redor da Palavra e da Eucaristia, e enviando-os à
missão: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos
envio” (Jo 20,21); “ide por todo mundo, proclamai o
Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).
Neste mês missionário de outubro, a Igreja nos propõe
quanto à missão aprofundar a conscientização, a oração e
o comprometimento com mudanças de atitudes, planejamento
e ação missionária concreta.
Uma pergunta importante: o que fazer para que a Igreja
seja mais missionária? Ou como dar um novo impulso à
evangelização, conforme a proposta do Documento de
Aparecida (DA)? O próprio DA aponta o caminho: para que
isso aconteça há necessidade de uma “conversão pessoal e
pastoral” e uma “renovação missionária de nossas
comunidades de fé” (cf. 366, 368). E arremata, afirmando
que a Igreja necessita de uma “forte comoção”, de um
verdadeiro “Pentecostes” para que se rompa com a
acomodação, o cansaço e a desilusão, e todas as nossas
comunidades se tornem missionárias (cf. DA 362).
A conversão pessoal e pastoral começa com mudanças no
âmbito individual e comunitário. Em primeiro lugar,
quanto à tomada de consciência de que ser missionário é
vocação e missão de cada batizado na Igreja. Não só dos
padres, catequistas e líderes das comunidades. Mas de
todos os cristãos e, por isso, da comunidade toda. Em
segundo lugar, quanto à clara compreensão de que a
conversão individual e comunitária só se dará “a partir
de Cristo”, ou seja, de um renovado encontro com Ele
experimentado no interior do coração e vivido no seio da
Igreja. O DA fala sobre a ventura desse encontro com
Cristo com abundantes adjetivos, como encontro decisivo,
fundante, fascinante, íntimo, fecundo, potencializador.
“A partir de Cristo” é que as coisas podem de fato mudar
na vida da pessoa e da comunidade. Pela adesão a Jesus o
discípulo faz parte, desde então, do Reino de Deus, e se
converte em participante e responsável pela proclamação
da Boa Nova de Jesus Cristo e do seu Reino. Ele se
compreende como discípulo dócil do Mestre e ao mesmo
tempo como seu missionário. E mais ainda ele se convence
de que, de fato, não pode existir cristão fora da
Igreja. Ele não poderá nunca ser “discípulo missionário”
sozinho, isolado, fora da comunidade dos discípulos e da
fé da Igreja. É a comunidade que o julgará idôneo para a
missão e é dela que ele receberá o “mandato
missionário”.
A renovação das comunidades de fé ou paróquias decorre
obviamente da conversão pessoal e comunitária de seus
fiéis, da santidade de seu povo. As paróquias serão mais
santas quanto mais santo for o seu povo. Mas elas também
são chamadas a uma renovação institucional, pastoral e
espiritual. Isso requer delas “abandonarem as estruturas
ultrapassadas que já não favorecem a transmissão da fé”
(DA 365); “serem células vivas da Igreja... casas e
escolas de comunhão” (170); “fonte dinâmica do
discipulado missionário” (172); “lugar onde os fiéis se
reúnem “para partir o pão da Palavra e da Eucaristia e
perseverar na catequese, na vida sacramental e na
prática da caridade” (175); tornarem-se “centros de
irradiação missionária” (306).
Última pergunta: de quem depende a renovação da
Paróquia? É claro, primeiramente, “dos párocos e dos
sacerdotes que estão a serviço dela”... Que o pároco
seja autêntico discípulo de Jesus Cristo e ardoroso
missionário (201). Mas “requer-se que todos os leigos se
sintam co-responsáveis na formação dos discípulos e na
missão” (202). “A evangelização do continente, dizia-nos
o papa João Paulo II, não pode realizar-se hoje sem a
colaboração dos fiéis leigos” (213).
As reformas e aprimoramentos das estruturas e organismos
da Paróquia “precisam estar animados por uma
espiritualidade de comunhão missionária” (203).
Caro leitor, com sua oração e colaboração, a sua
Paróquia há de renovar-se e de impulsionar a pastoral da
missão.
Em louvor de Cristo. Amém!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
-
"Outubro Missionário"Artigo
publicado na edição de de 11 de outubro de
2009 do Jornal Bom Dia
- Todo cristão é missionário, chamado desde o
Batismo a ser discípulo e apóstolo de Jesus Cristo. O
verdadeiro missionário é aquele discípulo dócil que se
deixa conduzir pelo Espírito Santo e plasmar-se por
Ele, interiormente, a fim de assemelhar-se cada vez
mais segundo a imagem de Cristo, e assim poder
seguir-lhe as pegadas e ser enviado à missão.
- O fiel discípulo de Jesus vive como Ele na escuta
da vontade do Pai e em espírito amoroso de oração e
devoção a Deus. Procurando ser “contemplativo na
ação”, medita a Palavra de Deus,., faz a leitura
cuidadosa dos sinais dos tempos e pratica a
solidariedade para com os irmãos e irmãs,
especialmente, os pobres e desamparados deste mundo. O
missionário será sempre uma pessoa espiritual de vida
intensa com Deus, mas igualmente inserido na história
e comprometido com a causa do Reino de Deus, que já
está presente neste mundo; será, portanto, uma pessoa
caridosa, amorosa e misericordiosa em relação a Deus,
aos outros e a toda criatura.
- O missionário ama a Igreja como ama a sua mãe e as
pessoas, assim como Jesus as amou e por elas deu a
vida. Todos missionário segue o itinerário de fé
percorrido pela Virgem Maria. Como primeira discípula
de seu Filho Jesus, ela esteve reunida com os
Apóstolos no Cenáculo, recebendo com eles os dons do
Espírito. Ela é a “Estrela da Evangelização”, a
“Missionária de Jesus”, que nos ensina e ajuda a
evangelizar, enchendo a terra com o Evangelho de seu
Filho, Jesus Cristo.
- Neste mês missionário, participe com sua oração e
colaboração nas ações pastorais e missionárias de sua
Paróquia. Em louvor de Cristo. Amém!
- Dom Caetano Ferrari – Bispo Diocesano de Bauru
-
"São Francisco de Assis"Artigo
publicado na edição de de 04 de outubro de
2009 do Jornal Bom Dia
Nossa
Senhora é a primeira discípula de Jesus. Por sua
grandeza ela está a frente de todos os humanos no
seguimento de Jesus. E logo depois vem São Francisco, o
segundo entre os humanos, mas o primeiro entre os
homens, como o mais perfeito discípulo e missionário de
Jesus. No plano da santidade, Nossa Senhora e São
Francisco seguem à frente de todos os santos. E na
vivência do amor, baixando agora à Terra, nós homens
devemos reconhecer que as mulheres são imbatíveis. Neste
aspecto, quem como a mãe de Jesus, quem como as nossas
mães?
-
Hoje é dia de São Francisco que “é, depois de Maria de
Nazaré, o mais grandioso santo do calendário cristão, e
um dos homens mais influentes da história da humanidade”
(Chersterton).
- O
Papa João Paulo II, em 1993, assim rezou: Ó São
Francisco, o mundo tem saudades de ti, como imagem de
Jesus Crucificado; ensina os homens de hoje a abrir as
portas da esperança aos crucificados pelo sofrimento,
fome e guerra, a vencer o mal do pecado, a descobrir a
alegria de perdoar e a construir a paz.
-
Chamado de “Alter Christus” (o outro Cristo) ou “o
primeiro depois do Único” e ainda de “homem feito
oração”, Francisco inspirou a “Oração pela paz”: Senhor,
fazei-me um instrumento de vossa paz” e compôs o
“Cântico das Criaturas”: “Altíssimo, Onipotente, Bom
Senhor, teus são os louvores. Louvados sejas, meu
Senhor, pelo irmão sol, a irmã lua, a irmã água, o irmão
fogo e a irmã morte do corpo da qual homem algum pode
escapar. Da morte segunda, a do pecado, livra-nos,
Senhor. Que felizes cantaremos teus louvores para
sempre. Amém!”
-
Dom Caetano Ferrari
"Dia Nacional da Bíblia"Artigo
publicado na edição de de 27 setembro de
2009 do Jornal da Cidade
Santo Padre o Papa, Bento XVI, hoje, Dia Nacional da
Bíblia, nos brinda com a publicação da “Exortação
Apostólica pós-sinodal sobre a Palavra de Deus na vida e
na missão Igreja”. Esse documento, tão logo o tenhamos em
mãos, ensejará muitas reflexões. Enquanto isso, penso que
nunca é demais recordar algum princípio básico necessário
à compreensão da Bíblia. É o que desejo fazer agora.
Quanto à leitura da Bíblia:
há
pessoas que leem a Bíblia como literatura e a consideram
inclusive uma obra fascinante como a “Ilíada” e a
“Odisséia”, de Homero, e os contos de fada ou uma
narrativa épica que mistura fatos e lendas, realidade e
mitos, seres humanos e deuses como as epopéias. Além de
seu valor cultural e de sua beleza literária, essas
narrativas são moralmente valiosas, pois transmitem
valores, e permanecem até hoje como verdadeiras obras de
arte. Para essas pessoas, a Bíblia não passaria de uma
linguagem figurativa, um conto, um romance escrito para
transmitir também valores, mas, o que seria pior,
ocultaria uma intenção de interesse humano muito forte por
trás. Qual seja, o desejo de dominação dos judeus sobre os
povos a seu redor, no Antigo Testamento, e, por suposição,
dos cristãos sobre as consciências das pessoas e as
liberdades individuais e sociais, no Novo Testamento. Por
isso, segundo elas, se valesse a pena ler a Bíblia como
uma fascinante obra-prima da literatura mundial, todavia,
se deveria fazê-lo com cuidado e espírito crítico, porque
ela ocultaria uma vontade de poder, um projeto humano,
demasiadamente humano, e não seria nunca um “Livro
Sagrado”, uma “História da Salvação” e muito menos a
“Palavra de Deus”.
O espaço não permite detalhar a questão e
inclusive obriga a resumir, sem maiores aprofundamentos,
uma resposta, aproveitando-se do ensejo para uma
proclamação da fé e das “razões da esperança” (cf. 1Pe
3,15).
·O
ponto de partida de aproximação à Bíblia para nós,
cristãos, é a fé. E, em primeiro lugar, a fé numa pessoa,
em Nosso Senhor Jesus Cristo, a Palavra viva de Deus, o
Verbo Divino feito carne, a revelação absoluta de Deus e
de seu desígnio para com a humanidade. Essa fé em Jesus
vem pelo anúncio da Palavra, a Bíblia, que funciona como o
instrumento, o caminho, a palavra escrita que testemunha e
anuncia Jesus Cristo. Ela conta como foi preparada a vinda
de Jesus (Antigo Testamento) e como aconteceu a encarnação
de Jesus, o modo como viveu, suas palavras e atos, sua
paixão, morte e ressurreição (Novo Testamento). Somente a
partir da fé em Cristo se pode ler e compreender
corretamente a Bíblia como Palavra de Deus. O cristianismo
não é, prioritariamente, doutrina, ensinamento e palavra
escrita. É uma Pessoa, o próprio Cristo, “caminho, verdade
e vida”, que leva ao Pai e nos dá o Espírito Santo. O
Documento de Aparecida fala da alegria do encontro com
Cristo: “Conhecer a Jesus é o melhor presente que
qualquer pessoa pode receber; tê-Lo encontrado foi o
melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-Lo conhecido
com nossa palavra e obras é nossa alegria” (DA 29).
·A
Bíblia é um livro diferente de todos os outros. Não se
busque nela verdades científicas, cosmológicas,
geográficas. Não é também um livro de ficção, pura
literatura e arte. Seu objetivo é religioso e sua verdade
é salvífica, cujo núcleo central é “uma proclamação
clara de que, em Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem,
morto e ressuscitado, a salvação é oferecida a todos os
seres humanos como dom da graça e da misericórdia do mesmo
Deus” (Evangelii Nuntiandi, 27, Papa Paulo VI).
·Segundo
a fé, Deus é o autor da Sagrada Escritura. Os autores
humanos a escreveram em linguagem humana, mas sob a
inspiração do Espírito Santo, ensinando todas as verdades
necessárias à nossa salvação. O Concílio Vaticano II assim
se expressa: “os livros da Escritura ensinam com
certeza, fielmente e sem erro a verdade relativa à nossa
salvação, que Deus quis que fosse consignada nas Sagradas
Escrituras“ (Dei Verbum, 11). A fé cristã,
todavia, não é “uma religião do Livro”, mas da Palavra de
Deus, que não é “uma palavra escrita e muda, mas o Verbo
encarnado e vivo” (cf. Catecismo da Igreja, 18).
De fato, para quem tem fé em Deus, a Bíblia
não tem outra intenção senão a do próprio Deus que
“amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que
todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”
(Jo 3, 16). Conhecer a Sagrada Escritura é muito
importante. Como escreveu São Jerônimo, no século V,
“ignorar a Bíblia é ignorar a Cristo”.
Dom
Caetano Ferrari
Bispo
Diocesano de Bauru
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"O Dia da Bíblia"Artigo
publicado na edição de de 27 setembro de
2009 do jornal Bom Dia
Neste último domingo do mês a Igreja comemora o Dia
Nacional da Bíblia. E, hoje, o Santo Padre o Papa,
Bento XVI, publica a Exortação Apostólica
pós-sinodal sobre a Palavra de Deus na vida e na
missão da Igreja. Apressemos a lê-la assim que
chegar às mãos.
Orar com a Bíblia:
a
Bíblia é o melhor livro de orações porque ela é a
própria Palavra de Deus. Com ela se pode escutar o
que Deus tem a dizer e, em seguida, inspirar-se a
falar com Deus, isto é, a orar. Tanto para as
orações individuais e grupais como para as
litúrgicas e oficiais, a Bíblia é o livro de orações
mais importante dos católicos. A Leitura Orante da
Bíblia é uma maneira de orar com a Bíblia,
desenvolvida desde os primeiros cristãos, e ainda
atual. É um itinerário de oração em quatro passos ou
degraus que sugerem um subir, elevando o coração, a
alma e todo o ser até Deus a partir da Palavra:
ler, meditar, orar e contemplar.
A
oração leva a contemplar:
isto é, a sentir a alegria da presença de Deus, de
sua graça que aquece o coração, ilumina a mente,
amplia os horizontes, compromete a vida, desde aqui
e agora, com a vida das coisas, dos outros e a vida
eterna em Deus. Desse sublime encontro com Deus
desenvolve-se, lá no fundo da inteligência, uma nova
visão da vida, das coisas e de Deus mesmo; lá no
fundo do coração, um novo sentimento de compaixão
com os que sofrem e de compromisso com as causas da
justiça, da paz, da fraternidade universal; e, lá no
fundo de todo o ser, um desejo ardente de tornar-se
verdadeiramente discípulo e missionário de Jesus
Cristo.
O pão da Palavra e da Eucaristia,
especialmente partilhado na Missa, alimenta a fé e
torna a vida cristã decididamente bíblica e
eucarística.
Dom Caetano Ferrari
Bispo Diocesano de Bauru
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"Casamento
católico só é feito na Igreja"Artigo
publicado na edição de de 23 setembro de
2009 do Jornal da Cidade

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A Diocese de Bauru reitera que os padres não têm
autorização para celebrar cerimônia religiosa fora de
seus templos |
Os
noivos de Bauru e região interessados em selar a união
com a bênção de um padre católico necessariamente
realizarão a cerimônia numa igreja da Diocese. Os
religiosos não têm autorização para celebrar o
sacramento em outros locais como capelas particulares,
oratórios, salões de festa ou bufês, por exemplo. A
informação foi confirmada ontem pelo bispo dom Caetano
Ferrari, transferido para Bauru em meados de abril.
Ele tomou posse no último dia de maio.
A determinação, no entanto, antecede sua gestão. “O
matrimônio é uma celebração litúrgica. É religiosa,
não é civil. As celebrações religiosas devem ser
feitas, de forma preferencial, nos templos ou
ambientes religiosos. É um ato público, litúrgico e
oficial da igreja”, reitera o bispo. De acordo com
ele, quando era bispo em Franca recebeu pedidos para
que abrisse exceções, o que não se repetiu em Bauru,
pelo menos por enquanto.
“Têm pessoas que insistem para ter autorização e fazer
numa capela, fazenda, chácara, eventualmente num salão
de festas. Mas não é um ato social”, explica. Dom
Caetano Ferrari informa, porém, algumas possibilidades
para permitir uma cerimônia fora da igreja.
É o caso, por exemplo, de quem está internado, com
risco de morte, e quer regularizar o casamento na
Igreja Católica. Outra exceção é o casamento misto
entre um católico e um evangélico, que recusa a igreja
por conta das imagens.
“O bispo, então, pode dar autorização para que esse
casamento seja feito no salão da paróquia. Essas
situações podem existir”, acrescenta o bispo. De
acordo com ele, as justificativas devem ser estudadas.
Em Bauru, dom Caetano já foi consultado quanto à
possibilidade do padre abençoar um casamento, sendo
que uma das partes iniciaria uma segunda união. “Eles
sabem que não podem ter casamento, mas gostariam de
uma bênção. Isso a gente não pode dar porque seria uma
simulação do sacramento. Não podemos fazer uma bênção
pública. Se quiserem particular, conversem com o padre
e peçam uma particular”, finaliza. |
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"A
leitura orante da Bíblia"Artigo
publicado na edição de de 20 setembro de
2009 do Jornal da Cidade

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Ou, em latim, a “Lectio Divina”
mais do que um método é uma maneira simples, individual
ou grupal de se ler e meditar a Palavra Divina e de se
dispor à escuta de Deus e à acolhida de sua graça.
Somente isso. Bastando ao sujeito leitor da Bíblia a
humilde confiança e o sincero desejo de comunicar-se com
o Senhor, a Palavra Sagrada por ele lida e meditada, que
é luz e força, pode de fato iluminar os seus passos e
transformar a sua vida. Diz-se, por isso, que a “Lectio
Divina” é como um itinerário espiritual que leva a
pessoa a um venturoso encontro e diálogo com Deus por
meio de sua Palavra. Desse encontro, o leitor não sai o
mesmo, mas renovado e fortalecido na fé, esperança e
caridade.
Essa experiência peculiar de ler a Sagrada Escritura
remonta ao povo do antigo Israel que a lia para
“alimentar a fé e a fidelidade à aliança” (cf. Neemias
8, 1-12). Os cristãos, depois, não abandonaram essa
prática, mas a assumiram e a levaram adiante,
desenvolvendo-a até a fórmula clássica como a conhecemos
hoje. Naturalmente uma experiência orante da Bíblia que
teve seus momentos de altos e baixos, segundo as
vicissitudes da história.
Pois bem, a “Leitura Orante”, na sua formulação clássica
que se desenvolveu desde as primitivas práticas cristãs
de meditação bíblica e os exercícios espirituais dos
monges do deserto e que chegou até nós, vem proposta
como um itinerário em quatro passos ou uma escada de
quatro degraus, indicando um caminhar para frente e para
o alto, ou seja, para o céu e para Deus.
Os quatro passos ou degraus da “Lectio”
1º passo: LER – Deve-se sempre começar invocando
o Espírito Santo, para que ajude e ensine a rezar e a
ouvir a voz do Deus Vivo que, com sua Palavra, quer
falar. Depois, inicia-se fazendo a leitura, uma simples
leitura do texto e uma pausa para bem compreendê-lo. O
empenho por entender o que o texto em si mesmo está
dizendo supõe inclusive situá-lo no tempo, no espaço e
no seu contexto. Para isso, se for possível, será muito
útil servir-se de algum bom comentário bíblico. Prestar
atenção às palavras, às ideias, ao conteúdo, ao
sentido... E silenciar-se para ouvir o que Deus tem a
dizer.
2º passo: MEDITAR – É uma
ação a se fazer mais com o coração do que com a cabeça.
É o ruminar a Palavra depois de lida e entendida. Alguém
até já usou a comparação com o gado que, enquanto
descansa, rumina e mastiga, trazendo a relva de volta do
estômago para reprocessá-la a fim de que nenhum
nutriente se perca e tudo seja bem aproveitado. Assim
deve ser o meditar, um processo de interiorização e
interpretação da mensagem lida agora, buscando
atualizá-la no aqui e agora da caminhada e aplicá-la à
vida no concreto das vivências, sentimentos, alegrias e
tristezas. Tentar perceber o que o texto está a dizer. E
suplicar, como os santos: “fala, Senhor, que o teu servo
escuta”.
3º passo: ORAR – A leitura e a meditação levam à
oração. Como suspiro e sussurro da alma a oração é o
desejo de falar com Deus, de lhe abrir o coração, de
louvar, de agradecer, de suplicar perdão pelas traições
e bênçãos de bem para si e para os outros. O texto lido
e aplicado à vida inspira o orar e o que dizer a Deus.
Uma oração ligada à vida. É a resposta dos santos:
“escuta, Senhor, que o teu servo deseja falar”.
4º passo: CONTEMPLAR – Não é apenas vivenciar
algum êxtase místico. Embora ele possa acontecer,
consiste em desenvolver e aprimorar a capacidade de
lançar um novo olhar sobre a vida, sobre Deus e sobre os
outros. E, como conclusão da leitura orante, ser capaz
de assumir compromissos de fidelidade na fé, de
tornar-se discípulo e missionário, e de servir à vida.
Dependendo menos da vontade e esforço e mais da graça e
ação do Espírito, a “Leitura Orante” conduz ao encontro
com Deus. Empenhe-se com afinco, prezado leitor, nesse
exercício de ler, meditar, orar e contemplar a Sagrada
Escritura, confiando, contudo, que o Espírito Santo vem
ao encontro da nossa fraqueza e “intercede por nós com
gemidos inefáveis (Rm 8, 26).
-
Dom Caetano Ferrari Bispo
Diocesano de Bauru
-
"Amar
a Bíblia"Artigo
publicado na edição de de 20 setembro de
2009 do Jornal Bom Dia

- Conhecer e amar a Bíblia é dever de
todo cristão. O discípulo fiel sempre encontra tempo
para uma leitura diária da Sagrada Escritura. Lemos na
Bíblia que a Palavra de Deus “é viva, eficaz e mais
penetrante do que qualquer espada de dois gumes” (Hb
4,12).
- Que ela não sai da boca de Deus e
desce até nós em vão, conforme diz o Senhor: “Como a
chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam, sem
terem regado a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a
germinar,... tal ocorre com a palavra que sai da minha
boca: ela não volta a mim sem efeito; sem ter cumprido o
que eu quis, realizado o objetivo de sua missão”
(Is55,10-11). A Palavra de Deus leva ao encontro com
Deus e tem esse poder de transformação: repercute na
vida, convida à conversão, engaja na Comunidade e
compromete com a solidariedade.
- Conhecer a Bíblia, saber manuseá-la,
estudá-la, interpretá-la, aplicá-la à vida requer
esforço e aplicação. A Bíblia é um livro complexo.
Fazem-se necessários estudos sérios, ajuda de pessoas
preparadas e freqüência a cursos bíblicos na Comunidade.
Tudo isso é importante para serem evitadas as leituras
errôneas. É claro que o Espírito Santo inspira cada um a
bem ler a Bíblia.
- Mas Ele também concede o dom da
comunhão com a fé da Igreja. Ele sopra para onde quer,
mas não dispersa nem gera o caos e sim leva à harmonia e
à unidade da fé. E Ele assiste a Igreja para que, com
seu Magistério, garanta sempre a interpretação bíblica
verdadeira e sua aplicação correta à vida.
- Conhecer para amar, orar e
contemplar: esse é o itinerário da “Leitura Orante da
Bíblia”. Freqüente, prezado leitor, na sua Comunidade,
as equipes bíblicas de estudo e oração.
Dom Caetano Ferrari, OFM - Bispo Diocesano
-
"Exaltação
da Santa Cruz"Artigo
publicado na edição de de setembro de 2009 do Informativo
"O Peregrino"

- “Do mesmo modo como Moisés levantou
a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do
Homem seja levantado, para que todos os que Nele crerem,
tenham a vida eterna” (Jo 3,14-15)
-
- Se não houvesse a Cruz, Cristo
não seria crucificado nem teria atraído todos a si.
- A
festa da Exaltação da Santa Cruz é a festa da Exaltação do
Cristo, vencedor da morte e do pecado, por seu Corpo dado e
Sangue derramado no alto da cruz. Para o cristianismo, a
cruz é o símbolo maior de fé, com cujos traços, todos nós
nos persignamos, desde o momento do levantar até o deitar a
cada dia. Na cerimônia batismal, o primeiro sinal de
acolhida à criança recém-nascida é o sinal-da-cruz, traçado
em sua fronte pelo Padre, Pais e Padrinhos, sinalando-a para
sempre com a marca de Cristo.
-
A cruz recorda o Cristo crucificado, o sacrifício de sua
Paixão, o seu martírio que nos deu a salvação. Por isso é
que, desde tempos antiquíssimos, a Igreja passou a celebrar,
exaltar e venerar a Cruz, inclusive, como símbolo da árvore
da vida, que se contrapõe à árvore do pecado, no paraíso, e
símbolo mais perfeito da serpente de bronze que Moisés
levantou no deserto para curar os israelitas picados pelas
cobras, porque O Filho do Homem, nela levantado, cura o
homem todo e todos os homens, o corpo e a alma dos que Nele
crêem e lhes dá a vida eterna.
- A
serpente do paraíso trouxe a infelicidade a este mundo, com
o engodo da igualdade divina, com que incitou os pais da
humanidade a comerem o fruto da árvore proibida (Gn
3,17-19), e as do deserto provocaram a morte dos filhos de
Israel, que reclamavam contra Deus e contra Moisés (Nm 21,
4-6). Arrependendo-se do seu pecado, o povo pediu a Moisés
que rogasse ao Senhor para livrá-los das serpentes. O
Senhor, que é bom e misericordioso, sempre pronto a perdoar,
ordenou a Moisés que erguesse, no centro do acampamento, um
poste de madeira, com uma serpente de bronze pendurada no
alto, dizendo que todo aquele que dirigisse seu olhar para a
serpente de bronze, se curaria (Nm 21,8-9).
- Jesus
retoma esses símbolos do passado, bem conhecidos pelo povo
(serpente, árvore, pecado, morte) para dizer no Evangelho da
Liturgia da festa (Jo 3,13-17) que no lugar da serpente de
bronze pendurada no alto de um poste de madeira, Ele mesmo é
quem seria levantado no lenho da cruz. Se o pecado e a morte
advieram da insídia e veneno do demônio, nos símbolos da
árvore proibida e da serpente do paraíso e do deserto, a
bênção, a salvação e a vida eterna advêm do Cristo levantado
no alto da cruz, de onde Ele atrai a si os olhares de toda a
humanidade. Eis porque a Igreja canta na Liturgia
Eucarística da festa: “Santa Cruz adorável, de onde a
vida brotou, nós, por ti redimidos, te cantamos louvor!”
e na Liturgia das Horas: “Mais
altaneira do que os cedros, ergue-se a Cruz triunfal: não
traz um fruto de morte, traz a vida a todo mortal”.
-
“Longe de mim gloriar-me a não ser na Cruz de Nosso Senhor
Jesus Cristo” (Gl 6, 14)
- Até o
Calvário, a cruz fora tida como sinal de vergonha, maldição,
execração. Com a crucifixão de Cristo, desde então, ela se
tornou símbolo de triunfo e vitória. Se da cruz vinha a
maldição e a morte, agora, da cruz vem todo o bem e toda a
graça. O Apóstolo Paulo aprofunda o mistério, dizendo que a
cruz lembra a humilhação extrema de Jesus, que se despojou
de sua dignidade de ser igual a Deus, “fazendo-se
obediente até a morte e morte de cruz” (Fl 2,8). E ele
mesmo afirma que: “Por isso, Deus o exaltou acima de tudo
e lhe deu o nome que está acima de todo nome. Assim, ao nome
de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da
terra e toda língua proclame: Jesus Cristo é o Senhor!”
(Fl 2, 8-11). Tendo tal compreensão da Paixão de Jesus e
elaborado tal teologia a respeito do mistério da Cruz,
torna-se perfeitamente compreensível a declaração de Paulo
aos Gálatas de que para ele, sem a cruz de Cristo, não há
glória possível. Oxalá possamos nós também, proclamar e
viver sempre essa mesma fé.
- Nós
vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos,
porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo!
- A
cruz não é uma divindade, um ídolo, feito de madeira, barro,
bronze, mas ela é para nós santa e sagrada, porque dela
pendeu o Salvador do mundo. Ela é o símbolo universal do
cristão. Com orgulho e devoção, ela é a nossa marca, o sinal
de nossa identidade, vocação e missão. Traçando o sinal da
cruz, em nossa fronte, a todo o momento, nós louvamos e
bendizemos a Santíssima Trindade, Pai e Filho e Espírito
Santo, agradecendo o tão grande bem e amor que pela Cruz o
Senhor continua a derramar sobre nós.
Celebrando a festa da Exaltação da Santa Cruz,
celebramos a vitória de Cristo que nos possibilita, desde
agora, celebrar a nossa futura glória no céu. Pois, “se
morremos com Cristo, cremos também que viveremos com Ele”
(Rm 6,9).
-
- Dom
Caetano Ferrari, OFM
"Mistério
da Cruz"Artigo
publicado na edição de 13 de setembro de 2009 do Jornal Bom
Dia
- A cruz na
vida de Jesus tem unanimidade entre os cristãos de todos
os credos. Mas a cruz na vida dos cristãos não goza do
mesmo prestígio. É fé comum que a paixão de Cristo na
cruz foi sacrifício perfeito que perdoou o pecado e
reconciliou o homem com Deus (cf. Rm 3,24; 1Cor 1,18ss;
5,7; Ef5,1s; Cl1,19s). nos Evangelhos, Jesus mesmo
anunciou a sua morte na Cruz (cf. Mt20,18-19; Mc8,31; Lc
9,22). Estas e outras passagens bíblicas não deixam
dúvidas a respeito do lugar que ocupou a cruz na vida de
Jesus. E que foi por esta cruz que Jesus nos salvou e
libertou de todo pecado. A cruz de Cristo como símbolo
de seu amor por nós é fé gral.
- Mas para
não poucos crentes em Jesus a cruz na vida dos cristãos
não goza do mesmo consenso. Defendem que a cruz não faz
parte da vida dos cristãos. Interpretam que Cristo
livrou os discípulos da cruz, bastando ter fé nele. São
cristãos que não gostam nem de falar da cruz.
- A cruz,
no entanto, faz parte da vida humana e cristã como
símbolo do sofrimento humano. Para os que crêem, é
claro, a cruz assumida livremente na f[e leva
necessariamente ao “poder da ressurreição de Cristo”,
que dá vida e que faz do cristão partícipe da cruz do
Senhor e colaborador da sua obra redentora (cf. Fl3,10s;
2Cor1,5s). Não há como não compreender como claríssima,
por exemplo, esta fala de Jesus: “ Aquele que não toma
sua cruz e não me segue não é digno de mim” (Mt10,38). O
Mistério da Cruz de Cristo desvela o mistério do
sofrimento humano.
- Nesta
semana, a Igreja celebra a “Exaltação da Santa Cruz”
(dia14) e os “Estigmas de São Francisco” (dia 17). Cruz
e chagas: exaltação do amor de Deus e do amor humano.
Dom Caetano Ferrari
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"Setembro,
mês da Bíblia"Artigo
publicado na edição de 06 de setembro de 2009 do Jornal
da Cidade
-
É claro que todo dia é dia da Bíblia; é
inclusive indispensável que a leiamos e nela meditemos
diariamente. Mas a Igreja tem o costume de valorizar o
tempo, que está ligado à nossa condição humana e com ele
ou dentro dele vivemos experiências ricas de
significado. Por exemplo, em vista da Liturgia, a
divisão do ano é feita para marcar os tempos fortes em
que se celebram os mistérios da vida de Cristo: Natal,
Quaresma, Páscoa, tempo comum, etc. Na oração pública,
particularmente nos mosteiros, o dia se divide em horas
em que se rezam as orações chamadas de Liturgia das
Horas. O Ano Litúrgico insere-se no Ano Civil
sinalizando outro calendário, o da história da salvação.
Assim como no calendário há datas fixas marcando
passagens importantes do tempo, a Igreja aproveita para
agendar temas que se apresentam vitais e urgentes num
determinado momento e contexto sócio-cultural e
eclesial: Ano Sacerdotal, Ano Catequético Nacional,
Semana Nacional da Família, Dia Nacional do Catequista
etc.
-
Peço desculpas por esta longa
introdução. Mas é exatamente sob essa perspectiva
peculiar do tempo que a Igreja, objetivando fomentar o
amor à Palavra de Deus e impulsionar a leitura orante, a
formação e a pastoral bíblica, instituiu o mês de
setembro como Mês da Bíblia. Um mês inteiro de
mobilização bíblica, de convocação geral das comunidades
e dos católicos para participarem de um verdadeiro
mutirão bíblico. A Bíblia, porém, continua importante
sempre. Como em outro exemplo, em 2008, o Santo Padre o
Papa Bento XVI convocou um Sínodo dos Bispos sobre “A
Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”. Assim o
fez exatamente para responder a uma demanda muito forte
nos dias de hoje: o anseio dos católicos por aprofundar
o conhecimento, a meditação e a vivência da Palavra de
Deus.
-
Pois bem, as orientações
vindas desse Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus e
também os apelos do “Documento de Aparecida” e das
“Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no
Brasil”, que pedem que se priorizem a formação
bíblico-doutrinal (cf. DA 226, c) e a oração com a
Bíblia (cf. DGAEB 147), estão pondo em marcha a
mobilização bíblica neste ano. Sob esse impulso, todo
esforço está sendo feito para intensificar ações e
programas, especialmente, nestes três campos:
-
1-
Conhecer e amar a Bíblia:
um empenho que começa desde a campanha
para divulgar a Bíblia e fomentar o acesso à Palavra de
Deus e vai até a ampliação da oferta de escolas e cursos
bíblicos disponíveis a um número cada vez maior de
fiéis. Para que possam bem conhecer a Bíblia, saber
manuseá-la, estudá-la, interpretá-la, aplicá-la à vida.
A Bíblia é um livro complexo que exige pessoas
especializadas que ajudem a desvendar os seus segredos e
a entender o seu verdadeiro significado e se evitem as
leituras e interpretações erradas e falsas, como por
exemplo, a leitura fundamentalista e literalista (ao pé
da letra); a leitura espiritualista e devocional
desencarnada da realidade; a leitura sem levar em conta
o contexto em que o texto bíblico foi escrito,
desprezando a ajuda das ciências humanas (História,
Geografia, Política, Sociologia, Psicologia etc.); a
interpretação subjetivista e individualista fora da fé
da Igreja e da garantia do magistério da Igreja que
recebeu do Senhor a assistência do Espírito Santo para
bem guardar as Sagradas Escrituras e bem interpretá-las,
a fim de que sejam sempre a luz e o alimento da fé do
povo de Deus, vale dizer, da Igreja caminhante e
peregrina neste mundo.
-
2-
Rezar com a Bíblia:
ou rezar a Palavra de Deus. A
Bíblia é o melhor livro de orações, pois contém a
Palavra de Deus. Quem a lê e nela medita ouve o que Deus
tem a lhe dizer. Veja o que Santo Agostinho dizia
(século V): “Quando você lê a sagrada Escritura, Deus
lhe fala. Quando você reza, você fala a Deus”. O que
Deus diz são palavras de vida, de esperança, de coragem,
de perdão, de bondade, de afeto, de ternura. São
palavras de Pai para filhos. Por isso a Bíblia é chamada
de livro da vida, pois quem com ela reza é conduzido
pela graça ao encontro e à comunhão com Deus. Desde os
primórdios a Igreja desenvolveu uma leitura especial
chamada “Leitura Orante da Bíblia”, em latim, a “Lectio
Divina”. Uma maneira de rezar com a Bíblia em quatro
degraus: ler, meditar, rezar e contemplar. Sobre esse
método falarei, em especial, no próximo domingo.
-
3-
Viver a Bíblia:
a Palavra de Deus é para ser conhecida, amada, rezada e,
por fim, vivida. É Palavra para ser ouvida e guardada no
coração, mas vivenciada no dia a dia. Como ela é Palavra
eficaz, criadora, revitalizadora da vida e
transformadora da realidade, ela renova as forças
missionárias da Igreja, faz do nosso Catolicismo um
“Catolicismo Bíblico e Evangélico” e de nós Católicos,
discípulos e missionários de Nosso Senhor Jesus Cristo.
-
Dom Caetano Ferrari
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"Catolicismo
bíblico"Artigo
publicado na edição de 06de setembro de 2009 do Jornal
Bom Dia
- Aconteceu comigo, não faz muito
tempo, depois de uma missa dominical. Um casal de
namorados me procurou na saída da Igreja.
- Ele, um jovem evangélico, assistiu à
missa acompanhando a namorada, católica participante.
Feitas as apresentações, o rapaz então me disse, entre
surpreso e admirado: “Não sabia que na missa se lê a
Bíblia!” lembro-me que lhe respondi brincando: “Pois é,
sempre é tempo de aprender coisas novas!” E acrescentei
para sua surpresa maior: “O catolicismo é também bíblico
e evangélico!”
- O Concílio Vaticano II, no documento
que trata da Bíblia, “Dei Verbum” (Palavra de Deus),
traz esta afirmação basilar: (A Igreja) “sempre
considerou e considera as divinas Escrituras... como a
regra suprema da própria fé” (DV21). Assim sendo, vemos
a Bíblia nas mãos, mente e alma dos católicos, como
principal livro das orações litúrgicas e devocionais, da
evangelização e catequese, da vida ética e moral, na
prática do bem, da justiça e da paz.
- O presente mês de setembro é o mês da
Bíblia. A Igreja nos chama para neste mês para um
verdadeiro mutirão bíblico. Um mês inteiro de
mobilização e convocação das lideranças eclesiais:
bispo, padres, diáconos, catequistas, ministros da
Palavra, coordenadores das pastorais, comunidades e
associações para oferecerem a todos os católicos
programas e ações que impulsionem e aprofundem a leitura
orante, a formação e a pastoral bíblica.
- De fato, há uma unidade indissolúvel
entre “conhecer a Bíblia”, rezar com a Bíblia” e “viver
a Bíblia”. Participe você também, caro leitor, dessa
mobilização bíblica em sua comunidade.
- Dom Caetano Ferrari
-
"Dia do
Catequista
"Artigo
publicado na edição de 30 de agosto de 2009 do Jornal da
Cidade
Desde
o início de agosto, mês vocacional, a Igreja vem nos
convidando a rezar, refletir, celebrar e agir em favor das
vocações. Lembram-se? Comemorando a cada domingo uma
vocação em especial. No primeiro domingo, a do Padre; no
segundo, a do Pai e da família; no terceiro, a dos
Consagrados; no quarto, a dos Leigos. E neste último
domingo do mês, a do Catequista. Pois hoje, inclusive, é o
Dia Nacional do Catequista.
Estamos também, neste ano de 2009, celebrando o Ano
Catequético Nacional, que se encerrará no domingo de
Cristo Rei, dia 22 de novembro próximo. O tema é:
“Catequese, caminho para o discipulado”. O lema é
inspirado em Lc 24, 32.35: “Nosso coração arde quando Ele
fala, explica as Escrituras e parte o pão”. E tem por
objetivo geral: “Dar novo impulso à catequese como serviço
eclesial e como caminho para o discipulado”.
Desejo destacar dois dos objetivos específicos. Eu os vejo
como muito importantes. O primeiro diz respeito à
catequese com adultos. O segundo se liga ao primeiro, e
consiste em uma formação permanente que acompanhe o
cristão adulto ao longo de sua vida, num processo
sistemático, progressivo e permanente de educação da fé.
Todos nós sabemos que os católicos em geral recebem os
sacramentos chamados da iniciação cristã (Batismo, 1ª
Eucaristia e Crisma) sem serem, todavia, suficientemente
evangelizados, catequizados ou formados e educados na fé.
Está mais do que claro que essa catequese inicial tem sido
insatisfatória. Menos por despreparo dos Catequistas e
mais pelas carências pedagógicas, por exemplo, quanto ao
método, à duração, à interligação com a Liturgia e a
Bíblia, à relação vida e fé.
Em face da formação permanente, que ora se impõe,
obviamente, nossos Catequistas precisam ser mais bem
preparados. Esse é outro objetivo específico do Ano
Catequético Nacional. Nossa Diocese de Bauru está levando
a sério esse compromisso. Temos em funcionamento a Escola
de Catequese Diocesana com uma primeira turma de 130
catequistas matriculados, representantes de nossas
Paróquias. Estes catequistas, depois de completado o
curso, com duração de
dois anos em quatro módulos, deverão repassar o que nele
receberam aos demais catequistas de suas respectivas
comunidades. É pouco, se poderia dizer, mas já é um grande
passo.
Uma catequese renovada e preparada para adultos, e não só
para crianças, num processo de formação permanente e
sistemática, de fato, se faz urgente e indispensável. Os
católicos, não por culpa deles, mas nossa como seus
pastores, não recebem mais do que uma formação superficial
e deficitária quanto ao conhecimento de temas importantes
de fé, como por exemplo, a Bíblia, a Liturgia, a Teologia,
a Moral, a Igreja, o compromisso missionário e social,
etc.
Como resultados dessa deficiência duas consequências são
muito evidentes. A primeira dá-se na dimensão da comunhão
e participação eclesial, que não acontece pelo notório
desinteresse de muitos católicos, somada à frágil e
distante pertença com a comunidade. Eles pouco buscam a
Igreja, a não ser em eventuais batizados, casamentos e
missas de 7º dia, e a Igreja não vai até eles, não os
visita, como se não precisasse deles. A segunda é
verificável pelas muitas defecções da fé católica e adesão
a outras religiões. São exatamente entre essas ovelhas
afastadas ou sem pastor que muitos católicos se deixam
facilmente seduzir por propostas e convites que chegam à
sua casa por meio de mensageiros reais ou virtuais
enviados por não poucas denominações religiosas,
principalmente as novas que se multiplicam na atualidade.
Hoje, no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, acontece
uma grande celebração do Dia do Catequista, reunindo
Catequistas peregrinos de todas as Dioceses do Estado de
São Paulo. Catequistas de nossa Diocese lotaram dez ônibus
e lá estão aos pés da Mãe da Divina Graça, a Senhora
Aparecida, somando-se ao demais Catequistas, rendendo a
Deus ação de graças e suplicando-lhe bênçãos para todos os
nossos Catequistas. Também para que a Catequese leve
nossos Catequizandos à alegria do encontro pessoal com
Jesus Cristo, e se torne para todos eles caminho ao
discipulado e à missão. Em louvor de Cristo. Amém!
Dom Caetano Ferrari -
Bispo
Diocesano de Bauru
-
"Dia do
Catequista
"Artigo
publicado na edição de 30 de agosto de 2009
do Jornal Bom Dia

- Encerrando agosto, mês vocacional,
neste domingo, a Igreja comemora o Dia Nacional do
Catequista. E, neste ano de 2009, celebra-se também o
Ano Catequético Nacional. Tudo isso sinaliza em que
grua de importância a Igreja está pondo a Catequese na
Pastoral de Conjunto. Há uma constatação de base: não
basta aquela catequese com crianças e adolescentes,
voltada apenas à preparação para os Sacramentos da
Iniciação Cristã (Batismo, Eucaristia e Crisma). Mais
do que nunca se faz imprescindível a Catequese com
adultos num processo permanente, sistemático e
progressivo de educação na fé.
- Na modernidade atual as pessoas
precisam estar bem preparadas e atualizadas, não só
nos conhecimentos básicos de política, economia,
direito e cultura, mas inclusive de religião. Não é
mais possível ser católico por inércia, tradição,
família; o católico precisa estar bem assentado sobre
os fundamentos da fé para poder dar as razões de sua
esperança, como diz o Apóstolo Pedro, a quem lhas
demandar (cf 1Pd 3,15), e para firmar convicções
pessoais e coerência existencial de vida e fé.
- Investir na formação de catequistas
é prioridade em nossa Diocese. A Escola Catequética
Diocesana está oferecendo um curso de dois anos, em
quatro módulos, aberto com uma primeira turma de 130
catequistas representantes das várias Paróquias.
- Catequistas de todo o Estado de São
Paulo fazem, neste fim de semana, uma romaria à
Aparecida, celebrando aos pés de Nossa Senhora o Dia
do Catequista. Catequistas de nossa Diocese lá se
encontram, em 10 ônibus, participando do evento.
- Estejamos unidos em comunhão de
orações por nossos catequistas e catequizandos.
-
Dom Caetano
Ferrari
- Bispo
Diocesano de Bauru
-
-
"Os Cristãos
Leigos
"Artigo
publicado na edição de 23 de agosto de 2009 do Jornal da
Cidade

-
Há diversidade de vocações e ministérios
no seio da Igreja. Ao longo desse mês de agosto somos
convidados a rezar, celebrar, refletir e agir em favor
das vocações em geral. Hoje, particularmente,
comemora-se a vocação para os ministérios e serviços
leigos na comunidade.
-
Mas quem são os leigos e
leigas? Clareando-se alguns conceitos. Todos os
cristãos, a partir do batismo, são iguais em dignidade e
identidade. Inclusive têm em comum a mesma vocação à
santidade. Eles formam a família ou o povo de Deus,
congregados na comunhão da mesma fé, esperança e
caridade. É o que ensina, por exemplo, a “Lumen Gentium”
(Luz das Nações) do Concílio Vaticano II quando fala dos
batizados, membros do povo de Deus: “Comum é a dignidade
dos membros, pela regeneração em Cristo, comum a graça
dos filhos, comum a vocação à perfeição; uma só
salvação, uma só esperança e indivisa caridade” (LG 32).
No entanto, ainda que na ordem do “ser” todos os
batizados sejam iguais, contudo na ordem do “fazer” ou
“servir” há diversidade de serviços, ministérios e
carismas. Assim sendo, o povo de Deus distingue-se em
Clero, Religiosos e Leigos. Ou seja, diferenciam-se em
ministros ordenados (Clero): Bispos, Padres e Diáconos;
em Religiosos e Religiosas da Vida Consagrada masculina
e feminina; e em Fiéis leigos e leigas.
-
Respondendo agora à pergunta
– quem são os leigos? – assim explica o magistério da
Igreja: “por leigos entende-se aqui o conjunto dos
fiéis, com exceção daqueles que receberam uma ordem
sacra (Clero) ou abraçaram o estado religioso aprovado
pela Igreja (Religiosos)... realizam na Igreja e no
mundo, na parte que lhes compete, a missão de todo o
povo cristão” (LG, 31). O Documento de Aparecida (DA),
inspirando-se no Vaticano II, afirma que “os fiéis
leigos são ‘os cristãos que estão incorporados a Cristo
pelo batismo, que formam o povo de Deus e participam das
funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei. Realizam,
segundo sua condição, a missão de todo o povo cristão na
Igreja e no mundo’. São ‘homens da Igreja no coração do
mundo, e homens do mundo no coração da Igreja’” (DA
209).
-
Nas citações acima,
constata-se que a expressão “no mundo” e “do mundo”
aparece várias vezes. Como diz o Vaticano II, essa
índole secular (estar no mundo) é a ‘marca registrada’
da vocação dos leigos: “vivem no mundo, isto é, no meio
de todas e cada uma das atividades e profissões, e nas
circunstâncias ordinárias da vida familiar e social...
para a santificação do mundo, através de sua própria
função...” (LG, 31). Em virtude da índole secular
própria dos leigos, o Documento de Aparecida convida
todos os fiéis leigos e leigas a se converterem cada vez
mais em “discípulos e missionários de Jesus Cristo, Luz
do Mundo”: “sua missão própria e específica se realiza
no mundo, de tal modo que, com seu testemunho e sua
atividade, contribuam para a transformação das
realidades e para a criação de estruturas justas segundo
os critérios do Evangelho” (DA, 210).
-
O modo próprio dos leigos
participarem da missão evangelizadora da Igreja dá-se,
em primeiro lugar, pelo testemunho de fé e vida no mundo
e, em segundo lugar, pela participação ativa na Igreja,
exercendo os mais diversos serviços e ministérios, como
por exemplo, na liturgia, nas pastorais, na caridade,
nos movimentos, nas comunidades e associações leigas
(cf. DA, 211). Para a Igreja colocar-se em “estado
permanente de missão”, o Documento de Aparecida apela,
fortemente, para a colaboração dos leigos. Recorda
inclusive palavras do Papa João Paulo II: “a
evangelização do Continente, dizia-nos o papa João Paulo
II, não pode realizar-se hoje sem a colaboração dos
fiéis leigos. Hão de ser parte ativa e criativa na
elaboração e execução de projetos pastorais a favor da
comunidade. Isso exige, da parte dos pastores, maior
abertura de mentalidade para que entendam e acolham o
“ser” e o “fazer” do leigo na Igreja, que por seu
batismo e sua confirmação é discípulo e missionário de
Jesus Cristo” (DA, 213).
-
A Diocese de Bauru, graças a
Deus, conta com a comunhão e participação, a força e o
amor de um laicato generoso, apoiando o Bispo, os Padres
e os Religiosos, e atuando em todas as frentes da ação
evangelizadora da Igreja. A todos os cristãos leigos e
leigas, Deus lhes pague. E por eles, hoje, nossas
comunidades de fé oram fervorosamente!
-
Dom Caetano
Ferrari
- Bispo
Diocesano de Bauru
-
"Cristãos
Leigos
"Artigo
publicado na edição de 23 de agosto de 2009
do Jornal Bom Dia

- Na Igreja, todos os batizados são
iguais em dignidade e igualdade. E todos têm em comum a
mesma vocação à santidade. No entanto, quanto à missão,
eles se diferenciam segundo a diversidade de atividades
e ministérios existentes na Igreja. Nesse sentido, a
comunidade dos batizados distingue-se em clero,
religiosos e leigos. Ora, por exclusão, os leigos são os
que não têm Ordem Sacra (clero) nem abraçaram a vida
consagrada (religiosos).
- Mas, em essência, o que caracteriza
mesmo os leigos é viverem no mundo, inseridos nas
realidades seculares, participando e atuando no campo da
economia, política, educação, cultura, etc., exercendo
um protagonismo bem distinto e especial. Ali, em meio às
realidades temporais, eles estão não como quaisquer
sujeitos, mas como cristãos. Vale dizer, com a missão
específica de serem no seu ambiente social “luz do
mundo”, “sal da terra”, “fermento na massa”.
- No interior da vida da Igreja, os
leigos são chamados a desempenhar serviços e
ministérios, segundo os dons que o Espírito Santo
concede para o bem da comunidade e a utilidade de todos
(cf. 1Cor 12,4-11). Nós os vemos atuando nas Pastorais,
na Liturgia, na Catequese, nos Movimentos, Comunidade e
Associações, no serviço da caridade, na fé e política,
na justiça e paz, etc.
- Como ensina a Igreja, os leigos são
“homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo
no coração da Igreja”. Nossa Diocese e Paróquias não
conseguiriam cumprir bem sua missão sem a colaboração
dos fiéis leigos.
- Nossas Comunidade de fé, hoje, oram
fervorosamente pelos cristãos leigos e leigas. A todos
eles Deus lhes pague e abençoe.
- Dom
Caetano Ferrari – Bispo Diocesano de Bauru
-
"Vida
Consagrada
"Artigo
publicado na edição de 16 de agosto de 2009
do Jornal Bom Dia
-
Em
agosto, mês vocacional, sobressaem dois grandes santos.
No dia 4, o Santo Cura D’Ars, padroeiro de todos os
padres. No dia 11, Santa Clara, que é uma das santas
mais expressivas da vida consagrada, protetora dos
religiosos e religiosas da vida ativa e contemplativa.
- Lembrando Jesus que disse “não fostes
vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi” (Jo
15,16), hoje somos chamados a contemplar a vocação para
a vida consagrada, masculina e feminina. A orar por
todos os religiosos presentes em nossa Diocese. E a agir
em favor da promoção dessa forma evangélica de vida.
Embora a escolha seja de Jesus, foi Ele quem deu essa
ordem: “Rogai, pois, ao Senhor que envie operários para
a sua messe” (Lc 10,2).
- O carisma da vida consagrada é um
serviço essencial na Igreja. Ela é suscitada para o bem
do Corpo Místico de Cristo, a Igreja, como sinal,
parábola e profecia do Reino de Deus no mundo. Tendo
como essência o seguimento de Cristo, pobre, obediente e
casto, ela é pela profissão dos votos religiosos sinal
antecipatório do Reino dos Céus e dá testemunho de um
tríplice ministério.
- Pelo ministério da comunhão. Ela
oferece modos alternativos de convivência fraterna onde
tudo é posto em comum. Pelo ministério da fé, confiança
e esperança, ela vive da Providência Divina, pondo
unicamente em Deus toda segurança. Pelo ministério da
misericórdia e compaixão, ela é o rosto misericordioso
de Deus, servidora da vida junto ao povo sofrido e
dispensadora da caridade. Em suma, ela não se
caracteriza pela renúncia, mas pela opção de viver os
Conselhos Evangélicos, como caminho de realização humana
e santidade de vida.
-
- Dom Caetano Ferrari
-
Dia dos Pais "Artigo
publicado na edição de 09 de agosto de 2009 do Jornal
da Cidade
-
Neste 2º domingo de agosto, comemora-se o dia dos
pais. Ao compartilhar dessa festa com a sociedade, a
Igreja não só quer destacar seu significado quanto
aprofundar e estender sua reflexão por toda a semana.
De 9 a 15 de agosto realiza-se a “Semana Nacional da
Família”. Uma semana toda voltada ao tema da vocação
para a vida em família, com atenção especial aos pais
(pai e mãe). No entanto, quanto é necessário, hoje,
uma revisão e uma revalorização da vocação e da missão
do pai para o equilíbrio na vida familiar e a formação
dos filhos!
Na abertura da V Conferência do Episcopado da América
Latina e Caribe, em Aparecida, o Papa Bento XVI
afirmou que a família, “patrimônio da humanidade,
constitui um dos tesouros mais importantes dos povos
latino-americanos e caribenhos... A família é
insubstituível para a serenidade pessoal e para a
educação de seus filhos”. E os bispos lá reunidos,
como se pode ler no Documento de Aparecida,
incorporaram essas palavras do Papa na sua mensagem
final para proclamarem com alegria a boa nova da
família (cf. DA 114 a 119). As Diretrizes Gerais da
Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil fizeram o
mesmo (cf. DGAE 128 a 136), assumindo para valer o que
Aparecida afirma e propõe sobre a família: “Tamanha é
sua importância que deve ser considerada ‘um dos eixos
transversais de toda a ação evangelizadora’” (DGAE
128).
Significa dizer que no conjunto das pastorais da
Igreja, a pastoral familiar, além de ser uma
prioridade, precisa estar bem articulada com todas as
demais, principalmente com aquelas que estão mais
ligadas a ela, como por exemplo: pastoral da criança,
do menor, do idoso, da saúde, da promoção humana,
carcerária, vocacional, etc.
Muito se poderia falar sobre a situação da família
hoje. Mas é coisa bem sabida que a instituição
familiar passa por uma grande crise. As mudanças
sociais vêm afetando a vida como um todo, nos valores,
costumes e comportamentos, inclusive quanto aos
supremos valores éticos, morais e religiosos,
desestruturando, em particular, a família. O melhor a
fazer, porém, é a assunção de atitudes positivas. É o
que a Igreja vem fazendo. Primeiro ela insiste na
confiança e certeza de que “Deus ama nossas famílias,
apesar de tantas feridas e divisões” (DA 119). Daí a
importância da oração em família, na comunidade e em
particular, para que não falte a graça do Senhor. E
também da solidariedade dos irmãos e dos serviços
concretos da comunidade de fé promovendo a família por
meio de uma “pastoral familiar intensa e vigorosa”,
que ajude os casais a superarem as crises, como já nos
pediu o Papa Bento XVI.
Veja só como a Igreja, hoje mais do que nunca, nos
seus documentos e pronunciamentos, pensa, defende e
promove a família. A Família é “berço da vida”; é “a
primeira sociedade, anterior ao Estado, detentora de
direitos naturais e inalienáveis”; é um “bem primário
do qual depende o Estado e as Instituições”; é “a
primeira escola que educa para os valores e a
cidadania; é “o lugar onde vida privada e realidade
social se encontram, convergindo para o bem comum”; é
“a primeira e principal catequista que educa para a
fé”; é “a Igreja doméstica que ensina a conhecer e
amar a Deus”; é “berço de vocações para a vida e a
Igreja”. A Igreja propõe ações e participa da luta
para que a família seja “valorizada e protegida pelo
Estado, porque do bem dela depende ao mesmo tempo o
bem da sociedade”. O respeito pela vida humana e a
dignidade da pessoa, a convivência social e a
responsabilidade pela construção do bem comum são
virtudes que vêm do berço, nascem da experiência da
vida em família.
A Pastoral Familiar da Diocese de Bauru vem cumprindo
sua missão e prestando serviço a favor de nossas
famílias. Venha você também, estimado leitor,
enriquecer a Pastoral Familiar de sua Paróquia com sua
participação e insubstituível atuação. Acompanhe a
programação da Semana Nacional da Família. Parabéns
aos pais! Em louvor de Cristo. Amém!
Dom Caetano Ferrari Bispo Diocesano de Bauru
-
Dia do Padre "Artigo
publicado na edição de 02 de agosto de 2009 do Jornal Bom
Dia
-
Agosto,
na Igreja, é o mês vocacional. Nesta primeira semana
somos chamados a rezar, refletir e agir nas Comunidades
em prol das vocações para os ministérios ordenados:
bispos padres e diáconos. Toda autoridade na Igreja é
ministério, ou seja, serviço. Como Jesus disse, de si
mesmo, que veio para servir e não ser servido (cf. Mc
10,45). Todo sacerdote é escolhido por Deus do meio do
povo e colocado a serviço dele nas suas relações com
Deus (cf. Hb 5,1).
- Os sacerdotes ou presbíteros ou
padres são absolutamente necessários na vida da Igreja.
Não há genuína pregação da palavra de Deus nem a
presença real de Cristo entre nós pela Eucaristia sem o
padre ungido e ordenado legitimamente por meio da
sucessão apostólica. São Francisco dizia que se, no
caminho, encontrasse um anjo e um padre; primeiro
beijaria a mão do padre e depois saudaria o anjo. E
explicava: “Não quero nem saber se ele tem algum
defeito, mesmo algum pecado, porque neste mundo não
existe nenhuma outra criatura com o poder de fazer Jesus
presente realmente no meio de nós”.
- Nós bem sabemos que não há verdadeira
Igreja de Cristo sem os padres. Por isso no nosso povo
ama os padres e os tem em grande estima, vendo neles o
rosto de Cristo, o bom Pastor. O Papa Bento XVI
instituiu 2009 como o “Ano Sacerdotal”, a fim de que nos
conscientizemos sobre o valor e a importância do padre
para a Igreja e a sociedade, e oremos pela santificação
deles.
- O próximo dia 4, festa do Santo Cura
D’Ars, São João Maria Vianney, patrono e modelo dos
padres, é o dia do Padre. Demos graças a Deus por nossos
padres, oremos por eles e lhes sejamos gratos.
- Dom Caetano Ferrari – Bispo diocesano
de Bauru
-
"Comunidades de Base "Artigo
publicado na edição de 26 de julho de 2009 do Jornal Bom
Dia
- O acontecimento eclesial no Brasil mais
importante da semana foi o 12º. Intereclesial das
Comunidades Eclesiais de Base, realizado em Porto Velho,
Rondônia. Lá estiveram três mil representantes das mais de
100 mil CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) espalhadas
pelo Brasil, sem contar as centenas de pessoas
encarregadas da logística do encontro.
- As CEBs são frutos bons do impulso
renovador do Concílio Vaticano 2º, surgidas no final da
década de 60. E durante a ditadura militar cumpriram papel
importante na redemocratização do País.
- Influenciadas por essa experiência,
algumas das CEBs seguiram um caminhada de acentuado
engajamento nas lutas políticas e sociais da sociedade com
prejuízo da dimensão central do religioso e espiritual.
- Hoje, sem perder o compromisso com as
transformações sociais, fazendo a ligação da fé com a
vida, as CEBs são verdadeiros espaços de formação de
discípulos e missionários a serviço da Igreja.
- O encontro pôs em evidência a força das
CEBs como “um novo jeito de ser Igreja”. Os participantes
procuraram dar respostas ao “grito que vem da Amazônia”.
- Renovando sem compromisso missionário,
aprovaram propostas de apoio e colaboração com a Igreja da
Amazônia pela defesa da vida dos povos da floresta,
indígenas, ribeirinhos e seringueiros.
- E também e do meio ambiente, pelo
anúncio do Evangelho da vida e de Jesus Cristo, e pelo
comprometimento com a luta por melhores condições de vida
dos pobres e excluídos.
- Dom Caetano Ferrari
-
"Comunicação a Serviço da Evangelização"Artigo
publicado na edição de 19 de julho de 2009 do Jornal da Cidade
-
Comunicação a serviço da Evangelização
-
Agradeço intensamente a Direção do
Jornal da Cidade pela concessão deste espaço semanal à
comunicação da Diocese de Bauru com a
sociedade em geral e com a comunidade católica em particular. A
ampla circulação regional do JC permite à Diocese levar a sua
mensagem para além do seu limite territorial, alcançando com
sobra os 14 municípios que a compõem. Impossível não reconhecer
e destacar o sentido pastoral do espaço que o JC disponibiliza à
Diocese como um canal de comunicação posto a serviço da ação
evangelizadora da Igreja. Impossível, portanto, não agradecer.
-
A Igreja Católica, desde o século
passado, vem acentuando a importância dos meios de comunicação
social (mass media) para o serviço da Evangelização. O Papa
Paulo VI, na exortação apostólica “Evangelii Nuntiandi”, de
1975, falando sobre a Evangelização no mundo contemporâneo,
dizia que a Igreja sentir-se-ia culpável se não se servisse
destes meios poderosos de comunicação e que: “É servindo-se
deles que ela ‘proclama sobre os telhados’ (cf. Mt 10,27; Lc
12,3), a mensagem de que é depositária. Neles encontra uma
versão moderna e eficaz do púlpito. Graças a eles consegue falar
às multidões” (n. 45). Recentemente o Episcopado da América
Latina e do Caribe, reunido na V Conferência Geral, em
Aparecida, chamou a atenção para este mundo atual formatado
“como grande cultura midiática” pela revolução tecnológica e a
globalização (cf. Documento de Aparecida, 484). E como Bispos à
frente da Igreja no continente assumiram, conforme se lê no
referido DA, valorizar esta nova cultura da comunicação e
“Estar presente nos meios de comunicação de
massa: imprensa, rádio e TV, cinema digital, sites de Internet,
fóruns e tantos outros sistemas para introduzir neles o mistério
de Cristo” (n: 486, “e”).
-
Também
entre nós, como afirmam as Diretrizes Gerais da Ação
Evangelizadora da Igreja no Brasil, aprovadas pela CNBB para
vigorar de 2008 a 2010, a Igreja foi convocada a “Incentivar
e, onde já existe, animar a Pastoral da Comunicação
nos regionais, dioceses e paróquias
para que possa contribuir para a integração entre as demais
pastorais, articulando o processo de comunicação no interior
da Igreja e envolvendo os meios de comunicação no anúncio da
Palavra de Deus a todos” (n: 206, “l”).
-
A
PASCOM (Pastoral da Comunicação) Diocesana está organizada na
Diocese de Bauru e vem atuando há anos, tendo por missão, entre
outros serviços, promover a comunicação e a informação dentro e
para fora da Diocese; cooperar na educação crítica de nossas
crianças, jovens e adultos quanto ao uso dos meios de
comunicação; auxiliar na formação de comunicadores comprometidos
com os valores humanos e cristãos, e com a ética da comunicação.
-
Como a verdadeira comunicação deve
ser dialógica, conforme o ensinamento da teoria cristã da
comunicação, o presente espaço no JC será usado pela PASCOM
diocesana para um diálogo da Diocese, em três partes: 1-
Reflexão sob a responsabilidade do Bispo, que em suas ausências
terá algum substituto, como por exemplo, o Vigário Geral ou o
Coordenador Diocesano de Pastoral; 2- notícia ou informação de
interesse diocesano; 3- agenda semanal da Diocese. No final, são
oferecidos os endereços eletrônicos para contatos.
-
Estendendo o meu agradecimento
inicial a toda a família do JC, o que inclui o leitor, rogo a
Deus, para todos, bênçãos e graças de saúde e prosperidade, de
paz e bem. Em louvor de Cristo. Amém!
-
Dom Caetano Ferrari,
OFM Bispo Diocesano de Bauru
|
-
"Ano Catequético"Artigo
publicado na edição de 19 de julho de 2009 do Jornal Bom dia Bauru
No âmibto da Igreja do Brasil um Ano Catequético
Nacional está em curso. O tema é: “Catequese, caminho para o
discipulado”, e o lema, inspirado em Lucas 24,32-35, é: “Nosso
coração arde quando Ele fala, explica as Escrituras e parte o
pão”.
- Uma passagem bíblica traz o testemunho dos
discípulos de Emaús, quando o Ressuscitado caminhando com eles,
com eles, lhes deu uma verdadeira catequese explicando nas
Escrituras as passagens que se referiam a Ele, à sua Paixão e
Ressurreição. E de como os olhos se lhes abriram quando Ele
partiu o pão.
- Tendo por paradigma esta catequese de Jesus,
o Ano Catequético, querendo nos ajudar a repensá-la, tem por
objetivo geral “dar novo impulso à catequese como serviço
eclesial e caminho para o discipulado”.
- Uma catequese com novo impulso e que faça o
coração arder nos chama a uma grande revisão de todo o processo
de iniciação a fé. Como os católicos, em geral, são batizados
quando crianças e pouco evangelizados, a Igreja deseja priorizar
a catequese com adultos.
- E indica algumas pistas para essa catequese
renovada: que seja um processo permanente de educação da fé e
não apenas preparatória aos sacramentos e só para crianças; que
seja centrada na Palavra de Deus, na oração e na vivência da fé;
que seja assumida por todas as paróquias como um bonito trabalho
de Pastoral de Conjunto.
- Para que o Ano Catequético alcance seus
objetivos – adesão firme a Jesus, convicções sólidas e alegria
de ser católico – contamos com sua participação e orações.
Dom Caetano Ferrari, OFM – Bispo Diocesano de
Bauru |
-
"Caritas in Veritate"Artigo
publicado na edição de 12 de julho de 2009 do Jornal Bom dia Bauru
- Com o nome de “Caridade na Verdade”, o Santo Padre o
Papa, Bento 16, publicou no último dia 7 uma nova Encíclica, a
terceira de seu pontificado. As duas anteriores são “Deus
Caritas Est” Deus é amor), em 2006; e “Spe Salvi”
(Salvos na esperança), em 2007.
- “Caridade na Verdade” é uma encíclica
dirigida à Igreja e a todas as pessoas de boa vontade. Nela o
Papa aborda temas sociais relacionados ao desenvolvimento humano
integral que só se alcançará se regido pelos princípios éticos
normativos da caridade e da verdade.
- Por isso, é uma Encíclica de caráter
social, que se inscreve no conjunto da doutrina social da
Igreja.
- Caridade na verdade deve ser o critério para se defrontar
com as problemáticas do progresso moderno, os desequilíbrios
dramáticos na atual sociedade globalizada e a recente crise
econômico-financeira. À luz dessa diretriz evangélica, o Papa
mostra que é necessário promover um humanismo integral, que
concilie o progresso social e econômico com o respeito à pessoa;
e que se superem as profundas disparidades entre ricos e pobres
e a exclusão de pessoas e povos.
- Somente a partir de uma consciência ética alicerçada no
Evangelho será possível, diz ele, globalizar também a
solidariedade e redesenhar um novo modelo de desenvolvimento que
assegure um padrão de vida de autêntico bem-estar e de paz
estável para todos.
- Por fim, lembra Bento 16 que cabe a todas as pessoas de boa
vontade, mas de modo especial aos cristãos, construir esse
humanismo integral, assumindo este desafio como tarefa solidária
e jubilosa e como expressão de disponibilidade para Deus e para
os irmãos.
Dom Caetano Ferrari, OFM – Bispo Diocesano de
Bauru
"Chamou os que quis"Artigo
publicado na edição de 5 de julho de 2009 do Jornal Bom dia Bauru
Não há Igreja de Cristo sem a
Palavra de Deus e a Eucaristia. E não há celebração da Eucaristia e
pregação da Palavra sem o chamado e o envio dos discípulos-missionários
por Jesus Cristo. Jesus chamou os que quis para ficarem com Ele e os envia r
à missão (cf. Mc 3, 13-14). Na linha da sucessão apostólica, hoje, os
Padres, chamados também de Sacerdotes ou Presbíteros, são os
discípulos-missionários de Jesus, o Bom Pastor que devotava misericórdia
preferentemente para com os doentes, pobres e pecadores.
Igualmente os
Padres de nossa Diocese, à imagem do Bom Pastor, empenham-se para
ter esse jeito de ser de Jesus, vivendo próximos do povo e
servindo a todos com zelo pastoral, como homens de misericórdia e
compaixão. É por isso que o nosso povo tem grande estima para com
os nossos Padres. Enquanto estiveram em retiro espiritual, na
semana passada, nossas comunidades de fé os acompanharam com suas
orações. Isso explica porque o retiro foi muito proveitoso e
frutuoso.
Como os
Apóstolos foram importantes e insubstituíveis para o projeto de
Jesus, também os nossos Padres o são hoje, A vocação sacerdotal é
uma graça de Deus para quem é chamado; e o ministério sacerdotal,
um dom de Deus para a Igreja.
Durante o Ano
Sacerdotal, somos convidados a orar por mais e santas vocações, e
pela santificação dos nossos Padres. Que eles possam, com a ajuda
do Espírito Santo, deixar se configurar com o coração do Bom
Pastor, e permanecer fiéis à vocação e missão de trabalhar pelo
Reinado de Deus, em favor da vida humana, da vida em Cristo e da
vida eterna.
Dom Caetano
Ferrari, OFM
Bispo
Diocesano de Bauru
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"Buscar a santidade"
Artigo publicado na edição de 28 de junho de 2009 do Jornal Bom Dia
Bauru
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De
acordo
com o ensinamento da Sagrada Escritura, santo é quem está em “união
com Deus” que por sua própria natureza é santo. Foi o Senhor
quem pôs este chamado no coração de todos os homens: “Sede santos
porque Eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lev 19,1). Como Deus
“deseja que todos os homens se salvem e conheçam a verdade” (1Tim
2,4), enviou “o seu Filho único para que
todo o que n’Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).
-
Eis porque a busca da
“união com Cristo” tornou-se o caminho ordinário para a santidade:
“Nele, Deus nos escolheu, antes da fundação do mundo, para sermos
santos e íntegros no amor” (Ef 1,4). E todos na Igreja são
chamados a essa vida de união com Cristo: Bispos, Padres, Diáconos,
Fiéis leigos e leigas.
-
A vocação universal à
santidade deve ser cultivada segundo os diversos gêneros de vida e
profissões. Na Igreja, todos oram pela santificação de todos. A Igreja
é, no mundo, sacramento de salvação e santificação da humanidade.
-
Durante o Ano Sacerdotal,
que ora se inicia, a Igreja estende um convite à oração a favor da
santificação de todos os sacerdotes. Na oração sacerdotal, assim rezou
Jesus ao Pai: “Santifica-os na verdade...
Como Tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E, por
eles, a mim mesmo me santifico para que sejam santificados na verdade.
Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra,
crerão em mim” (Jo 17, 17-20).
-
O Clero diocesano de Bauru
se recolherá em retiro espiritual, de 29/06 a 3/07, em Agudos,
desejando vivamente aprofundar a vida de “união com Cristo”. E conta
com suas orações.
-
Dom
Caetano Ferrari
-
Bispo diocesano de Bauru
|
-
"Dom Caetano Ferrari fala sobre o Ano
Sacerdotal"
Artigo publicado na edição de 21 de junho de 2009 do Jornal Bom Dia
Bauru
- Desde o dia 19 de
junho de 2009, a Igreja no mundo celebra um especial Ano Sacerdotal
convocado pelo Santo Padre o Papa, Bento
XVI, para se concluir na mesma data do ano de 2010, em comemoração aos
150 anos da morte do Cura D’Ars, São João Maria Vianney,
exemplo de sacerdote a serviço do Povo de Deus, agora proclamado pelo
Papa padroeiro dos sacerdotes de todo o mundo. Neste dia 19 de junho, a
Igreja comemorou também a solenidade do Sagrado Coração de Jesus e o Dia
Mun
dial
de oração pela santificação dos sacerdotes.
- Com
o tema “Fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote”, escolhido
pelo próprio Papa, o Ano Sacerdotal, diz ele, tem por finalidade
“ajudar a perceber cada vez mais a importância do papel e da missão
do sacerdote na Igreja e na sociedade contemporânea”. Convida os
cristãos a olhar para a beleza e o valor do Sacerdócio Ministerial,
instituído por Jesus Cristo “na noite em que foi traído” e
vinculado por Ele à Eucaristia, como memorial do seu amor pela
humanidade. Tomando essas palavras do Cura D’Ars: “O sacerdócio é o
amor do Coração de Jesus”, o Papa lembra “que o nome do amor, no
tempo, é fidelidade”.
- O Ano Sacerdotal
deve ser, especialmente, um ano de orações pelas vocações, mas,
sobretudo, pela perseverança e fidelidade dos sacerdotes no seu
ministério; os sacerdotes em geral e, principalmente, os de nossas
Paróquias e comunidades.
- Dom Caetano Ferrari
- Bispo Diocesano de
Bauru
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"Encher a terra com o Evangelho"
Artigo publicado na edição de 14 de junho de 2009 do Jornal Bom Dia
Bauru
A
Palavra de Deus é comparada à semente lançada ao campo (Mc 4,14). Ao
discípulo missionário de Jesus Cristo compete semeá-la, não importa
aonde caia. É pelo poder de Deus que ela germina. E sempre haverá a
terra boa, que preparada pela graça e a generosidade do coração, dará
fruto, em um trinta, no outro sessenta, no outro cem.
-
Mas quem é
o discípulo missionário, como se deve entender essa expressão?
Esse binômio, que vem também expresso com a conjunção aditiva “e”, ou
seja, discípulo e missionário, aparece inúmeras vezes no
Documento de Aparecida. Tornou-se um termo referencial a partir do tema
da V Conferência do Episcopado da América Latina e Caribe:
“Discípulos e Missionários de Jesus Cristo para que nele nossos povos
tenham vida”. Com esse termo, o Documento de Aparecida reafirma, de
modo explícito e categórico, a comum identidade e dignidade de todos os
cristãos batizados: “Em virtude de seu batismo, são chamados a ser
discípulos e missionários de Jesus Cristo” (n.10). São, portanto,
discípulos missionários os bispos, padres, diáconos, religiosas,
fiéis leigos e leigas. E a Igreja, bem como a Diocese e as Paróquias,
congregam a comunidade dos discípulos missionários enviados a
semear a Palavra de Deus, a encher a terra com o Evangelho de Jesus
Cristo.
-
Dom
Caetano Ferrari, OFM
-
Bispo Diocesano de Bauru
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Dom Caetano visitou TV Prevê e o Jornal da Cidade
Fonte: PasCom
Bauru
- Respondendo aos convites de dois dos principais
veículos de comunicação de Bauru e região, Dom Caetano Ferrari visitou a
TV Prevê e o Jornal da Cidade no dia 10 de junho. Acompanhado da
assessoria de imprensa da Diocese de Bauru, Dom Caetano concedeu uma
entrevista ao professor Duda Trevisani no programa Enfoque Regional, que
foi ao ar no dia 11 em três edições. O bate-papo contou com muitas
recordações de infância, pois bispo e entrevistador nasceram em Pirajuí
e estudaram no mesmo colégio. Dom Caetano falou sobre o surgimento da
sua vocação, sua trajetória ministerial, as metas para o trabalho
missionário na Diocese e outros assuntos relacionados à fé católica.
- Em seguida, na companhia do padre Marcos Pavan, Dom
Caetano foi recebido no Jornal da Cidade por João Jabbour, gerente
editorial, e Gisele Hilário, editora chefe. Eles apresentaram a empresa
ao bispo, falaram sobre a atuação do jornal e o presentearam com fotos.
Dom Caetano também conversou com Renato Zaiden, diretor do JC, e Ieda
Rodrigues, repórter do caderno geral, que entrevistou o bispo e o padre
Marcos sobre a festa de Corpus Christi.
- Em ambos veículos, Dom Caetano agradeceu pela boa
relação com a Diocese, se colocou à disposição dos jornalistas e pediu
um espaço para as notícias da Igreja Católica em Bauru e região.
|
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Conhecer a Jesus -
Artigo publicado na edição de 7 de junho de 2009 no jornal Bom Dia Bauru.
-
Prezado(a) leitor(a), tenho a grande alegria de lhe
dirigir a palavra, iniciando neste Jornal uma comunicação que, espero,
possa servir para estreitar laços de estima, de comunhão e de
colaboração entre nós, para nos ajudar a testemunhar nossa fé por
palavras e obras.
-
Tendo tomado posse como o 5° Bispo Diocesano de Bauru
na celebração da solenidade de Pentecostes (domingo passado) realizada
na Sé Catedral, desejo agradecer a calorosa acolhida recebida e as
tantas manifestações de afeto e boas vindas. Por tudo isso dou graças
a Deus e, a você, o meu mais profundo ‘muito obrigado’. Suplico a Deus
para que eu possa retribuir todo esse bem recebido do melhor modo
possível, prometendo cumprir fielmente o ministério apostólico a mim
confiado, com a graça de Deus, a força do Espírito Santo e a proteção
da Imaculada Conceição de Nossa Senhora Aparecida, nossa Mãe e
Padroeira.
-
Na Missa da posse, consagrei ao Divino Espírito Santo,
padroeiro da Diocese, pelas mãos de Maria Santíssima, minha vida e meu
ministério episcopal com o firme propósito de tudo fazer para que
nossa Diocese de Bauru seja, de fato, uma Igreja Missionária como nos
pede o Papa e o Documento de Aparecida, do qual estou convencido
quanto a estas palavras: “Conhecer a Jesus é
o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado
foi o melhor que aconteceu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com
nossa palavra e obras é nossa alegria”.
-
É isso o que eu desejo fazer, com todo o coração, não
sozinho, mas com a Igreja toda e com a sua indispensável participação.
-
Dom Caetano Ferrari, OFM
- Bispo Diocesano de
Bauru
|
-
Dom Caetano conversa com a Revista Missões sobre
ser bispo hoje, os desafios da Diocese, a comunicação na Igreja e muito
mais
No dia 30 de maio Dom
Caetano Ferrari conversou com jornalistas na Universidade Sagrado
Coração (USC), entre eles, Cecília Soares de Paiva, da Revista Missões.
Confira abaixo a entrevista.
-
Missões: O que significa ser bispo no século XXI?
Dom Caetano: Na última Assembleia Geral em Itaici, dedicamos um dia
inteiro para discutir a missão dos bispos à luz do Apóstolo Paulo
(estamos no Ano Paulino). Foram considerados vários aspectos. O grande
desafio é o de ser autoridade-serviço e não autoridade-poder. Isso
inclui ser animador na vida da Igreja, junto às lideranças. Saber usar
seus conhecimentos no sentido de impulsionar e animar as forças vivas da
diocese, em vistas da Evangelização. O forte hoje da Igreja é resgatar a
sua missionariedade. Jesus Cristo e a Missão são essenciais no trabalho
de hoje. O Concílio Vaticano II, nos apresentou a Igreja-comunhão. Agora
o enfoque é a Igreja-missionária. O eixo era: a comunhão com o povo de
Deus: a formação, a catequese e os sacramentos. Com Aparecida, o eixo
importante é a Igreja-missão, e como consequência, não é somente a
formação e a catequese, mas o anúncio, o querigma. Fazer a Igreja voltar
a ser missionária, a ser como o Apóstolo Paulo que saiu de Jerusalém e
percorreu o mundo anunciando Jesus Cristo e formando a
comunidade-Igreja.
Inclusive o lema que escolhi, para me inspirar e orientar a minha
missão, carrega o aspecto missionário que se tornou um compromisso muito
maior com o Documento de Aparecida: entrar em estado permanente de
missão. Toda a Igreja, paróquias e dioceses, devem fazer um esforço para
a renovação estrutural e a conversão pastoral. Esse pensamento é muito
franciscano porque se trata de evangelizar toda a criatura. Encher a
terra com o Evangelho, não somente os pobres, mas todos, sem exceção.
Missões: Como atuar em meio a tantas propostas religiosas?
Dom Caetano:A abertura ao diálogo é essencial na Igreja. Não se deve
convencer na marra, mas pela atração, como diz o próprio Documento de
Aparecida. É converter e reanimar os que estão afastados e já são
batizados e eventualmente apresentar Jesus Cristo a quem não o conhece.
Para isso é preciso ser atraente, saber utilizar os meios de comunicação
que podem ajudar muito se os conhecemos e os utilizamos bem.
Missões: Como é viver o carisma franciscano hoje?
Dom Caetano:O carisma franciscano é bastante atual, exatamente na
missão, por ser a primeira Ordem verdadeiramente missionária. Quando a
comunidade passou a contar com muitos irmãos, São Francisco os enviou,
dois a dois, pelas estradas para levar o Evangelho de Jesus Cristo. A
Ordem logo recebeu missões fora da Europa, mundo afora. Outra
característica da espiritualidade franciscana é a fraternidade universal
e a ecologia. São Francisco é irmão universal de toda gente, de toda a
criatura que devem viver como filhos de Deus, com cuidado para com a
natureza e a criação. E a questão ecológica é um tema muito atual e
importante. Destacaria também o tema da justiça e da paz, próprios de
São Francisco, um homem pacífico.
Missões: Qual o desafio para a Diocese de Bauru? O que está previsto
como as primeiras atividades na Diocese?
Dom Caetano: O desafio local é o mesmo desafio de toda a Igreja: entrar
no estado permanente de missão. E na prática é a consciência do que isso
exige que inclui a mudança de comportamento, coisa nada fácil. Como
primeiras atividades, estão agendados alguns encontros com lideranças e
celebrações. Existem duas prioridades: a primeira relaciona-se ao
compreender a Diocese priorizando visitas às paróquias dos 14 municípios
que a compõem. Depois saber discernir a realidade e, se preciso for,
articular os conselhos e colegiados, porque o bispo não age sozinho. A
segunda tarefa vem ao encontro de Aparecida e também inspirado no meu
lema, que é saber impulsionar, animar a conversão estrutural das nossas
paróquias e da nossa diocese. Vamos confirmar os serviços e atender as
urgências conforme a previsto no plano diocesano de pastoral.
Missões: Esse projeto contempla a Missão Continental abrindo a Igreja
local para a Missão além de suas fronteiras?
Dom Caetano: Na Missão Continental devemos entrar em comunhão com
toda a Igreja e ajudados pela CNBB que está estudando, entrarmos juntos
no processo da Missão Continental, do qual ninguém deve ficar de fora. É
um projeto que vai se clareando com a caminhada da própria Igreja.
Missões: O senhor pretende promover encontros com as comunidades,
políticos e lideranças civis?
Dom Caetano: É importante que o bispo faça visitas pastorais que não são
apenas visitas internas, mas com a sociedade, as autoridades, para se
apresentar e buscar parcerias de interesse comum, fortalecendo a relação
com as lideranças, com as forças vivas da sociedade em geral, seja
governo ou comunitário, as lideranças sociais, os empresários os
trabalhadores, mantendo com todos um diálogo. Isso inclui também a
abertura ecumênica religiosa com as demais igrejas presentes na diocese.
Missões: A 47ª Assembleia Geral da CNBB revisou as diretrizes da
Formação dos Presbíteros à luz do Documento de Aparecida. Como serão
implementadas em Bauru?
Dom Caetano: Pelo documento aprovado ficou decidido que primeiro
faremos o estudo do texto com a equipe de formadores, atualizando o
nosso projeto local de formação. São propostas muito boas, sobre
aspectos de preocupação da formação humana e acadêmica, do cuidado com a
vida comunitária e fraterna dos padres. Somos um colegiado, uma
comunidade composta pelo bispo, padres, diáconos permanentes e
precisamos caminhar entrosados, numa verdadeira fraternidade. A partir
disso fazer o trabalho pastoral. É necessário primeiramente estudá-lo
bem para dar sentido à sua aplicação.
Missões: Como o senhor avalia os serviços de comunicação na Igreja?
Dom Caetano: Ainda estamos na situação de acolher as pessoas que
frequentam a paróquia, na comunicação relacionada às pessoas que ouvem o
padre na sua homilia. Então este serviço da acolhida leva ao serviço do
envio, do ir ao encontro das pessoas. O missionário vai, mas deve pregar
em cima dos telhados, como Jesus incentivava. Para isso, deve utilizar
os meios de comunicação. Quando possível, a Igreja deve ter os seus
próprios meios, ou então, conseguir espaços porque, apesar de toda a
experiência milenar, estamos atrasados. Só que não podemos cair no
conceito de marketing, que apela para tudo. Entendemos que a comunicação
deve ser executada e impulsionada a partir da ética. Quem vai controlar
os meios: o dinheiro?A total liberdade dos meios não pode acontecer. A
mídia é importante e a tecnologia pode ser muito bem utilizada a serviço
do Evangelho. Enquanto podemos ter emissoras próprias, utilizaremos,
caso contrário, devemos buscar espaços, e se nem nelas termos espaço,
devemos ser a consciência ética e crítica. Ser Igreja também é saber
cobrar de quem está a serviço do consumismo e dos interesses econômicos.
Não podemos entrar no jogo. Como fica a nossa pregação e os valores que
carregamos? Devemos observar e fazermos avanços, assim como já temos
feito. Em Bauru, por exemplo, vejo que temos uma articulação boa, que
existem pessoas atuantes. É um serviço essencial e isso não acontece em
todos os lugares.
Missões: O senhor utiliza os microfones?
Dom Caetano: Existem coisas que eu sei fazer e faço bem, outras que
faço mais ou menos, outras que eu não sei. Já utilizei algumas vezes,
mas não é preciso saber tudo, melhor conhecer quem sabe fazer bem e
confiar a eles esses serviços.
-
* Cecília Soares de Paiva é
jornalista, Relações Públicas e mestranda em Comunicação. Colaboradora
da revista Missões.
- Fonte: Revista
Missões
www.revistamissoes.org.br
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Diocese de Bauru
celebra seus 45 anos, festa do Padroeiro e a posse de Dom Frei Caetano
Ferrari, OFM
Toda a comunidade está convida para a cerimônia, que
acontece no dia 31 de maio, às 15h, na Catedral.
-
A festa de
Pentecostes, que celebra o padroeiro da Diocese de Bauru, o Divino
Espírito Santo, será esse ano ainda mais especial: a data marca a
posse de Dom Caetano Ferrari, OFM, como 5º bispo diocesano. Nesse dia
também serão comemorados os 45 anos de instalação da Diocese de Bauru.
-
A
cerimônia acontece no dia 31 de maio, às 15h, na Catedral do Divino
Espírito Santo. A missa deve contar com a presença de bispos da
região, sacerdotes e representantes das 41 paróquias da Diocese, além
de autoridades dos poderes públicos, lideranças diocesanas, agentes
pastorais e a comunidade em geral. Caravanas de Franca, de onde Dom
Caetano está sendo transferido, e de Pirajuí, cidade de origem do
bispo, também estão confirmadas.
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Todos
estão convidados!
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Dom Caetano conheceu o
Clero de Bauru
Dom Frei Caetano Ferrari, OFM visitou a Diocese de Bauru nos dias 14 e 15
de maio. Ele esteve no Seminário Seráfico Santo Antônio, em Agudos onde
teve seu primeiro contato com o clero local. Sua posse será no dia 31 de
maio, às 15h, na Catedral do Divino Espírito Santo. Já estão confirmadas
as presenças de 10 bispos da região.
Fonte: PasCom
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Dom Caetano deve visitar Bauru em maio
-
Dom Caetano participará de uma reunião com o Clero no Seminário de
Agudos. Confira outros detalhes em uma entrevista condedida ao
programa de rádio Notícias Diocesanas.
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No próximo dia 15 de maio Dom Caetano Ferrari, OFM, irá participar de
uma reunião com o clero da Diocese no seminário seráfico Santo
Antônio, em Agudos.
- O comunicado foi
feito em entrevista para o programa de rádio Notícias Diocesanas. O
bispo nomeado para a Diocese de Bauru também falou sobre suas
expectativas e seu lema missionário.
- Confira a
entrevista concedida por Dom Caetano Ferrari, OFM, ao programa
Notícias Diocesanas, transmitido pela Rádio Veritas FM (102,7)
na edição 314, que foi ao ar no dia 18 de abril.
-
- 1.
Como o senhor recebeu a notícia de sua transferência para Bauru?
Quais são as suas expectativas?
- Eu
recebi a minha transferência para Bauru como uma agradável surpresa.
Para mim há uma motivação especial, do ponto de vista particular,
pois sou filho da região, nasci e tenho parentes em Pirajuí, também
em Bauru. Aí tenho minhas raízes familiares e vocacionais. Eu entrei
no seminário Santo Antônio, em Agudos, onde comecei minha formação
franciscana. Em paróquias de Agudos e Bauru tenho laços afetivos com
meus confrades franciscanos. Além da surpresa alegre, vou com o
sentimento de servir do melhor modo possível usando a minha
experiência para atender o povo de Deus da Diocese de Bauru. Tenho
66 anos de idade, 39 anos de padre, 44 anos de vida franciscana e
apenas 7 anos de bispo, mas com uma caminha da pastoral longa.
-
- 2.
Para quando está prevista sua primeira visita a Bauru como bispo
nomeado? A data da posse já foi confirmada?
- Eu
marquei uma visita para o mês de maio para um primeiro contato com
os padres, pois antes estarei na 47ª Assembléia Geral da CNBB. Lá
terei a oportunidade de encontrar o administrador, o padre Luiz
Fontana, que está representando a Diocese de Bauru. A minha posse
está marcada para o dia 31 de maio, na Solenidade de Pentecostes, às
15h, na Catedral, porque o Divino Espírito Santo é o padroeiro da
Diocese de Bauru, sendo esse um momento muito oportuno.
-
- 3. O
seu lema é “evangelizar toda criatura”. A Diocese de Bauru pode
esperar um destaque para a ação missionária?
- De fato
eu escolhi esse lema quando fui ordenado bispo em abril de 2002
porque ele é muito apropriado diante do apelo que a Igreja vem
fazendo pela evangelização. O Documento de Aparecida convoca todos
nós da América Latina e do Caribe – do Brasil, em particular – à
missão. A missionariedade é muito forte também no carisma
franciscano. A Ordem dos Frades Menores é missionária, quem sabe a
primeira com esse forte caráter. A expressão “evangelizar a toda
criatura” está ligada a São Francisco, que chamava toda a criação de
irmão e irmã, em uma fraternidade universal. Nesse espírito, devemos
evangelizar não só os povos, mas toda a criação, toda a criatura,
enchendo a terra das sementes do evangelho. O Documento de Aparecida
nos pede para evangelizar a cultura, a sociedade, todas as
pessoas... Esse lema é muito forte e inspira a trabalhar em nossas
comunidades para que sejam missionárias.
Fonte: PasCom
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Carta de
Dom Caetano
comunicando sua transferência
para a Diocese de Bauru-SP

DOM FREI CAETANO FERRARI OFM
Evangelizare Omni Creaturae
Franca, 15 de abril de
2009
Estimados Párocos,
Vigários, Diáconos,
Religiosas, Seminaristas e Fiéis leigos e leigas
“O Senhor lhes
conceda a paz!”
Cumpro o dever de
comunicar que, conforme notícia publicada no L’Osservatore Romano do dia de
hoje, o Santo Padre o Papa, Bento XVI, me nomeou Bispo da Diocese Vacante de
Bauru transferindo-me desta Diocese de Franca.
Sempre em espírito de
obediência ao Santo Padre dei o meu sim confiando na graça de Deus e na
intercessão da Imaculada Conceição para bem servir à Igreja e ao povo de
Deus da Diocese de Bauru.
Ao mesmo tempo rendo
graças a Deus pelo tempo vivido nesta Diocese de Franca e muito agradeço a
Vós, meus irmãos e irmãs, pela estima e apoio sempre devotados a mim ao
longo dos sete anos de presença entre vós.
Estou recebendo esta
transferência como um presente pessoal e uma homenagem prestada a minha
família de sangue e a de vida religiosa. Na região de Bauru estão minhas
raízes, familiares e vocacionais. Nasci em Pirajuí, 50 km de Bauru, tendo
familiares e parentes em Pirajuí e Bauru. Iniciei minha formação franciscana
entrando no Seminário Santo Antônio, em Agudos, 15 km de Bauru.
Na certeza de estarmos
sempre unidos na comunhão de orações, rogo a Deus para vós bênçãos e graças
de saúde, paz e todo o bem.
Cordialmente,
Dom Caetano Ferrari, OFM
Administrador Diocesano
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