A
História da Paróquia Santa Teresinha:
A
Igreja de Santa Teresinha do Menino Jesus foi idealizada pelo
Padre João van der Hulst, MSC, na época, Pároco da Igreja Matriz do
Divino Espírito Santo. Nesse tempo, já havia a capela de Nossa Senhora
Aparecida, na praça Washington Luiz e a antiga Igreja de São Benedito,
na Vila Falcão.
Animado pelo sonho de
construir um templo na parte central da cidade, Padre João
empenhou-se com garra para conseguir a então praça 24 de outubro,
disputada por várias entidades. No dia 1º de setembro de 1931, o
prefeito Antônio Gonçalves Fraga fez a doação da área à igreja.
No mesmo ano, a 17 de outubro, o dinâmico sacerdote iniciou a tão
desejada obra. Mobilizou os fiéis e a população bauruense em geral para
o levantamento de verbas - "donativos pessoais, em material, em
dinheiro, em horas de serviço, são ofertados; realizam-se festivais,
quermesses, jogos de futebol, em benefício; são feitas arrecadações
mensais, listas, destacando-se o trabalho apostólico das zeladoras do
Óbulo de Santa Teresinha" - todos unidos no mesmo ideal.
A planta, do arquiteto
holandês João Stiit, inspirada em uma igreja do seu país, não
chegou ao Brasil na data prevista. Pe. João, que era engenheiro,
não querendo perder a oportunidade, entregou à Prefeitura um esboço,
executado às pressas. Quando teve em mãos a original, o edifício já
havia sido iniciado em proporções bem maiores. Santa Teresinha
foi escolhida como padroeira pela devoção popular da época e também por
ser uma santa dos tempos modernos.
A
inauguração aconteceu no dia 15 de novembro de 1934, durante a grande
Concentração Mariana do Estado de São Paulo em Bauru. O templo tinha a
capacidade para três mil pessoas. O semanário "A Fé", que circulava nos
lares católicos bauruenses e das cidades vizinhas, fez ampla divulgação
do acontecimento. O padre responsável, nele, deixa registrada a emoção
que tomou conta dos fiéis: "...Imponente na sua majestade, o edifício
sagrado coroa a parte alta da cidade. O sino tocava, já tem sino feito
em Bauru e oferecido por corações gratos. Colunas de incenso envolviam o
ambiente, tudo feito de alegria, mocidade e pureza. E sempre mais gente
que passava por baixo dos arcos que cantavam, em suas cores e seus
dizeres, a glória de Nossa Mãe. Parecia que a enorme igreja era pequena
naquele dia. A missa pontifical, celebrada pelo amado bispo diocesano,
teve um brilho excepcional: o coro composto por 50 das melhores vozes da
cidade, a orquestra, de mais de 14 figuras, encheram o espaço com sua
arte e sua devoção. A palavra do Padre Moraes novamente traduziu,
com rara felicidade, o que a alma bauruense sentia naquele momento de
inauguração, coroação dum grande esforço da coletividade católica de
Bauru.
Justamente
durante o sermão, veio o avião da Condor e voou várias vezes baixo sobre
a Igreja, para deixar cair a chuva de rosas. Mas Santa Teresinha
não quis a chuva de rosas para si, o vento num gesto delicado, que podia
ser inspirado pela Santa, levou a benção de rosas para a cidade, para as
ruas e para as casas, para as famílias e os corações generosos e devotos
de nossa terra".
Em 1937 foram concluídos o ladrilhamento, as abóbadas e o revestimento
interior. A torre, de 40 metros, teve a sua inauguração em 1946, por
ocasião do centenário da cidade, cabendo à colônia portuguesa a doação
do relógio ali instalado, após o movimento liderado pelo Comendador
José da Silva Martha. No final desse mesmo ano, a grande escadaria
estaria completa e o admirável Padre João deixava a cidade para
residir em Campinas, como Superior Religioso da Ordem dos Missionários
do Sagrado Coração. Terminou a construção o Padre Pedro Dingenouths,
MSC, seu sucessor.
No
dia 27 de dezembro de 1952, por decreto do Bispo Diocesano Dom Frei
Henrique Golland Trindade, a Igreja Santa Teresinha do Menino
Jesus, até então anexada à Paróquia do Divino Espírito Santo,
desmembrou-se, passando a Paróquia de Santa Teresinha do Menino Jesus.
No dia seguinte, tomou posse o primeiro vigário - Padre Pedro Paulo
Koop, MSC.
Os seus limites, conforme o mesmo decreto, foram estabelecidos: "Começa
no início da Avenida Rodrigues Alves, segue por esta avenida até a Rua
Gustavo Maciel, segue esta rua até a Avenida Duque de Caxias, segue esta
avenida e, através da Rua São Bento, atinge a Rodovia São Paulo - Mato
Grosso, segue esta Rodovia até os limites da vizinha paróquia de Agudos,
segue estes limites até encontrar o leito da Estrada de Ferro
Sorocabana, segue por este leito até atingir seu ponto de partida, do
início da Avenida Rodrigues Alves". A demarcação foi sendo alterada com
a criação de novas paróquias.
O vigário Pe. Pedro Paulo concluiu o acabamento geral do templo.
Uma parte do largo foi transformada em jardim de rosas, pelo prefeito
Octávio Pinheiro Brisolla, em louvor à padroeira - Santa das Rosas.
E o prefeito Dr. Nuno de Assis preocupou-se com as obras
modeladoras da praça.
Texto de Maria do Carmo Siqueira Batalha |