Bispo Diocesano
 
"Dia dos Catequistas" Artigo publicado na edição de 28 de agosto de 2011 do Jornal da Cidade
 
O Diretório Nacional de Catequese afirma que: “São milhares de mulheres, homens, jovens, anciãos e até adolescentes que descobrem, na experiência de fé e inserção na comunidade, a vocação de catequista” (242). Diz ainda que, dada a importância da catequese, os catequistas:
“Merecem que a Igreja os ajude a ter sucesso na tarefa que generosamente abraçaram” (idem); e que somente a eles a Igreja confere oficialmente o “ministério da catequese” (245). Em suma, o documento reafirma que o “ministério da catequese” é parte fundamental do “ministério da Palavra”, sem o qual a Igreja não subsistiria, cujo mandato ela recebeu do Senhor (331).
Pois, neste agosto vocacional, hoje, é dia do catequista para ser celebrado na perspectiva das vocações para os vários ministérios não ordenados e demais serviços na Igreja a favor do povo de Deus. É missão essencial da Igreja evangelizar todos os povos, batizar os que aderirem a Jesus, formá-los na fé e educá-los para a vida cristã a ser vivida no seio da comunidade eclesial, em vista do bem da humanidade, rumo ao reino definitivo. A Igreja sempre considerou a catequese como missão essencial e ser catequista como vocação própria que deve ser valorizada, promovida e cuidada pela Diocese e Paróquias.
Lembra-nos o mencionado Diretório que há cinqüenta anos se desenvolve o movimento de renovação catequética na Igreja do Brasil, na esteira do Vaticano II.
E que esse trabalho de renovação prossegue em sintonia com os apelos do Bem-aventurado Papa João Paulo II desde quando pediu à Igreja para que toda a evangelização fosse “nova no ardor, nova no método e nova na expressão” (331). E, devemos acrescentar, que ele prossegue impulsionado, recentemente, pelas conclusões de Aparecida e as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.
A catequese é vital na Igreja e sem os catequistas o Bispo e os Padres pouco ou nada poderiam fazer. Os primeiros catequistas são os pais que ensinam os seus filhos, desde o berço e o colo da mãe, as primeiras orações (Sinal da cruz, Pai nosso, Ave Maria, Anjo do Senhor) e quem é Deus, Jesus, Espírito Santo, Nossa Senhora, Anjos e santos. Depois deles, os catequistas são os primeiros que oficialmente em nome da Igreja recebem a missão de educar as crianças, adolescentes e jovens a aprofundar o conhecimento e a vivência da fé cristã na família, na Igreja e na sociedade. Despertam neles o amor a Deus e a alegria de encontrar Jesus pelo conhecimento da História Sagrada e dos conteúdos da fé, pela formação moral e pela vivência da fé mediante a inserção na comunidade, a oração pessoal e litúrgica, e a prática da caridade. Os três sacramentos da iniciação cristã – Batismo, Eucaristia e Crisma – são administrados aos jovens e adolescentes depois de uma longa catequese, ministrada carinhosamente pelos catequistas.
Tradicionalmente, entre nós, catequistas são na sua grande maioria mulheres. Você se lembra de sua catequista?
Eu me lembro da primeira catequista que, lá na Escola rural na Fazenda dos Mazzaro, no Bairro do Dourado, em Pirajuí, preparou nossa turma para a primeira Eucaristia, lá pelos idos de 1950. Comemorando o dia do catequista ofereça orações por todos eles, os de ontem e os de hoje, que com paciência e carinho ministram os mistérios de Deus e da vida e os segredos da fé, em nossas Paróquias e Capelas, para o bem e a felicidade de nossas crianças, adolescentes e jovens, e também de não poucos adultos.
Valorize essa vocação na Igreja. Ser catequista é também um chamado de Deus aos fiéis em geral e a você em particular.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Opção radical e entrega total"
Artigo publicado na edição de 24 de julho de 2011 do Jornal da Cidade
 
Estamos ouvindo nestes domingos de julho a leitura da série de parábolas mais significativas sobre o reino dos céus narradas por São Mateus. No domingo de hoje, ouviremos as três últimas: do tesouro, da pérola e da rede de pesca, lidas em Mateus 13,44-52.
Quem descobriu um tesouro escondido num campo e encontrou por aí uma pedra preciosa não tem dúvida alguma senão optar decidida e radicalmente por adquirir esse tesouro e essa pérola, custe o que custar, e entregar-se totalmente nessa tarefa investindo tudo o que tem para se apossar deles, o mais rápido possível, antes que outros o façam passando-lhe à frente. Sabedoria e discernimento são as duas atitudes básicas que Jesus pede a seus ouvintes. Pois, o reino de Deus, exatamente por ser mistério oculto, precisa da boa vontade e do empenho para ser descoberto e recebido, à semelhança do tesouro escondido e da pérola rara, difíceis de serem achados.
O tesouro e a pérola do reino não são dados unicamente a predestinados e sortudos da vida. São ofertados a todos. Mas o reino é graça e dom de Deus somente acolhidos, como diz Jesus, por quem têm ouvidos que ouvem e olhos que veem, isto é, por quem anda pela vida faminto e sedento da Palavra de Deus, da descoberta do sentido da vida, da justiça e do bem.
Supliquemos a Deus essa sabedoria e discernimento do Espírito para andarmos sempre atentos pelos caminhos da vida, de tal modo a descobrirmos os tesouros e as pedras preciosas que ela nos oferece. Igualmente, peçamos esses dons do Espírito – opção radical e entrega total – para ajuntarmos cada vez mais tesouros e pérolas que valem para a eternidade. Desta forma poderemos corresponder ao que Jesus, em outra ocasião, recomendou a seus discípulos: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e o caruncho corroem e os ladrões arrombam e roubam, mas ajuntai para vós tesouros no céu...; pois onde está teu tesouro, ali está também teu coração” (Mt 6,19-20).
Na parábola da rede de pesca, Jesus nos convida a discernir e a escolher entre os peixes bons (pedras preciosas) e os que não prestam (pedras falsas), e que se encontram misturados na rede da vida. Essa é uma orientação a ser adotada durante nosso viver. Pois é sempre bom de vez em quando fazermos um balanço da nossa vida, ficando com o que é bom e jogando fora o que não presta. Mas Jesus se refere também ao fim dos tempos, por ocasião do juízo final, quando se dará a separação entre o joio e o trigo, ou seja, entre os justos e os maus, segundo a parábola lida no domingo passado. Pois, na maior parte das vezes devemos caminhar pela vida levando pacientemente um fardo, que é pesado; porque vêm misturadas com as coisas boas (trigo) muitas coisas más (joio). E Jesus, por suas parábolas, insiste em nos dizer que os mistérios do reino de Deus e os seus dons só poderão ser decifrados e adquiridos durante nossa caminhada pela vida afora que não nos permite a impaciência, o pessimismo e a desesperança, mas exige de nós vivermos sob a guia e a sabedoria que vem do Alto e no impulso do dinamismo do Espírito, que faz novas todas as coisas.
No final do Evangelho, Jesus perguntou aos discípulos: “Compreendestes tudo isso? Eles  responderam: sim”.
Então, não há outra alternativa senão fazermos uma opção radical pela causa do reino de Deus e uma entrega total para adquiri-lo, desde aqui e agora.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
"A alegria das festas juninas" Artigo publicado na edição de 26 de junho de 2011 do Jornal da Cidade
Junho é reconhecidamente mês da alegria e das festas.
São festas no céu e festas na terra. Fechando o tempo da Páscoa, tivemos as festas da Ascensão ou subida de Jesus ao céu e de Pentecostes. Depois, as festas da Santíssima Trindade e de Corpus Christi. São festas dos céus que descem para encher a terra de alegria, convidando os humanos a transcender para festejar no céu, na alegre contemplação dos mistérios mais sublimes de Deus, com anjos e santos celestiais.
As festas da terra que sobem aos céus, porém, são as festas dos gloriosos santos populares: Santo Antônio, São João e São Pedro. São festas dos arraiais cá deste chão da terra, que convidam os seres celestiais a descerem para festejar com os humanos as maravilhas que a graça de Deus realizou por meio de homens simples e rudes, mas generosos e bondosos, como Antônio de Lisboa e Pádua, João Batista e Simão Pedro.
Por aquelas festas e por estas, céu e terra se encontram revelando os mistérios de Deus, dos homens, de toda a criação e da vida. Elas ensinam que Deus, num certo dia, desceu e tomou a carne humana, fazendo-se igual aos humanos em tudo, menos no pecado. Que Deus humanizou-se para resgatar a beleza e santidade deste mundo maculado pelo pecado mediante uma vida de amor, e para convidar os humanos a divinizarem-se, isto é, a viverem conforme a sua identidade original de filhos de Deus, criados à sua imagem e semelhança, fazendo o bem nesta terra, e comprometidos com as causas da justiça, da paz e do Reino dos céus.
Pelas festas do céu, nos alegramos festejando Deus que se humaniza para dar sua vida por nós e salvar o mundo, por amor.
Pelas festas da terra, festejamos alegremente aqueles homens e mulheres, como Antônio, João e Pedro, que buscaram as coisas do céu para dar sua vida por Deus e sua maior glória, por amor.
No Evangelho da Missa deste domingo, Jesus fala a respeito do seguimento, isto é, do discipulado, e da hospitalidade – Mateus 10,37-42. Quem, sentindo-se chamado, deseja seguir mais de perto a Jesus, como fizeram, por exemplo, Antônio, João e Pedro, precisa ter consciência de que não basta meio amor ou qualquer amor. É uma questão de tudo ou nada. Nas palavras de Jesus: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim. Quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim. Quem não toma a sua cruz e não me segue não é digno de mim. Quem procura conservar a sua vida vai perdê-la.
E quem perde a sua vida por causa de mim vai encontrá-la”. Trata-se, como se vê, de uma opção radical esta de ser discípulo de Jesus. O amor a Deus sobrepõe-se até mesmo ao amor familiar e à própria vida. Quem assim o fizer não perderá a vida, nem os familiares, mas os terá sãos e salvos, diz Jesus. Também à primazia do Reino de Deus e à sua justiça tudo deve se submeter e então todas as coisas necessárias para o nosso viver nos serão dadas, disse Jesus em outro lugar.
Praticar a hospitalidade acolhendo o outro é também uma exigência para todo discípulo. Antônio, João e Pedro dão testemunho do acolher, cada um de acordo com as circunstâncias do seu tempo e lugar. Antônio é o Santo do pão aos pobres, João Batista o que acolheu Jesus como o Messias e o batizou, e Pedro, o que apascentou as ovelhas e as guardou até o martírio. É Jesus quem diz no Evangelho de hoje: “Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou... Quem der ainda que seja apenas um copo de água fresca a um desses pequeninos, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa”.
Fortalecidos pelas celebrações das festas de junho, renovemos nossos compromissos de fé, como fiéis discípulos e missionários de Jesus Cristo, a serviço da vida.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Bem-aventurado Papa João Paulo II"
Artigo publicado na edição de 01 de maio de 2011 do Jornal da Cidade
“Santo Súbito” foi o clamor do povo na Praça de São Pedro, em abril de 2005, nos funerais do grande Papa. Unidos àquela gente, nós que vivemos sob seu Pontificado de mais de 26 anos, ao redor do mundo, aclamávamos também para que ele fosse declarado “Santo Já”, sem delongas nem formalidades.
Porque testemunhávamos como ainda o fazemos hoje a grandeza de João Paulo II, suas virtudes e obras notórias e exemplares demonstradas ao longo de seus 84 anos de vida.
Os meios de comunicação repercutem no mundo todo a biografia de João Paulo II, por ocasião da celebração de sua beatificação oficial pela Igreja, que está acontecendo hoje, a partir das 10h, em Roma.
Santo popular, o Papa João Paulo II é o santo do povo, tendo vivido santamente como o santo de Deus. O povo percebe o oculto por trás do aparente, o povo sabe das coisas sobrenaturais, e é por isso que se diz que a voz do povo é a voz de Deus.
Mal se completaram seis anos de sua morte, a partir de hoje seu nome passa a integrar a Ladainha de todos os Santos e nós podemos invocá-lo: Bem-aventurado Papa João Paulo II, rogai por nós!
Por que ser beatificado hoje, neste 2º domingo da Páscoa?
Exatamente porque este é o domingo da misericórdia divina, uma festa instituída por João Paulo II, inspirada no Evangelho da liturgia deste domingo: Jo 20,19-31.
São João fala que ao anoitecer daquele primeiro dia, estando fechadas as portas por medo dos judeus, Jesus entrou, não se sabe como, e apareceu no meio dos apóstolos, saudando-os duas vezes, após mostrar-lhes as mãos e o lado aberto, com estas palavras: “A paz esteja convosco”. Os discípulos não puderam conter a alegria ao vê-lo. Tendo entregue sua vida por misericórdia, Jesus ressuscitado, que tem sob seu poder a vida podendo dá-la e retomá-la quando quiser, neste exato momento entregou aos apóstolos o poder de perdoar os pecados com o Espírito Santo: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”. Essa é a missão que Jesus deixou à sua Igreja: testemunhar a misericórdia de Deus, perdoando os pecados, raiz de todos os males do mundo. Assim escreveu João Paulo II em sua Encíclica “Dives in Misericordia” (Rico em Misericórdia), em 1980, acentuando que: “A misericórdia é o eixo central de todo o Evangelho” e que ela deve ser “a motivação maior da evangelização”. Do seu lado aberto Jesus fez jorrar a misericórdia de seu coração, o perdão do Pai e o amor do Espírito Santo. E deixou-nos o mandamento: “Sede misericordiosos como vosso Pai do céu é misericordioso” (Lc 6,36). Pelo Sacramento da Reconciliação ou da Confissão recebido de Jesus Cristo, a Igreja nos oferece o perdão misericordioso de Deus e nos convida a perdoar. Santa Faustina, compatriota do Papa e canonizada por ele, recebeu esta revelação saída do coração de Jesus: “Quando te aproximas da Santa Confissão, deves saber que sou Eu mesmo quem espera por ti no confessionário; oculto-me apenas no sacerdote, mas Eu mesmo atuo na alma. Aí, a miséria da alma se encontra com o Deus da misericórdia”. Enamorado por Jesus Cristo, João Paulo II tornou-se propagador da devoção à Santa Faustina, apóstola da misericórdia divina, e aprendeu com ela a orar: Jesus, eu confio em Vós.
Tendo mais um intercessor junto de Deus, o Bemaventurado Papa João Paulo II, supliquemos a graça da Misericórdia Divina para todos nós, especialmente neste dia do trabalhador para todos os trabalhadores, sem esquecer obviamente dos que precisam de trabalho.
Misericórdia Divina, nossa única esperança, eu confio em Vós!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
"Cristo ressuscitou, aleluia!" Artigo publicado na edição de 24 de abril de 2011 do Jornal da Cidade
Gostei demais destas palavras do Papa Bento XVI na homilia do domingo de Ramos: “O termo último da peregrinação de Jesus é a altura do próprio Deus, até à qual Ele quer elevar o ser humano”. Palavras que ajudaram a iluminar a minha Semana Santa.
O ponto final da caminhada de Jesus na terra foi o Calvário, onde expirou, mas também a Páscoa, quando ressuscitou.
Este é o mistério que celebramos hoje: a vida que brota da morte. Se o grão de trigo lançado na terra não morrer, dele não nascerá vida nova. Se morrer, produzirá frutos até mil por um, conforme a parábola de Jesus.
O Filho de Deus, que não tem começo nem fim por ser Deus, nasceu em carne humana no seio da Virgem, viveu entre humanos, sendo humano em tudo menos no pecado, morreu no corpo físico-biológico e foi sepultado, mas ao terceiro dia ressuscitou em seu corpo, desde então incorruptível e glorificado.
Jesus Cristo glorioso, morto e ressuscitado, conforme as Escrituras, está sentado à direita do Pai nas alturas do céu, de onde com o Pai e no amor divino do Espírito Santo governa o mundo pelos séculos dos séculos.
Enquanto homem, Jesus histórico peregrinou rumo à altura do próprio Deus, fazendo em tudo a vontade do Pai, sendo-lhe obediente até à morte, e, a fim de que não se perdesse nenhum daqueles que o Pai lhe confiou, carregou sobre seus ombros os pecados de toda a humanidade e por todos deu a sua vida. Por isso “Jesus Cristo é o Senhor” e seu nome está acima de todo nome e diante dEle todo joelho se dobre no céu e na terra. O desejo de “ser como Deus” tem levado muitos homens à arrogância de tudo conseguir pelos inventos da ciência, da razão, da força dos impérios, do poder e prestígio pessoal e social. O Papa lembra que nenhum homem conseguirá colocar-se à altura de Deus por suas próprias forças, pois só Deus pode elevá-lo; isso é antes de tudo graça e dom. E, para cairmos na real, diz ainda que cresce a consciência de nossos limites humanos e das possibilidades do mal - guerras, violências e catástrofes de todos os tipos - que nos desafiam, cobrando responsabilidade, mas com humildade, pois nada podemos sem Deus.
O termo da peregrinação de Jesus é a Páscoa e a esta altura de glorificação humano-divina Ele elevou o ser humano.
Pode haver alegria maior do que esta? “Eis a obra do Senhor: uma maravilha a nossos olhos” (Sl 118,23). Cristo ressuscitou!
E nós temos com Ele a ressurreição, a vida divina e eterna.
Desde o batismo fomos sepultados com Cristo na morte e com Ele renascidos para a vida imortal. Somos uma nova criatura “que caminha numa vida nova” (Rm 6,4).
A Páscoa de 2011 nos convida a avançar com Jesus pelos caminhos da defesa da vida no planeta; caminhos esses que nos levam à altura do Deus Vivo.
Feliz Páscoa!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
"Semana Santa" Artigo publicado na edição de 17 de abril de 2011 do Jornal da Cidade
Com o domingo de Ramos, hoje, tem início a Semana Santa de 2011, ponto alto do ano litúrgico, em que a Igreja celebra os acontecimentos centrais da fé: a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Ponto mais alto da Semana Santa é o tríduo pascal – quinta, sexta e sábado santo. E o cume ou ápice do tríduo e de todo o ano é a Vigília Pascal do sábado à noite que se estende ao domingo da Páscoa, em que todos os cristãos celebram alegremente a ressurreição do Senhor. As alegrias da Páscoa pervadem todo o tempo pascal até Pentecostes, mas o mistério pascal de Cristo é celebrado durante todo o ano, especialmente nos domingos. Pois todo domingo é especialmente o dia do Senhor ressuscitado, é aquele primeiro dia da semana em que Jesus apareceu vivo a várias pessoas. Por isso, nos domingos os cristãos se reúnem para celebrar a Missa, ou a Eucaristia, ou a Páscoa de Cristo que é também a Páscoa dos cristãos. Na bela imagem do Corpo Místico elaborada por São Paulo, é a Páscoa da Cabeça, que é Jesus Cristo, e de seus membros, que somos nós.
Hoje, acompanhamos Jesus entrando messianicamente em Jerusalém aclamado pelas multidões com ramos e cantos de “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor!”. E humildemente montado num jumentinho, como anuncia antiga profecia: “Eis que o teu Rei vem a ti, manso e montado num jumentinho”. Assim lemos no Evangelho de Mateus 21,1-11, à entrada da Igreja. E na Missa lemos a Paixão de Jesus segundo Mateus – Mt 27,11-54.
Na quinta-feira santa, à tarde, celebraremos a Eucaristia, o Sacerdócio e o Mandamento Novo do amor fraterno, mistérios que formam o testamento deixado por Jesus à sua Igreja. “Desejei ardentemente celebrar esta ceia”; “Tomai todos e comei: isto é o meu corpo”; “Fazei isto em memória de mim”; “Amai-vos uns aos outros assim como eu vos tenho amado”. A Eucaristia será verdadeira comunhão se aprendermos a lição do mestre: “Assim como eu vos lavei os pés, fazei vós também”. Lavar os pés, isto é, amar, perdoar, servir e cuidar da vida no planeta são os gestos concretos do amor a Deus e do amor aos irmãos. Amemos a Eucaristia, o Sacerdócio e o Amor Fraterno que são a vida da comunidade e no planeta e a porta do céu.  
Na sexta-feira santa, não há Missa, mas somente a celebração, às 15h, da Paixão do Senhor. Cristo morreu por nossos pecados, como foi anunciado desde tempos antigos: “Entregou sua vida à morte e carregou os pecados de muitos” (Is 53,12). “Ó vós todos que passais por aqui, levantai os olhos e vede se há uma dor maior do que a minha dor” (Lm 1,12). No entanto, no lenho da cruz está a semente da ressurreição. Celebraremos a morte de Jesus, divisando no horizonte os clarões da aurora da Páscoa. Amemos a Jesus, com Maria sua mãe, estando aos pés da cruz e o acompanhando na procissão que conduz à sua sepultura. Como nos ensina São Paulo, lembrando a realidade do Batismo, “se morremos com Cristo, também viveremos com Ele” (Rm 6,8). Em Cristo morto e ressuscitado está a salvação e a redenção. Abracemos a cruz de Cristo, com a qual nos persignamos todos os dias e a qual trazemos conosco numa de suas mais variadas formas e a levemos pelo mundo como sinal do amor de Cristo por nós.
Na Vigília Pascal do sábado à noite, haveremos de celebrar a Páscoa do Senhor, a ressurreição de Jesus, festejando alegremente “a espera com a realidade, a esperança com a certeza”.
Cristo ressuscitou: é verdade sublime de nossa fé, garantia de nossa ressurreição e vida plena com Deus para sempre. Com o fogo novo e a luz nova da Páscoa somos chamados a renovar os compromissos de nossa vida cristã.
Depois da longa preparação quaresmal acompanhemos, com devoção e fé, Jesus em sua trajetória rumo à cruz e à ressurreição.
Lembre-se dos apelos da Campanha da Fraternidade, que vem nos alertando sobre as questões do meio ambiente e a urgência de cuidarmos da “Vida no Planeta”. E, no gesto concreto a ser recolhido, hoje, contribua generosamente com os projetos em favor da vida e o Fundo Diocesano de Solidariedade.
Feliz e Santa Páscoa!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"O Cristão, luz do mundo com Cristo"
Artigo publicado na edição de 03 de abril de 2011 do Jornal da Cidade
O Evangelho deste quarto domingo da Quaresma nos conta o milagre proporcionado por Jesus da cura de um homem cego de nascença, que era um mendigo conhecido na praça - Jo 9, 1-41. O Evangelista São João deseja ressaltar alguns pontos importantes: * Primeiro a divindade de Jesus que é o Filho do homem, ou seja, o Messias, o Salvador, que tem poder de fazer milagres. Os Evangelhos contam os muitos milagres de Jesus: curar doentes, ressuscitar mortos, multiplicar pães, apaziguar as forças da natureza, dar água viva que mata a sede para sempre, etc. Se Ele é o Messias, é Ele então quem tem o poder de perdoar os pecados e de dar a vida divina e eterna.
* Segundo para ensinar que o mendigo nascera cego não por causa dos pecados próprios ou dos pais, mas para que “nele se manifestem as obras de Deus” (v.3).
* Terceiro ressaltar o antagonismo entre luz e trevas e o triunfo da luz sobre as trevas, ou seja, da fé sobre a incredulidade.
* Quarto que Cristo é pedra de tropeço, sinal de contradição e de juízo para os que são os piores cegos, os que dizem ver e não enxergam: “Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem vejam e os que veem se tornem cegos” (vv.39-41).
* Quinto para a auto-revelação de Jesus que declarou: “Eu sou o Filho do homem” (vv.35-36), como já declarara: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12).
* Sexto ressaltar a declaração de fé do ex-cego: “Eu creio, Senhor, e prostrou-se diante de Jesus” (v.38).
* Por último a condenação que Jesus deu aos obstinados, os fariseus: “Se fosseis cegos, não teríeis culpa; mas, como dizeis ‘nós vemos’, o vosso pecado permanece” (v.41).
Em todos os milagres realizados por Jesus está presente a questão da fé, como pressuposto ou como consequência, pois com estes sinais Ele não desejou se apresentar como quem é capaz de dar “pão e circo” para todos, um salvador ao gosto dos imperadores e poderosos do mundo. Ele realizou alguns sinais – não curou todos os doentes nem resolveu todos os problemas; doentes e pobres sempre tereis em vosso meio – e o que realizou foi para que creiais. Pois, decidir por Jesus é muito mais do que pedir, no varejo, uma cura particular, é conseguir, no atacado, uma graça que permanece para sempre, responde ao sentido do nosso existir, traz a fé, a esperança e a caridade.
A Campanha da Fraternidade propõe que cuidemos da vida no planeta, a começar em nossas casas, ruas, cidades, campos e florestas, em relação à vida das coisas, das plantas, dos animais, dos seres humanos, especialmente das vítimas da pobreza, da violência, da guerra e do pecado. É a partir de cada um de nós, por meio da oração, jejum e caridade, que as coisas podem mudar e a vida será defendida e promovida.
Curando hoje o cego, como curou doentes, saciou famintos, levantou caídos, perdoou pecados e fez andar coxos, falar mudos, ouvir surdos e ressuscitar mortos, Jesus passou pelo mundo fazendo o bem e promovendo a vida sobretudo dos pobres e necessitados.
Em tudo Ele priorizou a defesa da vida humana e a salvação do homem acreditando que o homem novo por Ele redimido, o cristão, seja a luz do mundo, o sal da terra e o cuidador da criação.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
"A água nossa de cada dia" Artigo publicado na edição de 27 de março de 2011 do Jornal da Cidade

A Campanha da Fraternidade de 2011 aborda a questão do meio ambiente, convidando-nos a refletir sobre a “Vida no Planeta”, tendo presente o contexto do aquecimento global e das mudanças climáticas com suas sérias repercussões sobre o hoje e o amanhã da espécie humana e da terra. Inspira a reflexão esta chamada do apóstolo Paulo: “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22).
Repercute ainda hoje a comemoração do “Dia Mundial da Água”, celebrado na última terça-feira, dia 22 de março. E neste terceiro domingo da Quaresma, o Evangelho relata o encontro de Jesus com uma mulher Samaritana, no poço de Jacó, em Sicar. Motiva o encontra a água: Jesus estava com sede e a mulher veio buscar água para a casa. “Dá-me de beber”, pediu Jesus, uma vez que não tinha como tirá-la do poço, que eu te darei “água viva”. Todos conhecemos a cena e seu desenrolar. Esta página do Evangelho é uma das mais belas de João (Jo 4, 5-42).
A Igreja costuma ler esse Evangelho em relação à água viva do Batismo que sacia a sede para sempre e faz a pessoa viver para Deus. Como Jesus explica à samaritana: “Se tu conhecesses o dom de Deus..., tu mesma lhe pedirias a Ele, e Ele te daria água viva... Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”. Ao que a mulher lhe respondeu: “Senhor, dê-me dessa água”.
Jesus lhe explica que não há sentido para as diferenças e preconceitos entre judeus e samaritanos. Chegou a hora em que os verdadeiros adoradores do Pai não mais o adorarão em Jerusalém ou em Garizim, mas o adorarão em espírito e verdade e em todo lugar. A conversa segue e Jesus lhe diz que gostaria de conhecer o seu marido. E ela responde que não tem marido. Jesus não estranha a resposta, e diante da sua sinceridade, não reluta em revelar que conhece essa sua situação bem como sabe que ela teve, anteriormente, cinco maridos. Admirada, a mulher exclamou: “Vejo que o Senhor é um profeta”. Ou “não será o Messias que vai nos fazer conhecer todas as coisas?”. E Jesus, então, se identificou, declarando: “Sou eu, que estou falando contigo”. Ela voltou correndo para a cidade e a todos que ia encontrado, bem como a seus amigos e vizinhos, foi falando que encontrou o Cristo Salvador. Muitos correram para encontrar Jesus e, depois de vê-lo e ouvi-lo, abraçaram a fé pelo testemunho dela.
A Campanha da Fraternidade está nos mostrando que a vida no planeta está em perigo e a biodiversidade ameaçada, com seus ecossistemas, espécies e genes. Sobretudo o equilíbrio do clima, a qualidade e quantidade da água e a produção de alimentos têm a biodiversidade como fundamento. No contexto de aquecimento global e de mudanças climáticas, a problemática da água está presente, pois é questão primordial para toda a humanidade. A ONU, em 28 de julho de 2010, aprovou uma resolução instituindo como direitos humanos essenciais a água e o saneamento básico. A situação é crítica, segundo a Organização Mundial da Saúde: cerca de 13% (perto de 900 milhões de pessoas) vivem sem acesso à água potável , e 39% (2,6 bilhões de pessoas) sem saneamento básico. Na América Latina, 85 milhões vivem sem água potável e 115 milhões sem saneamento básico. Por causa disso, estão morrendo de diarreia 1,5 milhões de crianças abaixo de cinco anos.
A água viva da fé faz o mundo viver para Deus e a água nossa de cada dia garante a vida no planeta. Ambas são dons de Deus: “Se reconhecermos o dom de Deus”, Ele nunca nos deixará faltar o pão e a água nossa de cada dia. Sem, contudo, deixar de nos responsabilizar pelo cuidado com a vida no planeta naquilo que nos cabe como filhos e filhas à sua imagem e semelhança criados, e para sempre por Ele amados. Amém!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
"Os gemidos da criação" Artigo publicado na edição de 13 de março de 2011 do Jornal da Cidade

N
a Missa da Quarta-feira de Cinzas, o profeta Joel convidava o povo de Israel a voltar para o Senhor, vosso Deus, com preces, jejuns e gemidos, e a rasgar o coração e não as vestes (cf. Joel 2,12-13).
Muitos fiéis acorreram às Igrejas para receber as cinzas, alguns arrependidos dos excessos das festas da virada do ano, das férias e do carnaval, mas todos desejando começar bem a Quaresma, esse tempo de conversão e renovação de vida, e de preparação para a Páscoa.
Inspirando-nos no profeta Joel, conscientizemo-nos que não bastam simplesmente os gestos externos e rituais de rasgar roupas e fantasias e receber cinzas; é imprescindível uma mudança de coração, um desejo sincero de conversão.
Neste primeiro domingo da Quaresma, o Evangelho de Mateus nos relata o retiro de Jesus no deserto, para onde Ele foi conduzido pelo Espírito para ser tentado pelo diabo (Mt 4, 1-11). Como conta Mateus, depois de passar quarenta dias e quarenta noites em oração e jejum, Jesus sentiu fome. Foi nesse momento que o diabo veio para tentá-lo. E, como sabemos, se deu mal.
O diabo, embora anjo decaído, é inteligente e sagaz, e inclusive não é ateu nem agnóstico, ele não tem nenhuma dúvida quanto à existência de Deus, diríamos que seu problema não é de fé, ele também crê em Deus, só que não o ama, nele não confia nem espera. Satanás submeteu Jesus a três tentações cujos temas são pertinentes até hoje para nós humanos, razão pela qual essas tentações se tornaram paradigmáticas.
Porque fazem referências à satisfação de necessidades vitais no campo do ter, do poder, do dominar, os quais, se mal administrados se tornam idolatrias desumanizantes, desagregadoras da sociedade, destruidoras da vida no planeta e inimigas da fraternidade.
“Se és Filho de Deus”, disse o tentador, transforma estas pedras em pães e mata tua fome (v.3). Jesus respondeu de pronto: “Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus’” (v.4). Então o diabo levou Jesus ao pináculo do templo em Jerusalém e lhe sugeriu para lançar-se dali abaixo porque, “se és Filho de Deus”, está escrito que Deus enviará anjos para proteger-te do impacto com as pedras. Ao que Jesus respondeu: “Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus!’” (vv.5-7). Novamente o diabo levou Jesus para um monte muito alto e lhe mostrou os reinos do mundo e sua glória, dizendo: Tudo isso eu te darei se ajoelhares diante de mim para me adorar. “Jesus lhe disse: Vai-te embora, satanás, porque está escrito: ‘Adorarás ao Senhor teu Deus e somente a Ele prestarás culto’” (vv.8-10). O diabo o deixou e os anjos vieram e serviram a Jesus, conclui Mateus (v.11).
Ter pão e alimento para comer é necessário, mas o desejo desenfreado de ter posses leva à cobiça, que é a mãe de todos os vícios (cf. 1Tim 6,10). Ter poder para fazer o bem é bom, mas para encher-se de orgulho e soberba é pecado. Dominar sobre pessoas e reinos para em tudo ser servido e de tudo usufruir sem nada partilhar é anticristão, pois Jesus veio para lavar-nos os pés, para servir e amar.
O Evangelho das tentações de Jesus nos ajuda a entender a preocupação da Campanha da Fraternidade de 2011: Fraternidade e a Vida no Planeta. As tentações do ter, do poder e do dominar ameaçam ainda hoje a vida no planeta.
Pela vivência quaresmal e da Páscoa, que o Senhor nos renove espiritualmente para, no confronto com o demônio “homicida e mentiroso desde o início” (Jo 8,44), vencermos as tentações do orgulho e desobediência a Deus, do egoísmo e cobiça, do desejo desenfreado de possuir, poder e dominar. Livrenos também o Senhor da tentação do descaso e descuidado com a vida, fazendo-nos sensíveis aos gemidos da criação e ao grito dos pobres e sofredores deste mundo.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

 
"Fraternidade e a Vida no Planeta" Artigo publicado na edição de 06 de março de 2011 do Jornal da Cidade
Este é o tema da Campanha da Fraternidade, durante a Quaresma deste ano, tendo como lema: “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22).
O tempo da Quaresma começa na quarta-feira de cinzas e vai até a quinta-feira santa de manhã. Na raiz da palavra “Quaresma” está o número quarenta. A Quaresma se desenvolve em quarenta dias que relembram os quarenta anos de travessia do povo judeu no deserto rumo à terra prometida e os quarenta dias e noites de retiro de oração e jejum de Jesus no deserto, quando foi tentado pelo demônio (Evangelho do próximo domingo, o primeiro da Quaresma). São, portanto, quarenta dias de preparação para a Páscoa, a celebração do acontecimento mais importante de nossa fé, que está no ponto mais alto do Ano Litúrgico, em 2011, no dia 24 de abril. É um tempo de conversão de vida caracterizado por forte apelo à vivência dos exercícios quaresmais: a oração, o jejum e a esmola. Tudo isso para que a Páscoa possa ser celebrada intensa e dignamente como a Páscoa de Cristo e também a Páscoa dos Cristãos. No mistério da vida, paixão, morte, ressurreição e glorificação de Jesus Cristo se desvela o mistério da vida humana, iluminando nosso existir e caminhar neste mundo, desde a concepção até o nosso fim natural, na certeza da nossa ressurreição e comunhão de vida plena e eterna com Deus.
A Igreja nos convida a passarmos estes quarenta dias quaresmais com mais e melhor oração, jejum e esmola. Isto é, por uma vida de oração humilde e sincera que nos coloque mais intimamente em comunhão com Deus, mediante a leitura orante da Palavra de Deus, participação sacramental, confissão e comunhão pascal, devoções como a via-sacra etc. Por
um jejum que vá além da simples abstinência de alimentos e excessos no beber, e se mostre por gestos concretos de penitência em sintonia com o Cristo sofredor. E por uma esmola que nos empenhe, mais do que em dar algum dinheiro, em partilhar o nosso tempo, disposição, energia e posses em prol dos excluídos, sofredores e desencantados com a vida.
A Campanha da Fraternidade de 2011 ilumina nossa caminhada quaresmal, convidando-nos a concentrar nossa oração, penitência e caridade para alcançarmos o seu objetivo de “contribuir para a conscientização das comunidades cristãs e pessoas de boa vontade sobre a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas, e motivá-las a participar dos debates e ações que visam enfrentar o problema e preservar as condições de vida no planeta”.
O cuidado com a vida de nosso planeta deve começar por perto de nós, de nossas casas, ruas e cidades. É um cuidado com a vida humana e do planeta. Os Bispos em Aparecida disseram que a ecologia natural e a ecologia humana e social devem ser prioridades pastorais em nossas Igrejas. Não percamos de vista nem “os gemidos da terra” nem “o grito dos pobres e excluídos”.
Podemos começar com coisas simples, por exemplo: substituir sacos plásticos por sacolas ecologicamente corretas; evitar consumismo compulsivo; preferir alimentos orgânicos; apoiar cooperativas populares, feiras ecológicas; reciclar lixo etc.
Que a Quaresma deste ano nos traga renovação de vida e nos impulsione na construção da fraternidade, justiça e paz, e nos cuidados com o meio ambiente, a ecologia e a integridade da criação.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Os pássaros dos céus e os lírios dos campos"
Artigo publicado na edição de 27 de fevereiro de 2011 do Jornal da Cidade
Tanto os pobres quanto os ricos têm o mesmo valor diante de Deus e são chamados à salvação, bem como suas vidas se revestem de sentido e dignidade se procurarem em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça. É o que nos ensina o Evangelho de Mateus da Missa de hoje – Mt 6, 24-34).
O que Jesus propõe é uma revolução de conceito que fundamenta comportamentos e mandamentos antigos, mas difíceis de serem postos em prática.
Jesus diz aos ricos: decidam, Deus ou as posses, porque ninguém pode servir a dois senhores, a Deus e ao dinheiro, ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro (v. 2). O dinheiro não é em si mesmo um mal, um ídolo, “mamon” na terminologia semítica, como um poder pessoal que estaria acima de Deus e de tudo o mais na vida. Segundo São Mateus Jesus declarou bem-aventurados “os pobres em espírito”, porque deles é o Reino dos céus (Mt 5, 3). A pobreza radical é exigida aos consagrados ou religiosos que, por amor a Deus, emitem os votos de pobreza, obediência e castidade.
O que Jesus afirma aqui é que os ricos necessitam prestar muita atenção e se empenhar quanto à hierarquia dos valores do Reino e de sua justiça. Deus é o primeiro, o absoluto e o tudo na vida; A Ele se deve amar com todo o coração, com toda alma e todas as forças; e, por isso, antes e acima de todas as coisas, a primazia é buscar tudo o que Ele deseja, ou seja, o
Reino de Deus e sua justiça (v.33).
Também aos pobres, Jesus exige viver na confiança em Deus e em sua providência. E, usando bem ao seu gosto “parábolas”, fala dos “pássaros dos céus” (v.26) e dos “lírios dos campos” (v. 28). O Pai do céu cuida de alimentar os pássaros, que não semeiam, não colhem nem armazenam; e veste com rara beleza, a fazer inveja ao rei Salomão que jamais se vestiu assim, os lírios dos campos que não trabalham nem tecem.
Longe, portanto, de todos, ricos e pobres, preocupações como estas: “O que vamos comer? O que vamos beber? Como vamos nos vestir? (v. 31). Os pagãos são os que têm essas preocupações, porque não creem em Deus nem confiam na providência divina. E Jesus arremata dizendo: “Vosso Pai, que está nos céus, sabe que precisais de tudo isso... Portanto, não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações! Para cada dia bastam seus próprios problemas” (v. 31-34).
Com as parábolas dos pássaros e dos lírios, Jesus não está fazendo apologia da desocupação ou despreocupação, exagerando, da vagabundagem ou do não fazer nada. E deixar tudo por conta de Deus. Ao contrário, Ele faz uma exigência rigorosa e firme quanto ao que cabe à nossa parte: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça” (v.33). Para bom entendedor buscar o Reino de Deus e sua justiça significa um árduo trabalho, uma ação permanente, pensada, organizada e planejada individual, comunitária e socialmente para se pôr em prática todas as suas exigências, como os mandamentos de Deus, as leis e os profetas e, mais ainda, para seguir os caminhos da nova santidade de vida que Ele veio propor em seu Evangelho, como no Sermão da montanha e das bem-aventuranças.
A lição do Evangelho de hoje pode resumir-se nas palavras ditas por um conhecido santo: Confiar em Deus como se tudo dependesse dele e trabalhar como se tudo dependesse de nós (Sto. Inácio de Loyola).
Cuidemos, pois, ricos ou pobres, para não cairmos em nenhuma dessas tentações, a de adorar o bezerro de ouro (falso deus) ou a de adorar o ouro do bezerro (riqueza ou dinheiro). Ambos são ídolos e “mamon iníquo”. Consideremos esta conclusão de Paulo Apóstolo: “A raiz de todos os males é a cobiça do dinheiro” (1Tm 6,10). Ó Senhor, livre-nos do mal. Amém!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Ser perfeito como Deus é perfeito"
Artigo publicado na edição de 20 de fevereiro de 2011 do Jornal da Cidade
Desde o começo do ano, nas Missas dominicais, estamos lendo o Evangelho de Mateus. Hoje com a leitura de Mt 5, 38-48, encerra-se a primeira parte do Sermão da Montanha e das bem-aventuranças.
O projeto de vida para o discípulo de Jesus pode ficar estruturado assim: - Um amor passivo, ou seja, uma vida “pela não violência”, jamais pelo enfrentamento ao agressor (v.39).
- Um amor ativo, amando os inimigos e devolvendo-lhes com o bem o mal que lhe desejam (v.44).
- Sabedoria e santidade segundo o Espírito para viver à maneira de Jesus, fazendo o bem, perdoando e amando até a morte.
Jesus conclui com essas palavras seu ensinamento: “portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (v. 48).
Na leitura do Evangelho de hoje (Mt 5, 38-48), Mateus narra as duas últimas “antíteses” com as quais Jesus conclui a sua argumentação sobre a nova lei da santidade por Ele proposta, em face da nova justiça do Reino e das bem-aventuranças.
“Ouvistes o que foi dito: olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo...” Resumindo a fala de Jesus: abaixo essa lei de Talião, abaixo a vingança na mesma medida, a cobrança ou o pagamento com a mesma moeda. Doravante, se alguém lhe bater na face direita, ofereça-lhe também a esquerda.
Se alguém o forçar a andar um quilômetro, caminhe dois com ele. Dê a quem lhe pedir e jamais vire as costas a quem lhe pede emprestado (vv. 38-42).
“Ouvistes o que foi dito: amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo...” O que Jesus diz é: amem seus inimigos, façam-lhes o bem e rezem pelos que os perseguem e caluniam.
Agindo assim vocês se tornarão filhos de Deus, porque Ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e chover sobre justos e injustos.
A lei de Cristo não revoga a lei de Deus, mas a leva à perfeição, nem o Novo Testamento revoga o Antigo, mas o leva ao seu completo cumprimento.
Amar com amor gratuito e desinteressado, e amar até mesmo aos inimigos, sendo capaz de dar a vida por eles, nisto consiste amar como Jesus e como Deus mesmo. Nisto consiste ser perfeito como Deus, ser santo como Deus.
No salmo responsorial da Missa de hoje (Sl 102/103), a Igreja nos convida a cantar os louvores de Deus, dizendo: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e todo o meu ser, seu santo nome! Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não te esqueças nenhum de seus favores!
(...) O Senhor é indulgente, é favorável, é paciente, é bondoso e compassivo. Não nos trata como exigem nossas faltas nem nos pune em proporção às nossas culpas. (...) Como um pai se compadece de seus filhos, o Senhor tem compaixão dos que o temem”.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"A Lei de Cristo e a Lei de Deus "
Artigo publicado na edição de 13 de fevereiro de 2011 do Jornal da Cidade
Será que a lei de Cristo revoga a lei de Deus? Ou, em outras palavras, será que o Novo Testamento contraria o Antigo Testamento?
É Jesus mesmo quem responde a estas questões no Evangelho lido na Missa dominical de hoje – Mt 5, 17-37. Aliás, este trecho do Evangelho é sequência do Sermão da Montanha e das bem-aventuranças segundo São Mateus, lidos nos domingos anteriores. Depois de ter anunciado a chegada do Reino dos Céus e as bem-aventuranças, Jesus desconfiou de ter causado muita euforia no povo. As pessoas estariam imaginando que ele veio abolir a lei, os profetas, os mandamentos, como que pondo abaixo o Velho Testamento? De fato o Antigo e o Novo Testamento não se identificam, havendo, portanto, diferenças, mas também não se contrariam, nem este revoga aquele, ao contrário se completam, ou melhor, este aperfeiçoa aquele. Na leitura de hoje Jesus explica essa questão.
“Não penseis que vim abolir a lei e os profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. (...) nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da lei sem que tudo se cumpra” (vv. 17-18). Jesus deixa bem claro que a boa nova do Reino instaurado por Ele e a boa nova das bem-aventuranças anunciadas por Ele não anulam o Antigo Testamento, ou seja, as leis, os profetas e os mandamentos. Por isso, em nome da nova justiça do Reino, Ele veio para exigir, em primeiro lugar, uma fidelidade renovada e uma radicalidade nova no cumprimento da vontade de Deus e na observância de seus mandamentos.
Fidelidade e radicalidade sim, mas com uma diferença, uma novidade, que essa fidelidade e radicalidade sejam maiores e melhores do que a justiça, por exemplo, dos escribas e fariseus, ou de quem, como eles, observa a lei por puro formalismo e legalismo. “Porque eu vos digo: se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus” (v. 20).
Para explicar essa nova justiça, essa nova santidade e liberdade cristãs, Jesus apresenta as célebres “antíteses”, como se pode ver no caso do homicídio: “Não matarás!... Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo;... quem chamar o irmão de tolo será condenado ao fogo do inferno”. (vv. 21-22). E no caso do adultério: “Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo: todo aquele que olhar para uma mulher com o desejo de possuí-la já cometeu adultério com ela em seu coração” (vv. 27-28). Eis porque Jesus veio exigir, em segundo lugar, uma nova justiça e nova santidade de vida, inspiradas agora segundo a sabedoria e liberdade cristãs no Espírito. Como Jesus mesmo dissera em
outra oportunidade, se a letra da lei a mata, é o Espírito que a vivifica. Jesus, o novo profeta, é aquele “retira e propõe coisas novas e velhas” (Mt 13,52). Segundo a “lei do espírito” da vida em Cristo, conforme diz São Paulo (Rm 8,2), ficam abolidos o legalismo, o formalismo, o fundamentalismo e o ritualismo vazio.
A nova maneira cristã de ser, viver e conviver, o novo comportamento cristão que Jesus veio exigir de cada um de nós e de nossas comunidades eclesiais nos impõe viver segundo a lei do espírito, desejando as coisas do espírito.
Pois: “Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8, 14).
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"As imagens dos sinais: sal, luz e lâmpada "
Artigo publicado na edição de 06 de fevereiro de 2011 do Jornal da Cidade
Em sequência às bem-aventuranças, lidas no Evangelho de domingo passado, na liturgia dominical de hoje Jesus prossegue declarando que os bem-aventurados e felizes cidadãos do Reino dos Céus devem ser seus sinais luminosos e brilhantes na terra e para a humanidade assim como uma cidade construída no monte, impossível de ficar escondida, ou como uma  lâmpada acesa no alto do teto que ilumina todos os da casa. É o que lemos no Evangelho segundo São Mateus 5, 13-16.
Pois essa é a vocação dos discípulos, individualmente, e, coletivamente, de toda a comunidade eclesial, em outras palavras, de cada fiel, você, eu e nós todos da Igreja: ser sal, luz e sinal.
É o que nos diz o Evangelho com estas parábolas e imagens usadas por Jesus, naquele seu jeito bonito, plástico e poético de se comunicar com o povo: “Vós sois o sal da terra”; “Vós sois a luz do mundo”; (Vós sois) “como uma cidade construída sobre o monte, impossível de ficar escondida”; (ou como) “uma lâmpada acesa pendurada num candeeiro para iluminar todos os que moram na casa”.
Por isso o sal tem que ser e estar bom para salgar; caso contrário que seja jogado fora e pisado pelos homens. Sal bom é o que salga, dando gosto e sabor, e o que preserva a qualidade, evitando que a coisa salgada se estrague e apodreça.
Ser sal da terra é empenhar-se para cuidar do planeta e seus habitantes a fim de que não percam nunca o sabor da originalidade desde sua criação e a qualidade da vida e de sentido para o presente e o futuro do cosmos e da história e a fraternidade universal.
Também a luz boa é a que brilha intensamente, como a de Jesus Cristo anunciado pelos profetas e apontado desde seu nascimento como luz que ilumina o mundo e todas as nações. Assim igualmente brilhe nossa luz no mundo.
Que nossa Igreja seja como a cidade santa de Jerusalém edificada no alto do monte Sion, vistosa e brilhante como um sinal visível visto por todos para que a ela retornem os seus filhos dispersos e a ela acorram todos os povos, de todas as raças e culturas porque nela habita e reina o Senhor, Deus poderoso criador da vida e Pai bondoso de todas as misericórdias, com o seu Filho Jesus Cristo e o Espírito Santo.
Que cada fiel, você e eu, sejamos como uma lâmpada acesa num candeeiro pendurado no alto do teto de nossas casas para iluminar todos os que convivem conosco, os da casa de nossas famílias, da casa de nossa sociedade, da casa de nossa Igreja e da casa do mundo. Uma luz que reflete a luz de Deus, de Jesus e do Espírito, e de sua Igreja para iluminar os caminhos que nos conduzem até a pátria celeste.
Sendo sal, luz e sinal do Reino de Deus no mundo, coloquemo-nos, como discípulos e como comunidade eclesial, a serviço dos homens, fazendo o bem por causa de Deus mesmo que é o sumo bem, mas inclusive para que as pessoas, vendo nossas boas obras, deem graças ao Pai que está no céu.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"O mais famoso texto da literatura mundial"
Artigo publicado na edição de 30 de janeiro de 2011 do Jornal da Cidade
Na 1ª leitura (Sf 2,3; 3,12-13), o profeta Sofonias anuncia a esperança ao Resto de Israel. Mas quem é o chamado ‘resto de Israel’? É aquele grupo de hebreus, poucos e fracos, mas fiéis ao Senhor e piedosos observantes da aliança. Eles podem esperar dias melhores e escapar da catástrofe, porque Deus ama e protege os humildes e com eles realiza grandes coisas. Pode-se dizer que eles pertencem ao grupo dos bem-aventurados.
Na 2ª leitura (1Cor 1, 26-31), Paulo comenta com os fiéis de Corinto: por acaso não há na comunidade de vocês nem muitos sábios de sabedoria humana, nem muitos poderosos, nem muitos da alta sociedade. Deus, no entanto, chamou o que o mundo considera ignorante, fraco e sem importância para confundir o sábio, o forte e o importante. E explica: Deus prefere o fraco ao forte para que, assim sendo, ninguém possa gloriar-se na autosuficiência de suas próprias forças. Mas, quem se gloria, glorie-se no Senhor. Estes são também outros do grupo dos bem-aventurados.
No Evangelho das bem-aventuranças, Jesus proclama que são felizes aqueles que, apesar das adversidades da vida, confiam em Deus. Com Jesus, o Reino de Deus chegou e, por isso, seus sonhos e esperanças começam a se realizar. São felizes os que acolhem Jesus e o Reino.
Das nove bem-aventuranças apresentadas por Mateus, são bem-aventurados dois gêneros de pessoas, as vítimas deste mundo e que esperam a salvação: os pobres, sofredores e injustiçados de qualquer classe, raça, cor e credo; e ‘o Resto de Israel’ portador da salvação, em outras palavras, os que fazem o bem, socorrem os necessitados e promovem a paz, ou que por causa desta sua atuação são caluniados e perseguidos. Conforme São Paulo, pertencem a esse segundo grupo os poucos sábios, poderosos e da alta sociedade de ricos que são tementes a Deus e observantes de seus mandamentos, e a maioria da comunidade, os pouco instruídos, pobres e fracos, porque Deus escolheu o que é limitado, pequeno e fraco para confundir os grandes e poderosos.
Jesus é a realização perfeita de todas as bemaventuranças. Na sua vida humana ele foi tudo isso: pobre, humilde, puro de coração, faminto e sedento de justiça, misericordioso, perseguido, injustiçado, torturado e crucificado. Jesus é em pessoa a personificação das bemaventuranças. A garantia de que as bem-aventuranças são uma Boa-Nova de salvação e vida para todos e não uma mera utopia; vem de Deus mesmo, nos foi dada por Jesus, na sua vida, morte e ressurreição. Exemplo de santo que entendeu muito bem o sentido das bem-aventuranças é São Francisco de Assis. Jesus Cristo pobre, humilde, crucificado e ressuscitado tornou-se para ele a maior paixão de sua vida. A Jesus que, segundo ele dizia, é ‘o amor que não é amado’ ele entregou a sua vida.
Você se reconhece nas bem-aventuranças? A que grupo de bem-aventurados você se inclui? As bem-aventuranças são para você um ideal de santidade, um caminho de perfeição, um projeto de vida cidadã e cristã? Você já se sente um bem-aventurado, feliz e realizado na vida, tendo tudo o que você sonhou ter?
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Novo ânimo apodera-se do povo... "
Artigo publicado na edição de 23 de janeiro de 2011 do Jornal da Cidade
... a partir do momento em que Jesus começa sua atividade apostólica anunciando o Reino de Deus com a pregação do Evangelho, com os sinais prodigiosos de curas e milagres, e com os gestos de amor, misericórdia e compaixão a pecadores, pobres e excluídos.
“convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo” é a chamada forte feita por Jesus segundo o Evangelho da Missa dominical de hoje: Mateus 4,12-23.
Conta Mateus que Jesus, tão logo ouviu dizer que João Batista havia sido preso, decidiu voltar para a Galiléia, indo morar em Cafarnaum, nos confins de Zabulon e Neftali. Por que Jesus foi começar ali a sua obra missionária? Como é sabido que a intenção de Mateus, com o seu Evangelho, é ressaltar que Jesus é o Messias anunciado pelos profetas, ele então explica que assim se deu para se cumprir uma profecia de Isaías, que se lê também na 1ª leitura de hoje: Isaías 8,23-9,3. Mateus resume no Evangelho, o núcleo central dessa profecia de Isaías, escrevendo assim: “ Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região além do Jordão, Galiléia das nações! O povo que ali jazia nas trevas viu uma grande luz; aos que jaziam na região sombria da morte, surgiu uma luz”.  Nessas regiões além do rio Jordão habitavam duas tribos de Israel – Zabulon e Neftali – cujas populações, há sete séculos antes de Cristo, foram deportadas para a Assíria, sendo suas terras invadidas por povos pagãos. Para reanimar sua gente que vivia na situação sombria da escravidão, Isaías anunciava a vinda dessa figura real e profética, o Messias, como salvador e libertador do jugo da opressão que se abatera sobre todos. Desse modo Isaías enchia de ânimo o povo, fazendo crescer a alegria e esperança nos seus corações. E é por isso que Mateus afirma no Evangelho de hoje que foi exatamente nessa região, a Galiléia dos pagãos, que Jesus desejou começar sua atividade missionária, realizando plenamente o que Isaías profetizara.
Pois bem, começando a anunciar a Boa Nova do Reino dos Céus exatamente ali entre aquela gente de Zabulon e Neftali, pode-se entender perfeitamente como Jesus incendiou o ânimo do povo, abrindo perspectivas novas de esperança e de tempos melhores. Porque ele foi logo demonstrando que não só pregava como quem tem autoridade, denunciando o mal e anunciando o bem, mas que agia, com poder e força, e realizava obras admiráveis de milagres e curas, perdoando os pecados e expulsando os demônios, compadecendo-se com os abandonados da sociedade e os sofredores de todos os graus e níveis sociais.
Mateus informa também no Evangelho de hoje que Jesus foi chamando do meio do povo colaboradores para ajudá-lo em sua missão, deixando claro que não desejava cumpri-lo sozinho. Os primeiros a serem escolhidos foram pescadores ali do lago da Galiléia, convidando-os para daí em diante se tornarem pescadores de homens. Foi assim que Ele chamou os irmãos Pedro e André, dizendo: “Segui-me e Eu farei de vós pescadores de homens”. E eles, por incrível que pareça, deixaram as redes de pesca e o seguiram. Depois Jesus chamou outros dois irmãos, Tiago e João, pescadores como o seu pai Zebedeu, e eles também deixaram a barca e o pai, e o seguiram.
A pregação de Jesus, em palavras e prodígios, anunciando a proximidade do Reino dos Céus, além de ter provocado verdadeira revolução social e transformação de vida nas pessoas e comunidade, hoje levanta para nós algumas questões, como por exemplo:
- Somos capazes de identificar no mundo de hoje, em nosso país, cidades e comunidades, quais são as áreas de Zabulon e Neftali a serem evangelizadas pela Igreja e transformadas por sua atuação em vista do Reino de Deus?
- Somos capazes de colaborar com a missão da Igreja, recebida de Jesus, mediante forte testemunho de fé e vida, e ativa participação na ação pastoral da nossa comunidade?
- Nossa ação pastoral está conseguindo ser luz e fogo que ilumina a caminhada do nosso povo e enche de ânimo novo os corações e a vida das pessoas?
Dom Caetano Ferrari – Bispo Diocesano de Bauru
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"Manso e humilde, Jesus irá à morte de cruz para nos dar a vida "
Artigo publicado na edição de 16 de janeiro de 2011 do Jornal da Cidade
Iniciando a vida pública com suas atividades pastorais, Jesus assume para valer a sua vocação e missão recebidas do Pai de bondade. Jesus, dizendo de si mesmo, resume sua vocação e missão, com singelas palavras: vim para fazer em tudo a vontade do Pai; não para ser servido, mas para servir; não para julgar e condenar, mas para perdoar os pecados, dar a vida plena e eterna e a todos salvar.
Na 1ª leitura da Missa dominical de hoje (Is 49,3.5-6), Isaías fala que a vocação daquele Servo de Javé sofredor por ele profetizado é a de ser Servo de Deus. E, unindo vocação e missão, acrescenta que a missão desse Servo é não só a de restaurar Judá e Israel, mas a de ser luz para as nações a fim de que a salvação chegue até os confins da terra. Uma vocação especial para uma missão universal, mas também local, uma missão geral e ampla, mas também particular e específica.
Na 2ª leitura (1Cor 1,1-3), Paulo ressalta a vocação, a dele e a dos fiéis. Diz que ele mesmo foi chamado a ser apóstolo de Jesus por vontade de Deus. E nessa condição está se dirigindo à comunidade vocacionada de Corinto, que é formada por fiéis santificados em Cristo, pelo batismo, e por isso mesmo fiéis vocacionados a serem santos. A esses fiéis, em primeiro lugar, saúda a todos com a graça e a paz de Deus e do Senhor Jesus. Depois de lembrar a comum vocação e
missão e de a todos saudar, ele entra nos assuntos da carta.
No Evangelho de hoje, lido em João 1,29-34, ainda no contexto do Batismo de Jesus, no Jordão, João Batista manifesta a seus discípulos e ouvintes quem é Jesus, qual sua vocação e missão com testemunho pessoal e palavras cheias de doutrina. Resumindo, diz João a respeito de Jesus, tão logo o viu se aproximando de si: eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo; Ele passou à minha frente, porque existia antes de mim; eu vi o Espírito descer, como uma pomba, do céu e permanecer sobre Ele; também eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água me disse que Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza no Espírito Santo; por isso, eu digo que eu vi e dou testemunho que esse é o Filho de Deus.
Como foi profetizado antes, e depois como Ele viveu e morreu, nós sabemos como Jesus realizou sua vocação e missão: como servo de Deus sofredor, que deu a vida por nós na cruz, com o seu amor de Filho de Deus, com a mansidão do seu coração, a ternura do Bom Pastor, a humildade do servo que em tudo fez a vontade do Pai e por este mundo passou fazendo o bem.
A Liturgia de hoje nos provoca a considerar, como discípulos e missionários de Jesus, a nossa vocação e missão, a pessoal e a comunitária. Todos somos chamados à vocação universal à santidade: sermos santos; chamados à vocação comum: evangelizar, mostrando aos outros quem é Jesus Cristo, com todo o nosso ser, coração e alma, pensamentos e ações; chamados à vocação específica e particular: realizar o dom pessoal recebido de Deus para o bem da família e sociedade e o ministério e serviço que lhe foram confiados para o bem da comunidade de fé. Tudo isso  fazendo como Jesus o fez: com amor, mansidão, ternura e humildade.
Como João Batista, você também consegue ver e identificar Jesus passando por sua vida, na comunidade e na sociedade? Consegue dar testemunho dele, sem medo de declarar sua fé, e com coragem e ousadia viver a fé, como filho de Deus, fazendo tudo o que é possível para evangelizar com a Igreja na missão de tirar o pecado do mundo, libertar os humanos das forças do mal, levar a vida nova de Jesus Cristo, santificar, salvar e servir toda a gente para que todos tenham vida e vida digna, feliz e plena, e vida eterna?
Tenha um bom domingo e uma boa semana com a paz e a benção de Deus!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Este é meu Filho amado"
Artigo publicado na edição de 09 de janeiro de 2011 do Jornal da Cidade
Encerra-se hoje, com a festa do Batismo de Jesus, o Tempo do Natal. E inicia-se na Igreja amanhã o Tempo Comum.
Os quatro evangelistas narram o Batismo de Jesus, tão importante que foi este acontecimento para os primeiros cristãos e continua sendo atualmente para nós. O Evangelho lido hoje é tirado de Mateus (Mt 3,13-17) e diferencia dos outros Sinóticos em dois aspectos: a voz que se ouve do céu é dirigida não a Jesus, mas à multidão; e é João Batista quem protesta dizendo que ele é quem precisa ser batizado por Jesus e não o contrário. Jesus, no entanto, responde a João falando que assim deve ser feito para “se cumprir toda a justiça” (Mt 3,15), ou seja, a vontade de Deus que lhe pede a sua solidariedade com os pecadores que buscam o batismo da conversão em vista da preparação para a chegada do Reino de Deus. Igual em tudo aos homens, menos no pecado e sem precisar de conversão, “Aquele que não conhecera o pecado, Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de que, por ele, nos tornemos justiça de Deus“ (2Cor 5, 21).
Eis pontos importantes do Batismo que Jesus recebeu de João: Deus lhe enviou o Espírito; ungiu-o como o Messias; declarou-o como o seu Filho amado.
Ao iniciar a sua vida pública, Jesus busca o Batismo de João em solidariedade ao povo ao qual ele mesmo há de anunciar e convidar: “Completou-se o tempo, e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15).
Depois de ser batizado por João, conta Mateus que o céu se abriu e o Espírito de Deus como pomba (o pássaro mensageiro) pousou sobre Jesus. Jesus é visto, conforme o vê todo o Novo Testamento, como a misteriosa figura do profeta-rei apontado por Isaías na 1ª leitura (Is 42,1-4.6-7): o enviado especial da parte do Senhor para anunciar ao povo a  misericórdia e a fidelidade de Deus. O Servo de Javé Padecente, ‘assim fala o Senhor’, é ‘o meu servo’, ‘o meu eleito’, em quem ‘se compraz minha alma’ e sobre quem ‘pus meu Espírito’. Ele ‘não quebra cana rachada’, ‘nem apaga chama que fumega’; ‘não esmorecerá nem se deixará abater enquanto não estabelecer a justiça na terra’; Eu, diz o Senhor, ‘te chamei para a justiça’, e ‘te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos dos cegos, tirares os cativos da prisão, livrares do cárcere os que vivem nas trevas’.
O Apóstolo Pedro, conforme a 2ª leitura da Missa de hoje (Atos 10,34-38), faz o primeiro anúncio da fé em Jesus Cristo, no seu conteúdo essencial e numa forma particular de pregação, que ficou sendo conhecido como Kérygma, em grego, ou Querígma, em português; um anúncio da salvação operada por Jesus morto e ressuscitado que começa a partir do batismo
pregado por João. Na sua catequese querigmática, Pedro afirma que, logo depois do batismo de João, ‘Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo’. E para que? Para com poder ‘ir a toda parte, a fazer o bem e a curar a todos os que estavam dominados pelo demônio, porque Deus estava com Ele’.
 A este servo sofredor, Jesus, Deus o ungiu como o Messias, o Salvador. Eis porque o Pai revela-o agora como Filho: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha afeição” (Mt 3,17).
No Batismo de Jesus por João, somos convidados a contemplar o nosso Batismo de cristãos que recebemos da nossa amada Igreja Católica.
O nosso Batismo é também rito de purificação do pecado original e de perdão de todos os pecados, e rito de iniciação pelo qual entramos na comunidade cristã. Por ele temos um novo nascimento: “vida nova” (Rm 6,4); “criatura nova” (Gl 6,15).
Pelo Batismo, Deus nos incorpora a Jesus Cristo, à sua Igreja e à sua missão, fazendo-nos seus discípulos e missionários. E tornamo-nos verdadeiramente filhos de Deus, participantes da natureza divina (cf. Lumen Gentium, 40), membros vivos da comunidade dos redimidos, feitos santos (comunhão dos santos) e um só corpo com Cristo (cf. 1Cor 12,27) e comprometidos com a mesma causa e missão que Jesus recebera do Pai: recebei o Espírito Santo, ide pelo mundo inteiro e evangelizai toda criatura, e aos que crerem batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém!
Dom Caetano Ferrari -Bispo Diocesano de Bauru
"Dia Mundial da Paz e da Fraternidade" Artigo publicado na edição de 02 de janeiro de 2011 do Jornal da Cidade
A oitava do Natal encerrou-se com a solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, ontem, na festa do Ano Novo.
Nesse 44º Dia Mundial da Paz, o Santo Padre o Papa, Bento XVI, enviou a todos e a cada um votos de paz e prosperidade, com uma oportuna reflexão sobre: “Liberdade religiosa, caminho para a paz”.
Lembrou, primeiramente, as violências contra os cristãos ocorridas em algumas regiões do mundo, especialmente no Oriente Médio, Ásia e África. Referindo-se em particular ao caso do Iraque no atentado à Catedral siro-católica de Bagdad, em 31 de outubro de 2010, com o assassinato de dois padres e mais de 50 fiéis, reafirmou a sua solidariedade às comunidades católicas perseguidas de lá e de outros lugares. Em seguida, particularmente com relação ao Ocidente,
fez menção às outras formas mais silenciosas e sofisticadas de preconceito e agressão contra os crentes e os símbolos religiosos. Tendo em vista esta triste realidade dos nossos dias, ele é categórico ao afirmar que: “De fato, é doloroso constatar que, em algumas regiões do mundo, não é possível professar e exprimir livremente a própria religião sem pôr em risco a vida e a liberdade pessoal... Os cristãos são, atualmente, o grupo religioso que padece do maior número de perseguições devido à própria fé”.
Argumenta o Papa que o direito a uma vida espiritual é tão sagrado quanto o direito à vida. Radica na dignidade da
pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus (Gn 1,27), e na sua natureza transcendente. Sem esta abertura
ao transcendente o ser humano não consegue encontrar respostas adequadas para as perguntas sobre o sentido da
vida, nem dotar-se de valores e princípios éticos duradouros.
Nem experimentará o que é uma autêntica liberdade e muito menos conseguirá ser protagonista na construção de uma
sociedade justa, pacífica e fraterna.
A família, diz Bento XVI, é a primeira escola de formação social, cultural, moral e espiritual dos filhos, que deveriam
encontrar sempre no pai e na mãe as primeiras testemunhas de uma vida orientada para a busca da verdade e o amor de
Deus. Pois se a liberdade religiosa é caminho para a paz, então, a educação religiosa é estrada privilegiada para habilitar
as novas gerações a se reconhecerem como irmãos uns dos outros e a caminhar juntos.
A liberdade religiosa é um bem essencial, aprofunda o Papa, um direito com igual status do direito à vida e à liberdade pessoal e integrante do núcleo essencial dos direitos universais e naturais do homem que nenhuma lei humana jamais pode negar. Toda pessoa tem o direito sagrado de professar uma religião e viver sua fé, individual e comunitariamente, em particular e em público, respeitada sempre a ordem pública. Também deve ser reconhecida e garantida a liberdade de opção da pessoa de poder aderir a outra religião ou de não professar religião alguma. O que não se permite nunca é a imposição de uma religião à força sobre pessoas ou povos, nem a instrumentalização da religião para fins ideológicos de controle do poder por grupos políticos ou econômicos, cujos interesses contrariam o bem comum da sociedade e a liberdade.
O Papa fala também das importantes contribuições que as religiões prestam à sociedade, com suas obras caritativas,
educacionais e culturais. Diz que não se pode ignorar a contribuição ética da religião na política e no ordenamento
jurídico-social. Nem a dimensão religiosa da cultura. As religiões reforçam “a coesão social, a integração e a solidariedade”.
Por fim, Bento XVI prega a liberdade religiosa no mundo por outros motivos. Por exemplo, por uma questão de justiça e de civilização, devendo ser igualmente condenadas todas as formas de fanatismo e fundamentalismo, que prejudicam a laicidade positiva dos Estados, e também de hostilidade contra a religião, de discriminações, intolerâncias e violências por causa da fé, que limitam o papel público dos crentes na vida civil e política. Ainda por uma questão de viver no amor e na verdade, em função do qual as grandes religiões podem constituir um fator importante de unidade e paz para a família humana.
Solidarizando-se com as comunidades cristãs que sofrem perseguições por causa da fé, o Papa solicita aos discípulos de Cristo a perseverarem firmes no testemunho da fé, animando-os com as bem-aventuranças: “Felizes sereis quando, por minha causa, vos insultarem vos perseguirem e, mentindo vos acusarem de toda a espécie de mal. Alegrai-vos e exultai, pois é grande nos céus a vossa recompensa” (Mt 5, 4-12).
O Santo Padre o Papa finaliza desejando: “Que todos os homens e as sociedades, nos mais diversos níveis e nas várias regiões da terra, possam brevemente experimentar a liberdade religiosa, caminho para a Paz!”
Prezado leitor, desejo a você e família um abençoado Ano-Novo, com saúde, paz, prosperidade e todo o bem!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Uma família para Deus viver"
Artigo publicado na edição de 26 de dezembro de 2010 do Jornal da Cidade
A beleza, a graça, o encantamento, os sentimentos, as emoções do Natal, que desde a Vigília invadiram nossos lares e corações, haverão de nos acompanhar por muito tempo em 2011. Porque Jesus Cristo, que veio no passado, entrando em nossa história e dividindo-a em antes e depois d’Ele, e no fim dos tempos virá com sua glória, está presente entre nós.
Se para Jesus nascer, Deus precisou de uma mulher, a Virgem Maria, para Ele viver como homem entre os humanos precisou de uma casa, um lar, uma família.
A estrebaria foi sua maternidade e a primeira casa; Maria, José e os pastores formaram seu primeiro lar.
No Evangelho de hoje, Mateus (Mt 2,13-15.19-23) conta como José foi avisado em sonho pelo Anjo da matança das crianças decretada por Herodes, o “Grande”, e de que deveria tomar Maria e o Menino e fugir para o Egito. Quando o rei morreu, avisado de novo pelo Anjo, José pega o Menino e sua Mãe e põese de volta para sua terra, indo fixar moradia em Nazaré. Como afirma Mateus, sempre preocupado em provar que as revelações sobre o Messias, se
realizavam em Jesus, faz questão de dizer que isso aconteceu para se cumprir as profecias:  “Ele será chamado nazareno”.
Para Jesus crescer, viver, conviver, trabalhar, amar, Ele teve família, ou melhor, formou uma família, a Sagrada Família de Jesus, Maria e José. Na Liturgia de hoje a contemplamos, ouvindo textos bíblicos a falar sobre pais e filhos e como precisamos nos dias atuais ser família à imagem da Sagrada Família.
O Eclesiástico, lido hoje na Missa, afirma que: “Deus honra o pai nos filhos e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe. Quem honra o seu pai alcança o perdão dos pecados;... terá alegria com seus próprios filhos; e, no dia em que orar, será atendido. Quem respeita o seu pai terá vida longa, e quem obedece ao pai é o consolo da sua mãe” (Eclo 3, 3-4.6-7). A respeito da mãe diz ainda: “Quem respeita a sua mãe é como quem ajunta tesouros” (v.5).
E recomenda aos filhos para ampararem os seus pais na velhice, mesmo se estiverem perdendo a lucidez, cuidando deles sem humilhá-los e com caridade, o que servirá para reparar os seus próprios pecados como filhos e, depois, como pais também. (cf vv. 14-17).
Paulo, na leitura de Colossenses (Cl 3,12-21), ilumina o tema da família, primeiro recomendando a todos nós, “amados por Deus e seus santos eleitos”, a revestirmo-nos de “sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência”. Mas, acima de tudo, que saibamos nos amar uns aos outros, pois o “amor é o vínculo da perfeição”. Em seguida, que sejamos agradecidos a Deus, cantando-lhe “salmos, hinos e cânticos espirituais, em ação de graças”.
E, por fim, ele se dirige com palavras de especial afeto e desvelo pastoral às esposas, aos maridos, aos pais e aos filhos. “Esposas, sede solícitas para com vossos maridos, como convém, no Senhor.
Maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com elas. Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isso é bom e correto no Senhor. Pais, não intimideis os vossos filhos, para que eles não desanimem”.
As solenidades todas do Natal nos estão pondo em contato vivencial com verdades fundamentais de nossa fé: Jesus está no centro das celebrações; Ele é a figura mais importante; sua encarnação, o valor supremo; n’Ele vemos o rosto humano de Deus e, ao mesmo tempo, o rosto divino do homem; n’Ele temos o perdão dos pecados e a vida divina e eterna, e esta vida é a luz dos homens; por Ele reconhecemos o Absoluto de Deus na nossa vida.
A festa da Sagrada Família revela que Jesus, mesmo sendo o Filho de Deus, para desenvolver-se plenamente como humano precisou de uma casa, um lar, uma família para bem viver e amar; e que a Família Sagrada é o paradigma de toda família humana.
Salvemos a família! Jesus, Maria e José abençoem nossas famílias.
Dom Caetano Ferrari – Bispo Diocesano de Bauru

"Preparando o Natal"
Artigo publicado na edição de 05 de dezembro de 2010 do Jornal da Cidade
Natal - mistério
Não se pode nunca perder de vista que as solenidades do Natal, que o Advento prepara, nos devem colocar diante do mistério central da encarnação do Filho de Deus. A festa do Natal não é uma simples recordação do nascimento de Jesus a ser comemorado como um aniversário comum.
O sentido da festa do Natal está ligado à verdade de fé sobre a encarnação de Jesus como manifestação do amor salvador de Deus para com a humanidade. Pois Ele amou tanto o mundo que enviou o seu Filho, Jesus Cristo, para que o mundo seja salvo por ele (cf. Jo 3, 16-
17). E Jesus, “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13, 1). Como bem o sabemos, até o fim significa até a morte e morte na cruz.
O Natal, quando celebrado e vivido na Igreja, na família, na sociedade, sob a perspectiva da fé, atualiza, no aqui e agora, o mistério do nascimento de Jesus, sublinhando a manifestação do Senhor como salvador que nasce de novo em nós e entre nós: no coração, no lar, na comunidade, no mundo. Por isso a Igreja canta nesse tempo do Advento: “Vem, Senhor Jesus!”. Vem nos visitar, abençoar, pacificar, libertar, renovar, salvar. Vem restaurar todas as coisas segundo o esplendor do desígnio original da criação do mundo e renovar nos humanos a dignidade conforme a sua dignidade de Deus encarnado.
Advento - conversão
Neste 2º domingo do Advento, a Liturgia nos convida à conversão de vida como exercício essencial de preparação para o encontro com Deus. Ecoam no Evangelho da Missa de hoje estas palavras de João Batista, pregando no deserto da Judéia: “Convertei-vos, porque o reino dos céus está próximo... preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas” (Mt 3, 2-3).
 O forte apelo de conversão de vida assumido para valer com o comprometimento e a prática de mudanças no pensar, agir e viver, que o Evangelho nos pede, vai realizando o milagre de abrir nosso coração para receber Jesus, o milagre da conversão. Essa exigência do cristianismo – a conversão pessoal - é o pressuposto para as mudanças para fora, no lar, Igreja, sociedade, mundo.
Por isso, não há Natal verdadeiro sem esforço de conversão interior, com oração, perdão dado e recebido, uma boa confissão, gestos de afeto e bondade com os outros, e de caridade com os pobres e abandonados.
Não há Natal sem Deus, sem Jesus, sem conversão.
Poderá ser Natal social, de consumo, seja lá o que for, mas jamais será o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador, que veio, vem e virá, conforme nossa fé.
Uma alegre notícia Nesta época em que, mais uma vez, a notícia auspiciosa do Natal enche nosso coração, chega-nos a notícia alegre, divulgada recentemente pela imprensa, de que: A Igreja Católica saltou do sétimo para o segundo lugar no ranking de confiança da população nas instituições brasileiras.
A pesquisa foi realizada entre o povo em geral pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, da qual se deduz que: “A Igreja Católica só perde para as Forças Armadas e ganha de longe do governo federal e, inclusive, das emissoras de TV, que normalmente são instituições consideradas confiáveis pela população”. Um dos fatores explicativos, segundo os técnicos da Fundação, está na postura da Igreja e no comportamento dos católicos em relação às últimas eleições. Alegremo-nos!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Advento é: Vinde, Senhor Jesus!"
Artigo publicado na edição de 28 de novembro de 2010 do Jornal da Cidade
Advento significa vinda, chegada daquele que há de vir no Natal, Jesus Cristo. É um tempo de espera e de preparação para a grande solenidade do Natal, o nascimento do Senhor.
Na Igreja, o Ano Litúrgico de 2011 está começando hoje com o 1º domingo do Advento. Com a solenidade de Cristo, Rei do Universo, celebrada no domingo passado, fechou-se o Ano Litúrgico de 2010.
O Advento nos ajuda a celebrar e viver essa realidade: Cristo veio, Cristo vem, Cristo virá. O Cristo histórico é o mesmo Cristo atual vivido na fé e o mesmo Cristo da glória que virá pela última vez no fim dos tempos. Por isso o Natal celebrado e vivido, anualmente, no mistério da Liturgia ou do Culto, por meio das variadas expressões da confraternização humana e pelas incontáveis práticas da caridade e do bem  se constitui em fonte de renovação da vida cristã no presente e, em vista do futuro, em oportunidades  reais de crescimento na santidade e de preparação, desde o aqui e agora, para o encontro com Cristo na glória.
“Vinde, Senhor Jesus” é o refrão que cantaremos ao longo do Advento para que o renovado encontro com Jesus neste Natal desenvolva sempre mais em nós a capacidade de acolhermos o Senhor, ao chegar, a cada hora, dia e ano de nossa vida. “Eis que estou à porta e bato, se abrires, entrarei e cearemos juntos”, e grande será a festa (cf. Ap 3, 20).
Celebrar as festas na Igreja, como o Natal, não é tão só recordar o fato histórico passado, a modo das festas da sociedade (aniversário de nascimento, dia da república etc.), mas é viver no presente os mistérios de Cristo nos ritos da Liturgia, oração e caridade. Nós cremos que Cristo, que se revelou no passado, continua se manifestando no presente. Quando a Igreja celebra, liturgicamente, o evento  salvífico do nascimento do Senhor, ela nos faz viver o mistério desse nascimento do Filho de Deus, o que ele significa para nós e como por ele descobrirmos Cristo que continua se manifestando em nós e na história hoje.
É Importante neste tempo do Advento aproveitarmos todas as oportunidades na Igreja, pela participação nas celebrações litúrgicas, nas Missas e no Sacramento da confissão; em casa, fazendo a novena do Natal em família, armando o presépio, perdoando e pedindo perdão; na vida pessoal, buscando conversão, fazendo o bem, praticando a caridade, confraternizando-se com toda a gente.
É ensinamento da Igreja que: “O tempo do Avento possui dupla característica: sendo um tempo de preparação para as solenidades do Natal, em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, é também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda de Cristo no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa”.
Orígines, grande teólogo dos Padres da Igreja, dizia: “Que me adianta Cristo ter nascido em Belém, se ele não nascer no meu coração?” Pois bem, importa aproveitar bem o Advento, abrindo o coração para Deus e deixando Jesus nascer em nós, sobretudo, pela vivência da caridade, a prática do bem e o amor fraterno e solidário com os pobres e excluídos deste mundo.
Preparemo-nos bem para o Natal de 2010, começando a arrumar a casa interior do nosso coração e a armar dentro dele o presépio de Jesus. Para que Jesus nos encontre alegremente em oração e celebrando seus louvores! Amém!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Dia Nacional do leigo e da leiga"
Artigo publicado na edição de 21 de novembro de 2010 do Jornal da Cidade
O ano litúrgico, diferentemente do ano civil, termina hoje. Para fechar o ano com chave de ouro, a Igreja celebra a festa de Jesus Cristo, Rei do Universo, Senhor da Paz e da Unidade.
A partir do próximo domingo têm início os domingos do “Advento” que nos preparam para o Natal.
A realeza de Jesus é de origem divina, pois Ele tem a “primazia sobre toda a criação”... “Tudo foi criado por meio dele e para Ele”... “Ele é a cabeça do corpo, isto é, da Igreja. Ele é o princípio, o primogênito dentre os mortos; de sorte que em tudo Ele tem a primazia, porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude e por Ele reconciliar consigo todos os seres, os que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz” (Cf. Cl 1, 12-20, 2ª leitura da Missa).
Jesus, no entanto, não manifesta sua realeza mediante gestos grandiosos de poder como costumam fazer os grandes deste mundo, pela força política, econômica, militar, nem pela riqueza ou majestade, ciência ou sabedoria deste mundo. Ele dizia e agia sempre assim: “Vim para servir e não ser servido”.
“Se eu, sendo vosso Mestre, vos lavei os pés é para que vós também laveis os pés uns dos outros”. “Quem quiser ser o primeiro, torne-se o último; ser o maior, faça-se o menor entre todos”. Mas revela sua realiza divinal, acima de tudo, quando perdoa os pecadores, apagando seus pecados: “Teus pecados te são perdoados”. “Pai, perdoa-os porque eles não sabem o que fazem”. “Hoje mesmo estarás comigo no reino do céu”.
A este Cristo, que veio para servir, Rei do perdão e da misericórdia, bom Pastor e bom Samaritano, sejam tributados louvor, honra e glória, agora e para sempre. Amém! Ele quer reinar no coração do mundo e em nossos corações oferecendo-nos o perdão, a paz e todo o bem: “Vinde a mim vós todos que andais sobrecarregados sob a vossa cruz, porque Eu sou manso e humilde de coração, meu fardo é suave, meu peso é leve, e em mim encontrareis paz e descanso”.
Poderíamos dizer que não é sem razão que exatamente na festa de Cristo Rei, a Igreja do Brasil instituiu hoje como dia nacional do leigo e da leiga. Como a enaltecer a realeza comum de todos os cristãos batizados. Desde o batismo, o Pai “nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no reino de seu Filho amado, por quem temos a redenção, o perdão dos pecados” (Cl 1, 13-14). Os irmãos leigos e leigas são na Igreja, como afirma o Concílio Vaticano II, 1962-1965, o Povo Santo de Deus: “Os que creem em Cristo, renascidos de uma semente não corruptível mas incorruptível pela Palavra do Deus vivo, não da carne, mas da água e do Espírito Santo, constituem ‘uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação
santa, o povo de sua particular propriedade... que outrora não o era, mas agora é o Povo de Deus’ (1 Pd 2, 9-10)” (Lumen Gentium, 9).
Falando sobre a vocação e a missão dos leigos na Igreja e no mundo, o Papa João Paulo II escrevia na “Cristifideles Laici” (Os Fiéis Leigos), 1988, que os fiéis leigos não só pertencem à Igreja como são de fato a Igreja presente no mundo e sociedade. Segundo a índole peculiar da sua vocação, eles têm como específico “tratar das coisas temporais e ordená-las na perspectiva do Reino de Deus”; e como participantes, a seu modo, do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo exercem pela parte que lhes toca a missão de todo o povo cristão” (CL, 9).
A V Conferência de Aparecida, 2007, conclama todos nós, como povo de Deus (leigos, consagrados e ordenados), à “conversão pastoral, individual e comunitária”, para assumirmos a vocação comum de “discípulos missionários” (DA 181) e pormos toda a Igreja “em estado permanente de missão” (DA 551).
E lembra que os fiéis leigos, que são “homens da Igreja no coração do mundo e homens do mundo no coração da Igreja” (209), devem sentir-se “co-responsáveis na formação dos discípulos e na missão” (202).
Desejo agradecer o Conselho Diocesano de Leigos que, por sua coordenação, articula o Laicato da Diocese em diversas ações pastorais e serviços da caridade, contribuindo enormemente com a missão evangelizadora da Igreja.
A todos os fiéis leigos e leigas da Diocese parabéns e gratidão, com bênçãos e graças para si e suas famílias!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Despertar Missionário"
Artigo publicado na edição de 14 de novembro de 2010 do Jornal da Cidade
A V Conferência de Aparecida, que foi aberta com a presença do Papa Bento XVI, em 2007, convocou a Igreja do continente latino-americano e caribenho a um “despertar missionário”, na forma de uma Missão Continental. Que significa isso? Parece complicado, mas não é. Em primeiro lugar, é um despertar da consciência missionária em cada batizado, em cada comunidade, em cada paróquia, em cada diocese, em cada estado, em cada país e, por isso, em todo o nosso continente. Uma conscientização missionária que, em segundo lugar, leva a mudanças, como pede a V Conferência de Aparecida a começar pela “conversão pessoal e comunitária” e pela “conversão pastoral e institucional” para colocar toda a Igreja “em estado permanente de missão” (cf. DAp 551). Em seguida é que vêm propriamente os projetos pastorais e ações missionárias. Conscientização que leva à conversão, a projetos e ações evangelizadoras em cada paróquia e diocese de todo o continente. Esse é o itinerário de um processo que vai se fazendo na simultaneidade da conscientização, conversão e ação missionária.
Desde a V Conferência, a palavra chave na Igreja, em todo o Continente, é “entrar em estado permanente de missão”. Que deve começar aqui e agora comigo, minha comunidade de fé e ir abarcando toda a diocese, em parceria e comunhão intereclesial com as outras dioceses das mais próximas às mais distantes.
Não acontecerá Missão Continental se esse despertar missionário não se fizer presente em cada um de nós, em nossas paróquias e diocese. Se não começar no aqui e agora do cotidiano da vida.
Em nosso país, a assembleia dos Bispos da CNBB aderiu ao projeto da Missão Continental aprovando, em 2008, o projeto
nacional de evangelização chamado “O Brasil na Missão Continental”.
Também em nossa diocese está se trabalhando firmemente para esse despertar missionário entre nós, a partir do Documento de Aparecida, das Diretrizes Gerais da Ação  Evangelizadora do Brasil e do projeto O Brasil na Missão Continental. A meta é clara, queremos ser cada um de nós como batizados “discípulos e missionários” e queremos fazer de cada paróquia uma “comunidade missionária” para colocar toda a diocese “em estado permanente de missão”.
Não podemos esquecer os pressupostos básicos para que tudo isso aconteça. Se os fundamentos não estiverem bem
postos corre-se o risco de se fazer muitas coisas e se ficar na superficialidade e na propaganda marqueteira. Inclusive no eixo da oração pode-se cair em ‘devocionismos’ que tranquilizam a consciência, mas que em pouco ou nada fecundam a missão.
Porque esta obra é, acima de tudo, obra de Deus.
Quatro são os pressupostos: Experiência de Deus; Centralidade de Cristo e seu projeto do Reino; Primazia da Palavra de
Deus; e a Eucaristia, como fonte da comunhão, serviço e missão.
É absolutamente necessário o esforço para voltar nosso coração e todo o nosso ser para Deus, o Senhor da vida cristã e
da missão da Igreja. Pelo acolhimento de Jesus Cristo, o Missionário do Pai, com o projeto do Reino. Pela adesão inconteste a Cristo e a escuta de sua Palavra. E pela comunhão de vida com Deus na oração e nos sacramentos, especialmente na Eucaristia, fonte inesgotável da vocação cristã, do impulso missionário e do serviço à caridade.
Somente a partir de uma forte experiência de Deus, de um encontro renovado com Jesus, no fogo abrasador do amor do Espírito Santo, podemos enfrentar com sucesso a conversão pessoal e comunitária, a conversão pastoral e institucional, e entrar em estado permanente de missão.
Como aponta a V Conferência, nossa Igreja necessita de uma forte comoção para superar todo cansaço, acomodação e até
mesmo indiferentismo face ao sofrimento de não poucos irmãos ao nosso redor, que têm fome e sede de Deus, de justiça, paz e bem. O que se espera de nós é que sejamos sem cessar uma comunidade orante, esperando um novo Pentecostes que nos livre em definitivo de todo cansaço e desilusão, e faça de nossas paróquias verdadeiras comunidades missionárias, sendo casa e escola de comunhão e dando um atraente testemunho de unidade “para que o mundo creia” (Jo 17,21).
Dom Caetano Ferrari -Bispo Diocesano de Bauru

"Dia de Todos os Santos e Santas "
Artigo publicado na edição de 07 de novembro de 2010 do Jornal da Cidade
Hoje, a Igreja nos convida a celebrar todos os santos, canonizados ou não, que se alegram participando da glória de Deus no céu.
Os santos são os nossos heróis, que viveram a integridade da fé, realizaram obras de bem, exercitaram-se na prática das virtudes e no combate ao mal e foram fiéis no seguimento de Jesus Cristo pobre, humilde, crucificado e ressuscitado.
Foram também corajosos e decididos no acolhimento-resposta ao amor trinitário de Deus revelado e demonstrado por Jesus, em palavras, gestos e, especialmente, no mistério de sua Páscoa.
A galeria dos santos na Igreja é variada e rica de personalidades de todas as épocas e nações, raças e culturas, ricos e pobres, eclesiásticos e leigos. Aos santos mais populares, cada um de nós pode acrescentar outros nomes de sua devoção particular: São Pedro, São Paulo, São João, São Francisco, Santo Antônio, Santa Clara, Santa Teresinha, Santo Agostinho, São Sebastião, São Crispim, Santa Paulina, Santo Antônio Galvão, etc.
De muitos modos os santos testemunharam a sua fé.
Alguns pelo martírio, outros pela caridade, apostolado, consagração religiosa... Por isso a Igreja os classifica segundo o modelo de sua santidade. Por exemplo, há os santos Apóstolos, como Pedro, Paulo e Mateus, os Mártires, como Sebastião e Maximiliano Kolbe, os Confessores da fé, como Basílio e João Crisóstomo, os Doutores na fé, como Tereza de Ávila e Tomás de Aquino, os Missionários e Pregadores, como Antônio de Lisboa e Francisco Xavier, as Religiosas e leigas, como Catarina de Sena e Edviges. Há santos Papas e Reis, como Pio X e Izabel de Portugal, adolescentes e jovens, como Tarcísio, Inês e Domingos Sávio, homens casados e mães de família, como José e Mônica, e tantos outros eremitas, operários, professores, médicos, militares, juristas... O povo na sua devoção simples tem o seu jeito próprio de homenagear seus santos prediletos, como, por exemplo, Santo Antônio, o santo casamenteiro e achador das coisas perdidas, Santa Rita, a santa das causas impossíveis, Santa Edviges, a santa dos endividados, Santo Expedito, o santo dos casos urgentes, São Frei Galvão, o santo das pílulas.
Mas em primeiro lugar e acima de todos os santos e santas está Maria Santíssima, a Mãe de Jesus, aquela que aceitou o humanamente impossível: conceber um filho, Jesus, o Filho de Deus, pelo poder do Espírito Santo. A este anúncio do Anjo Gabriel ela deu a resposta paradigmática da verdadeira serva e filha do Senhor: “Eis aqui a escrava do Senhor. Faça-se
em mim segundo Sua vontade” (Lc 1, 38). Ela é o nosso mais perfeito modelo de fé e a nossa mais poderosa intercessora junto de Deus. Com justa razão o povo cunhou este slogan que expressa bem a força medianeira de Nossa Senhora: “Peça à mãe que o Filho atende!”.
A multidão daquelas pessoas falecidas que nos precederam na Casa do Pai e são santas, reconhecidas oficialmente ou não, constituem-se para nós exemplos e modelos de vida a serem imitados e, também, em nossos protetores e intercessores nas necessidades e no auxílio para seguirmos fiéis no caminho da vocação à santidade à qual somos chamados, como filhos e filhas de Deus.
Sigamos o exemplo de virtude e de vida cristã dos nossos santos e santas. Supliquemos a intercessão deles para que possamos prosseguir firmes no caminho da santidade, como o de Santa Teresinha do Menino Jesus que disse, pouco antes de morrer: “Quero passar o meu céu, fazendo o bem à terra”.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Santo Antonio de Santana Galvão "
Artigo publicado na edição de 24de outubro de 2010 do Jornal da Cidade
“Post partum, Virgo, inviolata permansisti. Dei Genitrix, intercede pro nobis” = Depois do parto, ó Virgem, permaneceste inviolada. Mãe de Deus, intercede por nós.
Assim se lê a jaculatória que vem escrita nas “Pílulas de Frei Galvão” e dirigida a Nossa Senhora, a quem o santo recomendava as pessoas a invocar em suas necessidades.
Neste mês missionário de outubro, não se poderia deixar de lembrar da festa de amanhã, dia 25, do primeiro santo brasileiro nato, nascido em Guaratinguetá/SP, no ano de 1739.
Desejo pôr em destaque um dos aspectos da espiritualidade e apostolado de Frei Galvão. Além de grande Pregador e Missionário, chamado por isso de “Apóstolo de São Paulo”, e também de insigne Confessor e Conselheiro, como destacado “Missionário da Paz e da Caridade”, Santo Antônio Galvão distinguiu-se como preclaro Místico e Contemplativo, “Homem de profunda oração e filial devoção a Nossa Senhora”.
Frei Galvão notabilizou-se, primeiramente, por uma rica “espiritualidade franciscana e mariana”. Um verdadeiro filho de São Francisco: homem de oração, de vida simples e penitente.
Um devoto apaixonado de Nossa Senhora: no dia em que professou na Ordem, fez “juramento de defesa à Imaculada Conceição” como era costume naquele tempo. Os Frades eram defensores do privilégio da Conceição Imaculada, cujo dogma só foi proclamado em 1854. Mas, 4 anos depois da ordenação sacerdotal, Frei Galvão aprofundou aquele compromisso, assinando com o próprio sangue uma “Cédula irrevogável de filial entrega a Maria Santíssima, minha Senhora, digna Mãe e Advogada”, pela qual se consagrava “como filho e perpétuo escravo” da Mãe de Deus.
Era uma espiritualidade que nasceu e se alimentava de uma forte experiência de Deus. E se manifestava em convicções e atitudes muito claras e firmes: absoluta confiança na Providência Divina e submissão total à vontade de Deus.
A partir dessa base, dá para entender bastante bem de seu comportamento e ações. Era de obediência irrestrita.
Nomeações e transferências: logo as assumia e se punha a cumprir. Decisões de autoridades a seu respeito: obedecia sem pestanejar. Vejam-se, por exemplo, a nomeação e transferência para o Noviciado de Macacu/RJ, e a ordem do Governador quanto ao fechamento do Mosteiro e quanto a sua expulsão da cidade, etc. O que entendia ser vontade de Deus, como as inspirações da Irmã Helena, co-fundadora com ele do Mosteiro da Luz, corria logo para pôr em prática. Por traz havia sempre a serenidade de quem, acima de tudo, confia em Deus.
Podem ser vistas como expressões fortes da mística e contemplação de Frei Galvão sua luta e empenho, por mais de 40 anos, em favor da fundação do Recolhimento da Luz e da formação e direção espiritual das Irmãs para a vida contemplativa, e sua fidelidade, por 60 anos, ao juramento de servir à causa da Conceição Imaculada e propagar sua devoção.
A quem lhe pedia uma bênção ou uma graça de Deus, Frei Galvão recomendava invocar a Imaculada Mãe de Deus, fazendo a pessoa engolir um papelzinho com a invocação a Maria, sempre Virgem, em sinal de confiança nela e de proclamação da mensagem da Conceição Imaculada, escrita no papel.
Como é sabido, a pílula por si mesma não tem nenhum poder miraculoso, ela só produz efeito se for tomada não como uma forma de magia, mas como sinal e expressão da fé e confiança em Deus por Maria. É assim que ainda hoje as pílulas de Frei Galvão têm ajudado muita gente.
Em todos os lugares anunciava o Evangelho e a devoção à Imaculada. Não seria exagerado dizer que a devoção a Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Aparecida, a partir de seu Santuário na pequena cidade do Vale do Paraíba e ao lado de Guaratinguetá, cuja imagem foi achada no Rio Paraíba, em 1773, tivesse sido alimentada pelo trabalho de difusão desta devoção por parte de Frei Galvão.
Frei Galvão foi chamado “Apóstolo de São Paulo”. Sua pregação tocava as pessoas e era acolhida pelo povo de todos os lugares, que para ouvi-lo se reunia em multidão.
O povo considerava Frei Galvão, ainda em vida, um santo e, sendo assim, todos o chamavam “Padre Santo”. Fama esta que não se extinguiu depois da morte, mas perdurou por todo o tempo e o levou primeiramente à Beatificação no Vaticano, em 1998, e depois à Canonização em São Paulo, no dia 11 de maio de 2007.
Para a glória da Santíssima Trindade, o louvor da Imaculada Conceição de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, festejada no dia 12 de outubro, e a honra de Santo Antônio Galvão, a ser celebrado amanhã, no dia 25 de outubro.
Que a Mãe de Deus e o primeiro santo brasileiro intercedam por todos nós brasileiros e todo o santo povo de Deus. Amém!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho "
Artigo publicado na edição de 10 de outubro de 2010 do Jornal da Cidade
 
A missão da Igreja é evangelizar. Fundada por Jesus Cristo, a Igreja é a comunidade dos seus discípulos, isto é daqueles que lhe foram concedidos pelo Pai (cf.Jo 6,65) e que o próprio Jesus também os enviou à missão: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20,21). Desde o começo, através dos séculos e até hoje, a Igreja é a assembléia dos fiéis congregados no amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo, chamados e enviados à missão: “Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc. 16,15).
Essa comunidade formada por Jesus para ser Igreja missionária precisa, primeiramente, ser Igreja comunidade do povo de Deus, que de fato ofereça ao mundo o testemunho de uma comunhão, que não é qualquer comunhão, mas uma comunhão inspirada no paradigma da Trindade Santa. Porque somente a partir do testemunho da vivência da espiritualidade e do amor trinitário, do “veja como eles se amam”, é que toda ação evangelizadora torna-se fecunda e produz frutos. Dizemos, então, que a origem de toda missão encontra-se em Deus-Trindade, na vontade do Pai que do alto enviou a este mundo o seu Filho muito amado, no modo como o Filho desempenhou essa missão e na força do Espírito Santo que sempre esteve com Ele. Jesus e o Pai enviaram sobre a comunidade dos discípulos o Espírito Santo para estar sempre com ela, como a alma da Igreja e o Espírito que a tudo vivifica e a todos impulsiona à missão.
O testemunho da comunhão, da unidade, do amor a Deus e ao próximo é a forma primeira e indispensável de a Igreja e cada batizado evangelizarem, sem o qual todo anúncio explícito do Evangelho será vazio e inócuo. Somos uma “koinonia” (do grego: comunhão/comunidade) no Espírito Santo de Deus: “O que vimos e ouvimos, nós também vos anunciamos, a fim de que também vós vivais em comunhão conosco. Ora, nossa comunhão (koinonia) é com o Pai e seu Filho Jesus Cristo” (1Jo 1,3).
Na oração sacerdotal, segundo São João, Jesus aprofunda o sentido missionário da Igreja, chamada a viver a unidade no amor e ser sacramento de salvação, sinal visível do Senhor na História, capaz de realizar no aqui e agora “a vida eterna a todos que lhe deste! Ora a vida eterna é esta: que eles Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo” (Jo 17, 2-3).
Toda pessoa batizada é um missionário, chamado desde o Batismo a ser discípulo e apóstolo de Nosso Senhor Jesus Cristo. O verdadeiro missionário deixa-se conduzir pelo Espírito Santo e por Ele plasmar-se interiormente para assemelhar-se cada vez mais segundo a imagem de Cristo, e assim poder seguir-lhe as pegadas e ser enviado à missão.
O fiel discípulo de Jesus vive, como Ele, na escuta da vontade do Pai e no espírito de oração e devoção. Procurando ser “contemplativo na ação”, medita a Palavra de Deus, faz a leitura atenta dos sinais dos tempos, e pratica a solidariedade com os irmãos e irmãs, especialmente com os pobres e desamparados deste mundo. O missionário será sempre uma pessoa espiritual, de vida com Deus, mas igualmente inserido na história e comprometido com a causa do Reino, que já está presente neste mundo; será, portanto, uma pessoa caridosa, amorosa e misericordiosa.
O missionário ama a Igreja como a sua mãe e as pessoas como Jesus as amou e por elas deu a vida. Todo missionário segue o itinerário de fé percorrido pela Virgem Maria. Como primeira discípula de seu Filho Jesus, ela esteve reunida com os Apóstolos, no Cenáculo, recebendo com eles os dons do Espírito, e é a Estrela da Evangelização, a missionária de Jesus, que nos ensina e nos ajuda a evangelizar e a encher a terra com o Evangelho de seu Filho, Jesus Cristo. Amém!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Missão na Cidade ou Pastoral Urbana"
Artigo publicado na edição de 10 de outubro de 2010 do Jornal
Bom Dia
 
A “Missão na cidade” ou “Pastoral Urbana” é, hoje, uma prioridade na Igreja, que deve ser assumida corajosamente por parte dos ordenados quanto dos leigos.
 A cidade, hoje, se apresenta como um novo espaço social que desafia a Igreja e questiona os nossos métodos de evangelizar e fazer pastoral. Uma realidade urbana de profundas mudanças sociais pôs em reviravolta a vida das pessoas, principalmente, no âmbito dos valores tradicionais referentes não só à religião, mas também à família, ao mundo do trabalho, às relações sociais, etc. O saudoso teólogo Pe. Alberto Antoniazzi falava que a antiga religião da “salvação” se transformou em religião da busca pela “saúde”, das curas, consolos e compensações utilitaristas. E o teólogo Pe. Comblin afirma que apesar de o modo urbano ser marcadamente individualistas e anti-solidário, estimulando práticas religiosas individuais e intimistas, as religiões necessitam promover a vida comunitária, pois, sem o apoio do grupo é impossível garantir-se a fidelidade a um compromisso.
Outubro, mês missionário, nos motiva a refletir sobre o assunto, pois a missão de evangelizar é de toda a Igreja, enquanto povo de Deus e enquanto cada um de nós, individualmente. Duas metas direcionam nossa missão na cidade: - valorizar a pessoa através do Ministério da Acolhida, oferecendo atendimento personalizado e fraterno, e também do Ministério da Visitação, organizando visitas missionárias às famílias, principalmente às batizadas, mas afastadas da comunidade; e fortalecer em nossas comunidades paroquiais e capelas a convivência fraterna, a vida de oração pela Liturgia e Leitura Orante da Palavra, e a promoção humana.
A Padroeira do Brasil e de todos os brasileiros, Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a Missionária do Pai, acompanhe com suas preces e bênçãos a nossa Missão na cidade.
 Dom Caetano Ferrari – Bispo Diocesano de Bauru

"Semana da Vida e Dia do Nasciturno "
Artigo publicado na edição de 03 de outubro de 2010 do Jornal da Cidade
 
De 1 a 7 de outubro está em curso a Semana Nacional da Vida, tendo como tema: “Vida, Ecologia e Meio ambiente”. E 8 de outubro fechará essa semana com o Dia do Nascituro.
A Semana Nacional da Vida com o dia do nascituro tem por objetivo pôr em evidência o valor e a importância da vida, acima de tudo, o supremo e sagrado valor da vida humana, dom de Deus.
Nestes tempos em que a vida vem sofrendo enorme ameaça pelas forças do mal (cf. Ap 12,4), dizia o saudoso Papa João Paulo II, na sua “Carta às Famílias”, que nossa civilização se tornara, sob
alguns aspectos, “civilização da morte”, contra a qual nós cristãos deveríamos contrapor a “civilização do amor” pelo anúncio de Nosso Senhor Jesus Cristo e de seu Evangelho da Vida. E na “Centesimus Annus”, o mesmo Papa chamava a atenção para o fato de que “empenhamo-nos demasiado pouco em salvaguardar as condições morais para uma autêntica ‘ecologia humana’ que se preocupe em primeiro lugar com a vida das pessoas (n. 38). Para o enfrentamento contra essa tendência, dizia ele, urge rever nossas relações com a criação, com os outros, nossos irmãos habitantes do mesmo planeta, e com o Criador.
Bento XVI, na Mensagem para o dia mundial da paz de 2007, também nos advertia quanto à ‘destruição do meio ambiente e o uso egoísta e violento dos recursos da terra’ em nome de um ‘desenvolvimento técnico-econômico’, por isto mesmo um ‘desenvolvimento deficitário, não integral e incentivador das capacidades destruidoras do homem’ (n. 9). Nossa proposta, declarava ele, é por um ‘desenvolvimento humano’ que integra a dimensão ‘moralreligiosa’ como fundamental. Preservar o humano no homem é absolutamente necessário para que o homem não vire um animal, que se devora um ao outro.
A “Centesimus Annus” diz ainda: “A primeira e fundamental estrutura a favor da ‘ecologia humana’ é a família”... “como o ‘santuário da vida’ (que deve ser protegida e promovida) porque “contra a denominada cultura da morte, a família constitui a sede da cultura da vida” (n. 39).
A vida humana é sagrada e um bem supremo, “ela é, no mundo, manifestação de Deus, sinal da sua presença, vestígio da sua glória” (cf. Evangelium Vitae, 34; Dignitas Personae, 8).
Quem é o nascituro? Pois é aquele ser humano que está no seio da mãe antes que ela lhe dê a luz. Esta vida humana no ventre da mãe tem status ontológico e dignidade como qualquer pessoa já nascida, e como tal deve ser protegida e promovida desde a sua concepção até o seu declínio natural.
Acontece, porém, que a pressão procedente agora de autoridades públicas e de centros de pesquisa, fazendo a apologia do aborto e dos métodos de controle da natalidade e das experiências com células embrionárias, condenados e inaceitáveis, vem tomando conta dos meios de comunicação social que na sua maioria os aprovam e apóiam. E essa pressão é tanta, tão veemente e tão bem entabulada que vai fazendo a cabeça das pessoas e criando um clima geral de evidência e concordância. Todos nós assistimos estarrecidos, principalmente via televisão, pessoas importantes, jornalistas, artistas, médicos, professores, políticos defenderem essas práticas como sinal de progresso, de modernidade, de liberdade de pesquisa, de laicidade do Estado, e como questão de saúde pública e de autonomia e avanço da ciência. Os que se opõem a elas, como a Igreja Católica, são chamados de conservadores, atrasados, reacionários, moralistas, bloqueadores do progresso científico.
Que nossa sociedade é pluralista, secularizada e dessacralizada nós sabemos; é inclusive nesta sociedade, e não em outra, em que vivemos. Mas nós, como pessoas de fé, não podemos concordar com essa situação trágica demais e somos chamados a confessar a nossa fé, “estando sempre prontos a dar razão da nossa esperança” (1Pe 3,15). “Não podemos nunca nos conformar com a mentalidade deste mundo” (Rm 12,2), com uma sociedade sem referências morais, com um humanismo ateu, com um cientificismo erigido em nova religião, com os direitos do homem instituídos em fundamento das normas morais, aceitas e válidas enquanto concordarem com a vontade democrática das pessoas, sua visão de mundo, seus interesses. Segundo essa corrente de pensamento, caberia, a comitês ou tribunais de ética definirem as normas morais a serem observadas pela sociedade, sem nenhuma referência a Deus muito menos à moral cristã. À luz da Palavra de Deus e da tradição viva da Igreja semelhante ideia ou proposição nunca poderá ser aceita. Tomando ainda o Papa João Paulo II, em sua Carta Encíclica “O Esplendor da Verdade”, de 1993, ele lembrava que a liberdade sempre depende da verdade, aduzindo para embasar tal afirmação estas palavras de Cristo: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,32)(Cf nº 34). E afirmava categoricamente que: “A lei moral provém de Deus e nele encontra sempre a sua fonte” (nº 40), concluindo que: “A verdadeira autonomia moral do homem de modo algum significa a recusa, mas sim o acolhimento da lei moral, do mandamento de Deus: “O Senhor deu esta ordem ao homem...” (Gn 2,16)” (nº 41). Daí que, seguindo sua reflexão, a felicidade do ser humano está em conformar a sua vida com a lei de Deus, e inclusive ele nos convidava a rezar com o salmista: “Feliz o homem que põe seu prazer na lei de Deus, e nela medita dia e noite. Ele é como árvore plantada junto a riachos: dá seu fruto no tempo devido e suas folhas nunca murcham; tudo o que ele faz é bem-sucedido” (Sl 1,1-2).
Durante essa Semana da Vida desenvolvem-se em nossas comunidades várias atividades em favor da vida. Participe!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"De olho nas eleições "
Artigo publicado na edição de 26 de setembro de 2010 do Jornal da Cidade
 
As eleições de outubro estão chegando e o voto tem consequências. Votar bem é preciso, um voto consciente na pessoa certa do partido certo, que seja ético e esteja apresentando propostas certas para o bem do povo. Bem se vê que não é fácil fazer essa escolha. Esteja de olho atento, caro leitor e eleitor, na propaganda eleitoral habilmente chamativa e montada por marqueteiros acostumados a maquiar pessoas e produtos, nas promessas que até os santos desconfiam, nos discursos empolados, cheios de empáfia e presunção. Não se deixe levar pelas aparências, pois, hoje, corremos o risco, tanto você quanto eu, de votar no simulacro e não na pessoa real do candidato. A
tecnologia do marketing moderno nos vende o virtual, não o real; a imagem, não a pessoa; o aparente, não o legítimo; muitas vezes o falso, não o verdadeiro. A coisa é tão bem feita que a gente acaba nem se dando conta de estar sendo enganado.
Então para se prevenir é bom prestar atenção e ficar de olho na campanha eleitoral e nos candidatos. Nem pense em não votar ou votar nulo, como sinal de protesto pelo desencanto diante da crise de moral que assola a política. A omissão é a pior forma de fazer política, pois é permitir que as coisas permaneçam como estão. Ao contrário, dê o seu voto bem direcionado a favor da cidadania, do bem comum, do Estado justo e solidário, da verdadeira política, votando em candidatos éticos, honestos e competentes, pertencentes a partidos sérios com programas pautados “na promoção integral da pessoa e do bem comum” (nº 571, Compêndio da Doutrina Social da Igreja) e com coragem de negar filiação a pessoas suspeitas e de cortar na própria carne para expulsar de seus quadros candidatos envolvidos em corrupção.
É claro que há gente boa, honesta e competente, nem todos os políticos são corruptos, mensaleiros, sanguessugas ou “caixa dois”. Então saiba descobri-los e vote neles, acreditando que é possível mudar a política e mudar o Brasil.
Como bom cristão e católico, você precisa também escolher o candidato que defende a dignidade da pessoa e o direito de todos à vida desde a concepção até a morte, que tem uma história pessoal de comprometimento com a luta pela justiça social, o trabalho para todos, a justa distribuição de renda, e o espírito público de bem servir ao povo sem que o acompanhe a fama de orientar a vida pelo levar vantagem em tudo e pelo defender interesses particulares ou de grupos. No marco de nossa fé, o candidato que a gente escolher deve necessariamente defender e promover os valores e convicções que compartilhamos.
O Papa Bento XVI, na Encíclica “Deus caritas est”, recorda que é dever da Igreja e de cada batizado dar testemunho do amor de Deus no mundo, construindo a comunhão, participando na luta pela justiça e o direito e a promoção do bem comum. A Igreja, diz ele, não busca o poder sobre o Estado, mas à luz da fé forma a consciência para o verdadeiro sentido da justiça, da política, dos direitos fundamentais da pessoa humana e do progresso que significa o desenvolvimento integral do homem todo e de todos os homens. A fé, sendo purificadora da razão, é que pode auxiliar a se encontrar um melhor entendimento entre religião e política, e orientar a participação dos cristãos na política. A doutrina social da Igreja pede aos cristãos que não fiquem à margem dessa luta, lembra o Papa.
É claro que, em relação à escolha dos Deputados Estaduais e Federais, precisamos priorizar o voto útil em favor dos candidatos que representam a nossa região. E desde que passem, primeiramente, pelo crivo daqueles critérios já mencionados: biografia de vida, honestidade, ética, convicções pessoais, compromisso social e com a reforma política etc. Votar em candidatos locais para a Assembleia Estadual e a Câmara Federal é seguir um princípio correto e justo. Basta pensar que  eles são mais conhecidos entre nós, o que facilita a nossa escolha, e se eleitos, serão nossos porta-vozes mais qualificados porque conhecem melhor nossos problemas e, inclusive, poderão ser cobrados, acompanhados e avaliados mais de perto por nós na sua atuação.
Lembrando as palavras do saudoso Papa Paulo VI sobre a política, dizendo ser ela uma das mais altas expressões da caridade cristã, faço votos para que você, prezado eleitor, exerça sua cidadania, com responsabilidade cristã, comparecendo às urnas para dar o seu voto consciente, como um gesto concreto, do amor de Deus que está em seu coração, única força capaz de construir a comunhão do povo brasileiro e da Nação que desejamos.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Leitura Orante da Bíblia "
Artigo publicado na edição de 19 de setembro de 2010 do Jornal da Cidade
 
O método da “Leitura Orante da Bíblia” é antiquíssimo, uma tradição da Igreja que atravessa séculos.
Vem de gerações de judeus e cristãos que liam as Sagradas Escrituras procurando nelas a Palavra de Deus para suas vidas, no concreto da sua história pessoal e social. Uma leitura feita em clima de diálogo e espírito de oração, com os olhos voltados ao texto do Livro e contexto da vida, o coração e a mente atentos à voz do Senhor, mas deixados às manifestações de afeto e gratidão, advindas do fundo da alma, com os desejos de subir à contemplação e ao mesmo tempo descer às ações do comprometimento ético e sóciotransformador. A Igreja está hoje redescobrindo o valor e a importância do método da “Leitura Orante”, inclusive para avivar a leitura popular da Bíblia e fazer crescer a vida de fé em nossas comunidades.
A Leitura Orante, que se pode fazer individualmente ou em grupo, realiza-se em quatro passos, resumidamente, a saber:
1º passo – Leitura: Ler pausadamente o texto bíblico, procurando descobrir o que ele diz em si mesmo.
Situá-lo no tempo e no espaço. Se possível, pode-se apoiar com a leitura de algum bom comentário bíblico. É o momento da escuta do texto.
2º passo – Meditação: É “mastigar” o texto e sua mensagem, ou, na imagem das vacas que depois de pastar devem ruminar, é “ruminar” penetrando dentro do sentido do texto, interpretando-o, assimilando-o, identificando-se com ele. É responder à pergunta: o que o texto diz no aqui e agora de nossa vida?
3º passo – Oração: É o momento de responder ao Senhor. O texto lido e meditado deve nos levar a dizer a nossa palavra a Deus, a fazer a nossa oração. Seja uma oração de louvor, gratidão ou súplica.
4º passo – Contemplação: É adquirir um novo olhar sobre a vida, Deus e os outros. É, por isso, um mergulho no mistério de Deus, uma contemplação face a face de Deus, que é satisfação e gozo espiritual, mas que leva também às ações concretas de prática da caridade e vivência do bem.
A “Leitura Orante da Bíblia”, mais do que um método para se entender bem o texto bíblico, é um meio, um guia, um caminho para bem se compreender a vida.
Por meio dela, o Livro da Bíblia ajuda-nos a ler o Livro da vida com os olhos de Deus, move-nos à conversão, tira-nos da cegueira e mostra-nos que Deus vive entre nós.
Não se começa um exercício de “Leitura Orante” sem antes se invocar o Espírito Santo, e só se termina louvando a Trindade Santa, pois seu proveito depende mais da graça de Deus do que do esforço humano.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Exaltação da Santa Cruz "
Artigo publicado na edição de 12 de setembro de 2010 do Jornal da Cidade
 
“Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nEle crerem tenham a vida eterna” (Jo 3,14-15). Se não houvesse a cruz, Cristo não teria sido crucificado nem atraído todos a si.
A festa da Exaltação da Santa Cruz, no próximo dia 14, é a festa da Exaltação do Cristo vencedor da morte e do pecado por seu corpo dado e sangue derramado no alto da cruz. Para o cristianismo a cruz é o símbolo maior de fé, o símbolo de nossa identidade cristã. Com os traços da cruz, todos nós nos persignamos desde o momento do levantar até o deitar a cada dia. Na cerimônia batismal o primeiro sinal de acolhida à criança recémnascida é o sinal-da-cruz traçado em sua fronte pelo Padre, Pais e Padrinhos, sinalando-a para sempre com a marca de Cristo.
A cruz recorda o Cristo crucificado, o sacrifício de sua Paixão, o seu martírio que nos deu a salvação. Por isso é que, desde tempos antiquíssimos, a Igreja passou a celebrar, exaltar
e venerar a Cruz. A Cruz de Cristo evoca, ainda, a árvore da vida que se contrapõe à árvore do pecado no paraíso, e se apresenta como signo mais perfeito da serpente de bronze que Moisés levantou no deserto para curar os israelitas picados pelas cobras, porque O Filho do Homem nela levantado cura o homem todo e todos os homens, o corpo e a alma dos que nEle creem, e lhes concede a vida eterna.
A serpente do paraíso trouxe a infelicidade a este mundo com o engodo da igualdade divina com que incitou os pais da humanidade a comerem o fruto da árvore proibida (Gn 3,17-19), e as serpentes do deserto provocaram a morte dos filhos de Israel que reclamavam contra Deus e contra Moisés (Nm 21, 4-6). Arrependendo-se do seu pecado, o povo pediu a Moisés que rogasse ao Senhor para livrá-los das serpentes. O Senhor, que é bom e misericordioso, sempre pronto a perdoar, ordenou a Moisés que erguesse no centro do acampamento um poste de madeira com uma serpente de bronze pendurada no alto, instruindo que todo aquele que dirigisse seu olhar para a serpente de bronze se curaria (Nm 21,8-9).
Jesus retoma esses símbolos do passado bem conhecidos pelo povo (serpente, árvore, pecado, morte) para dizer no Evangelho da Liturgia da festa de hoje (Jo 3,13-17) que no lugar da serpente de bronze pendurada no alto de um poste de madeira Ele mesmo é quem seria levantado no lenho da cruz. Se o pecado e a morte advieram da insídia e veneno do demônio mediante os símbolos da árvore proibida e da serpente do paraíso e do deserto, ao contrário,
a bênção, a salvação e a vida eterna advêm do Cristo levantado no alto da cruz de onde Ele atrai a si os olhares de toda a humanidade.
Eis porque a Igreja canta nessa data: “Santa Cruz adorável, de onde a vida brotou, nós, por ti redimidos, te cantamos louvor!” e na Liturgia das Horas: “Mais altaneira do que os cedros, ergue-se a Cruz triunfal: não traz um fruto de morte, traz a vida a todo mortal”.
“Longe de mim gloriar-me a não ser na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo (Gl 6, 14)“.
Até o Calvário, a cruz fora tida como sinal de vergonha, maldição, execração. Com a crucifixão de Cristo, desde então, ela se tornou signo de triunfo e vitória. Se da cruz vinha a maldição e a morte, agora, da cruz vem todo o bem e toda a graça. O Apóstolo Paulo aprofunda o mistério dizendo que a cruz lembra a humilhação extrema de Jesus que se despojou de sua
dignidade de ser igual a Deus, “fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2,8). E ele mesmo afirma que “por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o nome que está acima de todo nome. Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame: Jesus Cristo é o Senhor!” (Fl 2, 8-11). Tendo tal compreensão da Paixão de Jesus e elaborado tal teologia a respeito do mistério da Cruz, torna-se perfeitamente compreensível a declaração de Paulo aos Gálatas de que para ele sem a cruz de Cristo não há glória possível. Oxalá nós, igualmente com Paulo, possamos proclamar essa mesma fé e dela viver para sempre. Pelo sinal da Santa Cruz, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Mês da Bíblia"
Artigo publicado na edição de 05 de setembro de 2010 do Jornal da Cidade
O tema da Palavra de Deus perpassa setembro, o mês da Bíblia. Se anualmente em setembro a Igreja põe a Bíblia em destaque, é exatamente para conscientizar-nos de que a Palavra de Deus deve ser importante sempre, pois ela é ao mesmo tempo fonte de inspiração para a vivência cotidiana da fé como também seu fundamento para toda a vida.
A Bíblia, do grego “tá biblía” (os livros), é o livro mais traduzido nas diferentes línguas, o mais
lido e popular do mundo, e talvez o mais estudado tanto pelos crentes como texto sagrado da fé judaicocristã, quanto pelos não crentes por sua ‘enorme influência na cultura ocidental, no seu pensamento e no imaginário artístico’. Há poucos dias, na tragédia dos mineiros do Chile, Bíblias em miniatura (8cm de largura) foram enviadas com outros sinais religiosos (orações, imagens, terços) por meio de sonda para os 33 homens soterrados a 700m de profundidade na mina San José. Palavras Sagradas para inspirar nas orações e fortalecê-los, no coração e mente, enquanto, confiantes, aguardarão por quatro meses o resgate.
A Bíblia é uma demonstração de que a Palavra de Deus é eficaz: não só realiza o que diz, mas acima de tudo executa a vontade de seu Autor e cumpre a missão que dEle recebeu. Assim lemos em Isaías: ...o mesmo sucede à palavra que sai da minha boca: não voltará para mim vazia, sem ter realizado a minha vontade e sem cumprir a sua missão” (Is 55, 11). A Bíblia revela em abundância que, em Deus, palavra e ação estão sempre interligadas. O Gênesis é exemplo clássico: Deus disse, façam-se a terra e o céu, a água e o ar, os animais e o homem... e por sua palavra tudo se fez (cf. Gn 1).
Deus, que se revelou por palavras e gestos, mostrou-se mais extraordinariamente por meio do Filho, fato ressaltado como se lê no prólogo da Carta aos Hebreus: Muitas vezes e de modos diversos falou Deus, outrora, aos Pais pelos profetas; agora, nestes dias que são os últimos, falou-nos por meio do Filho... (Ele) sustenta o universo com o poder de suas palavras” (Hb 1, 1-3). Que Jesus Cristo é a Palavra de Deus também o diz claramente João no prólogo do seu Evangelho: O Verbo (isto é, a Palavra) se fez carne, e habitou entre nós... Porque a Lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus: o Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o deu a conhecer” (Jo 1,14;17-18).
Por isso, o nosso Catecismo afirma que em Jesus Cristo, o Verbo Encarnado, isto é, Deus feito Homem, a revelação de Deus está agora plenamente realizada, com toda a verdade que é necessária para a nossa felicidade e salvação devidamente completada. Deus, no entanto, continua a nos falar pelo livro da vida que, iluminado pelo livro da Bíblia, ajuda-nos a captar gradualmente todo o alcance da nossa fé ao longo dos séculos (n. 9).
São Jerônimo (falecido no ano 420), o melhor escritor dos Padres latinos, e que fez a primeira tradução da Bíblia para o latim, já dizia que “Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo”. Santo Agostinho (falecido em 430), o maior dos Padres e o primeiro dos quatro grandes doutores do Ocidente, disse também: “Se você quer ouvir Deus, leia as Escrituras, se você quer falar com Ele, então, reze”.
Dom Caetano Ferrari – Bispo Diocesano de Bauru

"Dia do Catequista"
Artigo publicado na edição de 29 de agosto de 2010 do Jornal da Cidade
Agosto, que está chegando ao fim, é todo ele um mês vocacional. A cada domingo refletimos sobre este tema pondo em destaque algumas das mais importantes vocações da vida. E fomos especialmente convidados a reconhecer a nossa vocação, qualquer que seja ela, e a agradecer a Deus por ela a começar pela vocação comum, que recebemos desde o Batismo, o chamado à santidade e ao apostolado. Vimos que, a partir desta vocação comum, Deus nos chamou e chama a abraçar e cumprir na vida, umas das muitas vocações existenciais fundamentais para aprofundarmos a graça batismal em cada um de nós e nos
realizarmos como pessoas. No fundo, as muitas vocações têm sua origem na Trindade Santa. É o Pai quem atrai, o
Filho quem envia e o Espírito quem acompanha com sua graça. E todas as vocações são caminhos de santidade
pessoal; elas nos são dadas para a plena realização pessoal, a vivência ética e moral, o enriquecimento e construção da
comunidade. Para realizarmos a graça batismal, Deus chama cada um de nós a uma vocação especial, a um convite
particular para participar de sua vida e de seu Reino. Descobrindo essa vocação e realizando-a estaremos servindo à
causa do Reino de Deus e edificando o Corpo místico de Cristo; seremos o que Deus quer de nós e nos tornaremos
felizes. A vocação mais comum é para a vida matrimonial. A família é fonte de vida e berço de todas as vocações. É
mediante a família, rica de afeto e amor, que aprendemos a amar. E a partir da qual Deus suscita para cada um de nós,
uma das várias vocações que nos leva, desculpe pela insistência, à plena realização e felicidade na vida.
Refletimos inclusive que a Igreja é uma Assembleia de vocacionados, nela existindo chamados especiais, muitos
ministérios e serviços, para o atendimento dos quais o Espírito suscita entre os fiéis leigos não poucas vocações,
capacitando-os com dons e carismas para bem servir a Deus e seu santo povo. Por exemplo, os ministérios ordenados do
bispo, padre e diácono, constituídos para o serviço sagrado na Igreja, e os ministérios não ordenados dos leigos e leigas
para atender à outra diversidade de necessidades eclesiais, principalmente, na Liturgia, na Evangelização e na Caridade.
Falamos também do chamado à Vida Religiosa Consagrada
feminina e masculina, como dom especial dado por Deus à Igreja. A Vida Consagrada que é carismática e profética
enquanto é indicadora de caminhos e formas de santidade e comunhão, e enquanto está na vanguarda das ações humanizadoras e missionárias junto aos pobres da sociedade e aos afastados da Igreja.
Fechando o mês das vocações, hoje, na Igreja se celebra o Dia do Catequista. Uma vocação muito especial,
que faz a gente lembrar-se do catequista ou da catequista que nos educou na fé, preparando-nos à recepção dos sacramentos da iniciação cristã (Batismo, Eucaristia e Crisma). Queremos agradecer a Deus por estes nossos catequistas e a multidão deles, homens e mulheres, adultos e jovens, que generosamente prestam esse serviço na Igreja, catequizando
especialmente as crianças de nossas diversas paróquias e comunidades.
A Igreja nos chama a valorizar a vocação e missão do catequista, rezando por eles e suplicando a Deus que não deixe faltar em sua Igreja catequistas, cheios da graça e do Espírito Santo que possam levar nossas crianças a conhecer, amar e servir a Deus na Igreja e na sociedade.
Maria, humilde serva do Altíssimo e mãe de todos os vocacionados, interceda por nós e faça desabrochar sempre mais vocações para nossa Igreja. Amém!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Dia do Catequista"
Artigo publicado na edição de 29 de agosto de 2010 do Jornal Bom Dia
 
Chegando ao fim de agosto, mês vocacional, neste domingo, a Igreja celebra o Dia do Catequista e reza pelos catequistas de nossas comunidades, lembrando aqueles que nos catequizaram na infância, particularmente, os que trazemos na lembrança e saudade do coração. Quem não se lembra dos primeiros professores que nos alfabetizaram e catequistas que nos catequizaram?
Foram eles com os pais que plantaram em cada um de nós os ensinamentos que estão na base da nossa vida e do que hoje nós somos como pessoas, cidadãos e cristãos.
Convidando-nos a agradecer pelos catequistas, a Igreja nos convida a rezar pedindo mais vocações para os ministérios leigos, em particular do catequista, tão importante na Igreja. Pois são os catequistas, homens e mulheres, jovens e adultos, os que educam na fé e preparam nossas crianças e jovens para a recepção dos sacramentos da iniciação cristã (Batismo, Eucaristia e Crisma).
Que o Senhor, pela Imaculada Conceição, nos conceda a graça de colaborarmos com a missão catequética e evangelizadora da Igreja.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Dia dos Leigos"
Artigo publicado na edição de 22 de agosto de 2010 do Jornal da Cidade
O dicionário diz que leigo é aquela pessoa que, sobre determinado assunto, desconhece ou conhece muito pouco.
No meu caso, eu sou leigo em muitos assuntos, por exemplo, em física quântica, no conhecimento da qual sou zero à esquerda. Na Igreja, porém, leigo é aquele que não é clérigo, não tem ordens sacras. Retomando meu caso, eu, que sou leigo em física quântica, não sou leigo na Igreja, porque sou clérigo, isto é, tenho ordens sacras como padre e bispo, além de pertencer ao estado religioso como franciscano que sou.
Assim sendo, compreendemos o Concílio Vaticano II quando afirma que “por leigos entendem-se aqui todos os cristãos
que não são membros da Sagrada Ordem ou do estado religioso reconhecido pela Igreja, isto é, (são todos) os fiéis que,
incorporados em Cristo pelo Batismo, constituídos em povo de Deus e tornados participantes, a seu modo, do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, exercem pela parte que lhes toca, na Igreja e no mundo, a missão de todo o povo cristão” (Lumen Gentium, 31).
Perceba que os fiéis leigos e leigas na Igreja têm uma particular e especial dignidade: revestidos do múnus sacerdotal,
profético e real de Cristo, tendo na Igreja e no mundo uma missão igualmente especial como povo de Deus. E que o que
os distingue do Clero e dos Religiosos é a sua ‘índole secular’ de viverem no meio do mundo a vida normal como “O próprio
Verbo encarnado quis participar da vida social dos homens...
Santificou os laços sociais e, antes de mais nada, os familiares, fonte da vida social, e submeteu-se livremente às leis do seu país. Quis levar a vida própria dos operários do seu tempo e da sua terra” (Gaudium et Spes, 32). Jesus Cristo, embora sendo, teologicamente, Deus, o Sumo e Eterno Sacerdote, Rei do universo e Salvador da humanidade, foi, sociológica e eclesiasticamente, um leigo. Não pertenceu aos quadros sacerdotais do templo, nem aos funcionais do governo de seu país.
Recentemente, o Documento de Aparecida, recordando ensinamento de Puebla, México, que dizia que os fiéis leigos
são “homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja” (DA 209), advertiu a Igreja para
chamar os leigos “a participar da ação pastoral da Igreja” (211), para isso oferecendo-lhes ‘sólida formação doutrinal, pastoral e espiritual’ (212), confiando com a sua ‘participação ativa e criativa na elaboração e execução de projetos pastorais’, e, portanto, ‘levando-os em consideração com espírito de comunhão e participação’ (213). O Documento cita aquelas palavras do Papa João Paulo II que dissera que “A evangelização do Continente não pode realizar-se hoje sem a colaboração dos fiéis leigos” (213). E afirma que, para uma profícua atuação no campo ‘do diálogo e das transformações sociais’, “É urgente uma formação específica para que (os fiéis) possam ter incidência significativa nos diferentes campos, sobretudo ‘no vasto mundo da política, da realidade social e da economia, como também da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos meios de comunicação e de outras realidades abertas à evangelização’” (283).
Na oportunidade do Dia dos Leigos, desejo cumprimentar e agradecer a todos eles e elas pela atuação nas diversas frentes
de trabalho, serviços e pastorais sem os quais nossas comunidades não funcionariam, porque, na vida e missão da Igreja,
eles são absolutamente essenciais e importantes, como sujeitos ativos da evangelização.
Nesta quarta semana de agosto, dedicada à vocação para os ministérios e serviços leigos na comunidade, queremos
rezar por todos os fiéis leigos e leigas e suas famílias.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
 
"Dia dos Leigos" Artigo publicado na edição de 22 de agosto de 2010 do Jornal Bom Dia
Etimologicamente, leigo vem do grego ‘laikos’, significando ‘do povo’, ou melhor, ‘pessoa simples do povo’. Daí que na Igreja leigos são todos os que não receberam Ordens Sacras (padres, bispos e diáconos), nem fazem parte do estado religioso reconhecido pela Igreja (Religiosos), mas são simplesmente os fiéis que, incorporados pelo Batismo a Cristo, constituem o povo de Deus. A dignidade de todo fiel leigo vem do Batismo, pelo fato de ser incorporado a Cristo e partícipe, a seu modo, do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, e por esta razão vocacionado a ser no mundo ‘sal da terra’, ‘luz do mundo’ e ‘fermento na massa’, e a exercer a missão de todo o povo cristão. Sob o ponto de vista eclesiástico e sociológico Jesus foi simplesmente um leigo, isto é, não pertenceu nem aos quadros sacerdotais do templo nem aos funcionais do governo de seu país. Nem por isso deixou de ser o maior, o mais santo e o mais digno dentre todos os homens. Teologicamente, pela fé, Ele é Deus e Homem. É da identidade da vocação dos leigos a ‘índole secular’: que eles “vivem no século, isto é, empenhados em toda e qualquer ocupação e atividade terrena e nas condições ordinárias da vida familiar e social, com as quais é como que tecida a sua existência” (Lumen Gentium, 31). O saudoso Papa João Paulo II disse que a “Evangelização do Continente não pode hoje ser feita sem a participação dos leigos”. O Documento de Aparecida, então, convidando toda a Igreja à conversão pastoral, apela aos leigos “a participar da ação pastoral da Igreja” (DA 211).   Cumprimentando e agradecendo os leigos de nossas comunidades, queremos rezar por todos eles.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru


"Vida Consagrada Masculina e Feminina"
Artigo publicado na edição de 15 de agosto de 2010 do Jornal da Cidade
O tema das vocações perpassa todo o mês de agosto.
Hoje, solenidade da Assunção de Nossa Senhora, é o dia do Religioso e Religiosa, e esta terceira semana do mês é dedicada à oração, reflexão e ação nas comunidades sobre as vocações à Vida Religiosa, chamada também Vida Consagrada.
Os consagrados e consagradas são em geral os freis e freiras, os irmãos e irmãs das diversas Ordens e Congregações Religiosas da vida contemplativa e enclausurada como os monges (beneditinos, cistercienses, trapistas, etc.), ou as monjas e irmãs (carmelitas, clarissas, concepcionistas, etc.) e também da vida ativa, que articulam ‘oração e ação’, como os irmãos ou irmãs que atuam em obras sociais (hospitais, asilos, creches, etc.), na educação, cultura e comunicação social (Escolas, Universidades, Meios de comunicação social, etc.), nas pastorais (Paróquias, Comunidades, etc.), na evangelização (Catequese, Missão, etc.), na linha de frente (aonde ninguém quer ir) e de fronteira (entre a vida e a morte) cuidando dos pobres, desamparados e excluídos.
Caracterizam a Vida Consagrada: 1º) o carisma e espiritualidade; 2º) a vida comunitária; e 3º) a missão. Tomemos por exemplo o franciscanismo ou o ideal franciscano (desculpe-me, é que sou franciscano e faz parte do meu cotidiano). Resumidamente, o franciscanismo consiste em viver o santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo e seguir os passos e a doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo, como o fez São Francisco de Assis (carisma). Seguir Jesus Cristo na oração e vida com Deus (espiritualidade), na comunhão fraterna (como fraternidade) e na missão (presença entre os menores do mundo e apostolado missionário). Santa Clara de Assis, que se considerava como uma ‘plantinha’ de Francisco, assumiu esse ideal do santo, vivendo, como era próprio da época (Idade Média), na clausura.
A Igreja aprovou esse ideal de vida de São Francisco como um caminho de vida cristã e de santidade para homens (Ordem dos Frades Menores – OFM), para mulheres (Franciscanas, Clarissas e Concepcionistas) e para leigos casados ou solteiros (Ordem Franciscana Secular – OFS). Mas há na Igreja outros caminhos, até mesmo uma variedade enorme de carismas e
espiritualidades, como o dos Salesianos/as (São João Bosco), Beneditinos/as (São Bento), Jesuítas (Santo Inácio de Loyola), Missionários do Sagrado Coração (Pe. Jules Chevalier), Apóstolas do Sagrado Coração (Madre Clélia Merloni), Rogacionistas, Marianistas, etc. Há também na Igreja o surgimento de novos institutos religiosos e novas comunidades de vida (Irmãs de Tereza de Calcutá, Canção Nova, Comunidade Alfa e Ômega, Toca de Assis, Missionários Inacianos de Santo Inácio de Antioquia, Irmãos do Sagrado Coração de Jesus, etc.). Como pedia o saudoso Papa João Paulo II, devemos dar graças a Deus pela existência entre nós da Vida Religiosa tradicional e pelo florescimento de comunidades novas suscitadas pelo mesmo Espírito Santo tanto no passado como nos dias atuais. Tudo é manifestação do amor e bondade de Deus que responde às necessidades de cada momento fazendo surgir santos e santas que abrem caminhos sempre novos de renovação da vida cristã e para o bem do Corpo Místico de Cristo, a Igreja.
Deus é sempre a força impulsionadora desses santos e desses carismas que nascem e subsistem na Igreja para serem ‘sinal’, ‘parábola’ e ‘profecia’ do Reino de Deus, com visibilidade exterior sempre cambiável segundo o tempo e lugar, e na diversidade de formas de vida comunitária, apostolado e serviço que mais bem respondam às necessidades e urgências da história, e às esperanças da família humana.
Rezemos por todos os religiosos e religiosas para que sejam testemunhas proféticas da presença de Deus no mundo de hoje.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
 
"Dia do Religioso" Artigo publicado na edição de 15de agosto de 2010 do Jornal Bom Dia
Neste dia do Religioso e em toda a semana, a Igreja nos convida à oração e reflexão nas comunidades em favor das vocações para a vida religiosa ou consagrada. Religiosos ou consagrados são os freis e freiras, os irmãos e irmãs das diversas Ordens e Congregações Religiosas que vivem em clausura (Carmelitas, Concepcionistas, Beneditinos, Cistercienses...) ou na vida ativa (Franciscanos, Salesianos, Apóstolas do Sagrado Coração, Rogacionistas...).  
Os enclausurados priorizam a vida de oração e penitência dentro dos mosteiros; os da vida ativa articulam ‘oração e ação’, atuando na promoção humana (hospitais, asilos, etc.), na educação, cultura e comunicação social (colégios, universidades, meios de comunicação social, etc.), nas pastorais (catequese, liturgia, etc.), na evangelização e serviço aos pobres, excluídos e abandonados (obras sociais, missão ad gentes...). Mas todos são consagrados ao serviço de Deus e do homem. As diversas configurações de vida consagrada, as tradicionais surgidas no passado (Franciscanos, Beneditinos, Missionários do Sagrado Coração e Marianistas), ou as novas suscitadas nos dias atuais (Irmãs de Madre Tereza de Calcutá, Missionários de Santo Inácio de Antioquia, Toca de Assis, Alfa e Ômega e Irmãos do Sagrado Coração de Jesus) constituem a riqueza de dons, de mística e espiritualidade, de formas de vida e comunhão fraterna, de apostolado missionário e serviços eclesiais para a maior glória de Deus e o bem de toda a humanidade, com os quais o Espírito Santo do Senhor enriqueceu e enriquece a sua santa Igreja. Rezemos pelos religiosos para que eles sejam presenças proféticas de Deus no mundo.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
"Dia dos Pais" Artigo publicado na edição de 08 de agosto de 2010 do Jornal Bom Dia
O Dia dos Pais nos chama a contemplar as vocações para a vida em família visíveis na tessitura concreta dos relacionamentos entre seus membros: pai, mãe, filhos, irmãos, avós, netos...
Como no Dia das Mães, o dos pais é também festa do consumo, por imposição do fator econômico que comanda tudo na sociedade secularizada. Na Igreja, porém, neste domingo tem início a Semana Nacional da Família. 
À luz da fé, se o homem e a mulher vêm do Criador e para Ele são orientados, Eva é posta ao lado de Adão e Adão de Eva para um ao outro sinalizar o Outro, isto é, Deus mesmo, Pai e Mãe de todos os humanos. Homem e mulher, pelo matrimônio, são como que ‘sacramentos’ do encontro com Deus e do encontro de gerações, com a dos filhos e a dos avós. 
Está aí implantado no mais íntimo do coração humano o dinamismo do amor, igual ao amor de Deus, que faz da pessoa um ser de comunhão, ‘recebido de’ outro e ‘orientado’ para o outro. Um ser recebido dos pais e orientado para o cônjuge e a família.    
Tão grande mistério só poderia mesmo se realizar na diferença dos sexos (homem-mulher), destinado à procriação (amor gera amor) na fecundidade do amor como dom de um ao outro (eu te amo), indissolúvel (matrimônio-família) e por toda a vida (“não separe o homem o que Deus uniu”). Sem a qual (família) desequilibra-se a pessoa e crescerão homem e mulher sem alma e sem amor.
“O futuro da humanidade passa pela família”, disse-nos o Papa João Paulo II. Salvemos a família. Apóie e participe da Pastoral Familiar.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Dia do Padre"
Artigo publicado na edição de 01 de agosto de 2010 do Jornal Bom Dia
Na Igreja, agosto é todo ele um mês vocacional e cada domingo é dedicado a uma das vocações essenciais à vida cristã. Hoje é dia do Padre; no dia 8, dias dos Pais e da vocação para a vida em família; no dia 15, da vocação para a vida consagrada masculina e feminina; no dia 22, da vocação para os ministérios dos fiéis leigos; no dia 29, da vocação para os catequistas.
A Bíblia é uma enciclopédia de vocações: profetas, patriarcas, homens e mulheres como no Antigo Testamento: Abraão, Moisés, Isaías, Jeremias, Rute, Ester, Ana, e no Novo Testamento: Maria de Nazaré, Isabel, João Batista, Pedro, Paulo. Também o Israel antigo, enquanto povo de Deus, foi vocacionado para a comunhão de vida com o Senhor. E o novo Israel, povo reunido por Jesus Cristo, nEle formamos a comunidade dos vocacionados chamados à santidade e à vida divina e eterna. É a vocação comum e universal à santidade que alcança todo o que é batizado, a qual são também chamados aqueles que deverão ser evangelizados pelos missionários de hoje, principalmente os ministros ordenados, os bispos, padres e diáconos, auxiliados por uma multidão de agentes de pastoral.
Hoje é o dia do Padre, particularmente do padre de sua comunidade de fé, paróquia, cidade e diocese. Ele precisa do seu reconhecimento e conta com o seu apoio e colaboração. Ele renunciou a ter uma família de sangue para servir, com tempo integral e dedicação exclusiva, a Deus e seu santo povo, do qual você e sua família fazem parte. Jesus teve compaixão da multidão que era como ovelhas sem pastor e disse: “Rezai ao Senhor da messe para que envie operários, porque a messe é grande e poucos os operários”.
Dom Caetano Ferrari – Bispo Diocesano de Bauru

"A Oração do Pai Nosso"
Artigo publicado na edição de de 24 de julho de 2010 do Jornal da Cidade
Os discípulos pediram a Jesus que lhes ensinasse a rezar. E Ele respondeu: “Quando rezardes, dizei: Pai nosso que estais no céu...” É o que meditamos no Evangelho de hoje,
Lucas 11,1-13, em nossas comunidades de fé.
O Cardeal Ratzinger, antes de ser eleito Papa, fez várias preleções sobre a Igreja em vários lugares, inclusive no Rio de Janeiro, em 1990, que a Editora Vozes de Petrópolis/RJ reuniu
num livro e o publicou com o nome de “Compreender a Igreja hoje – Vocação para a comunhão”.
Numa de suas falas, no Rio, comentando este pedido que os discípulos fizeram a Jesus, o Cardeal Ratzinger afirma claramente que, com este pedido, eles têm consciência de já formar uma comunidade. Este é o aspecto importante que o Cardeal quis ressaltar que “toda comunidade tem uma oração comum”, e lembrou que no Evangelho está dito: “como também João Batista ensinou os seus discípulos”. Assim frisou Dom Ratzinger: “Eles (os discípulos) ali estão como a célula inicial da Igreja, e nos mostram, ao mesmo tempo, que a Igreja é uma comunidade unida essencialmente pela oração – a oração com Jesus, a qual nos proporciona a abertura comum para Deus” (pg. 14). E continua explicando que inicialmente “Jesus constituiu Doze” (Mc 3,14), que depois da ressurreição passaram a ser chamados de “apóstolos”, e aos quais, segundo Lucas, se acrescentaram os outros setenta e dois discípulos. Que significam esses números? Responde o Cardeal dizendo que o simbolismo é de “importância capital”: Doze “é o número dos dozes filhos de Jacó, o número das tribos
de Israel”. Jesus se apresenta como “o patriarca de um novo Israel, cuja origem e fundamento os Doze devem ser”. E lembra que a missão dada por Jesus a estes doze é “para estarem com Ele e para enviá-los” (Mc 3,14). E por que setenta e dois? Ele explica que, segundo a tradição judaica (Gn 10; Ex 1,5; Dt 32,8), setenta e dois era o número das nações não judias do mundo. Setenta e dois foram também os tradutores da versão grega do Antigo Testamento, surgida em Alexandria, que tornou “o livro sagrado de Israel na Bíblia de todas as nações”.
Imagem simbólica também de que o novo Israel abrange todos os povos. Se o Pai Nosso foi o ponto de partida da oração da nova comunidade reunida em Cristo, ressalta o Cardeal, Jesus deu um passo adiante, quando na véspera de sua paixão, transformou “a páscoa de Israel em um culto totalmente novo, o qual logicamente os separará da comunidade do templo e
fundará definitivamente um povo da ‘Nova Aliança’”. A Eucaristia é a celebração cultual da nova aliança realizada no corpo e no sangue de Cristo. Como forma cultual e sacramental de presença do único e mesmo mistério pascal, está na origem e é o centro permanente da Igreja que “une ‘os muitos’ que agora se tornam povo em união com o único Senhor e seu corpo
uno e único, de onde, consequentemente, resultam a unicidade da Igreja e sua unidade” (pg. 15 a 17). Com estas palavras, o Cardeal Ratzinger nos ajuda a aprofundar o conhecimento do que Jesus fez para fundar a sua Igreja.
E, ainda, para entendermos que a característica essencial da Igreja é, em primeiro lugar, ser uma comunidade unida pela oração criada e proposta por Jesus Cristo, tendo o “Pai Nosso” como paradigma e a “Eucaristia” “como fonte e centro de toda a vida cristã”. No “Pai Nosso” aparece toda a beleza e genialidade da nova maneira de rezar dos discípulos de Jesus.
E “na santíssima Eucaristia está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, a nossa Páscoa e o pão vivo que dá aos homens a vida mediante a sua carne vivificada e vivificadora pelo Espírito Santo” (Lumen Gentium, 11).
Sob a perspectiva oracional a Igreja vive do Pai Nosso e da Eucaristia que alimentam a vida e a missão dos discípulos e missionários e de nossas comunidades paroquiais.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Marta e Maria"
Artigo publicado na edição de de 18 de julho de 2010 do Jornal da Cidade
O Evangelho da Liturgia de hoje (Lc 10,38-42) traz a cena de Maria sentada aos pés de Jesus, como discípula atenta na escuta do Mestre. Enquanto Marta se agita preocupada
com os afazeres da casa, certamente preparando uma boa refeição para Jesus e os doze que da Galiléia subiam a Jerusalém, parando de passagem por Betânia, a uns 15km da cidade santa. O visitante era ilustre, aquele que ressuscitara Lázaro (Jo 11), o irmão delas. Jesus era amigo pessoal dos três (Jo 11,5) e na casa deles tinha prazer de se hospedar toda vez que ia a Jerusalém.
Marta queixou-se com Jesus: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda que ela venha me ajudar” (v. 40).
E Jesus, no entanto, lhe respondeu: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada” (vv. 41-42).
Muita tinta já foi gasta por exegetas e místicos para explicar o sentido das palavras de Jesus e sua verdadeira intenção. Por muito tempo a interpretação ficou por conta da diferença entre a vida ativa e a vida contemplativa, como por exemplo dos consagrados e consagradas, para sublinhar a superioridade da vida contemplativa sobre a ativa e se exaltarem a contemplação e a oração como mais dignas do que o trabalho e as atividades pastorais. Mas o fato é que nem Maria iria entrar para a vida enclausurada contemplativa, nem Marta se tornaria uma ferrenha militante de alguma pastoral social. Bem melhor aplica quem diz que a lição de Jesus vale para todos, religiosos ou leigos, padres ou fiéis, adultos ou jovens, homens ou mulheres, você, caro leitor, ou eu. Não seria, portanto, uma vocação especial, privilégio para alguns.
Compreende melhor a intenção de Jesus quem o compreende chamando para uma vocação comum, válida para todos os cristãos, naturalmente todos os que desejam ser e viver como discípulos seus, qualquer que for seu estado de vida e profissão.
Todo bom discípulo tem os ouvidos atentos à voz do mestre, como na imagem das ovelhas e do Bom Pastor (Jo 10). Os discípulos conhecem a sua voz, distinguem-na pelo timbre, sentem seu cheiro, seguem-no por onde for, comem na sua mão, descansam aos seus pés, sentem-se seguros junto a ele. E ele conhece cada um dos seus como o Bom Pastor conhece suas ovelhas: conhece cada um dos discípulos por seu nome, leva-os a prados verdejantes e águas
cristalinas, cuida dos enfermos, defende-os contra os inimigos, busca os extraviados e dá a vida por eles.
Por isso, Maria não perdeu a oportunidade de ouvir mais uma vez o Mestre. Sabe lá quantas vezes ainda seria possível hospedar Jesus? Por isso, ela escolheu a melhor parte, que é ouvir Jesus e acolher a Palavra de Deus. Isso nos faz lembrar aquelas outras palavras de Jesus:  Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4).
No entanto, a bem da verdade, oração e ação são duas atitudes complementares. A oração verdadeira leva à ação e a ação eficaz necessita ser rezada, preparada e avaliada junto de Deus. Alguém já disse: “Um cristão que não reza, não é cristão; mas um cristão que só reza, não reza”.
Marta e Maria encarnam duas atitudes complementares e essenciais à vida cristã, que consiste em equilibrar oração e ação. Poder-se-ia dizer como Santa Teresa d’Ávila: “Se o amante em toda parte ama”, o orante reza em todo lugar e a qualquer hora. Também já se disse que há dois modos de rezar: com os olhos fechados e as mãos postas, um; e com os olhos abertos e as mãos ocupadas, outro.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
 
"Ecologia e Justiça" Artigo publicado na edição de de 18 de julho de 2010 do Jornal Bom Dia
A ecologia social trata das relações recíprocas entre o homem e o seu meio social. Parte da seguinte constatação: os desequilíbrios sociais afetam o equilíbrio ambiental e ameaçam a vida na terra. E a degradação da natureza, por sua vez, produz desequilíbrios sociais. Óbvio, não? 
Ações individuais são importantes, mas não bastam para resolver as questões ambientais como poluição, destruição de florestas e ameaça à vida e dignidade da pessoa. Medidas sociais, políticas, econômicas e científicas se fazem necessárias diante da magnitude do problema ambiental.
O primeiro passo é o da conscientização. O mal abarca a todos, pobres e ricos. Os mais ricos são responsáveis pela degradação ambiental por seu consumismo delirante, exagerado e injusto, que não só desperdiça e polui como exaure a terra de seus bens, desertifica, ameaça o equilíbrio do ecossistema e a vida.
Os mais pobres, pela carência e falta das condições dignas de vida, de saneamento básico, higiene e assistência à saúde, que geram miséria e doenças.
O Documento de Aparecida conclama todos os povos, autoridades e forças vivas da sociedade a resgatarem justiça e ecologia como caminho de salvação da vida. A melhor forma de equilibrar ecologia e justiça é “promover uma ecologia humana aberta à transcendência”, que respeite a vontade de Deus que criou o mundo para todos e deu “destino universal aos bens” (cf. DA 125-126).
É buscar um “desenvolvimento integral e solidário”, fundado numa “autêntica ecologia natural” e no “evangelho da justiça”; e lutar por “políticas públicas e participações cidadãs que garantam a proteção, conservação e restauração da natureza” ( cf. DA 474).
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Votar bem"
Artigo publicado na edição de de 11 de julho de 2010 do Jornal da Cidade
Terminada a Copa do Mundo, e sem nenhum desprezo ao futebol, vemos tomarem conta da mídia e das nossas ocupações cotidianas as eleições do presente ano. O que é até bom para esquecermos o mais rápido possível a frustração pelo fiasco de nossa Seleção Canarinho na África do Sul. Agora só resta esperar e se preparar para a Copa de 2014, no Brasil, quando então sonhamos levantar a taça de campeão, em desforra pela perda da copa de 1950 para o Uruguai, em pleno Maracanã. Nem pensar em não sermos campeões em 2014, depois de 64 anos de espera para lavar nossa alma do vexame de 50.
Quando o assunto são as eleições, votar bem vem à tona, tanto como imperativo ético-moral de cidadania, quanto como direito-dever comezinho de responsabilidade mínima pelo bem da sociedade. Mas votar bem não é tão solene nem tão simples assim.
Pois há muitos tipos de voto: comprado, trocado, cabresteado, por amizade, ignorância, desinteresse...
Há também o voto consciente e bem escolhido, que prioriza a ficha limpa do candidato, suas ideias, crenças e valores, o programa do partido, etc.
Os Bispos do Estado de São Paulo, regional sul 1 da CNBB, emitiram orientações aos fiéis católicos para uma participação consciente e responsável no processo político-eleitoral deste ano. Uma lista com dez pontos, como que os dez mandamentos para bem votar. A Pastoral Diocesana Fé e Política está não só fazendo a divulgação das orientações como também ministrando encontros de conscientização sobre as eleições. Se você tiver interesse, informe-se na secretaria de sua Paróquia.
Como um aperitivo, seguem aqui, sem comentários, os dez mandamentos para bem votar:
1- O poder político emana do povo.
2- O exercício do poder é um serviço ao povo.
3- Governar é promover o bem comum.
4- O bom governante governa para todos.
5- O homem público deve ter idoneidade moral.
6-Voto não é mercadoria.
7-Voto consciente não é troca de favores.
8- A religião pertence à identidade de um povo.
9- A família é um patrimônio da humanidade e um bem insubstituível para a pessoa.
10- Votar é importante, mas ainda não é tudo.
Naturalmente para bem se entender o conteúdo e alcance de cada item, um aprofundamento de toda a lista se faz necessário. Repito, a Pastoral Fé e Política está à disposição para ajudar nessa reflexão.
Poder-se-ia acrescentar mais um ponto: Na escolha de Deputados, priorize os candidatos da nossa região, de quem será mais fácil inclusive cobrar resultados, se eleitos.

"Dia de São Pedro e do Papa"
Artigo publicado na edição de de 04 de julho de 2010 do Jornal da Cidade
Liturgicamente a festa São Pedro e São Paulo, do dia 29 de junho, é celebrada hoje. A festa de hoje é mais de São Pedro, e a São Paulo fica mais para o dia 25 de janeiro. São Pedro foi escolhido por Jesus como o fundamento, a pedra ou a rocha sobre a qual fundaria a sua Igreja: “Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja” (Mt 16, 18). Eis porque hoje é o Dia do Papa, festa do primeiro e do atual Papa, Bento XVI.
Tu és Pedro, a rocha da Igreja O nome do Apóstolo era Simão, filho de Jonas, casado, morador em Cafarnaum e pescador profissional, no Mar da Galiléia ou Lago de Tiberíades, como o seu irmão André. Foi Jesus quem lhe mudou o nome de Simão para Pedro. Não foi uma mera troca de um nome certo por um apelido qualquer, como comumente ocorre em ambiente familiar ou entre amigos. A mudança foi para acrescentar-lhe uma outra identidade e atribuir-lhe uma missão especial e bem caracterizada.
Isso tudo nós sabemos ouvindo atentamente o Evangelho da Missa de hoje, Mateus 16, 13-19. Primeiramente, Simão confessou sua fé, respondendo assim a Jesus:
“Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (v.16). Somente para a gente
relembrar as circunstâncias, o fato ocorreu na região de Cesaréia de Filipe, onde Jesus fizera duas perguntas aos
discípulos, uma consultando a opinião das pessoas a seu respeito, e a outra, a posição deles mesmos: “E vós, quem
dizeis que Eu sou?” (v.15). Seguiu-se então aquela declaração firme de Simão, antecipando-se aos demais discípulos.
Depois, em resposta, Jesus também fez uma importante  declaração, dizendo a Simão: “Feliz és tu Simão, filho de
Jonas... Por isso Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca
poderá vence-la” (vv. 17-18). Simão, o galileu pescador, agora foi chamado por Jesus de Pedro, isto é, pedra, sendo
constituído rocha ou fundamento da Igreja. Um novo nome lhe foi conferido, significando a missão especial e específica que
o Senhor queria atribuir a ele, um homem de temperamento forte e com grandes qualidades de liderança, mas ao mesmo
tempo humano, frágil e pecador.
Eu te darei o poder das chaves, para abrir e para fechar O nome novo, Pedro, que Jesus deu a Simão, foi como que um rito, uma celebração de escolha e consagração de Simão Pedro para a missão e o serviço de apascentar o seu rebanho, de administrar a comunidade dos fiéis, de presidir e governar a Igreja. Pois, Jesus conclui o rito da troca de nome, conferindo a Pedro, fundamento da Igreja, o poder das chaves, isto é, o poder de ligar e desligar, de abrir e fechar. Continuando a sua fala, Jesus declara ainda a Pedro: “Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus” (v.19). Na cultura e mentalidade dos povos nos tempos da Bíblia, a figura das chaves simbolizava a autoridade de quem é responsável pela guarda e governo da casa, da cidade, da  nação. Sobretudo as cidades eram cercadas por muralhas com grandes portais de entrada. Ter as chaves significava ter o poder de decidir quem pode entrar ou sair. As chaves para abrir e fechar, para ligar e desligar, simbolizaram o poder e a autoridade que Jesus conferiu a Pedro de permitir ou impedir a alguém a entrada na comunidade cristã, inclusive no Reino dos céus. Um poder para ser exercido não isoladamente, mas em colegialidade com os outros Apóstolos (Mt 18.18), sendo ele, contudo, a cabeça do Colégio Apostólico.
Na festa de São Pedro, a festa do Santo Padre o Papa Numa sequência ininterrupta de Pedro a Bento XVI são
267 os Papas da Igreja. Depois de Pentecostes, Pedro assumiu de fato a direção dos Apóstolos e da Comunidade dos fiéis, presidindo a Igreja, como nos contam os Livros do Novo Testamento. O ministério de Pedro é hoje exercido na
Igreja pelo atual Papa, Bento XVI. Ele vem realizando esta importante tarefa de guiar, proteger e congregar a comunidade
cristã católica no mundo inteiro. Sendo como Pedro o “Vigário” de Cristo na terra, Bento XVI desempenha um serviço legítimo e necessário em prol da estabilidade, comunhão e unidade da Igreja.
Por isso, caro leitor ou leitora, nesta festa de São Pedro e do Papa, elevemos orações especiais a Deus nas intenções
do nosso Papa, Bento XVI.
Sem esquecer o companheiro de festa, o Apóstolo Paulo, tenhamos presente que Pedro e Paulo representam duas
dimensões essenciais e complementares na Igreja: a Instituição e o Carisma. Pedro é o rochedo, o fundamento institucional
da Igreja, e Paulo é o missionário carismático que leva o Evangelho aos gentios e incultura o Evangelho.
Que os Santos Apóstolos Pedro e Paulo, que são como que duas pilastras da Igreja, nos ajudem a seguir Jesus Cristo
em comunhão com o sucessor de Pedro, o Santo Padre o Papa, Bento XVI.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
"Ternura de Jesus" Artigo publicado na edição de de 04 de julho de 2010 do Jornal Bom Dia
No Evangelho de Marcos 6,7-13, assistimos a Jesus enviando os doze Apóstolos à missão, dois a dois, para anunciarem a Boa Nova da chegada do Reino de Deus.
Na volta da missão, Jesus faz a revisão conjunta com eles, depois de ouvi-los contar as proezas dessa sua primeira experiência missionária: “contaram tudo o que haviam feito e ensinado”.
Parece que estavam entusiasmados com o resultado da missão. O Evangelho, que nos conta tudo isso, é a continuação do capítulo sexto de Marcos, vv.30-34.
Havendo no lugar muita gente, entrando e saindo, inclusive não dando tempo nem para comer, conforme vai narrando Marcos, Jesus convida os Apóstolos para juntos se retirarem a um lugar deserto, a fim de poderem descansar um pouco.
Tomaram um barco e, deixando para traz o povo, dirigiram-se para o outro lado do mar da Galiléia na busca do tal lugar deserto. No entanto, para surpresa geral, lá estava à espera deles uma numerosa multidão. Eram muitas pessoas que correram a pé e muita gente que foi se juntando pelo caminho, e chegaram antes.
Mas a surpresa não foi de desapontamento, como poderia parecer à primeira vista, porque o passeio estava comprometido. Talvez alguma coisa desse sentimento passasse na cabeça de um e outro dos Apóstolos. Mas não o sabemos.
A surpresa maior, no entanto, fica por conta da atitude de Jesus, pois Ele encheu-se de compaixão por toda aquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor. E esquecendo-se de tudo o mais, Jesus “começou a ensinar-lhes muitas coisas” (v.34).
E logo depois fez a primeira multiplicação dos pães para dar de comer a toda aquela gente (vv.35-44).
Todo cristão é chamado a ser ternura de Deus em meio ao mundo dos sem pão e sem pastor.
Dom Caetano Ferrari -Bispo Diocesano de Bauru


"Festas Juninas"
Artigo publicado na edição de de 27 de junho de 2010 do Jornal da Cidade
 
No mês das festas juninas, a Igreja festeja, desde quando o Brasil era uma Colônia de Portugal, três grandes Santos, muito queridos do povo brasileiro: Santo Antônio (dia 13), São
João Batista (dia 24) e São Pedro (dia 29). A festa litúrgica de São Pedro, porém, no atual calendário, ela passa para o domingo que segue o dia 29, ou seja, nesse ano ela será celebrada no próximo dia 4 de julho, e juntamente com São Paulo. A tradição da festa de Pedro e Paulo é antiquíssima, vem da época das Catacumbas romanas, quando os mártires cristãos eram enterrados em cemitérios subterrâneos, fora da cidade e em lugares escondidos. Pois, como sabemos, ambos foram martirizados por causa da fé, ao tempo do Imperador Nero. Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, a seu pedido, porque desejava respeitar o divino Mestre. E Paulo, por ser cidadão romano, optou pelo privilégio de morrer decapitado. São Paulo é também celebrado no dia 25 de janeiro. Talvez por isso, na consciência do povo, o dia 29 de junho é tido simplesmente como festa de São Pedro. A Liturgia também favorece São Pedro, pois os textos litúrgicos falam mais dele, acentuando que ele foi escolhido por Jesus como o fundamento, a pedra ou a rocha sobre a qual Ele fundaria a sua Igreja (Mt 16, 18). Eis porque esse dia é o Dia do Papa, festa do primeiro e do atual Papa, Bento XVI. Sobre São Pedro e o Santo Padre o Papa falaremos no próximo domingo, dia 4.
Peço sua licença para voltar ao passado e recordar meus tempos de menino vividos lá no sítio Santa Maria, bairro do Dourado, na minha querida Pirajuí, há mais ou menos uns 60 anos. Pois nasci na roça e nela vivi meus dez primeiros anos de idade. Tinha lá festa com fogueira, rojões, bandeirinhas, quadrilhas e cantos populares enaltecendo os santos ‘juninos’.
Também batata doce, amendoim, pipoca e quentão. E havia os que passavam a pé, descalços e sem se queimar, por sobre o braseiro quando a lenha já se tinha queimado. E os adultos nos diziam e nós acreditávamos que era milagre do santo.
Lembro-me que a grandeza da festa vinha de seu caráter religioso; sua beleza, da criatividade popular; seu encanto, da contemplação do céu estrelado, do cheiro da natureza e da sensação térmica advinda do contraste do fogo com a noite friorenta; seu sentido, da reunião com os vizinhos ao redor da fogueira, a confraternização, a alegria e o encontro humano que passava pelo encontro com a criação e levava ao encontro com Deus. Todas estas experiências enchiam nossos olhos de crianças com beleza e poesia, nossos estômagos com gulodices, nossos corações com emoções, nossos sonhos com esperança. Impossível esquecer.
Nossas Paróquias Antonianas, Joaninas e Petrinas mantêm vivas estas festas em nossos dias, conservando-as vivas como cultura popular e, principalmente, como expressões de fé e religiosidade popular. Elas são celebradas solenemente como festas religiosas e litúrgicas por meio de novenas, tríduos, procissões e missas; e como expressões da fé popular e devocional, por meio de quermesses, quadrilhas, danças e cantos chamados caipiras, não pejorativamente mas como genuína cultura e religiosidade popular.
Que Santo Antônio, São João e São Pedro intercedam por nós vindo em socorro de nossas necessidades e ensinando-nos a ser verdadeiramente pessoas apaixonadas por Nosso Senhor Jesus Cristo assim como eles o foram enquanto viveram entre nós. Amém!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Santo Antonio, o Santo do mundo inteiro"
Artigo publicado na edição de de 13 de junho de 2010 do Jornal da Cidade
 
Neste tempo das festas juninas, hoje, celebramos o glorioso Santo Antônio, o Santo do mundo inteiro e o mais popular no coração do povo brasileiro. Santo Antônio foi famoso missionário no tempo de São Francisco, grande orador sacro e insigne mestre de Teologia. A pregação da alavra de Deus acompanhada com obras de caridade marcou a vida missionária desse Santo milagroso, tendo sido, mesmo em vida, um grande taumaturgo (pessoa que faz milagres). Sua pregação era arrebatadora, rica de citações da Bíblia, que ele conhecia toda de cor, e transmitida com a eloquência natural de quem, um dia e por acaso, revelou possuir o dom da oratória em grau elevado. Por onde ele passava, como missionário itinerante, reunia multidões ao ar livre, pois não havia Igrejas que comportassem tanta gente, para falar sobre o amor de Deus, como centro da vida de fé e origem do verdadeiro ser de todo cristão: somos filhos de Deus e irmãos uns dos outros. Convidava os infiéis à conversão, corrigia os vícios, combatia os erros e defendia com vigor a fé contra as heresias que grassavam na época. Por seu grande amor a Jesus Cristo e à Igreja conclamava todas as pessoas à unidade e comunhão na verdadeira fé. Por trás de todo esse seu ser e agir subsistia uma vida de intensa oração e penitência com frequentes jejuns a base de pão e água. Seu intenso apostolado não era vazio, mas provinha de sólida vida de santidade, comunhão perfeita com os ideais de São Francisco e fidelidade absoluta à Igreja. Eis porque sua pregação fora acompanhada de carismas e milagres extraordinários que rapidamente corriam de boca a boca entre o povo. Somente para recordar, lembremos a pregação aos peixes que se reuniram na beira da praia para escutá-lo, a prova da mula que se ajoelhou diante da Eucaristia, o silêncio imposto às rãs do charco que atrapalhavam as orações dos Frades e o milagre dos pães que nunca faltavam na mesa dos Frades apesar de sempre distribuí-los aos pobres que batiam à porta do Convento.
Tendo vivido intensamente, Santo Antônio não viveu muito, morreu com 36 anos, no dia 13 de junho de 1231, na cidade de Pádua, Itália, onde se encontra sepultado até nossos dias. A fama de santidade era tão grande que em menos de um ano de seu falecimento foi canonizado pelo Papa Gregório IX na festa de Pentecostes, a 30 de maio de 1232. Desde então, contam-se aos milhares os milagres e as graças alcançadas por sua intercessão. Santo Antônio, na ladainha em sua honra, é invocado com títulos que recebera ainda durante a vida e que retratam bem os fortes traços de sua personalidade, santidade e genialidade, tais como: Propugnador da fé, Arca do Testamento, Trombeta do Evangelho, Doutor Evangélico, Mártir pelo desejo, Restaurador da Paz, Martelo dos Hereges, Santo Milagroso, Glorioso Taumaturgo...
Nos Sermões de Santo Antônio, que se encontram publicados e disponíveis até hoje, podemos conhecer muito de seus ensinamentos e admoestações. Direciona nossa fé e oração para o mistério da Santíssima Trindade: “Louvor ao Pai invisível! Louvor ao Espírito Santo! Louvor ao Filho Jesus Cristo, Senhor do céu e da terra, Alfa e Ômega. A Eles glória, honra e reverência. Louvor e bênção ao princípio sem fim. Amém!”. Mas diz que a fé sem obras é morta: “A caridade é a alma da fé. Se perdida, a fé morre”. Aconselha as pessoas a não desanimarem nas provações: “A paciência é a melhor maneira de vencer as dificuldades da vida”. Indica o caminho para quem deseja chegar à contemplação de Deus: “Há uma escada que leva ao monte Tabor; ela tem seis degraus: humildade e pobreza, sabedoria e misericórdia, paciência e obediência”. Uma seleção desses ensinamentos de Santo Antônio foi feita por Frei Clarêncio Neotti, OFM, e publicada pela Editora Vozes, com o título de “Ensinamentos e Admoestações – Santo Antônio de Pádua”.
Como bom filho de São Francisco, Santo Antônio é devoto de Nossa Senhora e nos ensina a invocá-la: “Maria é nome amável aos anjos, terrível aos demônios, salutar aos pecadores, suave aos justos”. “O nome de Maria é júbilo no coração, mel na boca, melodia no ouvido”. “Maria não afugenta nenhum pecador, antes, recebe a todos os que se refugiam nela e, por isso, é chamada Mãe de Misericórdia: é misericordiosa para com os miseráveis, é esperança para os desesperados”.
Santo Antônio de Lisboa e de Pádua, rogai por nós. Amém!
Dom Caetano Ferrari – Bispo Diocesano de Bauru

"Santo Antonio"
Artigo publicado na edição de de 13 de junho de 2010 do Jornal Bom Dia
 
De Lisboa, onde nasceu e cresceu, ou de Pádua, onde morreu e está sepultado, Santo Antônio, celebrado dia 13 de junho, é o santo mais popular do Brasil, o casamenteiro, achador das coisas perdidas e grande taumaturgo. “Se milagres tu procuras, pede-os logo a Santo Antônio. Fogem dele as desventuras, o erro, os males e o demônio”.
Morreu aos 36 anos, em 1231, sendo canonizado “Santo” um ano depois. Em vida realizou proezas, que corriam de boca a boca entre o povo. Por sua pregação inflamada fora chamado Trombeta do Evangelho, Martelo dos Hereges e Arca do Testamento; pelos milagres extraordinários, Santo Milagroso, Restaurador da Paz e Convertedor de Pecadores.
Pregou aos peixes; pôs uma mula de joelhos diante da Eucaristia; fez calar as rãs que atrapalhavam a oração no convento; multiplicou pães para dar aos pobres sem que faltasse na mesa dos frades. 
No culto aos santos há três aspectos: o de ação de graças a Deus, admirável nos seus santos; o de imitação como exemplo de vida a serem seguidos e o de intercessão junto a Deus, aos quais o povo sofrido busca ajuda nas suas necessidades.
Na vida dos santos a Igreja celebra o mistério de Cristo, pois, neles, realizou-se a Páscoa. E ela rende louvores a Deus pelas maravilhas que a graça operou em seus santos, que lá no céu intercedem por nós.
Na sua imagem, nas Igrejas, os lírios simbolizam a divindade do Menino Jesus que Santo Antônio traz no colo e a quem neste mundo muito amou.
Glorioso Santo Antônio, insigne pregador e intercessor, rogai por nós, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém!
Dom Caetano Ferrari é bispo diocesano de Bauru

"O Amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5,5)"
Artigo publicado na edição de de 06 de junho de 2010 do Jornal da Cidade
 
Desejo falar deste amor de Deus que é dom do Espírito Santo, que dá liga de longa duração a todas as coisas, aproxima o que é diferente, realiza a união da diversidade, dá ordem ao caos,
fomenta a paz, opera o bem, constrói a fraternidade, gera e promove a vida. E não daquele que leva o nome de amor romântico, que é uma doença fatal, nem é amor, mas paixão.
Deste, Deus nos livre. É o que li inclusive na Folha de São Paulo, de 31 de maio de 2010, em Luiz Felipe Pondé: “O amor no sentido de ‘liga’ é cristão: doação, esforço cotidiano, construção de vínculos. O amor romântico é da ordem da tragédia (pathos)” (Ilustrada, pg E8).
Para dizer o mais e o melhor do amor verdadeiro é que dizemos: o amor vem de Deus, ou o amor é Deus, ou Deus é amor. Dessa reflexão tirada da Bíblia, a Teologia elaborou um ensinamento que ajuda a compreender o mistério de Deus Trindade, Uno e Trino ao mesmo tempo: O Pai é quem ama, o Filho é aquele que é amado, e o Espírito Santo é o amor com que se amam.
Amor é, pois, o ser de Deus; Ele é amor em si e para fora de si. Por amor Deus criou todas as coisas, estabeleceu a harmonia cósmica, fez o homem à sua imagem e semelhança, ordenou a  humanidade a ser um só povo, o seu povo, o povo de Deus.
Depois, chegada a plenitude do tempo, foi por amor que o Pai nos enviou o seu próprio Filho. O Filho, quando nada mais restava a ser feito, por amor deu a vida por nós e, constituído Senhor do Céu e da Terra, derramou o Espírito Consolador a fim de renovar a face da terra. E o Espírito Santo, que é Deus Amor, derramou o amor de Deus em nossos corações, e congregou a Igreja em comunidade de amor, “Sacramento da comunhão da Santíssima Trindade e dos homens”.
Não há, pois, amor maior do que este amor de Deus. E o Espírito Santo que é amor na Trindade é também amor no mundo, na Igreja, em cada um de nós.
Assim sendo, o Espírito Santo, que põe fogo nos corações e torna-os sedentos, faz com que os seres humanos procurem-se uns pelos outros e todos por Deus. É força que atrai as pessoas à comunhão entre si; é força que as faz subir à comunhão em Deus.
Mas o Espírito Santo é também o fogo de Deus que queima na Trindade e une entre si o Pai e o Filho, o qual Cristo trouxe à Terra e desceu em forma de línguas sobre os Apóstolos. Esse mesmo Espírito faz com que Deus saia para fora de si em busca da criatura. Ele é, portanto, força de comunhão das Três Pessoas Divinas em um só Deus; é força que faz Deus descer à procura de comunhão de vida com os humanos.
Li em “Grande Sinal”, nº de Maio-Junho/98, texto do Pe. Nicola Masi, SJ: “A sede do homem é subir, a sede de Deus é descer.
O homem precisa de Deus, mas Deus também precisa dos homens (Bernanos)” (pg. 261).
Vem-me à lembrança o grito de nosso Pai São Francisco – O amor não é amado!- para suplicar a Deus, primeiro, para mim e, depois, para você, caro leitor e leitora: Vinde Espírito Santo, enchei os corações de vossos fiéis e acendei neles o fogo de vosso amor!
Que o Espírito Santo, princípio motor e inspirador de tudo, nos faça assumir, com generosidade e na força de seu amor, todas as atividades, programas e projetos que compõem o plano de vida e missão de nossa Paróquia e da Diocese de Bauru, que tem como padroeiro o Divino Espírito Santo. Amém!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
 
"Fica conosco, Senhor!" Artigo publicado na edição de de 06 de junho de 2010 do Jornal Bom Dia
 
Disseram os discípulos de Emaús ao desconhecido que se pôs no caminho com eles e que, enquanto lhes explicava as Escrituras, deixava-lhes o coração arder: “Fica conosco, pois cai a tarde e o dia já declina” (Lc 24,29). E Ele ficou, sentou-se à mesa com eles, e partiu o pão. Então, os olhos se abriram e descobriram que era o Senhor ressuscitado.
O papa Bento 16, em Aparecida, fez sua esta súplica pelos bons frutos da V Conferência: “Ficai conosco, Senhor,... Estamos cansados do caminho, mas vós nos confortais na fração do pão... Ficai em nossas famílias..., quando ao redor delas se acumulam sombras que ameaçam sua unidade e sua natureza... Ficai com os pobres..., com nossas crianças e com nossos jovens..., com nossos anciãos e com nossos doentes. Fortalecei todos em sua fé, para que sejam vossos discípulos e missionários!”
Recentemente, em Brasília, o 16º Congresso Eucarístico Nacional nos fez rezar assim: “Fica conosco, Senhor... Abre nossos olhos para te reconhecermos no ‘partir o pão’, sublime Sacramento da Eucaristia!
Alimenta-nos com o pão da unidade. Sustenta-nos em nossa fragilidade. Consola-nos em nossos sofrimentos, faze-nos solidários com os pobres, os oprimidos e excluídos... Com a humilde serva do Senhor, nossa Senhora Aparecida, queremos ser promotores da vida em plenitude!”
“Fica conosco” é a oração que acompanhou nossos passos de fé cristã até agora em 2010: Páscoa, Pentecostes, Congresso Eucarístico Nacional e Corpus Christi. Permaneçamos fiéis nesta mesma prece até o final do ano, suplicando devotamente: “Fica conosco, Senhor!”
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru


 

"Pentecostes" Artigo publicado na edição de de 23 de maio de 2010 do Jornal Bom Dia
 
Depois da Ascensão, Jesus continua presente entre nós. A exaltação de Jesus, elevado ao céu, não significa que Ele se ausentou de nós. São Mateus termina seu Evangelho com as seguintes palavras de Jesus: “Eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20). Ora, isso significa que Ele continua presente entre nós.
A Ascensão deve ser entendida não como uma despedida, mas como um jeito de Jesus ir e, ao mesmo tempo, permanecer. Pois Jesus não chegou ao fim da história, nem pode chegar. O que se encerrou, sim, foi sua presença visível neste mundo. Mas o Jesus Ressuscitado, o Jesus da fé, continua sempre vivo e atuante na Igreja e nas comunidades de fé.
A partir da Ascensão, a presença de Jesus se dá através da ação das comunidades que creem nele, da obra evangelizadora da Igreja, dos gestos e atitudes dos Apóstolos e discípulos de hoje.
Nascida do lado aberto do Cristo na Cruz, a Igreja foi instituída e manifestada à multidão no dia de Pentecostes, nos diz o Concílio Vaticano II. “O Espírito Santo é a alma vivificante da Igreja” (Ad Gentes, 4); a enriquece com seus dons, a renova e santifica, sustenta-a na fé e a impele à missão, reúne os fiéis sob sua sombra e neles desperta a responsabilidade pela construção da paz e do bem para todos.
A Diocese de Bauru tem como padroeiro o Divino Espírito Santo. Celebrando neste domingo esta festa,  suplicamos seus dons. Sendo Pater Pauperum (Pai dos pobres), sare-nos os corações e, Consolator Optime (extraordinariamente Consolador), seja-nos “hóspede da alma, doce alívio nos sofrimentos, no labor descanso, na aflição remanso, no calor aragem”.
Dom Caetano Ferrari é bispo diocesano de Bauru

"Congresso Eucarístico Nacional"
Artigo publicado na edição de de 02 de maio de 2010 do Jornal da Cidade
 
O XVI Congresso Eucarístico Nacional - CEN, que realizarse- á entre os dias 13 a 16 de maio de 2010, em Brasília, será o ponto alto da celebração de ação de graças dos jubileus de ouro tanto da cidade quanto da Arquidiocese de Brasília, ambas nascidas no dia 21 de abril de 1960.
Inspirado na Palavra de Deus e nos ensinamentos da Igreja, o Congresso tem por tema: Eucaristia, Pão da Unidade dos Discípulos Missionários, e por lema: “Fica conosco, Senhor!” (Lc 24,29). Os discípulos de Emaús, depois da paixão de Jesus, voltavam de Jerusalém para Emaús desanimados, segundo se depreende das palavras com as quais Cléofas, um deles, dirigiu ao estranho que se aproximou enquanto caminhavam: “Tu és o único forasteiro em Jerusalém que ignora os fatos que aconteceram nestes dias em Jerusalém?... O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que foi profeta poderoso em obras e palavras... e como foi condenado à morte e o crucificaram... Ele, então, lhes disse: ‘Insensatos e lentos de coração para crer tudo o que os profetas anunciaram! Não era preciso que o Cristo sofresse tudo isso e entrasse em sua glória?’... Aproximando-se do povoado já tarde do dia, eles insistiram com o desconhecido, dizendo: ‘Permaneça conosco, pois o dia já declina!’... E, uma vez à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, depois partiu-o e deu-o a eles. Então seus olhos se abriram e o reconheceram... E disseram um ao outro: ‘Não ardia o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?’” (Lc 24, 13-32).
Pois bem, o Congresso Eucarístico Nacional quer ser momento privilegiado de encontro com Jesus que se apresenta incógnito sob as aparências do pão e do vinho não só aos brasilienses, mas a todos os brasileiros. Lá na Capital Federal do Brasil, Jesus Eucarístico levantado no alto da Cruz transformada em Ostensório nos convida: “Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas, pois meu jugo é suave e meu fardo é leve” (Mt 11, 28-30). Os encontros importantes na vida, individuais ou familiares ou sociais, devem ser bem preparados e com a devida antecedência.
Desde crianças aprendemos na escola com a leitura do “Pequeno Príncipe” sobre o encontro entre amigos: se você prometeu vir amanhã, desde hoje estou à sua espera; se você vai chegar às 4 horas, desde cedo anseio por sua chegada. Pois, tão bom quanto o momento do encontro, uma celebração festiva da presença, é o tempo da espera, pleno de sonhos, anseios e desejos.
Para você se preparar bem para o XVI Congresso Eucarístico Nacional, participando de perto ou de longe e ansiando por encontrar-se com Jesus Eucarístico, entre na comunhão de orações, fazendo sua essa oração recolhida da do Papa Bento XVI, que a fez na inauguração da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina, em Aparecida, no ano de 2007:
“Fica conosco, Senhor!
Porque nem sempre sabemos reconhecê-lo; porque as sombras se tornam densas e a desesperança se insinua nos corações; e muitos discípulos estão cansados: Fica conosco, Senhor!
Quando a nossa fé católica se abala e nos afastamos da verdade; quando nossas famílias são assaltadas pela divisão, o sofrimento e a morte; e a vida humana é ameaçada em seus momentos mais delicados: Fica conosco, Senhor!
Fica, Senhor, com os irmãos e irmãs brasileiros mais vulneráveis; os pobres, os indígenas, os afro-descendentes; fica conosco, Senhor, com nossas crianças e jovens, anciãos e doentes! Queremos permanecer contigo, como teus discípulos missionários”
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Sementes de Esperança"
Artigo publicado na edição de de 25 de abril de 2010 do Jornal da Cidade
 
No último dia 20, a irmã morte, como a chamava São Francisco de Assis, nos levou nosso querido Padre Carlos Antônio Pessoa. Foi surpresa, sem que esperássemos, e é uma grande perda para nós. A Diocese de Bauru perdeu um de seus melhores padres, e exatamente quando ele ainda se encontrava na etapa da vida mais produtiva, aos 46 anos de idade e 20 de Padre, em que mais conta, especialmente para os padres, a maturidade
humana, espiritual e pastoral. Pe. Carlos encontrava-se, de fato, neste ponto alto da sua vida sacerdotal. A morte, porém, foi a vontade de Deus.
Entre as tantas coisas boas que Pe. Carlos fez e deixou para nós estão alguns livros de espiritualidade: Chamas de Oração, Tempo de Rezar, O Dom da Amizade, Quando o Coração fala... Não que ele escrevesse primeiro para publicar, ao contrário, primeiro suas mensagens eram proferidas nas homilias e meditações com as quais animava e inspirava as celebrações litúrgicas.
Por exemplo, Sementes de Esperança, outro de seus livros que agora tenho em mãos, é uma coletânea de reflexões proferidas por ele nas Horas Santas e Missas celebradas no tempo em que esteve na Paróquia São Benedito. Publicou-as, diz ele na introdução, para atender aos pedidos das pessoas que gostavam de suas prédicas cheias de sabedoria e piedade e vinham pedir os textos por escrito.
Pois bem, nas “Sementes de Esperança” encontrei esse seu pensamento a respeito da oração, necessária também para bem se poder cumprir a vontade de Deus: “É preciso estar sempre em oração, para que nos momentos difíceis você possa dizer: ‘Senhor, eu não te entendo, mas eu confio em ti’. E esse confiar em Deus não pode ser apenas palavras, mas muito mais uma tomada de consciência, atitude e coragem. E como Jó,
poder pronunciar: ‘O Senhor deu, o Senhor tirou. Bendito seja o nome do Senhor’ (Jó, 1,21b)”. Ainda que para nós seja difícil entender a morte precoce de Pe. Carlos, está ele nos dizendo, como sempre aconselhou, para confiarmos em Deus e em tudo bendizermos o seu santo nome, mesmo quando é difícil entender.
Pe. Carlos nasceu no interior do Rio Grande do Nortee ordenou-se na Itália, assumindo como lema de ideal sacerdotal “Amar e Servir”. Voltando ao Brasil, ele optou livremente por ser missionário na Diocese de Bauru para aqui entre nós “amar e servir” a Deus e a seu santo povo. 
Foi por 10 anos Pároco da São Benedito, em Bauru, e há 6 anos estava à frente da Paróquia Santa Luzia, em Duartina, e da Paróquia São Pedro Apóstolo, em Lucianópolis.
Como “ninguém vive nem morre para si, mas para o Senhor; quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor” (Rm 14,7-8), Pe. Carlos morreu como o justo que viveu da fé, fazendo o bem, a todos servindo como irmãos e enchendo a terra com sementes de esperança e amor, para ao fim entregar-se ao Senhor na morte tanto quanto a Ele se entregou na vida. E como é morrendo que se vive para a vida eterna, que o Senhor o tenha na sua glória eterna e que ele, de lá, interceda sempre por nós. Amém!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Amar e Servir"
Artigo publicado na edição de de 25 de abril de 2010 do Jornal Bom Dia
 
A irmã morte corporal, como nos ensinou a chamá-la São Francisco, nos levou, no último dia 20, o estimado padre Carlos Antônio Pessôa, ainda em plena idade produtiva, antes de completar 47 anos de vida, 20 de sacerdócio e 17 de pertença à Diocese de Bauru e de ministério exercido nas Paróquias São Benedito de Bauru, Santa Luzia, de Duartina, e São Pedro, de Lucianópolis.
Jesus, que dera a Marta e Maria as razões de fé e, portanto, de consolo (Eu sou a ressurreição e a vida), no entanto, Ele próprio chorou a morte do amigo Lázaro (cf Jo 11, 1-44).
Mesmo crendo que o padre Carlos agora participa da Páscoa definitiva com Cristo na casa do Pai, choramos e vimos o povo chorar também a sua partida. Perdemos um grande padre, um amigo sincero, um homem de oração, um diretor espiritual de almas e um zeloso pastor.  
Como o nascimento, a morte faz parte da vida; se a morte explica como foi a vida, é a vida, porém, que dá sentido à morte. A morte do padre Carlos deu-se como a do justo, que viveu da fé e passou por esse mundo fazendo o bem.
Como sacerdote seu lema foi “amar e servir”. Foi o que fez enquanto viveu. Por isso, sua vida não foi em vão, nem sua morte é um morrer sem sentido.
Com o coração apertado, mas agradecido, queremos, mais uma vez, render graças a Deus pela vida, vocação e missão do padre Carlos entre nós.
Um nordestino do Rio Grande do Norte que, deixando pais e irmãos, abraçou como verdadeiro missionário a Diocese de Bauru, para nela viver, amar e servir a Deus e ao seu povo. 
Que o Senhor o tenha em sua glória e de lá interceda sempre por nós. Amém!
Dom Caetano Ferrari é Bispo Diocesano de Bauru

"Fé e coerência de vida"
Artigo publicado na edição de de 18 de abril de 2010 do Jornal da Cidade
 
Apóstolo Tiago assim pergunta: “De que aproveitará, meus irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras?
Poderá a fé salva-lo?... Mas alguém dirá: Tu tens fé e eu tenho obras. Mostra-me tua fé sem as obras que eu por minhas obras te mostrarei a fé... Pois assim como o corpo, sem o espírito, está morto, assim também a fé, sem as obras” (Tiago, 2, 14-26).
A fé é uma virtude, e viver de acordo com esta fé é ser virtuoso. Mas a relação entre fé e vida não é tão simples assim. O que é ser virtuoso? O que é virtude? Parece que as virtudes estão em baixa, mas desde bastante tempo. Max Scheler, sociólogo que escreveu, lá no princípio do século XX, a “Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, disse que as virtudes seriam como “velhas solteironas, rabugentas e desdentadas”. No entanto, as virtudes têm a ver com a vida cristã, com a saúde da vida moral, com o vigor de uma vida em comunhão com Deus e com os irmãos, enfim, com a plena realização do ser humano.
A fé, a esperança e a caridade, que são chamadas virtudes teologais, perpassam por todas as demais virtudes e estão na base do ser virtuoso e constituem-se na força ou no vigor (virtus) para a pessoa buscar a Deus, servir os irmãos e dar sentido à sua própria vida.
O teólogo franciscano, Frei Antônio Moser, OFM, escreve que o “ser humano não se reveste de uma virtude, como de um enfeite que se põe e tira. Somos ou não somos virtuosos. É uma questão de ser, ou seja, é da essência da pessoa. Fulano é honesto ou não é, é confiável ou não é, é sábio ou não é...”.
Somente uma vida empenhada em fazer o bem é que vale a pena de ser vivida. Fazer o bem é esforçar-se para pôr em prática, além das virtudes teologais, aquela rede de virtudes humanas a serem aprimoradas ou adquiridas pelo empenho pessoal que nos induzem a levar uma vida moral de retidão, segundo a razão e a fé, em relação às pessoas e a todas as coisas.
Nós dizemos que a virtude é, em suma, a força de Deus atuando na história. Tudo na Sagrada Escritura é uma fluente demonstração da força de Deus agindo na fraqueza humana.
Jesus é a plena comunicação da força de Deus, pois nEle se concentra toda a virtude do Pai. Eis porque somente aqueles que aceitam Jesus, nele crêem, confiam e tocam participam dessa força: “Dele saía uma força que a todos curava” (Lc 6, 19).
Então, como ser, hoje, uma pessoa virtuosa que vive da fé, na esperança e pela prática da caridade? Como testemunhar coerência, transparência e autenticidade de vida cristã?
Esta é uma questão séria, um grande desafio. Não é fácil dizer, muito menos viver. Precisamos nos perguntar se possuímos virtude, como um enfeite, ou se é a virtude que nos possui e, então, não temos uma, duas ou mais virtudes, mas tão somente somos virtuosos. O melhor é examinarmos como é que estamos vivendo, em que situação nos encontramos em relação a alguns pontos de referência, que são essências:
· Fé e vida são inseparáveis. Não se pode crer de um jeito e viver de outro.
· A fé repercute em toda a vida e ilumina gestos, palavras e ações, a vida pessoal, profissional, familiar, o mundo da ciência, política, economia, enfim, tudo, vida e morte.
· A fé é adesão pessoal e comunitária, ou seja, acontece no seio de uma comunidade.
· A fé leva a assumir compromissos com a transformação das estruturas iníquas e injustas da realidade social, e com a construção do Reino de Deus, uma sociedade fundada nos valores do Evangelho.
· A fé, como todas as virtudes, cresce e se desenvolve na pessoa pela oração constante, pela participação nos Sacramentos e celebrações da comunidade, pelo comprometimento solidário com os pobres e excluídos.
· A fé é um dom e uma busca. Inscreve-se num processo de conversão de vida, como uma caminhada que compreende uma vida toda.
· “A fé sem obras é morta”(Tg 2, 17).
Dom Caetano Ferrari Bispo Diocesano de Bauru

"Nossa casa: De nossa querida Igreja, não se pode falar mal"
Artigo publicado na edição de de 18 de abril de 2010 do Jornal Bom Dia
 
Jesus, que passa e chama, aos que o seguem, Ele não os deixa só, mas os integra na comunidade dos seus discípulos, a Igreja. O Papa Bento XVI disse em Aparecida (2007): “A Igreja é nossa casa! Esta é nossa casa! Na Igreja Católica temos tudo o que é bom, tudo o que é motivo de segurança e consolo! Quem aceita a Cristo: Caminho, Verdade e Vida, em sua totalidade, tem garantida a paz e a felicidade, nesta e na outra vida!”.
Na Igreja vivemos unidos a Cristo, porque ela é a fiel depositária da Palavra de Deus, encarregada de levá-la até os confins do mundo e por ela educar seus filhos na fé; porque ela ministra os sacramentos que nos salvam, especialmente, louva ao Pai, pelo Filho e no Espírito Santo, quando reúne o seu povo na oração e na Eucaristia; porque ela cuida de seus fiéis congregados em comunidades de fé, despertando em todos os irmãos e irmãs o espírito de caridade fraterna e solidariedade com os pobres e excluídos.
Tantos são os títulos que a teologia e a fé dão à nossa querida Igreja: Sacramento de Salvação, Povo de Deus, Corpo de Cristo, Templo do Espírito Santo, Comunhão dos Santos, Casa do Pai, Nossa Casa, Nossa Mãe, Santa e pecadora...
Um dia, Dom Paulo Evaristo Arns disse: “de nossa querida Igreja, nossa mãe, não se pode falar mal”. E o Papa Paulo VI assegurou: “Não se ama a Cristo se não se ama a Igreja; e não se ama a Igreja se não a amamos como Cristo a amou”. 
Desculpe perguntar, mas são coisas que o tempo pascal permite: como você se posiciona em relação à sua Igreja?
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"A Páscoa é fonte de profunda alegria"
Artigo publicado na edição de de 11 de abril de 2010 do Jornal da Cidade
 
A mensagem da Páscoa é uma mensagem de grande alegria. Se o anúncio do nascimento de Jesus foi uma alegria para todo o mundo, mais ainda o é a mensagem da ressurreição de Cristo. Lemos no Evangelho que as mulheres ao verem o túmulo vazio afastaram-se cheias de alegria. O Cristo Ressuscitado é, de fato, o fundamento da verdadeira alegria, que afasta toda tristeza, medos e temores: “O anjo, dirigindo-se às mulheres, disse-lhes: Não tenhais medo. Sei que procurais Jesus, o crucificado. Não está aqui, ressuscitou como tinha dito...” (Mt 28, 5-6).
E no Evangelho de Lucas: “Por que estais procurando entre os mortos aquele que está vivo? Ele não está aqui. Ressuscitou!” (Lc 24,5-6). Em Pentecostes, Pedro discursou ao povo, dizendo que Jesus de Nazaré, que todos viram e conheceram, que foi aprovado por todos com prodígios e milagres, que foi entregue, condenado e crucificado por mãos dos ímpios, Deus o ressuscitou, e, desta verdade ele e os Apóstolos são testemunhas (cf. At 2, 22-32).
Demonstrar alegria, viver sempre alegremente, é revelar a qualidade da vida cristã, da fé e esperança que nos anima e sustenta.
1. A alegria mede a qualidade da vida cristã Assim como a dor é um sinal sensível de alguma coisa errada com a gente, a alegria é um sinal exterior de que tudo está bem. E tudo estará melhor, se essa alegria vier lá do fundo da alma, do íntimo de nosso ser, cuja fonte é Deus. Alguém disse que a alegria é o termômetro de nossa personalidade e saúde geral. A alegria cristã é, então, esse termômetro de nossa saúde espiritual e personalidade religiosa. A alegria ajuda o viver bem, e o viver retamente reforça a alegria, faz a vida mais alegre ainda. Então, a gente pode entender aquele ditado popular que diz: “Um santo triste é um triste santo”. São Francisco, que viveu em extrema pobreza e penitência para mais bem se assemelhar a Jesus, é conhecido como o Santo da perfeita alegria. Ele ensinava aos Frades: “Guardem-se os irmãos de se mostrarem em seu exterior como tristes e sombrios hipócritas. Antes, comportem-se como gente que se alegra no Senhor, satisfeitos e amáveis como convém a redimidos”.
2. Deus é a fonte da alegria Deus é a fonte de alegria, porque Deus é nosso Pai, dizendo de outro modo, porque nós somos filhos de Deus. Deus nos criou por amor e para amar. A alegria é fruto saboroso e bom de uma vida de amor. Eis o esquema: mais amor, mais vida com Deus, mais vida alegre e feliz. É por isso que Santo Agostinho afirmou que os santos são felizes, porque “trazem Deus em si; as suas almas são um céu de alegria porque Deus habita nelas”. E o poeta escreveu assim: “Só há uma tristeza: a de não sermos santos” (Leon Bloy). Deus é Pai, Deus é amor, Jesus tanto nos amou que deu sua vida por nós, morreu, mas ressuscitou. E o Espírito Santo derramou o amor de Deus em nossos corações e habita dentro de nós como o Amor do Pai e do Filho.
3. Ser alegre, saber sorrir, fazer outros alegres e felizes Esta deve ser a missão do cristão. Pois, o espírito pascal é absolutamente incompatível com um rosto triste, uma cara amarrada, uma cabeça inclinada, um espírito deprimido. A Páscoa impulsiona-nos a cantar cantos mais alegres, dançar danças mais faceiras, viver com mais alegria, sabor e cor. Um viver assim é irradiante, estimulador e gerador de alegria. Como é bom conviver como uma pessoa sempre alegre, contente, serena! Como é triste uma pessoa triste! Como é decepcionante um bobo alegre, uma pessoa que não distingue alegria serena de gargalhada artificial. O Apóstolo Tiago diz: “Alguém entre vós está triste? Então reze! Está alegre? Então cante!”. Não há melhor conselho do que este: cantar para aumentar a alegria e rezar para afugentar a tristeza e reencontrar a alegria perdida. É a melhor maneira de responder à crítica irônica de Nietzsche aos cristãos, que, como redimidos, dizia ele, precisariam cantar cantos mais alegres, se quisessem convencer e não passar por hipócritas.
Viver a Páscoa, testemunhar a ressurreição de Jesus, dar ao mundo as razões de nossa fé e esperança é empenhar-nos a sempre ser alegre, saber sorrir, fazer outros alegres e felizes também. Alegremo-nos, pois Cristo, nossa Páscoa, ressuscitou verdadeiramente, aleluia!
Dom Caetano Ferrari - Bispo diocesano de Bauru

"Cristo ressuscitou" Artigo publicado na edição de de 11 de abril de 2010 do Jornal Bom Dia
 
Essa é a fé que foi vivamente proclamada por Pedro e os Apóstolos: “O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus... Disso somos testemunhas” (At, 5, 30 e 32).
A fé na ressurreição de Jesus fundamentou, desde o início, a comunidade cristã de Jerusalém, uma comunidade caracterizada pela unidade e comunhão, onde os bens eram postos em comum, de modo a não existirem indigentes entre eles: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma”.
A comunidade primitiva de Igreja continua sendo o ideal de comunidade sempre sonhada e buscada, o paradigma utópico de Igreja e de comunidade humana. 
A espiritualidade que nasce dessa fé no Ressuscitado nos leva a uma intimidade profunda e comunial com Deus Trindade. Pois é Jesus quem nos leva ao Pai por meio do Espírito Santo. Santo Irineu ensinava que o Filho e o Espírito são as “mãos” do Pai, os mediadores únicos e necessários a nos levar ao Pai.
Ora, a espiritualidade pascal significa entrar na participação, num enraizamento de vida com a vida do próprio Cristo. Esse viver em Cristo ressuscitado é um dom do Espírito Santo.
Participar da vida do Cristo ressuscitado é, pois, um viver em Cristo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”, e um agir e operar segundo o Espírito de Cristo.
Por conseguinte, é sempre operar o bem, agir em favor da vida, evangelizar os pobres, proclamar a libertação, anunciar a graça e a salvação da parte do Senhor.  
Dessa espiritualidade, podemos, então, destacar três aspectos: comunhão, testemunho e serviço. Busquemos sempre mais comunhão de vida com Deus e os outros; sejamos testemunhas de fé, esperança e amor; vivamos para servir e fazer o bem.
Dom Caetano Ferrari -  Bispo Diocesano de Bauru


"Da Páscoa até Pentecostes: 50 dias de Aleluia"
Artigo publicado na edição de de 04 de abril de 2010 do Jornal da Cidade
 
A Páscoa é a festa da vida nova em Cristo ressuscitado. Por sua paixão, morte e ressurreição,
Cristo venceu o pecado e a morte, abrindo os estreitos horizontes da vida humana para a
eternidade e a plenitude de vida com Deus.
Participando do mistério de sua Páscoa, os cristãos já receberam a remissão dos pecados e pelo Batismo vivem uma vida nova em Deus. O Apóstolo Paulo esclarece bem essa doutrina: “Portanto pelo Batismo nós fomos sepultados com Ele na morte para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos vida nova” (Rm 6,4).
Participar na morte e ressurreição de Cristo é entrar na realidade desse mistério pascal, é viver na dinâmica de uma graça poderosa, dom gratuito de Deus dado a nós por seu Filho, Jesus Cristo, a graça de morte para o pecado e, portanto, de vida e liberdade espirituais, que nos conduz à vida eterna.
A Páscoa de Cristo, que é também a Páscoa dos cristãos, é essa festa cristã celebrada durante 50 dias. Esses 50 dias, que formam o Tempo Pascal no Ano Litúrgico da Igreja, são de pura festa pascal e de ação de graças. São 50 dias de Aleluia.
Mas Deus, rico em misericórdia, que com Ele nos ressuscitou, nos fez assentar nos céus, em Cristo Jesus, nos ensina São Paulo (cf. Ef 2, 4-6). Vale dizer que Jesus Cristo depois de nos ter associado à sua ressurreição, desde já nos faz participar do mistério de sua Ascensão. O Redentor, que em seu corpo ascendeu aos céus, nos garante sentar com Ele no reino dos
céus. Ao partir de volta para o Pai, Jesus prometeu o Espírito, porque não quis deixar-nos órfãos, e lá foi preparar-nos um lugar na casa do Pai. Contudo, para termos assento com Ele no reino dos céus é essencial crermos que Ele é a verdade, o caminho e a vida, permanecermos unidos com Ele e tomarmos parte nos seus mistérios no aqui e agora desse mundo.
A Ascensão do Senhor ao céu é celebrada no quadragésimo dia depois da ressurreição. No entanto, como no Brasil esse dia não é feriado, a solenidade passa para o sétimo domingo da Páscoa, que neste ano cai no dia 16 de maio. A Ascensão põe em evidência o triunfo e vitória de Cristo. Jesus que é glorificado desde a sua morte volta para junto do Pai. Por sua vez, a humanidade,representada por sua Cabeça, já se encontra assentada ao lado do Pai, participando da glória que o Pai concedeu a Jesus Cristo.
Aos 50 dias da Páscoa, a Igreja celebra a solenidade de Pentecostes. Tendo subido ao céu, Jesus envia seus dons, conforme prometera: “Descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará a força e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, até os confins da terra” (At 1,8).
Convém sempre lembrar que Jesus Cristo elevado aos céus encontra-se presente entre nós, especialmente na Igreja, em seus Sacramentos, na Palavra de Deus, na caridade e amor fraterno e solidário, e Ele mesmo nos acompanha nessa nossa vida, na força do seu Espírito, sustentando-nos na missão e concedendo-nos a graça de já viver alegres pela esperança na participação da sua glória para sempre.
Em louvor de Cristo Ressuscitado. Amém!
Feliz e abençoada Páscoa a todos!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Lava-pés, símbolo do Mandamento Novo"
Artigo publicado na edição de de 28 de março de 2010 do Jornal da Cidade
 
“Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros”. (Jo 13,13)
Com a Missa vespertina da Quinta-feira Santa tem início a celebração do Tríduo Pascal, o ponto alto do Ano Litúrgico, cujo topo é a Vigília Pascal, na qual resplandece, iluminando toda a vida cristã, a Ressurreição do Senhor.
Essa Missa vespertina é a Missa da Ceia do Senhor, que recorda aquela quinta-feira, à tardezinha, em que Jesus reuniu os Apóstolos para com eles comer a Ceia Pascal, como faziam as famílias hebréias, em memória da libertação da escravidão do Egito.
Foi durante essa Ceia Pascal que aconteceram coisas muito importantes para a nossa fé. Jesus deu a conhecer todo o mistério do seu amor, extravasando os seus mais profundos sentimentos de bondade e dom de si a todos nós.
Desse modo o Apóstolo João começa narrando aqueles momentos da Ceia Pascal: “Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). Que significa amar até o fim? Certamente até à morte na cruz, mas o fim de sua vida não foi a morte, porque Ele não
permaneceu por muito tempo na sepultura. A morte e ressurreição de Jesus são, de fato, dois momentos distintos, mas compreendem um só e mesmo mistério. Toda vez que Jesus falou aos discípulos a respeito de sua morte sempre completou dizendo: “depois de três dias, ressurgirei dosmortos” Lc 18, 33). Até o fim significa, então, até o mais profundo e o mais elevado de sua Pessoa Divina, que transcende o tempo, invade a eternidade e se perde no grande mistério de Deus, Trindade Santa, Deus Trino e Uno, Mistério de Amor. Até o fim quer dizer até o amor sem fim de Deus. O Pai tanto nos amou que nos enviou seu próprio Filho, a quem não poupou. O Filho livremente se entregou por nós, corpo dado e sangue derramado, para a nossa salvação. O Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho, é o amor feito Pessoa, o Paráclito que o “Pai enviará em meu nome, Ele vos ensinará tudo e vos trará à memória quanto vos disse” (Jo 14,26). Tudo o que aconteceu naquela quinta-feira santa, à tardezinha, foi já a celebração antecipada (realizada em Sacramento) da Páscoa do Senhor, sua morte e ressurreição.
Pois, foi naquele momento que o Senhor nos deu os dons mais preciosos do céu e da terra, um sublime mistério divino entregue a mãos humanas, a saber: a Eucaristia, o Sacerdócio, o Mandamento Novo e o Lava-pés. Dons dados para a edificação da sua Igreja, a Comunidade de amor, a ser alimentada pela Eucaristia e demais Sacramentos, animada e
servida pelos diversos ministérios, especialmente os ordenados, e chamada a viver na caridade, na prática do Mandamento Novo, no mesmo amor com que Ele nos amou, lavando os pés uns dos outros como Ele mesmo nos deu o exemplo: “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz” (Jo 13,15).
Jesus pôs água na bacia, tirou o manto e cingiu-se com uma toalha e lavou os pés dos discípulos, inclusive de Judas, o traidor, que, logo depois, deixaria a sala. Não foi pequena a surpresa dos Apóstolos em face ao gesto de Jesus, tanto que São Pedro não queria permitir-lhe que lavasse os seus pés.
Encerrada a cerimônia, Jesus mesmo levantou a pergunta: “Compreendeis o que acabo de fazer?” Dando a explicação, Ele deixou claro que devem reinar em sua Igreja a humildade e o serviço. E anunciou um novo mandamento: “Um novo preceito eu Vos dou: que vos ameis uns aos outros. Assim como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Todos hão de conhecer que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 34-35). O “Lava-pés” é um gesto de amor de Jesus, o símbolo do Novo Mandamento deixado por Ele. Jesus, ao lavar os pés dos Apóstolos naquela Ceia Pascal, quis unir a Eucaristia ao serviço dos Irmãos, pois a Eucaristia é a memória da vida de Jesus que se fez servidor.
Não é assim que devemos compreender estas outras palavras de Jesus: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mt 20, 28)?
Toda a vida de Jesus foi um descer e abaixar-se até os pés da humanidade para nos fazer subir e nos elevar até o Pai.
Bendito seja o Cristo Jesus que nos deu a Eucaristia, o Sacerdócio e o Mandamento Novo, com o lava-pés, para a edificação de sua santa Igreja. Amém!
Dom Caetano Ferrari - Bispo da Diocese de Bauru

"Plano Nacional de Direitos Humanos - PNDH3"
Artigo publicado na edição de de 21 de março de 2010 do Jornal da Cidade
 
Para quem não se lembra, este PNDH 3 (terceira edição) é aquele Programa que o nosso caríssimo Presidente Lula, pouco antes do Natal, decretou assinando o documento sem ler
e, assim, sem ler o encaminhou ao Congresso Nacional.
Justificou-se dizendo que deixara à Ministra Dilma Rousseff a tarefa do discernimento quanto ao seu conteúdo e mérito. As reações contrárias (lembra-se?) vieram rápidas, algumas duras,
mas bem embasadas, e da parte de diversos setores; e continuam a acontecer até hoje.
O governo logo teve de recuar para atender às reclamações das Forças Armadas. Tratava-se da criação daquela Comissão da Verdade para apurar as possíveis violações dos direitos humanos durante o regime militar. O Ministro ameaçou renunciar, e o governo voltou atrás. Mas é incrível como o governo resiste em rever absurdos quanto a outros pontos. Cito aqui algumas das graves ofensas aos verdadeiros direitos humanos que o referido Plano propõe:
·Censura à mídia, à imprensa, que passam a ser controladas ideologicamente segundo o interesse do governo de plantão.
·Atentado contra o direito constitucional à propriedade, justificando invasões em terras produtivas, causando baderna e insegurança no campo.
·Descriminalização do aborto.
·Legalização da união entre pessoas do mesmo sexo, reconhecendo-lhe status jurídico equivalente ao casamento, com direito à adoção de crianças.
·Profisssionalização da prostituição.
·Proibição de símbolos religiosos em lugares públicos, como os crucifixos em repartições públicas.
Bastam estes pontos para o objetivo desta reflexão, que é de chamar a atenção para a gravidade do Documento ao menos sob o ponto de vista dos valores cristãos e éticos. A CNBB, sob essa ótica, já se pronunciou firmemente contra o Documento.
Desejo repercutir aqui a posição da Igreja, manifestada pela Presidência da CNBB com a Declaração sobre o PNDH 3 por ela assinada aos 15 de janeiro de 2010. “A CNBB reafirma sua posição, muitas vezes manifestada, em defesa da vida e da família, e contrária à discriminação do aborto, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e o direito de adoção de crianças por casais homoafetivos. Rejeita, também, a criação de ‘mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União’, pois considera que tal medida intolerante pretende ignorar nossas raízes históricas”.
Segundo a doutrina cristã e católica, a pessoa humana é sagrada, desde o momento de sua concepção até o seu fim natural, porque criada à imagem e semelhança de Deus, redimida por Cristo e vocacionada à comunhão de vida plena e eterna com o seu Criador. Por isso, declara a Doutrina Social da Igreja: “A fonte última dos direitos humanos não se situa na mera vontade dos seres humanos, na realidade do Estado, nos poderes públicos, mas no próprio ser humano e em Deus seu Criador” (CDSI n.153).
O PNDH 3 deve sim ser rejeitado exatamente nos pontos em que ele, sob o pretexto de respeitar pseudo-direitos humanos, fere gravemente a democracia e a ética, e pretende impor no Brasil a ditadura de ideologias preconceituosas e ateias que destroem a família e o matrimônio, e atentam contra o direito à vida e à liberdade religiosa.
Roguemos ao bom Deus para que nos livre de todos estes males que o tal PNDH 3 nos ameaça.
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Como está sua oração?"
Artigo publicado na edição de de 14 de março de 2010 do Jornal da Cidade
 
Se você quer falar com Deus, ore.
Se você quer ouvir a Deus, Ele fala nos livros da Bíblia e da Vida. Leia-os!
“Senhor, ensine-nos a rezar”, já pediram os apóstolos a Jesus. Essa deve ser também a nossa atitude, hoje e sempre. E que essa seja a nossa primeira oração, a súplica para que o Senhor nos faça crescer na vida de oração, uma oração que possa ir além do balbuciar palavras e que seja, de fato, o motor da vida. Principalmente neste tempo quaresmal de preparação para a Páscoa, cujos exercícios penitenciais nos pedem conversão de vida com mais oração, jejum e esmola.
São Francisco de Assis, chamado como “homem todo feito oração”, deixou-nos como meta da vida cristã: “buscar o Espírito do Senhor e seu santo modo de operar”. Orar no Espírito para viver todo o dia no Espírito, buscando em tudo o Espírito e a sua maneira de operar o bem, de agir como Deus age, fazendo em tudo o bem.
Quem está possuído pelo Espírito de Deus nunca pratica o mal, ao contrário, só pode operar como Deus mesmo, isto é, na bondade, no amor, na misericórdia, no bem e sumo bem. Por isso, o Poverelo de Assis dizia para “não se extinguir o espírito de oração e devoção, ao qual todas as coisas devem se submeter”, inclusive o trabalhar, o comer, o dormir, o evangelizar, o servir. “Orai sem cessar”, diz também o Apóstolo Paulo. E o Profeta Isaias recomenda: “Buscai o Senhor, enquanto se deixa encontrar, invocai-O quando está bem perto”. Deus sempre se deixa encontrar e está mais perto de nós do que podemos imaginar, afirmam os místicos. Santo Agostinho escreveu: “Longe Te procurei, ó beleza sempre nova e sempre antiga, e, no entanto, estavas dentro de mim; por isso, tarde de amei! E Santa Teresa D’Ávila dizia que: “Deus vive na pessoa e está junto dela, por isso, orar é o mesmo que duas pessoas enamoradas se amando”.
Como está a sua vida de oração? Quanto tempo você dá, por dia, para a oração individual? E a sua oração com a comunidade, a oração litúrgica ao menos nos domingo e dias santos, e ainda a sua oração pública mesmo fora da Igreja? Nunca é demais recordar o sentido da oração na vida. O Profeta Isaías lamentou: “Deixei de comer pão (isto é, de rezar) e meu coração secou”. A nossa felicidade depende também da qualidade de nossa oração.
Uma oração de qualidade deve ser frequente e demorada, sincera e transparente, humilde e amorosa, grata e suplicante, mesmo que não saibamos rezar, que sejam de poucas palavras ou nenhuma, ainda que tenhamos muitos defeitos e nos sintamos pecadores.
Na visão bíblica ter coração puro não significa não ter pecados, mas sim, ser sincero, sem dissimulação, sem hipocrisia. Lembremo-nos do Evangelho, quando Jesus fala do publicano e do pecador que subiram ao templo para rezar. Como aquele se orgulhava de ser cumpridor de suas obrigações religiosas e morais, e este batia no peito suplicando: “Senhor tenha pena de mim que sou um pobre pecador”; e Jesus falou que este é que saiu do templo justificado. Assim se pode dizer que aquele que reza de coração puro e sincero é bem-aventurado, porque os puros de coração verão a Deus, como lemos nas Bem-aventuranças.
Um grande teólogo, Karl Rahner, deixou-nos esta máxima, muitas vezes citada na virada do milênio: “O cristão do futuro será místico ou não será nada”.
A mística tem a ver com a espiritualidade e a oração. O místico cristão é aquele que teve na vida uma forte experiência de Deus, um encontro impactante com Jesus Cristo, um contacto comovente com a gratuidade da graça do Espírito Santo. Desse encontro a pessoa não sai a mesma, saboreando o gozo do divino, torna-se então um apaixonado por Jesus Cristo e a sua vida ganha um novo e significativo sentido. Exemplo clássico é o de São Paulo Apóstolo. Assim aconteceu igualmente com Santo Agostinho, São Francisco, Santa Teresa e outros santos. A mística faz parte da vida. Também no futebol se fala da mística, por exemplo, da camisa canarinho do Brasil, que encherá de brios o peito dos nossos craques da bola na Copa do Mundo neste ano. Como os cientistas do mundo, Albert Einstein assim falou sobre a mística: “A emoção mais bonita pela qual podemos passar é a mística. Ela é a propagadora de toda arte e ciência verdadeiras. Aquele, para quem esta emoção é uma desconhecida, está praticamente morto”. E ainda: “Sustento que o sentimento religioso cósmico é a motivação mais forte e mais nobre da pesquisa científica”.
Mística, espiritualidade e oração têm significados semelhantes, mas não idênticos. Estão imbricados um no outro, são essenciais à vida cristã, compõem o viver no Espírito do Senhor e no seu santo modo de operar. Na vida espiritual todos somos mestres e aprendizes. O estado místico cristão é esse viver habitual na presença de Deus, por Jesus Cristo e no Espírito Santo, em todos os instantes da vida, quaisquer que sejam as ocupações e preocupações, o qual faz a pessoa viver por inteiro, sem se afastar deste mundo e por ele se preocupar e nele trabalhar pela justiça, paz e progresso, na solidariedade com os pobres e excluídos, sabendo-se, no entanto não ser deste mundo, mas vocacionado à comunhão plena com Deus. Pode-se dizer que isto é viver buscando o Senhor e seu santo modo de operar. Que isto é viver no Espírito. Que isto é ser uma pessoa orante, todo feito oração.
Em louvor de Cristo. Amém!
Dom Caetano Ferrari - Bispo diocesano de Bauru
 
 
"Cruz, sinal de amor" Artigo publicado na edição de de 07 de março de 2010 do Jornal Bom Dia
 
Retomo a reflexão sobre a cruz, do domingo passado. A cruz é tema recorrente na Quaresma. E na vida cotidiana também. Ela está fincada no mundo e na história humana. Não adianta fugir dela. Este sinal de opróbrio se tornou, no dizer de São Paulo, “a força e sabedoria de Deus”. (1Cor 1,23s)
            Um mundo sem sofrimento, como escreveu Aldoux Huxley no seu “Admirável Mundo Novo”, seria possível existir se possível fosse um mundo sem amor verdadeiro.
            Como Deus pode tudo no amor e não pode nada no mal, Ele não livrou Jesus da cruz. A cruz é símbolo de que Deus se tornou um humano e sofreu como um humano. E para os homens ela sinaliza que eles sofrem com Deus e por isso entram na esfera do divino.
            São Francisco é considerado o mais perfeito imitador de Cristo, tanto que recebeu no corpo os estigmas do Crucificado. Edith Stein, judia que do mosteiro foi levada ao campo de concentração, viu na cruz a paixão não só de Cristo, mas de seu povo e da humanidade.
            Salve ó cruz, sinal do amor de Deus por nós e do nosso amor por Ele. Amém.
 Dom Caetano Ferrari

"40 dias em preparação para a Páscoa"
Artigo publicado na edição de de 28 de fevereiro de 2010 do Jornal da Cidade
 
O chamado Tempo Pascal é o mais importante de todo o Ano Litúrgico. Vai da Quarta-feira de Cinzas até a Solenidade de Pentecostes, ou seja, no presente ano de 2010, começou no dia 17 de fevereiro e terminará no dia 23 de maio. No centro deste tempo está a Vigília Pascal, que é o cume de todo o Ano Litúrgico, pois ela é a celebração não só da Páscoa de Cristo, Cabeça do corpo místico, a Igreja, como também da Páscoa dos Cristãos, os seus Membros. A Vigília da Páscoa se desdobra no Tríduo pascal (Quinta, Sexta e Sábado Santo) que celebram intensamente os mistérios da paixão e morte, sepultura e ressurreição do Senhor. No dizer de Santo Agostinho, este é o “sacratíssimo Tríduo do Crucificado, Sepultado e Ressuscitado”. E, como nós todos sabemos, a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo é o centro de todo o  mistério cristão, o fundamento de nossa fé. É bom ter presente esta visão geral do Tempo Pascal, com os 40 dias da Quaresma, a Semana Santa, o Tríduo e Vigília Pascal, e os 50 dias de aleluia até a solenidade de Pentecostes. Ajuda a gente a viver mais intensa e integralmente os mistérios de Cristo celebrados ao longo do Ano Litúrgico (Natal, Páscoa, Festas e Solenidades, Nossa Senhora, os Santos, etc).
A Quaresma é esse tempo de preparação para a Páscoa que começa todo ano com a Quarta-feira de Cinzas. A cinza recebida é um símbolo muito expressivo do espírito que marca
a Quaresma, com as suas características de conversão, penitência, oração e caridade. E a palavra Quaresma, cuja raiz significa 40, lembra os 40 dias durante os quais Jesus se
preparou no deserto, com jejuns e orações, para a missão apostólica, que estava prestes a iniciar.
Jesus é o modelo da vida de oração, penitência e caridade dos cristãos. Nele se inspira a Quaresma para motivar a assumir, como exercícios quaresmais de conversão, os três
exercícios de culto a Deus já conhecidos no Antigo Testamento: a oração, o jejum, a esmola (cf. Mt. 6,1-18).
Preparar-se bem para a Páscoa, em outras palavras, viver seriamente a Quaresma, ou ainda, praticar exercícios de oração, jejum e esmola, é mais do que uma questão de quantidade,
de visibilidade ou publicidade. Jesus mesmo tem criticado, como no Evangelho acima citado, quem reza ou dá esmola ou faz jejum só para ser admirado, incensado ou reconhecido pelos
outros. Ele orientou bem para uma oração sem muitas palavras, praticada no silêncio da voz e do coração, balbuciada no suspiro do Espírito que geme e suplica dentro do peito. Afirmou que a verdadeira penitência agradável a Deus é um coração puro, a prática do bem, uma vida com mais amor. Instruiu, quanto à caridade, para que a mão direita não saiba o que a esquerda faz,
mas para que toda dádiva seja generosa e de mãos cheias, recomendando uma prática de lágrimas enxugadas, famintos saciados, feridos socorridos, caídos erguidos, órfãos e viúvas
amparados, pão repartido, vida doada...
Neste ano em que a Campanha da Fraternidade Ecumênica nos convida a refletir sobre o tema Economia e Vida, sob o prisma da Palavra de Deus: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24), nossa penitência quaresmal deve contar com gestos concretos de partilha e justiça para com os pobres e os excluídos da economia de mercado, e com ações políticas efetivas de questionamento do sistema econômico dominante e excludente, e de proposições objetivas de inclusão e transformação social, política e econômica. Que não esmoreça jamais a esperança de que outro modelo de economia é possível, que defenda e promova a vida, o desenvolvimento sustentável, tanto social quanto ecológico, construa o bem comum e proporcione o bem-estar para o nosso povo, segundo propõe a Campanha da Fraternidade de 2010.
E que a preparação quaresmal seja uma oportunidade de conversão de vida, de mais vida com Deus e os irmãos, para que a Páscoa seja vida nova, plena e feliz, com justiça, dignidade e esperança para todos.
Dom Caetano Ferrari- Bispo Diocesano de Bauru
 
"Os cristãos sem Jesus" Artigo publicado na edição de de 28 de fevereiro de 2010 do Jornal Bom Dia
 
Como não há Jesus sem cruz, nem cristão sem Jesus, impossível ser cristão sem a cruz.
De fato, não é possível separar Jesus da cruz. É da nossa fé: cremos que o Messias crucificado deu a vida por nós, como afirma o apóstolo Paulo, por exemplo, em Rm 5,8: "Cristo morreu por nós, pelos nossos pecados"; ou em 1 Cor 1,23: "Anunciamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios...".
A morte de Cristo na cruz, bem como a sua ressurreição, é acontecimento central da fé cristã. Há, porém, pensadores modernos que rejeitam a cruz. Nietzstche perguntava:"Como podia Deus consentir nesta morte?".
E dizia que o cristianismo seria religião dos resignados, que justifica o fracasso, que enfeita a dor e adoça o sofrimento e que propõe a penitência como moeda de troca em vista do prêmio eterno.
Nossa fé, porém, nos diz que o ideal de Jesus nunca foi a dor ou a cruz. O amor e a obediência, isto sim, foi tudo para Ele, para fazer sempre e em tudo a vontade do Pai e dar sua vida por nós: "sabendo Jesus que chegara a sua hora, tendo amado os seus, amou-os até o fim" (Jo 13,1).
Há até mesmo cristãos que não sabem o que fazer com a cruz, não só a própria, que a rejeitam, como a de Cristo, sobre a qual não falam, e quando falam, omitem ou esquecem estas palavras: "Se alguém quer me seguir, tome sua cruz cada dia e siga-me" (Lc 9,23).
A diferença que conta nessa história da cruz de cada dia está no amor. Quem a abraça com amor sabe que não está só, Jesus carrega junto: "Vinde a mim que estais cansados sob o vosso fardo... e encontrareis descanso para vossas almas" (Mt 11,28-30).
Dom Caetano Ferrari é bispo diocesano de Bauru

"Os Exercícios Quaresmais da Oração, Jejum e Esmola"
Artigo publicado na edição de de 21 de fevereiro de 2010 do Jornal da Cidade
Boa coisa é a oração com o jejum e a esmola com a justiça” (Tobias 12,8).
 Páscoa do Senhor – Fundamento da Fé Cristã e Centro do Ano Litúrgico
A Páscoa, que compreende a morte e ressurreição de Jesus Cristo, constitui o fundamento de toda a vida cristã, o fato mais importante da História da Salvação. A celebração anual da Páscoa, na Liturgia, transforma o Ciclo Pascal, que começa na Quarta-feira de Cinzas e vai até Pentecostes, no núcleo central do Tempo Litúrgico, em outras palavras, no momento mais importante de toda a vida litúrgica da Igreja. A Vigília da Páscoa como ponto mais alto da celebração do mistério pascal – Tríduo Pascal, Semana Santa, Quaresma, 50 dias de aleluia - apresenta
à humanidade o evento-mistério do “Cristo que levantado da terra atraiu todos a si” (Jo 12, 32) e que, por sua morte e ressurreição, realizou a obra de nossa salvação, da restauração universal de todas as coisas e da perfeita glorificação de Deus, numa leitura resumida da bonita reflexão do Concílio Vaticano II (Dei Verbum 4; Ad Gentes 5).
Um acontecimento de extraordinária grandeza e significado em relação à nossa fé, que deve ser muito bem celebrado na Liturgia e muito bem preparado na vida por uma caminhada de conversão, tanto individual como comunitária. A Quaresma é esse tempo de 40 dias de preparação para a grande celebração do Tríduo Pascal, que culmina com a Vigília Pascal e se completa no Domingo da Ressurreição. Esse fato histórico, que se renova no Rito Litúrgico (Sacramento), é o mistério de “Jesus Cristo Salvador que destruiu o mal e a morte e fez brilhar a luz e a vida
imperecíveis”, como diz o apóstolo Paulo em 2Tm 1,10.
Os Exercícios Quaresmais, ou de Conversão, ou de Culto a Deus: Oração, Jejum, Esmola.
Esses três exercícios – oração, jejum, esmola – vêm da Bíblia. São conhecidos no Antigo Testamento, como por exemplo, na citação acima de Tobias; também em Isaías 58 se pode ler sobre o jejum que agrada a Deus. No Novo Testamento, Jesus se alonga ao falar acerca da verdadeira oração, da esmola e do jejum em
segredo (cf. Mt 6, 1-18). Esses exercícios não têm valor em si mesmos, mas devem sempre ser entendidos como meios ou instrumentos bons e úteis de conversão, de arrependimento dos pecados, como expressões concretas de busca da vida nova em Cristo, que o mistério pascal significa, e Jesus nos oferece gratuitamente. Não compraremos a graça de Deus com nossas penitências. Mas o Senhor quer sentir os nossos sentimentos, os nossos anseios, desejos, carências
e intenções. Por isso essas práticas são chamadas de verdadeiro Culto oferecido a Deus, quando por elas a pessoa deseja ardentemente exaltar a tríplice relação do ser humano: com Deus, pela oração; com a natureza criada, pelo jejum; e com o próximo, pela caridade, tomando estas palavras do grande Papa São Leão
Magno. Mt 6, 1-18 é o Evangelho que se lê na Quarta-feira de Cinzas, como uma exortação de Jesus para uma verdadeira penitência quaresmal.
Nos dias de hoje, de exaltação da beleza do corpo, da estética e bem-estar físico, quanta gente se impõe incríveis sacrifícios de dietas, jejuns e malhações? Quem se exercita na prática da penitência quaresmal por causa de sua fé persegue bens religiosos e espirituais, sem deixar de receber de acréscimo os benefícios corporais. Pois que a razão fundamental ou o motivo maior da prática dos exercícios da oração, jejum e caridade é sempre o amor a Deus. Deus amou tanto a humanidade que nos enviou o seu Filho único, e Jesus demonstrou o seu grande amor dando a vida por todos nós. Por isso, a nossa penitência quaresmal
só tem sentido se for também um ato de amor, uma nossa resposta amorosa ao Pai e ao Filho no Espírito do Santo Amor. A penitência quaresmal, praticada com o espírito de participação nos sofrimentos de Jesus, de oblação e oferta a Deus por
nossos pecados e de solidariedade com os pobres e sofredores deste mundo, e exercitada com moderação, sob o primado da misericórdia, amor e caridade, é meio eficaz de preparação para a celebração da festa da Páscoa da Ressurreição. Além de nos ajudar no crescimento espiritual de vida, dispondo-nos interiormente
à ação da graça de Deus, proporciona revitalização integral de nosso ser: corpo, mente e espírito. Eis porque o mistério pascal envolve todo o ser do homem, tornando-o uma nova criatura. “Se alguém está em Cristo, é nova criatura. Passaram-se as coisas antigas; eis que se fez realidade nova” (2Cor 5,17). Assim sendo, a Páscoa de Cristo é também a Páscoa dos Cristãos. “Se com Jesus Cristo morremos, com Ele viveremos. Se com Ele sofremos, com Ele reinaremos” (2Tm 2,11). Deus seja louvado, agora e sempre, amém!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Abismo de Misericórdia"
Artigo publicado na edição de de 24 de janeiro de 2010 do Jornal Bom Dia

 
             Todo domingo, nós nos reunimos ao redor das mesas da Palavra de Deus e da Eucaristia. Para comermos do pão da Palavra e da Eucaristia, que alimenta nossa vida cristã. Hoje, na Missa, ouvimos Jesus anunciando na Sinagoga de Nazaré que naquele dia se cumpria a passagem da Escritura lida por Ele em Isaías e que diz: “O Espírito do Senhor está sobre mim e me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres, a libertação aos oprimidos e o ano da graça do Senhor” (Lc 4,18-19).
            Começava a vida pública de Jesus. Foram três anos de incansável atividade como, por exemplo: perdoar pecados, curar doentes, expulsar demônios, ressuscitar mortos, multiplicar pães, fazer andar, ouvir e falar, ensinar a orar, abençoar e santificar. Enfim, o Divino Salvador, movido de compaixão, passou entre os humanos fazendo só o bem e todo o bem.           
            Jesus, perfeito Homem, se aproximava bondosamente dos pecadores para perdoá-los e recebê-los, como perfeito Deus, no seio da divina misericórdia. No perdoar os pecados, mais do que no fazer milagres, Ele revelava a magnitude de sua Divindade e o abismo infinito de sua Misericórdia. Ele perdoou grandes pecadores: Madalena, a pecadora, a mulher adúltera; Pedro, o traidor; a Samaritana, que teve cinco maridos; Zaqueu, chefe dos publicanos; o bom ladrão, a quem prometeu o céu; e a nós todos continua perdoando com infinito amor.  
            Mistério insondável e paradoxal de Deus: “o abismo que atrai abismo” (Sl 42,8). O abismo da infinita misericórdia divina de Jesus que atrai o abismo da grande miséria humana em nossos pecados, não para punir, mas salvar; não para abater, mas dar a vida.
                
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
 
Orar é como duas pessoas que se amam" Artigo publicado na edição de de 24 de janeiro de 2010 do Jornal da Cidade
“Sempre e por tudo dando graças a Deus Pai, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef 5,20). “Vivei em orações e súplicas e rezai em todo tempo no Espírito” (Ef 6,18).
Uma multidão de testemunhas nos fala, de muitos modos, sobre o que é orar. Principalmente os místicos e santos nos ajudam a entender o que é a oração, revelando-nos muitos segredos de sua busca e amorosa experiência de Deus. Quem ama deseja estar junto da pessoa amada, com ela quer aprofundar a comunhão de vida, pensamentos, anseios e ideais. Viver para essa pessoa e dela viver, ser tudo nela e dela ser tudo, enfim com ela desejar intensamente ser um só. Orar é estar à procura de Deus, é desejar Deus, é querer participar do mistério de Deus e entrar na perfeita comunhão de vida com Ele.
Alguns santos se manifestaram admiravelmente sobre a oração: “Orar é como duas pessoas se amando”, escreveu Santa Tereza D’Ávila. Santa Teresinha dizia que para ela “a oração é um impulso do coração, é um simples olhar do coração lançado ao céu, um grito de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria”. São de Santo Agostinho essas palavras: “a oração é a fraqueza de Deus e a força do homem”. São Francisco instruía seus frades, ensinando que “Orar é possuir o Espírito do Senhor e seu santo modo de operar”. O bem-aventurado Papa João XXIII deixou essa mensagem: “um homem sem oração é como um jardim sem flores”.
Em tudo Vos damos graças, ó Pai, por Jesus Cristo no Espírito Santo. Amém! Inspirada em 1Ts 50, 18, esteja sempre em nossos lábios essa prece de louvor e gratidão à Santíssima Trindade. E supliquemos a Jesus Cristo que nos ensine a orar. Ele é, por excelência, o Mestre de nossa oração. Os apóstolos viram muitas vezes Jesus orando. A oração do “Pai Nosso” nos foi ensinada e dada por Jesus mesmo. Ela é sempre um modelo de oração para todos nós, é a mais perfeita das orações e um resumo mesmo do Evangelho.
Quem ora faz a leitura da vida, compreende o mistério do existir, encontra a paz e a iluminação, recompõe o seu viver, se reconhece e reconhece os outros. A oração leva ao amor e à prática da caridade. O amor e a caridade levam à oração. Porque Deus é amor e todo o bem, quem d’Ele se aproxima recebe o seu Espírito e n’Ele e por Ele opera o bem, vivendo na prática da caridade e no espírito de oração e devoção, ao qual todas as coisas devem se submeter, conforme nos ensina São Francisco. Quem, pela oração e caridade possui o Espírito Santo do Senhor e seu santo modo de operar, torna-se capaz de, com Jesus, clamar com gemidos inefáveis “Abba”, Pai Nosso que estais nos céus...
A oração, então, opera maravilhas e transforma-se em terapia, salvação, vida, alegria e poder.
Em louvor de Cristo. Amém!

Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"
Viveis sempre alegres. Orai sem cessar 1 Ts 5,17)"
Artigo publicado na edição de de 17de janeiro de 2010 do Jornal da Cidade
 O Catecismo, que aprendemos desde crianças, já nos ensinava que a Oração é uma necessidade vital. Mais do que um conhecimento, essa verdade foi se transformando, com o passar do tempo, numa experiência real de vida. Isso não aconteceu só comigo, mas com toda pessoa, e acontece ainda hoje na vida de toda a gente. Foi vivendo que nós começamos a descobrir que o sentido deste mundo está fora do mundo. Que o coração do homem é maior do que todas as coisas deste mundo. Que nada do aqui existente é capaz de saciar a fome e sede do amor infinito, de satisfazer o desejo do bom, belo, verdadeiro e santo, de realizar os sonhos de plenitude e sublimidade no existir. Então, aquelas verdades que decoramos no Catecismo, na ingenuidade da infância, foram fazendo sentido e se tornando em ciência e sabedoria de vida, porque a realidade do existir foi nos colocando diante dos mistérios da própria vida, que só a fé é capaz de explicar. Podemos afirmar que foi desta maneira que passamos a compreender quem é Deus. Ou melhor, que iniciamos uma caminhada pessoal de busca de Deus, mais do que de conhecê-lo pela razão, passamos a desejar experimentá-lo e senti-lo com o coração, em outras palavras, amá-lo de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento. A fé foi se tornando adulta, deixou de ser teoria, nem Deus era mais um objeto de estudo, mas deparamo-nos diante d’Ele como diante de um Outro, uma Pessoa que vem ao encontro do ser humano e o atrai a si, não só porque o criou, mas porque o ama e o chama a Si para uma comunhão de vida, e vida em plenitude, já no aqui e agora deste mundo. Somente a partir dessa experiência é que nos foi possível responder coerentemente ao achegamento amoroso de Deus e declarar-Lhe nosso amor e fé: “eu creio!” ou “Meu Senhor e meu Deus!”. Como soam maravilhosas as palavras de Santo Agostinho com as quais expressou a emoção do seu encontro com Deus, depois de difícil crise existencial e longa busca intelectual: “Ó beleza sempre nova e sempre antiga. Tarde te amei! Estavas dentro de mim, mas eu estava fora. Estavas comigo e eu não estava contigo. A vida do meu corpo é minha alma, mas a vida de minha alma és Tu, Senhor. Tarde te amei! Se o ser humano é um ser de desejos, o desejo de possuir Deus é o que melhor o caracteriza na sua identidade e no seu ser: um ser para Deus. É por isso que o homem anseia naturalmente encontrar-se com o seu Criador e “inquieto está o seu coração enquanto não repousar em Deus” (Santo. Agostinho). (Continua na próxima semana)
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
"Paz e Bem" Artigo publicado na edição de de 10de janeiro de 2010 do Jornal Bom Dia
A Igreja, na Liturgia, abriu o Ano-Novo celebrando o 1º de janeiro como Dia Mundial da Paz e invocando a Mãe de Jesus como Rainha da Paz. Por quê? Ora, se Jesus é a realização do sonho de paz do povo de Israel; se assim se deve entender a profecia maior de Isaías de que nasceu para nós um menino cujo nome é “Príncipe da paz” (Is 9 5); se, como afirma São Paulo, Jesus é a “nossa paz”, que a estabeleceu definitivamente neste mundo, reconciliando a humanidade com Deus e fazendo dos povos uma só família de Deus pela derrubada dos muros da discriminação entre os povos (cf Ef  2, 14-20); se este Jesus é o Príncipe da Paz, então, Nossa Senhora, a sua Mãe Santíssima, é a Mãe da Paz.
O Ano-Novo abriu-se com uma festa mariana, sob o signo da mulher Maria de Nazaré, Mãe de Jesus, com seus valores femininos de ternura, bondade, amor, zelo, afeto, acolhimento, presença, doação e serviço. Pois, é da primazia destes valores que brota a paz.
A Mãe de Jesus é a flor mais bela do jardim cósmico; a única criatura humana cheia de graça em quem reside todo o bem; o rosto materno de Deus; a Filha e Serva do Rei Altíssimo e Pai celeste; a Mãe do Santíssimo Senhor Jesus Cristo; e a Esposa do Divino Espírito Santo.
Por seu ‘sim’, Maria deu à luz o Filho de Deus que é “o primogênito de todas as criaturas” (Cl 1,15). Por esta sua maternidade divina ela tornou-se também a mãe da nova família de Deus, a humanidade, e a mãe de todo o universo, com todas as criaturas.
Salve Rainha, protege-nos sob teu manto cor de anil e roga a Deus por nós bênçãos e graças de saúde e paz, agora e para sempre. Amém!
Dom Caetano Ferrari bispo diocesano de Bauru
"Epifania" Artigo publicado na edição de de 03de janeiro de 2010 do Jornal da Cidade
A festa da manifestação de Deus ao mundo
A palavra “epifania” vem do idioma grego “epipháneia” e significa apresentação, manifestação, revelação. Assim sendo, entendemos por festa da Epifania do Senhor a manifestação ou revelação de Jesus ao mundo. Naqueles dias do seu nascimento, Jesus foi manifestado ao mundo pagão quando os Reis Magos, vindos do Oriente e guiados por uma estrela, que misteriosamente aparecera no céu, encontraram em Belém numa manjedoura o Menino, com Maria e José. Jesus já fora revelado aos pastores, gente do povo pobre de Belém e região, pelos Anjos que anunciaram uma grande alegria, o nascimento do Salvador, e cantaram em coro “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade” (Lc 2, 14). Ele fora também revelado às autoridades civis e religiosas da nação judaica (Rei Herodes, príncipes dos sacerdotes e escribas), quando, alertados pelos Magos do Oriente, descobriram nas Escrituras o sentido do aparecimento daquela estrela no céu, ou seja, a realização de uma velha profecia que dizia “E tu, Belém, terra de Judá, de forma alguma és a menor das cidades de Judá porque de ti sairá um chefe que apascentará meu povo Israel” (Mt 2, 6).

A festa dos Reis Magos
A Epifania ou manifestação do Senhor ao mundo é conhecida como a festa dos Reis Magos. Na Liturgia deste domingo (03/01/2010) é proclamado o Evangelho de Mateus (Mt 2, 1-12) que narra a longa caminhada dos Reis Magos: “Onde está o Rei dos Judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo”. E depois de terem adorado o Menino voltaram para a sua terra por outro caminho. São Paulo afirma na carta aos Efésios (2a. leitura do dia – Ef 3,2-3.5-6) que o mistério agora revelado em Cristo significa que “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo”. Na escuta do profeta Isaías (1a. leitura - Is 60,1-6) recordamos aquela sua profecia de que sobre Jerusalém descerá a glória do Senhor, a qual ficará toda iluminada e atrairá, com o clarão de sua luz, os povos envolvidos nas trevas, que se achegarão a ela, vindos de longe, como seus filhos e suas filhas, trazendo as riquezas de além mar, ouro e incenso, inundando a cidade de camelos e dromedários de Madiã e Efa, e todos proclamando a glória do Senhor. Com palavras de comovedora alegria, Isaías relata a festa da chegada desses povos distantes: “ao vê-los, Jerusalém, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte”. É o cumprimento da promessa que alentava o povo judeu nas suas orações, como rezamos no Salmo responsorial: “as nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!” (Sl. 72/71).

No início do caminho havia uma estrela
Não é suficiente que Jesus tenha nascido, no passado, e agora de novo, no Natal de 2009. É necessário que Ele seja manifestado e revelado a todo mundo crente e não crente, de todos os tempos e lugares. Precisamos sempre de novo descobrir a estrela que sinaliza e indica para cada um de nós, em particular, como batizados, e para todos nós, comunitariamente, como povo de Deus, o caminho de Deus a seguir, sua vontade e desígnio a obedecer, uma vocação e missão a cumprir, que em síntese consistem em acolher Deus na vida e em manifestar e revelar Deus ao mundo.
Ser estrela que brilha gratuitamente no céu
Não basta igualmente acolher Deus no coração, é necessário ser uma estrela que brilha no firmamento, generosa e gratuitamente, refletindo o clarão que vem de Deus. Esta é a missão do cristão batizado e da Igreja, ser luz do mundo, estrela no firmamento, sal da terra, fermento na massa, sinal de Deus, gesto revelador da sua bondade e misericórdia. Ser como essa estrela de Deus é ser missionário. A vocação cristã é, por natureza, uma vocação missionária.
Como seria bom se toda pessoa que olhasse para a gente, para nossas comunidades de fé, para todo cristão descobrisse em nós essa estrela de Belém, que manifesta Deus, revela seu rosto, sinaliza esperança, aponta caminhos de paz e bem.
Sigamos a Estrela de Deus, que no Natal de 2009 veio para nos apontar novos caminhos. Quem encontra Jesus Cristo não volta pela mesma estrada. Descobre caminhos novos, a exemplo dos Reis Magos, que voltaram para sua terra, mas por outra estrada.
Sejamos, em 2010, luz para os outros, uma Estrela que indica caminhos do bem, da paz, do amor; caminhos para Deus!
Dom Caetano Ferrari  Bispo Diocesano de Bauru
"Folia de Reis" Artigo publicado na edição de de 03 de janeiro de 2010 do Jornal Bom dia

 

Folia de Reis é uma bonita festa em louvor a Jesus
Guiados por uma estrela, Reis Magos vieram adorar o Senhor. Segundo evangelhos apócrifos, Melquior era rei da Pérsia; Baltasar, da Índia; e Gaspar, da Arábia. Por isso, a Epifania é também festa da unidade das raças.
A Folia de Reis é uma festa popular muito bonita, colorida e sonora, de que me lembro do tempo de menino, quando morava na roça, no sítio Santa Maria, em Pirajuí/SP, onde nasci. Por ocasião da festa dos Santos Reis, vinham lá os cantadores, vestidos de reis, e a comitiva, cantando louvores a Jesus.
Apresentavam-se ao anoitecer, como que seguindo a luz da estrela do Natal, e passavam de casa em casa, saudando os moradores com cantos e mensagens natalinas. Antes de se retirarem, o pessoal que os recebia lhes servia alguma coisa de beber e ofertava alguma prenda. As prendas eram ajuntadas para serem servidas na grande festa de encerramento, com muita música e dança.
A gente esperava com ansiedade a Folia chegar. Era um espetáculo que enchia os olhos e o coração e inundava de fantasia a imaginação. Quem, como eu, experimentou dessas coisas sabe que tem a alma marcada para sempre com um fascínio único do Natal.
Quando o porta-bandeira erguia a Bandeira, era hora da partida e os cantores, agradecendo, cantavam: “minha Bandeira se despede, vai no giro de Belém. Adeus, Senhores e Senhoras, até o ano que vem!” E lá ia embora a Folia, seguindo a estrela! Naturalmente, no sono daquela noite, os sonhos de qualquer menino eram mais coloridos, cheios de luz, estrelas e encantos, que o tempo jamais apagou.
Dom Frei Caetano Ferrari, ofm - Bispo Diocesano de Bauru
"Natal, a festa das festas Artigo publicado na edição de de 20 de dezembro de 2009 do Jornal da Cidade

A Encarnação do Verbo foi uma decisão livre de Deus,

por puro amor. Teria se dado ainda que o ser

humano não tivesse pecado.

(Teologia franciscana)

 

            Para falar sobre o Natal, o prezado leitor ou leitora me permita servir-me de São Francisco, o Santo que inventou o presépio. No Natal de 1223, em Greccio, Itália, São Francisco desejou retratar a cena de Belém, aproveitando uma gruta encravada na rocha em meio às árvores de um bosque. Ele viu naquele cenário um ótimo lugar para encenar ao vivo o nascimento de Jesus. Com engenho artístico e fé profunda, armou o presépio naquela gruta de Greccio, auxiliado por pessoas do povoado, sem dar conta de que estava inaugurando uma prática que se espalharia pelo mundo afora e chegaria até nós, atravessando séculos.

            São Francisco reuniu todos os frades e o povo, que portava tochas e archotes acesos, para celebrar a noite santa do Natal. Durante a Eucaristia ele mesmo proclamou o Evangelho de Lucas, capítulo 2, e pregou com profunda devoção e emoção. Seu principal biógrafo, Tomás de Celano, narra que, ao fazer a leitura do Evangelho, São Francisco cuidava de substituir o nome de Jesus por “Pequeno Bebê de Belém”, e ao mesmo tempo em que pronunciava estas palavras ele “passava a língua pelos lábios como se estivesse saboreando a doçura do mel”. Ele conta também que aquela celebração do Natal seduziu o coração de todas as pessoas atraindo-as para o “Amor que não é amado”, conforme São Francisco costumava referir-se a Jesus. Celano ainda escreve na mesma “Vida Primeira” do Santo que ele tinha procedido daquele modo porque se sentira inflamado do desejo de “lembrar o menino que nasceu em Belém, os apertos que passou, como foi posto num presépio, e ver com os próprios olhos como ficou em cima da palha, entre o boi e o burro...” (1Cel, 84). Queria ver com os olhos, que a terra haveria de comer, a humildade e pobreza daquele que, “sendo rico, se fez pobre a fim de nos enriquecer com sua pobreza” (2Cor 8, 9), e da sua bem-aventurada Mãe, para nos apontar o caminho da vida de simplicidade e do serviço solidário aos pobres e humilhados deste mundo, como a forma mais perfeita de seguir a Nosso Senhor Jesus Cristo, pobre, humilde, crucificado e ressuscitado, e de viver o Evangelho.

            Eis porque para São Francisco o Natal era para ele a festa de todas as festas. Ainda que ele soubesse reconhecer a primazia teológica da Páscoa de Cristo, no entanto dizia que a redenção realizou-se porque primeiro o Verbo de Deus se fez carne. Sem a encarnação de Jesus não teria se dado a redenção. Como é verdade que o Salvador nos salvou por sua cruz e ressurreição, verdade é também que o nascimento de Jesus é já a certeza e o gozo antecipado da salvação. Por isso ele celebrava com incrível alegria todo Natal. Mas o Natal de 1223, em Greccio, foi para São Francisco o Natal mais lindo de sua vida, a festa das festas de que nunca se esqueceu.

            Com alma de artista São Francisco inventou o presépio para enaltecer e solenizar o que a humanidade já reverenciava como o maior acontecimento de toda a história humana: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós; vimos a sua glória, a glória de Filho único do Pai, cheio de graça e verdade” (Jo 1, 14). A festa de Natal que celebra esse tão grande acontecimento deveria, então, para São Francisco, corresponder em solenidade e glória ao anúncio festivo do anjo do Senhor: “Anuncio-vos uma grande alegria, que é para todo o povo” (Lc 2, 10).

            Talvez os mestres da Escola franciscana tenham visto nessa intuição de São Francisco o fio da meada para desenvolver a tese de que Jesus fez-se homem não por causa do pecado, mas por puro amor de Deus. A primazia do amor de Deus. Por amor, Ele primeiro nos criou e, como depois nós pecamos, então, também nos salvou.

            Ó “Felix Culpa” que nos deu tão grande Salvador, proferiu Santo Agostinho. E São Francisco, por certo, proclamava: Ó “Felix Amor” que nos deu tão grande Bem. Não teria sido por essa razão que no “Cântico do Irmão Sol”, ele cantou: “Louvado sejas, meu Senhor, por tudo o que criaste...” Não é igualmente certo que ele cantava, por prados e campinas, que o “Amor não é Amado” e não que o “Salvador não é amado”?      

            Na noite santa do Natal de 1223, em Greccio, São Francisco reclinou-se na manjedoura vazia para apanhar em seus braços um menino, o menino acordou de seu lindo sono, olhou para São Francisco e lhe sorriu. E o Santo convenceu-se de ter compreendido o Evangelho e estar no caminho certo: viver para amar o Amor que não é Amado, em outras palavras, viver sob o primado do amor a Deus, a todas as pessoas, aos pobres e sofredores e a toda a criação.

            Desejo apresentar à estimada leitora ou ao leitor e sua família votos de um Santo Natal e um Próspero Ano Novo, ricos do amor de Deus, com muita saúde, paz e todo o bem.

 

Dom Frei Caetano Ferrari, ofm - Bispo Diocesano de Bauru

 
"Feliz Natal!"Artigo publicado na edição de de 20 de dezembro de 2009 do Jornal Bom Dia

Natal é despojamento, simplicidade, humildade, respeito. Jesus Cristo, sendo rico, preferiu o caminho da pobreza e da pequenez para nos ensinar a abraçar os pobres, desvalidos e sofredores deste mundo. Seguir seus passos significa viver assim como Ele viveu: uma vida voltada para os outros, a comunidade, principalmente, os pobres e excluídos. 

Natal é solidariedade, esperança, paz e todo o bem. Foi por amor que o Filho de Deus desceu até nós. Por esta razão, o amor de Deus nos compromete com a missão de Jesus Cristo neste mundo. Jesus nos impulsiona a testemunhar a Grande Alegria do seu nascimento e a proclamar a Boa Notícia do Evangelho. Ele nos estimula também a assumir a causa dos pobres, a postular a urgência da paz entre os povos, a promover os direitos de toda a criação, a defender, valorizar e fomentar as múltiplas culturas da vida. O Evangelho de Jesus nos pede uma vida comprometida com a Evangelização, uma presença solidária e promotora do bem, da paz e da esperança.

Prezado leitor, armando um presépio em casa ou simbolicamente no coração, ou contemplando o presépio em nossas Igrejas, busquemos fazer-nos crianças com o menino Deus. Celebremos o Natal do Senhor, firmando os nossos passos no caminho que o menino Jesus, desde o seu presépio, nos aponta para trilhar no Ano Novo de 2010: uma vida voltada para Deus e para os outros, uma vida comprometida com a causa da Evangelização, do bem, da paz e da esperança.  

Um Feliz e Santo Natal e um Abençoado e Fecundo 2010, repletos com as bênçãos e graças do Menino que numa noite santa de Belém nos foi dado.

            Vida e Esperança, Paz e Alegria no Natal e em todo 2010!

Dom Frei Caetano Ferrari, ofm - Bispo Diocesano de Bauru

"Alegrai-vos!"
Artigo publicado na edição de de 13 de dezembro de 2009 do Jornal Bom Dia
A Antífona da entrada na Missa de hoje nos anima com este convite: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto” (Fl 4, 4s).
O Natal está chegando; que possamos com intenso júbilo prepararmo-nos para celebrá-lo.
Uma preparação que seja antes de tudo religiosa e espiritual, com oração, conversão e caridade.
Com uma oração tão terna que se contraponha de vez ao secularismo de um Natal profano sem Deus.
Com uma conversão de vida tão sincera que seja verdadeiro antídoto contra o individualismo de um Natal egoísta sem os outros, a família e os pobres.
Com uma caridade tão perfeita que apague para sempre os pecados do consumismo desenfreado de um Natal gordo sem alma.
Que seja também um Natal do reencontro com os outros, do perdão, da volta, do retomar da velha amizade.
Um Natal da confraternização familiar, da família unida e reunida ao redor da ceia, da ceia eucarística e da ceia natalina. Um Natal de paz aos homens e mulheres de boa vontade, que ponha fim às guerras e encha de bens os corações humanos, especialmente dos pobres e excluídos. Um Natal de justiça e paz e de vida em abundância para todos.
No acender da terceira vela do Advento hoje, rezemos: “Bendito sejais, Deus bondoso, pela luz de Cristo, sol de nossa vida, a quem esperamos com toda a ternura do coração”.
Dom Caetano Ferrari

"Dom Caetano informa mudanças para 2010"
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    Em reunião do Conselho de Presbíteros da Diocese de Bauru algumas modificações administrativas e pastorais foram definidas para 2010. Algumas já foram confirmadas e divulgadas pelo próprio bispo, Dom Caetano Ferrari. Confira:
     Padre Gustavo Rubin da Mota, que era pároco da Igreja Nossa Senhora Aparecida em Pederneiras, volta a ser vigário paroquial da Igreja de Santa Rita de Cássia, em Bauru, cujo pároco é o monsenhor Almir José Cogiola;
    Padre Maurício dos Santos Guerra, até então vigário de Santa Rita, assumirá como pároco a Igreja Nossa Senhora Aparecida, de Pederneiras;
    Padre Marcos Eduardo Pavan, pároco da Catedral, assume a Igreja Santa Teresinha do Menino Jesus como administrador paroquial, tendo como vigários paroquiais o padre Márcio José Cattache, que continuará atuando como formador em Marília, e padre Giuliano Henrique Lourenço Alamino, que também será reitor do seminário diocesano Maria Mãe da Igreja;
    Padre Claudemir Moreira deixa a formação e assume como pároco a Paróquia Imaculada Conceição;
    Padre Romildo Alceu da Silva, até então na Igreja Santa Teresinha, assume como pároco a Igreja São João Batista, de Iacanga;
    Padre André Luiz Corrêa, até então em Gália, assume a Igreja Beato José Anchieta;
    Padre Rodrigo Pereira Sena assume a Igreja São José, de Gália, como pároco, e a Igreja São Sebastião, de Avaí, como administrador paroquial;
    Diácono Everaldo Junior Rambaldi (que será ordenado padre no dia 20/12) assume como vigário paroquial da Igreja de São Benedito;
    Diácono Adinam Ronieri da Silva (que será ordenado padre no dia 20/12) assume como vigário paroquial da Igreja Maria de Nazaré;
    Padre Fernandinho Henrique Lima deixa de ser vigário na Catedral e fica com uso de ordem, disponível para atender necessidades pastorais na Diocese.
    Padre Roberto Francisco Daniel deixa de ser vigário na Paróquia Universitária do Sagrado Coração de Jesus e fica com uso de ordem, disponível para atender pedidos de ajuda pastoral na Diocese.
    Informativo - Site da Diocese

  • "Assembléia Diocesana"
    Artigo publicado na edição de de 06 de dezembro de 2009 do Jornal da Cidade
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    No sábado e domingo passados, dias 28 e 29 de novembro de 2009, realizou-se a Assembléia Anual da Diocese de Bauru. Foi um grande acontecimento eclesial, que contou com a presença dos padres e lideranças leigas das 41 Paróquias da Diocese, pondo em evidência a beleza e riqueza, a comunhão e unidade de nossa Igreja, na variedade dos ministérios, carismas e serviços, e na pluralidade étnica, social e cultural de nosso povo católico. Uma demonstração clara da identidade de nossa Igreja, ali se apresentando como “um só corpo e uma só alma”. Em clima de festa, celebração e escuta da Palavra, foi um encontro de louvor e ação de graças a Deus pela caminhada (história), de discernimento quanto aos novos desafios (leitura da realidade), de comprometimento com o presente (planejamento pastoral), de renovação da fé, esperança e caridade diante do futuro (horizontes, metas e objetivos). Uma Assembléia orante, celebrativa e pastoral.
    As celebrações litúrgicas, orações, estudos, trabalhos, refeições, convivência, enfim, tudo concorreu para nos fazer crescer em comunhão e participação e nos ajudou a proceder à leitura da realidade, a auscultar a voz do Espírito, a vislumbrar novos horizontes e a tomar decisões importantes para impulsionar a ação evangelizadora na Diocese.
    Tendo por tema: “O lugar da iniciação cristã na pastoral urbana”, a Assembléia foi assessorada pelo Pe. Antônio Francisco Lelo, doutor pelo Instituto Superior de Liturgia na Faculdade de Teologia da Catalunha (Espanha), professor, escritor, conferencista e atuante, na periferia de São Paulo, na área da educação da fé e do planejamento de programas sociais. E os trabalhos, iluminados pelo Documento de Aparecida, Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e Magistério da Igreja, objetivaram responder à seguinte proposta, que veio da Assembléia das Dioceses do Estado de São Paulo, realizada recentemente em Itaici/SP: “Fazer das Paróquias redes de comunidades e centros de evangelização, onde as pessoas façam uma profunda experiência querigmática, sendo despertadas para o ardor missionário”.
    Como resultado final da Assembléia, foram aprovadas linhas gerais de ação que orientarão a Diocese e as Paróquias a impulsionarem, a partir de 2010, as ações evangelizadoras constantes do 7º Plano Diocesano de Pastoral em vigor, em vista de um planejamento harmônico, concentração de esforços e eficácia missionária.
    As linhas e pistas de ação:
    ·Promover uma Igreja mais acolhedora em todos os níveis (pessoal, eclesial e nas pastorais). Isso deve ocorrer através de um processo de reflexão e conscientização desde os fiéis leigos até as lideranças paroquiais e os padres, que leve a uma conversão de vida, espiritual e pastoral, no âmbito pessoal e comunitário.
    ·Ir ao encontro dos fiéis leigos batizados e que não vivem a sua fé em nenhuma religião. Isso deve ocorrer através da pastoral da visitação.
    ·Anunciar Jesus (querigma) a esses leigos de modo que eles sejam evangelizados na boa notícia trazida por Jesus. Isso deve ocorrer através de uma catequese com (de) adultos.
    ·Manter esses novos fiéis na caminhada da Igreja através da vivência da fé nas pequenas comunidades em comunhão com a comunidade paroquial. Isso deve ocorrer através das iniciativas das paróquias em promover e multiplicar pequenas comunidades, principalmente nos bairros mais afastados da Paróquia.
    O Divino Espírito Santo, que “faz novas todas as coisas” (Ap 21,5) e é o padroeiro de nossa Diocese, nos está chamando para um novo caminhar e exigindo de nós, no âmbito pessoal, conversão de vida; no comunitário, renovação da comunidade; e no social, solidariedade com os pobres e inclusão.
    Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Agora e sempre, amém!
    Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
     
  • "Iniciação Cristã"Artigo publicado na edição de de 06 de dezembro de 2009 do Jornal Bom Dia
    No fim da semana passada, realizou-se a Assembléia Anual da Diocese de Bauru, reunindo padres e lideranças leigas das nossas 41 paróquias. O tema foi “O lugar da iniciação cristã na pastoral urbana”. Iniciação cristã não é catequese, mas tem a ver com ela.
    Não é ensinamento de doutrina ou verdades da fé, mas é anúncio de Jesus Cristo, um anúncio querigmático. Querigma é uma palavra que vem do grego (kérigma) e significa anúncio ou apresentação de Jesus Cristo.
    A iniciação à vida cristã é  caminho, um itinerário que começa com o anúncio de Jesus a uma pessoa (querigma), feito pelo padre, catequista ou agente pastoral, possibilitando-lhe o encontro com Ele e a adesão a Ele (conversão); leva-a ao aprofundamento da fé (catequese) e aos sacramentos (Batismo, Crisma e Eucaristia) e a insere na comunidade de Igreja, na qual participará ativamente na vivência dos sacramentos, na missão e no serviço à caridade. Pela iniciação cristã a pessoa se torna “discípulo e missionário” de Jesus Cristo.
    Como anunciar Jesus (querigma) no meio urbano hoje? Na Assembléia, deliberamos assumir  a iniciação cristã para evangelizar  fiéis adultos insuficientemente evangelizados, indo ao encontro dos afastados, para o seu crescimento no conhecimento, amor e seguimento de Cristo.
    Sem deixar de valorizar a catequese com as crianças, a ordem agora é investir na catequese com os adultos, formando cristãos novos para um novo tempo. Como diz o Documento de Aparecida: “isto requer novas atitudes pastorais por parte dos bispos, presbíteros, diáconos, pessoas consagradas e agentes de pastoral” (DAp. 291). Mãos à obra!
    Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru


    "Bênção Apostólica"
    Artigo publicado na edição de de 28 de novembro de 2009 do Jornal Bom Dia
    Acabo de retornar de Roma, da Visita ad Limina Apostolorum. Nós, os Bispos do Estado de São Paulo, Regional Sul 1 da CNBB, subimos à Casa do Sucessor de Pedro para encontrar-nos com o Papa e venerar os túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo. O Apóstolo Paulo fizera questão de subir a Jerusalém para encontrar-se com Pedro em respeito à sua autoridade e em sinal de comunhão com a Igreja-mãe representada, como diz ele, pelos “notáveis e colunas”, ou seja, os apóstolos, tendo à frente Pedro (cf. Gal 2, 1-10).
    Depois, indo Pedro para Roma, a capital do Império Romano e do mundo civilizado, a Cidade Eterna tornou-se a sede da cristandade e da Igreja, o lugar onde se encontra a autoridade de Pedro. E, em consequência, subir a Roma para ‘ver o Papa’ e venerar os túmulos de Pedro e Paulo transformou-se em necessidade como um gesto concreto, um sinal visível de comunhão e unidade das Igrejas locais (Dioceses) com a Igreja-mãe, uma prática que desde os primórdios perdura até hoje.
    Mais do que o relatório da vida e ação evangelizadora da Diocese, enviado no ano passado à Sé Apostólica, levei no coração todo o povo da Diocese de Bauru. E do Santo Padre, o Papa, recebi, na audiência pessoal, uma particular Bênção Apostólica extensiva a todos os sacerdotes, consagrados, seminaristas e fiéis leigos e leigas das nossas comunidades de fé, com a sua cordial saudação, suas orações e votos de paz, luz, conforto e força para todos.   
    Prezado leitor, com muita alegria, faço-me portador dessa bênção especial do Papa Bento 16 para você e sua família.
    Dom Caetano Ferrari Bispo Diocesano de Bauru

    "Dom Caetano Ferrari visita Papa Bento XVI"
    A cada 5 anos os bispos se encontram com o Santo Padre, o sucessor de Pedro, na chamada visita "Ad Limina". Em 2009 é a vez do episcopado brasileiro, que por ser numeroso, irá em grupos regionais da CNBB. Cerca de 50 bispos, arcebispos e um cardeal seguem para Roma neste mês de novembro. Entre eles estará Dom Caetano Ferrari, que sai de Bauru dia 3 e retorna ao Brasil no dia 21 de novembro.
    No ano passado, cada bispo enviou ao Vaticano um relatório da vida e da missão de sua Diocese. Esse será o ponto partida do diálogo com Bento XVI, em audiência privada.
    Durante a visita, os momentos mais importantes são os das liturgias, sejam as concelebradas com o papa, sejam aquelas celebradas nas diversas basílicas importantes de Roma. 
    “Teremos visitas aos diversos Dicastérios, que são como que os Ministérios do Vaticano, por exemplo, Congregação para a Doutrina da Fé, Congregação para o Culto Divino e a disciplina dos Sacramentos, Congregação para o Clero, Congregação para a Vida Religiosa, Congregação para a Educação Católica, Congregação para os Bispos e outros órgãos e conselhos da Cúria Romana”, contou Dom Caetano.
    “Esta é a minha segunda visita ‘Ad Limina’. Em 2003 me encontrei ainda com o saudoso Papa João Paulo II. Peço orações pelo bom êxito desta visita e de lá estarei na comunhão de orações, rezando por todos os fiéis da Diocese, desde as Basílicas de São Pedro, São Paulo, São João do Latrão e de Nossa Senhora”, completou o bispo diocesano de Bauru.

     

    "Festa de Todos os Santos e Dia de Finados"Artigo publicado na edição de de 01 de novembro de 2009 do Jornal da Cidade
    “Creio na Comunhão dos Santos”
     “Passarei meu céu fazendo bem na terra” (Sta. Terezinha).
    Só há uma tristeza: a de não sermos santos” (Leon Bloy).
    “É um pensamento santo e salutar rezar pelos defuntos para que sejam perdoados de seus pecados” (2Mc 12,46).
                 De fato, a Festa de Todos os Santos e o Dia dos Finados devem englobar toda a Igreja, a saber: a Triunfante (do céu), a Padecente (do Purgatório) e a Militante (da terra). Pois que os Santos gloriosos do Céu, os Santos padecentes em fase de aperfeiçoamento no Purgatório e os Santos militantes da terra a caminho da santidade, todos enfim formam a grande assembleia dos Santos, a Igreja. Esta é a fé que professamos no Credo: Creio na Comunhão dos Santos.
                Como todos os que têm fé formam um só Corpo, o Corpo de Cristo, que é a Igreja, há uma intercomunicação de bens, materiais e espirituais, de uns aos outros. Essa é igualmente outra verdade de nossa fé. A intercomunicação e comunhão compreendem aqueles dons que são essenciais na vida cristã, segundo lemos nos Atos dos Apóstolos: “Os discípulos eram assíduos no ensinamento dos Apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações” (At 2,42). Por isso, entre os cristãos que são constituídos como “raça escolhida, sacerdócio real, nação santa e povo adquirido” (1P 2,9), devem operar-se, quanto à partilha de dons, a:
    ·          comunhão na fé que revigora a unidade da Igreja e dá credibilidade à missão;
    ·          comunhão na graça santificante proveniente da Oração, Liturgia, Sacramentos;
    ·          comunhão dos carismas distribuídos pelo Espírito para a edificação da comunidade;
    ·          comunhão dos bens partilhados especialmente com os pobres;
    ·          comunhão na caridade que, irradiando-se em benefício dos outros, vivos ou mortos, realiza a comunhão dos santos, uma vez que “ninguém de nós vive e ninguém morre para si mesmo” (Rm 14,7).
                            A Liturgia de Todos os Santos e de Finados nos ajuda a celebrar os nossos entes queridos que nos precederam na morte, com espírito de confiança na bondade e misericórdia divina, oferecendo a Deus preces e obras de piedade para que Ele os tenha já em seu Reino, e de gratidão pelo dom destas vidas ligadas às nossas em graus diversos de afinidade e parentesco, rendendo graças a Deus, que para nosso bem nos deu. Faz parte da nossa fé que as orações por nós oferecidas a Deus em favor dos irmãos que descansam na paz de Cristo podem não somente ajudá-los, mas também tornar frutuosa a intercessão deles por nós. É um intercâmbio de bens espirituais entre nós e eles que fortalece os laços de comunhão entre todos nós, os que somos filhos de Deus e constituímos uma única família em Cristo. O costume de venerar com grande piedade a memória dos defuntos é antiquíssimo, vem desde os primórdios da Igreja, e é uma prática que cultivamos com profundo espírito religioso. É em Deus que nós podemos encontrar os nossos falecidos e com eles nos comunicar.
                Os Santos que estão no Céu não deixam de interceder a Deus por nós, que pelejamos aqui neste chão, com orações e súplicas, e em virtude dos méritos de Jesus Cristo a quem seguiram fielmente na terra. Os Santos, além de intercessores em nossas necessidades, são também mediadores de graças, que nos ajudam a seguir seu exemplo de vida e caminho de santificação. O seu valioso auxílio atrai a graça e a força de Deus, que nos levantam das nossas fraquezas.
                Celebremos, com alegria, a festa de Todos os Santos e, com esperança, o dia dos Finados, pois Jesus Cristo é a Ressurreição e a Vida, e pelo Batismo estamos unidos com Ele na vida e na morte (Jo 11, 25-26).
                Na profissão de fé solene assim nós rezamos: “Cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo, dos que são peregrinos na terra, dos defuntos que estão terminando a sua purificação, dos bem-aventurados do céu, formando todos juntos uma só Igreja, e cremos que nesta comunhão o amor misericordioso de Deus e dos seus santos está sempre à escuta das nossas orações”.
                Vivos e mortos se encontram unidos na glória de Cristo e no mistério de amor, especialmente, quando nos reunimos para a celebração da Eucaristia, o memorial da paixão, morte e ressurreição do Senhor. Então, a terra se eleva ao céu e as alturas descem às baixuras de nossas vidas. E desta mesa de peregrinos nós participamos já aqui e agora do banquete de Deus, celebrando a Comunhão dos Santos.
                Em louvor de Cristo. Amém!
     
    Dom Caetano Ferrari
    Bispo Diocesano de Bauru


     

    "Ser Santo"Artigo publicado na edição de de 01 de novembro de 2009 do Jornal Bom Dia
    Aprendi com a primavera a deixar-me cortar para voltar sempre inteira”. (Cecília Meireles).
    Novembro começa com a celebração de todos os Santos e de Finados. A liturgia nos conduz a honrar os santos dos céus, cantando as maravilhas que Deus realizou por meio deles, enquanto viveram neste mundo. Com as preces elevadas a Deus homenageamos especialmente os santos de nossa devoção, suplicando-lhes a intercessão e proteção para que possamos ao menos chegar mais perto do grau de santidade que alcançaram. Admirando-lhes a vida santa, que levaram nos dias em que viveram entre nós, aspiramos imitar-lhes o exemplo e seguir-lhes os passos no caminho da santidade.
    Os nossos mortos, nós os reverenciamos, rezando por eles e visitando os cemitérios. Com velas acesas, flores e orações, recordamos as pessoas queridas e ligadas a nós, que já partiram para a casa do Pai. A liturgia nos leva a rezar também pelos falecidos desconhecidos, sobretudo as vítimas das guerras e violências, da fome e do abandono, dos vícios e pecados. Que o Senhor tenha pena de todos eles, lhes conceda o repouso eterno e faça brilhar para eles a sua luz. Nossa fé nos ensina que devemos rezar por todos os mortos, mas também por todos os vivos, santos e pecadores, bons e maus, para que o Senhor tenha pena dos que ainda caminham na estrada da vida e os conduza com sua mão firme na prática do bem rumo ao céu.
    Ao celebrar todos os santos e recordar nossos mortos, somos levados a pensar em nossa vida, como estamos vivendo, e no ideal de sermos santos, uma vez que o sonho da santidade deve estar dentro de nossos planos pessoais de vida.
    Dom Caetano Ferrari é bispo diocesano de Bauru
    "Decreto de Dom Caetano interdita a Igreja Santa Teresinha"Segue abaixo o decreto de Dom Caetano Ferrari, bispo diocesano de Bauru, para interdição da Igreja de Santa Teresinha em Bauru.

    O Conselho de Presbíteros da Diocese de Bauru, reunido com seu Presidente Dom Frei Caetano Ferrari, OFM, Bispo Diocesano, ponderou e decidiu o quanto segue:

     

    a)      a Paróquia de Santa Terezinha do Menino Jesus, em Bauru, tem seu templo tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru – CODEPAC, desde 21 de outubro de 2002, pelo Decreto Nº 9304 do Dr. Nilson Costa, então Prefeito Municipal;

    b)      qualquer melhoria no prédio, para ser realizada, necessariamente deve ter prévia e expressa  autorização do CODEPAC, órgão governamental competente;

    c)       ante o laudo pericial da lavra de M.S. TECNOLOGIA E CONSULTORIA LTDA, datado de 07 de outubro de 2009, devidamente assinado pelos técnicos responsáveis, srs. Eric Édir Fabris (CREA 060 071096-8) e Gilberto Amauri Serafim (CREA 060 142398-7), que entre outros, assim propõe como solução:

     

                                           “A solução proposta para o reforço das fundações permanece a mesma explicitada em nosso relatório de 2007, inclusive em relação às prioridades de intervenção do prédio, assim como as definições dos custos envolvidos”.

     

    E conclui:

     

                                           “Em vista do exposto, ratificamos nossas recomendações constantes do relatório anterior, de que o prédio exige intervenção urgente para que se atinjam condições adequadas de segurança, sendo agora, “premente” a adoção de providências para o reforço de suas fundações”.

     

                      Assim sendo, tendo em vista a segurança dos fiéis, do próprio prédio e bens ali existentes, DECRETO a INTERDIÇÃO, temporariamente, da Igreja Matriz de Santa Terezinha, em Bauru, para sua devida reforma estrutural.

     

                      Durante esse período, que espero que seja breve, as cerimônias litúrgicas serão celebradas no Salão Paroquial, sito na Praça Rodrigues de Abreu, 2-55.

                     

                      Dado e passado em nossa Cúria Diocesana de Bauru, aos 26 de outubro de 2009.

     

    Dom Frei Caetano Ferrari, OFM

    Bispo Diocesano  

    Presidente do Conselho Presbiteral Diocesano

     

    Ir. Clara Maria Moreira, ASCJ

    Chanceler

    O transcrevi e registrei



    "Encerrando outubro missionário e Santo Antônio de Santana Galvão"
    Artigo publicado na edição de de 18 de outubro de 2009 do Jornal da Cidade
    Em todas as comunidades de fé o chamado à missão ecoou, intensamente, ao longo deste outubro, o mês missionário. Neste espaço, a cada domingo de outubro, o discurso foi o mesmo: a ação missionária da Igreja deve ser permanente; é tarefa de todos os batizados; a paróquia é o primeiro espaço da missão, mas ela deve chegar a todas as nações e povos; seu conteúdo é o anúncio da Palavra de Deus, que é uma Pessoa, Jesus Cristo, homem e Deus; para realizar essa missão, nós, os batizados, precisamos nos converter em discípulos apaixonados e missionários intrépidos de Jesus; e as nossas paróquias necessitam abandonar estruturas ultrapassadas, testemunhar a comunhão, a oração e a caridade, e sair à missão.
    Todas as paróquias vêm se empenhando, vivamente, por seus párocos, vigários, religiosas, catequistas, agentes pastorais e líderes de comunidades, em oferecer oportunidades aos fiéis, mediante celebrações, leitura orante da Palavra e catequese bíblica, para experimentarem a felicidade e o encantamento de um encontro pessoal com Jesus Cristo. Como um exemplo de encontro com Jesus, que transformou a vida de alguém, basta lembrar o que sucedeu com o apóstolo Paulo: como tudo mudou na sua vida depois do encontro com Jesus, no caminho de Damasco (cf. At 9, 1-18), de perseguidor dos cristãos tornou-se o maior missionário da Igreja em todos os tempos.
    Sem que deixemos esmorecer a ação missionária permanente, encerro a reflexão que este outubro missionário enseja, citando o Documento de Aparecida, que nos convoca para a missão de comunicar, “transbordando de gratidão e alegria, o dom do encontro com Jesus Cristo. Não temos outro tesouro a não ser este. Não temos outra felicidade nem outra prioridade senão a de sermos instrumentos do Espírito de Deus na Igreja, para que Jesus Cristo seja encontrado, seguido, amado, adorado, anunciado e comunicado a todos, não obstante todas as dificuldades e resistências. Este é o melhor serviço – o seu serviço! – que a Igreja deve oferecer às pessoas e nações” (DA 14).
     
    SANTO ANTÔNIO DE SANTANA GALVÃO
    No dia de hoje, celebra-se Santo Antônio de Santana Galvão, o primeiro santo brasileiro nato. Ele nasceu em Guaratinguetá-SP, no ano de 1739. Como sacerdote e franciscano, exerceu sua atividade apostólica, principalmente, na cidade de São Paulo, onde morreu aos 23 de dezembro de 1822. Seu corpo se encontra sepultado no Mosteiro da Luz por ele fundado. O Santo Frei Galvão, como é também chamado, ficou conhecido como “Homem da Paz e da Caridade”. Exatamente assim porque essa foi a marca característica de sua vida como Frade Franciscano e grande devoto da Imaculada Conceição: um missionário pacificador das tensões na vida familiar e social na cidade de São Paulo e caridoso para com os pobres e necessitados, que o procuravam no Convento São Francisco, onde foi Pároco e Guardião, e depois no Mosteiro da Luz. Eu tive a graça de participar tanto de sua beatificação por João Paulo II, em outubro de 1998, em Roma, como também de sua canonização por Bento XVI, em maio de 2007, no Campo de Marte, em São Paulo, quando da vinda do Papa ao Brasil para a abertura da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e Caribe, em Aparecida-SP.
    Neste outubro missionário, em que celebramos a festa de Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das missões, São Francisco de Assis (dia 4), padroeiro da ecologia, e Santo Antônio de Santana Galvão (dia 25), patrono dos profissionais da construção civil, supliquemos ao Pai, por intercessão de tão grandes santos, para que nos abençoe e nos converta sempre mais em verdadeiros discípulos e missionários de Jesus Cristo a serviço da vida.
    Dom Caetano Ferrari,
    Bispo Diocesano de Bauru

    "Ano Catequético nos convida a orar pelos catequistas"Artigo publicado na edição de de 25 de outubro de 2009 do Jornal Bom Dia
    Evangelizar e catequizar é, em primeiro lugar e acima de tudo, fazer-se próximo da pessoa, independentemente da sua idade e condição social, para colocá-la em contato com Jesus Cristo, convidando-a para segui-lo. É, em resumo, propiciar a esse outro contatado o seu encontro pessoal com Jesus e sua adesão livre a Ele. Duas condições são absolutamente indispensáveis ao evangelizador: acolher bem e comunicar-se, tendo como guia e roteiro a Palavra de Deus. Para assim proceder, todo evangelizador precisa, primeiro, ter ele mesmo feito a sua experiência do encontro e adesão a Jesus e estar inserido na comunidade eclesial, na qual vive a comunhão, cultiva a vida espiritual na oração e celebração litúrgica, tendo dela recebido a prévia preparação bíblico-doutrinal e o mandato missionário.    
    Como “a evangelização é obra do Espírito Santo” e “a fé é graça de Deus”, evangelizar e catequizar é transmitir o “espírito e vida” que leva ao encontro com Jesus, muito mais do que passar conteúdos. Somente sendo, ao mesmo tempo, discípulo apaixonado por Jesus e seu missionário intrépido, que o evangelizador será como o Mestre dos mestres, alguém que fala “como quem tem autoridade” (cf Lc 4,32) e faz “arder o coração” como sentiram os discípulos de Emaus: “Não ardia nosso coração quando Ele falava e explicava as Escrituras” (Lc 24,32)?
    Estamos vivendo o “Ano Catequético Nacional”, que nos convida a orar pelos catequistas e evangelizadores de nossas paróquias.
    Além de sua oração, apresente-se você também à sua comunidade de fé e ofereça-se, transbordando de gratidão e alegria, para ser evangelizador – discípulo e missionário de Jesus!
    Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

    "Dia Mundial das Missões"
    Artigo publicado na edição de de 18 de outubro de 2009 do Jornal da Cidade
    Sob a Ação do Espírito Santo, a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, realizada em Aparecida, 2007, e inaugurada com a presença do Santo Padre o Papa, Bento XVI, continua repercutindo positivamente na vida de nossas comunidades de fé e continuará ainda por muito tempo, enchendo de esperanças e expectativas toda a Igreja.
    O pessoal de Igreja, que participa com assiduidade nas Paróquias, talvez até esteja se cansando de tanto ouvir falar de que cada batizado é “discípulo e missionário” de Jesus e que a comunidade de fé (Paróquia) é uma Comunidade de “discípulos e missionários”. Que a missão da Igreja é evangelizar e que nós, os seus fiéis, precisamos passar por um monumental processo de conversão eclesial, pastoral, espiritual, institucional para assumirmos a missão com todo vigor e em todos os âmbito geográficos: a missão na Paróquia, na Diocese, na Amazônia, no Continente e “ad gentes”, isto e, além fronteiras latino-americanas. E ainda que devemos ser testemunhas e missionários: “nas grandes cidades e nos campos, nas montanhas e florestas de nossa América Latina, em todos os ambientes da convivência social, nos mais diversos “areópagos” da vida pública das nações, nas situações extremas da existência, assumindo ad gentes nossa solicitude pela missão universal da Igreja”, como lemos no Documento de Aparecida (DA548). E para que essa conversão seja realmente alcançada, o Documento assegura que a Igreja necessita passar por uma verdadeira comoção, como que por um novo Pentecostes de renovação pastoral e evangelizadora.
    Neste domingo, Dia Mundial das Missões, o Papa Bento XVI nos envia uma mensagem de convocação missionária iluminada com estas palavras bíblicas: “As nações caminharão à sua luz” (Ap21,24).
    Lembra o Papa que a “Igreja não age para expandir o seu poder ou afirmar o seu domínio, mas para levar a todos Cristo, salvação do mundo”, enquanto o compromisso de anunciar o Evangelho aos homens de nosso tempo é, sem dúvida alguma, um serviço prestado não somente à Comunidade cristã, mas também a toda a humanidade”. Ele sublinha que “a missão da Igreja é ‘contagiar’ de esperança todos os povos” e “Cristo chama, justifica, santifica e envia os seus discípulos para anunciar o Reino de Deus, a fim de que todas as nações se tornem Povo de Deus. É somente nessa missão que se compreende e se confirma a verdade... A missão universal deve se tornar uma constante fundamental na vida da Igreja. Anunciar o Evangelho deve ser para nós, como já dizia o apóstolo Paulo, um compromisso impreterível e primário”. Como a missão é obra do Espírito Santo, o Pontífice se dirige a todos nós, os fiéis católicos, para permanecermos firmes na oração, suplicando “ao Espírito Santo que aumente na Igreja a paixão pela missão de proclamar o Reino de Deus e ajudar os missionários, as missionárias e as comunidades cristãs empenhadas nessa missão, muitas vezes em ambientes hostis de perseguição”. Pede-nos ainda o Papa: “Convido, ao mesmo tempo, todos a darem um sinal crível de comunhão entre as Igrejas, com uma ajuda econômica, especialmente neste período de crise que a humanidade está vivendo, a fim de colocar as jovens igrejas em condições de iluminar as pessoas com o Evangelho da caridade”.
    Caro leitor, participe em sua comunidade de fé, na comunhão de orações e caridade, ajudando na ação pastoral e evangelizadora de sua Paróquia e em favor da missão ad gentes.

    Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

     
    "Dia das Missões"Artigo publicado na edição de de 18 de outubro de 2009 do Jornal Bom Dia
    Dia das Missões
    Desejo destacar a mensagem do papa Bento 16 dirigida, neste Dia Mundial das Missões, a todos nós: “irmãos e irmãs de todo o povo de Deus”. O papa exorta “a reavivar em si a consciência do mandato missionário de Cristo de fazer discípulos todos os povos, seguindo as pegadas de São Paulo, o Apóstolo dos Gentios”. Convida a inspirar-se na firme convicção de Paulo: “Anunciar o Evangelho deve ser para nós um compromisso impreterível e primário”.
    Alerta-nos para que não esqueçamos o compromisso com a missão “ad gentes”, especialmente, em terras onde o Evangelho está chegando pelo trabalho difícil, mas intrépido dos missionários, às vezes em situações de perseguição. Diz ele: “Toda a Igreja deve se empenhar na missio ad gentes, até que a soberania salvífica de Cristo não seja plenamente realizada”.
    A mensagem do papa vem bem sintonizada com o espírito da V Conferência do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, realizada em Aparecida, 2007, que está impulsionando nossas comunidades de fé a buscar conversão pastoral e renovação missionária, desde as nossas paróquias até à missão na Amazônia, à Continental e à ad gentes.
    Concluindo, o papa reafirma que a missão é sempre obra do Espírito Santo, o que exige de nós uma forte comunhão de orações, suplicando bênçãos e graças para os missionários e toda a missão. E relembra, por fim, o dever de cada um de nós de dar também a sua ajuda econômica em favor das missões.
    Caro leitor, participe com suas orações e ajuda para que o Espírito Santo derrame sobre nossas comunidades e fiéis a graça de um novo Pentecostes de renovação missionária.

    Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
     
    "Evangelizai toda criatura"Artigo publicado na edição de de 11 de outubro de 2009 do Jornal da Cidade
    A Igreja é missionária por sua própria natureza afirma o Vaticano II (cf. Ad Gentes, 2). E sua missão é evangelizar, ou seja, encher a terra com o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Jesus fundou a Igreja, congregando os discípulos ao redor da Palavra e da Eucaristia, e enviando-os à missão: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20,21); “ide por todo mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).
    Neste mês missionário de outubro, a Igreja nos propõe quanto à missão aprofundar a conscientização, a oração e o comprometimento com mudanças de atitudes, planejamento e ação missionária concreta.
    Uma pergunta importante: o que fazer para que a Igreja seja mais missionária? Ou como dar um novo impulso à evangelização, conforme a proposta do Documento de Aparecida (DA)? O próprio DA aponta o caminho: para que isso aconteça há necessidade de uma “conversão pessoal e pastoral” e uma “renovação missionária de nossas comunidades de fé” (cf. 366, 368). E arremata, afirmando que a Igreja necessita de uma “forte comoção”, de um verdadeiro “Pentecostes” para que se rompa com a acomodação, o cansaço e a desilusão, e todas as nossas comunidades se tornem missionárias (cf. DA 362).
    A conversão pessoal e pastoral começa com mudanças no âmbito individual e comunitário. Em primeiro lugar, quanto à tomada de consciência de que ser missionário é vocação e missão de cada batizado na Igreja. Não só dos padres, catequistas e líderes das comunidades. Mas de todos os cristãos e, por isso, da comunidade toda. Em segundo lugar, quanto à clara compreensão de que a conversão individual e comunitária só se dará “a partir de Cristo”, ou seja, de um renovado encontro com Ele experimentado no interior do coração e vivido no seio da Igreja. O DA fala sobre a ventura desse encontro com Cristo com abundantes adjetivos, como encontro decisivo, fundante, fascinante, íntimo, fecundo, potencializador. “A partir de Cristo” é que as coisas podem de fato mudar na vida da pessoa e da comunidade. Pela adesão a Jesus o discípulo faz parte, desde então, do Reino de Deus, e se converte em participante e responsável pela proclamação da Boa Nova de Jesus Cristo e do seu Reino. Ele se compreende como discípulo dócil do Mestre e ao mesmo tempo como seu missionário. E mais ainda ele se convence de que, de fato, não pode existir cristão fora da Igreja. Ele não poderá nunca ser “discípulo missionário” sozinho, isolado, fora da comunidade dos discípulos e da fé da Igreja. É a comunidade que o julgará idôneo para a missão e é dela que ele receberá o “mandato missionário”.
    A renovação das comunidades de fé ou paróquias decorre obviamente da conversão pessoal e comunitária de seus fiéis, da santidade de seu povo. As paróquias serão mais santas quanto mais santo for o seu povo. Mas elas também são chamadas a uma renovação institucional, pastoral e espiritual. Isso requer delas “abandonarem as estruturas ultrapassadas que já não favorecem a transmissão da fé” (DA 365); “serem células vivas da Igreja... casas e escolas de comunhão” (170); “fonte dinâmica do discipulado missionário” (172); “lugar onde os fiéis se reúnem “para partir o pão da Palavra e da Eucaristia e perseverar na catequese, na vida sacramental e na prática da caridade” (175); tornarem-se “centros de irradiação missionária” (306).
    Última pergunta: de quem depende a renovação da Paróquia? É claro, primeiramente, “dos párocos e dos sacerdotes que estão a serviço dela”... Que o pároco seja autêntico discípulo de Jesus Cristo e ardoroso missionário (201). Mas “requer-se que todos os leigos se sintam co-responsáveis na formação dos discípulos e na missão” (202). “A evangelização do continente, dizia-nos o papa João Paulo II, não pode realizar-se hoje sem a colaboração dos fiéis leigos” (213).
    As reformas e aprimoramentos das estruturas e organismos da Paróquia “precisam estar animados por uma espiritualidade de comunhão missionária” (203).
    Caro leitor, com sua oração e colaboração, a sua Paróquia há de renovar-se e de impulsionar a pastoral da missão.
    Em louvor de Cristo. Amém!

    Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

    "Outubro Missionário"
    Artigo publicado na edição de de 11 de outubro de 2009 do Jornal Bom Dia
    Todo cristão é missionário, chamado desde o Batismo a ser discípulo e apóstolo de Jesus Cristo. O verdadeiro missionário é aquele discípulo dócil que se deixa conduzir pelo Espírito Santo e plasmar-se por Ele, interiormente, a fim de assemelhar-se cada vez mais segundo a imagem de Cristo, e assim poder seguir-lhe as pegadas e ser enviado à missão.
    O fiel discípulo de Jesus vive como Ele na escuta da vontade do Pai e em espírito amoroso de oração e devoção a Deus. Procurando ser “contemplativo na ação”, medita a Palavra de Deus,., faz a leitura cuidadosa dos sinais dos tempos e pratica a solidariedade para com os irmãos e irmãs, especialmente, os pobres e desamparados deste mundo. O missionário será sempre uma pessoa espiritual de vida intensa com Deus, mas igualmente inserido na história  e comprometido com a causa do Reino de Deus, que já está presente neste mundo; será, portanto, uma pessoa caridosa, amorosa e misericordiosa em relação a Deus, aos outros e a toda criatura.
    O missionário ama a Igreja como ama a sua mãe e as pessoas, assim como Jesus as amou e por elas deu a vida. Todos missionário segue o itinerário de fé percorrido pela Virgem Maria. Como primeira discípula de seu Filho Jesus, ela esteve reunida com os Apóstolos no Cenáculo, recebendo com eles os dons do Espírito. Ela é a “Estrela da Evangelização”, a “Missionária de Jesus”, que nos ensina e ajuda a evangelizar, enchendo a terra com o Evangelho de seu Filho, Jesus Cristo.
    Neste mês missionário, participe com sua oração e colaboração nas ações pastorais e missionárias de sua Paróquia. Em louvor de Cristo. Amém!
    Dom Caetano Ferrari – Bispo Diocesano de Bauru

    "São Francisco de Assis"
    Artigo publicado na edição de de 04 de outubro de 2009 do Jornal Bom Dia
    Nossa Senhora é a primeira discípula de Jesus. Por sua grandeza ela está a frente de todos os humanos no seguimento de Jesus. E logo depois vem São Francisco, o segundo entre os humanos, mas o primeiro entre os homens, como o mais perfeito discípulo e missionário de Jesus. No plano da santidade, Nossa Senhora e São Francisco seguem à frente de todos os santos. E na vivência do amor, baixando agora à Terra, nós homens devemos reconhecer que as mulheres são imbatíveis. Neste aspecto, quem como a mãe de Jesus, quem como as nossas mães?
    Hoje é dia de São Francisco que “é, depois de Maria de Nazaré, o mais grandioso santo do calendário cristão, e um dos homens mais influentes da história da humanidade” (Chersterton).
    O Papa João Paulo II, em 1993, assim rezou: Ó São Francisco, o mundo tem saudades de ti, como imagem de Jesus Crucificado; ensina os homens de hoje a abrir as portas da esperança aos crucificados pelo sofrimento, fome e guerra, a vencer o mal do pecado, a descobrir a alegria de perdoar e a construir a paz.
    Chamado de “Alter Christus” (o outro Cristo) ou “o primeiro depois do Único” e ainda de “homem feito oração”, Francisco inspirou a “Oração pela paz”: Senhor, fazei-me um instrumento de vossa paz” e compôs o “Cântico das Criaturas”: “Altíssimo, Onipotente, Bom Senhor, teus são os louvores. Louvados sejas, meu Senhor, pelo irmão sol, a irmã lua, a irmã água, o irmão fogo e a irmã morte do corpo da qual homem algum pode escapar. Da morte segunda, a do pecado, livra-nos, Senhor. Que felizes cantaremos teus louvores para sempre. Amém!”
    Dom Caetano Ferrari

    "Dia Nacional da Bíblia"Artigo publicado na edição de de 27 setembro de 2009 do Jornal da Cidade

    Santo Padre o Papa, Bento XVI, hoje, Dia Nacional da Bíblia, nos brinda com a publicação da “Exortação Apostólica pós-sinodal sobre a Palavra de Deus na vida e na missão Igreja”. Esse documento, tão logo o tenhamos em mãos, ensejará muitas reflexões. Enquanto isso, penso que nunca é demais recordar algum princípio básico necessário à compreensão da Bíblia. É o que desejo fazer agora.

    Quanto à leitura da Bíblia: há pessoas que leem a Bíblia como literatura e a consideram inclusive uma obra fascinante como a “Ilíada” e a “Odisséia”, de Homero, e os contos de fada ou uma narrativa épica que mistura fatos e lendas, realidade e mitos, seres humanos e deuses como as epopéias. Além de seu valor cultural e de sua beleza literária, essas narrativas são moralmente valiosas, pois transmitem valores, e permanecem até hoje como verdadeiras obras de arte. Para essas pessoas, a Bíblia não passaria de uma linguagem figurativa, um conto, um romance escrito para transmitir também valores, mas, o que seria pior, ocultaria uma intenção de interesse humano muito forte por trás. Qual seja, o desejo de dominação dos judeus sobre os povos a seu redor, no Antigo Testamento, e, por suposição, dos cristãos sobre as consciências das pessoas e as liberdades individuais e sociais, no Novo Testamento. Por isso, segundo elas, se valesse a pena ler a Bíblia como uma fascinante obra-prima da literatura mundial, todavia, se deveria fazê-lo com cuidado e espírito crítico, porque ela ocultaria uma vontade de poder, um projeto humano, demasiadamente humano, e não seria nunca um “Livro Sagrado”, uma “História da Salvação” e muito menos a “Palavra de Deus”.

                O espaço não permite detalhar a questão e inclusive obriga a resumir, sem maiores aprofundamentos, uma resposta, aproveitando-se do ensejo para uma proclamação da fé e das “razões da esperança” (cf. 1Pe 3,15).

    ·O ponto de partida de aproximação à Bíblia para nós, cristãos, é a fé. E, em primeiro lugar, a fé numa pessoa, em Nosso Senhor Jesus Cristo, a Palavra viva de Deus, o Verbo Divino feito carne, a revelação absoluta de Deus e de seu desígnio para com a humanidade. Essa fé em Jesus vem pelo anúncio da Palavra, a Bíblia, que funciona como o instrumento, o caminho, a palavra escrita que testemunha e anuncia Jesus Cristo. Ela conta como foi preparada a vinda de Jesus (Antigo Testamento) e como aconteceu a encarnação de Jesus, o modo como viveu, suas palavras e atos, sua paixão, morte e ressurreição (Novo Testamento). Somente a partir da fé em Cristo se pode ler e compreender corretamente a Bíblia como Palavra de Deus. O cristianismo não é, prioritariamente, doutrina, ensinamento e palavra escrita. É uma Pessoa, o próprio Cristo, “caminho, verdade e vida”, que leva ao Pai e nos dá o Espírito Santo. O Documento de Aparecida fala da alegria do encontro com Cristo: “Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-Lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-Lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (DA 29).

    ·A Bíblia é um livro diferente de todos os outros. Não se busque nela verdades científicas, cosmológicas, geográficas. Não é também um livro de ficção, pura literatura e arte. Seu objetivo é religioso e sua verdade é salvífica, cujo núcleo central é “uma proclamação clara de que, em Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem, morto e ressuscitado, a salvação é oferecida a todos os seres humanos como dom da graça e da misericórdia do mesmo Deus” (Evangelii Nuntiandi, 27, Papa Paulo VI).

    ·Segundo a fé, Deus é o autor da Sagrada Escritura. Os autores humanos a escreveram em linguagem humana, mas sob a inspiração do Espírito Santo, ensinando todas as verdades necessárias à nossa salvação. O Concílio Vaticano II assim se expressa: “os livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro a verdade relativa à nossa salvação, que Deus quis que fosse consignada nas Sagradas Escrituras(Dei Verbum, 11). A fé cristã, todavia, não é “uma religião do Livro”, mas da Palavra de Deus, que não é “uma palavra escrita e muda, mas o Verbo encarnado e vivo” (cf. Catecismo da Igreja, 18).

                De fato, para quem tem fé em Deus, a Bíblia não tem outra intenção senão a do próprio Deus que “amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). Conhecer a Sagrada Escritura é muito importante. Como escreveu São Jerônimo, no século V, “ignorar a Bíblia é ignorar a Cristo”.    

     

    Dom Caetano Ferrari

    Bispo Diocesano de Bauru


    "O Dia da Bíblia"
    Artigo publicado na edição de de 27 setembro de 2009 do jornal Bom Dia
     

    Neste último domingo do mês a Igreja comemora o Dia Nacional da Bíblia. E, hoje, o Santo Padre o Papa, Bento XVI, publica a Exortação Apostólica pós-sinodal sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja. Apressemos a lê-la assim que chegar às mãos.

    Orar com a Bíblia: a Bíblia é o melhor livro de orações porque ela é a própria Palavra de Deus. Com ela se pode escutar o que Deus tem a dizer e, em seguida, inspirar-se a falar com Deus, isto é, a orar. Tanto para as orações individuais e grupais como para as litúrgicas e oficiais, a Bíblia é o livro de orações mais importante dos católicos. A Leitura Orante da Bíblia é uma maneira de orar com a Bíblia, desenvolvida desde os primeiros cristãos, e ainda atual. É um itinerário de oração em quatro passos ou degraus que sugerem um subir, elevando o coração, a alma e todo o ser até Deus a partir da Palavra: ler, meditar, orar e contemplar.

    A oração leva a contemplar: isto é, a sentir a alegria da presença de Deus, de sua graça que aquece o coração, ilumina a mente, amplia os horizontes, compromete a vida, desde aqui e agora, com a vida das coisas, dos outros e a vida eterna em Deus. Desse sublime encontro com Deus desenvolve-se, lá no fundo da inteligência, uma nova visão da vida, das coisas e de Deus mesmo; lá no fundo do coração, um novo sentimento de compaixão com os que sofrem e de compromisso com as causas da justiça, da paz, da fraternidade universal; e, lá no fundo de todo o ser, um desejo ardente de tornar-se verdadeiramente discípulo e missionário de Jesus Cristo.  

                O pão da Palavra e da Eucaristia, especialmente partilhado na Missa, alimenta a fé e torna a vida cristã decididamente bíblica e eucarística.

     

    Dom Caetano Ferrari

    Bispo Diocesano de Bauru

     

    "Casamento católico só é feito na Igreja
    "Artigo publicado na edição de de 23 setembro de 2009 do Jornal da Cidade
    A Diocese de Bauru reitera que os padres não têm autorização para celebrar cerimônia religiosa fora de seus templos
    Os noivos de Bauru e região interessados em selar a união com a bênção de um padre católico necessariamente realizarão a cerimônia numa igreja da Diocese. Os religiosos não têm autorização para celebrar o sacramento em outros locais como capelas particulares, oratórios, salões de festa ou bufês, por exemplo. A informação foi confirmada ontem pelo bispo dom Caetano Ferrari, transferido para Bauru em meados de abril. Ele tomou posse no último dia de maio.

    A determinação, no entanto, antecede sua gestão. “O matrimônio é uma celebração litúrgica. É religiosa, não é civil. As celebrações religiosas devem ser feitas, de forma preferencial, nos templos ou ambientes religiosos. É um ato público, litúrgico e oficial da igreja”, reitera o bispo. De acordo com ele, quando era bispo em Franca recebeu pedidos para que abrisse exceções, o que não se repetiu em Bauru, pelo menos por enquanto.

    “Têm pessoas que insistem para ter autorização e fazer numa capela, fazenda, chácara, eventualmente num salão de festas. Mas não é um ato social”, explica. Dom Caetano Ferrari informa, porém, algumas possibilidades para permitir uma cerimônia fora da igreja.

    É o caso, por exemplo, de quem está internado, com risco de morte, e quer regularizar o casamento na Igreja Católica. Outra exceção é o casamento misto entre um católico e um evangélico, que recusa a igreja por conta das imagens.

    “O bispo, então, pode dar autorização para que esse casamento seja feito no salão da paróquia. Essas situações podem existir”, acrescenta o bispo. De acordo com ele, as justificativas devem ser estudadas.

    Em Bauru, dom Caetano já foi consultado quanto à possibilidade do padre abençoar um casamento, sendo que uma das partes iniciaria uma segunda união. “Eles sabem que não podem ter casamento, mas gostariam de uma bênção. Isso a gente não pode dar porque seria uma simulação do sacramento. Não podemos fazer uma bênção pública. Se quiserem particular, conversem com o padre e peçam uma particular”, finaliza.

    "
    A leitura orante da Bíblia"Artigo publicado na edição de de 20 setembro de 2009 do Jornal da Cidade
    Ou, em latim, a “Lectio Divina” mais do que um método é uma maneira simples, individual ou grupal de se ler e meditar a Palavra Divina e de se dispor à escuta de Deus e à acolhida de sua graça. Somente isso. Bastando ao sujeito leitor da Bíblia a humilde confiança e o sincero desejo de comunicar-se com o Senhor, a Palavra Sagrada por ele lida e meditada, que é luz e força, pode de fato iluminar os seus passos e transformar a sua vida. Diz-se, por isso, que a “Lectio Divina” é como um itinerário espiritual que leva a pessoa a um venturoso encontro e diálogo com Deus por meio de sua Palavra. Desse encontro, o leitor não sai o mesmo, mas renovado e fortalecido na fé, esperança e caridade.
    Essa experiência peculiar de ler a Sagrada Escritura remonta ao povo do antigo Israel que a lia para “alimentar a fé e a fidelidade à aliança” (cf. Neemias 8, 1-12). Os cristãos, depois, não abandonaram essa prática, mas a assumiram e a levaram adiante, desenvolvendo-a até a fórmula clássica como a conhecemos hoje. Naturalmente uma experiência orante da Bíblia que teve seus momentos de altos e baixos, segundo as vicissitudes da história.
    Pois bem, a “Leitura Orante”, na sua formulação clássica que se desenvolveu desde as primitivas práticas cristãs de meditação bíblica e os exercícios espirituais dos monges do deserto e que chegou até nós, vem proposta como um itinerário em quatro passos ou uma escada de quatro degraus, indicando um caminhar para frente e para o alto, ou seja, para o céu e para Deus.
    Os quatro passos ou degraus da “Lectio”
    1º passo: LER – Deve-se sempre começar invocando o Espírito Santo, para que ajude e ensine a rezar e a ouvir a voz do Deus Vivo que, com sua Palavra, quer falar. Depois, inicia-se fazendo a leitura, uma simples leitura do texto e uma pausa para bem compreendê-lo. O empenho por entender o que o texto em si mesmo está dizendo supõe inclusive situá-lo no tempo, no espaço e no seu contexto. Para isso, se for possível, será muito útil servir-se de algum bom comentário bíblico. Prestar atenção às palavras, às ideias, ao conteúdo, ao sentido... E silenciar-se para ouvir o que Deus tem a dizer.

    2º passo: MEDITAR – É uma ação a se fazer mais com o coração do que com a cabeça. É o ruminar a Palavra depois de lida e entendida. Alguém até já usou a comparação com o gado que, enquanto descansa, rumina e mastiga, trazendo a relva de volta do estômago para reprocessá-la a fim de que nenhum nutriente se perca e tudo seja bem aproveitado. Assim deve ser o meditar, um processo de interiorização e interpretação da mensagem lida agora, buscando atualizá-la no aqui e agora da caminhada e aplicá-la à vida no concreto das vivências, sentimentos, alegrias e tristezas. Tentar perceber o que o texto está a dizer. E suplicar, como os santos: “fala, Senhor, que o teu servo escuta”.
    3º passo: ORAR – A leitura e a meditação levam à oração. Como suspiro e sussurro da alma a oração é o desejo de falar com Deus, de lhe abrir o coração, de louvar, de agradecer, de suplicar perdão pelas traições e bênçãos de bem para si e para os outros. O texto lido e aplicado à vida inspira o orar e o que dizer a Deus. Uma oração ligada à vida. É a resposta dos santos: “escuta, Senhor, que o teu servo deseja falar”.
    4º passo: CONTEMPLAR – Não é apenas vivenciar algum êxtase místico. Embora ele possa acontecer, consiste em desenvolver e aprimorar a capacidade de lançar um novo olhar sobre a vida, sobre Deus e sobre os outros. E, como conclusão da leitura orante, ser capaz de assumir compromissos de fidelidade na fé, de tornar-se discípulo e missionário, e de servir à vida.
    Dependendo menos da vontade e esforço e mais da graça e ação do Espírito, a “Leitura Orante” conduz ao encontro com Deus. Empenhe-se com afinco, prezado leitor, nesse exercício de ler, meditar, orar e contemplar a Sagrada Escritura, confiando, contudo, que o Espírito Santo vem ao encontro da nossa fraqueza e “intercede por nós com gemidos inefáveis (Rm 8, 26).
     
    Dom Caetano Ferrari Bispo Diocesano de Bauru

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    Amar a Bíblia"Artigo publicado na edição de de 20 setembro de 2009 do Jornal Bom Dia
    Conhecer e amar a Bíblia é dever de todo cristão. O discípulo fiel sempre encontra tempo para uma leitura diária da Sagrada Escritura. Lemos na Bíblia que a Palavra de Deus “é viva, eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes” (Hb 4,12).
    Que ela não sai da boca de Deus e desce até nós em vão, conforme diz o Senhor: “Como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam, sem terem regado a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar,... tal ocorre com a palavra que sai da minha boca: ela não volta a mim sem efeito; sem ter cumprido o que eu quis, realizado o objetivo de sua missão” (Is55,10-11). A Palavra de Deus leva ao encontro com Deus e tem esse poder de transformação: repercute na vida, convida à conversão, engaja na Comunidade e compromete com a solidariedade.
    Conhecer a Bíblia, saber manuseá-la, estudá-la, interpretá-la, aplicá-la à vida requer esforço e aplicação. A Bíblia é um livro complexo. Fazem-se necessários estudos sérios, ajuda de pessoas preparadas e freqüência a cursos bíblicos na Comunidade. Tudo isso é importante para serem evitadas as leituras errôneas. É claro que o Espírito Santo inspira cada um a bem ler a Bíblia.
    Mas Ele também concede o dom da comunhão com a fé da Igreja. Ele sopra para onde quer, mas não dispersa nem gera o caos e sim leva à harmonia e à unidade da fé. E Ele assiste a Igreja para que, com seu Magistério, garanta sempre a interpretação bíblica verdadeira e sua aplicação correta à vida.
    Conhecer para amar, orar e contemplar: esse é o itinerário da “Leitura Orante da Bíblia”. Freqüente, prezado leitor, na sua Comunidade, as equipes bíblicas de estudo e oração.

    Dom Caetano Ferrari, OFM - Bispo Diocesano
    "Exaltação da Santa Cruz"Artigo publicado na edição de de setembro de 2009 do Informativo "O Peregrino"
    “Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que Nele crerem, tenham a vida eterna” (Jo 3,14-15)
     
    Se não houvesse a Cruz, Cristo não seria crucificado nem teria atraído todos a si.
            A festa da Exaltação da Santa Cruz é a festa da Exaltação do Cristo, vencedor da morte e do pecado, por seu Corpo dado e Sangue derramado no alto da cruz. Para o cristianismo, a cruz é o símbolo maior de fé, com cujos traços, todos nós nos persignamos, desde o momento do levantar até o deitar a cada dia. Na cerimônia batismal, o primeiro sinal de acolhida à criança recém-nascida é o sinal-da-cruz, traçado em sua fronte pelo Padre, Pais e Padrinhos, sinalando-a para sempre com a marca de Cristo.
            A cruz recorda o Cristo crucificado, o sacrifício de sua Paixão, o seu martírio que nos deu a salvação. Por isso é que, desde tempos antiquíssimos, a Igreja passou a celebrar, exaltar e venerar a Cruz, inclusive, como símbolo da árvore da vida, que se contrapõe à árvore do pecado, no paraíso, e símbolo mais perfeito da serpente de bronze que Moisés levantou no deserto para curar os israelitas picados pelas cobras, porque O Filho do Homem, nela levantado, cura o homem todo e todos os homens, o corpo e a alma dos que Nele crêem e lhes dá a vida eterna.
            A serpente do paraíso trouxe a infelicidade a este mundo, com o engodo da igualdade divina, com que incitou os pais da humanidade a comerem o fruto da árvore proibida (Gn 3,17-19), e as do deserto provocaram a morte dos filhos de Israel, que reclamavam contra Deus e contra Moisés (Nm 21, 4-6). Arrependendo-se do seu pecado, o povo pediu a Moisés que rogasse ao Senhor para livrá-los das serpentes. O Senhor, que é bom e misericordioso, sempre pronto a perdoar, ordenou a Moisés que erguesse, no centro do acampamento, um poste de madeira, com uma serpente de bronze pendurada no alto, dizendo que todo aquele que dirigisse seu olhar para a serpente de bronze, se curaria (Nm 21,8-9).
            Jesus retoma esses símbolos do passado, bem conhecidos pelo povo (serpente, árvore, pecado, morte) para dizer no Evangelho da Liturgia da festa (Jo 3,13-17) que no lugar da serpente de bronze pendurada no alto de um poste de madeira, Ele mesmo é quem seria levantado no lenho da cruz. Se o pecado e a morte advieram da insídia e veneno do demônio, nos símbolos da árvore proibida e da serpente do paraíso e do deserto, a bênção, a salvação e a vida eterna advêm do Cristo levantado no alto da cruz, de onde Ele atrai a si os olhares de toda a humanidade. Eis porque a Igreja canta na Liturgia Eucarística da festa: “Santa Cruz adorável, de onde a vida brotou, nós, por ti redimidos, te cantamos louvor!” e na Liturgia das Horas: “Mais altaneira do que os cedros, ergue-se a Cruz triunfal: não traz um fruto de morte, traz a vida a todo mortal”.
    “Longe de mim gloriar-me a não ser na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 6, 14)
            Até o Calvário, a cruz fora tida como sinal de vergonha, maldição, execração. Com a crucifixão de Cristo, desde então, ela se tornou símbolo de triunfo e vitória. Se da cruz vinha a maldição e a morte, agora, da cruz vem todo o bem e toda a graça. O Apóstolo Paulo aprofunda o mistério, dizendo que a cruz lembra a humilhação extrema de Jesus, que se despojou de sua dignidade de ser igual a Deus, “fazendo-se obediente até a morte e morte de cruz” (Fl 2,8). E ele mesmo afirma que: “Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o nome que está acima de todo nome. Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra e toda língua proclame: Jesus Cristo é o Senhor!” (Fl 2, 8-11). Tendo tal compreensão da Paixão de Jesus e elaborado tal teologia a respeito do mistério da Cruz, torna-se perfeitamente compreensível a declaração de Paulo aos Gálatas de que para ele, sem a cruz de Cristo, não há glória possível. Oxalá possamos nós também, proclamar e viver sempre essa mesma fé.
    Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos, porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo!
            A cruz não é uma divindade, um ídolo, feito de madeira, barro, bronze, mas ela é para nós santa e sagrada, porque dela pendeu o Salvador do mundo. Ela é o símbolo universal do cristão. Com orgulho e devoção, ela é a nossa marca, o sinal de nossa identidade, vocação e missão. Traçando o sinal da cruz, em nossa fronte, a todo o momento, nós louvamos e bendizemos a Santíssima Trindade, Pai e Filho e Espírito Santo, agradecendo o tão grande bem e amor que pela Cruz o Senhor continua a derramar sobre nós.
            Celebrando a festa da Exaltação da Santa Cruz, celebramos a vitória de Cristo que nos possibilita, desde agora, celebrar a nossa futura glória no céu. Pois, “se morremos com Cristo, cremos também que viveremos com Ele” (Rm 6,9).
     
    Dom Caetano Ferrari, OFM

    "Mistério da Cruz"Artigo publicado na edição de 13 de setembro de 2009 do Jornal Bom Dia

    A cruz na vida de Jesus tem unanimidade entre os cristãos de todos os credos. Mas a cruz na vida dos cristãos não goza do mesmo prestígio. É fé comum que a paixão de Cristo na cruz foi sacrifício perfeito que perdoou o pecado e reconciliou o homem com Deus (cf. Rm 3,24; 1Cor 1,18ss; 5,7; Ef5,1s; Cl1,19s). nos Evangelhos, Jesus mesmo anunciou a sua morte na Cruz (cf. Mt20,18-19; Mc8,31; Lc 9,22). Estas e outras passagens bíblicas não deixam dúvidas a respeito do lugar que ocupou a cruz na vida de Jesus. E que foi por esta cruz que Jesus nos salvou e libertou de todo pecado. A cruz de Cristo como símbolo de seu amor por nós é fé gral.
    Mas para não poucos crentes em Jesus a cruz na vida dos cristãos não goza do mesmo consenso. Defendem que a cruz não faz parte da vida dos cristãos. Interpretam que Cristo livrou os discípulos da cruz, bastando ter fé nele. São cristãos que não gostam nem de falar da cruz.
    A cruz, no entanto, faz parte da vida humana e cristã como símbolo do sofrimento humano. Para os que crêem, é claro, a cruz assumida livremente na f[e leva necessariamente ao “poder da ressurreição de Cristo”, que dá vida e que faz do cristão partícipe da cruz do Senhor e colaborador da sua obra redentora (cf. Fl3,10s; 2Cor1,5s). Não há como não compreender como claríssima, por exemplo, esta fala de Jesus: “ Aquele que não toma sua cruz e não me segue não é digno de mim” (Mt10,38). O Mistério da Cruz de Cristo desvela o mistério do sofrimento humano.
    Nesta semana, a Igreja celebra a “Exaltação da Santa Cruz” (dia14) e os “Estigmas de São Francisco” (dia 17). Cruz e chagas: exaltação do amor de Deus e do amor humano.
    Dom Caetano Ferrari
    "Setembro, mês da Bíblia"Artigo publicado na edição de 06 de setembro de 2009 do Jornal da Cidade
    É claro que todo dia é dia da Bíblia; é inclusive indispensável que a leiamos e nela meditemos diariamente. Mas a Igreja tem o costume de valorizar o tempo, que está ligado à nossa condição humana e com ele ou dentro dele vivemos experiências ricas de significado. Por exemplo, em vista da Liturgia, a divisão do ano é feita para marcar os tempos fortes em que se celebram os mistérios da vida de Cristo: Natal, Quaresma, Páscoa, tempo comum, etc. Na oração pública, particularmente nos mosteiros, o dia se divide em horas em que se rezam as orações chamadas de Liturgia das Horas. O Ano Litúrgico insere-se no Ano Civil sinalizando outro calendário, o da história da salvação. Assim como no calendário há datas fixas marcando passagens importantes do tempo, a Igreja aproveita para agendar temas que se apresentam vitais e urgentes num determinado momento e contexto sócio-cultural e eclesial: Ano Sacerdotal, Ano Catequético Nacional, Semana Nacional da Família, Dia Nacional do Catequista etc.
                Peço desculpas por esta longa introdução. Mas é exatamente sob essa perspectiva peculiar do tempo que a Igreja, objetivando fomentar o amor à Palavra de Deus e impulsionar a leitura orante, a formação e a pastoral bíblica, instituiu o mês de setembro como Mês da Bíblia. Um mês inteiro de mobilização bíblica, de convocação geral das comunidades e dos católicos para participarem de um verdadeiro mutirão bíblico. A Bíblia, porém, continua importante sempre. Como em outro exemplo, em 2008, o Santo Padre o Papa Bento XVI convocou um Sínodo dos Bispos sobre “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”. Assim o fez exatamente para responder a uma demanda muito forte nos dias de hoje: o anseio dos católicos por aprofundar o conhecimento, a meditação e a vivência da Palavra de Deus.
                Pois bem, as orientações vindas desse Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus e também os apelos do “Documento de Aparecida” e das “Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil”, que pedem que se priorizem a formação bíblico-doutrinal (cf. DA 226, c) e a oração com a Bíblia (cf. DGAEB 147), estão pondo em marcha a mobilização bíblica neste ano. Sob esse impulso, todo esforço está sendo feito para intensificar ações e programas, especialmente, nestes três campos:
    1-                 Conhecer e amar a Bíblia: um empenho que começa desde a campanha para divulgar a Bíblia e fomentar o acesso à Palavra de Deus e vai até a ampliação da oferta de escolas e cursos bíblicos disponíveis a um número cada vez maior de fiéis. Para que possam bem conhecer a Bíblia, saber manuseá-la, estudá-la, interpretá-la, aplicá-la à vida. A Bíblia é um livro complexo que exige pessoas especializadas que ajudem a desvendar os seus segredos e a entender o seu verdadeiro significado e se evitem as leituras e interpretações erradas e falsas, como por exemplo, a leitura fundamentalista e literalista (ao pé da letra); a leitura espiritualista e devocional desencarnada da realidade; a leitura sem levar em conta o contexto em que o texto bíblico foi escrito, desprezando a ajuda das ciências humanas (História, Geografia, Política, Sociologia, Psicologia etc.); a interpretação subjetivista e individualista fora da fé da Igreja e da garantia do magistério da Igreja que recebeu do Senhor a assistência do Espírito Santo para bem guardar as Sagradas Escrituras e bem interpretá-las, a fim de que sejam sempre a luz e o alimento da fé do povo de Deus, vale dizer, da Igreja caminhante e peregrina neste mundo.
    2-                 Rezar com a Bíblia: ou rezar a Palavra de Deus. A Bíblia é o melhor livro de orações, pois contém a Palavra de Deus. Quem a lê e nela medita ouve o que Deus tem a lhe dizer. Veja o que Santo Agostinho dizia (século V): “Quando você lê a sagrada Escritura, Deus lhe fala. Quando você reza, você fala a Deus”. O que Deus diz são palavras de vida, de esperança, de coragem, de perdão, de bondade, de afeto, de ternura. São palavras de Pai para filhos. Por isso a Bíblia é chamada de livro da vida, pois quem com ela reza é conduzido pela graça ao encontro e à comunhão com Deus. Desde os primórdios a Igreja desenvolveu uma leitura especial chamada “Leitura Orante da Bíblia”, em latim, a “Lectio Divina”. Uma maneira de rezar com a Bíblia em quatro degraus: ler, meditar, rezar e contemplar. Sobre esse método falarei, em especial, no próximo domingo.
    3-                 Viver a Bíblia: a Palavra de Deus é para ser conhecida, amada, rezada e, por fim, vivida. É Palavra para ser ouvida e guardada no coração, mas vivenciada no dia a dia. Como ela é Palavra eficaz, criadora, revitalizadora da vida e transformadora da realidade, ela renova as forças missionárias da Igreja, faz do nosso Catolicismo um “Catolicismo Bíblico e Evangélico” e de nós Católicos, discípulos e missionários de Nosso Senhor Jesus Cristo.
    Dom Caetano Ferrari
    "Catolicismo bíblico"Artigo publicado na edição de 06de setembro de 2009 do Jornal Bom Dia
    Aconteceu comigo, não faz muito tempo, depois de uma missa dominical. Um casal de namorados me procurou na saída da Igreja.
    Ele, um jovem evangélico, assistiu à missa acompanhando a namorada, católica participante. Feitas as apresentações, o rapaz então me disse, entre surpreso e admirado: “Não sabia que na missa se lê a Bíblia!” lembro-me que lhe respondi brincando: “Pois é, sempre é tempo de aprender coisas novas!”  E acrescentei para sua surpresa maior: “O catolicismo é também bíblico e evangélico!”
    O Concílio Vaticano II, no documento que trata da Bíblia, “Dei Verbum” (Palavra de Deus), traz esta afirmação basilar: (A Igreja) “sempre considerou e considera as divinas Escrituras... como a regra suprema da própria fé” (DV21). Assim sendo, vemos a Bíblia nas mãos, mente e alma dos católicos, como principal livro das orações litúrgicas e devocionais, da evangelização e catequese, da vida ética e moral, na prática do bem, da justiça e da paz.
    O presente mês de setembro é o mês da Bíblia. A Igreja nos chama para neste mês para um verdadeiro mutirão bíblico. Um mês inteiro de mobilização e convocação das lideranças eclesiais: bispo, padres, diáconos, catequistas, ministros da Palavra, coordenadores das pastorais, comunidades e associações para oferecerem a todos os católicos programas e ações que impulsionem e aprofundem a leitura orante, a formação e a pastoral bíblica.
    De fato, há uma unidade indissolúvel entre “conhecer a Bíblia”, rezar com a Bíblia” e “viver a Bíblia”. Participe você também, caro leitor, dessa mobilização bíblica em sua comunidade.
    Dom Caetano Ferrari
    "Dia do Catequista "Artigo publicado na edição de 30 de agosto de 2009 do Jornal da Cidade
    Desde o início de agosto, mês vocacional, a Igreja vem nos convidando a rezar, refletir, celebrar e agir em favor das vocações. Lembram-se? Comemorando a cada domingo uma vocação em especial. No primeiro domingo, a do Padre; no segundo, a do Pai e da família; no terceiro, a dos Consagrados; no quarto, a dos Leigos. E neste último domingo do mês, a do Catequista. Pois hoje, inclusive, é o Dia Nacional do Catequista.
    Estamos também, neste ano de 2009, celebrando o Ano Catequético Nacional, que se encerrará no domingo de Cristo Rei, dia 22 de novembro próximo. O tema é: “Catequese, caminho para o discipulado”. O lema é inspirado em Lc 24, 32.35: “Nosso coração arde quando Ele fala, explica as Escrituras e parte o pão”. E tem por objetivo geral: “Dar novo impulso à catequese como serviço eclesial e como caminho para o discipulado”.
    Desejo destacar dois dos objetivos específicos. Eu os vejo como muito importantes. O primeiro diz respeito à catequese com adultos. O segundo se liga ao primeiro, e consiste em uma formação permanente que acompanhe o cristão adulto ao longo de sua vida, num processo sistemático, progressivo e permanente de educação da fé.
    Todos nós sabemos que os católicos em geral recebem os sacramentos chamados da iniciação cristã (Batismo, 1ª Eucaristia e Crisma) sem serem, todavia, suficientemente evangelizados, catequizados ou formados e educados na fé. Está mais do que claro que essa catequese inicial tem sido insatisfatória. Menos por despreparo dos Catequistas e mais pelas carências pedagógicas, por exemplo, quanto ao método, à duração, à interligação com a Liturgia e a Bíblia, à relação vida e fé.
    Em face da formação permanente, que ora se impõe, obviamente, nossos Catequistas precisam ser mais bem preparados. Esse é outro objetivo específico do Ano Catequético Nacional. Nossa Diocese de Bauru está levando a sério esse compromisso. Temos em funcionamento a Escola de Catequese Diocesana com uma primeira turma de 130 catequistas matriculados, representantes de nossas Paróquias. Estes catequistas, depois de completado o curso, com duração de
    dois anos em quatro módulos, deverão repassar o que nele receberam aos demais catequistas de suas respectivas comunidades. É pouco, se poderia dizer, mas já é um grande passo.
    Uma catequese renovada e preparada para adultos, e não só para crianças, num processo de formação permanente e sistemática, de fato, se faz urgente e indispensável. Os católicos, não por culpa deles, mas nossa como seus pastores, não recebem mais do que uma formação superficial e deficitária quanto ao conhecimento de temas importantes de fé, como por exemplo, a Bíblia, a Liturgia, a Teologia, a Moral, a Igreja, o compromisso missionário e social, etc.
    Como resultados dessa deficiência duas consequências são muito evidentes. A primeira dá-se na dimensão da comunhão e participação eclesial, que não acontece pelo notório desinteresse de muitos católicos, somada à frágil e distante pertença com a comunidade. Eles pouco buscam a Igreja, a não ser em eventuais batizados, casamentos e missas de 7º dia, e a Igreja não vai até eles, não os visita, como se não precisasse deles. A segunda é verificável pelas muitas defecções da fé católica e adesão a outras religiões. São exatamente entre essas ovelhas afastadas ou sem pastor que muitos católicos se deixam facilmente seduzir por propostas e convites que chegam à sua casa por meio de mensageiros reais ou virtuais enviados por não poucas denominações religiosas, principalmente as novas que se multiplicam na atualidade.
    Hoje, no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, acontece uma grande celebração do Dia do Catequista, reunindo Catequistas peregrinos de todas as Dioceses do Estado de São Paulo. Catequistas de nossa Diocese lotaram dez ônibus e lá estão aos pés da Mãe da Divina Graça, a Senhora Aparecida, somando-se ao demais Catequistas, rendendo a Deus ação de graças e suplicando-lhe bênçãos para todos os nossos Catequistas. Também para que a Catequese leve nossos Catequizandos à alegria do encontro pessoal com Jesus Cristo, e se torne para todos eles caminho ao discipulado e à missão. Em louvor de Cristo. Amém!
    Dom Caetano Ferrari -
    Bispo Diocesano de Bauru
     
    "Dia do Catequista "Artigo publicado na edição de 30 de agosto de 2009 do Jornal Bom Dia
    Encerrando agosto, mês vocacional, neste domingo, a Igreja comemora o Dia Nacional do Catequista. E, neste ano de 2009, celebra-se também o Ano Catequético Nacional. Tudo isso sinaliza em que grua de importância a Igreja está pondo a Catequese na Pastoral de Conjunto. Há uma constatação de base: não basta aquela catequese com crianças e adolescentes, voltada apenas à preparação para os Sacramentos da Iniciação Cristã (Batismo, Eucaristia e Crisma). Mais do que nunca se faz imprescindível a Catequese com adultos num processo permanente, sistemático e progressivo de educação na fé.
    Na modernidade atual as pessoas precisam estar bem preparadas e atualizadas, não só nos conhecimentos básicos de política, economia, direito e cultura, mas inclusive de religião. Não é mais possível ser católico por inércia, tradição, família; o católico precisa estar bem assentado sobre os fundamentos da fé para poder dar as razões de sua esperança, como diz o Apóstolo Pedro, a quem lhas demandar (cf 1Pd 3,15), e para firmar convicções pessoais e coerência existencial de vida e fé.
    Investir na formação de catequistas é prioridade em nossa Diocese. A Escola Catequética Diocesana está oferecendo um curso de dois anos, em quatro módulos, aberto com uma primeira turma de 130 catequistas representantes das várias Paróquias.
    Catequistas de todo o Estado de São Paulo fazem, neste fim de semana, uma romaria à Aparecida, celebrando aos pés de Nossa Senhora o Dia do Catequista. Catequistas de nossa Diocese lá se encontram, em 10 ônibus, participando do evento.
    Estejamos unidos em comunhão de orações por nossos catequistas e catequizandos.
     
    Dom Caetano Ferrari
    Bispo Diocesano de Bauru
     
    "Os Cristãos Leigos "Artigo publicado na edição de 23 de agosto de 2009 do Jornal da Cidade
    Há diversidade de vocações e ministérios no seio da Igreja. Ao longo desse mês de agosto somos convidados a rezar, celebrar, refletir e agir em favor das vocações em geral. Hoje, particularmente, comemora-se a vocação para os ministérios e serviços leigos na comunidade.
                Mas quem são os leigos e leigas? Clareando-se alguns conceitos. Todos os cristãos, a partir do batismo, são iguais em dignidade e identidade. Inclusive têm em comum a mesma vocação à santidade. Eles formam a família ou o povo de Deus, congregados na comunhão da mesma fé, esperança e caridade. É o que ensina, por exemplo, a “Lumen Gentium” (Luz das Nações) do Concílio Vaticano II quando fala dos batizados, membros do povo de Deus: “Comum é a dignidade dos membros, pela regeneração em Cristo, comum a graça dos filhos, comum a vocação à perfeição; uma só salvação, uma só esperança e indivisa caridade” (LG 32). No entanto, ainda que na ordem do “ser” todos os batizados sejam iguais, contudo na ordem do “fazer” ou “servir” há diversidade de serviços, ministérios e carismas. Assim sendo, o povo de Deus distingue-se em Clero, Religiosos e Leigos. Ou seja, diferenciam-se em ministros ordenados (Clero): Bispos, Padres e Diáconos; em Religiosos e Religiosas da Vida Consagrada masculina e feminina; e em Fiéis leigos e leigas.
                Respondendo agora à pergunta – quem são os leigos? – assim explica o magistério da Igreja: “por leigos entende-se aqui o conjunto dos fiéis, com exceção daqueles que receberam uma ordem sacra (Clero) ou abraçaram o estado religioso aprovado pela Igreja (Religiosos)... realizam na Igreja e no mundo, na parte que lhes compete, a missão de todo o povo cristão” (LG, 31). O Documento de Aparecida (DA), inspirando-se no Vaticano II, afirma que “os fiéis leigos são ‘os cristãos que estão incorporados a Cristo pelo batismo, que formam o povo de Deus e participam das funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei. Realizam, segundo sua condição, a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo’. São ‘homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja’” (DA 209).
                Nas citações acima, constata-se que a expressão “no mundo” e “do mundo” aparece várias vezes. Como diz o Vaticano II, essa índole secular (estar no mundo) é a ‘marca registrada’ da vocação dos leigos: “vivem no mundo, isto é, no meio de todas e cada uma das atividades e profissões, e nas circunstâncias ordinárias da vida familiar e social... para a santificação do mundo, através de sua própria função...” (LG, 31). Em virtude da índole secular própria dos leigos, o Documento de Aparecida convida todos os fiéis leigos e leigas a se converterem cada vez mais em “discípulos e missionários de Jesus Cristo, Luz do Mundo”: “sua missão própria e específica se realiza no mundo, de tal modo que, com seu testemunho e sua atividade, contribuam para a transformação das realidades e para a criação de estruturas justas segundo os critérios do Evangelho” (DA, 210).
                O modo próprio dos leigos participarem da missão evangelizadora da Igreja dá-se, em primeiro lugar, pelo testemunho de fé e vida no mundo e, em segundo lugar, pela participação ativa na Igreja, exercendo os mais diversos serviços e ministérios, como por exemplo, na liturgia, nas pastorais, na caridade, nos movimentos, nas comunidades e associações leigas (cf. DA, 211). Para a Igreja colocar-se em “estado permanente de missão”, o Documento de Aparecida apela, fortemente, para a colaboração dos leigos. Recorda inclusive palavras do Papa João Paulo II: “a evangelização do Continente, dizia-nos o papa João Paulo II, não pode realizar-se hoje sem a colaboração dos fiéis leigos. Hão de ser parte ativa e criativa na elaboração e execução de projetos pastorais a favor da comunidade. Isso exige, da parte dos pastores, maior abertura de mentalidade para que entendam e acolham o “ser” e o “fazer” do leigo na Igreja, que por seu batismo e sua confirmação é discípulo e missionário de Jesus Cristo” (DA, 213).
                A Diocese de Bauru, graças a Deus, conta com a comunhão e participação, a força e o amor de um laicato generoso, apoiando o Bispo, os Padres e os Religiosos, e atuando em todas as frentes da ação evangelizadora da Igreja. A todos os cristãos leigos e leigas, Deus lhes pague. E por eles, hoje, nossas comunidades de fé oram fervorosamente!
     Dom Caetano Ferrari
    Bispo Diocesano de Bauru

    "Cristãos Leigos
    "Artigo publicado na edição de 23 de agosto de 2009 do Jornal Bom Dia
    Na Igreja, todos os batizados são iguais em dignidade e igualdade. E todos têm em comum a mesma vocação à santidade. No entanto, quanto à missão, eles se diferenciam segundo a diversidade de atividades e ministérios existentes na Igreja. Nesse sentido, a comunidade dos batizados distingue-se em clero, religiosos e leigos. Ora, por exclusão, os leigos são os que não têm Ordem Sacra (clero) nem abraçaram a vida consagrada (religiosos).
    Mas, em essência, o que caracteriza mesmo os leigos é viverem no mundo, inseridos nas realidades seculares, participando e atuando no campo da economia, política, educação, cultura, etc., exercendo um protagonismo bem distinto e especial. Ali, em meio às realidades temporais, eles estão não como quaisquer sujeitos, mas como cristãos. Vale dizer, com a missão específica de serem no seu ambiente social “luz do mundo”, “sal da terra”, “fermento na massa”.
    No interior da vida da Igreja, os leigos são chamados a desempenhar serviços e ministérios, segundo os dons que o Espírito Santo concede para o bem da comunidade e a utilidade de todos (cf. 1Cor 12,4-11). Nós os vemos atuando nas Pastorais, na Liturgia, na Catequese, nos Movimentos, Comunidade e Associações, no serviço da caridade, na fé e política, na justiça e paz, etc.
    Como ensina a Igreja, os leigos são “homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja”. Nossa Diocese e Paróquias não conseguiriam cumprir bem sua missão sem a colaboração dos fiéis leigos.
    Nossas Comunidade de fé, hoje, oram fervorosamente pelos cristãos leigos e leigas. A todos eles Deus lhes pague e abençoe.
    Dom Caetano Ferrari – Bispo Diocesano de Bauru

    "Vida Consagrada
    "Artigo publicado na edição de 16 de agosto de 2009 do Jornal Bom Dia
    Em agosto, mês vocacional, sobressaem dois grandes santos. No dia 4, o Santo Cura D’Ars, padroeiro de todos os padres. No dia 11, Santa Clara, que é uma das santas mais expressivas da vida consagrada, protetora dos religiosos e religiosas da vida ativa e contemplativa.
    Lembrando Jesus que disse “não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16), hoje somos chamados a contemplar a vocação para a vida consagrada, masculina e feminina. A orar por todos os religiosos presentes em nossa Diocese. E a agir em favor da promoção dessa forma evangélica de vida. Embora a escolha seja de Jesus, foi Ele quem deu essa ordem: “Rogai, pois, ao Senhor que envie operários para a sua messe” (Lc 10,2).
    O carisma da vida consagrada é um serviço essencial na Igreja. Ela é suscitada para o bem do Corpo Místico de Cristo, a Igreja, como sinal, parábola e profecia do Reino de Deus no mundo. Tendo como essência o seguimento de Cristo, pobre, obediente e casto, ela é pela profissão dos votos religiosos sinal antecipatório do Reino dos Céus e dá testemunho de um tríplice ministério.
    Pelo ministério da comunhão. Ela oferece modos alternativos de convivência fraterna onde tudo é posto em comum. Pelo ministério da fé, confiança e esperança, ela vive da Providência Divina, pondo unicamente em Deus toda segurança. Pelo ministério  da misericórdia e compaixão, ela é o rosto misericordioso de Deus, servidora da vida junto ao povo sofrido e dispensadora da caridade. Em suma, ela não se caracteriza pela renúncia, mas pela opção de viver os Conselhos Evangélicos, como caminho de realização humana e santidade de vida.
     
    Dom Caetano Ferrari
    Dia dos Pais "Artigo publicado na edição de 09 de agosto de 2009 do Jornal da Cidade
    Neste 2º domingo de agosto, comemora-se o dia dos pais. Ao compartilhar dessa festa com a sociedade, a Igreja não só quer destacar seu significado quanto aprofundar e estender sua reflexão por toda a semana. De 9 a 15 de agosto realiza-se a “Semana Nacional da Família”. Uma semana toda voltada ao tema da vocação para a vida em família, com atenção especial aos pais (pai e mãe). No entanto, quanto é necessário, hoje, uma revisão e uma revalorização da vocação e da missão do pai para o equilíbrio na vida familiar e a formação dos filhos!
    Na abertura da V Conferência do Episcopado da América Latina e Caribe, em Aparecida, o Papa Bento XVI afirmou que a família, “patrimônio da humanidade, constitui um dos tesouros mais importantes dos povos latino-americanos e caribenhos... A família é insubstituível para a serenidade pessoal e para a educação de seus filhos”. E os bispos lá reunidos, como se pode ler no Documento de Aparecida, incorporaram essas palavras do Papa na sua mensagem final para proclamarem com alegria a boa nova da família (cf. DA 114 a 119). As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil fizeram o mesmo (cf. DGAE 128 a 136), assumindo para valer o que Aparecida afirma e propõe sobre a família: “Tamanha é sua importância que deve ser considerada ‘um dos eixos transversais de toda a ação evangelizadora’” (DGAE 128).
    Significa dizer que no conjunto das pastorais da Igreja, a pastoral familiar, além de ser uma prioridade, precisa estar bem articulada com todas as demais, principalmente com aquelas que estão mais ligadas a ela, como por exemplo: pastoral da criança, do menor, do idoso, da saúde, da promoção humana, carcerária, vocacional, etc.
    Muito se poderia falar sobre a situação da família hoje. Mas é coisa bem sabida que a instituição familiar passa por uma grande crise. As mudanças sociais vêm afetando a vida como um todo, nos valores, costumes e comportamentos, inclusive quanto aos supremos valores éticos, morais e religiosos, desestruturando, em particular, a família. O melhor a fazer, porém, é a assunção de atitudes positivas. É o que a Igreja vem fazendo. Primeiro ela insiste na confiança e certeza de que “Deus ama nossas famílias, apesar de tantas feridas e divisões” (DA 119). Daí a importância da oração em família, na comunidade e em particular, para que não falte a graça do Senhor. E também da solidariedade dos irmãos e dos serviços concretos da comunidade de fé promovendo a família por meio de uma “pastoral familiar intensa e vigorosa”, que ajude os casais a superarem as crises, como já nos pediu o Papa Bento XVI.
    Veja só como a Igreja, hoje mais do que nunca, nos seus documentos e pronunciamentos, pensa, defende e promove a família. A Família é “berço da vida”; é “a primeira sociedade, anterior ao Estado, detentora de direitos naturais e inalienáveis”; é um “bem primário do qual depende o Estado e as Instituições”; é “a primeira escola que educa para os valores e a cidadania; é “o lugar onde vida privada e realidade social se encontram, convergindo para o bem comum”; é “a primeira e principal catequista que educa para a fé”; é “a Igreja doméstica que ensina a conhecer e amar a Deus”; é “berço de vocações para a vida e a Igreja”. A Igreja propõe ações e participa da luta para que a família seja “valorizada e protegida pelo Estado, porque do bem dela depende ao mesmo tempo o bem da sociedade”. O respeito pela vida humana e a dignidade da pessoa, a convivência social e a responsabilidade pela construção do bem comum são virtudes que vêm do berço, nascem da experiência da vida em família.
    A Pastoral Familiar da Diocese de Bauru vem cumprindo sua missão e prestando serviço a favor de nossas famílias. Venha você também, estimado leitor, enriquecer a Pastoral Familiar de sua Paróquia com sua participação e insubstituível atuação. Acompanhe a programação da Semana Nacional da Família. Parabéns aos pais! Em louvor de Cristo. Amém!

    Dom Caetano Ferrari Bispo Diocesano de Bauru
    Dia do Padre "Artigo publicado na edição de 02 de agosto de 2009 do Jornal Bom Dia
    Agosto, na Igreja, é o mês vocacional. Nesta primeira semana somos chamados a rezar, refletir e agir nas Comunidades em prol das vocações para os ministérios ordenados: bispos padres e diáconos. Toda autoridade na Igreja é ministério, ou seja, serviço. Como Jesus disse, de si mesmo, que veio para servir e não ser servido (cf. Mc 10,45). Todo sacerdote é escolhido por Deus do meio do povo e colocado a serviço dele nas suas relações com Deus (cf. Hb 5,1).
    Os sacerdotes ou presbíteros ou padres são absolutamente necessários na vida da Igreja. Não há genuína pregação da palavra de Deus nem a presença real de Cristo entre nós pela Eucaristia sem o padre ungido e ordenado legitimamente por meio da sucessão apostólica. São Francisco dizia que se, no caminho, encontrasse um anjo e um padre; primeiro beijaria a mão do padre e depois saudaria o anjo. E explicava: “Não quero nem saber se ele tem algum defeito, mesmo algum pecado, porque neste mundo não existe nenhuma outra criatura com o poder de fazer Jesus presente realmente no meio de nós”.
    Nós bem sabemos que não há verdadeira Igreja de Cristo sem os padres. Por isso no nosso povo ama os padres e os tem em grande estima, vendo neles o rosto de Cristo, o bom Pastor.  O Papa Bento XVI instituiu 2009 como o “Ano Sacerdotal”, a fim de que nos conscientizemos sobre o valor e a importância do padre para a Igreja e a sociedade, e oremos pela santificação deles.
    O próximo dia 4, festa do Santo Cura D’Ars, São João Maria Vianney, patrono e modelo dos padres, é o dia do Padre. Demos graças a Deus por nossos padres, oremos por eles e lhes sejamos gratos.
    Dom Caetano Ferrari – Bispo diocesano de Bauru
    "Comunidades de Base "Artigo publicado na edição de 26 de julho de 2009 do Jornal Bom Dia
    O acontecimento eclesial no Brasil mais importante da semana foi o 12º. Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, realizado em Porto Velho, Rondônia. Lá estiveram três mil representantes das mais de 100 mil CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) espalhadas pelo Brasil, sem contar as centenas de pessoas encarregadas da logística do encontro.
    As CEBs são frutos bons do impulso renovador do Concílio Vaticano 2º, surgidas no final da década de 60. E durante a ditadura militar cumpriram papel importante na redemocratização do País.
    Influenciadas por essa experiência, algumas das CEBs seguiram um caminhada de acentuado engajamento nas lutas políticas e sociais da sociedade com prejuízo da dimensão central do religioso e espiritual.
    Hoje, sem perder o compromisso com as transformações sociais, fazendo a ligação da fé com a vida, as CEBs são verdadeiros espaços de formação de discípulos e missionários a serviço da Igreja.
    O encontro pôs em evidência a força das CEBs como “um novo jeito de ser Igreja”. Os participantes procuraram dar respostas ao “grito que vem da Amazônia”.
    Renovando sem compromisso missionário, aprovaram propostas de apoio e colaboração com a Igreja da Amazônia pela defesa da vida dos povos da floresta, indígenas, ribeirinhos e seringueiros.
    E também e do meio ambiente, pelo anúncio do Evangelho da vida e de Jesus Cristo, e pelo comprometimento com a luta por melhores condições de vida dos pobres e excluídos.
    Dom Caetano Ferrari
    "Comunicação a Serviço da Evangelização"Artigo publicado na edição de 19 de julho de 2009 do Jornal da Cidade
    Comunicação a serviço da Evangelização
                Agradeço intensamente a Direção do Jornal da Cidade pela concessão deste espaço semanal à comunicação da Diocese de Bauru com a sociedade em geral e com a comunidade católica em particular. A ampla circulação regional do JC permite à Diocese levar a sua mensagem para além do seu limite territorial, alcançando com sobra os 14 municípios que a compõem. Impossível não reconhecer e destacar o sentido pastoral do espaço que o JC disponibiliza à Diocese como um canal de comunicação posto a serviço da ação evangelizadora da Igreja. Impossível, portanto, não agradecer. 
                A Igreja Católica, desde o século passado, vem acentuando a importância dos meios de comunicação social (mass media) para o serviço da Evangelização. O Papa Paulo VI, na exortação apostólica “Evangelii Nuntiandi”, de 1975, falando sobre a Evangelização no mundo contemporâneo, dizia que a Igreja sentir-se-ia culpável se não se servisse destes meios poderosos de comunicação e que: “É servindo-se deles que ela ‘proclama sobre os telhados’ (cf. Mt 10,27; Lc 12,3), a mensagem de que é depositária. Neles encontra uma versão moderna e eficaz do púlpito. Graças a eles consegue falar às multidões” (n. 45). Recentemente o Episcopado da América Latina e do Caribe, reunido na V Conferência Geral, em Aparecida, chamou a atenção para este mundo atual formatado “como grande cultura midiática” pela revolução tecnológica e a globalização (cf. Documento de Aparecida, 484). E como Bispos à frente da Igreja no continente assumiram, conforme se lê no referido DA, valorizar esta nova cultura da comunicação e “Estar presente nos meios de comunicação de massa: imprensa, rádio e TV, cinema digital, sites de Internet, fóruns e tantos outros sistemas para introduzir neles o mistério de Cristo” (n: 486, “e”).
                Também entre nós, como afirmam as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, aprovadas pela CNBB para vigorar de 2008 a 2010, a Igreja foi convocada a “Incentivar e, onde já existe, animar a Pastoral da Comunicação nos regionais, dioceses e paróquias para que possa contribuir para a integração entre as demais pastorais, articulando o processo de comunicação no interior da Igreja e envolvendo os meios de comunicação no anúncio da Palavra de Deus a todos” (n: 206, “l”).
                A PASCOM (Pastoral da Comunicação) Diocesana está organizada na Diocese de Bauru e vem atuando há anos, tendo por missão, entre outros serviços, promover a comunicação e a informação dentro e para fora da Diocese; cooperar na educação crítica de nossas crianças, jovens e adultos quanto ao uso dos meios de comunicação; auxiliar na formação de comunicadores comprometidos com os valores humanos e cristãos, e com a ética da comunicação.
                Como a verdadeira comunicação deve ser dialógica, conforme o ensinamento da teoria cristã da comunicação, o presente espaço no JC será usado pela PASCOM diocesana para um diálogo da Diocese, em três partes: 1- Reflexão sob a responsabilidade do Bispo, que em suas ausências terá algum substituto, como por exemplo, o Vigário Geral ou o Coordenador Diocesano de Pastoral; 2- notícia ou informação de interesse diocesano; 3- agenda semanal da Diocese. No final, são oferecidos os endereços eletrônicos para contatos.
                Estendendo o meu agradecimento inicial a toda a família do JC, o que inclui o leitor, rogo a Deus, para todos, bênçãos e graças de saúde e prosperidade, de paz e bem. Em louvor de Cristo. Amém!
     Dom Caetano Ferrari, OFM Bispo Diocesano de Bauru
    "Ano Catequético"Artigo publicado na edição de 19 de julho de 2009 do Jornal Bom dia Bauru
     
    No âmibto da Igreja do Brasil um Ano Catequético Nacional está em curso. O tema é: “Catequese, caminho para o discipulado”, e o lema, inspirado em Lucas 24,32-35, é: “Nosso coração arde quando Ele fala, explica as Escrituras e parte o pão”.
    Uma passagem bíblica traz o testemunho dos discípulos de Emaús, quando o Ressuscitado caminhando com eles, com eles, lhes deu uma verdadeira catequese explicando nas Escrituras as passagens que se referiam a Ele, à sua Paixão e Ressurreição. E de como os olhos se lhes abriram quando Ele partiu o pão.
    Tendo por paradigma esta catequese de Jesus, o Ano Catequético, querendo nos ajudar a repensá-la, tem por objetivo geral “dar novo impulso à catequese como serviço eclesial e caminho para o discipulado”.
    Uma catequese com novo impulso e que faça o coração arder nos chama a uma grande revisão de todo o processo de iniciação a fé. Como os católicos, em geral, são batizados quando crianças e pouco evangelizados, a Igreja deseja priorizar a catequese com adultos.
    E indica algumas pistas para essa catequese renovada: que seja um processo permanente de educação da fé e não apenas preparatória aos sacramentos e só para crianças; que seja centrada na Palavra de Deus, na oração e na vivência da fé; que seja assumida por todas as paróquias como um bonito trabalho de Pastoral de Conjunto.
    Para que o Ano Catequético alcance seus objetivos – adesão firme a Jesus, convicções sólidas e alegria de ser católico – contamos com sua participação e orações.

    Dom Caetano Ferrari, OFM – Bispo Diocesano de Bauru


    "Caritas in Veritate"
    Artigo publicado na edição de 12 de julho de 2009 do Jornal Bom dia Bauru
     
    Com o nome de “Caridade na Verdade”, o Santo Padre o Papa, Bento 16, publicou no último dia 7 uma nova Encíclica, a terceira de seu pontificado. As duas anteriores são “Deus Caritas Est” Deus é amor), em 2006; e “Spe Salvi” (Salvos na esperança), em 2007.
    “Caridade na Verdade” é uma encíclica dirigida à Igreja e a todas as pessoas de boa vontade. Nela o Papa aborda temas sociais relacionados ao desenvolvimento humano integral que só se alcançará se regido pelos princípios éticos normativos da caridade e da verdade.
    Por isso, é uma Encíclica de caráter social, que se inscreve no conjunto da doutrina social da Igreja.
    Caridade na verdade deve ser o critério para se defrontar com as problemáticas do progresso moderno, os desequilíbrios dramáticos na atual sociedade globalizada e a recente crise econômico-financeira. À luz dessa diretriz evangélica, o Papa mostra que é necessário promover um humanismo integral, que concilie o progresso social e econômico com o respeito à pessoa; e que se superem as profundas disparidades entre ricos e pobres e a exclusão de pessoas e povos.
    Somente a partir de uma consciência ética alicerçada no Evangelho será possível, diz ele, globalizar também a solidariedade e redesenhar um novo modelo de desenvolvimento que assegure um padrão de vida de autêntico bem-estar e de paz estável para todos.
    Por fim, lembra Bento 16 que cabe a todas as pessoas de boa vontade, mas de modo especial aos cristãos, construir esse humanismo integral, assumindo este desafio como tarefa solidária e jubilosa e como expressão de disponibilidade para Deus e para os irmãos.

    Dom Caetano Ferrari, OFM – Bispo Diocesano de Bauru


    "Chamou os que quis"
    Artigo publicado na edição de 5 de julho de 2009 do Jornal Bom dia Bauru
    Não há Igreja de Cristo sem a Palavra de Deus e a Eucaristia. E não há celebração da Eucaristia e pregação da Palavra sem o chamado e o envio dos discípulos-missionários por Jesus Cristo. Jesus chamou os que quis para ficarem com Ele e os enviar à missão (cf. Mc 3, 13-14). Na linha da sucessão apostólica, hoje, os Padres, chamados também de Sacerdotes ou Presbíteros, são os discípulos-missionários de Jesus, o Bom Pastor que devotava misericórdia preferentemente para com os doentes, pobres e pecadores. Igualmente os Padres de nossa Diocese, à imagem do Bom Pastor, empenham-se para ter esse jeito de ser de Jesus, vivendo próximos do povo e servindo a todos com zelo pastoral, como homens de misericórdia e compaixão. É por isso que o nosso povo tem grande estima para com os nossos Padres. Enquanto estiveram em retiro espiritual, na semana passada, nossas comunidades de fé os acompanharam com suas orações. Isso explica porque o retiro foi muito proveitoso e frutuoso.

    Como os Apóstolos foram importantes e insubstituíveis para o projeto de Jesus, também os nossos Padres o são hoje, A vocação sacerdotal é uma graça de Deus para quem é chamado; e o ministério sacerdotal, um dom de Deus para a Igreja.

    Durante o Ano Sacerdotal, somos convidados a orar por mais e santas vocações, e pela santificação dos nossos Padres. Que eles possam, com a ajuda do Espírito Santo, deixar se configurar com o coração do Bom Pastor, e permanecer fiéis à vocação e missão de trabalhar pelo Reinado de Deus, em favor da vida humana, da vida em Cristo e da vida eterna.

      

    Dom Caetano Ferrari, OFM

    Bispo Diocesano de Bauru

     

    "Buscar a santidade"
    Artigo publicado na edição de 28 de junho de 2009 do Jornal Bom Dia Bauru
     
    De acordo com o ensinamento da Sagrada Escritura, santo é quem está em “união com Deus” que por sua própria natureza é santo. Foi o Senhor quem pôs este chamado no coração de todos os homens: “Sede santos porque Eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lev 19,1). Como Deus “deseja que todos os homens se salvem e conheçam a verdade” (1Tim 2,4), enviou “o seu Filho único para que todo o que n’Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).
    Eis porque a busca da “união com Cristo” tornou-se o caminho ordinário para a santidade: “Nele, Deus nos escolheu, antes da fundação do mundo, para sermos santos e íntegros no amor” (Ef 1,4). E todos na Igreja são chamados a essa vida de união com Cristo: Bispos, Padres, Diáconos, Fiéis leigos e leigas. 
    A vocação universal à santidade deve ser cultivada segundo os diversos gêneros de vida e profissões. Na Igreja, todos oram pela santificação de todos. A Igreja é, no mundo, sacramento de salvação e santificação da humanidade.
    Durante o Ano Sacerdotal, que ora se inicia, a Igreja estende um convite à oração a favor da santificação de todos os sacerdotes. Na oração sacerdotal, assim rezou Jesus ao Pai: “Santifica-os na verdade... Como Tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E, por eles, a mim mesmo me santifico para que sejam santificados na verdade. Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra, crerão em mim” (Jo 17, 17-20).
    O Clero diocesano de Bauru se recolherá em retiro espiritual, de 29/06 a 3/07, em Agudos, desejando vivamente aprofundar a vida de “união com Cristo”. E conta com suas orações.
     Dom Caetano Ferrari
    Bispo diocesano de Bauru
    "Dom Caetano Ferrari fala sobre o Ano Sacerdotal" Artigo publicado na edição de 21 de junho de 2009 do Jornal Bom Dia Bauru
     
    Desde o dia 19 de junho de 2009, a Igreja no mundo celebra um especial Ano Sacerdotal convocado pelo Santo Padre o Papa, Bento XVI, para se concluir na mesma data do ano de 2010, em comemoração aos 150 anos da morte do Cura D’Ars, São João Maria Vianney, exemplo de sacerdote a serviço do Povo de Deus, agora proclamado pelo Papa padroeiro dos sacerdotes de todo o mundo. Neste dia 19 de junho, a Igreja comemorou também a solenidade do Sagrado Coração de Jesus e o Dia Mundial de oração pela santificação dos sacerdotes.
       Com o tema “Fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote”, escolhido pelo próprio Papa, o Ano Sacerdotal, diz ele, tem por finalidade “ajudar a perceber cada vez mais a importância do papel e da missão do sacerdote na Igreja e na sociedade contemporânea”. Convida os cristãos a olhar para a beleza e o valor do Sacerdócio Ministerial, instituído por Jesus Cristo “na noite em que foi traído” e vinculado por Ele à Eucaristia, como memorial do seu amor pela humanidade. Tomando essas palavras do Cura D’Ars: “O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus”, o Papa lembra “que o nome do amor, no tempo, é fidelidade”.    
    O Ano Sacerdotal deve ser, especialmente, um ano de orações pelas vocações, mas, sobretudo, pela perseverança e fidelidade dos sacerdotes no seu ministério; os sacerdotes em geral e, principalmente, os de nossas Paróquias e comunidades.
     Dom Caetano Ferrari
    Bispo Diocesano de Bauru
    "Encher a terra com o Evangelho" Artigo publicado na edição de 14 de junho de 2009 do Jornal Bom Dia Bauru
    A Palavra de Deus é comparada à semente lançada ao campo (Mc 4,14). Ao discípulo missionário de Jesus Cristo compete semeá-la, não importa aonde caia. É pelo poder de Deus que ela germina. E sempre haverá a terra boa, que preparada pela graça e a generosidade do coração, dará fruto, em um trinta, no outro sessenta, no outro cem.   
    Mas quem é o discípulo missionário, como se deve entender essa expressão? Esse binômio, que vem também expresso com a conjunção aditiva “e”, ou seja, discípulo e missionário, aparece inúmeras vezes no Documento de Aparecida. Tornou-se um termo referencial a partir do tema da V Conferência do Episcopado da América Latina e Caribe: “Discípulos e Missionários de Jesus Cristo para que nele nossos povos tenham vida”. Com esse termo, o Documento de Aparecida reafirma, de modo explícito e categórico, a comum identidade e dignidade de todos os cristãos batizados: “Em virtude de seu batismo, são chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo” (n.10). São, portanto, discípulos missionários os bispos, padres, diáconos, religiosas, fiéis leigos e leigas. E a Igreja, bem como a Diocese e as Paróquias, congregam a comunidade dos discípulos missionários enviados a semear a Palavra de Deus, a encher a terra com o Evangelho de Jesus Cristo.
     Dom Caetano Ferrari, OFM
    Bispo Diocesano de Bauru
    Dom Caetano visitou TV Prevê e o Jornal da Cidade Fonte: PasCom Bauru
     
    Respondendo aos convites de dois dos principais veículos de comunicação de Bauru e região, Dom Caetano Ferrari visitou a TV Prevê e o Jornal da Cidade no dia 10 de junho. Acompanhado da assessoria de imprensa da Diocese de Bauru, Dom Caetano concedeu uma entrevista ao professor Duda Trevisani no programa Enfoque Regional, que foi ao ar no dia 11 em três edições. O bate-papo contou com muitas recordações de infância, pois bispo e entrevistador nasceram em Pirajuí e estudaram no mesmo colégio. Dom Caetano falou sobre o surgimento da sua vocação, sua trajetória ministerial, as metas para o trabalho missionário na Diocese e outros assuntos relacionados à fé católica.
    Em seguida, na companhia do padre Marcos Pavan, Dom Caetano foi recebido no Jornal da Cidade por João Jabbour, gerente editorial, e Gisele Hilário, editora chefe. Eles apresentaram a empresa ao bispo, falaram sobre a atuação do jornal e o presentearam com fotos. Dom Caetano também conversou com Renato Zaiden, diretor do JC, e Ieda Rodrigues, repórter do caderno geral, que entrevistou o bispo e o padre Marcos sobre a festa de Corpus Christi.
    Em ambos veículos, Dom Caetano agradeceu pela boa relação com a Diocese, se colocou à disposição dos jornalistas e pediu um espaço para as notícias da Igreja Católica em Bauru e região.
    Conhecer a Jesus - Artigo publicado na edição de 7 de junho de 2009 no jornal Bom Dia Bauru.
     
    Prezado(a) leitor(a), tenho a grande alegria de lhe dirigir a palavra, iniciando neste Jornal uma comunicação que, espero, possa servir para estreitar laços de estima, de comunhão e de colaboração entre nós, para nos ajudar a testemunhar nossa fé por palavras e obras.
    Tendo tomado posse como o 5° Bispo Diocesano de Bauru na celebração da solenidade de Pentecostes (domingo passado) realizada na Sé Catedral, desejo agradecer a calorosa acolhida recebida e as tantas manifestações de afeto e boas vindas. Por tudo isso dou graças a Deus e, a você, o meu mais profundo ‘muito obrigado’. Suplico a Deus para que eu possa retribuir todo esse bem recebido do melhor modo possível, prometendo cumprir fielmente o ministério apostólico a mim confiado, com a graça de Deus, a força do Espírito Santo e a proteção da Imaculada Conceição de Nossa Senhora Aparecida, nossa Mãe e Padroeira. 
    Na Missa da posse, consagrei ao Divino Espírito Santo, padroeiro da Diocese, pelas mãos de Maria Santíssima, minha vida e meu ministério episcopal com o firme propósito de tudo fazer para que nossa Diocese de Bauru seja, de fato, uma Igreja Missionária como nos pede o Papa e o Documento de Aparecida, do qual estou convencido quanto a estas palavras: “Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que aconteceu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria”.
    É isso o que eu desejo fazer, com todo o coração, não sozinho, mas com a Igreja toda e com a sua indispensável participação.
     Dom Caetano Ferrari, OFM
    Bispo Diocesano de Bauru
    Dom Caetano conversa com a Revista Missões sobre ser bispo hoje, os desafios da Diocese, a comunicação na Igreja e muito mais
    No dia 30 de maio Dom Caetano Ferrari conversou com jornalistas na Universidade Sagrado Coração (USC), entre eles, Cecília Soares de Paiva, da Revista Missões. Confira abaixo a entrevista.
    Missões: O que significa ser bispo no século XXI?
    Dom Caetano: Na última Assembleia Geral em Itaici, dedicamos um dia inteiro para discutir a missão dos bispos à luz do Apóstolo Paulo (estamos no Ano Paulino). Foram considerados vários aspectos. O grande desafio é o de ser autoridade-serviço e não autoridade-poder. Isso inclui ser animador na vida da Igreja, junto às lideranças. Saber usar seus conhecimentos no sentido de impulsionar e animar as forças vivas da diocese, em vistas da Evangelização. O forte hoje da Igreja é resgatar a sua missionariedade. Jesus Cristo e a Missão são essenciais no trabalho de hoje. O Concílio Vaticano II, nos apresentou a Igreja-comunhão. Agora o enfoque é a Igreja-missionária. O eixo era: a comunhão com o povo de Deus: a formação, a catequese e os sacramentos. Com Aparecida, o eixo importante é a Igreja-missão, e como consequência, não é somente a formação e a catequese, mas o anúncio, o querigma. Fazer a Igreja voltar a ser missionária, a ser como o Apóstolo Paulo que saiu de Jerusalém e percorreu o mundo anunciando Jesus Cristo e formando a comunidade-Igreja.
    Inclusive o lema que escolhi, para me inspirar e orientar a minha missão, carrega o aspecto missionário que se tornou um compromisso muito maior com o Documento de Aparecida: entrar em estado permanente de missão. Toda a Igreja, paróquias e dioceses, devem fazer um esforço para a renovação estrutural e a conversão pastoral. Esse pensamento é muito franciscano porque se trata de evangelizar toda a criatura. Encher a terra com o Evangelho, não somente os pobres, mas todos, sem exceção.
    Missões: Como atuar em meio a tantas propostas religiosas?
    Dom Caetano:A abertura ao diálogo é essencial na Igreja. Não se deve convencer na marra, mas pela atração, como diz o próprio Documento de Aparecida. É converter e reanimar os que estão afastados e já são batizados e eventualmente apresentar Jesus Cristo a quem não o conhece. Para isso é preciso ser atraente, saber utilizar os meios de comunicação que podem ajudar muito se os conhecemos e os utilizamos bem.

    Missões: Como é viver o carisma franciscano hoje?
    Dom Caetano:O carisma franciscano é bastante atual, exatamente na missão, por ser a primeira Ordem verdadeiramente missionária. Quando a comunidade passou a contar com muitos irmãos, São Francisco os enviou, dois a dois, pelas estradas para levar o Evangelho de Jesus Cristo. A Ordem logo recebeu missões fora da Europa, mundo afora. Outra característica da espiritualidade franciscana é a fraternidade universal e a ecologia. São Francisco é irmão universal de toda gente, de toda a criatura que devem viver como filhos de Deus, com cuidado para com a natureza e a criação. E a questão ecológica é um tema muito atual e importante. Destacaria também o tema da justiça e da paz, próprios de São Francisco, um homem pacífico.
    Missões: Qual o desafio para a Diocese de Bauru? O que está previsto como as primeiras atividades na Diocese?
    Dom Caetano: O desafio local é o mesmo desafio de toda a Igreja: entrar no estado permanente de missão. E na prática é a consciência do que isso exige que inclui a mudança de comportamento, coisa nada fácil. Como primeiras atividades, estão agendados alguns encontros com lideranças e celebrações. Existem duas prioridades: a primeira relaciona-se ao compreender a Diocese priorizando visitas às paróquias dos 14 municípios que a compõem. Depois saber discernir a realidade e, se preciso for, articular os conselhos e colegiados, porque o bispo não age sozinho. A segunda tarefa vem ao encontro de Aparecida e também inspirado no meu lema, que é saber impulsionar, animar a conversão estrutural das nossas paróquias e da nossa diocese. Vamos confirmar os serviços e atender as urgências conforme a previsto no plano diocesano de pastoral.
    Missões: Esse projeto contempla a Missão Continental abrindo a Igreja local para a Missão além de suas fronteiras?
    Dom Caetano: Na Missão Continental devemos entrar em comunhão com toda a Igreja e ajudados pela CNBB que está estudando, entrarmos juntos no processo da Missão Continental, do qual ninguém deve ficar de fora. É um projeto que vai se clareando com a caminhada da própria Igreja.
    Missões: O senhor pretende promover encontros com as comunidades, políticos e lideranças civis?
    Dom Caetano: É importante que o bispo faça visitas pastorais que não são apenas visitas internas, mas com a sociedade, as autoridades, para se apresentar e buscar parcerias de interesse comum, fortalecendo a relação com as lideranças, com as forças vivas da sociedade em geral, seja governo ou comunitário, as lideranças sociais, os empresários os trabalhadores, mantendo com todos um diálogo. Isso inclui também a abertura ecumênica religiosa com as demais igrejas presentes na diocese.
    Missões: A 47ª Assembleia Geral da CNBB revisou as diretrizes da Formação dos Presbíteros à luz do Documento de Aparecida. Como serão implementadas em Bauru?
    Dom Caetano: Pelo documento aprovado ficou decidido que primeiro faremos o estudo do texto com a equipe de formadores, atualizando o nosso projeto local de formação. São propostas muito boas, sobre aspectos de preocupação da formação humana e acadêmica, do cuidado com a vida comunitária e fraterna dos padres. Somos um colegiado, uma comunidade composta pelo bispo, padres, diáconos permanentes e precisamos caminhar entrosados, numa verdadeira fraternidade. A partir disso fazer o trabalho pastoral. É necessário primeiramente estudá-lo bem para dar sentido à sua aplicação.
    Missões: Como o senhor avalia os serviços de comunicação na Igreja?
    Dom Caetano: Ainda estamos na situação de acolher as pessoas que frequentam a paróquia, na comunicação relacionada às pessoas que ouvem o padre na sua homilia. Então este serviço da acolhida leva ao serviço do envio, do ir ao encontro das pessoas. O missionário vai, mas deve pregar em cima dos telhados, como Jesus incentivava. Para isso, deve utilizar os meios de comunicação. Quando possível, a Igreja deve ter os seus próprios meios, ou então, conseguir espaços porque, apesar de toda a experiência milenar, estamos atrasados. Só que não podemos cair no conceito de marketing, que apela para tudo. Entendemos que a comunicação deve ser executada e impulsionada a partir da ética. Quem vai controlar os meios: o dinheiro?A total liberdade dos meios não pode acontecer. A mídia é importante e a tecnologia pode ser muito bem utilizada a serviço do Evangelho. Enquanto podemos ter emissoras próprias, utilizaremos, caso contrário, devemos buscar espaços, e se nem nelas termos espaço, devemos ser a consciência ética e crítica. Ser Igreja também é saber cobrar de quem está a serviço do consumismo e dos interesses econômicos. Não podemos entrar no jogo. Como fica a nossa pregação e os valores que carregamos? Devemos observar e fazermos avanços, assim como já temos feito. Em Bauru, por exemplo, vejo que temos uma articulação boa, que existem pessoas atuantes. É um serviço essencial e isso não acontece em todos os lugares.
    Missões: O senhor utiliza os microfones?
    Dom Caetano: Existem coisas que eu sei fazer e faço bem, outras que faço mais ou menos, outras que eu não sei. Já utilizei algumas vezes, mas não é preciso saber tudo, melhor conhecer quem sabe fazer bem e confiar a eles esses serviços.
     * Cecília Soares de Paiva é jornalista, Relações Públicas e mestranda em Comunicação. Colaboradora da revista Missões.
    Fonte: Revista Missões www.revistamissoes.org.br
    Diocese de Bauru celebra seus 45 anos, festa do Padroeiro e a posse de Dom Frei Caetano Ferrari, OFM
    Toda a comunidade está convida para a cerimônia, que acontece no dia 31 de maio, às 15h, na Catedral.
    A festa de Pentecostes, que celebra o padroeiro da Diocese de Bauru, o Divino Espírito Santo, será esse ano ainda mais especial: a data marca a posse de Dom Caetano Ferrari, OFM, como 5º bispo diocesano. Nesse dia também serão comemorados os 45 anos de instalação da Diocese de Bauru.
    A cerimônia acontece no dia 31 de maio, às 15h, na Catedral do Divino Espírito Santo. A missa deve contar com a presença de bispos da região, sacerdotes e representantes das 41 paróquias da Diocese, além de autoridades dos poderes públicos, lideranças diocesanas, agentes pastorais e a comunidade em geral. Caravanas de Franca, de onde Dom Caetano está sendo transferido, e de Pirajuí, cidade de origem do bispo, também estão confirmadas.
    Todos estão convidados!
    Dom Caetano conheceu o Clero de Bauru
    Dom Frei Caetano Ferrari, OFM visitou a Diocese de Bauru nos dias 14 e 15 de maio. Ele esteve no Seminário Seráfico Santo Antônio, em Agudos onde teve seu primeiro contato com o clero local. Sua posse será no dia 31 de maio, às 15h, na Catedral do Divino Espírito Santo. Já estão confirmadas as presenças de 10 bispos da região.
    Fonte: PasCom

     
     
    Dom Caetano deve visitar Bauru em maio
    Dom Caetano participará de uma reunião com o Clero no Seminário de Agudos. Confira outros detalhes em uma entrevista condedida ao programa de rádio Notícias Diocesanas.
    No próximo dia 15 de maio Dom Caetano Ferrari, OFM, irá participar de uma reunião com o clero da Diocese no seminário seráfico Santo Antônio, em Agudos.
    O comunicado foi feito em entrevista para o programa de rádio Notícias Diocesanas. O bispo nomeado para a Diocese de Bauru também falou sobre suas expectativas e seu lema missionário.
    Confira a entrevista concedida por Dom Caetano Ferrari, OFM, ao programa Notícias Diocesanas, transmitido pela Rádio Veritas FM (102,7) na edição 314, que foi ao ar no dia 18 de abril.
     
    1. Como o senhor recebeu a notícia de sua transferência para Bauru? Quais são as suas expectativas?
    Eu recebi a minha transferência para Bauru como uma agradável surpresa. Para mim há uma motivação especial, do ponto de vista particular, pois sou filho da região, nasci e tenho parentes em Pirajuí, também em Bauru. Aí tenho minhas raízes familiares e vocacionais. Eu entrei no seminário Santo Antônio, em Agudos, onde comecei minha formação franciscana. Em paróquias de Agudos e Bauru tenho laços afetivos com meus confrades franciscanos. Além da surpresa alegre, vou com o sentimento de servir do melhor modo possível usando a minha experiência para atender o povo de Deus da Diocese de Bauru. Tenho 66 anos de idade, 39 anos de padre, 44 anos de vida franciscana e apenas 7 anos de bispo, mas com uma caminha da pastoral longa.
     
    2. Para quando está prevista sua primeira visita a Bauru como bispo nomeado? A data da posse já foi confirmada?
    Eu marquei uma visita para o mês de maio para um primeiro contato com os padres, pois antes estarei na 47ª Assembléia Geral da CNBB. Lá terei a oportunidade de encontrar o administrador, o padre Luiz Fontana, que está representando a Diocese de Bauru. A minha posse está marcada para o dia 31 de maio, na Solenidade de Pentecostes, às 15h, na Catedral, porque o Divino Espírito Santo é o padroeiro da Diocese de Bauru, sendo esse um momento muito oportuno.
     
    3. O seu lema é “evangelizar toda criatura”. A Diocese de Bauru pode esperar um destaque para a ação missionária?
    De fato eu escolhi esse lema quando fui ordenado bispo em abril de 2002 porque ele é muito apropriado diante do apelo que a Igreja vem fazendo pela evangelização. O Documento de Aparecida convoca todos nós da América Latina e do Caribe – do Brasil, em particular – à missão. A missionariedade é muito forte também no carisma franciscano. A Ordem dos Frades Menores é missionária, quem sabe a primeira com esse forte caráter. A expressão “evangelizar a toda criatura” está ligada a São Francisco, que chamava toda a criação de irmão e irmã, em uma fraternidade universal. Nesse espírito, devemos evangelizar não só os povos, mas toda a criação, toda a criatura, enchendo a terra das sementes do evangelho. O Documento de Aparecida nos pede para evangelizar a cultura, a sociedade, todas as pessoas... Esse lema é muito forte e inspira a trabalhar em nossas comunidades para que sejam missionárias.

    Fonte: PasCom

    Carta de Dom Caetano
    comunicando sua transferência
    para a Diocese de Bauru-SP


    DOM FREI CAETANO FERRARI OFM
    Evangelizare Omni Creaturae


     

    Franca, 15 de abril de 2009

     

    Estimados Párocos, Vigários, Diáconos,
    Religiosas, Seminaristas e Fiéis leigos e leigas

    “O Senhor lhes conceda a paz!”

    Cumpro o dever de comunicar que, conforme notícia publicada no L’Osservatore Romano do dia de hoje, o Santo Padre o Papa, Bento XVI, me nomeou Bispo da Diocese Vacante de Bauru transferindo-me desta Diocese de Franca.

    Sempre em espírito de obediência ao Santo Padre dei o meu sim confiando na graça de Deus e na intercessão da Imaculada Conceição para bem servir à Igreja e ao povo de Deus da Diocese de Bauru.

    Ao mesmo tempo rendo graças a Deus pelo tempo vivido nesta Diocese de Franca e muito agradeço a Vós, meus irmãos e irmãs, pela estima e apoio sempre devotados a mim ao longo dos sete anos de presença entre vós.

    Estou recebendo esta transferência como um presente pessoal e uma homenagem prestada a minha família de sangue e a de vida religiosa. Na região de Bauru estão minhas raízes, familiares e vocacionais. Nasci em Pirajuí, 50 km de Bauru, tendo familiares e parentes em Pirajuí e Bauru. Iniciei minha formação franciscana entrando no Seminário Santo Antônio, em Agudos, 15 km de Bauru.

    Na certeza de estarmos sempre unidos na comunhão de orações, rogo a Deus para vós bênçãos e graças de saúde, paz e todo o bem.

    Cordialmente,

    Dom Caetano Ferrari, OFM
    Administrador Diocesano

     
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