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Bispo Diocesano
 
"Cruz, sinal de amor" Artigo publicado na edição de de 07 de março de 2010 do Jornal Bom Dia
 
Retomo a reflexão sobre a cruz, do domingo passado. A cruz é tema recorrente na Quaresma. E na vida cotidiana também. Ela está fincada no mundo e na história humana. Não adianta fugir dela. Este sinal de opróbrio se tornou, no dizer de São Paulo, “a força e sabedoria de Deus”. (1Cor 1,23s)
            Um mundo sem sofrimento, como escreveu Aldoux Huxley no seu “Admirável Mundo Novo”, seria possível existir se possível fosse um mundo sem amor verdadeiro.
            Como Deus pode tudo no amor e não pode nada no mal, Ele não livrou Jesus da cruz. A cruz é símbolo de que Deus se tornou um humano e sofreu como um humano. E para os homens ela sinaliza que eles sofrem com Deus e por isso entram na esfera do divino.
            São Francisco é considerado o mais perfeito imitador de Cristo, tanto que recebeu no corpo os estigmas do Crucificado. Edith Stein, judia que do mosteiro foi levada ao campo de concentração, viu na cruz a paixão não só de Cristo, mas de seu povo e da humanidade.
            Salve ó cruz, sinal do amor de Deus por nós e do nosso amor por Ele. Amém.
 Dom Caetano Ferrari

"40 dias em preparação para a Páscoa"
Artigo publicado na edição de de 28 de fevereiro de 2010 do Jornal da Cidade
 
O chamado Tempo Pascal é o mais importante de todo o Ano Litúrgico. Vai da Quarta-feira de Cinzas até a Solenidade de Pentecostes, ou seja, no presente ano de 2010, começou no dia 17 de fevereiro e terminará no dia 23 de maio. No centro deste tempo está a Vigília Pascal, que é o cume de todo o Ano Litúrgico, pois ela é a celebração não só da Páscoa de Cristo, Cabeça do corpo místico, a Igreja, como também da Páscoa dos Cristãos, os seus Membros. A Vigília da Páscoa se desdobra no Tríduo pascal (Quinta, Sexta e Sábado Santo) que celebram intensamente os mistérios da paixão e morte, sepultura e ressurreição do Senhor. No dizer de Santo Agostinho, este é o “sacratíssimo Tríduo do Crucificado, Sepultado e Ressuscitado”. E, como nós todos sabemos, a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo é o centro de todo o  mistério cristão, o fundamento de nossa fé. É bom ter presente esta visão geral do Tempo Pascal, com os 40 dias da Quaresma, a Semana Santa, o Tríduo e Vigília Pascal, e os 50 dias de aleluia até a solenidade de Pentecostes. Ajuda a gente a viver mais intensa e integralmente os mistérios de Cristo celebrados ao longo do Ano Litúrgico (Natal, Páscoa, Festas e Solenidades, Nossa Senhora, os Santos, etc).
A Quaresma é esse tempo de preparação para a Páscoa que começa todo ano com a Quarta-feira de Cinzas. A cinza recebida é um símbolo muito expressivo do espírito que marca
a Quaresma, com as suas características de conversão, penitência, oração e caridade. E a palavra Quaresma, cuja raiz significa 40, lembra os 40 dias durante os quais Jesus se
preparou no deserto, com jejuns e orações, para a missão apostólica, que estava prestes a iniciar.
Jesus é o modelo da vida de oração, penitência e caridade dos cristãos. Nele se inspira a Quaresma para motivar a assumir, como exercícios quaresmais de conversão, os três
exercícios de culto a Deus já conhecidos no Antigo Testamento: a oração, o jejum, a esmola (cf. Mt. 6,1-18).
Preparar-se bem para a Páscoa, em outras palavras, viver seriamente a Quaresma, ou ainda, praticar exercícios de oração, jejum e esmola, é mais do que uma questão de quantidade,
de visibilidade ou publicidade. Jesus mesmo tem criticado, como no Evangelho acima citado, quem reza ou dá esmola ou faz jejum só para ser admirado, incensado ou reconhecido pelos
outros. Ele orientou bem para uma oração sem muitas palavras, praticada no silêncio da voz e do coração, balbuciada no suspiro do Espírito que geme e suplica dentro do peito. Afirmou que a verdadeira penitência agradável a Deus é um coração puro, a prática do bem, uma vida com mais amor. Instruiu, quanto à caridade, para que a mão direita não saiba o que a esquerda faz,
mas para que toda dádiva seja generosa e de mãos cheias, recomendando uma prática de lágrimas enxugadas, famintos saciados, feridos socorridos, caídos erguidos, órfãos e viúvas
amparados, pão repartido, vida doada...
Neste ano em que a Campanha da Fraternidade Ecumênica nos convida a refletir sobre o tema Economia e Vida, sob o prisma da Palavra de Deus: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24), nossa penitência quaresmal deve contar com gestos concretos de partilha e justiça para com os pobres e os excluídos da economia de mercado, e com ações políticas efetivas de questionamento do sistema econômico dominante e excludente, e de proposições objetivas de inclusão e transformação social, política e econômica. Que não esmoreça jamais a esperança de que outro modelo de economia é possível, que defenda e promova a vida, o desenvolvimento sustentável, tanto social quanto ecológico, construa o bem comum e proporcione o bem-estar para o nosso povo, segundo propõe a Campanha da Fraternidade de 2010.
E que a preparação quaresmal seja uma oportunidade de conversão de vida, de mais vida com Deus e os irmãos, para que a Páscoa seja vida nova, plena e feliz, com justiça, dignidade e esperança para todos.
Dom Caetano Ferrari- Bispo Diocesano de Bauru
 
"Os cristãos sem Jesus" Artigo publicado na edição de de 28 de fevereiro de 2010 do Jornal Bom Dia
 
Como não há Jesus sem cruz, nem cristão sem Jesus, impossível ser cristão sem a cruz.
De fato, não é possível separar Jesus da cruz. É da nossa fé: cremos que o Messias crucificado deu a vida por nós, como afirma o apóstolo Paulo, por exemplo, em Rm 5,8: "Cristo morreu por nós, pelos nossos pecados"; ou em 1 Cor 1,23: "Anunciamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios...".
A morte de Cristo na cruz, bem como a sua ressurreição, é acontecimento central da fé cristã. Há, porém, pensadores modernos que rejeitam a cruz. Nietzstche perguntava:"Como podia Deus consentir nesta morte?".
E dizia que o cristianismo seria religião dos resignados, que justifica o fracasso, que enfeita a dor e adoça o sofrimento e que propõe a penitência como moeda de troca em vista do prêmio eterno.
Nossa fé, porém, nos diz que o ideal de Jesus nunca foi a dor ou a cruz. O amor e a obediência, isto sim, foi tudo para Ele, para fazer sempre e em tudo a vontade do Pai e dar sua vida por nós: "sabendo Jesus que chegara a sua hora, tendo amado os seus, amou-os até o fim" (Jo 13,1).
Há até mesmo cristãos que não sabem o que fazer com a cruz, não só a própria, que a rejeitam, como a de Cristo, sobre a qual não falam, e quando falam, omitem ou esquecem estas palavras: "Se alguém quer me seguir, tome sua cruz cada dia e siga-me" (Lc 9,23).
A diferença que conta nessa história da cruz de cada dia está no amor. Quem a abraça com amor sabe que não está só, Jesus carrega junto: "Vinde a mim que estais cansados sob o vosso fardo... e encontrareis descanso para vossas almas" (Mt 11,28-30).
Dom Caetano Ferrari é bispo diocesano de Bauru

"Os Exercícios Quaresmais da Oração, Jejum e Esmola"
Artigo publicado na edição de de 21 de fevereiro de 2010 do Jornal da Cidade
Boa coisa é a oração com o jejum e a esmola com a justiça” (Tobias 12,8).
 Páscoa do Senhor – Fundamento da Fé Cristã e Centro do Ano Litúrgico
A Páscoa, que compreende a morte e ressurreição de Jesus Cristo, constitui o fundamento de toda a vida cristã, o fato mais importante da História da Salvação. A celebração anual da Páscoa, na Liturgia, transforma o Ciclo Pascal, que começa na Quarta-feira de Cinzas e vai até Pentecostes, no núcleo central do Tempo Litúrgico, em outras palavras, no momento mais importante de toda a vida litúrgica da Igreja. A Vigília da Páscoa como ponto mais alto da celebração do mistério pascal – Tríduo Pascal, Semana Santa, Quaresma, 50 dias de aleluia - apresenta
à humanidade o evento-mistério do “Cristo que levantado da terra atraiu todos a si” (Jo 12, 32) e que, por sua morte e ressurreição, realizou a obra de nossa salvação, da restauração universal de todas as coisas e da perfeita glorificação de Deus, numa leitura resumida da bonita reflexão do Concílio Vaticano II (Dei Verbum 4; Ad Gentes 5).
Um acontecimento de extraordinária grandeza e significado em relação à nossa fé, que deve ser muito bem celebrado na Liturgia e muito bem preparado na vida por uma caminhada de conversão, tanto individual como comunitária. A Quaresma é esse tempo de 40 dias de preparação para a grande celebração do Tríduo Pascal, que culmina com a Vigília Pascal e se completa no Domingo da Ressurreição. Esse fato histórico, que se renova no Rito Litúrgico (Sacramento), é o mistério de “Jesus Cristo Salvador que destruiu o mal e a morte e fez brilhar a luz e a vida
imperecíveis”, como diz o apóstolo Paulo em 2Tm 1,10.
Os Exercícios Quaresmais, ou de Conversão, ou de Culto a Deus: Oração, Jejum, Esmola.
Esses três exercícios – oração, jejum, esmola – vêm da Bíblia. São conhecidos no Antigo Testamento, como por exemplo, na citação acima de Tobias; também em Isaías 58 se pode ler sobre o jejum que agrada a Deus. No Novo Testamento, Jesus se alonga ao falar acerca da verdadeira oração, da esmola e do jejum em
segredo (cf. Mt 6, 1-18). Esses exercícios não têm valor em si mesmos, mas devem sempre ser entendidos como meios ou instrumentos bons e úteis de conversão, de arrependimento dos pecados, como expressões concretas de busca da vida nova em Cristo, que o mistério pascal significa, e Jesus nos oferece gratuitamente. Não compraremos a graça de Deus com nossas penitências. Mas o Senhor quer sentir os nossos sentimentos, os nossos anseios, desejos, carências
e intenções. Por isso essas práticas são chamadas de verdadeiro Culto oferecido a Deus, quando por elas a pessoa deseja ardentemente exaltar a tríplice relação do ser humano: com Deus, pela oração; com a natureza criada, pelo jejum; e com o próximo, pela caridade, tomando estas palavras do grande Papa São Leão
Magno. Mt 6, 1-18 é o Evangelho que se lê na Quarta-feira de Cinzas, como uma exortação de Jesus para uma verdadeira penitência quaresmal.
Nos dias de hoje, de exaltação da beleza do corpo, da estética e bem-estar físico, quanta gente se impõe incríveis sacrifícios de dietas, jejuns e malhações? Quem se exercita na prática da penitência quaresmal por causa de sua fé persegue bens religiosos e espirituais, sem deixar de receber de acréscimo os benefícios corporais. Pois que a razão fundamental ou o motivo maior da prática dos exercícios da oração, jejum e caridade é sempre o amor a Deus. Deus amou tanto a humanidade que nos enviou o seu Filho único, e Jesus demonstrou o seu grande amor dando a vida por todos nós. Por isso, a nossa penitência quaresmal
só tem sentido se for também um ato de amor, uma nossa resposta amorosa ao Pai e ao Filho no Espírito do Santo Amor. A penitência quaresmal, praticada com o espírito de participação nos sofrimentos de Jesus, de oblação e oferta a Deus por
nossos pecados e de solidariedade com os pobres e sofredores deste mundo, e exercitada com moderação, sob o primado da misericórdia, amor e caridade, é meio eficaz de preparação para a celebração da festa da Páscoa da Ressurreição. Além de nos ajudar no crescimento espiritual de vida, dispondo-nos interiormente
à ação da graça de Deus, proporciona revitalização integral de nosso ser: corpo, mente e espírito. Eis porque o mistério pascal envolve todo o ser do homem, tornando-o uma nova criatura. “Se alguém está em Cristo, é nova criatura. Passaram-se as coisas antigas; eis que se fez realidade nova” (2Cor 5,17). Assim sendo, a Páscoa de Cristo é também a Páscoa dos Cristãos. “Se com Jesus Cristo morremos, com Ele viveremos. Se com Ele sofremos, com Ele reinaremos” (2Tm 2,11). Deus seja louvado, agora e sempre, amém!
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"Abismo de Misericórdia"
Artigo publicado na edição de de 24 de janeiro de 2010 do Jornal Bom Dia

 
             Todo domingo, nós nos reunimos ao redor das mesas da Palavra de Deus e da Eucaristia. Para comermos do pão da Palavra e da Eucaristia, que alimenta nossa vida cristã. Hoje, na Missa, ouvimos Jesus anunciando na Sinagoga de Nazaré que naquele dia se cumpria a passagem da Escritura lida por Ele em Isaías e que diz: “O Espírito do Senhor está sobre mim e me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres, a libertação aos oprimidos e o ano da graça do Senhor” (Lc 4,18-19).
            Começava a vida pública de Jesus. Foram três anos de incansável atividade como, por exemplo: perdoar pecados, curar doentes, expulsar demônios, ressuscitar mortos, multiplicar pães, fazer andar, ouvir e falar, ensinar a orar, abençoar e santificar. Enfim, o Divino Salvador, movido de compaixão, passou entre os humanos fazendo só o bem e todo o bem.           
            Jesus, perfeito Homem, se aproximava bondosamente dos pecadores para perdoá-los e recebê-los, como perfeito Deus, no seio da divina misericórdia. No perdoar os pecados, mais do que no fazer milagres, Ele revelava a magnitude de sua Divindade e o abismo infinito de sua Misericórdia. Ele perdoou grandes pecadores: Madalena, a pecadora, a mulher adúltera; Pedro, o traidor; a Samaritana, que teve cinco maridos; Zaqueu, chefe dos publicanos; o bom ladrão, a quem prometeu o céu; e a nós todos continua perdoando com infinito amor.  
            Mistério insondável e paradoxal de Deus: “o abismo que atrai abismo” (Sl 42,8). O abismo da infinita misericórdia divina de Jesus que atrai o abismo da grande miséria humana em nossos pecados, não para punir, mas salvar; não para abater, mas dar a vida.
                
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
 
Orar é como duas pessoas que se amam" Artigo publicado na edição de de 24 de janeiro de 2010 do Jornal da Cidade
“Sempre e por tudo dando graças a Deus Pai, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef 5,20). “Vivei em orações e súplicas e rezai em todo tempo no Espírito” (Ef 6,18).
Uma multidão de testemunhas nos fala, de muitos modos, sobre o que é orar. Principalmente os místicos e santos nos ajudam a entender o que é a oração, revelando-nos muitos segredos de sua busca e amorosa experiência de Deus. Quem ama deseja estar junto da pessoa amada, com ela quer aprofundar a comunhão de vida, pensamentos, anseios e ideais. Viver para essa pessoa e dela viver, ser tudo nela e dela ser tudo, enfim com ela desejar intensamente ser um só. Orar é estar à procura de Deus, é desejar Deus, é querer participar do mistério de Deus e entrar na perfeita comunhão de vida com Ele.
Alguns santos se manifestaram admiravelmente sobre a oração: “Orar é como duas pessoas se amando”, escreveu Santa Tereza D’Ávila. Santa Teresinha dizia que para ela “a oração é um impulso do coração, é um simples olhar do coração lançado ao céu, um grito de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria”. São de Santo Agostinho essas palavras: “a oração é a fraqueza de Deus e a força do homem”. São Francisco instruía seus frades, ensinando que “Orar é possuir o Espírito do Senhor e seu santo modo de operar”. O bem-aventurado Papa João XXIII deixou essa mensagem: “um homem sem oração é como um jardim sem flores”.
Em tudo Vos damos graças, ó Pai, por Jesus Cristo no Espírito Santo. Amém! Inspirada em 1Ts 50, 18, esteja sempre em nossos lábios essa prece de louvor e gratidão à Santíssima Trindade. E supliquemos a Jesus Cristo que nos ensine a orar. Ele é, por excelência, o Mestre de nossa oração. Os apóstolos viram muitas vezes Jesus orando. A oração do “Pai Nosso” nos foi ensinada e dada por Jesus mesmo. Ela é sempre um modelo de oração para todos nós, é a mais perfeita das orações e um resumo mesmo do Evangelho.
Quem ora faz a leitura da vida, compreende o mistério do existir, encontra a paz e a iluminação, recompõe o seu viver, se reconhece e reconhece os outros. A oração leva ao amor e à prática da caridade. O amor e a caridade levam à oração. Porque Deus é amor e todo o bem, quem d’Ele se aproxima recebe o seu Espírito e n’Ele e por Ele opera o bem, vivendo na prática da caridade e no espírito de oração e devoção, ao qual todas as coisas devem se submeter, conforme nos ensina São Francisco. Quem, pela oração e caridade possui o Espírito Santo do Senhor e seu santo modo de operar, torna-se capaz de, com Jesus, clamar com gemidos inefáveis “Abba”, Pai Nosso que estais nos céus...
A oração, então, opera maravilhas e transforma-se em terapia, salvação, vida, alegria e poder.
Em louvor de Cristo. Amém!

Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

"
Viveis sempre alegres. Orai sem cessar 1 Ts 5,17)"
Artigo publicado na edição de de 17de janeiro de 2010 do Jornal da Cidade
 O Catecismo, que aprendemos desde crianças, já nos ensinava que a Oração é uma necessidade vital. Mais do que um conhecimento, essa verdade foi se transformando, com o passar do tempo, numa experiência real de vida. Isso não aconteceu só comigo, mas com toda pessoa, e acontece ainda hoje na vida de toda a gente. Foi vivendo que nós começamos a descobrir que o sentido deste mundo está fora do mundo. Que o coração do homem é maior do que todas as coisas deste mundo. Que nada do aqui existente é capaz de saciar a fome e sede do amor infinito, de satisfazer o desejo do bom, belo, verdadeiro e santo, de realizar os sonhos de plenitude e sublimidade no existir. Então, aquelas verdades que decoramos no Catecismo, na ingenuidade da infância, foram fazendo sentido e se tornando em ciência e sabedoria de vida, porque a realidade do existir foi nos colocando diante dos mistérios da própria vida, que só a fé é capaz de explicar. Podemos afirmar que foi desta maneira que passamos a compreender quem é Deus. Ou melhor, que iniciamos uma caminhada pessoal de busca de Deus, mais do que de conhecê-lo pela razão, passamos a desejar experimentá-lo e senti-lo com o coração, em outras palavras, amá-lo de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento. A fé foi se tornando adulta, deixou de ser teoria, nem Deus era mais um objeto de estudo, mas deparamo-nos diante d’Ele como diante de um Outro, uma Pessoa que vem ao encontro do ser humano e o atrai a si, não só porque o criou, mas porque o ama e o chama a Si para uma comunhão de vida, e vida em plenitude, já no aqui e agora deste mundo. Somente a partir dessa experiência é que nos foi possível responder coerentemente ao achegamento amoroso de Deus e declarar-Lhe nosso amor e fé: “eu creio!” ou “Meu Senhor e meu Deus!”. Como soam maravilhosas as palavras de Santo Agostinho com as quais expressou a emoção do seu encontro com Deus, depois de difícil crise existencial e longa busca intelectual: “Ó beleza sempre nova e sempre antiga. Tarde te amei! Estavas dentro de mim, mas eu estava fora. Estavas comigo e eu não estava contigo. A vida do meu corpo é minha alma, mas a vida de minha alma és Tu, Senhor. Tarde te amei! Se o ser humano é um ser de desejos, o desejo de possuir Deus é o que melhor o caracteriza na sua identidade e no seu ser: um ser para Deus. É por isso que o homem anseia naturalmente encontrar-se com o seu Criador e “inquieto está o seu coração enquanto não repousar em Deus” (Santo. Agostinho). (Continua na próxima semana)
Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
"Paz e Bem" Artigo publicado na edição de de 10de janeiro de 2010 do Jornal Bom Dia
A Igreja, na Liturgia, abriu o Ano-Novo celebrando o 1º de janeiro como Dia Mundial da Paz e invocando a Mãe de Jesus como Rainha da Paz. Por quê? Ora, se Jesus é a realização do sonho de paz do povo de Israel; se assim se deve entender a profecia maior de Isaías de que nasceu para nós um menino cujo nome é “Príncipe da paz” (Is 9 5); se, como afirma São Paulo, Jesus é a “nossa paz”, que a estabeleceu definitivamente neste mundo, reconciliando a humanidade com Deus e fazendo dos povos uma só família de Deus pela derrubada dos muros da discriminação entre os povos (cf Ef  2, 14-20); se este Jesus é o Príncipe da Paz, então, Nossa Senhora, a sua Mãe Santíssima, é a Mãe da Paz.
O Ano-Novo abriu-se com uma festa mariana, sob o signo da mulher Maria de Nazaré, Mãe de Jesus, com seus valores femininos de ternura, bondade, amor, zelo, afeto, acolhimento, presença, doação e serviço. Pois, é da primazia destes valores que brota a paz.
A Mãe de Jesus é a flor mais bela do jardim cósmico; a única criatura humana cheia de graça em quem reside todo o bem; o rosto materno de Deus; a Filha e Serva do Rei Altíssimo e Pai celeste; a Mãe do Santíssimo Senhor Jesus Cristo; e a Esposa do Divino Espírito Santo.
Por seu ‘sim’, Maria deu à luz o Filho de Deus que é “o primogênito de todas as criaturas” (Cl 1,15). Por esta sua maternidade divina ela tornou-se também a mãe da nova família de Deus, a humanidade, e a mãe de todo o universo, com todas as criaturas.
Salve Rainha, protege-nos sob teu manto cor de anil e roga a Deus por nós bênçãos e graças de saúde e paz, agora e para sempre. Amém!
Dom Caetano Ferrari bispo diocesano de Bauru
"Epifania" Artigo publicado na edição de de 03de janeiro de 2010 do Jornal da Cidade
A festa da manifestação de Deus ao mundo
A palavra “epifania” vem do idioma grego “epipháneia” e significa apresentação, manifestação, revelação. Assim sendo, entendemos por festa da Epifania do Senhor a manifestação ou revelação de Jesus ao mundo. Naqueles dias do seu nascimento, Jesus foi manifestado ao mundo pagão quando os Reis Magos, vindos do Oriente e guiados por uma estrela, que misteriosamente aparecera no céu, encontraram em Belém numa manjedoura o Menino, com Maria e José. Jesus já fora revelado aos pastores, gente do povo pobre de Belém e região, pelos Anjos que anunciaram uma grande alegria, o nascimento do Salvador, e cantaram em coro “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade” (Lc 2, 14). Ele fora também revelado às autoridades civis e religiosas da nação judaica (Rei Herodes, príncipes dos sacerdotes e escribas), quando, alertados pelos Magos do Oriente, descobriram nas Escrituras o sentido do aparecimento daquela estrela no céu, ou seja, a realização de uma velha profecia que dizia “E tu, Belém, terra de Judá, de forma alguma és a menor das cidades de Judá porque de ti sairá um chefe que apascentará meu povo Israel” (Mt 2, 6).

A festa dos Reis Magos
A Epifania ou manifestação do Senhor ao mundo é conhecida como a festa dos Reis Magos. Na Liturgia deste domingo (03/01/2010) é proclamado o Evangelho de Mateus (Mt 2, 1-12) que narra a longa caminhada dos Reis Magos: “Onde está o Rei dos Judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo”. E depois de terem adorado o Menino voltaram para a sua terra por outro caminho. São Paulo afirma na carta aos Efésios (2a. leitura do dia – Ef 3,2-3.5-6) que o mistério agora revelado em Cristo significa que “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo”. Na escuta do profeta Isaías (1a. leitura - Is 60,1-6) recordamos aquela sua profecia de que sobre Jerusalém descerá a glória do Senhor, a qual ficará toda iluminada e atrairá, com o clarão de sua luz, os povos envolvidos nas trevas, que se achegarão a ela, vindos de longe, como seus filhos e suas filhas, trazendo as riquezas de além mar, ouro e incenso, inundando a cidade de camelos e dromedários de Madiã e Efa, e todos proclamando a glória do Senhor. Com palavras de comovedora alegria, Isaías relata a festa da chegada desses povos distantes: “ao vê-los, Jerusalém, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte”. É o cumprimento da promessa que alentava o povo judeu nas suas orações, como rezamos no Salmo responsorial: “as nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!” (Sl. 72/71).

No início do caminho havia uma estrela
Não é suficiente que Jesus tenha nascido, no passado, e agora de novo, no Natal de 2009. É necessário que Ele seja manifestado e revelado a todo mundo crente e não crente, de todos os tempos e lugares. Precisamos sempre de novo descobrir a estrela que sinaliza e indica para cada um de nós, em particular, como batizados, e para todos nós, comunitariamente, como povo de Deus, o caminho de Deus a seguir, sua vontade e desígnio a obedecer, uma vocação e missão a cumprir, que em síntese consistem em acolher Deus na vida e em manifestar e revelar Deus ao mundo.
Ser estrela que brilha gratuitamente no céu
Não basta igualmente acolher Deus no coração, é necessário ser uma estrela que brilha no firmamento, generosa e gratuitamente, refletindo o clarão que vem de Deus. Esta é a missão do cristão batizado e da Igreja, ser luz do mundo, estrela no firmamento, sal da terra, fermento na massa, sinal de Deus, gesto revelador da sua bondade e misericórdia. Ser como essa estrela de Deus é ser missionário. A vocação cristã é, por natureza, uma vocação missionária.
Como seria bom se toda pessoa que olhasse para a gente, para nossas comunidades de fé, para todo cristão descobrisse em nós essa estrela de Belém, que manifesta Deus, revela seu rosto, sinaliza esperança, aponta caminhos de paz e bem.
Sigamos a Estrela de Deus, que no Natal de 2009 veio para nos apontar novos caminhos. Quem encontra Jesus Cristo não volta pela mesma estrada. Descobre caminhos novos, a exemplo dos Reis Magos, que voltaram para sua terra, mas por outra estrada.
Sejamos, em 2010, luz para os outros, uma Estrela que indica caminhos do bem, da paz, do amor; caminhos para Deus!
Dom Caetano Ferrari  Bispo Diocesano de Bauru
"Folia de Reis" Artigo publicado na edição de de 03 de janeiro de 2010 do Jornal Bom dia

 

Folia de Reis é uma bonita festa em louvor a Jesus
Guiados por uma estrela, Reis Magos vieram adorar o Senhor. Segundo evangelhos apócrifos, Melquior era rei da Pérsia; Baltasar, da Índia; e Gaspar, da Arábia. Por isso, a Epifania é também festa da unidade das raças.
A Folia de Reis é uma festa popular muito bonita, colorida e sonora, de que me lembro do tempo de menino, quando morava na roça, no sítio Santa Maria, em Pirajuí/SP, onde nasci. Por ocasião da festa dos Santos Reis, vinham lá os cantadores, vestidos de reis, e a comitiva, cantando louvores a Jesus.
Apresentavam-se ao anoitecer, como que seguindo a luz da estrela do Natal, e passavam de casa em casa, saudando os moradores com cantos e mensagens natalinas. Antes de se retirarem, o pessoal que os recebia lhes servia alguma coisa de beber e ofertava alguma prenda. As prendas eram ajuntadas para serem servidas na grande festa de encerramento, com muita música e dança.
A gente esperava com ansiedade a Folia chegar. Era um espetáculo que enchia os olhos e o coração e inundava de fantasia a imaginação. Quem, como eu, experimentou dessas coisas sabe que tem a alma marcada para sempre com um fascínio único do Natal.
Quando o porta-bandeira erguia a Bandeira, era hora da partida e os cantores, agradecendo, cantavam: “minha Bandeira se despede, vai no giro de Belém. Adeus, Senhores e Senhoras, até o ano que vem!” E lá ia embora a Folia, seguindo a estrela! Naturalmente, no sono daquela noite, os sonhos de qualquer menino eram mais coloridos, cheios de luz, estrelas e encantos, que o tempo jamais apagou.
Dom Frei Caetano Ferrari, ofm - Bispo Diocesano de Bauru
"Natal, a festa das festas Artigo publicado na edição de de 20 de dezembro de 2009 do Jornal da Cidade

A Encarnação do Verbo foi uma decisão livre de Deus,

por puro amor. Teria se dado ainda que o ser

humano não tivesse pecado.

(Teologia franciscana)

 

            Para falar sobre o Natal, o prezado leitor ou leitora me permita servir-me de São Francisco, o Santo que inventou o presépio. No Natal de 1223, em Greccio, Itália, São Francisco desejou retratar a cena de Belém, aproveitando uma gruta encravada na rocha em meio às árvores de um bosque. Ele viu naquele cenário um ótimo lugar para encenar ao vivo o nascimento de Jesus. Com engenho artístico e fé profunda, armou o presépio naquela gruta de Greccio, auxiliado por pessoas do povoado, sem dar conta de que estava inaugurando uma prática que se espalharia pelo mundo afora e chegaria até nós, atravessando séculos.

            São Francisco reuniu todos os frades e o povo, que portava tochas e archotes acesos, para celebrar a noite santa do Natal. Durante a Eucaristia ele mesmo proclamou o Evangelho de Lucas, capítulo 2, e pregou com profunda devoção e emoção. Seu principal biógrafo, Tomás de Celano, narra que, ao fazer a leitura do Evangelho, São Francisco cuidava de substituir o nome de Jesus por “Pequeno Bebê de Belém”, e ao mesmo tempo em que pronunciava estas palavras ele “passava a língua pelos lábios como se estivesse saboreando a doçura do mel”. Ele conta também que aquela celebração do Natal seduziu o coração de todas as pessoas atraindo-as para o “Amor que não é amado”, conforme São Francisco costumava referir-se a Jesus. Celano ainda escreve na mesma “Vida Primeira” do Santo que ele tinha procedido daquele modo porque se sentira inflamado do desejo de “lembrar o menino que nasceu em Belém, os apertos que passou, como foi posto num presépio, e ver com os próprios olhos como ficou em cima da palha, entre o boi e o burro...” (1Cel, 84). Queria ver com os olhos, que a terra haveria de comer, a humildade e pobreza daquele que, “sendo rico, se fez pobre a fim de nos enriquecer com sua pobreza” (2Cor 8, 9), e da sua bem-aventurada Mãe, para nos apontar o caminho da vida de simplicidade e do serviço solidário aos pobres e humilhados deste mundo, como a forma mais perfeita de seguir a Nosso Senhor Jesus Cristo, pobre, humilde, crucificado e ressuscitado, e de viver o Evangelho.

            Eis porque para São Francisco o Natal era para ele a festa de todas as festas. Ainda que ele soubesse reconhecer a primazia teológica da Páscoa de Cristo, no entanto dizia que a redenção realizou-se porque primeiro o Verbo de Deus se fez carne. Sem a encarnação de Jesus não teria se dado a redenção. Como é verdade que o Salvador nos salvou por sua cruz e ressurreição, verdade é também que o nascimento de Jesus é já a certeza e o gozo antecipado da salvação. Por isso ele celebrava com incrível alegria todo Natal. Mas o Natal de 1223, em Greccio, foi para São Francisco o Natal mais lindo de sua vida, a festa das festas de que nunca se esqueceu.

            Com alma de artista São Francisco inventou o presépio para enaltecer e solenizar o que a humanidade já reverenciava como o maior acontecimento de toda a história humana: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós; vimos a sua glória, a glória de Filho único do Pai, cheio de graça e verdade” (Jo 1, 14). A festa de Natal que celebra esse tão grande acontecimento deveria, então, para São Francisco, corresponder em solenidade e glória ao anúncio festivo do anjo do Senhor: “Anuncio-vos uma grande alegria, que é para todo o povo” (Lc 2, 10).

            Talvez os mestres da Escola franciscana tenham visto nessa intuição de São Francisco o fio da meada para desenvolver a tese de que Jesus fez-se homem não por causa do pecado, mas por puro amor de Deus. A primazia do amor de Deus. Por amor, Ele primeiro nos criou e, como depois nós pecamos, então, também nos salvou.

            Ó “Felix Culpa” que nos deu tão grande Salvador, proferiu Santo Agostinho. E São Francisco, por certo, proclamava: Ó “Felix Amor” que nos deu tão grande Bem. Não teria sido por essa razão que no “Cântico do Irmão Sol”, ele cantou: “Louvado sejas, meu Senhor, por tudo o que criaste...” Não é igualmente certo que ele cantava, por prados e campinas, que o “Amor não é Amado” e não que o “Salvador não é amado”?      

            Na noite santa do Natal de 1223, em Greccio, São Francisco reclinou-se na manjedoura vazia para apanhar em seus braços um menino, o menino acordou de seu lindo sono, olhou para São Francisco e lhe sorriu. E o Santo convenceu-se de ter compreendido o Evangelho e estar no caminho certo: viver para amar o Amor que não é Amado, em outras palavras, viver sob o primado do amor a Deus, a todas as pessoas, aos pobres e sofredores e a toda a criação.

            Desejo apresentar à estimada leitora ou ao leitor e sua família votos de um Santo Natal e um Próspero Ano Novo, ricos do amor de Deus, com muita saúde, paz e todo o bem.

 

Dom Frei Caetano Ferrari, ofm - Bispo Diocesano de Bauru

 
"Feliz Natal!"Artigo publicado na edição de de 20 de dezembro de 2009 do Jornal Bom Dia

Natal é despojamento, simplicidade, humildade, respeito. Jesus Cristo, sendo rico, preferiu o caminho da pobreza e da pequenez para nos ensinar a abraçar os pobres, desvalidos e sofredores deste mundo. Seguir seus passos significa viver assim como Ele viveu: uma vida voltada para os outros, a comunidade, principalmente, os pobres e excluídos. 

Natal é solidariedade, esperança, paz e todo o bem. Foi por amor que o Filho de Deus desceu até nós. Por esta razão, o amor de Deus nos compromete com a missão de Jesus Cristo neste mundo. Jesus nos impulsiona a testemunhar a Grande Alegria do seu nascimento e a proclamar a Boa Notícia do Evangelho. Ele nos estimula também a assumir a causa dos pobres, a postular a urgência da paz entre os povos, a promover os direitos de toda a criação, a defender, valorizar e fomentar as múltiplas culturas da vida. O Evangelho de Jesus nos pede uma vida comprometida com a Evangelização, uma presença solidária e promotora do bem, da paz e da esperança.

Prezado leitor, armando um presépio em casa ou simbolicamente no coração, ou contemplando o presépio em nossas Igrejas, busquemos fazer-nos crianças com o menino Deus. Celebremos o Natal do Senhor, firmando os nossos passos no caminho que o menino Jesus, desde o seu presépio, nos aponta para trilhar no Ano Novo de 2010: uma vida voltada para Deus e para os outros, uma vida comprometida com a causa da Evangelização, do bem, da paz e da esperança.  

Um Feliz e Santo Natal e um Abençoado e Fecundo 2010, repletos com as bênçãos e graças do Menino que numa noite santa de Belém nos foi dado.

            Vida e Esperança, Paz e Alegria no Natal e em todo 2010!

Dom Frei Caetano Ferrari, ofm - Bispo Diocesano de Bauru

"Alegrai-vos!"
Artigo publicado na edição de de 13 de dezembro de 2009 do Jornal Bom Dia
A Antífona da entrada na Missa de hoje nos anima com este convite: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto” (Fl 4, 4s).
O Natal está chegando; que possamos com intenso júbilo prepararmo-nos para celebrá-lo.
Uma preparação que seja antes de tudo religiosa e espiritual, com oração, conversão e caridade.
Com uma oração tão terna que se contraponha de vez ao secularismo de um Natal profano sem Deus.
Com uma conversão de vida tão sincera que seja verdadeiro antídoto contra o individualismo de um Natal egoísta sem os outros, a família e os pobres.
Com uma caridade tão perfeita que apague para sempre os pecados do consumismo desenfreado de um Natal gordo sem alma.
Que seja também um Natal do reencontro com os outros, do perdão, da volta, do retomar da velha amizade.
Um Natal da confraternização familiar, da família unida e reunida ao redor da ceia, da ceia eucarística e da ceia natalina. Um Natal de paz aos homens e mulheres de boa vontade, que ponha fim às guerras e encha de bens os corações humanos, especialmente dos pobres e excluídos. Um Natal de justiça e paz e de vida em abundância para todos.
No acender da terceira vela do Advento hoje, rezemos: “Bendito sejais, Deus bondoso, pela luz de Cristo, sol de nossa vida, a quem esperamos com toda a ternura do coração”.
Dom Caetano Ferrari

"Dom Caetano informa mudanças para 2010"
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    Em reunião do Conselho de Presbíteros da Diocese de Bauru algumas modificações administrativas e pastorais foram definidas para 2010. Algumas já foram confirmadas e divulgadas pelo próprio bispo, Dom Caetano Ferrari. Confira:
     Padre Gustavo Rubin da Mota, que era pároco da Igreja Nossa Senhora Aparecida em Pederneiras, volta a ser vigário paroquial da Igreja de Santa Rita de Cássia, em Bauru, cujo pároco é o monsenhor Almir José Cogiola;
    Padre Maurício dos Santos Guerra, até então vigário de Santa Rita, assumirá como pároco a Igreja Nossa Senhora Aparecida, de Pederneiras;
    Padre Marcos Eduardo Pavan, pároco da Catedral, assume a Igreja Santa Teresinha do Menino Jesus como administrador paroquial, tendo como vigários paroquiais o padre Márcio José Cattache, que continuará atuando como formador em Marília, e padre Giuliano Henrique Lourenço Alamino, que também será reitor do seminário diocesano Maria Mãe da Igreja;
    Padre Claudemir Moreira deixa a formação e assume como pároco a Paróquia Imaculada Conceição;
    Padre Romildo Alceu da Silva, até então na Igreja Santa Teresinha, assume como pároco a Igreja São João Batista, de Iacanga;
    Padre André Luiz Corrêa, até então em Gália, assume a Igreja Beato José Anchieta;
    Padre Rodrigo Pereira Sena assume a Igreja São José, de Gália, como pároco, e a Igreja São Sebastião, de Avaí, como administrador paroquial;
    Diácono Everaldo Junior Rambaldi (que será ordenado padre no dia 20/12) assume como vigário paroquial da Igreja de São Benedito;
    Diácono Adinam Ronieri da Silva (que será ordenado padre no dia 20/12) assume como vigário paroquial da Igreja Maria de Nazaré;
    Padre Fernandinho Henrique Lima deixa de ser vigário na Catedral e fica com uso de ordem, disponível para atender necessidades pastorais na Diocese.
    Padre Roberto Francisco Daniel deixa de ser vigário na Paróquia Universitária do Sagrado Coração de Jesus e fica com uso de ordem, disponível para atender pedidos de ajuda pastoral na Diocese.
    Informativo - Site da Diocese

  • "Assembléia Diocesana"
    Artigo publicado na edição de de 06 de dezembro de 2009 do Jornal da Cidade
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    No sábado e domingo passados, dias 28 e 29 de novembro de 2009, realizou-se a Assembléia Anual da Diocese de Bauru. Foi um grande acontecimento eclesial, que contou com a presença dos padres e lideranças leigas das 41 Paróquias da Diocese, pondo em evidência a beleza e riqueza, a comunhão e unidade de nossa Igreja, na variedade dos ministérios, carismas e serviços, e na pluralidade étnica, social e cultural de nosso povo católico. Uma demonstração clara da identidade de nossa Igreja, ali se apresentando como “um só corpo e uma só alma”. Em clima de festa, celebração e escuta da Palavra, foi um encontro de louvor e ação de graças a Deus pela caminhada (história), de discernimento quanto aos novos desafios (leitura da realidade), de comprometimento com o presente (planejamento pastoral), de renovação da fé, esperança e caridade diante do futuro (horizontes, metas e objetivos). Uma Assembléia orante, celebrativa e pastoral.
    As celebrações litúrgicas, orações, estudos, trabalhos, refeições, convivência, enfim, tudo concorreu para nos fazer crescer em comunhão e participação e nos ajudou a proceder à leitura da realidade, a auscultar a voz do Espírito, a vislumbrar novos horizontes e a tomar decisões importantes para impulsionar a ação evangelizadora na Diocese.
    Tendo por tema: “O lugar da iniciação cristã na pastoral urbana”, a Assembléia foi assessorada pelo Pe. Antônio Francisco Lelo, doutor pelo Instituto Superior de Liturgia na Faculdade de Teologia da Catalunha (Espanha), professor, escritor, conferencista e atuante, na periferia de São Paulo, na área da educação da fé e do planejamento de programas sociais. E os trabalhos, iluminados pelo Documento de Aparecida, Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e Magistério da Igreja, objetivaram responder à seguinte proposta, que veio da Assembléia das Dioceses do Estado de São Paulo, realizada recentemente em Itaici/SP: “Fazer das Paróquias redes de comunidades e centros de evangelização, onde as pessoas façam uma profunda experiência querigmática, sendo despertadas para o ardor missionário”.
    Como resultado final da Assembléia, foram aprovadas linhas gerais de ação que orientarão a Diocese e as Paróquias a impulsionarem, a partir de 2010, as ações evangelizadoras constantes do 7º Plano Diocesano de Pastoral em vigor, em vista de um planejamento harmônico, concentração de esforços e eficácia missionária.
    As linhas e pistas de ação:
    ·Promover uma Igreja mais acolhedora em todos os níveis (pessoal, eclesial e nas pastorais). Isso deve ocorrer através de um processo de reflexão e conscientização desde os fiéis leigos até as lideranças paroquiais e os padres, que leve a uma conversão de vida, espiritual e pastoral, no âmbito pessoal e comunitário.
    ·Ir ao encontro dos fiéis leigos batizados e que não vivem a sua fé em nenhuma religião. Isso deve ocorrer através da pastoral da visitação.
    ·Anunciar Jesus (querigma) a esses leigos de modo que eles sejam evangelizados na boa notícia trazida por Jesus. Isso deve ocorrer através de uma catequese com (de) adultos.
    ·Manter esses novos fiéis na caminhada da Igreja através da vivência da fé nas pequenas comunidades em comunhão com a comunidade paroquial. Isso deve ocorrer através das iniciativas das paróquias em promover e multiplicar pequenas comunidades, principalmente nos bairros mais afastados da Paróquia.
    O Divino Espírito Santo, que “faz novas todas as coisas” (Ap 21,5) e é o padroeiro de nossa Diocese, nos está chamando para um novo caminhar e exigindo de nós, no âmbito pessoal, conversão de vida; no comunitário, renovação da comunidade; e no social, solidariedade com os pobres e inclusão.
    Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Agora e sempre, amém!
    Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
     
  • "Iniciação Cristã"Artigo publicado na edição de de 06 de dezembro de 2009 do Jornal Bom Dia
    No fim da semana passada, realizou-se a Assembléia Anual da Diocese de Bauru, reunindo padres e lideranças leigas das nossas 41 paróquias. O tema foi “O lugar da iniciação cristã na pastoral urbana”. Iniciação cristã não é catequese, mas tem a ver com ela.
    Não é ensinamento de doutrina ou verdades da fé, mas é anúncio de Jesus Cristo, um anúncio querigmático. Querigma é uma palavra que vem do grego (kérigma) e significa anúncio ou apresentação de Jesus Cristo.
    A iniciação à vida cristã é  caminho, um itinerário que começa com o anúncio de Jesus a uma pessoa (querigma), feito pelo padre, catequista ou agente pastoral, possibilitando-lhe o encontro com Ele e a adesão a Ele (conversão); leva-a ao aprofundamento da fé (catequese) e aos sacramentos (Batismo, Crisma e Eucaristia) e a insere na comunidade de Igreja, na qual participará ativamente na vivência dos sacramentos, na missão e no serviço à caridade. Pela iniciação cristã a pessoa se torna “discípulo e missionário” de Jesus Cristo.
    Como anunciar Jesus (querigma) no meio urbano hoje? Na Assembléia, deliberamos assumir  a iniciação cristã para evangelizar  fiéis adultos insuficientemente evangelizados, indo ao encontro dos afastados, para o seu crescimento no conhecimento, amor e seguimento de Cristo.
    Sem deixar de valorizar a catequese com as crianças, a ordem agora é investir na catequese com os adultos, formando cristãos novos para um novo tempo. Como diz o Documento de Aparecida: “isto requer novas atitudes pastorais por parte dos bispos, presbíteros, diáconos, pessoas consagradas e agentes de pastoral” (DAp. 291). Mãos à obra!
    Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru


    "Bênção Apostólica"
    Artigo publicado na edição de de 28 de novembro de 2009 do Jornal Bom Dia
    Acabo de retornar de Roma, da Visita ad Limina Apostolorum. Nós, os Bispos do Estado de São Paulo, Regional Sul 1 da CNBB, subimos à Casa do Sucessor de Pedro para encontrar-nos com o Papa e venerar os túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo. O Apóstolo Paulo fizera questão de subir a Jerusalém para encontrar-se com Pedro em respeito à sua autoridade e em sinal de comunhão com a Igreja-mãe representada, como diz ele, pelos “notáveis e colunas”, ou seja, os apóstolos, tendo à frente Pedro (cf. Gal 2, 1-10).
    Depois, indo Pedro para Roma, a capital do Império Romano e do mundo civilizado, a Cidade Eterna tornou-se a sede da cristandade e da Igreja, o lugar onde se encontra a autoridade de Pedro. E, em consequência, subir a Roma para ‘ver o Papa’ e venerar os túmulos de Pedro e Paulo transformou-se em necessidade como um gesto concreto, um sinal visível de comunhão e unidade das Igrejas locais (Dioceses) com a Igreja-mãe, uma prática que desde os primórdios perdura até hoje.
    Mais do que o relatório da vida e ação evangelizadora da Diocese, enviado no ano passado à Sé Apostólica, levei no coração todo o povo da Diocese de Bauru. E do Santo Padre, o Papa, recebi, na audiência pessoal, uma particular Bênção Apostólica extensiva a todos os sacerdotes, consagrados, seminaristas e fiéis leigos e leigas das nossas comunidades de fé, com a sua cordial saudação, suas orações e votos de paz, luz, conforto e força para todos.   
    Prezado leitor, com muita alegria, faço-me portador dessa bênção especial do Papa Bento 16 para você e sua família.
    Dom Caetano Ferrari Bispo Diocesano de Bauru

    "Dom Caetano Ferrari visita Papa Bento XVI"
    A cada 5 anos os bispos se encontram com o Santo Padre, o sucessor de Pedro, na chamada visita "Ad Limina". Em 2009 é a vez do episcopado brasileiro, que por ser numeroso, irá em grupos regionais da CNBB. Cerca de 50 bispos, arcebispos e um cardeal seguem para Roma neste mês de novembro. Entre eles estará Dom Caetano Ferrari, que sai de Bauru dia 3 e retorna ao Brasil no dia 21 de novembro.
    No ano passado, cada bispo enviou ao Vaticano um relatório da vida e da missão de sua Diocese. Esse será o ponto partida do diálogo com Bento XVI, em audiência privada.
    Durante a visita, os momentos mais importantes são os das liturgias, sejam as concelebradas com o papa, sejam aquelas celebradas nas diversas basílicas importantes de Roma. 
    “Teremos visitas aos diversos Dicastérios, que são como que os Ministérios do Vaticano, por exemplo, Congregação para a Doutrina da Fé, Congregação para o Culto Divino e a disciplina dos Sacramentos, Congregação para o Clero, Congregação para a Vida Religiosa, Congregação para a Educação Católica, Congregação para os Bispos e outros órgãos e conselhos da Cúria Romana”, contou Dom Caetano.
    “Esta é a minha segunda visita ‘Ad Limina’. Em 2003 me encontrei ainda com o saudoso Papa João Paulo II. Peço orações pelo bom êxito desta visita e de lá estarei na comunhão de orações, rezando por todos os fiéis da Diocese, desde as Basílicas de São Pedro, São Paulo, São João do Latrão e de Nossa Senhora”, completou o bispo diocesano de Bauru.

     

    "Festa de Todos os Santos e Dia de Finados"Artigo publicado na edição de de 01 de novembro de 2009 do Jornal da Cidade
    “Creio na Comunhão dos Santos”
     “Passarei meu céu fazendo bem na terra” (Sta. Terezinha).
    Só há uma tristeza: a de não sermos santos” (Leon Bloy).
    “É um pensamento santo e salutar rezar pelos defuntos para que sejam perdoados de seus pecados” (2Mc 12,46).
                 De fato, a Festa de Todos os Santos e o Dia dos Finados devem englobar toda a Igreja, a saber: a Triunfante (do céu), a Padecente (do Purgatório) e a Militante (da terra). Pois que os Santos gloriosos do Céu, os Santos padecentes em fase de aperfeiçoamento no Purgatório e os Santos militantes da terra a caminho da santidade, todos enfim formam a grande assembleia dos Santos, a Igreja. Esta é a fé que professamos no Credo: Creio na Comunhão dos Santos.
                Como todos os que têm fé formam um só Corpo, o Corpo de Cristo, que é a Igreja, há uma intercomunicação de bens, materiais e espirituais, de uns aos outros. Essa é igualmente outra verdade de nossa fé. A intercomunicação e comunhão compreendem aqueles dons que são essenciais na vida cristã, segundo lemos nos Atos dos Apóstolos: “Os discípulos eram assíduos no ensinamento dos Apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações” (At 2,42). Por isso, entre os cristãos que são constituídos como “raça escolhida, sacerdócio real, nação santa e povo adquirido” (1P 2,9), devem operar-se, quanto à partilha de dons, a:
    ·          comunhão na fé que revigora a unidade da Igreja e dá credibilidade à missão;
    ·          comunhão na graça santificante proveniente da Oração, Liturgia, Sacramentos;
    ·          comunhão dos carismas distribuídos pelo Espírito para a edificação da comunidade;
    ·          comunhão dos bens partilhados especialmente com os pobres;
    ·          comunhão na caridade que, irradiando-se em benefício dos outros, vivos ou mortos, realiza a comunhão dos santos, uma vez que “ninguém de nós vive e ninguém morre para si mesmo” (Rm 14,7).
                            A Liturgia de Todos os Santos e de Finados nos ajuda a celebrar os nossos entes queridos que nos precederam na morte, com espírito de confiança na bondade e misericórdia divina, oferecendo a Deus preces e obras de piedade para que Ele os tenha já em seu Reino, e de gratidão pelo dom destas vidas ligadas às nossas em graus diversos de afinidade e parentesco, rendendo graças a Deus, que para nosso bem nos deu. Faz parte da nossa fé que as orações por nós oferecidas a Deus em favor dos irmãos que descansam na paz de Cristo podem não somente ajudá-los, mas também tornar frutuosa a intercessão deles por nós. É um intercâmbio de bens espirituais entre nós e eles que fortalece os laços de comunhão entre todos nós, os que somos filhos de Deus e constituímos uma única família em Cristo. O costume de venerar com grande piedade a memória dos defuntos é antiquíssimo, vem desde os primórdios da Igreja, e é uma prática que cultivamos com profundo espírito religioso. É em Deus que nós podemos encontrar os nossos falecidos e com eles nos comunicar.
                Os Santos que estão no Céu não deixam de interceder a Deus por nós, que pelejamos aqui neste chão, com orações e súplicas, e em virtude dos méritos de Jesus Cristo a quem seguiram fielmente na terra. Os Santos, além de intercessores em nossas necessidades, são também mediadores de graças, que nos ajudam a seguir seu exemplo de vida e caminho de santificação. O seu valioso auxílio atrai a graça e a força de Deus, que nos levantam das nossas fraquezas.
                Celebremos, com alegria, a festa de Todos os Santos e, com esperança, o dia dos Finados, pois Jesus Cristo é a Ressurreição e a Vida, e pelo Batismo estamos unidos com Ele na vida e na morte (Jo 11, 25-26).
                Na profissão de fé solene assim nós rezamos: “Cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo, dos que são peregrinos na terra, dos defuntos que estão terminando a sua purificação, dos bem-aventurados do céu, formando todos juntos uma só Igreja, e cremos que nesta comunhão o amor misericordioso de Deus e dos seus santos está sempre à escuta das nossas orações”.
                Vivos e mortos se encontram unidos na glória de Cristo e no mistério de amor, especialmente, quando nos reunimos para a celebração da Eucaristia, o memorial da paixão, morte e ressurreição do Senhor. Então, a terra se eleva ao céu e as alturas descem às baixuras de nossas vidas. E desta mesa de peregrinos nós participamos já aqui e agora do banquete de Deus, celebrando a Comunhão dos Santos.
                Em louvor de Cristo. Amém!
     
    Dom Caetano Ferrari
    Bispo Diocesano de Bauru


     

    "Ser Santo"Artigo publicado na edição de de 01 de novembro de 2009 do Jornal Bom Dia
    Aprendi com a primavera a deixar-me cortar para voltar sempre inteira”. (Cecília Meireles).
    Novembro começa com a celebração de todos os Santos e de Finados. A liturgia nos conduz a honrar os santos dos céus, cantando as maravilhas que Deus realizou por meio deles, enquanto viveram neste mundo. Com as preces elevadas a Deus homenageamos especialmente os santos de nossa devoção, suplicando-lhes a intercessão e proteção para que possamos ao menos chegar mais perto do grau de santidade que alcançaram. Admirando-lhes a vida santa, que levaram nos dias em que viveram entre nós, aspiramos imitar-lhes o exemplo e seguir-lhes os passos no caminho da santidade.
    Os nossos mortos, nós os reverenciamos, rezando por eles e visitando os cemitérios. Com velas acesas, flores e orações, recordamos as pessoas queridas e ligadas a nós, que já partiram para a casa do Pai. A liturgia nos leva a rezar também pelos falecidos desconhecidos, sobretudo as vítimas das guerras e violências, da fome e do abandono, dos vícios e pecados. Que o Senhor tenha pena de todos eles, lhes conceda o repouso eterno e faça brilhar para eles a sua luz. Nossa fé nos ensina que devemos rezar por todos os mortos, mas também por todos os vivos, santos e pecadores, bons e maus, para que o Senhor tenha pena dos que ainda caminham na estrada da vida e os conduza com sua mão firme na prática do bem rumo ao céu.
    Ao celebrar todos os santos e recordar nossos mortos, somos levados a pensar em nossa vida, como estamos vivendo, e no ideal de sermos santos, uma vez que o sonho da santidade deve estar dentro de nossos planos pessoais de vida.
    Dom Caetano Ferrari é bispo diocesano de Bauru
    "Decreto de Dom Caetano interdita a Igreja Santa Teresinha"Segue abaixo o decreto de Dom Caetano Ferrari, bispo diocesano de Bauru, para interdição da Igreja de Santa Teresinha em Bauru.

    O Conselho de Presbíteros da Diocese de Bauru, reunido com seu Presidente Dom Frei Caetano Ferrari, OFM, Bispo Diocesano, ponderou e decidiu o quanto segue:

     

    a)      a Paróquia de Santa Terezinha do Menino Jesus, em Bauru, tem seu templo tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru – CODEPAC, desde 21 de outubro de 2002, pelo Decreto Nº 9304 do Dr. Nilson Costa, então Prefeito Municipal;

    b)      qualquer melhoria no prédio, para ser realizada, necessariamente deve ter prévia e expressa  autorização do CODEPAC, órgão governamental competente;

    c)       ante o laudo pericial da lavra de M.S. TECNOLOGIA E CONSULTORIA LTDA, datado de 07 de outubro de 2009, devidamente assinado pelos técnicos responsáveis, srs. Eric Édir Fabris (CREA 060 071096-8) e Gilberto Amauri Serafim (CREA 060 142398-7), que entre outros, assim propõe como solução:

     

                                           “A solução proposta para o reforço das fundações permanece a mesma explicitada em nosso relatório de 2007, inclusive em relação às prioridades de intervenção do prédio, assim como as definições dos custos envolvidos”.

     

    E conclui:

     

                                           “Em vista do exposto, ratificamos nossas recomendações constantes do relatório anterior, de que o prédio exige intervenção urgente para que se atinjam condições adequadas de segurança, sendo agora, “premente” a adoção de providências para o reforço de suas fundações”.

     

                      Assim sendo, tendo em vista a segurança dos fiéis, do próprio prédio e bens ali existentes, DECRETO a INTERDIÇÃO, temporariamente, da Igreja Matriz de Santa Terezinha, em Bauru, para sua devida reforma estrutural.

     

                      Durante esse período, que espero que seja breve, as cerimônias litúrgicas serão celebradas no Salão Paroquial, sito na Praça Rodrigues de Abreu, 2-55.

                     

                      Dado e passado em nossa Cúria Diocesana de Bauru, aos 26 de outubro de 2009.

     

    Dom Frei Caetano Ferrari, OFM

    Bispo Diocesano  

    Presidente do Conselho Presbiteral Diocesano

     

    Ir. Clara Maria Moreira, ASCJ

    Chanceler

    O transcrevi e registrei



    "Encerrando outubro missionário e Santo Antônio de Santana Galvão"
    Artigo publicado na edição de de 18 de outubro de 2009 do Jornal da Cidade
    Em todas as comunidades de fé o chamado à missão ecoou, intensamente, ao longo deste outubro, o mês missionário. Neste espaço, a cada domingo de outubro, o discurso foi o mesmo: a ação missionária da Igreja deve ser permanente; é tarefa de todos os batizados; a paróquia é o primeiro espaço da missão, mas ela deve chegar a todas as nações e povos; seu conteúdo é o anúncio da Palavra de Deus, que é uma Pessoa, Jesus Cristo, homem e Deus; para realizar essa missão, nós, os batizados, precisamos nos converter em discípulos apaixonados e missionários intrépidos de Jesus; e as nossas paróquias necessitam abandonar estruturas ultrapassadas, testemunhar a comunhão, a oração e a caridade, e sair à missão.
    Todas as paróquias vêm se empenhando, vivamente, por seus párocos, vigários, religiosas, catequistas, agentes pastorais e líderes de comunidades, em oferecer oportunidades aos fiéis, mediante celebrações, leitura orante da Palavra e catequese bíblica, para experimentarem a felicidade e o encantamento de um encontro pessoal com Jesus Cristo. Como um exemplo de encontro com Jesus, que transformou a vida de alguém, basta lembrar o que sucedeu com o apóstolo Paulo: como tudo mudou na sua vida depois do encontro com Jesus, no caminho de Damasco (cf. At 9, 1-18), de perseguidor dos cristãos tornou-se o maior missionário da Igreja em todos os tempos.
    Sem que deixemos esmorecer a ação missionária permanente, encerro a reflexão que este outubro missionário enseja, citando o Documento de Aparecida, que nos convoca para a missão de comunicar, “transbordando de gratidão e alegria, o dom do encontro com Jesus Cristo. Não temos outro tesouro a não ser este. Não temos outra felicidade nem outra prioridade senão a de sermos instrumentos do Espírito de Deus na Igreja, para que Jesus Cristo seja encontrado, seguido, amado, adorado, anunciado e comunicado a todos, não obstante todas as dificuldades e resistências. Este é o melhor serviço – o seu serviço! – que a Igreja deve oferecer às pessoas e nações” (DA 14).
     
    SANTO ANTÔNIO DE SANTANA GALVÃO
    No dia de hoje, celebra-se Santo Antônio de Santana Galvão, o primeiro santo brasileiro nato. Ele nasceu em Guaratinguetá-SP, no ano de 1739. Como sacerdote e franciscano, exerceu sua atividade apostólica, principalmente, na cidade de São Paulo, onde morreu aos 23 de dezembro de 1822. Seu corpo se encontra sepultado no Mosteiro da Luz por ele fundado. O Santo Frei Galvão, como é também chamado, ficou conhecido como “Homem da Paz e da Caridade”. Exatamente assim porque essa foi a marca característica de sua vida como Frade Franciscano e grande devoto da Imaculada Conceição: um missionário pacificador das tensões na vida familiar e social na cidade de São Paulo e caridoso para com os pobres e necessitados, que o procuravam no Convento São Francisco, onde foi Pároco e Guardião, e depois no Mosteiro da Luz. Eu tive a graça de participar tanto de sua beatificação por João Paulo II, em outubro de 1998, em Roma, como também de sua canonização por Bento XVI, em maio de 2007, no Campo de Marte, em São Paulo, quando da vinda do Papa ao Brasil para a abertura da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e Caribe, em Aparecida-SP.
    Neste outubro missionário, em que celebramos a festa de Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das missões, São Francisco de Assis (dia 4), padroeiro da ecologia, e Santo Antônio de Santana Galvão (dia 25), patrono dos profissionais da construção civil, supliquemos ao Pai, por intercessão de tão grandes santos, para que nos abençoe e nos converta sempre mais em verdadeiros discípulos e missionários de Jesus Cristo a serviço da vida.
    Dom Caetano Ferrari,
    Bispo Diocesano de Bauru

    "Ano Catequético nos convida a orar pelos catequistas"Artigo publicado na edição de de 25 de outubro de 2009 do Jornal Bom Dia
    Evangelizar e catequizar é, em primeiro lugar e acima de tudo, fazer-se próximo da pessoa, independentemente da sua idade e condição social, para colocá-la em contato com Jesus Cristo, convidando-a para segui-lo. É, em resumo, propiciar a esse outro contatado o seu encontro pessoal com Jesus e sua adesão livre a Ele. Duas condições são absolutamente indispensáveis ao evangelizador: acolher bem e comunicar-se, tendo como guia e roteiro a Palavra de Deus. Para assim proceder, todo evangelizador precisa, primeiro, ter ele mesmo feito a sua experiência do encontro e adesão a Jesus e estar inserido na comunidade eclesial, na qual vive a comunhão, cultiva a vida espiritual na oração e celebração litúrgica, tendo dela recebido a prévia preparação bíblico-doutrinal e o mandato missionário.    
    Como “a evangelização é obra do Espírito Santo” e “a fé é graça de Deus”, evangelizar e catequizar é transmitir o “espírito e vida” que leva ao encontro com Jesus, muito mais do que passar conteúdos. Somente sendo, ao mesmo tempo, discípulo apaixonado por Jesus e seu missionário intrépido, que o evangelizador será como o Mestre dos mestres, alguém que fala “como quem tem autoridade” (cf Lc 4,32) e faz “arder o coração” como sentiram os discípulos de Emaus: “Não ardia nosso coração quando Ele falava e explicava as Escrituras” (Lc 24,32)?
    Estamos vivendo o “Ano Catequético Nacional”, que nos convida a orar pelos catequistas e evangelizadores de nossas paróquias.
    Além de sua oração, apresente-se você também à sua comunidade de fé e ofereça-se, transbordando de gratidão e alegria, para ser evangelizador – discípulo e missionário de Jesus!
    Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

    "Dia Mundial das Missões"
    Artigo publicado na edição de de 18 de outubro de 2009 do Jornal da Cidade
    Sob a Ação do Espírito Santo, a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, realizada em Aparecida, 2007, e inaugurada com a presença do Santo Padre o Papa, Bento XVI, continua repercutindo positivamente na vida de nossas comunidades de fé e continuará ainda por muito tempo, enchendo de esperanças e expectativas toda a Igreja.
    O pessoal de Igreja, que participa com assiduidade nas Paróquias, talvez até esteja se cansando de tanto ouvir falar de que cada batizado é “discípulo e missionário” de Jesus e que a comunidade de fé (Paróquia) é uma Comunidade de “discípulos e missionários”. Que a missão da Igreja é evangelizar e que nós, os seus fiéis, precisamos passar por um monumental processo de conversão eclesial, pastoral, espiritual, institucional para assumirmos a missão com todo vigor e em todos os âmbito geográficos: a missão na Paróquia, na Diocese, na Amazônia, no Continente e “ad gentes”, isto e, além fronteiras latino-americanas. E ainda que devemos ser testemunhas e missionários: “nas grandes cidades e nos campos, nas montanhas e florestas de nossa América Latina, em todos os ambientes da convivência social, nos mais diversos “areópagos” da vida pública das nações, nas situações extremas da existência, assumindo ad gentes nossa solicitude pela missão universal da Igreja”, como lemos no Documento de Aparecida (DA548). E para que essa conversão seja realmente alcançada, o Documento assegura que a Igreja necessita passar por uma verdadeira comoção, como que por um novo Pentecostes de renovação pastoral e evangelizadora.
    Neste domingo, Dia Mundial das Missões, o Papa Bento XVI nos envia uma mensagem de convocação missionária iluminada com estas palavras bíblicas: “As nações caminharão à sua luz” (Ap21,24).
    Lembra o Papa que a “Igreja não age para expandir o seu poder ou afirmar o seu domínio, mas para levar a todos Cristo, salvação do mundo”, enquanto o compromisso de anunciar o Evangelho aos homens de nosso tempo é, sem dúvida alguma, um serviço prestado não somente à Comunidade cristã, mas também a toda a humanidade”. Ele sublinha que “a missão da Igreja é ‘contagiar’ de esperança todos os povos” e “Cristo chama, justifica, santifica e envia os seus discípulos para anunciar o Reino de Deus, a fim de que todas as nações se tornem Povo de Deus. É somente nessa missão que se compreende e se confirma a verdade... A missão universal deve se tornar uma constante fundamental na vida da Igreja. Anunciar o Evangelho deve ser para nós, como já dizia o apóstolo Paulo, um compromisso impreterível e primário”. Como a missão é obra do Espírito Santo, o Pontífice se dirige a todos nós, os fiéis católicos, para permanecermos firmes na oração, suplicando “ao Espírito Santo que aumente na Igreja a paixão pela missão de proclamar o Reino de Deus e ajudar os missionários, as missionárias e as comunidades cristãs empenhadas nessa missão, muitas vezes em ambientes hostis de perseguição”. Pede-nos ainda o Papa: “Convido, ao mesmo tempo, todos a darem um sinal crível de comunhão entre as Igrejas, com uma ajuda econômica, especialmente neste período de crise que a humanidade está vivendo, a fim de colocar as jovens igrejas em condições de iluminar as pessoas com o Evangelho da caridade”.
    Caro leitor, participe em sua comunidade de fé, na comunhão de orações e caridade, ajudando na ação pastoral e evangelizadora de sua Paróquia e em favor da missão ad gentes.

    Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

     
    "Dia das Missões"Artigo publicado na edição de de 18 de outubro de 2009 do Jornal Bom Dia
    Dia das Missões
    Desejo destacar a mensagem do papa Bento 16 dirigida, neste Dia Mundial das Missões, a todos nós: “irmãos e irmãs de todo o povo de Deus”. O papa exorta “a reavivar em si a consciência do mandato missionário de Cristo de fazer discípulos todos os povos, seguindo as pegadas de São Paulo, o Apóstolo dos Gentios”. Convida a inspirar-se na firme convicção de Paulo: “Anunciar o Evangelho deve ser para nós um compromisso impreterível e primário”.
    Alerta-nos para que não esqueçamos o compromisso com a missão “ad gentes”, especialmente, em terras onde o Evangelho está chegando pelo trabalho difícil, mas intrépido dos missionários, às vezes em situações de perseguição. Diz ele: “Toda a Igreja deve se empenhar na missio ad gentes, até que a soberania salvífica de Cristo não seja plenamente realizada”.
    A mensagem do papa vem bem sintonizada com o espírito da V Conferência do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, realizada em Aparecida, 2007, que está impulsionando nossas comunidades de fé a buscar conversão pastoral e renovação missionária, desde as nossas paróquias até à missão na Amazônia, à Continental e à ad gentes.
    Concluindo, o papa reafirma que a missão é sempre obra do Espírito Santo, o que exige de nós uma forte comunhão de orações, suplicando bênçãos e graças para os missionários e toda a missão. E relembra, por fim, o dever de cada um de nós de dar também a sua ajuda econômica em favor das missões.
    Caro leitor, participe com suas orações e ajuda para que o Espírito Santo derrame sobre nossas comunidades e fiéis a graça de um novo Pentecostes de renovação missionária.

    Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru
     
    "Evangelizai toda criatura"Artigo publicado na edição de de 11 de outubro de 2009 do Jornal da Cidade
    A Igreja é missionária por sua própria natureza afirma o Vaticano II (cf. Ad Gentes, 2). E sua missão é evangelizar, ou seja, encher a terra com o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Jesus fundou a Igreja, congregando os discípulos ao redor da Palavra e da Eucaristia, e enviando-os à missão: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20,21); “ide por todo mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).
    Neste mês missionário de outubro, a Igreja nos propõe quanto à missão aprofundar a conscientização, a oração e o comprometimento com mudanças de atitudes, planejamento e ação missionária concreta.
    Uma pergunta importante: o que fazer para que a Igreja seja mais missionária? Ou como dar um novo impulso à evangelização, conforme a proposta do Documento de Aparecida (DA)? O próprio DA aponta o caminho: para que isso aconteça há necessidade de uma “conversão pessoal e pastoral” e uma “renovação missionária de nossas comunidades de fé” (cf. 366, 368). E arremata, afirmando que a Igreja necessita de uma “forte comoção”, de um verdadeiro “Pentecostes” para que se rompa com a acomodação, o cansaço e a desilusão, e todas as nossas comunidades se tornem missionárias (cf. DA 362).
    A conversão pessoal e pastoral começa com mudanças no âmbito individual e comunitário. Em primeiro lugar, quanto à tomada de consciência de que ser missionário é vocação e missão de cada batizado na Igreja. Não só dos padres, catequistas e líderes das comunidades. Mas de todos os cristãos e, por isso, da comunidade toda. Em segundo lugar, quanto à clara compreensão de que a conversão individual e comunitária só se dará “a partir de Cristo”, ou seja, de um renovado encontro com Ele experimentado no interior do coração e vivido no seio da Igreja. O DA fala sobre a ventura desse encontro com Cristo com abundantes adjetivos, como encontro decisivo, fundante, fascinante, íntimo, fecundo, potencializador. “A partir de Cristo” é que as coisas podem de fato mudar na vida da pessoa e da comunidade. Pela adesão a Jesus o discípulo faz parte, desde então, do Reino de Deus, e se converte em participante e responsável pela proclamação da Boa Nova de Jesus Cristo e do seu Reino. Ele se compreende como discípulo dócil do Mestre e ao mesmo tempo como seu missionário. E mais ainda ele se convence de que, de fato, não pode existir cristão fora da Igreja. Ele não poderá nunca ser “discípulo missionário” sozinho, isolado, fora da comunidade dos discípulos e da fé da Igreja. É a comunidade que o julgará idôneo para a missão e é dela que ele receberá o “mandato missionário”.
    A renovação das comunidades de fé ou paróquias decorre obviamente da conversão pessoal e comunitária de seus fiéis, da santidade de seu povo. As paróquias serão mais santas quanto mais santo for o seu povo. Mas elas também são chamadas a uma renovação institucional, pastoral e espiritual. Isso requer delas “abandonarem as estruturas ultrapassadas que já não favorecem a transmissão da fé” (DA 365); “serem células vivas da Igreja... casas e escolas de comunhão” (170); “fonte dinâmica do discipulado missionário” (172); “lugar onde os fiéis se reúnem “para partir o pão da Palavra e da Eucaristia e perseverar na catequese, na vida sacramental e na prática da caridade” (175); tornarem-se “centros de irradiação missionária” (306).
    Última pergunta: de quem depende a renovação da Paróquia? É claro, primeiramente, “dos párocos e dos sacerdotes que estão a serviço dela”... Que o pároco seja autêntico discípulo de Jesus Cristo e ardoroso missionário (201). Mas “requer-se que todos os leigos se sintam co-responsáveis na formação dos discípulos e na missão” (202). “A evangelização do continente, dizia-nos o papa João Paulo II, não pode realizar-se hoje sem a colaboração dos fiéis leigos” (213).
    As reformas e aprimoramentos das estruturas e organismos da Paróquia “precisam estar animados por uma espiritualidade de comunhão missionária” (203).
    Caro leitor, com sua oração e colaboração, a sua Paróquia há de renovar-se e de impulsionar a pastoral da missão.
    Em louvor de Cristo. Amém!

    Dom Caetano Ferrari - Bispo Diocesano de Bauru

    "Outubro Missionário"
    Artigo publicado na edição de de 11 de outubro de 2009 do Jornal Bom Dia
    Todo cristão é missionário, chamado desde o Batismo a ser discípulo e apóstolo de Jesus Cristo. O verdadeiro missionário é aquele discípulo dócil que se deixa conduzir pelo Espírito Santo e plasmar-se por Ele, interiormente, a fim de assemelhar-se cada vez mais segundo a imagem de Cristo, e assim poder seguir-lhe as pegadas e ser enviado à missão.
    O fiel discípulo de Jesus vive como Ele na escuta da vontade do Pai e em espírito amoroso de oração e devoção a Deus. Procurando ser “contemplativo na ação”, medita a Palavra de Deus,., faz a leitura cuidadosa dos sinais dos tempos e pratica a solidariedade para com os irmãos e irmãs, especialmente, os pobres e desamparados deste mundo. O missionário será sempre uma pessoa espiritual de vida intensa com Deus, mas igualmente inserido na história  e comprometido com a causa do Reino de Deus, que já está presente neste mundo; será, portanto, uma pessoa caridosa, amorosa e misericordiosa em relação a Deus, aos outros e a toda criatura.
    O missionário ama a Igreja como ama a sua mãe e as pessoas, assim como Jesus as amou e por elas deu a vida. Todos missionário segue o itinerário de fé percorrido pela Virgem Maria. Como primeira discípula de seu Filho Jesus, ela esteve reunida com os Apóstolos no Cenáculo, recebendo com eles os dons do Espírito. Ela é a “Estrela da Evangelização”, a “Missionária de Jesus”, que nos ensina e ajuda a evangelizar, enchendo a terra com o Evangelho de seu Filho, Jesus Cristo.
    Neste mês missionário, participe com sua oração e colaboração nas ações pastorais e missionárias de sua Paróquia. Em louvor de Cristo. Amém!
    Dom Caetano Ferrari – Bispo Diocesano de Bauru

    "São Francisco de Assis"
    Artigo publicado na edição de de 04 de outubro de 2009 do Jornal Bom Dia
    Nossa Senhora é a primeira discípula de Jesus. Por sua grandeza ela está a frente de todos os humanos no seguimento de Jesus. E logo depois vem São Francisco, o segundo entre os humanos, mas o primeiro entre os homens, como o mais perfeito discípulo e missionário de Jesus. No plano da santidade, Nossa Senhora e São Francisco seguem à frente de todos os santos. E na vivência do amor, baixando agora à Terra, nós homens devemos reconhecer que as mulheres são imbatíveis. Neste aspecto, quem como a mãe de Jesus, quem como as nossas mães?
    Hoje é dia de São Francisco que “é, depois de Maria de Nazaré, o mais grandioso santo do calendário cristão, e um dos homens mais influentes da história da humanidade” (Chersterton).
    O Papa João Paulo II, em 1993, assim rezou: Ó São Francisco, o mundo tem saudades de ti, como imagem de Jesus Crucificado; ensina os homens de hoje a abrir as portas da esperança aos crucificados pelo sofrimento, fome e guerra, a vencer o mal do pecado, a descobrir a alegria de perdoar e a construir a paz.
    Chamado de “Alter Christus” (o outro Cristo) ou “o primeiro depois do Único” e ainda de “homem feito oração”, Francisco inspirou a “Oração pela paz”: Senhor, fazei-me um instrumento de vossa paz” e compôs o “Cântico das Criaturas”: “Altíssimo, Onipotente, Bom Senhor, teus são os louvores. Louvados sejas, meu Senhor, pelo irmão sol, a irmã lua, a irmã água, o irmão fogo e a irmã morte do corpo da qual homem algum pode escapar. Da morte segunda, a do pecado, livra-nos, Senhor. Que felizes cantaremos teus louvores para sempre. Amém!”
    Dom Caetano Ferrari

    "Dia Nacional da Bíblia"Artigo publicado na edição de de 27 setembro de 2009 do Jornal da Cidade

    Santo Padre o Papa, Bento XVI, hoje, Dia Nacional da Bíblia, nos brinda com a publicação da “Exortação Apostólica pós-sinodal sobre a Palavra de Deus na vida e na missão Igreja”. Esse documento, tão logo o tenhamos em mãos, ensejará muitas reflexões. Enquanto isso, penso que nunca é demais recordar algum princípio básico necessário à compreensão da Bíblia. É o que desejo fazer agora.

    Quanto à leitura da Bíblia: há pessoas que leem a Bíblia como literatura e a consideram inclusive uma obra fascinante como a “Ilíada” e a “Odisséia”, de Homero, e os contos de fada ou uma narrativa épica que mistura fatos e lendas, realidade e mitos, seres humanos e deuses como as epopéias. Além de seu valor cultural e de sua beleza literária, essas narrativas são moralmente valiosas, pois transmitem valores, e permanecem até hoje como verdadeiras obras de arte. Para essas pessoas, a Bíblia não passaria de uma linguagem figurativa, um conto, um romance escrito para transmitir também valores, mas, o que seria pior, ocultaria uma intenção de interesse humano muito forte por trás. Qual seja, o desejo de dominação dos judeus sobre os povos a seu redor, no Antigo Testamento, e, por suposição, dos cristãos sobre as consciências das pessoas e as liberdades individuais e sociais, no Novo Testamento. Por isso, segundo elas, se valesse a pena ler a Bíblia como uma fascinante obra-prima da literatura mundial, todavia, se deveria fazê-lo com cuidado e espírito crítico, porque ela ocultaria uma vontade de poder, um projeto humano, demasiadamente humano, e não seria nunca um “Livro Sagrado”, uma “História da Salvação” e muito menos a “Palavra de Deus”.

                O espaço não permite detalhar a questão e inclusive obriga a resumir, sem maiores aprofundamentos, uma resposta, aproveitando-se do ensejo para uma proclamação da fé e das “razões da esperança” (cf. 1Pe 3,15).

    ·O ponto de partida de aproximação à Bíblia para nós, cristãos, é a fé. E, em primeiro lugar, a fé numa pessoa, em Nosso Senhor Jesus Cristo, a Palavra viva de Deus, o Verbo Divino feito carne, a revelação absoluta de Deus e de seu desígnio para com a humanidade. Essa fé em Jesus vem pelo anúncio da Palavra, a Bíblia, que funciona como o instrumento, o caminho, a palavra escrita que testemunha e anuncia Jesus Cristo. Ela conta como foi preparada a vinda de Jesus (Antigo Testamento) e como aconteceu a encarnação de Jesus, o modo como viveu, suas palavras e atos, sua paixão, morte e ressurreição (Novo Testamento). Somente a partir da fé em Cristo se pode ler e compreender corretamente a Bíblia como Palavra de Deus. O cristianismo não é, prioritariamente, doutrina, ensinamento e palavra escrita. É uma Pessoa, o próprio Cristo, “caminho, verdade e vida”, que leva ao Pai e nos dá o Espírito Santo. O Documento de Aparecida fala da alegria do encontro com Cristo: “Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-Lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-Lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (DA 29).

    ·A Bíblia é um livro diferente de todos os outros. Não se busque nela verdades científicas, cosmológicas, geográficas. Não é também um livro de ficção, pura literatura e arte. Seu objetivo é religioso e sua verdade é salvífica, cujo núcleo central é “uma proclamação clara de que, em Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem, morto e ressuscitado, a salvação é oferecida a todos os seres humanos como dom da graça e da misericórdia do mesmo Deus” (Evangelii Nuntiandi, 27, Papa Paulo VI).

    ·Segundo a fé, Deus é o autor da Sagrada Escritura. Os autores humanos a escreveram em linguagem humana, mas sob a inspiração do Espírito Santo, ensinando todas as verdades necessárias à nossa salvação. O Concílio Vaticano II assim se expressa: “os livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro a verdade relativa à nossa salvação, que Deus quis que fosse consignada nas Sagradas Escrituras(Dei Verbum, 11). A fé cristã, todavia, não é “uma religião do Livro”, mas da Palavra de Deus, que não é “uma palavra escrita e muda, mas o Verbo encarnado e vivo” (cf. Catecismo da Igreja, 18).

                De fato, para quem tem fé em Deus, a Bíblia não tem outra intenção senão a do próprio Deus que “amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). Conhecer a Sagrada Escritura é muito importante. Como escreveu São Jerônimo, no século V, “ignorar a Bíblia é ignorar a Cristo”.    

     

    Dom Caetano Ferrari

    Bispo Diocesano de Bauru


    "O Dia da Bíblia"
    Artigo publicado na edição de de 27 setembro de 2009 do jornal Bom Dia
     

    Neste último domingo do mês a Igreja comemora o Dia Nacional da Bíblia. E, hoje, o Santo Padre o Papa, Bento XVI, publica a Exortação Apostólica pós-sinodal sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja. Apressemos a lê-la assim que chegar às mãos.

    Orar com a Bíblia: a Bíblia é o melhor livro de orações porque ela é a própria Palavra de Deus. Com ela se pode escutar o que Deus tem a dizer e, em seguida, inspirar-se a falar com Deus, isto é, a orar. Tanto para as orações individuais e grupais como para as litúrgicas e oficiais, a Bíblia é o livro de orações mais importante dos católicos. A Leitura Orante da Bíblia é uma maneira de orar com a Bíblia, desenvolvida desde os primeiros cristãos, e ainda atual. É um itinerário de oração em quatro passos ou degraus que sugerem um subir, elevando o coração, a alma e todo o ser até Deus a partir da Palavra: ler, meditar, orar e contemplar.

    A oração leva a contemplar: isto é, a sentir a alegria da presença de Deus, de sua graça que aquece o coração, ilumina a mente, amplia os horizontes, compromete a vida, desde aqui e agora, com a vida das coisas, dos outros e a vida eterna em Deus. Desse sublime encontro com Deus desenvolve-se, lá no fundo da inteligência, uma nova visão da vida, das coisas e de Deus mesmo; lá no fundo do coração, um novo sentimento de compaixão com os que sofrem e de compromisso com as causas da justiça, da paz, da fraternidade universal; e, lá no fundo de todo o ser, um desejo ardente de tornar-se verdadeiramente discípulo e missionário de Jesus Cristo.  

                O pão da Palavra e da Eucaristia, especialmente partilhado na Missa, alimenta a fé e torna a vida cristã decididamente bíblica e eucarística.

     

    Dom Caetano Ferrari

    Bispo Diocesano de Bauru

     

    "Casamento católico só é feito na Igreja
    "Artigo publicado na edição de de 23 setembro de 2009 do Jornal da Cidade
    A Diocese de Bauru reitera que os padres não têm autorização para celebrar cerimônia religiosa fora de seus templos
    Os noivos de Bauru e região interessados em selar a união com a bênção de um padre católico necessariamente realizarão a cerimônia numa igreja da Diocese. Os religiosos não têm autorização para celebrar o sacramento em outros locais como capelas particulares, oratórios, salões de festa ou bufês, por exemplo. A informação foi confirmada ontem pelo bispo dom Caetano Ferrari, transferido para Bauru em meados de abril. Ele tomou posse no último dia de maio.

    A determinação, no entanto, antecede sua gestão. “O matrimônio é uma celebração litúrgica. É religiosa, não é civil. As celebrações religiosas devem ser feitas, de forma preferencial, nos templos ou ambientes religiosos. É um ato público, litúrgico e oficial da igreja”, reitera o bispo. De acordo com ele, quando era bispo em Franca recebeu pedidos para que abrisse exceções, o que não se repetiu em Bauru, pelo menos por enquanto.

    “Têm pessoas que insistem para ter autorização e fazer numa capela, fazenda, chácara, eventualmente num salão de festas. Mas não é um ato social”, explica. Dom Caetano Ferrari informa, porém, algumas possibilidades para permitir uma cerimônia fora da igreja.

    É o caso, por exemplo, de quem está internado, com risco de morte, e quer regularizar o casamento na Igreja Católica. Outra exceção é o casamento misto entre um católico e um evangélico, que recusa a igreja por conta das imagens.

    “O bispo, então, pode dar autorização para que esse casamento seja feito no salão da paróquia. Essas situações podem existir”, acrescenta o bispo. De acordo com ele, as justificativas devem ser estudadas.

    Em Bauru, dom Caetano já foi consultado quanto à possibilidade do padre abençoar um casamento, sendo que uma das partes iniciaria uma segunda união. “Eles sabem que não podem ter casamento, mas gostariam de uma bênção. Isso a gente não pode dar porque seria uma simulação do sacramento. Não podemos fazer uma bênção pública. Se quiserem particular, conversem com o padre e peçam uma particular”, finaliza.

    "
    A leitura orante da Bíblia"Artigo publicado na edição de de 20 setembro de 2009 do Jornal da Cidade
    Ou, em latim, a “Lectio Divina” mais do que um método é uma maneira simples, individual ou grupal de se ler e meditar a Palavra Divina e de se dispor à escuta de Deus e à acolhida de sua graça. Somente isso. Bastando ao sujeito leitor da Bíblia a humilde confiança e o sincero desejo de comunicar-se com o Senhor, a Palavra Sagrada por ele lida e meditada, que é luz e força, pode de fato iluminar os seus passos e transformar a sua vida. Diz-se, por isso, que a “Lectio Divina” é como um itinerário espiritual que leva a pessoa a um venturoso encontro e diálogo com Deus por meio de sua Palavra. Desse encontro, o leitor não sai o mesmo, mas renovado e fortalecido na fé, esperança e caridade.
    Essa experiência peculiar de ler a Sagrada Escritura remonta ao povo do antigo Israel que a lia para “alimentar a fé e a fidelidade à aliança” (cf. Neemias 8, 1-12). Os cristãos, depois, não abandonaram essa prática, mas a assumiram e a levaram adiante, desenvolvendo-a até a fórmula clássica como a conhecemos hoje. Naturalmente uma experiência orante da Bíblia que teve seus momentos de altos e baixos, segundo as vicissitudes da história.
    Pois bem, a “Leitura Orante”, na sua formulação clássica que se desenvolveu desde as primitivas práticas cristãs de meditação bíblica e os exercícios espirituais dos monges do deserto e que chegou até nós, vem proposta como um itinerário em quatro passos ou uma escada de quatro degraus, indicando um caminhar para frente e para o alto, ou seja, para o céu e para Deus.
    Os quatro passos ou degraus da “Lectio”
    1º passo: LER – Deve-se sempre começar invocando o Espírito Santo, para que ajude e ensine a rezar e a ouvir a voz do Deus Vivo que, com sua Palavra, quer falar. Depois, inicia-se fazendo a leitura, uma simples leitura do texto e uma pausa para bem compreendê-lo. O empenho por entender o que o texto em si mesmo está dizendo supõe inclusive situá-lo no tempo, no espaço e no seu contexto. Para isso, se for possível, será muito útil servir-se de algum bom comentário bíblico. Prestar atenção às palavras, às ideias, ao conteúdo, ao sentido... E silenciar-se para ouvir o que Deus tem a dizer.

    2º passo: MEDITAR – É uma ação a se fazer mais com o coração do que com a cabeça. É o ruminar a Palavra depois de lida e entendida. Alguém até já usou a comparação com o gado que, enquanto descansa, rumina e mastiga, trazendo a relva de volta do estômago para reprocessá-la a fim de que nenhum nutriente se perca e tudo seja bem aproveitado. Assim deve ser o meditar, um processo de interiorização e interpretação da mensagem lida agora, buscando atualizá-la no aqui e agora da caminhada e aplicá-la à vida no concreto das vivências, sentimentos, alegrias e tristezas. Tentar perceber o que o texto está a dizer. E suplicar, como os santos: “fala, Senhor, que o teu servo escuta”.
    3º passo: ORAR – A leitura e a meditação levam à oração. Como suspiro e sussurro da alma a oração é o desejo de falar com Deus, de lhe abrir o coração, de louvar, de agradecer, de suplicar perdão pelas traições e bênçãos de bem para si e para os outros. O texto lido e aplicado à vida inspira o orar e o que dizer a Deus. Uma oração ligada à vida. É a resposta dos santos: “escuta, Senhor, que o teu servo deseja falar”.
    4º passo: CONTEMPLAR – Não é apenas vivenciar algum êxtase místico. Embora ele possa acontecer, consiste em desenvolver e aprimorar a capacidade de lançar um novo olhar sobre a vida, sobre Deus e sobre os outros. E, como conclusão da leitura orante, ser capaz de assumir compromissos de fidelidade na fé, de tornar-se discípulo e missionário, e de servir à vida.
    Dependendo menos da vontade e esforço e mais da graça e ação do Espírito, a “Leitura Orante” conduz ao encontro com Deus. Empenhe-se com afinco, prezado leitor, nesse exercício de ler, meditar, orar e contemplar a Sagrada Escritura, confiando, contudo, que o Espírito Santo vem ao encontro da nossa fraqueza e “intercede por nós com gemidos inefáveis (Rm 8, 26).
     
    Dom Caetano Ferrari Bispo Diocesano de Bauru

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    Amar a Bíblia"Artigo publicado na edição de de 20 setembro de 2009 do Jornal Bom Dia
    Conhecer e amar a Bíblia é dever de todo cristão. O discípulo fiel sempre encontra tempo para uma leitura diária da Sagrada Escritura. Lemos na Bíblia que a Palavra de Deus “é viva, eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes” (Hb 4,12).
    Que ela não sai da boca de Deus e desce até nós em vão, conforme diz o Senhor: “Como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam, sem terem regado a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar,... tal ocorre com a palavra que sai da minha boca: ela não volta a mim sem efeito; sem ter cumprido o que eu quis, realizado o objetivo de sua missão” (Is55,10-11). A Palavra de Deus leva ao encontro com Deus e tem esse poder de transformação: repercute na vida, convida à conversão, engaja na Comunidade e compromete com a solidariedade.
    Conhecer a Bíblia, saber manuseá-la, estudá-la, interpretá-la, aplicá-la à vida requer esforço e aplicação. A Bíblia é um livro complexo. Fazem-se necessários estudos sérios, ajuda de pessoas preparadas e freqüência a cursos bíblicos na Comunidade. Tudo isso é importante para serem evitadas as leituras errôneas. É claro que o Espírito Santo inspira cada um a bem ler a Bíblia.
    Mas Ele também concede o dom da comunhão com a fé da Igreja. Ele sopra para onde quer, mas não dispersa nem gera o caos e sim leva à harmonia e à unidade da fé. E Ele assiste a Igreja para que, com seu Magistério, garanta sempre a interpretação bíblica verdadeira e sua aplicação correta à vida.
    Conhecer para amar, orar e contemplar: esse é o itinerário da “Leitura Orante da Bíblia”. Freqüente, prezado leitor, na sua Comunidade, as equipes bíblicas de estudo e oração.

    Dom Caetano Ferrari, OFM - Bispo Diocesano
    "Exaltação da Santa Cruz"Artigo publicado na edição de de setembro de 2009 do Informativo "O Peregrino"
    “Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que Nele crerem, tenham a vida eterna” (Jo 3,14-15)
     
    Se não houvesse a Cruz, Cristo não seria crucificado nem teria atraído todos a si.
            A festa da Exaltação da Santa Cruz é a festa da Exaltação do Cristo, vencedor da morte e do pecado, por seu Corpo dado e Sangue derramado no alto da cruz. Para o cristianismo, a cruz é o símbolo maior de fé, com cujos traços, todos nós nos persignamos, desde o momento do levantar até o deitar a cada dia. Na cerimônia batismal, o primeiro sinal de acolhida à criança recém-nascida é o sinal-da-cruz, traçado em sua fronte pelo Padre, Pais e Padrinhos, sinalando-a para sempre com a marca de Cristo.
            A cruz recorda o Cristo crucificado, o sacrifício de sua Paixão, o seu martírio que nos deu a salvação. Por isso é que, desde tempos antiquíssimos, a Igreja passou a celebrar, exaltar e venerar a Cruz, inclusive, como símbolo da árvore da vida, que se contrapõe à árvore do pecado, no paraíso, e símbolo mais perfeito da serpente de bronze que Moisés levantou no deserto para curar os israelitas picados pelas cobras, porque O Filho do Homem, nela levantado, cura o homem todo e todos os homens, o corpo e a alma dos que Nele crêem e lhes dá a vida eterna.
            A serpente do paraíso trouxe a infelicidade a este mundo, com o engodo da igualdade divina, com que incitou os pais da humanidade a comerem o fruto da árvore proibida (Gn 3,17-19), e as do deserto provocaram a morte dos filhos de Israel, que reclamavam contra Deus e contra Moisés (Nm 21, 4-6). Arrependendo-se do seu pecado, o povo pediu a Moisés que rogasse ao Senhor para livrá-los das serpentes. O Senhor, que é bom e misericordioso, sempre pronto a perdoar, ordenou a Moisés que erguesse, no centro do acampamento, um poste de madeira, com uma serpente de bronze pendurada no alto, dizendo que todo aquele que dirigisse seu olhar para a serpente de bronze, se curaria (Nm 21,8-9).
            Jesus retoma esses símbolos do passado, bem conhecidos pelo povo (serpente, árvore, pecado, morte) para dizer no Evangelho da Liturgia da festa (Jo 3,13-17) que no lugar da serpente de bronze pendurada no alto de um poste de madeira, Ele mesmo é quem seria levantado no lenho da cruz. Se o pecado e a morte advieram da insídia e veneno do demônio, nos símbolos da árvore proibida e da serpente do paraíso e do deserto, a bênção, a salvação e a vida eterna advêm do Cristo levantado no alto da cruz, de onde Ele atrai a si os olhares de toda a humanidade. Eis porque a Igreja canta na Liturgia Eucarística da festa: “Santa Cruz adorável, de onde a vida brotou, nós, por ti redimidos, te cantamos louvor!” e na Liturgia das Horas: “Mais altaneira do que os cedros, ergue-se a Cruz triunfal: não traz um fruto de morte, traz a vida a todo mortal”.
    “Longe de mim gloriar-me a não ser na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 6, 14)
            Até o Calvário, a cruz fora tida como sinal de vergonha, maldição, execração. Com a crucifixão de Cristo, desde então, ela se tornou símbolo de triunfo e vitória. Se da cruz vinha a maldição e a morte, agora, da cruz vem todo o bem e toda a graça. O Apóstolo Paulo aprofunda o mistério, dizendo que a cruz lembra a humilhação extrema de Jesus, que se despojou de sua dignidade de ser igual a Deus, “fazendo-se obediente até a morte e morte de cruz” (Fl 2,8). E ele mesmo afirma que: “Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o nome que está acima de todo nome. Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra e toda língua proclame: Jesus Cristo é o Senhor!” (Fl 2, 8-11). Tendo tal compreensão da Paixão de Jesus e elaborado tal teologia a respeito do mistério da Cruz, torna-se perfeitamente compreensível a declaração de Paulo aos Gálatas de que para ele, sem a cruz de Cristo, não há glória possível. Oxalá possamos nós também, proclamar e viver sempre essa mesma fé.
    Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos, porque pela Vossa Santa Cruz redimistes o mundo!
            A cruz não é uma divindade, um ídolo, feito de madeira, barro, bronze, mas ela é para nós santa e sagrada, porque dela pendeu o Salvador do mundo. Ela é o símbolo universal do cristão. Com orgulho e devoção, ela é a nossa marca, o sinal de nossa identidade, vocação e missão. Traçando o sinal da cruz, em nossa fronte, a todo o momento, nós louvamos e bendizemos a Santíssima Trindade, Pai e Filho e Espírito Santo, agradecendo o tão grande bem e amor que pela Cruz o Senhor continua a derramar sobre nós.
            Celebrando a festa da Exaltação da Santa Cruz, celebramos a vitória de Cristo que nos possibilita, desde agora, celebrar a nossa futura glória no céu. Pois, “se morremos com Cristo, cremos também que viveremos com Ele” (Rm 6,9).
     
    Dom Caetano Ferrari, OFM

    "Mistério da Cruz"Artigo publicado na edição de 13 de setembro de 2009 do Jornal Bom Dia

    A cruz na vida de Jesus tem unanimidade entre os cristãos de todos os credos. Mas a cruz na vida dos cristãos não goza do mesmo prestígio. É fé comum que a paixão de Cristo na cruz foi sacrifício perfeito que perdoou o pecado e reconciliou o homem com Deus (cf. Rm 3,24; 1Cor 1,18ss; 5,7; Ef5,1s; Cl1,19s). nos Evangelhos, Jesus mesmo anunciou a sua morte na Cruz (cf. Mt20,18-19; Mc8,31; Lc 9,22). Estas e outras passagens bíblicas não deixam dúvidas a respeito do lugar que ocupou a cruz na vida de Jesus. E que foi por esta cruz que Jesus nos salvou e libertou de todo pecado. A cruz de Cristo como símbolo de seu amor por nós é fé gral.
    Mas para não poucos crentes em Jesus a cruz na vida dos cristãos não goza do mesmo consenso. Defendem que a cruz não faz parte da vida dos cristãos. Interpretam que Cristo livrou os discípulos da cruz, bastando ter fé nele. São cristãos que não gostam nem de falar da cruz.
    A cruz, no entanto, faz parte da vida humana e cristã como símbolo do sofrimento humano. Para os que crêem, é claro, a cruz assumida livremente na f[e leva necessariamente ao “poder da ressurreição de Cristo”, que dá vida e que faz do cristão partícipe da cruz do Senhor e colaborador da sua obra redentora (cf. Fl3,10s; 2Cor1,5s). Não há como não compreender como claríssima, por exemplo, esta fala de Jesus: “ Aquele que não toma sua cruz e não me segue não é digno de mim” (Mt10,38). O Mistério da Cruz de Cristo desvela o mistério do sofrimento humano.
    Nesta semana, a Igreja celebra a “Exaltação da Santa Cruz” (dia14) e os “Estigmas de São Francisco” (dia 17). Cruz e chagas: exaltação do amor de Deus e do amor humano.
    Dom Caetano Ferrari
    "Setembro, mês da Bíblia"Artigo publicado na edição de 06 de setembro de 2009 do Jornal da Cidade
    É claro que todo dia é dia da Bíblia; é inclusive indispensável que a leiamos e nela meditemos diariamente. Mas a Igreja tem o costume de valorizar o tempo, que está ligado à nossa condição humana e com ele ou dentro dele vivemos experiências ricas de significado. Por exemplo, em vista da Liturgia, a divisão do ano é feita para marcar os tempos fortes em que se celebram os mistérios da vida de Cristo: Natal, Quaresma, Páscoa, tempo comum, etc. Na oração pública, particularmente nos mosteiros, o dia se divide em horas em que se rezam as orações chamadas de Liturgia das Horas. O Ano Litúrgico insere-se no Ano Civil sinalizando outro calendário, o da história da salvação. Assim como no calendário há datas fixas marcando passagens importantes do tempo, a Igreja aproveita para agendar temas que se apresentam vitais e urgentes num determinado momento e contexto sócio-cultural e eclesial: Ano Sacerdotal, Ano Catequético Nacional, Semana Nacional da Família, Dia Nacional do Catequista etc.
                Peço desculpas por esta longa introdução. Mas é exatamente sob essa perspectiva peculiar do tempo que a Igreja, objetivando fomentar o amor à Palavra de Deus e impulsionar a leitura orante, a formação e a pastoral bíblica, instituiu o mês de setembro como Mês da Bíblia. Um mês inteiro de mobilização bíblica, de convocação geral das comunidades e dos católicos para participarem de um verdadeiro mutirão bíblico. A Bíblia, porém, continua importante sempre. Como em outro exemplo, em 2008, o Santo Padre o Papa Bento XVI convocou um Sínodo dos Bispos sobre “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”. Assim o fez exatamente para responder a uma demanda muito forte nos dias de hoje: o anseio dos católicos por aprofundar o conhecimento, a meditação e a vivência da Palavra de Deus.
                Pois bem, as orientações vindas desse Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus e também os apelos do “Documento de Aparecida” e das “Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil”, que pedem que se priorizem a formação bíblico-doutrinal (cf. DA 226, c) e a oração com a Bíblia (cf. DGAEB 147), estão pondo em marcha a mobilização bíblica neste ano. Sob esse impulso, todo esforço está sendo feito para intensificar ações e programas, especialmente, nestes três campos:
    1-                 Conhecer e amar a Bíblia: um empenho que começa desde a campanha para divulgar a Bíblia e fomentar o acesso à Palavra de Deus e vai até a ampliação da oferta de escolas e cursos bíblicos disponíveis a um número cada vez maior de fiéis. Para que possam bem conhecer a Bíblia, saber manuseá-la, estudá-la, interpretá-la, aplicá-la à vida. A Bíblia é um livro complexo que exige pessoas especializadas que ajudem a desvendar os seus segredos e a entender o seu verdadeiro significado e se evitem as leituras e interpretações erradas e falsas, como por exemplo, a leitura fundamentalista e literalista (ao pé da letra); a leitura espiritualista e devocional desencarnada da realidade; a leitura sem levar em conta o contexto em que o texto bíblico foi escrito, desprezando a ajuda das ciências humanas (História, Geografia, Política, Sociologia, Psicologia etc.); a interpretação subjetivista e individualista fora da fé da Igreja e da garantia do magistério da Igreja que recebeu do Senhor a assistência do Espírito Santo para bem guardar as Sagradas Escrituras e bem interpretá-las, a fim de que sejam sempre a luz e o alimento da fé do povo de Deus, vale dizer, da Igreja caminhante e peregrina neste mundo.
    2-                 Rezar com a Bíblia: ou rezar a Palavra de Deus. A Bíblia é o melhor livro de orações, pois contém a Palavra de Deus. Quem a lê e nela medita ouve o que Deus tem a lhe dizer. Veja o que Santo Agostinho dizia (século V): “Quando você lê a sagrada Escritura, Deus lhe fala. Quando você reza, você fala a Deus”. O que Deus diz são palavras de vida, de esperança, de coragem, de perdão, de bondade, de afeto, de ternura. São palavras de Pai para filhos. Por isso a Bíblia é chamada de livro da vida, pois quem com ela reza é conduzido pela graça ao encontro e à comunhão com Deus. Desde os primórdios a Igreja desenvolveu uma leitura especial chamada “Leitura Orante da Bíblia”, em latim, a “Lectio Divina”. Uma maneira de rezar com a Bíblia em quatro degraus: ler, meditar, rezar e contemplar. Sobre esse método falarei, em especial, no próximo domingo.
    3-                 Viver a Bíblia: a Palavra de Deus é para ser conhecida, amada, rezada e, por fim, vivida. É Palavra para ser ouvida e guardada no coração, mas vivenciada no dia a dia. Como ela é Palavra eficaz, criadora, revitalizadora da vida e transformadora da realidade, ela renova as forças missionárias da Igreja, faz do nosso Catolicismo um “Catolicismo Bíblico e Evangélico” e de nós Católicos, discípulos e missionários de Nosso Senhor Jesus Cristo.
    Dom Caetano Ferrari
    "Catolicismo bíblico"Artigo publicado na edição de 06de setembro de 2009 do Jornal Bom Dia
    Aconteceu comigo, não faz muito tempo, depois de uma missa dominical. Um casal de namorados me procurou na saída da Igreja.
    Ele, um jovem evangélico, assistiu à missa acompanhando a namorada, católica participante. Feitas as apresentações, o rapaz então me disse, entre surpreso e admirado: “Não sabia que na missa se lê a Bíblia!” lembro-me que lhe respondi brincando: “Pois é, sempre é tempo de aprender coisas novas!”  E acrescentei para sua surpresa maior: “O catolicismo é também bíblico e evangélico!”
    O Concílio Vaticano II, no documento que trata da Bíblia, “Dei Verbum” (Palavra de Deus), traz esta afirmação basilar: (A Igreja) “sempre considerou e considera as divinas Escrituras... como a regra suprema da própria fé” (DV21). Assim sendo, vemos a Bíblia nas mãos, mente e alma dos católicos, como principal livro das orações litúrgicas e devocionais, da evangelização e catequese, da vida ética e moral, na prática do bem, da justiça e da paz.
    O presente mês de setembro é o mês da Bíblia. A Igreja nos chama para neste mês para um verdadeiro mutirão bíblico. Um mês inteiro de mobilização e convocação das lideranças eclesiais: bispo, padres, diáconos, catequistas, ministros da Palavra, coordenadores das pastorais, comunidades e associações para oferecerem a todos os católicos programas e ações que impulsionem e aprofundem a leitura orante, a formação e a pastoral bíblica.
    De fato, há uma unidade indissolúvel entre “conhecer a Bíblia”, rezar com a Bíblia” e “viver a Bíblia”. Participe você também, caro leitor, dessa mobilização bíblica em sua comunidade.
    Dom Caetano Ferrari
    "Dia do Catequista "Artigo publicado na edição de 30 de agosto de 2009 do Jornal da Cidade
    Desde o início de agosto, mês vocacional, a Igreja vem nos convidando a rezar, refletir, celebrar e agir em favor das vocações. Lembram-se? Comemorando a cada domingo uma vocação em especial. No primeiro domingo, a do Padre; no segundo, a do Pai e da família; no terceiro, a dos Consagrados; no quarto, a dos Leigos. E neste último domingo do mês, a do Catequista. Pois hoje, inclusive, é o Dia Nacional do Catequista.
    Estamos também, neste ano de 2009, celebrando o Ano Catequético Nacional, que se encerrará no domingo de Cristo Rei, dia 22 de novembro próximo. O tema é: “Catequese, caminho para o discipulado”. O lema é inspirado em Lc 24, 32.35: “Nosso coração arde quando Ele fala, explica as Escrituras e parte o pão”. E tem por objetivo geral: “Dar novo impulso à catequese como serviço eclesial e como caminho para o discipulado”.
    Desejo destacar dois dos objetivos específicos. Eu os vejo como muito importantes. O primeiro diz respeito à catequese com adultos. O segundo se liga ao primeiro, e consiste em uma formação permanente que acompanhe o cristão adulto ao longo de sua vida, num processo sistemático, progressivo e permanente de educação da fé.
    Todos nós sabemos que os católicos em geral recebem os sacramentos chamados da iniciação cristã (Batismo, 1ª Eucaristia e Crisma) sem serem, todavia, suficientemente evangelizados, catequizados ou formados e educados na fé. Está mais do que claro que essa catequese inicial tem sido insatisfatória. Menos por despreparo dos Catequistas e mais pelas carências pedagógicas, por exemplo, quanto ao método, à duração, à interligação com a Liturgia e a Bíblia, à relação vida e fé.
    Em face da formação permanente, que ora se impõe, obviamente, nossos Catequistas precisam ser mais bem preparados. Esse é outro objetivo específico do Ano Catequético Nacional. Nossa Diocese de Bauru está levando a sério esse compromisso. Temos em funcionamento a Escola de Catequese Diocesana com uma primeira turma de 130 catequistas matriculados, representantes de nossas Paróquias. Estes catequistas, depois de completado o curso, com duração de
    dois anos em quatro módulos, deverão repassar o que nele receberam aos demais catequistas de suas respectivas comunidades. É pouco, se poderia dizer, mas já é um grande passo.
    Uma catequese renovada e preparada para adultos, e não só para crianças, num processo de formação permanente e sistemática, de fato, se faz urgente e indispensável. Os católicos, não por culpa deles, mas nossa como seus pastores, não recebem mais do que uma formação superficial e deficitária quanto ao conhecimento de temas importantes de fé, como por exemplo, a Bíblia, a Liturgia, a Teologia, a Moral, a Igreja, o compromisso missionário e social, etc.
    Como resultados dessa deficiência duas consequências são muito evidentes. A primeira dá-se na dimensão da comunhão e participação eclesial, que não acontece pelo notório desinteresse de muitos católicos, somada à frágil e distante pertença com a comunidade. Eles pouco buscam a Igreja, a não ser em eventuais batizados, casamentos e missas de 7º dia, e a Igreja não vai até eles, não os visita, como se não precisasse deles. A segunda é verificável pelas muitas defecções da fé católica e adesão a outras religiões. São exatamente entre essas ovelhas afastadas ou sem pastor que muitos católicos se deixam facilmente seduzir por propostas e convites que chegam à sua casa por meio de mensageiros reais ou virtuais enviados por não poucas denominações religiosas, principalmente as novas que se multiplicam na atualidade.
    Hoje, no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, acontece uma grande celebração do Dia do Catequista, reunindo Catequistas peregrinos de todas as Dioceses do Estado de São Paulo. Catequistas de nossa Diocese lotaram dez ônibus e lá estão aos pés da Mãe da Divina Graça, a Senhora Aparecida, somando-se ao demais Catequistas, rendendo a Deus ação de graças e suplicando-lhe bênçãos para todos os nossos Catequistas. Também para que a Catequese leve nossos Catequizandos à alegria do encontro pessoal com Jesus Cristo, e se torne para todos eles caminho ao discipulado e à missão. Em louvor de Cristo. Amém!
    Dom Caetano Ferrari -
    Bispo Diocesano de Bauru
     
    "Dia do Catequista "Artigo publicado na edição de 30 de agosto de 2009 do Jornal Bom Dia
    Encerrando agosto, mês vocacional, neste domingo, a Igreja comemora o Dia Nacional do Catequista. E, neste ano de 2009, celebra-se também o Ano Catequético Nacional. Tudo isso sinaliza em que grua de importância a Igreja está pondo a Catequese na Pastoral de Conjunto. Há uma constatação de base: não basta aquela catequese com crianças e adolescentes, voltada apenas à preparação para os Sacramentos da Iniciação Cristã (Batismo, Eucaristia e Crisma). Mais do que nunca se faz imprescindível a Catequese com adultos num processo permanente, sistemático e progressivo de educação na fé.
    Na modernidade atual as pessoas precisam estar bem preparadas e atualizadas, não só nos conhecimentos básicos de política, economia, direito e cultura, mas inclusive de religião. Não é mais possível ser católico por inércia, tradição, família; o católico precisa estar bem assentado sobre os fundamentos da fé para poder dar as razões de sua esperança, como diz o Apóstolo Pedro, a quem lhas demandar (cf 1Pd 3,15), e para firmar convicções pessoais e coerência existencial de vida e fé.
    Investir na formação de catequistas é prioridade em nossa Diocese. A Escola Catequética Diocesana está oferecendo um curso de dois anos, em quatro módulos, aberto com uma primeira turma de 130 catequistas representantes das várias Paróquias.
    Catequistas de todo o Estado de São Paulo fazem, neste fim de semana, uma romaria à Aparecida, celebrando aos pés de Nossa Senhora o Dia do Catequista. Catequistas de nossa Diocese lá se encontram, em 10 ônibus, participando do evento.
    Estejamos unidos em comunhão de orações por nossos catequistas e catequizandos.
     
    Dom Caetano Ferrari
    Bispo Diocesano de Bauru
     
    "Os Cristãos Leigos "Artigo publicado na edição de 23 de agosto de 2009 do Jornal da Cidade
    Há diversidade de vocações e ministérios no seio da Igreja. Ao longo desse mês de agosto somos convidados a rezar, celebrar, refletir e agir em favor das vocações em geral. Hoje, particularmente, comemora-se a vocação para os ministérios e serviços leigos na comunidade.
                Mas quem são os leigos e leigas? Clareando-se alguns conceitos. Todos os cristãos, a partir do batismo, são iguais em dignidade e identidade. Inclusive têm em comum a mesma vocação à santidade. Eles formam a família ou o povo de Deus, congregados na comunhão da mesma fé, esperança e caridade. É o que ensina, por exemplo, a “Lumen Gentium” (Luz das Nações) do Concílio Vaticano II quando fala dos batizados, membros do povo de Deus: “Comum é a dignidade dos membros, pela regeneração em Cristo, comum a graça dos filhos, comum a vocação à perfeição; uma só salvação, uma só esperança e indivisa caridade” (LG 32). No entanto, ainda que na ordem do “ser” todos os batizados sejam iguais, contudo na ordem do “fazer” ou “servir” há diversidade de serviços, ministérios e carismas. Assim sendo, o povo de Deus distingue-se em Clero, Religiosos e Leigos. Ou seja, diferenciam-se em ministros ordenados (Clero): Bispos, Padres e Diáconos; em Religiosos e Religiosas da Vida Consagrada masculina e feminina; e em Fiéis leigos e leigas.
                Respondendo agora à pergunta – quem são os leigos? – assim explica o magistério da Igreja: “por leigos entende-se aqui o conjunto dos fiéis, com exceção daqueles que receberam uma ordem sacra (Clero) ou abraçaram o estado religioso aprovado pela Igreja (Religiosos)... realizam na Igreja e no mundo, na parte que lhes compete, a missão de todo o povo cristão” (LG, 31). O Documento de Aparecida (DA), inspirando-se no Vaticano II, afirma que “os fiéis leigos são ‘os cristãos que estão incorporados a Cristo pelo batismo, que formam o povo de Deus e participam das funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei. Realizam, segundo sua condição, a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo’. São ‘homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja’” (DA 209).
                Nas citações acima, constata-se que a expressão “no mundo” e “do mundo” aparece várias vezes. Como diz o Vaticano II, essa índole secular (estar no mundo) é a ‘marca registrada’ da vocação dos leigos: “vivem no mundo, isto é, no meio de todas e cada uma das atividades e profissões, e nas circunstâncias ordinárias da vida familiar e social... para a santificação do mundo, através de sua própria função...” (LG, 31). Em virtude da índole secular própria dos leigos, o Documento de Aparecida convida todos os fiéis leigos e leigas a se converterem cada vez mais em “discípulos e missionários de Jesus Cristo, Luz do Mundo”: “sua missão própria e específica se realiza no mundo, de tal modo que, com seu testemunho e sua atividade, contribuam para a transformação das realidades e para a criação de estruturas justas segundo os critérios do Evangelho” (DA, 210).
                O modo próprio dos leigos participarem da missão evangelizadora da Igreja dá-se, em primeiro lugar, pelo testemunho de fé e vida no mundo e, em segundo lugar, pela participação ativa na Igreja, exercendo os mais diversos serviços e ministérios, como por exemplo, na liturgia, nas pastorais, na caridade, nos movimentos, nas comunidades e associações leigas (cf. DA, 211). Para a Igreja colocar-se em “estado permanente de missão”, o Documento de Aparecida apela, fortemente, para a colaboração dos leigos. Recorda inclusive palavras do Papa João Paulo II: “a evangelização do Continente, dizia-nos o papa João Paulo II, não pode realizar-se hoje sem a colaboração dos fiéis leigos. Hão de ser parte ativa e criativa na elaboração e execução de projetos pastorais a favor da comunidade. Isso exige, da parte dos pastores, maior abertura de mentalidade para que entendam e acolham o “ser” e o “fazer” do leigo na Igreja, que por seu batismo e sua confirmação é discípulo e missionário de Jesus Cristo” (DA, 213).
                A Diocese de Bauru, graças a Deus, conta com a comunhão e participação, a força e o amor de um laicato generoso, apoiando o Bispo, os Padres e os Religiosos, e atuando em todas as frentes da ação evangelizadora da Igreja. A todos os cristãos leigos e leigas, Deus lhes pague. E por eles, hoje, nossas comunidades de fé oram fervorosamente!
     Dom Caetano Ferrari
    Bispo Diocesano de Bauru

    "Cristãos Leigos
    "Artigo publicado na edição de 23 de agosto de 2009 do Jornal Bom Dia
    Na Igreja, todos os batizados são iguais em dignidade e igualdade. E todos têm em comum a mesma vocação à santidade. No entanto, quanto à missão, eles se diferenciam segundo a diversidade de atividades e ministérios existentes na Igreja. Nesse sentido, a comunidade dos batizados distingue-se em clero, religiosos e leigos. Ora, por exclusão, os leigos são os que não têm Ordem Sacra (clero) nem abraçaram a vida consagrada (religiosos).
    Mas, em essência, o que caracteriza mesmo os leigos é viverem no mundo, inseridos nas realidades seculares, participando e atuando no campo da economia, política, educação, cultura, etc., exercendo um protagonismo bem distinto e especial. Ali, em meio às realidades temporais, eles estão não como quaisquer sujeitos, mas como cristãos. Vale dizer, com a missão específica de serem no seu ambiente social “luz do mundo”, “sal da terra”, “fermento na massa”.
    No interior da vida da Igreja, os leigos são chamados a desempenhar serviços e ministérios, segundo os dons que o Espírito Santo concede para o bem da comunidade e a utilidade de todos (cf. 1Cor 12,4-11). Nós os vemos atuando nas Pastorais, na Liturgia, na Catequese, nos Movimentos, Comunidade e Associações, no serviço da caridade, na fé e política, na justiça e paz, etc.
    Como ensina a Igreja, os leigos são “homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja”. Nossa Diocese e Paróquias não conseguiriam cumprir bem sua missão sem a colaboração dos fiéis leigos.
    Nossas Comunidade de fé, hoje, oram fervorosamente pelos cristãos leigos e leigas. A todos eles Deus lhes pague e abençoe.
    Dom Caetano Ferrari – Bispo Diocesano de Bauru

    "Vida Consagrada
    "Artigo publicado na edição de 16 de agosto de 2009 do Jornal Bom Dia
    Em agosto, mês vocacional, sobressaem dois grandes santos. No dia 4, o Santo Cura D’Ars, padroeiro de todos os padres. No dia 11, Santa Clara, que é uma das santas mais expressivas da vida consagrada, protetora dos religiosos e religiosas da vida ativa e contemplativa.
    Lembrando Jesus que disse “não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16), hoje somos chamados a contemplar a vocação para a vida consagrada, masculina e feminina. A orar por todos os religiosos presentes em nossa Diocese. E a agir em favor da promoção dessa forma evangélica de vida. Embora a escolha seja de Jesus, foi Ele quem deu essa ordem: “Rogai, pois, ao Senhor que envie operários para a sua messe” (Lc 10,2).
    O carisma da vida consagrada é um serviço essencial na Igreja. Ela é suscitada para o bem do Corpo Místico de Cristo, a Igreja, como sinal, parábola e profecia do Reino de Deus no mundo. Tendo como essência o seguimento de Cristo, pobre, obediente e casto, ela é pela profissão dos votos religiosos sinal antecipatório do Reino dos Céus e dá testemunho de um tríplice ministério.
    Pelo ministério da comunhão. Ela oferece modos alternativos de convivência fraterna onde tudo é posto em comum. Pelo ministério da fé, confiança e esperança, ela vive da Providência Divina, pondo unicamente em Deus toda segurança. Pelo ministério  da misericórdia e compaixão, ela é o rosto misericordioso de Deus, servidora da vida junto ao povo sofrido e dispensadora da caridade. Em suma, ela não se caracteriza pela renúncia, mas pela opção de viver os Conselhos Evangélicos, como caminho de realização humana e santidade de vida.
     
    Dom Caetano Ferrari
    Dia dos Pais "Artigo publicado na edição de 09 de agosto de 2009 do Jornal da Cidade
    Neste 2º domingo de agosto, comemora-se o dia dos pais. Ao compartilhar dessa festa com a sociedade, a Igreja não só quer destacar seu significado quanto aprofundar e estender sua reflexão por toda a semana. De 9 a 15 de agosto realiza-se a “Semana Nacional da Família”. Uma semana toda voltada ao tema da vocação para a vida em família, com atenção especial aos pais (pai e mãe). No entanto, quanto é necessário, hoje, uma revisão e uma revalorização da vocação e da missão do pai para o equilíbrio na vida familiar e a formação dos filhos!
    Na abertura da V Conferência do Episcopado da América Latina e Caribe, em Aparecida, o Papa Bento XVI afirmou que a família, “patrimônio da humanidade, constitui um dos tesouros mais importantes dos povos latino-americanos e caribenhos... A família é insubstituível para a serenidade pessoal e para a educação de seus filhos”. E os bispos lá reunidos, como se pode ler no Documento de Aparecida, incorporaram essas palavras do Papa na sua mensagem final para proclamarem com alegria a boa nova da família (cf. DA 114 a 119). As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil fizeram o mesmo (cf. DGAE 128 a 136), assumindo para valer o que Aparecida afirma e propõe sobre a família: “Tamanha é sua importância que deve ser considerada ‘um dos eixos transversais de toda a ação evangelizadora’” (DGAE 128).
    Significa dizer que no conjunto das pastorais da Igreja, a pastoral familiar, além de ser uma prioridade, precisa estar bem articulada com todas as demais, principalmente com aquelas que estão mais ligadas a ela, como por exemplo: pastoral da criança, do menor, do idoso, da saúde, da promoção humana, carcerária, vocacional, etc.
    Muito se poderia falar sobre a situação da família hoje. Mas é coisa bem sabida que a instituição familiar passa por uma grande crise. As mudanças sociais vêm afetando a vida como um todo, nos valores, costumes e comportamentos, inclusive quanto aos supremos valores éticos, morais e religiosos, desestruturando, em particular, a família. O melhor a fazer, porém, é a assunção de atitudes positivas. É o que a Igreja vem fazendo. Primeiro ela insiste na confiança e certeza de que “Deus ama nossas famílias, apesar de tantas feridas e divisões” (DA 119). Daí a importância da oração em família, na comunidade e em particular, para que não falte a graça do Senhor. E também da solidariedade dos irmãos e dos serviços concretos da comunidade de fé promovendo a família por meio de uma “pastoral familiar intensa e vigorosa”, que ajude os casais a superarem as crises, como já nos pediu o Papa Bento XVI.
    Veja só como a Igreja, hoje mais do que nunca, nos seus documentos e pronunciamentos, pensa, defende e promove a família. A Família é “berço da vida”; é “a primeira sociedade, anterior ao Estado, detentora de direitos naturais e inalienáveis”; é um “bem primário do qual depende o Estado e as Instituições”; é “a primeira escola que educa para os valores e a cidadania; é “o lugar onde vida privada e realidade social se encontram, convergindo para o bem comum”; é “a primeira e principal catequista que educa para a fé”; é “a Igreja doméstica que ensina a conhecer e amar a Deus”; é “berço de vocações para a vida e a Igreja”. A Igreja propõe ações e participa da luta para que a família seja “valorizada e protegida pelo Estado, porque do bem dela depende ao mesmo tempo o bem da sociedade”. O respeito pela vida humana e a dignidade da pessoa, a convivência social e a responsabilidade pela construção do bem comum são virtudes que vêm do berço, nascem da experiência da vida em família.
    A Pastoral Familiar da Diocese de Bauru vem cumprindo sua missão e prestando serviço a favor de nossas famílias. Venha você também, estimado leitor, enriquecer a Pastoral Familiar de sua Paróquia com sua participação e insubstituível atuação. Acompanhe a programação da Semana Nacional da Família. Parabéns aos pais! Em louvor de Cristo. Amém!

    Dom Caetano Ferrari Bispo Diocesano de Bauru
    Dia do Padre "Artigo publicado na edição de 02 de agosto de 2009 do Jornal Bom Dia
    Agosto, na Igreja, é o mês vocacional. Nesta primeira semana somos chamados a rezar, refletir e agir nas Comunidades em prol das vocações para os ministérios ordenados: bispos padres e diáconos. Toda autoridade na Igreja é ministério, ou seja, serviço. Como Jesus disse, de si mesmo, que veio para servir e não ser servido (cf. Mc 10,45). Todo sacerdote é escolhido por Deus do meio do povo e colocado a serviço dele nas suas relações com Deus (cf. Hb 5,1).
    Os sacerdotes ou presbíteros ou padres são absolutamente necessários na vida da Igreja. Não há genuína pregação da palavra de Deus nem a presença real de Cristo entre nós pela Eucaristia sem o padre ungido e ordenado legitimamente por meio da sucessão apostólica. São Francisco dizia que se, no caminho, encontrasse um anjo e um padre; primeiro beijaria a mão do padre e depois saudaria o anjo. E explicava: “Não quero nem saber se ele tem algum defeito, mesmo algum pecado, porque neste mundo não existe nenhuma outra criatura com o poder de fazer Jesus presente realmente no meio de nós”.
    Nós bem sabemos que não há verdadeira Igreja de Cristo sem os padres. Por isso no nosso povo ama os padres e os tem em grande estima, vendo neles o rosto de Cristo, o bom Pastor.  O Papa Bento XVI instituiu 2009 como o “Ano Sacerdotal”, a fim de que nos conscientizemos sobre o valor e a importância do padre para a Igreja e a sociedade, e oremos pela santificação deles.
    O próximo dia 4, festa do Santo Cura D’Ars, São João Maria Vianney, patrono e modelo dos padres, é o dia do Padre. Demos graças a Deus por nossos padres, oremos por eles e lhes sejamos gratos.
    Dom Caetano Ferrari – Bispo diocesano de Bauru
    "Comunidades de Base "Artigo publicado na edição de 26 de julho de 2009 do Jornal Bom Dia
    O acontecimento eclesial no Brasil mais importante da semana foi o 12º. Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, realizado em Porto Velho, Rondônia. Lá estiveram três mil representantes das mais de 100 mil CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) espalhadas pelo Brasil, sem contar as centenas de pessoas encarregadas da logística do encontro.
    As CEBs são frutos bons do impulso renovador do Concílio Vaticano 2º, surgidas no final da década de 60. E durante a ditadura militar cumpriram papel importante na redemocratização do País.
    Influenciadas por essa experiência, algumas das CEBs seguiram um caminhada de acentuado engajamento nas lutas políticas e sociais da sociedade com prejuízo da dimensão central do religioso e espiritual.
    Hoje, sem perder o compromisso com as transformações sociais, fazendo a ligação da fé com a vida, as CEBs são verdadeiros espaços de formação de discípulos e missionários a serviço da Igreja.
    O encontro pôs em evidência a força das CEBs como “um novo jeito de ser Igreja”. Os participantes procuraram dar respostas ao “grito que vem da Amazônia”.
    Renovando sem compromisso missionário, aprovaram propostas de apoio e colaboração com a Igreja da Amazônia pela defesa da vida dos povos da floresta, indígenas, ribeirinhos e seringueiros.
    E também e do meio ambiente, pelo anúncio do Evangelho da vida e de Jesus Cristo, e pelo comprometimento com a luta por melhores condições de vida dos pobres e excluídos.
    Dom Caetano Ferrari
    "Comunicação a Serviço da Evangelização"Artigo publicado na edição de 19 de julho de 2009 do Jornal da Cidade
    Comunicação a serviço da Evangelização
                Agradeço intensamente a Direção do Jornal da Cidade pela concessão deste espaço semanal à comunicação da Diocese de Bauru com a sociedade em geral e com a comunidade católica em particular. A ampla circulação regional do JC permite à Diocese levar a sua mensagem para além do seu limite territorial, alcançando com sobra os 14 municípios que a compõem. Impossível não reconhecer e destacar o sentido pastoral do espaço que o JC disponibiliza à Diocese como um canal de comunicação posto a serviço da ação evangelizadora da Igreja. Impossível, portanto, não agradecer. 
                A Igreja Católica, desde o século passado, vem acentuando a importância dos meios de comunicação social (mass media) para o serviço da Evangelização. O Papa Paulo VI, na exortação apostólica “Evangelii Nuntiandi”, de 1975, falando sobre a Evangelização no mundo contemporâneo, dizia que a Igreja sentir-se-ia culpável se não se servisse destes meios poderosos de comunicação e que: “É servindo-se deles que ela ‘proclama sobre os telhados’ (cf. Mt 10,27; Lc 12,3), a mensagem de que é depositária. Neles encontra uma versão moderna e eficaz do púlpito. Graças a eles consegue falar às multidões” (n. 45). Recentemente o Episcopado da América Latina e do Caribe, reunido na V Conferência Geral, em Aparecida, chamou a atenção para este mundo atual formatado “como grande cultura midiática” pela revolução tecnológica e a globalização (cf. Documento de Aparecida, 484). E como Bispos à frente da Igreja no continente assumiram, conforme se lê no referido DA, valorizar esta nova cultura da comunicação e “Estar presente nos meios de comunicação de massa: imprensa, rádio e TV, cinema digital, sites de Internet, fóruns e tantos outros sistemas para introduzir neles o mistério de Cristo” (n: 486, “e”).
                Também entre nós, como afirmam as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, aprovadas pela CNBB para vigorar de 2008 a 2010, a Igreja foi convocada a “Incentivar e, onde já existe, animar a Pastoral da Comunicação nos regionais, dioceses e paróquias para que possa contribuir para a integração entre as demais pastorais, articulando o processo de comunicação no interior da Igreja e envolvendo os meios de comunicação no anúncio da Palavra de Deus a todos” (n: 206, “l”).
                A PASCOM (Pastoral da Comunicação) Diocesana está organizada na Diocese de Bauru e vem atuando há anos, tendo por missão, entre outros serviços, promover a comunicação e a informação dentro e para fora da Diocese; cooperar na educação crítica de nossas crianças, jovens e adultos quanto ao uso dos meios de comunicação; auxiliar na formação de comunicadores comprometidos com os valores humanos e cristãos, e com a ética da comunicação.
                Como a verdadeira comunicação deve ser dialógica, conforme o ensinamento da teoria cristã da comunicação, o presente espaço no JC será usado pela PASCOM diocesana para um diálogo da Diocese, em três partes: 1- Reflexão sob a responsabilidade do Bispo, que em suas ausências terá algum substituto, como por exemplo, o Vigário Geral ou o Coordenador Diocesano de Pastoral; 2- notícia ou informação de interesse diocesano; 3- agenda semanal da Diocese. No final, são oferecidos os endereços eletrônicos para contatos.
                Estendendo o meu agradecimento inicial a toda a família do JC, o que inclui o leitor, rogo a Deus, para todos, bênçãos e graças de saúde e prosperidade, de paz e bem. Em louvor de Cristo. Amém!
     Dom Caetano Ferrari, OFM Bispo Diocesano de Bauru
    "Ano Catequético"Artigo publicado na edição de 19 de julho de 2009 do Jornal Bom dia Bauru
     
    No âmibto da Igreja do Brasil um Ano Catequético Nacional está em curso. O tema é: “Catequese, caminho para o discipulado”, e o lema, inspirado em Lucas 24,32-35, é: “Nosso coração arde quando Ele fala, explica as Escrituras e parte o pão”.
    Uma passagem bíblica traz o testemunho dos discípulos de Emaús, quando o Ressuscitado caminhando com eles, com eles, lhes deu uma verdadeira catequese explicando nas Escrituras as passagens que se referiam a Ele, à sua Paixão e Ressurreição. E de como os olhos se lhes abriram quando Ele partiu o pão.
    Tendo por paradigma esta catequese de Jesus, o Ano Catequético, querendo nos ajudar a repensá-la, tem por objetivo geral “dar novo impulso à catequese como serviço eclesial e caminho para o discipulado”.
    Uma catequese com novo impulso e que faça o coração arder nos chama a uma grande revisão de todo o processo de iniciação a fé. Como os católicos, em geral, são batizados quando crianças e pouco evangelizados, a Igreja deseja priorizar a catequese com adultos.
    E indica algumas pistas para essa catequese renovada: que seja um processo permanente de educação da fé e não apenas preparatória aos sacramentos e só para crianças; que seja centrada na Palavra de Deus, na oração e na vivência da fé; que seja assumida por todas as paróquias como um bonito trabalho de Pastoral de Conjunto.
    Para que o Ano Catequético alcance seus objetivos – adesão firme a Jesus, convicções sólidas e alegria de ser católico – contamos com sua participação e orações.

    Dom Caetano Ferrari, OFM – Bispo Diocesano de Bauru


    "Caritas in Veritate"
    Artigo publicado na edição de 12 de julho de 2009 do Jornal Bom dia Bauru
     
    Com o nome de “Caridade na Verdade”, o Santo Padre o Papa, Bento 16, publicou no último dia 7 uma nova Encíclica, a terceira de seu pontificado. As duas anteriores são “Deus Caritas Est” Deus é amor), em 2006; e “Spe Salvi” (Salvos na esperança), em 2007.
    “Caridade na Verdade” é uma encíclica dirigida à Igreja e a todas as pessoas de boa vontade. Nela o Papa aborda temas sociais relacionados ao desenvolvimento humano integral que só se alcançará se regido pelos princípios éticos normativos da caridade e da verdade.
    Por isso, é uma Encíclica de caráter social, que se inscreve no conjunto da doutrina social da Igreja.
    Caridade na verdade deve ser o critério para se defrontar com as problemáticas do progresso moderno, os desequilíbrios dramáticos na atual sociedade globalizada e a recente crise econômico-financeira. À luz dessa diretriz evangélica, o Papa mostra que é necessário promover um humanismo integral, que concilie o progresso social e econômico com o respeito à pessoa; e que se superem as profundas disparidades entre ricos e pobres e a exclusão de pessoas e povos.
    Somente a partir de uma consciência ética alicerçada no Evangelho será possível, diz ele, globalizar também a solidariedade e redesenhar um novo modelo de desenvolvimento que assegure um padrão de vida de autêntico bem-estar e de paz estável para todos.
    Por fim, lembra Bento 16 que cabe a todas as pessoas de boa vontade, mas de modo especial aos cristãos, construir esse humanismo integral, assumindo este desafio como tarefa solidária e jubilosa e como expressão de disponibilidade para Deus e para os irmãos.

    Dom Caetano Ferrari, OFM – Bispo Diocesano de Bauru


    "Chamou os que quis"
    Artigo publicado na edição de 5 de julho de 2009 do Jornal Bom dia Bauru
    Não há Igreja de Cristo sem a Palavra de Deus e a Eucaristia. E não há celebração da Eucaristia e pregação da Palavra sem o chamado e o envio dos discípulos-missionários por Jesus Cristo. Jesus chamou os que quis para ficarem com Ele e os enviar à missão (cf. Mc 3, 13-14). Na linha da sucessão apostólica, hoje, os Padres, chamados também de Sacerdotes ou Presbíteros, são os discípulos-missionários de Jesus, o Bom Pastor que devotava misericórdia preferentemente para com os doentes, pobres e pecadores. Igualmente os Padres de nossa Diocese, à imagem do Bom Pastor, empenham-se para ter esse jeito de ser de Jesus, vivendo próximos do povo e servindo a todos com zelo pastoral, como homens de misericórdia e compaixão. É por isso que o nosso povo tem grande estima para com os nossos Padres. Enquanto estiveram em retiro espiritual, na semana passada, nossas comunidades de fé os acompanharam com suas orações. Isso explica porque o retiro foi muito proveitoso e frutuoso.

    Como os Apóstolos foram importantes e insubstituíveis para o projeto de Jesus, também os nossos Padres o são hoje, A vocação sacerdotal é uma graça de Deus para quem é chamado; e o ministério sacerdotal, um dom de Deus para a Igreja.

    Durante o Ano Sacerdotal, somos convidados a orar por mais e santas vocações, e pela santificação dos nossos Padres. Que eles possam, com a ajuda do Espírito Santo, deixar se configurar com o coração do Bom Pastor, e permanecer fiéis à vocação e missão de trabalhar pelo Reinado de Deus, em favor da vida humana, da vida em Cristo e da vida eterna.

      

    Dom Caetano Ferrari, OFM

    Bispo Diocesano de Bauru

     

    "Buscar a santidade"
    Artigo publicado na edição de 28 de junho de 2009 do Jornal Bom Dia Bauru
     
    De acordo com o ensinamento da Sagrada Escritura, santo é quem está em “união com Deus” que por sua própria natureza é santo. Foi o Senhor quem pôs este chamado no coração de todos os homens: “Sede santos porque Eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lev 19,1). Como Deus “deseja que todos os homens se salvem e conheçam a verdade” (1Tim 2,4), enviou “o seu Filho único para que todo o que n’Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).
    Eis porque a busca da “união com Cristo” tornou-se o caminho ordinário para a santidade: “Nele, Deus nos escolheu, antes da fundação do mundo, para sermos santos e íntegros no amor” (Ef 1,4). E todos na Igreja são chamados a essa vida de união com Cristo: Bispos, Padres, Diáconos, Fiéis leigos e leigas. 
    A vocação universal à santidade deve ser cultivada segundo os diversos gêneros de vida e profissões. Na Igreja, todos oram pela santificação de todos. A Igreja é, no mundo, sacramento de salvação e santificação da humanidade.
    Durante o Ano Sacerdotal, que ora se inicia, a Igreja estende um convite à oração a favor da santificação de todos os sacerdotes. Na oração sacerdotal, assim rezou Jesus ao Pai: “Santifica-os na verdade... Como Tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E, por eles, a mim mesmo me santifico para que sejam santificados na verdade. Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra, crerão em mim” (Jo 17, 17-20).
    O Clero diocesano de Bauru se recolherá em retiro espiritual, de 29/06 a 3/07, em Agudos, desejando vivamente aprofundar a vida de “união com Cristo”. E conta com suas orações.
     Dom Caetano Ferrari
    Bispo diocesano de Bauru
    "Dom Caetano Ferrari fala sobre o Ano Sacerdotal" Artigo publicado na edição de 21 de junho de 2009 do Jornal Bom Dia Bauru
     
    Desde o dia 19 de junho de 2009, a Igreja no mundo celebra um especial Ano Sacerdotal convocado pelo Santo Padre o Papa, Bento XVI, para se concluir na mesma data do ano de 2010, em comemoração aos 150 anos da morte do Cura D’Ars, São João Maria Vianney, exemplo de sacerdote a serviço do Povo de Deus, agora proclamado pelo Papa padroeiro dos sacerdotes de todo o mundo. Neste dia 19 de junho, a Igreja comemorou também a solenidade do Sagrado Coração de Jesus e o Dia Mundial de oração pela santificação dos sacerdotes.
       Com o tema “Fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote”, escolhido pelo próprio Papa, o Ano Sacerdotal, diz ele, tem por finalidade “ajudar a perceber cada vez mais a importância do papel e da missão do sacerdote na Igreja e na sociedade contemporânea”. Convida os cristãos a olhar para a beleza e o valor do Sacerdócio Ministerial, instituído por Jesus Cristo “na noite em que foi traído” e vinculado por Ele à Eucaristia, como memorial do seu amor pela humanidade. Tomando essas palavras do Cura D’Ars: “O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus”, o Papa lembra “que o nome do amor, no tempo, é fidelidade”.    
    O Ano Sacerdotal deve ser, especialmente, um ano de orações pelas vocações, mas, sobretudo, pela perseverança e fidelidade dos sacerdotes no seu ministério; os sacerdotes em geral e, principalmente, os de nossas Paróquias e comunidades.
     Dom Caetano Ferrari
    Bispo Diocesano de Bauru
    "Encher a terra com o Evangelho" Artigo publicado na edição de 14 de junho de 2009 do Jornal Bom Dia Bauru
    A Palavra de Deus é comparada à semente lançada ao campo (Mc 4,14). Ao discípulo missionário de Jesus Cristo compete semeá-la, não importa aonde caia. É pelo poder de Deus que ela germina. E sempre haverá a terra boa, que preparada pela graça e a generosidade do coração, dará fruto, em um trinta, no outro sessenta, no outro cem.   
    Mas quem é o discípulo missionário, como se deve entender essa expressão? Esse binômio, que vem também expresso com a conjunção aditiva “e”, ou seja, discípulo e missionário, aparece inúmeras vezes no Documento de Aparecida. Tornou-se um termo referencial a partir do tema da V Conferência do Episcopado da América Latina e Caribe: “Discípulos e Missionários de Jesus Cristo para que nele nossos povos tenham vida”. Com esse termo, o Documento de Aparecida reafirma, de modo explícito e categórico, a comum identidade e dignidade de todos os cristãos batizados: “Em virtude de seu batismo, são chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo” (n.10). São, portanto, discípulos missionários os bispos, padres, diáconos, religiosas, fiéis leigos e leigas. E a Igreja, bem como a Diocese e as Paróquias, congregam a comunidade dos discípulos missionários enviados a semear a Palavra de Deus, a encher a terra com o Evangelho de Jesus Cristo.
     Dom Caetano Ferrari, OFM
    Bispo Diocesano de Bauru
    Dom Caetano visitou TV Prevê e o Jornal da Cidade Fonte: PasCom Bauru
     
    Respondendo aos convites de dois dos principais veículos de comunicação de Bauru e região, Dom Caetano Ferrari visitou a TV Prevê e o Jornal da Cidade no dia 10 de junho. Acompanhado da assessoria de imprensa da Diocese de Bauru, Dom Caetano concedeu uma entrevista ao professor Duda Trevisani no programa Enfoque Regional, que foi ao ar no dia 11 em três edições. O bate-papo contou com muitas recordações de infância, pois bispo e entrevistador nasceram em Pirajuí e estudaram no mesmo colégio. Dom Caetano falou sobre o surgimento da sua vocação, sua trajetória ministerial, as metas para o trabalho missionário na Diocese e outros assuntos relacionados à fé católica.
    Em seguida, na companhia do padre Marcos Pavan, Dom Caetano foi recebido no Jornal da Cidade por João Jabbour, gerente editorial, e Gisele Hilário, editora chefe. Eles apresentaram a empresa ao bispo, falaram sobre a atuação do jornal e o presentearam com fotos. Dom Caetano também conversou com Renato Zaiden, diretor do JC, e Ieda Rodrigues, repórter do caderno geral, que entrevistou o bispo e o padre Marcos sobre a festa de Corpus Christi.
    Em ambos veículos, Dom Caetano agradeceu pela boa relação com a Diocese, se colocou à disposição dos jornalistas e pediu um espaço para as notícias da Igreja Católica em Bauru e região.
    Conhecer a Jesus - Artigo publicado na edição de 7 de junho de 2009 no jornal Bom Dia Bauru.
     
    Prezado(a) leitor(a), tenho a grande alegria de lhe dirigir a palavra, iniciando neste Jornal uma comunicação que, espero, possa servir para estreitar laços de estima, de comunhão e de colaboração entre nós, para nos ajudar a testemunhar nossa fé por palavras e obras.
    Tendo tomado posse como o 5° Bispo Diocesano de Bauru na celebração da solenidade de Pentecostes (domingo passado) realizada na Sé Catedral, desejo agradecer a calorosa acolhida recebida e as tantas manifestações de afeto e boas vindas. Por tudo isso dou graças a Deus e, a você, o meu mais profundo ‘muito obrigado’. Suplico a Deus para que eu possa retribuir todo esse bem recebido do melhor modo possível, prometendo cumprir fielmente o ministério apostólico a mim confiado, com a graça de Deus, a força do Espírito Santo e a proteção da Imaculada Conceição de Nossa Senhora Aparecida, nossa Mãe e Padroeira. 
    Na Missa da posse, consagrei ao Divino Espírito Santo, padroeiro da Diocese, pelas mãos de Maria Santíssima, minha vida e meu ministério episcopal com o firme propósito de tudo fazer para que nossa Diocese de Bauru seja, de fato, uma Igreja Missionária como nos pede o Papa e o Documento de Aparecida, do qual estou convencido quanto a estas palavras: “Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que aconteceu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria”.
    É isso o que eu desejo fazer, com todo o coração, não sozinho, mas com a Igreja toda e com a sua indispensável participação.
     Dom Caetano Ferrari, OFM
    Bispo Diocesano de Bauru
    Dom Caetano conversa com a Revista Missões sobre ser bispo hoje, os desafios da Diocese, a comunicação na Igreja e muito mais
    No dia 30 de maio Dom Caetano Ferrari conversou com jornalistas na Universidade Sagrado Coração (USC), entre eles, Cecília Soares de Paiva, da Revista Missões. Confira abaixo a entrevista.
    Missões: O que significa ser bispo no século XXI?
    Dom Caetano: Na última Assembleia Geral em Itaici, dedicamos um dia inteiro para discutir a missão dos bispos à luz do Apóstolo Paulo (estamos no Ano Paulino). Foram considerados vários aspectos. O grande desafio é o de ser autoridade-serviço e não autoridade-poder. Isso inclui ser animador na vida da Igreja, junto às lideranças. Saber usar seus conhecimentos no sentido de impulsionar e animar as forças vivas da diocese, em vistas da Evangelização. O forte hoje da Igreja é resgatar a sua missionariedade. Jesus Cristo e a Missão são essenciais no trabalho de hoje. O Concílio Vaticano II, nos apresentou a Igreja-comunhão. Agora o enfoque é a Igreja-missionária. O eixo era: a comunhão com o povo de Deus: a formação, a catequese e os sacramentos. Com Aparecida, o eixo importante é a Igreja-missão, e como consequência, não é somente a formação e a catequese, mas o anúncio, o querigma. Fazer a Igreja voltar a ser missionária, a ser como o Apóstolo Paulo que saiu de Jerusalém e percorreu o mundo anunciando Jesus Cristo e formando a comunidade-Igreja.
    Inclusive o lema que escolhi, para me inspirar e orientar a minha missão, carrega o aspecto missionário que se tornou um compromisso muito maior com o Documento de Aparecida: entrar em estado permanente de missão. Toda a Igreja, paróquias e dioceses, devem fazer um esforço para a renovação estrutural e a conversão pastoral. Esse pensamento é muito franciscano porque se trata de evangelizar toda a criatura. Encher a terra com o Evangelho, não somente os pobres, mas todos, sem exceção.
    Missões: Como atuar em meio a tantas propostas religiosas?
    Dom Caetano:A abertura ao diálogo é essencial na Igreja. Não se deve convencer na marra, mas pela atração, como diz o próprio Documento de Aparecida. É converter e reanimar os que estão afastados e já são batizados e eventualmente apresentar Jesus Cristo a quem não o conhece. Para isso é preciso ser atraente, saber utilizar os meios de comunicação que podem ajudar muito se os conhecemos e os utilizamos bem.

    Missões: Como é viver o carisma franciscano hoje?
    Dom Caetano:O carisma franciscano é bastante atual, exatamente na missão, por ser a primeira Ordem verdadeiramente missionária. Quando a comunidade passou a contar com muitos irmãos, São Francisco os enviou, dois a dois, pelas estradas para levar o Evangelho de Jesus Cristo. A Ordem logo recebeu missões fora da Europa, mundo afora. Outra característica da espiritualidade franciscana é a fraternidade universal e a ecologia. São Francisco é irmão universal de toda gente, de toda a criatura que devem viver como filhos de Deus, com cuidado para com a natureza e a criação. E a questão ecológica é um tema muito atual e importante. Destacaria também o tema da justiça e da paz, próprios de São Francisco, um homem pacífico.
    Missões: Qual o desafio para a Diocese de Bauru? O que está previsto como as primeiras atividades na Diocese?
    Dom Caetano: O desafio local é o mesmo desafio de toda a Igreja: entrar no estado permanente de missão. E na prática é a consciência do que isso exige que inclui a mudança de comportamento, coisa nada fácil. Como primeiras atividades, estão agendados alguns encontros com lideranças e celebrações. Existem duas prioridades: a primeira relaciona-se ao compreender a Diocese priorizando visitas às paróquias dos 14 municípios que a compõem. Depois saber discernir a realidade e, se preciso for, articular os conselhos e colegiados, porque o bispo não age sozinho. A segunda tarefa vem ao encontro de Aparecida e também inspirado no meu lema, que é saber impulsionar, animar a conversão estrutural das nossas paróquias e da nossa diocese. Vamos confirmar os serviços e atender as urgências conforme a previsto no plano diocesano de pastoral.
    Missões: Esse projeto contempla a Missão Continental abrindo a Igreja local para a Missão além de suas fronteiras?
    Dom Caetano: Na Missão Continental devemos entrar em comunhão com toda a Igreja e ajudados pela CNBB que está estudando, entrarmos juntos no processo da Missão Continental, do qual ninguém deve ficar de fora. É um projeto que vai se clareando com a caminhada da própria Igreja.
    Missões: O senhor pretende promover encontros com as comunidades, políticos e lideranças civis?
    Dom Caetano: É importante que o bispo faça visitas pastorais que não são apenas visitas internas, mas com a sociedade, as autoridades, para se apresentar e buscar parcerias de interesse comum, fortalecendo a relação com as lideranças, com as forças vivas da sociedade em geral, seja governo ou comunitário, as lideranças sociais, os empresários os trabalhadores, mantendo com todos um diálogo. Isso inclui também a abertura ecumênica religiosa com as demais igrejas presentes na diocese.
    Missões: A 47ª Assembleia Geral da CNBB revisou as diretrizes da Formação dos Presbíteros à luz do Documento de Aparecida. Como serão implementadas em Bauru?
    Dom Caetano: Pelo documento aprovado ficou decidido que primeiro faremos o estudo do texto com a equipe de formadores, atualizando o nosso projeto local de formação. São propostas muito boas, sobre aspectos de preocupação da formação humana e acadêmica, do cuidado com a vida comunitária e fraterna dos padres. Somos um colegiado, uma comunidade composta pelo bispo, padres, diáconos permanentes e precisamos caminhar entrosados, numa verdadeira fraternidade. A partir disso fazer o trabalho pastoral. É necessário primeiramente estudá-lo bem para dar sentido à sua aplicação.
    Missões: Como o senhor avalia os serviços de comunicação na Igreja?
    Dom Caetano: Ainda estamos na situação de acolher as pessoas que frequentam a paróquia, na comunicação relacionada às pessoas que ouvem o padre na sua homilia. Então este serviço da acolhida leva ao serviço do envio, do ir ao encontro das pessoas. O missionário vai, mas deve pregar em cima dos telhados, como Jesus incentivava. Para isso, deve utilizar os meios de comunicação. Quando possível, a Igreja deve ter os seus próprios meios, ou então, conseguir espaços porque, apesar de toda a experiência milenar, estamos atrasados. Só que não podemos cair no conceito de marketing, que apela para tudo. Entendemos que a comunicação deve ser executada e impulsionada a partir da ética. Quem vai controlar os meios: o dinheiro?A total liberdade dos meios não pode acontecer. A mídia é importante e a tecnologia pode ser muito bem utilizada a serviço do Evangelho. Enquanto podemos ter emissoras próprias, utilizaremos, caso contrário, devemos buscar espaços, e se nem nelas termos espaço, devemos ser a consciência ética e crítica. Ser Igreja também é saber cobrar de quem está a serviço do consumismo e dos interesses econômicos. Não podemos entrar no jogo. Como fica a nossa pregação e os valores que carregamos? Devemos observar e fazermos avanços, assim como já temos feito. Em Bauru, por exemplo, vejo que temos uma articulação boa, que existem pessoas atuantes. É um serviço essencial e isso não acontece em todos os lugares.
    Missões: O senhor utiliza os microfones?
    Dom Caetano: Existem coisas que eu sei fazer e faço bem, outras que faço mais ou menos, outras que eu não sei. Já utilizei algumas vezes, mas não é preciso saber tudo, melhor conhecer quem sabe fazer bem e confiar a eles esses serviços.
     * Cecília Soares de Paiva é jornalista, Relações Públicas e mestranda em Comunicação. Colaboradora da revista Missões.
    Fonte: Revista Missões www.revistamissoes.org.br
    Diocese de Bauru celebra seus 45 anos, festa do Padroeiro e a posse de Dom Frei Caetano Ferrari, OFM
    Toda a comunidade está convida para a cerimônia, que acontece no dia 31 de maio, às 15h, na Catedral.
    A festa de Pentecostes, que celebra o padroeiro da Diocese de Bauru, o Divino Espírito Santo, será esse ano ainda mais especial: a data marca a posse de Dom Caetano Ferrari, OFM, como 5º bispo diocesano. Nesse dia também serão comemorados os 45 anos de instalação da Diocese de Bauru.
    A cerimônia acontece no dia 31 de maio, às 15h, na Catedral do Divino Espírito Santo. A missa deve contar com a presença de bispos da região, sacerdotes e representantes das 41 paróquias da Diocese, além de autoridades dos poderes públicos, lideranças diocesanas, agentes pastorais e a comunidade em geral. Caravanas de Franca, de onde Dom Caetano está sendo transferido, e de Pirajuí, cidade de origem do bispo, também estão confirmadas.
    Todos estão convidados!
    Dom Caetano conheceu o Clero de Bauru
    Dom Frei Caetano Ferrari, OFM visitou a Diocese de Bauru nos dias 14 e 15 de maio. Ele esteve no Seminário Seráfico Santo Antônio, em Agudos onde teve seu primeiro contato com o clero local. Sua posse será no dia 31 de maio, às 15h, na Catedral do Divino Espírito Santo. Já estão confirmadas as presenças de 10 bispos da região.
    Fonte: PasCom

     
     
    Dom Caetano deve visitar Bauru em maio
    Dom Caetano participará de uma reunião com o Clero no Seminário de Agudos. Confira outros detalhes em uma entrevista condedida ao programa de rádio Notícias Diocesanas.
    No próximo dia 15 de maio Dom Caetano Ferrari, OFM, irá participar de uma reunião com o clero da Diocese no seminário seráfico Santo Antônio, em Agudos.
    O comunicado foi feito em entrevista para o programa de rádio Notícias Diocesanas. O bispo nomeado para a Diocese de Bauru também falou sobre suas expectativas e seu lema missionário.
    Confira a entrevista concedida por Dom Caetano Ferrari, OFM, ao programa Notícias Diocesanas, transmitido pela Rádio Veritas FM (102,7) na edição 314, que foi ao ar no dia 18 de abril.
     
    1. Como o senhor recebeu a notícia de sua transferência para Bauru? Quais são as suas expectativas?
    Eu recebi a minha transferência para Bauru como uma agradável surpresa. Para mim há uma motivação especial, do ponto de vista particular, pois sou filho da região, nasci e tenho parentes em Pirajuí, também em Bauru. Aí tenho minhas raízes familiares e vocacionais. Eu entrei no seminário Santo Antônio, em Agudos, onde comecei minha formação franciscana. Em paróquias de Agudos e Bauru tenho laços afetivos com meus confrades franciscanos. Além da surpresa alegre, vou com o sentimento de servir do melhor modo possível usando a minha experiência para atender o povo de Deus da Diocese de Bauru. Tenho 66 anos de idade, 39 anos de padre, 44 anos de vida franciscana e apenas 7 anos de bispo, mas com uma caminha da pastoral longa.
     
    2. Para quando está prevista sua primeira visita a Bauru como bispo nomeado? A data da posse já foi confirmada?
    Eu marquei uma visita para o mês de maio para um primeiro contato com os padres, pois antes estarei na 47ª Assembléia Geral da CNBB. Lá terei a oportunidade de encontrar o administrador, o padre Luiz Fontana, que está representando a Diocese de Bauru. A minha posse está marcada para o dia 31 de maio, na Solenidade de Pentecostes, às 15h, na Catedral, porque o Divino Espírito Santo é o padroeiro da Diocese de Bauru, sendo esse um momento muito oportuno.
     
    3. O seu lema é “evangelizar toda criatura”. A Diocese de Bauru pode esperar um destaque para a ação missionária?
    De fato eu escolhi esse lema quando fui ordenado bispo em abril de 2002 porque ele é muito apropriado diante do apelo que a Igreja vem fazendo pela evangelização. O Documento de Aparecida convoca todos nós da América Latina e do Caribe – do Brasil, em particular – à missão. A missionariedade é muito forte também no carisma franciscano. A Ordem dos Frades Menores é missionária, quem sabe a primeira com esse forte caráter. A expressão “evangelizar a toda criatura” está ligada a São Francisco, que chamava toda a criação de irmão e irmã, em uma fraternidade universal. Nesse espírito, devemos evangelizar não só os povos, mas toda a criação, toda a criatura, enchendo a terra das sementes do evangelho. O Documento de Aparecida nos pede para evangelizar a cultura, a sociedade, todas as pessoas... Esse lema é muito forte e inspira a trabalhar em nossas comunidades para que sejam missionárias.

    Fonte: PasCom

    Carta de Dom Caetano
    comunicando sua transferência
    para a Diocese de Bauru-SP


    DOM FREI CAETANO FERRARI OFM
    Evangelizare Omni Creaturae


     

    Franca, 15 de abril de 2009

     

    Estimados Párocos, Vigários, Diáconos,
    Religiosas, Seminaristas e Fiéis leigos e leigas

    “O Senhor lhes conceda a paz!”

    Cumpro o dever de comunicar que, conforme notícia publicada no L’Osservatore Romano do dia de hoje, o Santo Padre o Papa, Bento XVI, me nomeou Bispo da Diocese Vacante de Bauru transferindo-me desta Diocese de Franca.

    Sempre em espírito de obediência ao Santo Padre dei o meu sim confiando na graça de Deus e na intercessão da Imaculada Conceição para bem servir à Igreja e ao povo de Deus da Diocese de Bauru.

    Ao mesmo tempo rendo graças a Deus pelo tempo vivido nesta Diocese de Franca e muito agradeço a Vós, meus irmãos e irmãs, pela estima e apoio sempre devotados a mim ao longo dos sete anos de presença entre vós.

    Estou recebendo esta transferência como um presente pessoal e uma homenagem prestada a minha família de sangue e a de vida religiosa. Na região de Bauru estão minhas raízes, familiares e vocacionais. Nasci em Pirajuí, 50 km de Bauru, tendo familiares e parentes em Pirajuí e Bauru. Iniciei minha formação franciscana entrando no Seminário Santo Antônio, em Agudos, 15 km de Bauru.

    Na certeza de estarmos sempre unidos na comunhão de orações, rogo a Deus para vós bênçãos e graças de saúde, paz e todo o bem.

    Cordialmente,

    Dom Caetano Ferrari, OFM
    Administrador Diocesano

     
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